Arquivo para Abril, 2009

Seguindo os Seus Interesses III

Bom dia!!!

E para “concluir” este tema, o outro exemplo dado por John Holt, relativamente ainda às crianças que frequentavam a escola rural (as mesmas do exemplo que transcrevi no post da semana passada, portanto, do mesmo livro “Como As Crianças Aprendem”):

“Vejamos outro dos seus projectos. As crianças mais velhas costumavam publicar um pequeno jornal, que aparecia em intervalos de poucas semanas. Um dia, um aluno disse: “Se passamos tanto tempo a fazer este pequeno jornal, como fazem as pessoas um grande jornal todos os dias?”

A questão interessou a turma, como já aconteceu comigo. Resolveram investigar o assunto. Depois de algumas cartas, puderam visitar as instalações de um grande jornal. Os alunos estavam tão interessados nos processos de composição tipográfica e de impressão que começaram a investigar toda a história dos tipos, da impressão e da edição. O que despertou a curiosidade de alguns sobre a história da escrita e sobre materiais escritos em geral. Começaram a estudar os primeiros alfabetos e materiais escritos, como papiros, pergaminhos e outros. Logo decidiram fazer – escrever, compor e encadernar – um livro deles sobre a história completa da escrita, da impressão e da edição de livros. era uma tarefa e tanto! Não tinham ainda terminado quando chegou o fim do ano escolar, e um bom número deles ainda foi à escola, uma ou duas semanas após o fim das aulas, para finalizar o projecto. O Dr. Gordon mostrou-me o livro que fizeram. Era um trabalho maravilhoso, bem organizado, escrito com clareza, lindamente ilustrado e com diagramas e muito bem encadernado: era um livro de verdade. Ao fazê-lo, os alunos tinham ido do jornal contemporâneo aos inícios da história.

Estas histórias mostram-nos muitas coisas relativas aos modos de como as crianças aprendem. Elas vêem o mundo como um todo, misterioso talvez, mas ainda assim como um todo. Elas não o dividem em categorias pequenas e impermeáveis, como nós, adultos, tendemos a fazer. É natural para elas saltar de uma coisa a outra e fazer certos tipos de ligações que raramente são feitas nas salas de aula e nos livros escolares. Elas traçam os seus próprios caminhos na investigação do desconhecido, caminhos pelos quais nós nunca pensamos em conduzi-las. Assim, por exemplo, se concluímos ser importante para as crianças saber algo sobre a Guerra de Tróia, ou sobre arqueologia, começaríamos a falar-lhe sobre mergulhos submarinos? Certamente não. Mesmo que o fizéssemos, esse pode não ser um bom começo para algumas crianças. Finalmente, quando seguem as suas próprias intuições, o seu próprio “faro”, aprendendo o que estão curiosas por aprender, as crianças são mais rápidas, conseguem percorrer um território mais vasto do que o que jamais sonhámos para elas, muito mais vasto do que o que poderíamos levá-las a percorrer.

As pessoas têm-me dito com frequência, nervosa ou raivosamente que, se deixarmos as crianças aprenderem o que quiserem, elas se tornarão especialistas bitolados, idiotas experts em copas do mundo, por exemplo, e outras coisas do género. Não é assim. Muitos adultos o fazem. As universidades estão cheias de pessoas que se fecharam em pequenas fortificações de aprendizagem privada e artificialmente restrita. Mas crianças saudáveis, ainda curiosas e destemidas, não aprendem dessa forma. A sua aprendizagem não as encaixota, leva-as para a vida, que elas logo aprendem a explorar em diferentes direcções. Cada coisa nova que aprendem faz com que percebam coisas novas a serem aprendidas. A curiosidade delas cresce com o que a alimenta. A nossa tarefa é apenas garantir que ela tenha alimento.

Manter a curiosidade das crianças devidamente alimentada não significa alimentá-las ou dizer-lhes o que devem comer. Significa pôr ao seu alcance a mais ampla variedade possível de bons e bastantes alimentos, algo como levá-las a um supermercado sem “comida de plástico” – se é que é possível imaginar algo assim.”

Oxalá tenham gostado destes exemplos dados por John Holt, no seu livro “Como As Crianças Aprendem”.

Até para a semana, dia 1, Quarto Crescente, uns belos dias para todos!

 

Caderno Verde

Nós fazemos tudo e não fazemos nada

Com este apontamento hoje quero reiterar algo que li neste post do blogue Orca e Alce, que gostei muito de ler, pois é mesmo assim, e que vem muito a propósito desta temática de há três semanas para cá “Seguindo os seus interesses”.

Pois nós fazemos sim muitas coisas, sobretudo se as formos descrever, como o temos feito aqui neste blogue e no blogue “Pés Na Relva” no qual participamos juntamente com outras famílias, dá para escrever posts e posts e até fazer um livro! E se formos analisar, poderíamos escrever um rol de considerações, pensamentos, comentários, qual tese de doutoramento, mesmo empregando, se o quisermos, as palavras caras de índole pedagógica.

