Inscrição em ED consumada

Olá  a todos!

Pois, vários de vós já sabem, já fui dando a notícia ao longo da semana passada.

Em Maio, fui à escola da nossa área de residência inscrever o Alexandre no 1º ciclo, escolhendo, no Boletim de Inscrição, a opção “Ensino Doméstico”.

Como já vos contei antes, inteirei-me das várias performances inerentes ao ensino doméstico pela partilha de experiências de várias famílias que já o praticam, bem como da legislação relacionada, ao ter-me inscrito no grupo de ensino doméstico.

E lendo também os posts publicados no Pés Na Relva, do qual posteriormente também passei a “fazer parte”. Na página “Legislação” desse blogue há um resumo da legislação portuguesa a consultar, referente ao ensino doméstico  (ou em “files” do grupo de ensino doméstico).

Da experiência das várias famílias que praticam esta opção, dependendo da zona do país em que se encontram, “titulada” pela Direcção Regional de Educação correspondente, e variando ainda de escola para escola, sabe-se que há várias nuances em relação às formalidades a cumprir que indicam aos pais que inscrevem os filhos em ensino doméstico.

Na semana passada, telefonaram-me da escola onde inscrevi o nosso filho (sim, fui lá sozinha com os papéis já preenchidos por nós em casa, o Alexandre não quiz ir), uma professora que faz parte do conselho executivo, a dizer que estava tudo bem, que o Alexandre estava inscrito na modalidade ensino doméstico, que iria receber um ofício para formalizar a posição da escola dizendo que a responsabilidade pela avaliação do meu educando era minha (eu fiquei como encarregada de educação, no entanto, nós partilhamos ambos, eu e o pai, a responsabilidade pela educação do nosso filho) e a escola tem apenas responsabilidade administrativa e que eu deveria manter ao longo dos 4 anos deste 1º ciclo um portfólio com as actividades realizadas a apresentar na escola no final do 4º ano e no final do 4º ano, ainda, o Alexandre terá que ir à escola realizar um teste presencial.

Passados três dias recebi o mencionado ofício. Não fala no portfólio nem no teste presencial, mas acrescenta que a cada ano lectivo terei que renovar o pedido de inscrição no ensino doméstico.

E pronto! A vida sem escola, ou melhor, a Escola é Bela, continua.

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Tencionamos ir preparando o portfólio utilizando meios informáticos, para não nos limitarmos a um dossier de fichas ou algo assim, já que o mundo do unschooling não cabe de todo em folhas escritas, desenhadas… e por mais apresentações, cd’s, fotos, trabalhos, relatos de “visitas de estudo”, gravações que façamos, também não caberá em todos esses suportes, mas enfim, será um cartão de visita “Bem Vindos ao Mundo Encantado de uma Bela Escola, a da Família, do Mundo, da Vida, do Universo”          :)

É uma longa jornada, ao mesmo tempo, a nossa jornada… e quem é que não quer ter uma vida longa?

Até para a semana, dia 22, Lua Nova, uns belos dias para todos!


Caderno Verde

Matemática e Sumo de Laranja

Desde os três anos que o Alexandre quer sempre ajudar a fazer o sumo de laranja.

Já é o nosso segundo espremedor eléctrico desde que ele nasceu (ao primeiro perdeu-lhe uma peça, pois ele adorava brincar com a maquineta, que assim servia para mais coisas para além de fazer sumo!).

Ainda há uns meses atrás espremia metade de cada meia laranja (o resto espremia eu que ele “não tinha força”, ou o jeito desenvolvido, para as espremer até sair o sumo todo). Agora desenvolveu uma técnica, para completar sozinho a tarefa: às vezes com as duas mãos sobrepostas,

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outras (quando as laranjas são maiorzinhas), com a ajuda da cabeça_ literalmente, não falo da cabeça por causa da matemática, vejam:

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E agora sim, a matemática:

Estávamos a espremer 3 laranjas. Partimo-las ao meio, claro. Então o Alexandre de repente descobriu que 3 laranjas eram 6 metades de laranja.

Uma forma muito concreta (e muito espontânea e natural, pois foi ele que relacionou) de percebermos as fracções, mesmo aos 6 anos (acabadinhos de fazer)…

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Vidas que nos Inspiram

Vivam, amigos!

Hoje vou partilhar este vídeo…

Sinto que vai dizer várias coisas a vários de vós, como me disse a mim, que o vi, recomendado pela minha filha Catarina, que o viu por recomendação do Robiyn, após lhe ter ligado por se sentir um pouco triste e desmotivada com algo que ocorreu durante as suas prestações como actriz (castings e essas coisas…)… depois de ver isto ficou muito mais tranquila e feliz.

Vale a pena! Parte 1:

Parte 2:

(De alguma forma há algo aqui que tem a ver com o espírito do Unschooling…)

Há vidas que, partilhadas, nos motivam e inspiram! E pessoas que nos recomendam as coisas certas nos momentos certos…

Um grande beijinho para todos, até para a semana, dia 15, Quarto Minguante.


Caderno Verde

O “Nosso” Pinheirinho

O “nosso” Pinheirinho já tem uma “casa” maior, à sua medida…

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Foi naquelas mini-férias de há poucas semanas atrás na terra da avó (quando fizémos aquele pãozinho no forno e as outras delícias, que apontámos aqui neste Caderno Verde.

E hoje o Caderno verde fica mais verde ainda, com a replantação da árvore…

Caso não tenham lido ainda, a história deste Pinheirinho começou aqui.

Continuou aqui.

E agora fez uma viagem até perto de Castelo Branco e, com muito amor, replantámo-lo lá (também podem ler aqui):

À despedida, falámos com ele. Agradecemos-lhe o ele ter querido vir connosco e a sua presença tão bela nas nossas vidas. Que íamos embora por agora, mas que ele ficava bem entregue e que amiúde voltamos e como vamos gostar de o ver mais crescido!

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Depois escutámo-lo (eu sugeri ao Alexandre escutarmos o que ele tinha para nos dizer e a sua primeira reacção foi que precisava de colocar um fio, uma ponta lá dentro da terra, junto à raíz do pinheirinho, que era por aí que ele falava e colocarmos a outa ponta do fio junto ao nosso ouvido     ;)   ; então eu disse-lhe que bastava estarmos assim quietinhos ao pé dele a saber que ele ia falar connosco e depois escutarmos na nossa cabeça o que ele estava a dizer-nos! Passado um pouco o Alexandre disse-nos: “Ele disse-me Bom Dia!”    :)

A mim também me disse umas coisas…   :D

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Projectos _ ideias a implementar por várias pessoas em vários locais diferentes…

Viva!

E mais um excerto de um livro de John Holt, hoje o finalzinho do “Dificuldades Em Aprender”:

” (…) deixei de acreditar que as “escolas”, por muito bem organizadas que sejam, constituam os locais adequados, ou os melhores para que este processo (o da aprendizagem) aconteça. Tal como escrevi em Instead of Education e em Teach Your Own, salvo raras excepções, o conceito de locais especiais de aprendizagem, onde nada acontece a não ser aprendizagem, já não me parece fazer sentido algum. O local mais adequado e o melhor lugar para as crianças aprenderem tudo o que precisam ou querem aprender é o local onde quase todas as crianças aprendiam, até há bem pouco tempo _ o próprio mundo, e no seio dos adultos.

Devíamos instalar em todas as comunidades (talvez em antigos edifícios escolares) centros de recursos e de actividade, clubes e outros locais onde pudessem ocorrer muitas espécies de coisas _ bibliotecas, salas de música, teatros, instalações desportivas, oficinas, salas de conferências _ que estariam abertos ao público e seriam usados tanto pelos jovens como pelos mais velhos. Cometemos um erro terrível quando (com a melhor das intenções) separámos as crianças dos adultos e a aprendizagem do resto da vida, e uma das nossas tarefas mais urgentes é derrubar essas barreiras e voltar a reuni-los.”

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Por outro lado, em muitos dos workshops do Robiyn, ouvi sempre falar nesta “reunião etária”, mesmo por exemplo, em relação aos idosos, que não deveriam ser isolados e sim continuarem a conviver com crianças e jovens. Que, de facto, é o que é natural, o que faz parte da vida.

A nossa compartimentação de tudo, incluindo as pessoas,  por faixas etárias, por sexo, por profissão e chegando ao pormenor da categoria profissional, etc., etc., transformou-nos em números, em abstracções.

Isso é possivel e pode ser usado para fins de estudo, de estatísticas e o que for, mas não pode comandar a nossa vida, agrupá-la “permanentemente”, destituí-la do seu conteúdo natural, impedir o seu curso natural…

Hoje em dia, pelo que transcrevi no post anterior e no de hoje, como Projecto a implementar, para além de, ou como complemento a, termos optado, conjuntamente com ele, pelo ensino doméstico como a modalidade a desenvolver em relação à escolaridade do nosso filho Alexandre, sinto uma grande simpatia pela possibilidade da existência desses centros de recursos e actividade preconizados por John Holt, “onde possam ocorrer muitas espécies de coisas”, como ele diz (o que também tem uma certa ligação com o meu post sobre as “interligações” :)      ).

