Arquivo para Junho, 2009

Projectos _ ideias a implementar por várias pessoas em vários locais diferentes…

Viva!

E mais um excerto de um livro de John Holt, hoje o finalzinho do “Dificuldades Em Aprender”:

” (…) deixei de acreditar que as “escolas”, por muito bem organizadas que sejam, constituam os locais adequados, ou os melhores para que este processo (o da aprendizagem) aconteça. Tal como escrevi em Instead of Education e em Teach Your Own, salvo raras excepções, o conceito de locais especiais de aprendizagem, onde nada acontece a não ser aprendizagem, já não me parece fazer sentido algum. O local mais adequado e o melhor lugar para as crianças aprenderem tudo o que precisam ou querem aprender é o local onde quase todas as crianças aprendiam, até há bem pouco tempo _ o próprio mundo, e no seio dos adultos.

Devíamos instalar em todas as comunidades (talvez em antigos edifícios escolares) centros de recursos e de actividade, clubes e outros locais onde pudessem ocorrer muitas espécies de coisas _ bibliotecas, salas de música, teatros, instalações desportivas, oficinas, salas de conferências _ que estariam abertos ao público e seriam usados tanto pelos jovens como pelos mais velhos. Cometemos um erro terrível quando (com a melhor das intenções) separámos as crianças dos adultos e a aprendizagem do resto da vida, e uma das nossas tarefas mais urgentes é derrubar essas barreiras e voltar a reuni-los.”

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Por outro lado, em muitos dos workshops do Robiyn, ouvi sempre falar nesta “reunião etária”, mesmo por exemplo, em relação aos idosos, que não deveriam ser isolados e sim continuarem a conviver com crianças e jovens. Que, de facto, é o que é natural, o que faz parte da vida.

A nossa compartimentação de tudo, incluindo as pessoas,  por faixas etárias, por sexo, por profissão e chegando ao pormenor da categoria profissional, etc., etc., transformou-nos em números, em abstracções.

Isso é possivel e pode ser usado para fins de estudo, de estatísticas e o que for, mas não pode comandar a nossa vida, agrupá-la “permanentemente”, destituí-la do seu conteúdo natural, impedir o seu curso natural…

Hoje em dia, pelo que transcrevi no post anterior e no de hoje, como Projecto a implementar, para além de, ou como complemento a, termos optado, conjuntamente com ele, pelo ensino doméstico como a modalidade a desenvolver em relação à escolaridade do nosso filho Alexandre, sinto uma grande simpatia pela possibilidade da existência desses centros de recursos e actividade preconizados por John Holt, “onde possam ocorrer muitas espécies de coisas”, como ele diz (o que também tem uma certa ligação com o meu post sobre as “interligações” :)      ).

Tenho um certo “feeling” que aos poucos vão surgindo centros de recursos e actividade como esses (já começam a existir alguns, só que são frequentados normalmente em horários pós-laborais ou pós-escolares, ou “aos fins-de-semana”, a ideia é, à medida que cresça a “escolaridade” frequentada na modalidade do ensino doméstico, mais crianças e jovens tenham um horário livre para os frequentar _ na proposta de John Holt, aliás, a ideia era mesmo esses centros se irem substituindo às escolas…      ;)     , desde que seja numa perspectiva do unschooling e não em novas escolas, com novas regras, com outro tipo de professores… ou voltaria tudo ao mesmo, ou pior).

Por outro lado, também será necessário que os adultos envolvidos em profissões com horários rígidos, vão ao pouco transformando as suas profissões naquelas que lhes dizem algo mais intrinsecamente, que decorram de uma forma mais natural e livre, que para si tenham sentido e sirvam a comunidade. (Escrevi sobre as profissões aqui.)

Gosto de pensar num puzzle multidimensional, onde cada peça é única e todas as peças se encaixam! :)      E isso, para mim, diferentemente da utopia, é a realidade que nós não estamos actualmente a viver, porque a distorcemos (ou porque amassámos as peças e assim elas não encaixam no puzzle… cada um terá que reconstituir-se como peça única e impecável, nós próprios sendo nós próprios _ falo por mim, que continuo nesse processo!)