Por outro lado, também é possível que alguns pedagogos  da “ala tradicional”, digam, sobre todas estas coisas que fazemos juntos, que não fazemos nada, pois nada está programado, esquematizado, antecipadamente inserido em objectivos pedagógicos e metas de aprendizagem, em conteúdos programáticos e susceptível de “avaliações” através de testes ou fichas (por acaso até é susceptível das ditas avaliações, mas nós não as queremos…   :)   ). E também não somos professores nem o nosso filho é nosso aluno. Não queremos ensinar-lhe nada, descobrimos coisas com ele. Portanto, não fazemos nada, só brincamos

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Vou confessar-vos que o título que tinha escolhido inicialmente para este blogue era “Sempre no Recreio”. Desisti dele por duas razões: uma, que para mim não foi a determinante, foi o Pedro ser de opinião que o título deveria conter algo que, em termos de pesquisas na internet, referenciasse a palavra educação, ensino doméstico, escola, algo que directamente nos relacionasse com o conteúdo efectivo deste blogue; a outra (que foi a determinante), porque me apercebi, em conversa com amigos, de entre os quais, professores, e sem perguntar directamente nada sobre este título, que “Sempre no Recreio” provoca, é uma provocação subtil. E eu não sou dada a provocações (sorriam, não sou mesmo…), a última coisa que quero, ou melhor, não quero de todo, fazer juízos de valor sobre o trabalho de outras pessoas, e muito menos provocar alguém. Este é um blogue de partilha de um caminho percorrido, de vivências, sentimentos, “cliks” (“insights”, intuições, despertares, redespertares), queremo-lo construtivo.

Logo quando do nascimento deste blogue, escrevi um pouco isso no primeiro post. E uma achega sobre a escolha do título “A Escola É Bela”, no 2º post.

Portanto, nós com o Alexandre, brincamos, passeamos, vivemos o nosso dia-a-dia, lemos histórias, inventamos outras, representamos, cantamos, dançamos, damos palmas, rimos, abraçamo-nos, jogamos, pintamos, estamos atentos ao que lhe desperta o interesse e a curiosidade, em vários níveis, apoiamo-lo na satisfação da sua curiosidade e a desenvolver esses seus interesses. Algo muito simples que pode ilustrar isto (para além de todos os relatos que já fiz neste blogue e no Pés Na Relva dos nossos passeios, visitas a exposições, irmos de propósito andar de comboio, de ferry-boat e de teleférico, porque ele adora fazer isso, actividades e brincadeiras) é o que escrevi já há uns tempos sob o título “Passeio de Domingo” para o Pés Na Relva.

E qual não foi o meu espanto, agora que vai ser necessário inscrevê-lo numa escola em “regime de ensino doméstico”, andando “às voltas” com a legislação e descarregando no site da Direcção Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular o programa curricular para o 1º ciclo (colocámos, a Ana e eu, algumas indicações sobre a legislação afecta ao ensino doméstico numa nova página, “Legislação“, no blogue “Pés Na Relva” e o link para o referido site onde podemos descarregar em formato PDF o programa curricular do Ministério para o 1º ciclo), e lendo os conteúdos programáticos definidos para o 1º ano, que é o que o Alexandre está, oficialmente, prestes a iniciar a sua frequência, qual não foi o meu espanto, dizia, quando me apercebi que seguramente metade desses conteúdos já foram abordados e apreendidos por ele, exactamente sem fazermos nada por isso.

Trocado em miúdos, o não fazer nada, ou o fazer tudo(!), reflecte um 1º ano do 1º ciclo já no papo, ainda 5 meses antes do início do dito 1º ano. Eu, mãe, sei-o, constatei-o por comparação ao que está programado. Prová-lo será outra história e querer prová-lo uma outra ainda. Ainda não sabemos qual vai ser o nosso desenvolvimento, qual o “passe de criatividade” (tipo passe de mágica) a utilizar para inserir o “Unschooling” no que é legal como Ensino Doméstico em Portugal. Ainda não sabemos. Sinto que ainda temos tempo, que podemos continuar a fazer tudo sem fazer nada, que é o que nos faz sentido.   :D

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Seguindo os seus interesses II

Bom dia a todos e continuando o tema da semana passada, pois não terminei as histórias de John Holt a ilustrar este aspecto tão interessante que as crianças percorrem quando podem “aprender naturalmente” (do livro “Como as Crianças Aprendem”):

“As histórias seguintes são sobre uma escola rural de uma única sala, em que ensinava a professora Júlia Weber, hoje Júlia Gordon.  (…)

As crianças da escola estavam em anos diferentes, do primeiro ao oitavo. A maior parte do tempo, por necessidade, trabalhavam sozinhas, independentemente. Noutras ocasiões debatiam coisas, como numa aula. Nesses debates muitas questões eram levantadas, e era hábito de Júlia Weber anotar muitas das questões não respondidas em grandes folhas de papel e afixá-las nas paredes, onde as crianças podiam vê-las e lembrar-se delas. Os alunos não tinham de encontrar respostas para aquelas questões que não eram currículo ou dever de casa. Mas eram livres para seguir aquelas que lhes interessassem particularmente. Algumas questões nunca eram respondidas. Outras cativavam a curiosidade da classe e levavam as crianças a descobertas de maior alcance.