Tenho um certo “feeling” que aos poucos vão surgindo centros de recursos e actividade como esses (já começam a existir alguns, só que são frequentados normalmente em horários pós-laborais ou pós-escolares, ou “aos fins-de-semana”, a ideia é, à medida que cresça a “escolaridade” frequentada na modalidade do ensino doméstico, mais crianças e jovens tenham um horário livre para os frequentar _ na proposta de John Holt, aliás, a ideia era mesmo esses centros se irem substituindo às escolas…      ;)     , desde que seja numa perspectiva do unschooling e não em novas escolas, com novas regras, com outro tipo de professores… ou voltaria tudo ao mesmo, ou pior).

Por outro lado, também será necessário que os adultos envolvidos em profissões com horários rígidos, vão ao pouco transformando as suas profissões naquelas que lhes dizem algo mais intrinsecamente, que decorram de uma forma mais natural e livre, que para si tenham sentido e sirvam a comunidade. (Escrevi sobre as profissões aqui.)

Gosto de pensar num puzzle multidimensional, onde cada peça é única e todas as peças se encaixam! :)      E isso, para mim, diferentemente da utopia, é a realidade que nós não estamos actualmente a viver, porque a distorcemos (ou porque amassámos as peças e assim elas não encaixam no puzzle… cada um terá que reconstituir-se como peça única e impecável, nós próprios sendo nós próprios _ falo por mim, que continuo nesse processo!)

E é verdade, por ter falado em livros, a Paula do Aprender Sem Escola, colocou neste post links para uns quantos livros disponíveis on-line, ligados de alguma forma ao unschooling/homeschooling, livros em português e livros em inglês. É-nos de muita utilidade!

Beijinhos para todos, até para a semana dia 7 de Julho, Lua Cheia!

Caderno Verde

Uma grande Aventura

“Isto é uma grande Aventura! Vamos de barco a uma ilha!” _ o que o Alexandre não se cansava de dizer enquanto esperávamos pelo barco que nos ia levar (nós lá de casa, à excepção da Celina que decidiu não ir em prol dos exames da faculdade, mas por outro lado foi o Bernardo, e mais duas amigas nossas e os respectivos filhos _ éramos dez!) às Berlengas!

Foi um óptimo passeio e um óptimo fim-de-semana e uma grande aventura(!), como disse o Alexandre, todo contente.

Um barco cheio de “speed”,

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uma viagem bem divertida,

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uma ilha bem bonita,

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vistas maravilhosas,

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uma prainha

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banhos e brincadeiras,

DSCF0240DSCF0248 percursos pedestres mais à tardinha (estava bastante calor),

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gaivotas por todo o lado,

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ninhos de gaivotas e os seus bebés,

DSC01730 o forte,

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o farol,

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casas-de-banho públicas limpas, com sabão e papel (!) (tenho que mencionar, é mais forte do que eu…       :)         ), um parque de campismo su generis,

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vistas e mais vistas maravilhosas

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e de novo o nosso barco para nos levar de volta ao continente. Chama-se “Pássaro do Sol”,

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que achámos piada po ser parecido com o título de uma canção que o meu tio músico escreveu para a Catarina cantar que se chama “Pássaro do Céu” (pode ser que um dia ela a grave e vocês possam ouvi-la     :)     ). Sim, ela não gosta só de representar, também adora cantar _ é ela que dá a voz às músicas do coelhinho Titou, que já passou no Panda (existe em CD) e uma amiga dela, da Cativar, canta as do último CD do Golfinho Viky.

De volta, então:

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Para o Alexandre, os pontos altos foram as viagens no Pássaro do Sol

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(”Um dia vou conduzir um barco destes!”, disse, e também disse algo parecido no dia a seguir, ao subir no ascensor da Nazaré

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e a andar a espreitar o mecanismo que o movimenta e segura:

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“Um dia vou conduzir um ascensor destes”_ a somar à frase da semana anterior que pus no último apontamento do Caderno Verde “Eu sei que um dia vou ser um cozinheiro e cozinhar para muitas pessoas, para todos…”, já vamos em três “profissões”… mais, afinal, pois já disse que vai ser “maquinística” de comboios e pilotar naves espaciais), os faróis

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e a subida até lá acima.

Só me tinha apercebido de que ele gostava de faróis no outro dia, em Cascais, quando ficou vidrado numa montra que tinha vários faróis em miniatura. Temos que ir visitar um, há vários por lá, visitáveis.

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Projectos _ Os que começam por ser de uma forma e se transformam noutra

Olá a todos!

Hoje coloco aqui um excerto do  livro de John Holt e Pat Farenga, “Teach Your Own” que me fez um “clique”, porque cheguei a pensar em juntarmo-nos com pessoas interessadas e termos uma “escolinha” onde as crianças pudessem seguir os seus interesses na descoberta de como funciona este planeta     ;)       , e entretanto essa ideia desvaneceu-se um pouco, porque de facto não se foi concretizando nem se mostrou como a mais adequada para o Alexandre (e para todos nós, como família!) nesta altura. E senti isso reflectindo sobre o que é dito neste texto:

“During the late ’60s and and early ’70s I knew a number of groups of people who were starting their own school until after years of trying to get their local public schools to give them some kind of alternative. When they finally decided to make a school of their own, they had to persuade other parents to join them, reach some agreement on what the school would be like, find a place for it that the law would accept and that they could afford, get the okays of local fire, health, safety, etc., officials, get enough state approval so that their students would not be called truants, and find a teacher or teachers. above all, they had to raise money.

One day I was talking to a young mother who was just starting down this long road. she and a friend had decided that they couldn’t stand what the local schools were doing to children, and that the only thing to do was start their own. For many months they had been looking for parents, for space, for money, and had made almost no progress at all. Perhaps if I came up there and talked to a public meeting…

As we talked about this, I suddenly thought, is all this really necessary? I sad to her, “Look, do you really want to run a school? Or do you just want a decent situation for your own kids?” She answered without hesitation, “I want a decent situation for my own kids.” “In that case”, I sad, “Why go  through all this work and trouble _ meetings, buildings, inspectors, money? Why not take just your kids out of school and teach them at home? It can’t be any harder than what you are doing, and it might turn out to be a lot easier”. And so it soon proved to be _ a lot easier, a lot more fun.

In talking with young families like these, I found that what they most needed was support and ideas from other families who felt the same way. For this reason, I began publishing a small, bimonthly magazine called Growing Without Schooling, in which parents could write about their experiences teaching their children at home.  (…)”

E pronto! Por isto e tudo o que fomos lendo sobre o Unschooling, que nos fez todo o sentido, para além de o Alexandre dizer, volta e meia (quando se fala na palavra!), que não quer ir à escola, nos fomos familiarizando com a possibilidade de “matriculá-lo” em ensino doméstico.

Para a semana, dia 29, Quarto Crescente, vou escrever um pouco mais sobre “projectos”.  Até lá e uns belos dias para todos!

 

Caderno Verde

Eu sei que um dia…

“Eu sei que um dia vou ser um cozinheiro e fazer comida para muitas pessoas, para todos!” _ foi o que o Alexandre me disse, estávamos prontos para ir de viagem passar uma semaninha à terra da avó e a guardar em caixinhas arrozinho e seitan com natas (de soja!) que a avó tinha preparado para comermos em viagem.

Achei piada. Ele sempre gostou muito de “cozinhar” (mexer, misturar, adicionar, provar, dizer o que falta _mais um bocadinho de cacau, de açúcar, de sal, de salsa…).

Depois, já na casinha da terra da avó, voltámos a repetir a experiência do ano passado (o pão, as batatinhas assadas no forno de lenha com cebolas e pimentos,

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e este ano fizémos ainda um docinho, as famosas tigeladas de Abrantes que avó sabia a receita que costumam fazer aqui na terra dela, perto de Castelo Branco!):

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(estão lá ao fundo, as batatinhas…):

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E já regressados a casa, estava muito bem na sala e apeteceu-lhe fazer maionese (nós fazemos “maionese de leite de soja”    ;)     ) e lá fomos de corrida para a cozinha, os dois. “Lembras-te dos ingredientes, mãe?”, perguntou-me, “Eu só me lembro de dois… ah (!), de três” e dirigiu-se logo ao frigorífico buscar o leite de soja e depois acima da bancada buscar a garrafa do azeite e de novo à porta do frigorífico buscar o frasquinho da mostarda de Dijon (a única que usamos, que é a única que não tem açúcar refinado na composição…). Dos outros ingredientes lembrei-me eu.

Então, a receita da maionese de leite de soja:

Uma parte de leite de soja, uma parte de azeite, uma parte de óleo de girassol; um gole de vinagre de arroz (ou de cidra, ou de frutos), um dentinho muito pequenino de alho, uma pitada de sal marinho não refinado, uma colherinha de sobremesa de mostarda de Dijon. Mistura-se tudo num copo alto, com a varinha mágica até espessar um pouco… e já está!