E é verdade, por ter falado em livros, a Paula do Aprender Sem Escola, colocou neste post links para uns quantos livros disponíveis on-line, ligados de alguma forma ao unschooling/homeschooling, livros em português e livros em inglês. É-nos de muita utilidade!

Beijinhos para todos, até para a semana dia 7 de Julho, Lua Cheia!

Caderno Verde

Uma grande Aventura

“Isto é uma grande Aventura! Vamos de barco a uma ilha!” _ o que o Alexandre não se cansava de dizer enquanto esperávamos pelo barco que nos ia levar (nós lá de casa, à excepção da Celina que decidiu não ir em prol dos exames da faculdade, mas por outro lado foi o Bernardo, e mais duas amigas nossas e os respectivos filhos _ éramos dez!) às Berlengas!

Foi um óptimo passeio e um óptimo fim-de-semana e uma grande aventura(!), como disse o Alexandre, todo contente.

Um barco cheio de “speed”,

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uma viagem bem divertida,

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uma ilha bem bonita,

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vistas maravilhosas,

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uma prainha

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banhos e brincadeiras,

DSCF0240DSCF0248 percursos pedestres mais à tardinha (estava bastante calor),

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gaivotas por todo o lado,

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ninhos de gaivotas e os seus bebés,

DSC01730 o forte,

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o farol,

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casas-de-banho públicas limpas, com sabão e papel (!) (tenho que mencionar, é mais forte do que eu…       :)         ), um parque de campismo su generis,

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vistas e mais vistas maravilhosas

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e de novo o nosso barco para nos levar de volta ao continente. Chama-se “Pássaro do Sol”,

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que achámos piada po ser parecido com o título de uma canção que o meu tio músico escreveu para a Catarina cantar que se chama “Pássaro do Céu” (pode ser que um dia ela a grave e vocês possam ouvi-la     :)     ). Sim, ela não gosta só de representar, também adora cantar _ é ela que dá a voz às músicas do coelhinho Titou, que já passou no Panda (existe em CD) e uma amiga dela, da Cativar, canta as do último CD do Golfinho Viky.

De volta, então:

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Para o Alexandre, os pontos altos foram as viagens no Pássaro do Sol

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(“Um dia vou conduzir um barco destes!”, disse, e também disse algo parecido no dia a seguir, ao subir no ascensor da Nazaré

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e a andar a espreitar o mecanismo que o movimenta e segura:

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“Um dia vou conduzir um ascensor destes”_ a somar à frase da semana anterior que pus no último apontamento do Caderno Verde “Eu sei que um dia vou ser um cozinheiro e cozinhar para muitas pessoas, para todos…”, já vamos em três “profissões”… mais, afinal, pois já disse que vai ser “maquinística” de comboios e pilotar naves espaciais), os faróis

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e a subida até lá acima.

Só me tinha apercebido de que ele gostava de faróis no outro dia, em Cascais, quando ficou vidrado numa montra que tinha vários faróis em miniatura. Temos que ir visitar um, há vários por lá, visitáveis.

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Projectos _ Os que começam por ser de uma forma e se transformam noutra

Olá a todos!

Hoje coloco aqui um excerto do  livro de John Holt e Pat Farenga, “Teach Your Own” que me fez um “clique”, porque cheguei a pensar em juntarmo-nos com pessoas interessadas e termos uma “escolinha” onde as crianças pudessem seguir os seus interesses na descoberta de como funciona este planeta     ;)       , e entretanto essa ideia desvaneceu-se um pouco, porque de facto não se foi concretizando nem se mostrou como a mais adequada para o Alexandre (e para todos nós, como família!) nesta altura. E senti isso reflectindo sobre o que é dito neste texto:

“During the late ’60s and and early ’70s I knew a number of groups of people who were starting their own school until after years of trying to get their local public schools to give them some kind of alternative. When they finally decided to make a school of their own, they had to persuade other parents to join them, reach some agreement on what the school would be like, find a place for it that the law would accept and that they could afford, get the okays of local fire, health, safety, etc., officials, get enough state approval so that their students would not be called truants, and find a teacher or teachers. above all, they had to raise money.

