Arquivo para 2 - Pesquisas

“Nossos Irmãos e Vizinhos” :)

Olá a todos!

Ao ler as edições do Carnaval do blogue da Meninheira (embora estejamos próximos do Carnaval, é uma mera coincidência, as edições que refiro não têm nada a ver… da primeira vez que li, perguntei à Meninheira o porquê do nome “Carnaval” e ela respondeu-me: “Foi o nome que lhe deram, vê aqui :) ), acedi aos blogues dos vários participantes das diferentes edições e gostei muito de alguns dos seus posts.

Sem nenhuma ordem em especial, aqui fica uma pequena lista dos blogues das famílias simpatizantes do homeschooling que acedo com maior frequência, através do Dálle Un Coliño:

Hechiceros

Libres Como El Volcán

Orca e Alce

Enseñar a Pescar

e muitos, muitos outros não só de Espanha, mas também, da Columbia, Porto Rico, Estados Unidos…

Vou só deixar aqui os links directos para uns dos artigos mais recentes que gostei muito de ler, nuns desses blogues listados acima (não consegui ler todos os artigos, obviamente):

Un Método E Un Por Qué

Yo Soy de “Esas”

Crisis

Colaboratión de Natalia

Aprender

Mis tres (resumidos) deseos e algún que outro sueño

Google Earth

Em relação às referidas “Edições do Carnaval”:

Ao lê-las, apercebi-me de que constavam no seguinte:

Cada uma das famílias, à vez, propõe umas perguntas (ou uma só) a serem respondidas por todas as outras famílias e por si própria. As perguntas basicamente têm a ver com o tema do Ensino Doméstico. Cada família publica no seu blogue (se não tiver blogue há sempre algum que a “aloja”) as respostas, texto, reflexões. A família de onde partiu a pergunta, quando é “fechada a edição”, publica no seu blogue um resumo das intervenções de todos os participantes dessa edição (não é obrigatório participar em todas :)   ), colocando os links para os textos integrais publicados em cada blogue.

Através destas edições, que desde logo despertaram o meu interesse fiquei a par das várias especificidades que cada família adopta, muitas actividades possíveis, muitos sonhos e muitas realizações! E senti-me mais próxima de todas elas!

Muito obrigada a todos!

Até para a semana, dia 16, Quarto Minguante, e muitos beijinhos!

Isabel 

 

Caderno Verde

Variações sobre um tema

Durante um certo tempo (ainda continua, mas entretanto interessou-se fortemente também por outro “tema”), o maior e muito forte interesse do Alexandre foram os comboi0s, como se tem verificado aqui nalgumas páginas do Caderno Verde.

À volta dos comboios, como tema, surgiram muitas actividades:

Pintura (pintou este “quadro” por iniciativa da mana Catarina, no dia que fez 5 anos (em Julho do ano passado, portanto), como presente para oferecer a si próprio :) :

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Desenho:

dsc00825(não se vê bem, é a lápis…)

Bricolage (esta caixa foi feita e projectada pelo Alexandre e pela Catarina – eu ajudei nos cálculos para que depois as tábuas compradas, fossem cortadas à medida e por forma a economizar o mais possível os painéis de medidas fixas que existem para venda – e pintada também pelos dois com uns toques do Bato). A função destinada à caixa é a arrumação de todas as pistas de comboios e todas as locomotivas e carruagens e demais acessórios (pontes e túneis), que fomos e foram oferecendo ao Alexandre:

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Também, a seu pedido, inventamos canções sobre comboios para lhe cantar e que ele tenta cantar da mesma forma ;)

E também toca “melodias” por si “compostas”, “ao piano” (é mais um sintetizador… :) ) baptizadas com o nome “Música dos Comboios” (agora também já “compôs” uma chamada “Música das Naves Espaciais”).

Lemos livros sobre comboios (o preferido é o TGV) e sobre transportes, em geral.

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Visitámos uma exposição de comboios (os próprios, ao vivo, na zona de Alcântara, a comemorar um aniversário da CP…), conforme já aqui coloquei num post.

Escrevemos e ele escreve também, a palavra comboio, à mão e no computador.

Também joga jogos no computador sobre comboios, um dos quais o faz ter contacto com muitos dos comandos que se usam em outros programas de desenho e com muitos conceitos matemáticos. Num próximo post, neste Caderno Verde, vou falar sobre alguns jogos de computador, pois é o assunto é vasto e interessante.

E interessa-se e percebe muitas coisas relacionadas com a construção e os transportes e também sobre os sinais de trânsito.

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Fascina-o o fumo dos comboios a vapor, mas por outro lado, percebeu que o fumo é poluente e como também se interessa muito por reciclagem e a despoluição, sabe que os comboios mais modernos são muito mais ecológicos e também que é mais ecológico andarmos de comboio do que cada um no seu próprio automóvel (palavra que sabe!), o que lhe agrada muito, dado o gosto que tem em andar de comboio! :)

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Desde pequeno que vamos com ele andar de comboio frequentemente e que optamos por esse meio de transporte muitas vezes para apoiar o seu interesse e gosto tão particulares, tendo ele assim a experiência “ao vivo” e o conhecimento baseado na prática.