Uma dessas questões surgiu num início de Primavera, quando as crianças se aprontavam para deixar as roupas de Inverno. As roupas precisavam de ser limpas antes de serem guardadas e alguém perguntou porque é que não podiam ser lavadas. Muitos sabiam que era porque a lã encolheria. Mas porque é que a lã encolhia, o que acontecia para que encolhesse? Ninguém sabia. Talvez descobrissem se pudessem ver a lã ao microscópio. Infelizmente, eles não tinham e não podiam dar-se ao luxo de comprar um. Sim, mas alguém poderia emprestar. Escreveram então uma carta – acho que para a universidade estadual -, pedindo que lhes fosse emprestado um microscópio e explicando para o que o utilizariam. Sempre que era necessário, as crianças escreviam cartas dessas. E, como a sua pequena escola tinha de pedir emprestada a maioria dos livros e dos equipamentos de que necessitava, elas passavam o tempo a escrevê-las.

Parece-me que aqui está a resposta a uma crença muito frequente nos tempos que correm, (…), de que precisamos ter escolas-fábrica gigantes, porque não podemos obter boa educação numa escola, a menos que ela tenha todos os equipamentos tecnológicos de última geração. Ao termos escolas ainda maiores, temos mais perdido que ganho qualidade, e o pouco que ganhamos com todos esses materiais e equipamentos caros poderíamos ganhar de outra forma. Deveriam existir, como já existem nalgumas partes do país, bibliotecas centrais cujos livros e equipamentos pudessem ser emprestados, ou mesmo bibliotecas “ambulantes” e laboratórios que visitariam as escolas. Um dia, se superarmos essa crença de que grandeza em educação significa eficiência e qualidade, talvez possamos reavivar algumas dessas ideias.

De qualquer forma, o microscópio finalmente chegou. As crianças tinham tido muitas outras coisas em que trabalhar enquanto esperavam  por ele. Havia uma grande expectativa enquanto o desempacotavam, liam as instruções, aprendiam a usá-lo. Depressa estavam prontas para examinar algumas fibras de lã antes e depois de serem lavadas. Descobriram que as fibras têm articulações semelhantes às de um telescópio e que, por alguma razão, deslizam e se juntam quando a lã é lavada. Depois, tendo observado a lã, resolveram observar alguns outros tecidos como o linho, o algodão e a seda. Notaram a diferença entre as fibras e perceberam que a aparência das roupas depende do modo como são tecidas. Por sua vez, isso levou os alunos a interessar-se por tecelagem e, depois de um debate, decidiram que queriam criar alguns tecidos, usando os tipos mais simples de instrumentos de fiar. Mais cartas foram escritas e daí a algum tempo tinham tudo o que precisavam para fiar e tecer, começando com lã crua. Decidiram começar pela lã, porque era mais fácil de trabalhar usando instrumentos simples. Conseguiram a lã crua através de um vizinho que tinha ovelhas, depois lavaram, escovaram e fiaram. Alguém na turma pensou que poderia ser interessante descobrir quanto trabalho daria fazer um tecido. Decidiram registar o tempo gasto no projecto e para isso desenvolveram ou descobriram a ideia da hora-homem como uma unidade de trabalho, um conceito muito importante em economia.

Quando tinham acabado de fazer  um pequeno pedaço de tecido, os seus registos mostravam que tinham gasto 72 horas-homem. Setenta e duas horas para aquele pequeno pedaço de pano! Quanto tempo levaria a fazer um colete inteiro? O que levou a uma boa utilização da aritmética, além do trabalho de calcular a área de um objecto estranho como um colete. Quando descobriram quanto tempo demorariam para que, na velocidade delas, chegassem a um colete, ficaram intrigados ao pensar como pessoas como os primeiros colonizadores conseguiam arranjar tempo para fazer as suas próprias roupas. Começaram também a ver como era grande e verdadeira a necessidade de especialização do trabalho e de instrumentos especiais que permitissem a economia de esforços dos trabalhadores.

O projecto das roupas levou as crianças a uma grande variedade de direcções. Uma delas foi que quiseram tingir o tecido, então tiveram de pesquisar algumas tintas naturais, como eram feitas e como eram usadas. Como a maioria delas vem de plantas, isso levou os alunos à botânica. Fizeram algumas tintas e testaram-nas. Ficaram também interessados noutros tipos de tecidos de lã. O pedaço de tecido caseiro que fizeram não era muito parecido com as vestimentas que estavam acostumados a ver e a usar. O que causava a diferença? Quantos tipos de lã existiam? As crianças começaram a perguntar a todas as pessoas que viam a usar lã qual era o tipo de lã que usavam. Descobriram que havia muitos tipos. Alguém começou a anotar num mapa os tipos de animais que davam lã e as partes do Mundo em que viviam. O que as levou a perguntar-se e a debater o porquê de alguns tipos de lã custarem mais que outros. Depois de conversar e ler sobre o assunto, concluíram que tinha a ver com  o tipo de animal do qual a lã era extraída, a dificuldade de criação de cada um, a quantidade de lã que ele produzia, a dificuldade de transformar a lã em tecido, a distância a que se encontravam dos lugares em que a lã seria beneficiada e outros factores. Fizeram uma bela reflexão sobre aspectos de Economia e Geografia.