One day I was talking to a young mother who was just starting down this long road. she and a friend had decided that they couldn’t stand what the local schools were doing to children, and that the only thing to do was start their own. For many months they had been looking for parents, for space, for money, and had made almost no progress at all. Perhaps if I came up there and talked to a public meeting…

As we talked about this, I suddenly thought, is all this really necessary? I sad to her, “Look, do you really want to run a school? Or do you just want a decent situation for your own kids?” She answered without hesitation, “I want a decent situation for my own kids.” “In that case”, I sad, “Why go  through all this work and trouble _ meetings, buildings, inspectors, money? Why not take just your kids out of school and teach them at home? It can’t be any harder than what you are doing, and it might turn out to be a lot easier”. And so it soon proved to be _ a lot easier, a lot more fun.

In talking with young families like these, I found that what they most needed was support and ideas from other families who felt the same way. For this reason, I began publishing a small, bimonthly magazine called Growing Without Schooling, in which parents could write about their experiences teaching their children at home.  (…)”

E pronto! Por isto e tudo o que fomos lendo sobre o Unschooling, que nos fez todo o sentido, para além de o Alexandre dizer, volta e meia (quando se fala na palavra!), que não quer ir à escola, nos fomos familiarizando com a possibilidade de “matriculá-lo” em ensino doméstico.

Para a semana, dia 29, Quarto Crescente, vou escrever um pouco mais sobre “projectos”.  Até lá e uns belos dias para todos!

 

Caderno Verde

Eu sei que um dia…

“Eu sei que um dia vou ser um cozinheiro e fazer comida para muitas pessoas, para todos!” _ foi o que o Alexandre me disse, estávamos prontos para ir de viagem passar uma semaninha à terra da avó e a guardar em caixinhas arrozinho e seitan com natas (de soja!) que a avó tinha preparado para comermos em viagem.

Achei piada. Ele sempre gostou muito de “cozinhar” (mexer, misturar, adicionar, provar, dizer o que falta _mais um bocadinho de cacau, de açúcar, de sal, de salsa…).

Depois, já na casinha da terra da avó, voltámos a repetir a experiência do ano passado (o pão, as batatinhas assadas no forno de lenha com cebolas e pimentos,

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e este ano fizémos ainda um docinho, as famosas tigeladas de Abrantes que avó sabia a receita que costumam fazer aqui na terra dela, perto de Castelo Branco!):

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(estão lá ao fundo, as batatinhas…):

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E já regressados a casa, estava muito bem na sala e apeteceu-lhe fazer maionese (nós fazemos “maionese de leite de soja”    ;)     ) e lá fomos de corrida para a cozinha, os dois. “Lembras-te dos ingredientes, mãe?”, perguntou-me, “Eu só me lembro de dois… ah (!), de três” e dirigiu-se logo ao frigorífico buscar o leite de soja e depois acima da bancada buscar a garrafa do azeite e de novo à porta do frigorífico buscar o frasquinho da mostarda de Dijon (a única que usamos, que é a única que não tem açúcar refinado na composição…). Dos outros ingredientes lembrei-me eu.

Então, a receita da maionese de leite de soja:

Uma parte de leite de soja, uma parte de azeite, uma parte de óleo de girassol; um gole de vinagre de arroz (ou de cidra, ou de frutos), um dentinho muito pequenino de alho, uma pitada de sal marinho não refinado, uma colherinha de sobremesa de mostarda de Dijon. Mistura-se tudo num copo alto, com a varinha mágica até espessar um pouco… e já está!

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Interligações

Olá a todos!

No último post, sob o título “Unschooling”, juntei várias coisas que andava a dizer ao longo dos posts anteriores.