Todas estas actividades nunca foram planeadas e surgiram naturalmente por ser um interesse muito próprio presente em muitas das coisas que faz e lhe vai apetecendo fazer. Compilá-las aqui num só apontamento do Caderno Verde, é um exercício meu, ao perceber como existem, realizadas, tantas variações do mesmo tema e como, tal como John Holt explica, podem abordar-se tantas matérias só por si diferentes, unicamente sendo guiados pelos interesses específicos de cada criança!

Se quiserem aqui partilhar “variações de um mesmo tema” que costumam acontecer com os vossos filhos, dados os seus específicos interesses, sintam-se à vontade!

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Mais alguns livros e blogues, II

Bom dia!

Obrigado a todos por estarmos aqui para um novo ano, interagindo desta forma!

Continuando com o título do post anterior…

Bem, entretanto, de novo a Natália :) , incentivou-me a inscrever-me no fórum do grupo do ensino doméstico. Não estava nada familiarizada com este tipo de fóruns, na net, tive uma certa resistência, mas depois lá me inscrevi. Incentivada por uma amiga, li todas as mensagens do fórum até à data da minha entrada e senti logo como todos eram calorosos, respeitando as ideologias de uns e outros, enfim, quase uma família, unida pela simpatia em relação ao ensino doméstico (e alguns mesmo já pondo em  prática).

Através do fórum tive acesso a mais legislação sobre o ensino doméstico em Portugal, para além das várias experiências das famílias que já o praticam.

Daí fui conhecendo e trocando impressões com alguns dos membros do grupo, e hoje, embora ainda não nos tenhamos encontrado fisicamente, já nos sentimos amigos.

E na sequência, comecei então a escrever também para o Pés Na Relva, como já referi no post anterior.  Através desse blogue conheci outros, de famílias que também praticam o ensino doméstico, o Pipocasland e o Dalle Un Coliño (de uns nossos irmãos da Galiza!) _ acho delicioso, carinhoso e sei lá que mais, o nome que a “Meninheira” deu a este seu blogue…

Conheci também o blogue de uma das minhas amigas do fórum do grupo de ensino doméstico, o “Aprender Sem Escola“, da Ana Paula, portuguesa, residente no Reino Unido, com um filho de 15 anos, “unscooler”, ou como ela melhor define, praticando a “aprendizagem autónoma”. Convido-vos (a quem ainda não conheça :) ) a conhecer o seu blogue, que considero de grande utilidade para quem pretende obter o mais variado tipo de informação, em português, sobre o “unschooling” e o “homeschooling”.

Ainda em relação ao “Aprender Sem Escola”, com a autorização da Ana Paula, vou deixar aqui os links para alguns artigos publicados no blogue, que eu considero muito “ilustrativos” desta temática: ” Ensino Doméstico na prática“; “Ensino Doméstico: porquê?“; “O que é o ensino doméstico?”; “Isabella sente-se bem em casa“; “Adoro o ensino doméstico!” (artigo escrito para um jornal por uma jovem que estuda “em casa”, após ter tido problemas na escola); um artigo da mesma jovem sobre os problemas que atravessou durante o período em que frequentou a escola: “Bullying leva ao ensino doméstico“; “Descolarizar os pais: Aprender a confiar“; “Platão e a educação“; “John Holt disse…“; “Aprendizagem autónoma no ensino doméstico“; um artigo que eu gostei imenso de ler porque desconhecia a origem do aparecimento do ensino obrigatório e é bastante esclarecedor :) : “A criação do ensino obrigatório“; “Documentário: Mecânica quântica e incerteza“; “Universos Paralelos“; e muitos, mas muitos outros artigos deveras interessantes que encontrarão ao explorar este blogue! Para terminar, vejam mesmo, assim que puderem (são só 3 minutinhos), este vídeo que a Paula colocou no seu blogue, de um poema lindíssimo e, quanto a mim, muito representativo do que sentem as famílias que enveredam, conscientemente, pela oportunidade de não “levarem os seus filhos à escola”. O poema é de Japan Pathak e chama-se “Escolarizar a Natureza” _ é de nos deliciarmos!

Em relação aos livros, quero ainda dizer-vos que, de momento, continuo a ler John Holt e estou a ler o seu último livro “Learning All The Time”, publicado postumamente.

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Por ter achado piada à “semelhança” com a capa deste livro, coloco aqui uma foto de um banco velho pintado pelas minhas filhas há uns 7 anos e  uns meses, atrás:

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Até para a semana, dia 18, Quarto Minguante! Até lá, uns belos dias pelo começo de 2009 para todos!

 

Caderno Verde

Aprender Inglês

O primeiro recurso surgiu naturalmente: o Canal dos Bebés (Baby Channel). 