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Interligações

Olá a todos!

No último post, sob o título “Unschooling”, juntei várias coisas que andava a dizer ao longo dos posts anteriores.

Hoje vou juntar tudo, ou seja, falar de como para mim, o Unschooling e a abordagem da educação de outros pontos de vista que os de hoje ainda os mais comuns, se junta a outros aspectos da Vida, porque está tudo ligado.

Tenho tido facilidade em sentir as ligações entre tudo.

E então, senti-me em casa, quando comecei a frequentar os workshops do Robiyn que faz essa ligação entre tudo, vive-a, transmite-a.

Ao longo de vários posts neste blogue tenho vindo a fazer referência a vários aspectos desses workshops, uma vez que tenho sempre como propósito revelar as fontes das várias informações que aqui coloco e tendo sido através dessas minhas vivências que tive acesso a grande parte dessas informações (e práticas!). Tal como não posso esquecer que foi “a fonte” de mudanças e transformações profundas em mim, na forma como via “embaciadamente” muitas coisas e como fui aos poucos adoptando um modo de vida cada vez mais coerente com o que passou a fazer sentido para mim.

Então hoje este post, dedicado às Interligações, é também dedicado ao Robiyn, que usa uma das frases mais deliciosas, para mim, quando “salta” de um aspecto ao outro: “Anda Tudo De Mão Dada”, diz-nos ele, o que em mim me conduz à imagem de todos nós e todos os seres e todas coisas, de mãos dadas uns com os outros, eternamente ligados por algo, uma essência que nos é comum e que às vezes percebemos de facto existir.

Assim, vou ainda juntar aquilo que poderei dizer mais sobre o Robiyn e o teor dos workshops (que quando quero dizer algo sobre eles nunca sei como fazer dada a imensidão de coisas para dizer não resumíveis em itens ou num esquema) com aquilo que eu queria explicar de como para mim esta outra abordagem sobre a educação está ligada com muitos outros aspectos que passaram a fazer parte da minha /nossa vida _ o vegetarianismo, o parto natural, a ecologia, … e vou colocar aqui o que escrevi num e-mail que troquei com uma das minhas novas amigas que conheci através do fórum do grupo do ensino doméstico, quando me perguntou que workshops eram esses sobre educação, que eu tinha a dada altura mencionado:

“São os mesmos de que falo muitas vezes, os workshps do Robiyn. Eu fiz muitos workshops com ele, pois ele aborda muitos temas e tudo o que pus em prática deu resultado. O Robiyn não usa uma técnica específica quanto à educação, nem sequer fala em educação positiva. Não te consigo explicar muito bem o trabalho do Robiyn, pois para ele está tudo ligado, a educação das crianças, os partos naturais, os cuidados que temos com o planeta (a ecologia), o respeito para com todos os seres e para com a vida (aí também se insere a filosofia inerente ao vegetarianismo), outras formas de vermos a economia e o dinheiro, a forma de lidarmos uns com os outros mesmo com as pessoas com quem temos problemas, muitos e muitos outros temas. Resumindo, tudo ligado através de maneiras possíveis de nos sentirmos integrados harmonicamente no Todo que é a Vida.

Normalmente as pessoas sentem-se mais atraídas por um ou outro tema ou  por alguns ao mesmo tempo. Eu percebo isso todos os dias, uns estamos mais interessados em ecologia, outros em humanização dos partos, outros no respeito palas crianças e pelas mulheres, outros numa educação mais livre para as nossa crianças, outros numa alimentação saudável e como vivermos de forma mais saudável e natural, outros nas medicinas alternativas, mas vejo que muitos, no geral, focando mais um aspecto ou outro, estamos interessados em mudar de vida, para uma forma mais natural, mais livre, com mais sentido de viver. Quanto a mim, o  interessante é perceber que faz tudo parte de uma mesma coisa. 

E daí que também vejo que o trabalho que o Robiyn faz através dos seus
workshops que não só sensibilizam para determinados assuntos como
também nos dão “ferramentas” que podemos usar para nos ajudar a sair de
todas as formatações que vimos tendo desde crianças e a libertar de preconceitos e a mudar muitos dos conceitos existentes que nos limitam e a ajudar a libertar-nos de medos e sei lá quantas coisas mais, às vezes, quando falo simplesmente nisso às pessoas parece muito estranho, porque normalmente ninguém faz isto tudo ao mesmo tempo.
 
O Robiyn não é nenhum guru nem nenhum mestre nem nenhum esotérico nem nenhum espiritualista nem nenhum religioso. É uma pessoa muito prática que quando as pessoas começam a querer perceber tudo muito intelectualmente é capaz de nos fazer perceber que não interessa perceber nada com a cabeça, mas sim com o coração, através de pormos em prática atitudes, comportamentos, com amor e carinho. Arranja sempre algum exemplo prático para o percebermos, dá-nos exercícios práticos para fazermos, explica-nos como fazer relaxamentos e mais umas quantas técnicas, diz que os nossos grandes problemas advêm de separarmos tudo, “por exemplo, na medicina tradicional, quando temos uma dor de cabeça, dão-nos um comprimido para a dor de cabeça (que entretanto é capaz de nos fazer mal ao estômago e ao dedo do pé), em vez de se perceber qual é a causa da dor de cabeça e tratar a causa (nós podemos ter dores de cabeça por causa de um problema no fígado e o problema no fígado vir simplesmente de uma sobrecarga devido à alimentação” e coisas que tais…).
 
 
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 O Robiyn nasceu em Goa, na Índia, e tem uns avós ou bisavós portugueses, não sei bem, estudou cá enquanto pequeno e depois viveu em Inglaterra, na Austrália e ultimamente, antes de voltar para Portugal, viveu muitos anos no Brasil vivendo também alguns períodos no Panamá e na Costa Rica. Já deu workshops em muitos países, inclusivé nos Estados Unidos e no Canadá, na Grécia, na Finlândia e em muitos mais. Um dos trabalhos dele foi ser aviador (pilotava aviões), mas cedo começou a dar palestras e cursos nesta área que ele sempre sentiu como sendo o que tinha que fazer, desde que, na Austrália, aprendeu certas técnicas como a regressão e muitas outras, as aplicou a si próprio e foi aperfeiçoando técnicas próprias que mais ninguém usa que ajudam efectivamente a relaxar e a libertar-nos de tudo o que nos limita e nos trava a sermos as pessoas maravilhosas que somos e todos os seres são.
 
Por outro lado, não é nenhum santo milagreiro, não faz milagres, os milagres, se eles existem, somos nós que os fazemos, o trabalho é todo nosso. E é isso que custa às vezes às pessoas perceber (e assumir e “pôr mãos à obra”), que nós é que nos deixamos enredar numa teia que nos faz ver a vida muito cinzenta e que só nós é que podemos nem sequer é desfazer a teia, construir algo de novo, fazer algum trabalho muito difícil ou complicado de construir tudo desde o início, é simplesmente deixar de fazer o que costumamos fazer para complicar, deixar de fazer as coisas “de uma forma desequilibrada”, deixar de construir uma teia entrançada que nos prende a ela e pura e simplesmente voltar ao que sempre fomos, uma criança inocente, ávida, construtiva, capaz de inventar tudo, de perceber tudo, de correr de braços abertos, de fazer coisas pelo simples prazer de as fazer (e estou a usar palavras minhas, ou seja há muitos mais adjectivos maravilhosos e coisas maravilhosas que as crianças sabem fazer…).
 
Há muitas formas. Nós somos desde pequeninos condicionados a muitas coisas, pelos pais, pela escola, pela religião, pela sociedade (e também há algumas memórias e alguns medos que trazemos de outra vidas). Por isso é que, voltando ao que nos fez falar nisto no início, é muito importante a forma como nós, conscientes de tudo o que fomos condicionados em pequenos, vamos hoje educar as nossas crianças. Um pai ou mãe que sempre ouviu gritos em pequeno ou que foi de alguma forma maltratado ou a quem não deixavam fazer nada ou não ligavam nenhuma ao que dizia porque achavam que uma criança não sabe o que diz e não tem direito a ter opiniões próprias, tem sempre tendência a fazer o mesmo aos filhos. Ou, pelo contrário, a ser tão revoltado contra o que lhe fizeram que cai no extremo oposto de permitir tudo e mais alguma coisa. O mesmo pai ou mãe que entretanto ficou consciente disto e consegue libertar-se de todos os problemas que isso lhe causou, sem entrar num processo de culpabilização dos seus próprios pais ou de outros factores “externos”, sem assumir um papel de vítima e sim assumir a sua responsabilidade em viver de forma integrada e harmoniosa, obviamente não vai fazer o mesmo aos seus filhos nem ir para o extremo de fazer tudo ao contrário só para não ser igual ao que tanto o revoltou, e sim, vai encontrar as formas naturais, carinhosas e amorosas e ao mesmo tempo certas, porque são tranquilas e sentidas, de ajudar e apoiar os filhos a desenvolverem as suas próprias características (que podem ser tão diferentes das nossas), os seus gostos e aptidões que não são os mesmos para todas as crianças, a reconhecer o ser único que elas são e ajudá-los a descobrir as próprias asas; o “papel” de uma mãe, é quase esse, ser o casulo onde a lagarta se desenvolve e cria as próprias asas para voar! E sai cada borboleta linda!”  (digo quase esse porque no fundo, esse “é o papel” de cada um, sermos nós próprios o casulo e a lagarta que se transforma em borboleta).