Hoje vou juntar tudo, ou seja, falar de como para mim, o Unschooling e a abordagem da educação de outros pontos de vista que os de hoje ainda os mais comuns, se junta a outros aspectos da Vida, porque está tudo ligado.

Tenho tido facilidade em sentir as ligações entre tudo.

E então, senti-me em casa, quando comecei a frequentar os workshops do Robiyn que faz essa ligação entre tudo, vive-a, transmite-a.

Ao longo de vários posts neste blogue tenho vindo a fazer referência a vários aspectos desses workshops, uma vez que tenho sempre como propósito revelar as fontes das várias informações que aqui coloco e tendo sido através dessas minhas vivências que tive acesso a grande parte dessas informações (e práticas!). Tal como não posso esquecer que foi “a fonte” de mudanças e transformações profundas em mim, na forma como via “embaciadamente” muitas coisas e como fui aos poucos adoptando um modo de vida cada vez mais coerente com o que passou a fazer sentido para mim.

Então hoje este post, dedicado às Interligações, é também dedicado ao Robiyn, que usa uma das frases mais deliciosas, para mim, quando “salta” de um aspecto ao outro: “Anda Tudo De Mão Dada”, diz-nos ele, o que em mim me conduz à imagem de todos nós e todos os seres e todas coisas, de mãos dadas uns com os outros, eternamente ligados por algo, uma essência que nos é comum e que às vezes percebemos de facto existir.

Assim, vou ainda juntar aquilo que poderei dizer mais sobre o Robiyn e o teor dos workshops (que quando quero dizer algo sobre eles nunca sei como fazer dada a imensidão de coisas para dizer não resumíveis em itens ou num esquema) com aquilo que eu queria explicar de como para mim esta outra abordagem sobre a educação está ligada com muitos outros aspectos que passaram a fazer parte da minha /nossa vida _ o vegetarianismo, o parto natural, a ecologia, … e vou colocar aqui o que escrevi num e-mail que troquei com uma das minhas novas amigas que conheci através do fórum do grupo do ensino doméstico, quando me perguntou que workshops eram esses sobre educação, que eu tinha a dada altura mencionado:

“São os mesmos de que falo muitas vezes, os workshps do Robiyn. Eu fiz muitos workshops com ele, pois ele aborda muitos temas e tudo o que pus em prática deu resultado. O Robiyn não usa uma técnica específica quanto à educação, nem sequer fala em educação positiva. Não te consigo explicar muito bem o trabalho do Robiyn, pois para ele está tudo ligado, a educação das crianças, os partos naturais, os cuidados que temos com o planeta (a ecologia), o respeito para com todos os seres e para com a vida (aí também se insere a filosofia inerente ao vegetarianismo), outras formas de vermos a economia e o dinheiro, a forma de lidarmos uns com os outros mesmo com as pessoas com quem temos problemas, muitos e muitos outros temas. Resumindo, tudo ligado através de maneiras possíveis de nos sentirmos integrados harmonicamente no Todo que é a Vida.

Normalmente as pessoas sentem-se mais atraídas por um ou outro tema ou  por alguns ao mesmo tempo. Eu percebo isso todos os dias, uns estamos mais interessados em ecologia, outros em humanização dos partos, outros no respeito palas crianças e pelas mulheres, outros numa educação mais livre para as nossa crianças, outros numa alimentação saudável e como vivermos de forma mais saudável e natural, outros nas medicinas alternativas, mas vejo que muitos, no geral, focando mais um aspecto ou outro, estamos interessados em mudar de vida, para uma forma mais natural, mais livre, com mais sentido de viver. Quanto a mim, o  interessante é perceber que faz tudo parte de uma mesma coisa. 

