Bom dia a todos! Uma bela semana!
Volto ao tema do Unschooling, isto porque é o que me faz mais sentido nesta prática do ensino doméstico. Não apenas pelo sentido que me faz, mas também pelo contacto e observação directa deste meu filho mais novo, que não aceita nada bem qualquer tentativa de manipulação, nem sentido de obrigação ou algo do género. Facilmente nos diz, se insistimos para que faça algo, “Vocês estão-me a mandar!”.
As dificuldades têm sido mais da minha parte, pois mesmo fazendo todo o sentido para mim, sou uma pessoa “escolarizada” e como tal, estou sempre a cair em tentativas de disfarçadamente o incentivar a ler, a escrever e coisas que tais, percebendo logo de seguida que não resulta. Isto também porque gosto de ler e saber das actividades que mais famílias em ensino doméstico fazem e em todos os vossos blogues há ideias tão boas que apetece seguir e logo tento fazer algo parecido com o Alexandre, quase sempre sem êxito, não se interessa nem um bocadinho pela ideia mais genial. Estando atenta, percebo que se interessa a toda a hora por um grande número de coisas e que está sempre ocupado, sozinho ou interagindo com outros, incluindo eu, praticamente “não tenho que fazer nada”, o que às vezes parece frustrante, mas vendo bem, é a melhor coisa!
Ainda ontem observei:
Estava ele a brincar com uma amiga e vizinha com quem brinca frequentes vezes. Às vezes até brincam “às escolas”, porque ela anda na escola e propõe a brincadeira. Desta vez, estavam numa qualquer brincadeira em que ela fazia de mãe e ele de filho e oiço-o a dizer, em tom de malandrice “Mãe, estou aqui, a gastar dinheiro”, num tom de quem sabia que ela, a “mãe na brincadeira”, ia reprovar. “Mas vês”, continuou, “não faz mal, estou a gastar das minhas moedas e ainda tenho muitas moedas, tenho… como é que se escreve novecentas?” E responde-lhe “a mãe” (que é mais velha que ele dois anos e meio): “Um nove e dois zeros”. E ele escreveu o nove e os dois zeros e continuou ” Vês, então? Gastei poucas, pois tinha mil, gastei cem…”
Assim, de cabeça… Ele ultimamente gosta muito de operar nas centenas (já disse aqui uma vez que gosta muito do número quinhentos e que o pronuncia “quinentos” e nós achamos muita piada).
Então, percebi eu ontem, mais uma vez, que tenho mesmo que me aquietar de uma vez por todas e segui-lo, sem programações e orientações.
Nós até temos algumas rotinas, como por exemplo, quase todos os dias lemos uma história ou um trecho dos seus livros “técnicos” preferidos, mas não temos, por exemplo “a hora de ler”, pois é quando calha, ou logo que chego a casa, pois é uma actividade que o Alexandre relaciona comigo e vem todo a aconchegar-se para lermos juntos no sofá, ou mais ao fim da tarde, ou à noite, enfim, quando apetece.
Neste post, a Paula do Aprender Sem Escola, mais uma vez recolhe informação sobre crianças praticantes do Unschooling (Aprendizagem Informal ou Autónoma, como muitas vezes traduz). Coloco aqui a ligação, porque tem muito a ver como o que acabei de dizer. E porque é um post pequeno e conciso, lê-se bem, exactamente reflectindo o que acabo de contar.
Perguntamo-nos muitas vezes, como aqui em Portugal praticar o Unschooling se a lei que temos para o ensino doméstico impõe os exames. Para mim vai ser, um passo de cada vez, até ao final do 4º ano é bem possível praticá-lo, depois logo se verá, não adianta estar com antecipações, e tem que ser sempre conforme o seu ritmo, que só posso perceber a cada momento. É um bom exercício para “viver o momento”, que tanto se fala hoje em dia e que raras vezes conseguimos praticar…
Um grande abraço a todos. Até para a semana, dia 16, Lua Nova!
x
Caderno Verde
Ler e Escrever… os Números.
Já no finzinho do Caderno Verde deste outro post, escrevi como o Alexandre se interessou pelas “letras”, perguntando-me “Qual é a letra número 1? E a número 2?”
Agora anda apostado em saber contar de seguida até 100, mas tem-se “engasgado” quando passa do 59 para o 60 e do 69 para o 70. Então foi no outro dia direitinho a uma mesa onde estavam folhas de papel, rasgou dois bocadinhos e veio trazer-mos para eu escrever o número setenta por extenso e com os algarismos, para que ele se lembrasse qual era o número que se seguia quando emperrasse na contagem:

Eu lá escrevi e percebi que este rapaz vai mesmo é desenvolver a leitura, lendo números !
“I’m a aeroplane, I’m a aeroplane!”
Depois fomos andar de teleférico 
E brincámos todos no “Parque da Música” do Parque das Nações….