Esta, a imagem da lagarta a metamoforsear-se em borboleta, é a “imagem de marca”, digamos, da Renaskigi (o nome que o Robiyn deu ao tema genérico do trabalho que desenvolve com as pessoas, que é uma palavra em esperanto, língua universal, e que significa “Fazer-se renascer a si próprio”).

Obrigada por terem lido mais este post e obrigada por “andarmos todos de mão dada” cada um a fazer o melhor que a cada momento sabe, tem consciência para o, fazer.
 
Até para a semana, dia 22, Lua Nova, belas interligações para todos!

 

Caderno Verde

Ligações Visuais

Estava sentadinha e de repente olho para o computador do Pedro (que tem sempre milhentas imagens em contínuo movimento) e vejo “um mosaico” mesmo a condizer com o “quadro” em cima, na parede, que o Alexandre ofereceu ao pai, no Dia Do Pai de 2008, tinha ele 4 anitos (autores: Alexandre e Catarina).

Ora vejam:

A vista do conjunto:

DSC01066As imagens em mosaico no computador:

DSC01067O “quadro” (técnica: colagens e pintura a lápis de cor),

DSC01069DSC01070O motivo inspirador e que também faz parte do quadro  :)

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Unschooling

Olá a todos!

Ao longo dos … últimos posts venho-os categorizando na categoria 3-Unschooling (podem ver na barra direita, as categorias), com as várias alíneas a)-Todas As Crianças São Cientistas, b)-Só a Informação Solicitada, c)-Aprender por Saltos, d)-Seguindo Os Seus Interesses, e)-Representações/Abstracções/Símbolos…, por serem as características mais marcantes inerentes ao Unschooling que me fui apercebendo ao longo dos textos de John Holt que fui lendo, absorvendo, interiorizando, comprovando (muitas vezes “antecipadamente”) nas observações e acompanhamento em relação ao crescimento do meu filho mais novo que até hoje nunca “foi à escola”.

O termo Unschooling foi de facto “criado” por John Holt para transmitir algo “para além do Homeschooling”, ou melhor, para que não haja tendência em transferir para o ensino doméstico as práticas correntes nas escolas.

Pat Farenga, em “Teach Your Own”, no Prefácio ao livro, refere mesmo isto:

“Our innate ability to learn by experience and exemple is so powerful that we are  practically programmed to teach the way we were taught in school. We’ve all spent so much time in school that it’s difficult for us to imagine that there actually are other ways to live and learn in our current society. Therefore, it’s very easy to duplicate conventional schooling at home. After all, we know what school is like from our own experiences as students, perhaps even as teachers, and when we homeschool our own kids, that word “school” connects it all for us. In response to the prevailing definitionn of the word “school”, John create the word “unschooling” to describe how we help children learn without duplicating ideas and practices that we learned in school.”

Há quem traduza o termo/conceito como ”Aprendizagem Autónoma”, “Aprendizagem Natural”. Podem ler aqui e aqui e em vários outros posts da Paula do Aprender Sem Escola.

E de facto, foram mesmo estes “grupos de características” mais marcantes desta filosofia/prática, o Unschooling de John Holt, que me foram surgindo, como preceitos a ter em conta quando enveredamos por esta opção em relação à “escolaridade” dos nossos filhos:

Todas as crianças são cientistas; (posts I e II)

A informação por eles solicitada é a informação que eles vão apreender;

As crianças “aprendem” “por saltos”;

E “aprendem” seguindo os seus interesses, raciocínios, ramificações dos vários assuntos conforme lhes surgem, ligações que fazem (porque está tudo interligado, de facto, a existência é una…); (posts I, II e III)

Tendo em conta que as nossas comuns “áreas de saber” são representações, abstracções, símbolos, do Todo que existe, a Natureza (posts I, II, III, IV e V), será mais fácil para nós, pais, sabermos deslocar-nos da vivência para a representação e orientá-los nesse sentido, por forma a que as múltiplas representações, abstracções, símbolos, sistemas esquemáticos ou o que lhe quisermos chamar deixem de ser um mistério para as crianças, um conceito estranho sem ligação a coisa nenhuma e seja “automaticamente fácil” para eles apreender essas formas de “conhecimento” que criámos para comunicar, representar, “o saber”.

E mesmo sobre o conceito de Aprender, será que aprendemos mesmo algo? A palavra correcta será mesmo esta? Num dado trecho da introdução ao seu livro “Teach Your Own”, John Holt diz assim sobre o conceito de aprender:

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“As thime went on I began to have more and more doubts even about the word “learning” itself.

One morning in Boston, as I walked to work across the Public Garden, I found myself imagining a huge conference, in a hotel full of signs and posters and people wearing badges. But at this conference everyone seemed to be talking about breathing. “How are you breathing these days?” “Much better than I used to, but I still need to improve.” “Have you seen John Smith yet _ he certainly breathes beautifully.” And so on.

All the meetings, books, discussions were about Better Breathing. And I thought, if we found ourselves at such a conference, would we not assume that everyone there was sick, or had just been sick? Why so much talk and worry about something that healthy people do naturally?

The same might be said of our endless concern with “learning”. Was there ever a society so obsessed with it, so full of talk about how to learn more, or better, or sooner, or longer, or easier?

Was not all this talk and worry one more sign that there was something seriously the matter with us? Do vigorous, healthy, active, creative, inventive societies _ Periclean Greece, Elisabethan England, the United States after the Revolution _ spend so much time talking about learning? No; people are too busy doing things, and learning from what they do.

These ideas led into my book Instead of Education where I tried to make clear the distinction between doing, “self-directed, purposeful, meaningful life and work” and education, “learning cut off from life and done under pressure of bribe or threat, greed and fear.” Even as I wrote it I planned a  sequel, to be called Growing Up Smart _ Without School, about competent and useful adults who during their own childhood spent many years out of school, or about families who right now were keeping their children out.”

Também nos workshops Renaskigi – A Arte de Viver Em Harmonia, orientados pelo Robiyn, modifiquei por completo o conceito que tinha sobre a aprendizagem, uma vez que percebi que nós não aprendemos nada, descobrimos, redescobrimos e, em ultima análise, já sabemos tudo, basta-nos sintonizar com a sabedoria. Parece um pouco bombástica esta afirmação, mas à medida que se vai percebendo como a maioria dos conceitos generalizados estão equivocados, à medida que se vão praticando exercícios, inclusivé os de apreender matérias sem qualquer esforço e técnicas espectaculares para se utilizarem nos estudos com resultados imediatamente visíveis, consolida-se isto mesmo: para além de não ser possível sermos ensinados, também não aprendemos, redescobrimos o que, no fundo, já sabemos, qundo muito vamos apreendendo, dando sentido (”putting meaning into the world“, como diz John Holt).

E para terminar hoje este post, uma outra reflexão: a maior dificuldade, quanto a mim,  que cada um dos pais encontra quando envereda pela opção de não escolarizar os filhos, é algo que tem a ver com a escolarização dos próprios pais, isto é, a dificuldade de descartarmos tudo o que se nos foi somando após vários anos de escolarização (uns mais, outros menos).

De novo a Paula do Aprender Sem Escola, colocou um artigo sobre isto mesmo num dos seus posts, intitulado “Descolarizar os Pais“. Parece-me uma tarefa imensa, mas de facto, à medida que nos vamos descolarizando, melhor sabemos lidar com a não escolarização dos nossos filhos, melhor saberemos não travar e, por outro lado, apoiar o seu processo natural de “putting meaning into the world” (gosto desta expressão    ;)      ).

Beijinhos a todos, até para a semana, dia 15, Quarto Minguante!

 

Caderno Verde

Viva o pai!

Hoje não é dia do pai, mas apetece-me dizer , “viva o pai, viva o pai do Alexandre!”. Vou esclarecer:

Sinto-me sempre grata, por estarmos todos, em família, juntos nesta opção do ensino doméstico, ou seria para mim muito mais difícil, por “trabalhar por conta de outrém”. E como cada um de nós tem temas específicos em que se sente mais à vontade, o Alexandre tem um grande leque de actividades diferentes, de informações, de práticas, que vai experimentando com uns e com outros.

Sinto-me ainda grata, porque eu e o Pedro “dividimos” (multiplicamos!!!   :)   ) o tempo que passamos com a Alexandre, as actividades, as brincadeiras (com as ajudas pontuais de todos os membros da família e mais alguns, como já disse).