Tínhamos mudado de operadora (televisão, internet, telefone fixo) e apresentaram-nos um “pacote” fixo onde podíamos adicionar vários canais que escolhessemos, tudo pelo preço básico. Escolhemos o Baby Channel (para além do Disney Channel e do Canal Panda), pois já tínhamos ouvido falar bem do canal e como o Alexandre era ainda muito pequeno… bem, até hoje! Ele gosta mesmo de muitas das pequenas “séries” que passam e ouve tudo em inglês.

Também temos o Tiji (francês), que também vê frequentemente. (O Tiji transmite, durante mais tempo que o Panda, por exemplo, séries mais harmónicas. Ele próprio já escolhe e não quer ver as mais violentas).

Isto de ir ouvindo falar em outras línguas faz-me lembrar um episódio contado por uma grande amiga minha de há já bastantes anos (conhecemo-nos em 1986, quando as nossas filhas mais velhas, ambas da mesma idade, frequentavam o mesmo infantário e nós, por coincidência, dávamos aulas na mesma escola). 

A história que ela contou passou-se uns anos depois, já eu tinha vindo morar para os arredores de Lisboa e ela tinha ido com a  família para a Bélgica. Entretanto também já tinha tido a minha filha do meio e ela um filho, do mesmo ano (de uns meses antes).

Vinham eles (ou iam) da Bélgica, de carro e, naquelas paragens para descanso, os pequenos encontravam outros pequenos de outras famílias; a mais velha, mais tímida (como a minha mais velha), não se aproximava muito; o irmão, um “tagarela” (como a minha do meio), falava com todos os meninos que encontrava, ele em português, os outros em francês e mais umas quantas línguas… A irmã dizia-lhe: “Não sei para quê tanta conversa, eles não percebem nada do que dizes!”. E a resposta pronta do irmão: “Não faz mal, não percebem, mas ouvem!”  :D

Ora aí está, não percebem, mas ouvem e quem diz que não percebem mesmo algumas coisas pelos gestos, acções e entoações? E ao final de uns tempos, o Alexandre já sabe umas coisas em francês, outras em inglês…

Em relação ao inglês, para além do Baby Channel, também vê muitas vezes alguns filmes em inglês (sem a dobragem e sem as legendas). O “Cars”, por exemplo, sempre o viu assim, à excepção de quando passou, agora no Natal, na televisão. “Os Robinsons”, também, a “Fábrica de Chocolate”, o “Livro da Selva 2″ e mais uns quantos.

E por outro lado, uma vez comprei-lhe um DVD do “Nody aprende Inglês” e olha, gostou mesmo, agora já tem quatro desses e vê-os repetidamente, diz que está “a aprender Inglês”! Canta as canções, diz as palavras quando é para repetir e já as antecipa, quando é para antecipar.

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Constatamos que o melhor mesmo é prestarmos atenção aos seus interesses, mostrar-lhe várias coisas que ele rejeita ou adopta, apoiá-lo nas suas descobertas e o resto, a assimilação de práticas e conhecimentos, fica naturalmente por sua conta, ao seu ritmo, à sua “medida”…

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Ensino Doméstico – Mais alguns livros… e blogues!

Feliz 2009 para todos!!!

Votos de um ano cheio de surpresas agradáveis e concretizações de alguns sonhos!

A semana passada contei como nos foi apresentado John Holt. A Natália, na mesma altura, também nos emprestou um livro de Alfie Kohn, “Unconditional Parenting”. Ainda não o li, pois o Pedro é que leu esse enquanto eu lia o “Teach Your Own” de John Holt e Pat Farenga, que já falei no post anterior. Depois devolvemos os livros e ainda não comprei o do Alfie Kohn, mas está na minha lista de livros a comprar. Podem saber mais sobre este autor neste seu site.

Li os outros dois livros de John Holt traduzidos em português que mencionei também no post anterior. E fomos conversando, eu e o Pedro e cimentando a ideia de ir para a frente com a escolaridade do Alexandre em ensino doméstico.

Começámos também a pesquisar na internet sobre o assunto (pesquisando em “ensino doméstico”) e démos com o blogue “Pés Na Relva” do qual também já aqui falei e para o qual também escrevo uns posts, hoje em dia, tendo sido posteriormente convidada por “Vale de Gil”, pois trata-se de um blogue colectivo onde algumas famílias simpatizantes e/ou que praticam o ensino doméstico deixam os seus apontamentos. E também com o blogue “Country Sketches” e com o “Jóia de Família“.

Começámos a perceber que existiam famílias em Portugal a gostar da ideia do ensino doméstico e outras a praticá-lo já.

Como explico na página Projecto, o Pedro deu-me a ideia de escrever um blogue onde pudesse partilhar alguma desta informação, este nosso percurso e deixar uns “apontamentos” sobre o que, concretamente, nos vamos apercebendo na vivência com o Alexandre que até agora não frequentou ainda qualquer infantário, jardim infantil nem pré-primária. Estes “apontamentos” fazem parte do Caderno Verde deste blogue.