Ao mesmo tempo, os alunos ficaram interessados na diferença entre roupas de lã de flanela (que eu não conheço), no processo da tecelagem e na indústria têxtil. Puderam ver como máquinas melhores reduzem o preço da roupa. E quem inventou as primeiras máquinas? Para obter as respostas a tais perguntas, tinham de pedir livros à biblioteca do condado. O Dr. Gordon relatou-me que num ano a turma de 32 alunos pediu emprestados 700 livros. Descobriram que muitas das primeiras máquinas foram inventadas na Inglaterra. Porquê? Em parte porque lá já havia algum nível de divisão social do trabalho, de forma que os ingleses já estavam preparados para o modo de organização das fábricas. Como eram as fábricas? Visitaram então uma fábrica têxtil em Nova Jersey, leram sobre as primeiras fábricas e as condições de trabalho nessas fábricas, falaram sobre o efeito das máquinas no emprego, examinaram o efeito delas nos arredores das cidades, reflectiram sobre as organizações e a legislação trabalhistas. E por aí foram.

Bem, nem todas as crianças fizeram todas essas coisas. E, por outro lado, essas não foram todas as coisas que as crianças fizeram. Enquanto trabalhavam com essas questões, trabalhavam com muitas outras também. E embora seja verdade que apenas algumas crianças estivessem em condições de pesquisar, de facto, a invenção das primeiras máquinas de fiar, elas sempre podiam relatar às outras o que tinham encontrado, para que quase todas as descobertas fossem compartilhadas pelos alunos.

Vejamos outro dos seus projectos…”

 (continua para a semana!) 

E com este exemplo dado por John Holt no seu livro “Como As Crianças Aprendem” vos deixo por hoje, até para a semana, dia 25, Lua Nova!

 

Caderno Verde

Interesse por medir

O Alexandre, como a maioria das crianças, gosta de medir.

Não sei bem porquê, mas parece-me que sempre foi uma das matérias interessantes medirmos as coisas, lidarmos com os instrumentos de medir.

Lembro-me de ficar fascinada com uns púcaros de alumínio que a minha avó tinha, que mediam desde o litro ao centilitro e se encaixavam todos uns nos outros (quase como as bonecas russas!…   :)   ). Ela deixava-me brincar com eles e eu passava tempos a encher de água desde o maior aos mais pequenos e a passar a água de uns para os outros e a perceber, fazendo, quantos centilitros cabiam num decilitro e por aí fora (os ditos púcaros tinham gravados nas “asas” a respectiva medida).

O Alexandre, como gosta de cozinhar e fazer bolos, desde cedo que mede “às chávenas”, “às colheres”, num copo medidor que serve para medir litros e gramas… (os púcaros de alumínio da minha avó eram mais interessantes porque passava o líquido de uns para os outros e comparava as medidas… e estava lá identificado, não havia dúvida, que quantidade cabia em cada púcaro).

Mas esta semana, andou todo entretido com uma fita métrica (já dantes a usara, mas como cordel para atrelar brinquedos uns aos outros tal carruagens entre si e à locomotiva!    ;)    ).

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Desta vez, foi a propósito de andar a medir a sua altura. Temos na parede esta girafa:

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De vez em quando ele vai até perto dela para ver o quanto está crescido (eu não ligo muito a isso, mas eles ligam – ele e a irmã que colocou a girafa na parede…)! Ora a girafa caíu da parede e como começa aos 60 cm, tive que ir buscar uma fita métrica para medir os 60 cm a partir dos quais fixo o início da girafa… Aí o Alexandre percebeu para que servia aquela fita enrolada que dantes utilizava como fita-cordel e toca de pegar na fita e andar a medir tudo por toda a casa e a chamar-me, “mãe esta mede um 3 e um 2, é o quê?” (era 23…), “e esta é maior.” !!!

Parece-me que, à semelhança de outros interesses, tendo-se iniciado o “ciclo das medições”, isto se vai desenvolver por uns tempos.

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Seguindo os seus interesses

Bom dia!!!

Ainda outro dos aspectos que muito me interessou relatado por John Holt: “o fio”, as relações, como de um tema se passa para outro seguindo os seus interesses e sendo as crianças a conduzi-los (e não nós, pais ou educadores).

Ao ler dois dos exemplos que John Holt dá, isso ficou muito claro para mim, para além de serem exemplos deveras interessantes.