E delicio-me com a paciência deste pai para as crianças e jovens, não só a dele, mas outras (amigos, vizinhos) e as actividades/passeios em conjunto que empreende. Por exemplo:

No ano passado, numa das férias escolares (já não me lembro em que época) de alguns dos jovens e crianças nossos vizinhos, o Pedro combinou ir com o filho e com eles ao Oceanário:

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saíam todos juntos do nosso prédio, munidos das suas lancheiras, iam apanhar o comboio até “ao Oriente”, dirigiam-se ao Oceanário, encontravam-se lá com o meu irmão e o meu sobrinho que também tinham vindo de propósito para a visita (lá pela 3ª ou 4ª vez, que eles os dois são fãs dos peixinhos… e também vegetarianos!),

Pomacentrus_caeruleus_thumbvisitavam, lanchavam no fim, voltavam de comboio. E foi o que fizeram, pelo que tive uma tarde absolutamente só para mim      ;)      .

Quando chegaram, vinham ” estafados” e contentes, com tudo para contar!

E o engraçado foi um dos nossos vizinhos (já dos seus 13 anos), agradecer e dizer que tinha sido um dos melhores dias da vida dele (o tédio que não deve ser para ele a rotina casa, escola…)! Só essa frase devolveu o sorriso ao rosto do Pedro que, ao final do dia, já estava um bocadinho “em baixo de forma”, como é compreensível, responsável durante toda a tarde por duas crianças e dois jovens.

Já este ano, repetiu a dose, com outro itenerário: levou-os a todos ao Parque de Santo António na Costa da Caparica para brincarem juntos, andarem de bicicleta, comerem gelados…

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E já andam a combinar uma ida à praia, agora que parece que o calorzinho se vai instalar… (num dia de semana, assim que começarem as “férias grandes” dos pequenos que vão à escola).

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Querido pai Pedro!

Obrigada!

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Representações, Abstracções, Símbolos… o Tempo II

Bom dia, boa tarde, boa noite!…

Pois, que isto de reflectir sobre o tempo e continuar pelo bom-dia… :)   

Olá!!!  (é mais “isento de tempo”  ;)   ) _ estou a brincar, claro!

No post anterior, terminei com um excerto do “Breve História do Tempo” do Stephen Hawking.

Ainda li um outro livro sobre o trabalho dele, “Stephen Hawking, Em Busca da Teoria do Tudo”, de Kitty Ferguson, onde podemos ler sobre as suas “descobertas” quanto à existência do que ele chama de “Universos Bebés” (Universos Paralelos) e da sua predisposição em encontrar a “Teoria do Tudo”.

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Já bastante depois, inteirei-me da actualização das descobertas científicas neste campo, neste pequeno e igualmente delicioso livro “Como Construir Uma Máquina do Tempo” de Paul Davies.

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Ou aquele documentário feito por vários cientistas de vários ramos da ciência “What the Bleep Do We Know“, muito interessante, onde explicam muito bem vários “fenómenos” como, por exemplo, o da Bilocação.

E também no Youtube vão aparecendo conferências sobre as últimas novidades da Física e da Mecânica Quânticas (é muito interessante a “Teoria M”); a Paula do “Aprender Sem Escola”  já colocou alguns posts, com vídeos (com legendas em português!) no seu blogue, sobre o assunto.

Para além de tudo o que se lê, ouve, comprovado por cientistas (que daqui a pouco descobrirão mais além), para além de tudo o que se “percebe com a cabeça” e se tenta desformatar na nossa mente para que possamos viver mais de acordo connosco próprios e com a Natureza, para além de tudo isto, dizia, foi o que vivenciei e percebi “com o coração” ao longo de vários e vários workshops do Robiyn sobre Tudo (pois, “A Prática do Tudo”), sobre como todos estes aspectos já vislumbrados pela ciência se podem viver na prática e muitos outros que a ciência ainda virá a descobrir e a comprovar. Sentirmos, vivenciarmos, reflectirmos, sobre o “Tempo Subjectivo e o Tempo Objectivo”, e/ou a “não linearidade do tempo objectivo”, e/ou, na prática, a “não existência de Tempo”. Experimentarmos, vivenciarmos as “Viagens no Tempo”, a “Bilocação”, “Universos Paralelos”, nós “noutras vidas e noutros corpos”, a “Fusão com o Todo” e “voltarmos” despertos para a consciência da Existência deste Todo onde tudo se funde, da unicidade e ao mesmo tempo multiplicidade da Vida. Tudo o que vivemos passa a ter outra cor, outro brilho, outro sabor. Passamos a ser verdadeiros connosco próprios (e com os outros!), transparentes e, “ao mesmo tempo”, mais práticos, mais eficientes, mais actuantes no que faz sentido para nós, mais incisivos e directos nas nossas acções, mais presentes, mais amorosos, mais carinhosos, mais vivos (aos poucos redescobrindo a criança que somos, “Sem Escola”  :)   )!

 Até à próxima semana (natural !  ;)    ), dia 7 de Junho, Lua Cheia!

Um abraço para todos.

 

Caderno Verde

Horas

Neste post do Pés Na Relva, há dias a Lara referiu-se à “aprendizagem das horas” e mais do que uma família comentámos, “também temos lá por casa um livrinho parecido com esse! Boa ideia!”.

Pois temos… dois,  já do tempo da Catarina.

 No fim-de-semana anterior, “por acaso”, o Alexandre resolveu voltar a pegar num deles (adora deslocar os ponteiros a seu bel-prazer!) e desta vez “copiar” as horas que ia vendo ao longo do desfolhar do livro, perguntando “E assim, que horas são?”.

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Bem, neste livro, os pequenos levantam-se às 7h e deitam-se às 7h ( é um “pouquinho” diferente cá em casa   ;)   ).

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Depois ia ver horas lá dentro no livro e marcava igual “cá fora”:

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E lá para o fim, resolveu ir ver as horas ao relógio de parede que está na cozinha para marcar no “seu relógio de capa de livro” as horas que eram “agora”, efectivamente.

Ainda não teve vontade de perceber como é que isto funciona, como é que medimos o tempo. A seu tempo:)

De acordo com o apontamento do Caderno Verde que deixei no post anterior, percebi que, mesmo que ele se vá inteirando de como medimos o tempo, na prática, como somos um pouco desprendidos de horários e  regras, atendendo o máximo que nos é possível aos ciclos naturais e aos ritmos biológicos de cada um, mesmo nas actividades mais básicas como comer e dormir, a prática é que conta e, ajudados pela liberdade que confere o ensino doméstico, concerteza o Alexandre não terá as mesmas limitações de tempo que nós tivémos…

Uma coisa que achamos piada, é ele trocar as refeições todas; muitas vezes ao pequeno almoço adora comer o que normalmente se come ao almoço ou ao jantar, como sopa ou um pratinho ainda mais substancial; e, normalmente, come sempre que tem fome. Cá em casa, cozinhamos as refeições, mas como somos 5 (e às vezes, seis, sete, oito…), cada um com o seu ritmo biológico, elas ficam à disposição do apetite de cada um.

Então, ainda há dias, tinha acabado de preparar uma “caldeirada de tofú” “para o jantar” e ofereci-a ao Alexandre que comeu duas colheradas e disse “Mãe, já não quero mais, estou muito cheio. Quando se está cheio não se come, não é?” “Pois é filho, é verdade…” E lá ficou a caldeirada de tofú muito possivelmente para o seu pequeno almoço do dia seguinte! (Por acaso desta vez parece que foi para o almoço ;)   )

Já dizia a minha avó “Quem não come por ter comido, não é doença de perigo” (o rapaz tinha mesmo comido, iogurte de soja, morangos, leite de soja, cajús e mais umas quantas iguarias saudáveis durante toda a tarde… ;)   )

O mesmo acontece com as actividades que nos propomos fazer, para além de “seguirmos os seus interesses”, aparecem um pouco expontaneamente, devido a uma coordenação natural entre as actividades de todos, uma espécie de cozinhado utilizando os vários ingredientes próprios de cada um dos vários que convivemos em família, o que à partida pode ser difícil de fazer e o é, se interferirmos com a mente, e que se torna muito simples quando deixamos a agenda a ser gerida pelo coração.

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Representações, Abstracções, Símbolos… o Tempo

Bom dia  todos!

Como disse no final do último post, continuamos hoje com uma outra representação, abstracção, sistema simbólico, ainda mais subtil e, por isso, menos fácil ainda de realizarmos que o seja – o Tempo.

Todos sabemos que, mediante a observação dos movimentos de rotação e de translacção da Terra, organizámos o nosso calendário, ajustando as diferenças às nossas conveniências, no intuito de nos facilitar a nossa organização.

A Rute, do Publicar para Partilhar, em tempos, publicou um post onde rapidamente podemos relembrar essa organização.