E assim, com a ajuda de todos cá de casa, nasceu “A Escola É Bela”, dedicada a todos Vós.

No próximo post continuo com este título “Mais Alguns Livros… e blogues”, pois “apareceram-me” mais uns, quanto a mim muito interessantes, já depois do nascimento da Escola É Bela.

Mil beijinhos! Até dia 11, Lua Cheia.


Caderno Verde

Teoria…

Íamos no IC19, que na altura estava em obras. Oportunidades excelentes para o Alexandre ver máquinas a trabalhar.

Desde bébé que dava sinais de euforia ao ver uma escavadora à beira da estrada (eu pensava que ele tinha visto um cãozinho a passar ou uma coisa assim, só percebi do que se tratava, mais tarde, quando os mesmos sinais de euforia às vezes quando íamos de carro, passaram a ser acompanhados com gestos mais precisos e depois com palavras).

Desta vez havia um “grande camião do cimento” a trabalhar e o Pedro, quiz usar o termo técnico e perguntou-me “Mãe, como é que se chama este camião?”

Entretanto apercebi-me do que estavam a ver (ia pensar em qualquer outra coisa), desci à Terra e recordei o termo técnico, ” Betoneira”, disse.

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E a partir daí desbobinei a informação: “É um Camião Betoneira”, pois também há as outras betoneiras como a “Beta” do “Bob o Construtor”, sabes? Sim, e chamam-se assim, porque misturam o betão, que é o cimento, quer dizer, é cimento misturado com areia e água, é a isso que se chama betão, e eles depois deitam-no para ali para aqueles moldes, para fazer estas peças em betão. Sabes, também há o betão armado, que é assim como este mas tem “ferrinhos ” lá dentro, já viste nos pilares das casas, olha, como ali (e passávamos por um troço inacabado de uma passagem superior para peões com os “ferrinhos à mostra”), sim, mas os pilares das casas, já viste no outro dia, e também fazem vigas com o betão armado, e pontes (pontes interessam-lhe, ele adora pontes!), blá, blá…

Até que ouvi um grito desesperado “Mãe, pára de dizer isso”!

Parei subitamente e olhei para trás, para o Alexandre. Continuou a olhar pela janela e a ver tudo, calado.

Fiquei caladinha, a processar. Até ouvir o Pedro dizer: “Sabes, falaste muito, não é preciso dizer isso tudo…”

“Caí” em mim, “Têm razão, só me perguntaram o termo técnico para o “Grande Camião do Cimento”.”

E mais uma vez me apercebi que continuo “viciada” na teoria, apesar desta, para mim, já resultar da minha prática, e apesar de muito “atabalhoadamente” tentar baseá-la nos seus já adquiridos conhecimentos (com o Bob o Construtor – série de desenhos animados para quem não conhece – e por ele já ter visto obras em curso, pilares, etc). Para ele, naquele momento era teoria, pois a única coisa prática que estava a ver era a betoneira a girar, no meio da estrada.

É isto que se faz nas escolas (por mais imagens que o professor mostre, por mais que o professor seja “bom a explicar”, por mais que ele recorra à memória de outras coisas parecidas que os alunos (alguns e não todos!) já tenham visto, por mais  e melhores métodos que utilize já “testados e comprovados” (noutras crianças e não naquelas ou melhor, em cada uma)), é isto que se faz, pura teoria desassociada da prática, do mundo, da vida. E eu a tentar não fazer o mesmo, mas a fazê-lo de alguma forma.

Ocorreu-me então que, de facto, toda aquela explicação só lhe interessaria, mesmo ele adorando construções, se ele a requisitasse ou se fosse dita na mesma altura em que observava cada um dos processos. Ou melhor, já nem seria preciso a explicação, pois uma acção vale mil palavras, bastava dizer alguns nomes, se ele os quisesse saber.

Como aconteceu no outro dia em que o pai o levou a casa da vizinha, na terra da avó, ver a máquina de esmagar as uvas para fazer vinho, a trabalhar (depois de lhe ter perguntado se ele queria ir ver essa máquina a trabalhar e de ele ter respondido que sim, todo entusiasmado).

Assim que cheguei perto deles (já tinham terminado), contou-me o processo todo, muito bem explicado (aí fui eu que apenas fiquei com uma imagem do acontecimento, e que já se desvaneceu, porque não vi a máquina a trabalhar, embora ele me tenha explicado tudo muito bem…O Alexandre sim, adquiriu ali aquele conhecimento, na prática, sem explicações desassociadas do que estava a observar na altura).

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Ensino Doméstico (Homeschooling) e John Holt

Olá a todos!

Tiveram muitas prendinhas carinhosas neste Natal?

Eu tenho tido uns dias bem aconchegantes e amorosos, partilhando-os em família e também com amigos! Sinto-me muito grata a todos por tudo!

