Bom dia!
Sob o título “Teoria”, no Caderno Verde, escrevi aqui há tempos (no post de 4 de Janeiro, intitulado “Ensino Doméstico – Mais alguns livros… e blogues!” na parte do Caderno Verde) sobre um acontecimento ocorrido (na prática, portanto
) quando íamos no carro no IC19 e eu respondi a uma pergunta, explicando demais, e o Alexandre me fez repentinamente parar de falar, pois já não podia ouvir tamanha explicação.
Palavra que escrevi isso antes de ler, em “Learning All The Time”, de John Holt, num capítulo intitulado “What Parents Can Do” e num subcapítulo intitulado “Uninvited Teaching”, o seguinte: …”We can also help children by answering their questions. However, all adults must be careful here, because we have a tendency, when a child asks us a question, to answer far too much. “Aha”, we think, “now I have an opportunity to do some teaching”, and so we deliver a fifteen-minute thesis for an answer” e após umas histórias interessantes que aconteceram com crianças, continua… “this was even hard for me to learn – for de most part such teaching (the uninvited teaching) prevents learning. Now that’s a real shocker. Ninety-nine percent of the time, teaching that has not been asked for will not result in learning, but will impede learning. With a minimum observation, parents will find this confirmed all the time”.
Realmente! Com um mínimo de observação, confirmei isto mesmo ainda antes de o ter lido…
Beijinhos a todos, até para a semana dia 9, Lua Cheia!
Caderno Verde
Episódio na Bertrand
No ano passado, mais ou menos por esta altura, numa das nossas saídas em família, num dia de tempo chuvoso e também para aproveitar uma ida em trabalho por parte do Pedro, que ia demorar pouco tempo (a parte do trabalho
), fomos ao centro comercial do Fogueteiro (do outro lado do Tejo), bebemos um chá todos juntos, vimos algumas montras e, como não podia deixar de ser, entrámos numa livraria (todos nós gostamos de ver as novidades, no que toca a livros, cada um nas áreas que mais aprecia…).
De repente apercebi-me que o Alexandre, que na altura estava mais perto da Catarina do que de mim, folheava um livro grande com muitas fotos, na zona dos livros técnicos e vi uma funcionária da livraria aproximar-se dele e por isso prestei logo atenção. Disse-lhe ela: “Olha, tens aqui mais livros, lindos para a tua idade!” – e indicou-lhe a área infantil.
Olhei para o rosto do meu filhote e vi que ele estava muito sério, quase a chorar e apressei-me a chegar junto deles, percebendo o que se passava com ele e disse-lhe: “Filho, a menina não está a dizer que não podes ver esse livro, está só a dizer que se gostares mais tens ali livros muito engraçados!”
Percebi que instantaneamente mudara a sua expressão e com toda a confiança com que costuma explicar-nos o que está a ver ou a fazer, disse dirigindo-se à rapariga que o interpelara: “Sabes, é que este livro tem aqui uns túneis (era um livro de Autocad – para quem não está familiarizado, o Autocad é um programa informático para Desenho Técnico que serve de apoio a várias especialidades tais como Arquitectura, Engenharias Civil, Mecânica, Electrotécnica, sobretudo – e que tinha na capa um desenho feito em computador cuja forma se assemelhava a um túnel, de facto) – e mostra o desenho da capa – e também tem casas – e mostra uns desenhos no interior do livro -, mas eu já sei construir casas, mas ainda não sei construir túneis e este livro vai ensinar-me a construir túneis!”

A menina percebeu logo que ele, portanto, pelo menos naquela altura, estava mais interessado naquele livro que nos outros para crianças e ficou muito interessada a ouvi-lo, enquanto eu ia dizendo que ele gostava muito de túneis e pontes e torres e construções, mas também gostava muito de comboios. Ele apanhou a deixa e continuou numa grande conversa: “Sabes, eu vou construir uma grande pista de comboios por todo este País, vai dar a volta por aqui e por ali (e fazia gestos com os braços), por todo o lado e vou construir uma estação aqui atrás desta loja e depois…”
Estão a ver! Aquilo demorou tempos e a menina começou a explicar a outra colega, com uma certa admiração, tudo o que o Alexandre lhe tinha dito. Ainda nos demorámos um bocado na livraria