Como este exemplo de uma criança que se interessava muito por electrónica e apenas partindo desse seu interesse aprendeu a ler a um nível médio e conceitos de matemática muito para além dos adquiridos por crianças da sua idade em escolas usuais:

(Do livro “Como As Crianças Aprendem”, de John Holt):

“Transcrevo a seguir a carta de uma mãe cujo filho está numa escola onde as crianças não são obrigadas a assistir às aulas, mas aprendem quando e o que quiserem, com a ajuda – que podem solicitar quando sentirem necessidade – de qualquer pessoa mais velha que esteja por lá. O menino que tinha tido muita dificuldade numa escola convencional e que ainda não aprendera a ler, foi para lá aos 7 anos. Dois anos depois da sua chegada à escola, a sua mãe escreveu:

             Até o mês passado, pouco mais ou menos, ele ainda não tinha assistido a nenhuma aula (…) mas, tendo sido submetido às provas gerais (uma espécie de prova aplicada pelo Estado para verificação da aprendizagem dos alunos das escolas do país, N. do T.) e a testes de QI, descobrimos que ele, estudando conceitos de electrónica e de várias outras áreas tecnológicas que não são oferecidas em escolas públicas nem mesmo a alunos do ensino médio, se tornou capaz de ler como um estudante do 1º ano do ensino médio e tem conhecimentos matemáticos de uma criança do 8º ano.

A electrónica dá uma pista sobre como esse aparente milagre se realizou. Não existem textos, manuais ou livros didácticos escritos para crianças a respeito do assunto. Para usar os que existem, devemos ser capaz de ler e entender palavras como resistência, condensador, potenciómetro e semelhantes. Sem dúvida esse menino teve que ser auxiliado no início, mas, ao aprender a ler e compreender a terminologia básica da electrónica, certamente acumulou informações suficientes sobre letras para que se tornasse capaz de ler quaisquer outras palavras que encontrasse pela frente. Para trabalhar com electrónica é preciso saber também aritmética, decimais e potenciação, logo, teve que aprender estes assuntos também, juntamente com electricidade e circuitos eléctricos.”

E este outro exemplo, muito interessante e elucidativo:

” Professores de estudos sociais perguntaram-me certa vez, num encontro, como os alunos poderiam descobrir e aprender independentemente assuntos da sua disciplina. Como parte da resposta, contei-lhes algumas histórias. A primeira é sobre um menino de 7 anos. Um dia viu e leu, acho que na National Geographic, um artigo sobre mergulho submarino. Como a maioria das crianças, tinha muito interesse por equipamentos de mergulho e tinha mais interesse ainda nos peixes variados e coloridos que os mergulhadores estavam a ver e a capturar. Interessava-se, na verdade, pela ideia de um mundo submarino com uma vida própria. Entusiasmado, falou com a sua mãe a respeito do artigo. Passado pouco tempo a sua mãe encontrou outro artigo sobre mergulhadores. Nesse, no entanto, não mergulhavam à procura de peixes, mas de tesouros – vasos, tigelas, ferramentas e armas – que jaziam ocultos nas profundezas do mar, no bojo de um navio que havia naufragado no Mediterrâneo há três mil anos atrás. Tudo nessa história fascinava o menino, sobretudo a ideia de que esses objectos estranhos e belos tinham estado submersos, ignorados e esquecidos por tanto tempo. Ficou interessado nas civilizações pré-homéricas de Creta e de Micenas, que haviam produzido aqueles tesouros. Adultos prestáveis encontraram alguns livros sobre o assunto e ofereceram-lhos. Ele leu-os. Neles, mencionavam-se Homero e a Guerra de Tróia o que o levou a ler algumas versões adaptadas da Ilíada e da Odisseia. Em dado ponto das suas leituras, encontrou uma menção às sete cidades de Tróia e a Schliemann, o arqueólogo que as desenterrou. Ficou fascinado com a ideia de que uma cidade inteira pudesse simplesmente desaparecer sob o chão, que outra cidade fosse construída sobre ela e que isso pudesse acontecer sete vezes! E ficou igualmente fascinado com a ideia de trazer à luz novamente essas cidades enterradas. O que fez com que quisesse descobrir tudo o que estivesse ao seu alcance sobre arqueologia. Quando ouvi falar dele pela última vez, andava a ler tudo o que chegasse às suas mãos sobre o assunto.

As histórias seguintes são sobre uma escola rural de uma única sala… “ 

(continua para a próxima semana!!!)

De facto, a aprendizagem dirigida pelas próprias crianças e jovens, seguindo os seus interesses, é uma característica da filosofia inerente ao Unschooling preconizado por John Holt.

E todos nós que enveredarmos por esta prática com as nossas crianças, vamo-nos apercebendo desta característica tão flexível, variada e interessante, como já a Ana exemplificou nestes dois posts que escreveu para o Pés Na Relva:  “O Ensino Doméstico É Como As Cerejas” e “Dentes-de-Leão de Todas as Cores”.

No Caderno Verde de hoje também vou deixar um apontamento ligado a este tema.

Uma bela semana para todos! Até dia 17, Quarto Minguante.