E daí que também vejo que o trabalho que o Robiyn faz através dos seus
workshops que não só sensibilizam para determinados assuntos como
também nos dão “ferramentas” que podemos usar para nos ajudar a sair de
todas as formatações que vimos tendo desde crianças e a libertar de preconceitos e a mudar muitos dos conceitos existentes que nos limitam e a ajudar a libertar-nos de medos e sei lá quantas coisas mais, às vezes, quando falo simplesmente nisso às pessoas parece muito estranho, porque normalmente ninguém faz isto tudo ao mesmo tempo.
 
O Robiyn não é nenhum guru nem nenhum mestre nem nenhum esotérico nem nenhum espiritualista nem nenhum religioso. É uma pessoa muito prática que quando as pessoas começam a querer perceber tudo muito intelectualmente é capaz de nos fazer perceber que não interessa perceber nada com a cabeça, mas sim com o coração, através de pormos em prática atitudes, comportamentos, com amor e carinho. Arranja sempre algum exemplo prático para o percebermos, dá-nos exercícios práticos para fazermos, explica-nos como fazer relaxamentos e mais umas quantas técnicas, diz que os nossos grandes problemas advêm de separarmos tudo, “por exemplo, na medicina tradicional, quando temos uma dor de cabeça, dão-nos um comprimido para a dor de cabeça (que entretanto é capaz de nos fazer mal ao estômago e ao dedo do pé), em vez de se perceber qual é a causa da dor de cabeça e tratar a causa (nós podemos ter dores de cabeça por causa de um problema no fígado e o problema no fígado vir simplesmente de uma sobrecarga devido à alimentação” e coisas que tais…).
 
 
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 O Robiyn nasceu em Goa, na Índia, e tem uns avós ou bisavós portugueses, não sei bem, estudou cá enquanto pequeno e depois viveu em Inglaterra, na Austrália e ultimamente, antes de voltar para Portugal, viveu muitos anos no Brasil vivendo também alguns períodos no Panamá e na Costa Rica. Já deu workshops em muitos países, inclusivé nos Estados Unidos e no Canadá, na Grécia, na Finlândia e em muitos mais. Um dos trabalhos dele foi ser aviador (pilotava aviões), mas cedo começou a dar palestras e cursos nesta área que ele sempre sentiu como sendo o que tinha que fazer, desde que, na Austrália, aprendeu certas técnicas como a regressão e muitas outras, as aplicou a si próprio e foi aperfeiçoando técnicas próprias que mais ninguém usa que ajudam efectivamente a relaxar e a libertar-nos de tudo o que nos limita e nos trava a sermos as pessoas maravilhosas que somos e todos os seres são.
 
Por outro lado, não é nenhum santo milagreiro, não faz milagres, os milagres, se eles existem, somos nós que os fazemos, o trabalho é todo nosso. E é isso que custa às vezes às pessoas perceber (e assumir e “pôr mãos à obra”), que nós é que nos deixamos enredar numa teia que nos faz ver a vida muito cinzenta e que só nós é que podemos nem sequer é desfazer a teia, construir algo de novo, fazer algum trabalho muito difícil ou complicado de construir tudo desde o início, é simplesmente deixar de fazer o que costumamos fazer para complicar, deixar de fazer as coisas “de uma forma desequilibrada”, deixar de construir uma teia entrançada que nos prende a ela e pura e simplesmente voltar ao que sempre fomos, uma criança inocente, ávida, construtiva, capaz de inventar tudo, de perceber tudo, de correr de braços abertos, de fazer coisas pelo simples prazer de as fazer (e estou a usar palavras minhas, ou seja há muitos mais adjectivos maravilhosos e coisas maravilhosas que as crianças sabem fazer…).
 