Também sabemos que existem outros calendários que várias outras civilizações foram adoptando, alguns dos quais respeitando muito mais os ritmos e ciclos naturais que a nossa actual versão do calendário romano. Para referir alguns exemplos, o calendário Maia (algumas imagens, no Google, aqui), o calendário Celta (mais informação sobre o calendário celta aqui e aqui) e muitos outros de todas as antigas civilizações…

A forma como hoje em dia “vivemos o tempo”, condicionada a todos os aspectos formais e de interesse social, cada vez nos vai afastando mais dos nossos ritmos biológicos e naturais, sendo um dos vários factores que interferem com a nossa saúde. Sobre isto, é muito engraçado e ilustrativo um texto extraído do livro Papalagui, que já foi transcrito pela Rute, no seu blogue, aqui.

Por outro lado, meditando um pouco sobre o Tempo, muitos de nós temos a percepção que algo transcende essa medição contínua e ininterrupta que nos faz afirmar que o tempo não pára e a passos largos nos conduz à velhice e à morte. Ouvi já várias pessoas convictas de que o “tempo não existe”, eu própria o dizia, em teenager e o escrevia nos meus poemas “O tempo não existe”, nem sabendo muito bem porque o dizia, sentia-o, quando me projectava no espaço onde há outros planetas, outras rotações e translações, outros tempos, ou num espaço sem rotações e translacções, sem ciclos, “sem tempo”, infinito e eterno!

Sempre me interessou muito este aspecto do tempo físico que afinal não é assim tão “estático na sua dinâmica”, ou melhor, tão “linear” como o pensamos ser e li alguns livros de alguns cientistas que investigam o assunto. O primeiro livro que comprei, nesta área, foi o “Breve História do Tempo” de Stephen Hawking, em 1988.

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Num dos muitos aspectos que foca, mostra-nos que qualquer acontecimento “presente” tem associado um “cone de luz do futuro” e um “cone de luz do passado” e que, “por exemplo, se o Sol deixasse de brilhar neste momento, não afectaria os acontecimentos actuais da Terra. Só saberíamos o que se tinha passado daí a oito minutos, o tempo que a luz do Sol leva a alcançar-nos. (…) Do mesmo modo, não sabemos o que está a passar-se neste momento mais longe no Universo: a luz que nos chega provinda de galáxias distantes deixou-as há milhões de anos. Assim, quando observamos o Universo, vemo-lo como ele era no passado.”

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E Hawking explica também, neste livro (para além de muitos outros aspectos), de forma muito perceptível aos não estudiosos de Física (com exemplos, esquemas e sem utilizar equações matemáticas), algumas predições da Teoria da Relatividade Geral de Einstein, posteriormente testadas e confirmadas.

Uma que eu acho muito interessante é a de que “o tempo parece decorrer mais lentamente perto de um corpo maciço, como a Terra. A um observador situado num ponto muito alto parecerá que tudo o que fica por baixo leva mais tempo a acontecer. Esta predição foi testada em 1962, com dois relógios muito precisos, instalados no topo e na base de uma torre de água. Verificou-se que o relógio colocado na parte de baixo, que estava mais perto da Terra, andava mais lentamente, em acordo absoluto com a relatividade geral. A diferença de velocidade dos relógios a alturas diferentes acima do globo é agora de considerável importância prática, com o advento de sistemas de navegação muito precisos, baseados em sinais emitidos por satélites. Se se ignorassem as predições da relatividade geral, a posição calculada teria um erro de vários quilómetros!

As leis do movimento de Newton acabaram com a ideia da posição absoluta no espaço. A teoria da relatividade acaba de vez com o tempo absoluto.

Consideremos dois gémeos: suponha que um deles vai viver para o cimo de uma montanha e que o outro fica ao nível do mar. O primeiro gémeo envelheceria mais depressa que o segundo. Assim, se voltassem a encontrar-se, um seria mais velho que o outro. Neste caso, a diferença de idades seria muito pequena, mas podia ser muito maior se um dos gémeos fosse fazer uma longa viagem numa nave espacial a uma velocidade aproximada à da luz. Quando voltasse, seria muito mais novo do que o que tivesse ficado na Terra. Isto é conhecido por paradoxo dos gémeos, mas só é um paradoxo se tivermos em mente a ideia de tempo absoluto.

Na teoria da relatividade, não existe qualquer tempo absoluto; cada indivíduo tem a sua medida pessoal de tempo que depende de onde está e da maneira como se está a mover.

Caso vos interesse ler mais sobre o Paradoxo dos Gémeos podem procurar assim mesmo no Google onde há páginas com o exemplo e a explicação.

 E com tudo isto para reflexão, me despeço até para a semana (continuaremos com “O Tempo II”), dia 31, Quarto Crescente. (Já agora, esta “semana” que consideramos mais “natural”, de fase da lua em fase da lua, e que explicámos no 1º post deste blogue ser a que iríamos adoptar, bem como a comemoração do novo ano que começa na Primavera, é uma forma de, aqui, nos aproximarmos dos ritmos naturais…)

Beijinhos para todos!


Caderno Verde

Noção do Tempo

Uma das coisas que mais me custou neste acompanhamento ao Alexandre no seu processo de “putting meaning in the World” (como diz John Holt), foi quando há pouco tempo atrás ele começou, aos poucos, a ter a noção, humana (ou quase que me atrevo a dizer, artificial, construída por nós), do tempo.

Pode parecer-vos estranho eu estar a dizer isto, mas foi de facto o que senti quando ele começou a testar, perguntando-me , ainda “inseguro” do que estava a dizer, “E a seguir a hoje o que é que é? É amanhã? E antes de hoje?”

Podem acreditar, senti “o coração descer aos pés” seguido do pensamento “Pronto, já está a começar a percepcionar isto do tempo…”

Isto porque adorava constatar como os pequenos sempre vivem no presente (coisa que eu tanto “trabalhei”, sobretudo após ter conhecido o Robiyn, para viver e apreciar e agradecer o que vivo a todo o instante, sem estar constantemente focalizada no passado e/ou no futuro _ no meu caso, mais no futuro, estou frequentemente projectada para lá e custa-me manter-me aqui, o que é algo tão pouco eficiente como o “vivermos no passado”).

Verifiquei muitas vezes com o Alexandre que é mesmo verdade, as crianças vivem o presente.

Por exemplo, percebi que quando ele estava a comer, digamos, morangos (normalmente comemos a fruta antes da refeição) e eu lhe perguntava “E a seguir aos morangos, queres as batatinhas?”, ele automaticamente “saltava para as batatinhas”, “Sim, quero as batatinhas, já” e não terminava os morangos com os quais se estava a deliciar. E já não havia como fazê-lo comer os morangos.

No início não dei muita importância, mas à medida que foi acontecendo duas, três, todas as vezes, percebi que era mesmo a história do “presente” que estava aqui em causa. Ele não entendia o antes e o depois, qualquer coisa que se fala ou faz é agora. E deixei de antecipar as coisas. Só no fim dos morangos é que falo nas batatinhas. E só no fim das batatinhas em qualquer outra coisa que goste.

O mesmo se aplica a sair ou ir passear ou alguma coisa. Não adianta perguntar no dia anterior se amanhã quer ir à praia. Na altura é que se vê (mesmo que ele me tenha respondido no dia anterior, a resposta era sim ou não conforme lhe apetecesse na altura, sabe-se lá o que apetece amanhã?)!

De forma que, quando ele começou a fazer aquelas perguntas a situar-se nos dias (também já pergunta “hoje é Sábado? Ou Domingo?”), o meu coração ficou apertadinho… como vou agora resolver isto? O rapaz mais tarde ou mais cedo vai conhecer os dias, as semanas, as horas, os meses e por aí fora… se lhe começo a falar já de todos os calendários existentes (informação não solicitada :)   ), ainda crio uma baralhação qualquer… e se alguém sabe disto ainda me chama maluca(!), agora não quero que o meu filho aprenda as horas ou tenha a noção do tempo!!!

De facto, há certas particularidades que eu gostaria que ele mantivesse o mais possível. E este viver focados no que de facto estamos a viver, a alegria, o entusiasmo, a criatividade, a beleza, são várias delas.

Vamos ver como resolver…  o que me parece sempre o mais sensato é seguir o processo natural e à medida que ele vá solicitando informação, “fornecer”. E o que é sempre importante, o exemplo que damos: se nós vivermos em “função do tempo”, programas, agendas, horários, stresses, não há como ele não apreender isso. Como, vá lá, cá por casa somos um tanto “descontraídos” nesses aspectos e fazemos por nos aproximar dos ritmos naturais e biológicos, pode ser que este meu apertozinho do coração tenha sido “alarme falso”  ;)

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Representações, Abstracções, Símbolos… Aritmética, Matemática

Olá a todos!

Nos dois últimos posts falámos dos idiomas (falados, escritos) como representações, códigos organizados por forma a transmitir a realidade à nossa volta, que é uma realidade perceptível através de todos os nossos sentidos, portanto a linguagem usada para a comunicarmos não passa de algo inventado pelo Homem, símbolos, abstracções, representações que associamos aos objectos, seres, paisagens, sentimentos e os demais componentes que nos rodeiam e envolvem.