 

Caderno Verde

Do Teatro às Naves Espaciais,

passando pela Reciclagem :)

Mais uma vez, algo para ilustrar o que disse acima:

Desde pequeno que a Catarina leva o Alexandre a ver os contos interpretados e as peças infantis, nas quais ela participa como actriz. (Ele vibra com certas personagens do conto/peça de teatro  “O Reino de Pernas P’ro Ar”, do Espaço Cativar, que é um conto sobre música: com o conde desafinado e o artista italiano – a irmã interpreta as duas personagens; chegam a casa e ele pede para ela repetir vezes sem conta as vozes com que ela interpreta esses dois personagens e as brincadeiras inerentes… ri-se até fartar).

Depois, ao ver a peça “Os Pólos da Nossa Terra”, também do Espaço Cativar, na sua versão adaptada para as campanhas de sensibilização da EMAC sobre a importância da reciclagem, logo se “apaixonou” pelo novo personagem que nesta versão substitui a Aurora, o Mac (a mascote da EMAC, que conseguem ver no site, do lado direito) que tem, na net, o seu clube, “O Clube do Mac”.

Praticamente todas as vezes que esta versão adaptada dos “Pólos da Nossa Terra”  foi apresentada, o Alexandre foi comigo vê-la. E em casa pede muitas vezes à irmã “para ela ser o Mac” (que é como ele vê esta história da representação… :)   ). E desde aí que passa tempo à  volta do tema da reciclagem.

De forma que, quando apareceu nos cinemas o filme “Wall-E“, a irmã resolveu levá-lo ao cinema ver o filme, já que tinha algo a ver com Reciclagem.

Bem, foi nessa altura ver o filme ao cinema umas três vezes (com pessoas diferentes!   :)   ). E foi então que começou a sua paixão por naves espaciais e pelo próprio espaço. A primeira frase sobre isso foi um “segredo” que me veio dizer, muito baixinho ao ouvido:  “Mãe, para irmos para outro planeta temos de ir de nave espacial…” – o que tem a ver com o seu já “antigo” interesse pelos meios de transporte em geral.

E aqui estão as “construções” das primeiras naves, cujas fotos já tenho colocado noutros posts aqui n’A Escola É Bela” e no “Pés Na Relva”:

A 1ª nave, tipo a do Wall-E, “construída” em cartolina:

dsc00473dsc00474A pesquisa, em livros cá de casa e a percepção de tipos de naves diferentes, “Space Shuttle” e “Apollo” e a confirmação vendo filmes como o “Apollo 13″:

dsc00769dsc00771dsc00773Consultando os livros e vendo os filmes, o fascínio pelo momento do lançamento:

ap8ksc68pc327_1280x1024A construção de nova nave, “tipo Space Shuttle”, com cartão e fita adesiva e a simulação de repetidos lançamentos, usando sons, vibrações e todo o aparato… :)

dsc00765dsc00767A transformação de um antigo estojo de lápis, num foguetão (com este a simulação do lançamento era mais real, pois podia ir “perdendo pedaços” (soltando os módulos) pelo caminho! :)  :

dsc007871dsc00788Visitar exposições sobre o espaço e naves espaciais (a do centro de Ciência Viva da Amadora, “A Aventura Espacial” – ainda não a visitámos propriamente, só o exterior e comprámos lá o brinquedo, pois já lá fomos duas vezes e das duas a exposição interior não estava disponível ao público em geral – e a do Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações, “Espaço, a Última Fronteira“, da qual não tenho fotos , pois não fui eu que o levei à exposição, foi o seu amigo Bato):

dsc008041dsc00808dsc00819A pintura:

dsc00920dsc00923A contagem decrescente (10, 9, 8, ….2, 1, Pfuuuurrhhh (o lançamento!) ), em português e em inglês (devido aos filmes!)

E agora, como anda muito virado para as construções em lego e ganhou umas peças novas, as naves espaciais em lego (inventadas por ele):

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… Ainda é hoje em dia um tema presente.

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Aprender “por saltos”

Bom dia!!!

Então que tal esta primeira semana deste novo ano? Muitas inspirações?

Esta hoje, aqui no blogue, vai ser dedicada de novo ao ensino doméstico e a mais uma das características da “aprendizagem natural”.

Um dos aspectos que me interessou relatado por John Holt foi, para além de tudo o que já aqui comentei e citei sobre alguns dos seus textos, que as crianças aprendem “por saltos”, o que me despertou logo a atenção porque o Alexandre começou a falar dessa forma, conforme podem ler no apontamento de hoje do Caderno Verde.