Há muitas formas. Nós somos desde pequeninos condicionados a muitas coisas, pelos pais, pela escola, pela religião, pela sociedade (e também há algumas memórias e alguns medos que trazemos de outra vidas). Por isso é que, voltando ao que nos fez falar nisto no início, é muito importante a forma como nós, conscientes de tudo o que fomos condicionados em pequenos, vamos hoje educar as nossas crianças. Um pai ou mãe que sempre ouviu gritos em pequeno ou que foi de alguma forma maltratado ou a quem não deixavam fazer nada ou não ligavam nenhuma ao que dizia porque achavam que uma criança não sabe o que diz e não tem direito a ter opiniões próprias, tem sempre tendência a fazer o mesmo aos filhos. Ou, pelo contrário, a ser tão revoltado contra o que lhe fizeram que cai no extremo oposto de permitir tudo e mais alguma coisa. O mesmo pai ou mãe que entretanto ficou consciente disto e consegue libertar-se de todos os problemas que isso lhe causou, sem entrar num processo de culpabilização dos seus próprios pais ou de outros factores “externos”, sem assumir um papel de vítima e sim assumir a sua responsabilidade em viver de forma integrada e harmoniosa, obviamente não vai fazer o mesmo aos seus filhos nem ir para o extremo de fazer tudo ao contrário só para não ser igual ao que tanto o revoltou, e sim, vai encontrar as formas naturais, carinhosas e amorosas e ao mesmo tempo certas, porque são tranquilas e sentidas, de ajudar e apoiar os filhos a desenvolverem as suas próprias características (que podem ser tão diferentes das nossas), os seus gostos e aptidões que não são os mesmos para todas as crianças, a reconhecer o ser único que elas são e ajudá-los a descobrir as próprias asas; o “papel” de uma mãe, é quase esse, ser o casulo onde a lagarta se desenvolve e cria as próprias asas para voar! E sai cada borboleta linda!”  (digo quase esse porque no fundo, esse “é o papel” de cada um, sermos nós próprios o casulo e a lagarta que se transforma em borboleta).

Esta, a imagem da lagarta a metamoforsear-se em borboleta, é a “imagem de marca”, digamos, da Renaskigi (o nome que o Robiyn deu ao tema genérico do trabalho que desenvolve com as pessoas, que é uma palavra em esperanto, língua universal, e que significa “Fazer-se renascer a si próprio”).

Obrigada por terem lido mais este post e obrigada por “andarmos todos de mão dada” cada um a fazer o melhor que a cada momento sabe, tem consciência para o, fazer.
 
Até para a semana, dia 22, Lua Nova, belas interligações para todos!

 

Caderno Verde

Ligações Visuais

Estava sentadinha e de repente olho para o computador do Pedro (que tem sempre milhentas imagens em contínuo movimento) e vejo “um mosaico” mesmo a condizer com o “quadro” em cima, na parede, que o Alexandre ofereceu ao pai, no Dia Do Pai de 2008, tinha ele 4 anitos (autores: Alexandre e Catarina).

Ora vejam:

A vista do conjunto:

DSC01066As imagens em mosaico no computador:

DSC01067O “quadro” (técnica: colagens e pintura a lápis de cor),

DSC01069DSC01070O motivo inspirador e que também faz parte do quadro  :)

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Unschooling

Olá a todos!

Ao longo dos … últimos posts venho-os categorizando na categoria 3-Unschooling (podem ver na barra direita, as categorias), com as várias alíneas a)-Todas As Crianças São Cientistas, b)-Só a Informação Solicitada, c)-Aprender por Saltos, d)-Seguindo Os Seus Interesses, e)-Representações/Abstracções/Símbolos…, por serem as características mais marcantes inerentes ao Unschooling que me fui apercebendo ao longo dos textos de John Holt que fui lendo, absorvendo, interiorizando, comprovando (muitas vezes “antecipadamente”) nas observações e acompanhamento em relação ao crescimento do meu filho mais novo que até hoje nunca “foi à escola”.

O termo Unschooling foi de facto “criado” por John Holt para transmitir algo “para além do Homeschooling”, ou melhor, para que não haja tendência em transferir para o ensino doméstico as práticas correntes nas escolas.