Hoje passamos para outro tipo de “código”, de abstracção, de representação, do real, das quantidades existentes na Natureza, a aritmética, a matemática. E ainda menos que na leitura e na escrita, nós associamos a linguagem matemática à realidade que ela representa, sobretudo quando a estamos a “ensinar”. Nem sei bem porquê, porque às vezes até me parece que esta associação é ainda mais imediata, qualquer um se lembra que contar e medir se refere a “coisas reais”, quase todos os dias precisamos de pesar alimentos, medir alturas, comprimentos, contar dinheiro e por aí fora, mas quando ensinamos uma equação, uma simples adição, ou mesmo a contar 1,2,3, raramente o fazemos da forma natural, que é passar da “existência completa” para a abstracção (que é uma parte da existência), para a representação gráfica e matemática, e não o contrário.

Qualquer um de nós tem tendência para repetir aos nossos filhos (quase como para que eles decorem) a sequência 1,2,3,4,5… e, quando eles a repetem sem enganos dizermos que eles já aprenderam a contar até…

John Holt explica muito bem em “Learning All The Time” que essa é a forma que não deveria ser utilizada para que eles aprendessem a contar. Nem sequer aprender a sequência, não deviam aprender, à partida, que o três vem a seguir ao dois e o sete ao seis. E sim irem observando grupos de objectos: aqui estão quatro biscoitos, e aqui duas maçãs. E assim sim, vão tendo noção quais os algarismos associados a uma maior quantidade e quais a uma menor e aos poucos vão-se começando a “apropriar” e a “interiorizar” os algarismos e daí passarão a reconhecer, a especificar, a particularizar e ao mesmo tempo, a generalizar, os conceitos e as propriedades aritméticas.

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Nos dois primeiros capítulos do livro, o primeiro, “Reading and Writing” e o segundo, “At Home with Numbers”, John Holt dá muitos exemplos e exercícios práticos para que nós, pais (muito úteis sobretudo a quem pratique o ensino doméstico), nos “abstraiamos da abstracção” e nos aproximemos da totalidade que é a apreensão do mundo que nos rodeia e daí sim, passemos à sua “representação” de uma forma mais esquemática e mais “prática”.

Nesse segundo capítulo de “Learning All The Time”, “At Home With Numbers”, existe um pequeno texto intitulado “Abstractions”, que não resisto a transcrever:

“I have often heard it said that numbers are abstract and must be taught abstractly.

People who say this do not understand either numbers or abstractions and abstract-ness.

Of corse numbers are abstract, but like any and all other abstractions, there are un abstraction of something

People invented numbers to help them memorize and record certain properties of reality _numbers of animals, boundaries of a annually flooded field, observations of the stars, the moon, the tides and so on.

These numbers did not get their properties from people’s imaginations, but from the things they were designed to represent.

A map of the United States is an abstraction, but it looks the way it does not because the mapmaker wanted it that way, but because of the way the United States looks. Of corse, mapmakers can and must make certain choices, just as did the inventors of numbers.

They can decide that what they want to show on their maps are contours, or climate, or temperature, or rainfall, or roads, or air routes, or the historical growth of the country.

Having decided that, they can decide to color, say, the Louisiana Purchase blue, or red, or yellow _whatever looks nice to them. But once they have decided what they want to map, and how they will represent it, by colors, or lines, or shading, reality then dictates what the map will look like.

The same is true with numbers. Down the line it may be useful to considere numbers and science of working with them without any reference to what they stand for, just as it might be useful, to study the general science of mapping without mapping any one place in particular.

But it is illogical, confusing and absurd to start there with young children.

The only way they can become familiar with the idea of maps, symbol systems, abstractions of reality, is to move from known realities to the maps or symbols of them.

Indeed, we all work this way.

I know how contour maps are made _in that sense I understand them; but I cannot do what my brother-in-law, who among other things plans and lays out ski areas, can do. He can look at a contour map and instantly, in his mind’s eye, feel the look and shape of the area.

The reason he can do this while I can’t is that he has walked over dozens of mountains and later looked at and studied and worked on the contour maps of areas where he was walking.

No amount of explanation will enable any of us to turn an unfamiliar symbol system into the reality it stands for. We must go the other way first.”

E bem, parece-me claro. E gostaria de acrescentar, que ao movermo-nos na direcção do real para o sistema representativo, várias vezes teremos que voltar “à base”, ou ficaremos mentalmente presos a todos esses sistemas (e também por isso a vida, que é simples, nos parece tão complicada, tal estamos enredados em todos esses sistemas que criámos para nos “simplificar” a vida).

Até para a semana, dia 24, Lua Nova. Continuaremos com uma outra representação, abstracção, sistema simbólico, ainda mais subtil e, por isso, menos fácil ainda de realizarmos que o seja – o tempo.

Abraços para todos.

 

Caderno Verde

Legos e Contas

Aqui há tempos, neste post do Pés Na Relva, contei como uma brincadeira que o Alexandre repete algumas vezes nos mostrou como ele já fazia contas de multiplicar. E logo após, neste outro, mais uns pozinhos de contas.

Passados tempos, na sua mais recente e intensa fase de brincar com peças de Lego, chegou perto de mim e perguntou-me “Mãe, quantas bolinhas estão aqui?”

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Ao que respondi “Ia, bem, vamos contá-las!!!”.

E contámos, os dois, 115 “bolinhas”. E depois, mostrando-lhe as “filas de 5″ e contando quantas dessas “filas de bolinhas ali estavam”, constámos: “115 são 23 vezes 5 bolinhas”.

Claro que ele não decorou, mas percebeu e achou piada, e nem sequer tentei depois indicar a multiplicação e explicar-lhe como fazer a conta, embora ainda assim, por momentos, eu tenha pensado, “Lá estou eu a dar “informação a mais”, não solicitada (tal como percebera há uns tempos e expliquei neste post (no texto “Teoria”) e neste ainda (”Confirmação Antecipada”) e a Ana de ValedeGil escreveu também aqui).

Desta vez ele não reagiu mal à informação a mais, não solicitada por ele, talvez porque não me estendi muito e também porque ele adorou contar as bolinhas e assim acabámos por contar mais bolinhas e ele próprio já tem a noção da multiplicação conforme mostrei no tal post do Pés na Relva que linkei acima.

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Representações, Abstracções, Símbolos… Falar, Ler, Escrever II

Boa noite a todos!

Em relação ao último post, em alguns parágrafos quiz acrescentar informações relacionadas. Para não alongá-lo muito, resolvi colocar isso agora neste outro…

Quando escrevi “As palavras tendem a representar o que nos rodeia e os pensamentos que temos e cada vez que as ouvimos e lemos, tendem a formar-se na nossa mente imagens, imagens relacionadas com o que cada um já conhece, ou não farão sentido para nós.”, lembrei-me de um filme que vi por recomendação do Robiyn, o filme “À Primeira Vista” e dos comentários sobre o mesmo, num dos seus workshops, precisamente sobre esta matéria de nós relacionarmos as imagens que vemos a algo que já conhecemos ou não farão qualquer sentido para nós. No filme, um rapaz cego que entretanto recupera a visão, ao ver uma pintura de uma maçã, pela 1ª vez, não consegue distinguir entre a pintura e a maçã real, que também vê pela 1ª vez. Mas só mesmo vendo o filme, para perceber mais detalhes e estando atento a estes pormenores. O Robiyn sempre nos mostrou aspectos sobre os quais habitualmente não reflectimos e nos passam despercebidos, em todos os muitos assuntos que aborda.

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E quando escrevi “Por outro lado existem os vários idiomas criados por nós; uma criança chinesa aprende uma palavra diferente que uma criança inglesa para representar ou referenciar a mesma coisa. E quanto à escrita, o mesmo se passa e ainda com mais nuances (os alfabetos, a sua forma, a sua organização nas páginas (da esquerda para a direita ou de cima para baixo ou…)).”, também me lembrei de mais aspectos abordados nesses workshops, onde o Robiyn nos fez sentir como a nossa mente  é condicionada até pelo nosso processo habitual de escrita, sempre da esquerda para a direita e que o nosso cérebro é capaz de ler um texto globalmente (um pouco o que está na base do método global para aprender a ler) e de muitas outras “proezas” que nós habitualmente não utilizamos, porque nos condicionamos (como se colocássemos umas pálas que não nos deixam ver o resto); falou-nos de um processo de escrita um pouco mais “produtivo” que o nosso, o Bustrofédon, explicando-nos precisamente porque o considera “mais produtivo”; também nos disse que formas de nós descondicionarmos um pouco a mente será escrevermos (e lermos) de várias maneiras diferentes, com a mão esquerda (para quem habitualmente escreva com a direita), por exemplo, ou de trás para a frente, ou em espiral ou…, etc, etc e explicou que por isso utiliza formas diferentes nos livros e capas de cd’s, “estudadas” para o efeito, pois ao vermos essas formas não habituais e não padronizadas, a nossa mente “abre-se” logo um pouco a outras possibilidades. (Poderia passar o dia, ou dias, a falar das muitas coisas interessantes que ouvi e pratiquei nos workshops do Robiyn e ainda assim nunca vos passaria um trilionésimo nem saberia explicar tudo. Refiro apenas alguns ínfimos aspectos, por estarem directamente relacionados com os “temas” destes posts e porque, como mencionei num dos primeiros posts deste blogue, gosto de referir as fontes onde fui “beber” a informação e nem sequer tenho como não falar, “pela rama”, de algumas experiências maravilhosas que tive _ “pela rama” porque não dá para transmitir desta forma, escrita, a sua essência, só cada um vivendo as suas experiências que vivenciará sempre de uma forma própria e diferente da minha_, pois fazem parte da minha vida e da forma como hoje vejo as coisas, inclusivé nesta área da “educação” e destas muitas outras possibilidades, mais harmónicas, de interagirmos com as nossas crianças).