Vou só transcrever um pequeno texto sobre este assunto, do livro “Como As Crianças Aprendem”, de John Holt:

” Horários! Agimos como se as crianças fossem comboios que passam sempre nos mesmos horários. Os maquinistas calculam que, para o seu comboio chegar a Chicago a uma certa hora então tem que chegar “à hora” em cada paragem do seu trajecto. Se está dez minutos atrasado na chegada a uma das estações, já começam as preocupações. Da mesma forma dizemos que, se uma criança vai saber muitas coisas quando chegar à faculdade, então tem que saber certas coisas ao final de determinado ano lectivo e outras tantas ao final do ano seguinte. Se não chega ao final de um desses estágios intermediários quando pensamos que deveria chegar, instantaneamente passamos a crer que vai chegar atrasada ao final. Mas as crianças não são comboios. Elas não aprendem num ritmo constante. Aprendem aos saltos, em repentinos arranques e, quanto mais interessadas estiverem no que estão a aprender, mais rápidos esses saltos ou arranques tendem a ser.”

Depois de constatar passar-se isto mesmo em várias alturas, com o Alexandre, vou comentando isto com algumas pessoas, exemplificando com o que relato hoje no apontamento do Caderno Verde. Uma amiga perguntou-me se com as minhas filhas (mais velhas) não acontecera assim. E a minha resposta, após breve reflexão, é:

Honestamente, não me lembro de muitas coisas em relação à minha filha mais velha, hoje com 23 anos, pois nessa altura não estava ainda muito sensibilizada para nem desperta a pensar nestes termos.

Também não tenho muitos registos das suas várias fases de crescimento como agora tenho do Alexandre, pois hoje estou deveras inclinada para fazê-los à  conta de nos termos proposto a prosseguir com o “unschooling”.

Lembro-me de várias coisas que ficaram sempre na minha memória, tais como, a Catarina cantar muito e muito afinadinha em bebé pequena, ainda mal sabia falar, as letras das músicas que cantava mal se percebiam, mas a melodia era impecável, certinha e afinadinha. E lembro-me de mais coisas ainda da Celina (por ter sido um pouco há menos tempo – elas têm cinco anos de diferença – e porque nessa altura já tinha também uma maior disponibilidade para apreciar devidamente as suas fases de crescimento, como ela ter um jeito especial para as rimas, observar os animais sobretudo os minúsculos, como caracóis e bichos de conta e sair-se com umas perguntas “existenciais”  - que já contei aqui no post “Todas as crianças são cientistas II” – de tal forma que uma colega minha me dizia frequentemente que eu tinha uma filha filósofa!).

Fora isso, aquelas partes de aprenderem a desenhar, aprenderem a ler e a escrever, não o fizeram, como é óbvio, na sua forma natural, pois a mais velha “frequentou a escola” desde os 8 meses e a do meio desde o ano de idade. Para além de não acompanhar directamente o que lhes “ensinavam” e o que praticavam na escola, não manifestavam certamente a sua aprendizagem por saltos, porque não lhes foi permitido aprender naturalmente sem horários, programas a seguir, pelo contrário sempre cheias de tarefas e mais tarefas impostas, para cumprir, como os trabalhos de casa e as demais na escola.

Portanto, as minhas filhas e a maior parte das crianças cá em Portugal da sua geração em diante, não são um bom exemplo para a constatação de que de facto, as crianças aprendem “por saltos” e quanto mais seguem os seus interesses mais rápidos esses saltos são.

Passemos agora ao Caderno Verde…

E até para a semana, dia 9, Lua Cheia, uns belos dias de Primavera para todos!

 

Caderno Verde

Aprender “por saltos”

Pois tenho mesmo algo para ilustrar o que li e comentei em cima sobre o assunto.

O primeiro salto de que nos apercebemos (se não é na aprendizagem é decerto na manifestação/exteriorização dessa aprendizagem): 

Até aos dezoito meses, o Alexandre não andava sozinho. Eu lembrava-me que a minha filha do meio começara andar no preciso dia em que fez um ano, a mais velha aos 14 meses e a filha de um casal nosso amigo, uns meses mais velhinha que o Alexandre, começara a andar aos 9 meses. Como nunca fui de ligar muito se as crianças começam a andar cedo ou mais tarde, pois penso que cada um tem o seu próprio ritmo e dali a uns tempos isso não vai interessar nada, não estava nada preocupada. Entretanto o Alexandre começa de repente a andar e a dar passos seguros, como se já andasse há uns meses; a partir dali nem nos lembrávamos que ele tinha começado a andar há pouco tempo.

Depois aconteceu algo idêntico quando foi para largar as fraldas: eu não tinha experiência nenhuma de começar a habituar as crianças a deixarem de usar as fraldas, pois as minhas filhas receberam esse “treino” no infantário; colocavam todos os pequenos ao mesmo tempo sentados num bacio e ao fim de uns tempos elas lá vinham para casa sem fraldas (e eu continuava a pôr-lhe fraldas à noite até elas passarem umas noites consecutivas sem inutilizarem a fralda). Nem sabia muito bem a que altura elas tinham deixado de usar fraldas.

Bem, quando o Alexandre fez dois anos resolvemos ir passar férias à terra onde ele nasceu (Beniarbeig). Na minha cabeça achei que seria boa altura, Verão, férias, para começar a colocá-lo algumas vezes no bacio a ver o que acontecia. Levei de férias os “dispositivos” necessários e lá tirava-lhe a fralda, mas ninguém o conseguia fazer sentar no bacio. Não me ralei nada, pensei, “ainda não vai ser desta, se calhar ainda é muito cedo”.