Pat Farenga, em “Teach Your Own”, no Prefácio ao livro, refere mesmo isto:

“Our innate ability to learn by experience and exemple is so powerful that we are  practically programmed to teach the way we were taught in school. We’ve all spent so much time in school that it’s difficult for us to imagine that there actually are other ways to live and learn in our current society. Therefore, it’s very easy to duplicate conventional schooling at home. After all, we know what school is like from our own experiences as students, perhaps even as teachers, and when we homeschool our own kids, that word “school” connects it all for us. In response to the prevailing definitionn of the word “school”, John create the word “unschooling” to describe how we help children learn without duplicating ideas and practices that we learned in school.”

Há quem traduza o termo/conceito como ”Aprendizagem Autónoma”, “Aprendizagem Natural”. Podem ler aqui e aqui e em vários outros posts da Paula do Aprender Sem Escola.

E de facto, foram mesmo estes “grupos de características” mais marcantes desta filosofia/prática, o Unschooling de John Holt, que me foram surgindo, como preceitos a ter em conta quando enveredamos por esta opção em relação à “escolaridade” dos nossos filhos:

Todas as crianças são cientistas; (posts I e II)

A informação por eles solicitada é a informação que eles vão apreender;

As crianças “aprendem” “por saltos”;

E “aprendem” seguindo os seus interesses, raciocínios, ramificações dos vários assuntos conforme lhes surgem, ligações que fazem (porque está tudo interligado, de facto, a existência é una…); (posts I, II e III)

Tendo em conta que as nossas comuns “áreas de saber” são representações, abstracções, símbolos, do Todo que existe, a Natureza (posts I, II, III, IV e V), será mais fácil para nós, pais, sabermos deslocar-nos da vivência para a representação e orientá-los nesse sentido, por forma a que as múltiplas representações, abstracções, símbolos, sistemas esquemáticos ou o que lhe quisermos chamar deixem de ser um mistério para as crianças, um conceito estranho sem ligação a coisa nenhuma e seja “automaticamente fácil” para eles apreender essas formas de “conhecimento” que criámos para comunicar, representar, “o saber”.

E mesmo sobre o conceito de Aprender, será que aprendemos mesmo algo? A palavra correcta será mesmo esta? Num dado trecho da introdução ao seu livro “Teach Your Own”, John Holt diz assim sobre o conceito de aprender:

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“As thime went on I began to have more and more doubts even about the word “learning” itself.

One morning in Boston, as I walked to work across the Public Garden, I found myself imagining a huge conference, in a hotel full of signs and posters and people wearing badges. But at this conference everyone seemed to be talking about breathing. “How are you breathing these days?” “Much better than I used to, but I still need to improve.” “Have you seen John Smith yet _ he certainly breathes beautifully.” And so on.

All the meetings, books, discussions were about Better Breathing. And I thought, if we found ourselves at such a conference, would we not assume that everyone there was sick, or had just been sick? Why so much talk and worry about something that healthy people do naturally?

The same might be said of our endless concern with “learning”. Was there ever a society so obsessed with it, so full of talk about how to learn more, or better, or sooner, or longer, or easier?

Was not all this talk and worry one more sign that there was something seriously the matter with us? Do vigorous, healthy, active, creative, inventive societies _ Periclean Greece, Elisabethan England, the United States after the Revolution _ spend so much time talking about learning? No; people are too busy doing things, and learning from what they do.

These ideas led into my book Instead of Education where I tried to make clear the distinction between doing, “self-directed, purposeful, meaningful life and work” and education, “learning cut off from life and done under pressure of bribe or threat, greed and fear.” Even as I wrote it I planned a  sequel, to be called Growing Up Smart _ Without School, about competent and useful adults who during their own childhood spent many years out of school, or about families who right now were keeping their children out.”

Também nos workshops Renaskigi – A Arte de Viver Em Harmonia, orientados pelo Robiyn, modifiquei por completo o conceito que tinha sobre a aprendizagem, uma vez que percebi que nós não aprendemos nada, descobrimos, redescobrimos e, em ultima análise, já sabemos tudo, basta-nos sintonizar com a sabedoria. Parece um pouco bombástica esta afirmação, mas à medida que se vai percebendo como a maioria dos conceitos generalizados estão equivocados, à medida que se vão praticando exercícios, inclusivé os de apreender matérias sem qualquer esforço e técnicas espectaculares para se utilizarem nos estudos com resultados imediatamente visíveis, consolida-se isto mesmo: para além de não ser possível sermos ensinados, também não aprendemos, redescobrimos o que, no fundo, já sabemos, qundo muito vamos apreendendo, dando sentido (“putting meaning into the world“, como diz John Holt).