E depois ainda fomos a outro parque, mas não tirei fotos. Foi giro porque nos juntámos todos lá de casa (fomo-nos encontrando pelo caminho… 

E bem, esta foto é um exemplo de como muitas vezes a Geografia anda de mão dada com a História:
Ao Alexandre, enquanto lhe falávamos de reis e de como antigamente houve reis em Portugal, saltou-lhe logo à vista que o “rei” usava uma espada (dá um bocado de trabalho explicar a uma criança que desde cedo não tem contacto com filmes ou desenhos animados com pistolas ou espadas, que não sabe quem é o homem-aranha (falo neste, porque por exemplo, dois dos meus sobrinhos um pouco mais velhos que o Alexandre, aos 3-4 anos só queriam “saber de coisas do homem-aranha”…), que não tem tido brinquedos bélicos (fez seis anos no Verão) nem nunca nos pediu para os comprarmos _ até este ano agora, que, encantado com nave espaciais, lhe foi oferecida uma em peças de lego para ser construída, o que ele adora, e que, bem, é uma réplica de uma das naves do Starwars; daí ele ter reconhecido a espada, que os bonecos réplica dos personagens do starwars e que vinham com o kit da nave, usam_ dizia eu, deu um certo trabalho explicar que os reis promoviam e entravam em batalhas, que usavam espadas, tentando manter uma imagem mais construtiva dos nossos reis, quando ele próprio reconhece e diz das cenas de espadas e lutas _ e mesmo de cenas de discussões que eventualmente assista entre as pessoas de hoje em dia _ que “não são lindas”, é a expressão que usa).



(Ele assinala os espaços entre as palavras com um traço vertical):
Gosta de associar a cada pessoa algo que ela goste (às vezes associa as cores que gostamos ou outras coisas, como desta vez, sempre sendo sua a iniciativa):
Entretanto e já uns bons dias após receber este presente, lembrei-me que podíamos fazer um jogo onde ele fosse montando frases, palavra a palavra. E o melhor seria que ele próprio nos ditasse as frases que lhe apetecesse. Então propus-lhe o jogo e ele disse para escrevermos umas “piadas”. E ditou-nos duas. Escrevemos no computador, para depois imprimir:
Recortámos conjuntos de palavras, que ele “montou” facilmente:
E depois, palavra por palavra,
que já achou mais difícil a reconstrução do texto e desistiu quase no início.



Por volta de duas ou três semanas depois do seu primeiro contacto com o ábaco, descrito nesse post, o Alexandre, continuando sempre entusiasmado com os números continua a perguntar vezes sem conta quanto são mil vezes um milhão, dez vezes mil e coisas que tal. Lembro-me que quando era pequena também me fascinava o facto de “os números serem infinitos” e queria saber sempre qual o número que vinha a seguir…
Na mesma altura, andava muito interessado no 500, que nós achamos muita piada e gostamos de o ouvir nas suas variações com o 500, por que ele pronuncia “quinentos”: “Quinentos é cinco vezes cem?”, “Quinentos é mais que seiscentos? Mais que mil?”
Depois continuámos a contar todas as peças da caixa e chegámos ao belo número de setecentas e onze peças. Para recordarmos e contarmos ao pai eu escrevi no papel mais à mão:
E o Alexandre foi representar o número no ábaco.
“Quatro vezes cem mais dez vezes dez!”
macieiras
e pessegueiros (na foto abaixo desta, esta é do poço da casa… a casa tem água canalizada e também este poço)
pessegueiro…
Da janela da sala perdemos de vista o terreno, que é “sobre o comprido”.
O alpendre é óptimo para fazer ginástica, yôga pela manhã, ao nascer do sol… a Celina a brincar com as fitas de ginástica rítmica que a irmã lhe trouxe um dia de Inglaterra como presente:
E bem, a comprovar que “nas férias” também se fazem “trabalhos com os livros e cadernos e computadores”, com a diferença de que em ensino doméstico eles nem sentem bem a diferença entre férias e não férias, porque essa diferença só existe mesmo para os pais com trabalhos com horários e timings estipulados e menos flexíveis, e com a diferença ainda de que estes “trabalhos” não foram impostos, mas sim solicitados por ele, aqui está um pequeno registo de momentos desses.
O Alexandre nunca se interessou muito por “fazer fichas”, experimentámos umas vezes, ele não ligava, nunca insistimos. Como ele gosta muito de números, contas, lógica, de vez em quando vejo uns cadernos de fichas que me parecem apelativos dentro dos interesses dele e compro. Dão sempre jeito para nos entretermos nas viagens de comboio, por exemplo (para além de outras coisas), levo-os também juntamente com os seus livros preferidos da altura quando passamos alguns dias fora.
e como é melhor o exemplo ou “uma imagem (e neste caso uma acção) vale mil palavras”, o Alexandre pegou nos cadernos que eu levara e juntou-se a todos, “a trabalhar”,
(A simetria…),
com a “supervisão” da mana Celina.
Sim, todos menos eu, que nesta altura estava a tirar fotos! 





