Assim que voltámos de férias, não tentei mais nada durante uns tempos, mas começo a vê-lo a ir direitinho ao bacio e sentar-se lá sem ninguém lhe dizer nada. Comprei umas fraldas-cueca e passaram de repente a andar sempre secas e dali a dois meses também já não fazia de noite… óptimo! Foi tão fácil que quando me lembro de estar antes a pensar no processo como algo de muito complicado até me rio de mim própria.

O salto mais “engraçado” foi quando começou a falar. Aos dois anos e meio balbuciava meia dúzia de palavras. Lembro-me de no Verão termos estado com outras crianças na praia que , com menos de 2 anos já diziam muito mais palavras que ele. Como sempre, também não dedicava muita atenção ao assunto. Quando falar, fala… (é sempre um pouco a minha postura…). De repente, mas esta foi nitidamente de um dia para o outro e coincidiu com o dia que fomos esperar a irmã mais velha ao aeroporto que vinha de Manchester, pois tinha lá estado uns três meses num estágio após ter terminado o curso na escola de teatro – nós atribuímos o entusiasmo ao facto de a irmã ter chegado, pois ele estava muitas vezes com ela e sentiu grandemente a sua falta – então de repente, dizia, do balbuciar meia dúzia de palavras, desata a dizer frases completas e perceptíveis e a empregar palavras como “estação” e  “preferida”. A irmã nem queria acreditar que tinha sido só naquele dia, ficou super contente.

E agora a meio de Março, um outro salto visível:

O Alexandre nunca ligou muito a fazer desenhos. Sempre gostou muito de pintar e a irmã começou a colocar-lhe uns pontinhos que ele unia com umas linhas para desenhar os comboios que queria pintar e as naves espaciais. Nós pensávamos que ele não ligava lá muito a desenhos nem a letras, ligava mais a números.

Antes dos desenhos que vou mostrar a seguir só fazia riscos e bolinhas e uns rabiscos a imitar letras (e letras também, já escreve o nome sozinho há bastante tempo e mais algumas palavras, mais no computador do que “à mão”).

No início de Março, após ver pela enésima vez o filme “Os Robinsons”, onde existe aquela personagem de um menino que desde criança inventa os mais variados aparelhos (um cientista!), pega numa folha e desenhou, segundo as suas palavras, o projecto da construção que ia fazer a seguir (reparando bem, este projecto tem uma parte desenhada e uma parte escrita, uma linha de “hieroglifos” em cima, a explicar o projecto):

dsc008895

Uma fábrica de chocolates!!! (não é que ele goste especialmente de chocolates, gosta especialmente de fábricas e como vê algumas vezes o filme “A Fábrica de Chocolate” só para ver as máquinas da fábrica a funcionar no início do filme…):

dsc00890A fábrica, depois de pronta (a construção inicial foi um pouco alterada entretanto…):dsc00894A fábrica vista de cima:dsc00895Passados uns 15 dias, assim de repente, estávamos todos juntos e estavam também os namorados das irmãs. O namorado da mana Celina fuma, mas como não se pode fumar cá em casa, ele vai lá para fora. O Alexandre apercebeu-se que ele ia fumar e  rapidamente procura um papel e um lápis e desenha o que se segue (um dístico que mostrou ao namorado da irmã assim que ele voltou a entrar em casa: “Proibido Fumar”):

dsc00984Nós muito admirados por ele desenhar um boneco assim de repente, o seu primeiro boneco, começámos a pedir-lhe desenhos: “Faz um para mim”, “Eu também quero, faz outro para mim!”. E ele fez mais dois, um para a mana Catarina (da esquerda para a direita, a mana, uma flor, a casa, uma árvore e em baixo a relva do jardim; o boneco já tem cabelos):dsc009861

(Este é o mesmo desenho, depois de pendurado num biombo)dsc00997E outro para mim (da esquerda para a direita, eu, ele, uma flor e lá em cima, uma nuvem e o sol;  já temos orelhas, reparem e eu tenho uns brincos! :)   ) dsc009961Dois dias depois fez um desenho para o pai, para o Dia do Pai (já puz este num post do Pés Na Relva por altura do Dia do Pai…),dsc00991que lhe ofereceu com esta cesta de frutas (porque o pai adora frutas, e ele também!):dsc00995Entretanto, como tenho contado também no Pés na Relva, (para além de no post que referi anteriormente também contei sobre isso neste outro), tem andado muito interessado nas contas de cabeça e também já começou a querer ler sozinho, apenas uns leves sinais… qualquer dia “surpreende-nos” (agora já começámos a ficar familiarizados com os saltos… :)   ) com mais um salto, desta vez na escrita e na leitura (dizem que com algumas crianças que já aprendem a ler pelo método global também é assim que aprendem a ler: levam um certo tempo a absorver tudo e de repente “desatam” a ler logo com uma certa fluidez).

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