E para terminar por hoje, quando escrevi “E perceber que toda a lógica associada ao idioma praticado pela comunidade onde estamos inseridos pode ser uma “lógica pouco lógica”, pouco natural e de difícil entendimento por parte dos demais (sejam crianças ou não…), por isso as nossas crianças não têm dificuldades de aprendizagem, têm facilidade em descortinar outras lógicas que para elas fazem mais sentido, não têm déficites de atenção, têm a atenção focalizada noutros aspectos para elas muito mais interessantes (talvez ainda com a agravante que lhes tentam passar estes códigos e estas representações inventadas por outros sem sequer se darem ao trabalho de lhes mostrar o que realmente aquilo significa. E se experimentarem pedir a uma criança que invente um idioma, um código, verão a rapidez, facilidade com que inventam um).”, pensei ainda num trecho do livro de John Holt, “Como As Crianças Aprendem”:

” Muito recentemente encontrei Jill, de três anos, filha de um casal de amigos que há tempos não via. Ela mantinha-me entretido na biblioteca, falando e mostrando-me coisas. A certa altura disse “Quer ver o que o meu irmão fazeu?” Respondi que adoraria. Pôs-se de pé, em cima do tapete à minha frente, baixou a cabeça até ao chão, foi dobrando o corpo devagar e finalmente deu uma cambalhota. Espantoso! “Agora vou dar uma grande”, disse e deu outra. Enquanto dava outras tantas cambalhotas, eu pensava em como introduzir na nossa conversa uma frase que tivesse a palavra fez. Passado um tempo mencionou outra vez o irmão e eu perguntei: “Ele faz muitas coisas para tu veres?” Ela disse que sim e eu aproveitei: “Deves ter gostado muito quando ele fez aquilo”. Ela respondeu “Sim, gostei”. Depois de outras cambalhotas, fez mais alguma coisa e disse: “Ele fez isto também”.

Alguns minutos depois, quando o pai estava na sala, mostrou de novo a cambalhota e disse: “Foi isto que o Jamie fazeu”. Não me surpreendi. Leva tempo a que as crianças se sintam confiantes numa nova forma de fazer ou dizer algo e, para esta criança, fazeu deve ter parecido mais consistente gramaticalmente, como de facto o é, mais razoável e mais correcto, provavelmente, do que fez. E de novo, passado um tempo, eu disse outra frase em que usei fez e de outra vez, quando teve a oportunidade de dizer uma frase que envolvia aquela forma verbal, ela disse fez. Não foi necessário nada mais que isso. Os sentidos das crianças são aguçados. Elas notam tudo e gostam de fazer as coisas como os adultos fazem. Se falamos correctamente elas ouvem-nos e logo começam a falar como falamos.”

Numa revisão à sua primeira edição, John Holt acrescentou:

” ” Não foi necessário nada mais que isso…” Nem mesmo isso era necessário. O que fiz foi um erro, não algo necessário nem mesmo útil, e se continuasse a fazê-lo provavelmente seria prejudicial. Não foi prejudicial naquele breve momento que passámos juntos: ela estava muito atenta a mim e à sua cambalhota para que pudesse notar que eu estava a tentar corrigir a sua fala. Mas, se me conhecesse melhor e se eu tivesse insistido naquela direcção, certamente ela teria notado. Um adulto que esteja interessado principalmente nas cambalhotas de uma criança não fala no mesmo tom que um que esteja interessado em encontrar formas de corrigir o que ela fala, e as crianças são muito boas em reconhecer a diferença.

Como costuma acontecer, passaram alguns anos sem que voltasse a vê-la. Este foi, portanto, o final da minha pequena experiência em “correcção da fala”. Porque fiz aquilo, se eu já sabia que era descortês e errado  corrigir a fala das crianças de modo directo e aberto? O diabo do professor em mim foi o responsável. Eu simplesmente não pude resistir à súbita tentação de ser esperto o suficiente para corrigi-la sem que ela percebesse. Mesmo que a minha experiência tenha funcionado, e mesmo que Jill tenha percebido a utilização da palavra certa, teria sido melhor que ela descobrisse aquilo no seu próprio tempo e à sua maneira. Além disso, se pensarmos que a cada vez que falamos com uma criança devemos ensinar-lhe algo, a nossa fala pode tornar-se calculada e falsa e levar a criança a pensar, como acontece actualmente com tantos jovens, que tudo o que se fala é mentira e trapaça.

Eu teria resistido à tentação de corrigir esse pequeno “erro” infantil se não tivesse, como tantos adultos, vivido sob o feitiço da Teoria dos Maus Hábitos de Aprendizagem. Essa teoria afirma que, cada vez que uma criança comete um erro de leitura, de escrita ou do que quer que seja, devemos instantaneamente corrigi-la, impedindo que o erro se cristalize num “mau hábito”, que depois se torna impossível de corrigir. A teoria é simples e totalmente falsa. A maioria das coisas que as crianças aprendem, o que inclui tudo o que aprendemos quando crianças_ andar, falar, ler, escrever, etc. _ aprendem-nas tentando, cometendo “erros” e depois corrigindo os erros. Aprendem pelo método que os matemáticos chamam de “aproximações sucessivas”, isto é, fazem algo, comparam o resultado obtido com o desejado _ como gente grande faz _, constatam algumas diferenças _ os “erros” _ e tentam reduzir essas diferenças _ corrigem os próprios “erros”. Todas as crianças fazem isto e fazem bem. Mesmo nas casas dos mais zelosos correctores de erros, as crianças corrigem muito mais “erros” que elas mesmo descobrem do que os que os outros lhes apontam.”

E no mesmo trecho que referi acima do que escrevi no último post, agora em relação ao “não têm déficites de atenção, têm a atenção focalizada noutros aspectos para elas muito mais interessantes” de novo me lembrei do Robiyn e do que fala sobre a concentração ou a suposta falta dela, a distracção, que nós nunca estamos distraídos, estamos sempre concentrados em algo que pode não ser aquilo a que à partida queremos ou nos pedem para estar concentrados, portanto, não existe falta de concentração.

E agora sim, vos deixo com mais um apontamento do Caderno Verde. Um até para a semana, dia 17, Quarto Minguante e um grande abraço para todos!

 

Caderno Verde

Ler, Escrever…

 As letras, como símbolos, fazem parte de alguns brinquedos brinquedos cá de casa…

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Mesmo tendo a noção de que o melhor é o Alexandre ter contacto com textos completos, livros de histórias, frases completas que, a seu tempo, destrinçará, a nosso ver, não faz mal nenhum que esteja também familiarizado com as letras soltas que ele sabe que precisa de juntar para formar palavras e frases, representando o que possa querer comunicar por escrito.

Este comboiozinho foi a irmã, Catarina, que lhe ofereceu (e, foi sim, o seu nome, a primeira palavra que o Alexandre aprendeu a escrever, de muitas formas (”à mão”, no computador, juntando letras como estas do “comboio”), para além de algumas outras palavras meio “estranhas” (as passwords para os computadores   :)  ):

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Eu aprendi a ler e a escrever com o apoio da minha avó que tinha a antiga 3ª classe, tinha eu 4 anos. Isto porque adorava uns “cubos com letras” que os meus pais me tinham oferecido (parecidos com estes, mas mais bonitos, quanto a mim, e só com letras; quando quiz comprar parecidos para a Catarina, só encontrei estes):

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Eu pedia à minha avó para escrever, “com os cubos”, uma data de palavras, que ela escrevia e eu depois copiava. Passado pouco tempo escrevia “cartas” para enviar aos meus pais que na altura estavam em Moçambique (um ano depois eu e a minha irmã fomos lá ter com eles, que tinham ido primeiro só com o nosso irmão que era mais pequenino…), também com a ajuda da minha avó.

Também há uma característica engraçada nas “escritas” do Alexandre, quando quer escrever, cartas, bilhetes, frases mais compridas que ele não sabe ainda escrever sozinho: pede para lhe mostrarmos qual é a letra específica que falta, no teclado do computador e depois vê-a e copia-a, “à mão”…

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