Continuando a contar sobre o nosso percurso sobre escolas e escolaridade no intuito de decidirmos a melhor forma de apoiar o Alexandre nas suas descobertas (ou redescobertas!) de como funcionamos e temos andado a funcionar aqui neste Planeta Terra e com a vontade de sermos construtivos em todo esse processo…

Há dois posts atrás, contei como nos familiarizámos melhor com a figura do “ensino doméstico”, quando começámos a saber de escolas que a utilizam para poderem trabalhar com outros currículos diferentes dos “oficiais”.

Entretanto conhecemos a nossa amiga Natália e o seu projecto “Terra Mãe”. O local proposto para o projecto agradava-nos muito e ficava “a caminho”. Conversando com ela várias vezes sobre a possibilidade de nos organizarmos em conjunto e sobre as ideias que cada um tinha sobre o assunto, a Natália empresta-nos um livro específico sobre “Homeschooling” e “Unschooling”:  “Teach Your Own” de John Holt e Pat Farenga.

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Após ter lido esse livro (em inglês, não existe edição portuguesa), encontrei dois dos primeiros livros de John Holt editados em língua portuguesa: “How Children Fail” (edição brasileira: “Como as Crianças Fracassam”; edição portuguesa: “Dificuldades em Aprender”, da Editorial Presença – desculpem-me, mas o título que deram à edição portuguesa não sintetiza em nada o conteúdo do livro…), “How Children Learn” (edição brasileira: “Como as Crianças Aprendem”, da Verus Editora; edição portuguesa: “Como Aprendem as Crianças”, da Editorial Presença – li as duas edições e prefiro a tradução brasileira, embora para nós seja mais familiar ler a edição portuguesa).

Tudo o que fui lendo nesses livros, fez-me muito sentido. Sobretudo porque John Holt, no que escreve, demonstra um interesse genuíno pelas crianças, gosta de estar com elas e tem a visão de que nós temos mais a aprender com elas do que a ensinar-lhes alguma coisa (algo que eu já tinha percebido ao frequentar os workshops do Robiyn e que está maravilhosamente resumido no seu CD “Mais Além do Bem e do Mal, a Inocência” que já referi num outro post).

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No prefácio de “Como Aprendem as Crianças”, John Holt diz, precisamente:

“Tudo o que quero dizer neste livro pode ser resumido em três palavras: confiemos nas crianças. Nada poderia ser, ao mesmo tempo, mais simples e mais difícil. Difícil porque, para confiar nas crianças, devemos confiar em nós mesmos. E a maioria de nós aprendeu, quando criança, que não somos confiáveis. Continuamos, por isso, tratando as crianças como fomos tratados. E chamamos a isso de “realidade”. Vez ou outra dizemos, com certo travo de amargura: “Se consegui aguentar, elas também conseguem”. Afirmo que precisamos quebrar esse ciclo de medo e desconfiança. Precisamos confiar nas crianças, embora não tenham confiado em nós quando éramos como elas. Fazer isso será um grande acto de fé. E grandes recompensas aguardam aqueles que de nós forem capazes desse acto.”

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E mais à frente, no mesmo Prefácio:

“Disse-me um amigo de pois de ler este livro: “Sempre fui muito apegado às crianças, especialmente às minhas. Mas até agora, nunca tinha imaginado que poderiam ser interessantes“. E devo dizer que elas me interessam ainda mais agora do que quando escrevi este livro. Observar bebés e crianças explorando e compreendendo o mundo a seu redor é para mim uma das coisas mais emocionantes do mundo. Tenho-as observado e tenho estado com elas em muitos lugares e por muito tempo. E no que dizem e fazem tenho encontrado não apenas prazer, mas muita matéria para reflexão, bem mais do que encontro no que dizem e fazem muitos adultos. Não gostar de crianças, não achá-las interessantes e não querer desfrutar da sua companhia não é crime. Mas, para mim, isso parece ser um grande infortúnio, uma grande perda, como não ter pernas ou ser privado da audição ou da visão.”

Outra característica que gosto muito neste autor é a honestidade. John Holt foi professor e muitas das reflexões que escreveu nas primeiras edições dos seus primeiros livros sobre os vários relatos que faz de experiências vividas entre ele e os seus alunos ou sobre o que observa nas actividades das crianças e bebés com quem costuma estar, são por ele próprio, nas edições posteriores dos mesmos livros refutadas ou completadas/ampliadas, dizendo “hoje já não penso assim…”

Em posts posteriores falarei ainda um pouco mais de John Holt.

Uma semana descansada e gratificante para todos e uma entrada em 2009 muito divertida! Neste blogue comemoraremos um novo ano/ciclo natural, na Primavera :)

Beijinhos, até dia 4 de Janeiro de 2009, Quarto Crescente!


Caderno Verde

O que é ler?

Umas semanas depois do episódio do computador falante, pensei em dizer-lhe:

“Filho, quando quiseres aprender a ler, dizes-me, o.k.?”

“O que é ler? – respondeu.

“Ler é sabermos o que querem dizer aquelas palavras formadas pelas letras, sabes, como o teu nome…”

“Ah! Isso é escrever!”