E para terminar hoje este post, uma outra reflexão: a maior dificuldade, quanto a mim,  que cada um dos pais encontra quando envereda pela opção de não escolarizar os filhos, é algo que tem a ver com a escolarização dos próprios pais, isto é, a dificuldade de descartarmos tudo o que se nos foi somando após vários anos de escolarização (uns mais, outros menos).

De novo a Paula do Aprender Sem Escola, colocou um artigo sobre isto mesmo num dos seus posts, intitulado “Descolarizar os Pais“. Parece-me uma tarefa imensa, mas de facto, à medida que nos vamos descolarizando, melhor sabemos lidar com a não escolarização dos nossos filhos, melhor saberemos não travar e, por outro lado, apoiar o seu processo natural de “putting meaning into the world” (gosto desta expressão    ;)      ).

Beijinhos a todos, até para a semana, dia 15, Quarto Minguante!

 

Caderno Verde

Viva o pai!

Hoje não é dia do pai, mas apetece-me dizer , “viva o pai, viva o pai do Alexandre!”. Vou esclarecer:

Sinto-me sempre grata, por estarmos todos, em família, juntos nesta opção do ensino doméstico, ou seria para mim muito mais difícil, por “trabalhar por conta de outrém”. E como cada um de nós tem temas específicos em que se sente mais à vontade, o Alexandre tem um grande leque de actividades diferentes, de informações, de práticas, que vai experimentando com uns e com outros.

Sinto-me ainda grata, porque eu e o Pedro “dividimos” (multiplicamos!!!   :)   ) o tempo que passamos com a Alexandre, as actividades, as brincadeiras (com as ajudas pontuais de todos os membros da família e mais alguns, como já disse).

E delicio-me com a paciência deste pai para as crianças e jovens, não só a dele, mas outras (amigos, vizinhos) e as actividades/passeios em conjunto que empreende. Por exemplo:

No ano passado, numa das férias escolares (já não me lembro em que época) de alguns dos jovens e crianças nossos vizinhos, o Pedro combinou ir com o filho e com eles ao Oceanário:

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saíam todos juntos do nosso prédio, munidos das suas lancheiras, iam apanhar o comboio até “ao Oriente”, dirigiam-se ao Oceanário, encontravam-se lá com o meu irmão e o meu sobrinho que também tinham vindo de propósito para a visita (lá pela 3ª ou 4ª vez, que eles os dois são fãs dos peixinhos… e também vegetarianos!),

Pomacentrus_caeruleus_thumbvisitavam, lanchavam no fim, voltavam de comboio. E foi o que fizeram, pelo que tive uma tarde absolutamente só para mim      ;)      .

Quando chegaram, vinham ” estafados” e contentes, com tudo para contar!

E o engraçado foi um dos nossos vizinhos (já dos seus 13 anos), agradecer e dizer que tinha sido um dos melhores dias da vida dele (o tédio que não deve ser para ele a rotina casa, escola…)! Só essa frase devolveu o sorriso ao rosto do Pedro que, ao final do dia, já estava um bocadinho “em baixo de forma”, como é compreensível, responsável durante toda a tarde por duas crianças e dois jovens.

Já este ano, repetiu a dose, com outro itenerário: levou-os a todos ao Parque de Santo António na Costa da Caparica para brincarem juntos, andarem de bicicleta, comerem gelados…

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E já andam a combinar uma ida à praia, agora que parece que o calorzinho se vai instalar… (num dia de semana, assim que começarem as “férias grandes” dos pequenos que vão à escola).

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Querido pai Pedro!

Obrigada!

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