Estava muito calor cá fora, visitar as grutas soube mesmo bem…
O Alexandre que enjoa um bocado quando anda de carro em estradas com mais curvas, no início teve umas dores de barriga que não o deixaram aproveitar bem o início da visita, mas “milagrosamente” resolvi levá-lo ao colo aninhado como aos bebés e a dor passou-lhe instantaneamente (o que não acontecera em nenhuma outra posição em que ia ao colo antes de eu ter dado ouvidos a essa minha “intuição”); passou do desconforto inicial a entregar-se por completo ao passeio nas grutas.
As estalactites!
Estas parecem autênticas franjas…
E esta parte aqui lembra-me a nossa garganta, não sei porquê! :)

Na parte final, à saída da gruta, estão em exposição algumas pedras. O Alexandre quiz que lhe lêssemos lá na altura esta informação sobre o ciclo das rochas e fazia perguntas (ficou com vontade de ir ver os vulcões!)
Também apreciou os vários tipos de pedras…
Foi uma iniciação à geologia, com o tempo aprofundaremos mais…
Engraçado que quando eu andava na 3ª classe de então, tinha os meus 9 anitos (eu sou das que faz anos logo no início do ano, em Fevereiro…), participei numa visita de estudo proporcionada pela escola em que fiz precisamente esta “volta”, que agora acabámos de fazer: ver uma fábrica de vidro na Marinha Grande, visitar as grutas (as que fui na altura não foram estas de Mira de Aire, mas às de Santo António) e visitar, ainda, o Mosteiro da Batalha (ao qual não fomos desta vez), mas percebi que me ficaram na memória, desde então, muitas das coisas que os respectivos guias às visitas explicaram na altura, como se agora relembrasse tudo “a 100 à hora”… 











A nossa equipa de serviço externo (a tal “mais chegada”, porque fazemos parte de outras) é composta por uma arquitecta paisagista, um engenheiro elctrotécnico e uma engenheira civil e a nossa amiga “paisagista”, conduz-nos por meio de ribeiras (onde encontramos amoras e alegremente apanhamos algumas e fazemos o nosso lanche “selvagem” a meio da manhã 

Na “óptica do copo meio vazio”, podemos ver uma árvore que não cresceu como uma árvore usual, sem que o tronco se pudesse desenvolver da forma usual, condicionada pelas rochas; na “óptica do copo meio cheio”, podemos ver e sentir como é a natureza de cada um, que mesmo nas condições “mais adversas” acaba sempre por despontar, crescer e dar-se a tudo o que a envolve e de que faz parte!
Muitos beijinhos a todos e até para a semana, dia 20, Lua Nova! Belo trabalho e belas férias para uns e outros!
Ir e voltar, apenas pelo passeio. Na praia só ficámos uns minutos, porque estava muito vento. Então resolvemos ir até ao Parque de Santo António (já falei dele
Bem grandinho (faz-se exercício! 
“Comboios” e “tractores” 
Para minha surpresa (digo isto porque não me tinha apercebido disso das outras vezes que viémos), o Alexandre disse gostar muito deste “dispositivo” (umas chapas em rampa que baixam e levantam conforme passas por elas):

E também já gosta mais de subir pelas cordas do que gostava há uns tempinhos atrás…


A música(!!!) (toca-se com uma pedrinha 