Pois, o que temos feito com ele até agora no que tocam às letras, é mesmo escrever. Isto porque nos parece o mais fácil de ele ligar à realidade, com a menor sensação de abstracção possível.

Fez-me muito sentido quando li no livro de John Holt “Como as Crianças Aprendem”, que as crianças, tal como aprendem a falar sozinhas, sem ninguém a ensiná-las a falar, soletrando as palvras, também elas aprendem a ler sozinhas (desde que rodeadas de “coisas que se leiam” tal como em bebés vivem rodeados de “seres falantes”).

John Holt tem muitos exemplos ao longo da sua experiência com o “Growing Without School” de casos de crianças que aprendem a ler sozinhas.

Uma das coisas que ele frisa é que as crianças aprendem qualquer coisa para a qual vejam utilidade em aprender.

Assim, uma das formas de elas tomarem contacto com as frases, textos, etc., para além das histórias que lhes lemos desde bebés, é começarem a escrever bilhetinhos para deixar a algum membro da família ou a um amigo que não estava em casa a comunicar-lhe algo (“Pai, eu e a mãe fomos ao parque, já voltamos.”), ou escrever em etiquetas para colar nos seus objectos ou brinquedos, ou escrever uma carta ao Pai Natal, ou colocar uma “tabuleta” na porta do seu quarto “Não entrem!” e por aí fora, consoante o que mais se adequa a cada um.

Por outro lado, também tinha lido num dos textos sobre as pedagogias que pesquisei, já não sei se waldorf se montessori, que não ensinam as crianças a ler, apenas a escrever, depois elas naturalmente lêem aquilo que escrevem.

De facto, aqui há tempos tive uma confirmação disto mesmo, de tanto escrever Alexandre, à mão ou no computador, no outro dia mostrei-lhe a capa de um livro “Alexandre o Grande” e perguntei-lhe o que estava ali escrito e ele respondeu “Não sei”, mas logo rapidamente reconhecendo: “Alexandre!” Fiquei muito satisfeita, contei logo a todos cá de casa, foi a primeira palavra que efectivamente ele já leu…

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Ora, posto isto, e estando “por dentro disto”, que observação mais descabida a minha, “Quando quiseres aprender a ler, dizes-me, o.k.?”

Às vezes só dou conta destes meus “deslizes” depois das suas respostas ou reacções…

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Afinal o Melhor é Seguir Sem Métodos

Olá  a todos!

Mesmo tendo gostado de muitas coisas do que li sobre o método moderno, aprender a ler pelo método global e sobretudo o que deixei há dois artigos atrás para consulta sobre o Freinet, ao fim de umas quantas leituras apercebi-me que o melhor é não seguir qualquer método, ou melhor, seguirmos a nossa intuição e adoptarmos o que sentirmos que se adequa, a todo o instante.

Ainda li mais uns livros sobre este assunto da educação e vou mencionar aqui dois, interessantes, para quem estiver interessado em ler:

“A Educação e o Significado da Vida ” de Khris Nammurti

” Da Escola Sem Sentido à Escola dos Sentidos”, de António Torrado

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Entretanto parei um pouco com as pesquisas, pois ainda faltavam uns anitos para o Alexandre fazer os seis e continuámos a desenvolver actividades com ele.

Dediquei-me a inovar algumas facetas na minha área profissional, o Pedro também.

E quanto a esta área, tínhamos sempre na ideia formarmos um grupo pequeno, os alicerces de uma futura escola cujas vivências estivessem em consonância  com a forma como agora sentimos ser o mais adequado à “educação” das crianças, com tudo o que nos tinha feito sentido quando o Robiyn falava sobre a “educação”.

Afigurava-se uma dificuldade: os nossos amigos, com crianças, que partilham de algum modo da maioria destas intenções (família, amigos que conhecemos nos workshops do Robiyn e amigos que fomos conhecendo entretanto e que também não gostariam de pôr as suas crianças nas escolas habituais), estamos muito dispersos no que diz respeito ao local onde moramos. Das duas uma: ou íamos morar todos para a mesma localidade e começávamos aí a escolinha ou não e não dava para pensar numa escola a meio caminho, pois ninguém iria fazer uma boa porção de kilómetros diários para levar os filhos à escola e voltar para o trabalho, etc.

Um belo dia, na revista Pais & Filhos publicaram um artigo sobre “escolas alternativas”. 

Achei especial piada à Escola dos Gambozinos, no Porto. Com os dados indicados no artigo telefonei para a escola e falei com um dos associados, que me explicou que se instituiram como uma Associação Cultural sem fins lucrativos, dando-lhe o nome de “Educação pela Arte” e começaram com um projecto baseado nas mais variadas actividades artísticas e com uma forte componente musical e depois foram-se desenvolvendo e, usando a opção do ensino doméstico para as crianças inscritas naquela escola (matriculam-se todas oficialmente na escola oficial mais próxima da sede desta escola, porque eles funcionam em dois espaços perto um do outro, pois já têm inúmeras actividades e um nº considerável de alunos), funcionam já com o 1º ciclo, não seguindo programas nem currículos, misturam as várias idades e têm mais uma série de características interessantes como aprender matemática através de jogos e sempre muito vincada a componente artística (plástica, musical, teatral, etc). É um projecto muito interessante e já a decorrer há alguns bons anos…

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Então comecei a prestar mais atenção à figura do ensino doméstico…

Continuamos para a semana, dia 19, Quarto Minguante…

Beijinhos para todos!

 

Caderno Verde  

Uma forma de começar a conhecer os algarismos

A subir escadas de um edifício.

O namorado da mana Catarina não entra em elevadores.

Ou melhor, não entrava. Muito recentemente, com ajuda do Robiyn (frequentando workshops e tendo feito uma “orientação particular” começou a transformar este medo, já muito enraizado, de andar de elevador e há cerca de 2 semanas já experimentou e conseguiu, por duas vezes, andar de elevador). 

Quando ele está connosco, o Alexandre, desde pequenino,  aproveita todos os momentos para estar com o seu muito amigo Bato (como começou a chamar-lhe antes de saber dizer correctamente o seu nome. Já o sabe dizer, mas como nós começámos também a chamar-lhe Bato e continuámos, pronto, continua Bato).

O Bato subia sempre  de escadas, em todos os edifícios (no nosso, nos dos amigos que visitamos…) e o Alexandre sobe as escadas com o Bato. E sempre se entretiveram a contar os andares e, ao passar pelo algarismo escrito numa plaquinha em cada andar, a lê-lo: este é o 1, este é o 2, este é o 8, este é o 9…

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Pronto, desde cedo que o Alexandre reconhece os algarismos. Muito antes de lhe lermos os livrinhos onde aparecem os algarismos e a quantidade de maçãs, chapéus, bolas, estrelinhas, a eles associada. Surpreendeu-me da 1ª vez a reconhecer um dos algarismos, escrito num papel, ainda com 3 anos.

Tivémos um problema: Um dia ele contou quantas estrelinhas estavam numa figura e começou: 0, 1, 2, 3…

Eu instintiva e rapidamente lhe disse, ” É 1, 2, 3 … o zero não conta”.

Desencadeei uma discussão. “Mãe, o zero conta!!!!”

“Filho, não conta… o zero…”, e preparava-me para uma explicação.

“Mãe, o zero conta, o zero é o chão!!!”

Foi aí que percebi de repente e me calei.

Incoerências dos adultos na utilização que fazem do zero. 

Para além de que, de facto, o zero não existe, é uma abstracção.

“É verdade, o zero conta às vezes, tens razão”. 

Na sua lógica, que percebi logo ali, o zero contava, de facto, o piso zero, o rés-do-chão, ainda por cima subimos umas escadinhas depois da porta da entrada e aí é que fica o rés-do-chão que não está rés ao chão…, é um piso real, moram lá pessoas, conta!!!

Depois de ler o “Como as crianças aprendem”, de John Holt (ou o “Como aprendem as crianças”, conforme estejamos a ler a edição brasileira ou a portuguesa), passei a ter mais atenção a estes pormenores extraordinários da “aprendizagem” das crianças. E à não necessidade em estarmos “preocupados” em corrigi-las. Nem à necessidade de grandes explicações.

Claro que ainda sou apanhada nos hábitos e vícios de anos e daí a minha instintiva, rápida e peremptória correcção na altura precisa do “erro”… sem atender ao contexto da sua aprendizagem, que ainda por cima conheço.

Mas também rapidamente percebi, associei às muitas experiências contadas pelo John Holt,  e abstive-me de continuar a contrariá-lo, corrigi-lo ou de ficar a pensar numa forma de o fazer perceber mais tarde como se conta uma porção de objectos. Desprendi-me completamente do assunto, confiei nas suas capacidades em aprender facilmente o que lhe interessa e nunca mais me lembrei do assunto.

Hoje, um ano depois desta história, ele já faz contas simples de adição e subtracção (nem sei como aprendeu, pois foi com a Catarina que começou a fazê-las) e quando conta os objectos que estão nalgum lugar (ou as suas carruagens dos comboios!) diz correctamente se estão lá duas, cinco ou dez.  Conta bem até 39, e conta até dez em inglês, em francês e em espanhol (porque gosta e pediu para lhe dizermos como se contava nessas línguas…). E já deve ter percebido que às vezes “o zero é o um e outras vezes não”.

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Escola Moderna, Décroly e Freinet

Boa tarde a todos!

Como tinha dito no post anterior, no seguimento das pesquisas que fiz sobre o “aprender a ler” pelo método globlal, li, na internet, sobre alguns utilizadores deste método.

O movimento da Escola Moderna tem a sua expressão aqui em Portugal (sobre a escola moderna) e, espalhadas pelo país existem várias escolas que utlizam o que chamam de “Método Moderno” que, na parte de ensinar as crianças a ler, também adoptam o método global. Uma escola já famosa é “A Escola da Ponte” situada em Vila das Aves.

A dada altura debrucei-me um pouco sobre a Escola da Ponte, pois gostei de ler e aprofundar o que se pode ver no seu site.

Ao pesquisar ainda sobre a leitura pelo Método Global, encontrei páginas sobre Décroly, médico e pedagogo belga que fundou uma escola aplicando o método pedagógico que desenvolveu (outros textos, aquiaqui). Hoje em dia existem ainda escolas/colégios baseados na sua pedagogia.

E encontrei páginas sobre Célestin Freinet, professor e pedagogo francês, que punha em prática a aprendizagem baseada na realidade do dia a dia das crianças e muitos outros detalhes como nos podemos aperceber lendo as suas invariantes pedagógicas (traduzidas na página da wikipédia, link anterior). Gostei muito de ler este seu texto em que explica a não necessidade de se aprender gramática.

Também li um pouco sobre o Método Montessori.

Bom, com tudo isto fui cimentando a vontade de que o nosso filho pudesse dispôr de outras formas de escolaridade diferentes das habituais, conversando com o Pedro, uma vez que teríamos de adoptar a solução que nos parecesse presentemente a mais adequada.

 Continuamos então no próximo post, uma bela semana para todos e até dia 5, Quarto Crescente!

 

Caderno Verde

Por montes e vales

Este ano descobrimos outra coisa que o Alexandre gosta de fazer: subir montes. Montes grandinhos, mesmo.

Não me ocorria, pois ele, quando caminhamos um pouco mais a pé, quer colo, diz que está muito cansado. Mas afinal até me devia ter ocorrido, porque a Celina era a mesma coisa, aos oito anos ainda pedia colo, nunca gostava de andar muito, mas quando fazíamos passeios a subir montes, subia tudo por ali acima.

O Pedro adora subir montes, penso que ainda não teve oportunidade de subir nenhuma montanha. Eu e a Catarina já, tinha ela 13 anitos, em 1999, subimos ao Pico, nos Açores, juntamente com um grupo e sob as indicações de um guia, num dos anos que fomos aos Açores a um dos workshops do Robiyn de integração com a Natureza, que incluíu ainda nadar com golfinhos, em alto mar. Custou-me, já na altura, a última parte, chegar mesmo ao cimo, mas cheguei. À Catarina, pelo contrário, não custou nada. Aqui está ela no “Piquinho do Pico”!

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 Temos belas recordações dos dois workshops que frequentámos com este tema (o da integração com plantas e animais), nos Açores (também frequentámos outros, sobre o mesmo tema, no continente, igualmente belos e profundos).

Bom, mas o Pedro, sempre que “arranja” um monte mais altinho para subir, lá vai ele. Nas primeiras vezes que vim com ele aqui à terra da mãe, ainda subimos juntos. É delicioso andar pelos caminhos no meio de árvores e serra, o ar é tão puro. E depois ao chegarmos ao cume, deitarmo-nos a descansar, ouvir os passarinhos e fazer exercícios de relaxamento.

Descer é mais rápido, mas igualmente lindo.

Este ano foi sozinho, porque pensámos ser impensável subir com o Alexandre a maior parte do tempo ao colo. Só que o Alexandre começou a dizer que também queria subir com o pai e depois de o pai voltar, quando fomos andar por uns terrenos perto da ribeira e ele viu um outro monte mais pequeno, combinou logo com o pai “Amanhã vamos subir aquele”.

E fomos, a avó também (quem me dera chegar daqui a uns vinte e tal anos e ainda subir assim como a avó…). O Alexandre subiu pelo seu pé até quase a meio da subida. Depois foram-se alternando partes às cavalitas e outras a pé, de novo.

Aqui estão umas fotos…

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Bem, estes são “a locomotiva e a primeira carruagem”, já no cimo do monte (a 2ª carruagem era eu, mas não dava para aparecer na foto…a avó já estava bem mais à frente, a reviver momentos da sua juventude).

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E volta e meia subimos a um monte mais pequenino que existe relativamente perto de nossa casa.

Por exemplo, como aconteceu no Domingo passado, como podem ler no post que escrevi para o Pés Na Relva nesta semana.

Quando falei pela primeira vez neste blogue no Pés Na Relva não escrevia para lá. Como entretanto tive contacto com algumas famílias que praticam o homeschooling em Portugal, algumas das quais partilham as suas experiências na área do ensino doméstico publicando-as nesse blogue que poderemos chamar de “colectivo”, convidaram-me a partilhar também lá as experiências que vamos tendo nesta área, actividades, reflexões e tenho gostado muito desta partilha. Obrigada a todos os incentivadores do Pés Na Relva a todos os que têm contribuído com as suas experiências, inclusivé através dos comentários!

 

 


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Leitura pelo Método Global

Boa tarde!

Um bocadinho de Métodos…

Pois lá enveredei pela pesquisa do aprender a ler pelo Método Global.

Já tinha ouvido o Robiyn falar que temos uma memória fotográfica mesmo para textos, ou seja, a nossa mente consegue apreender um texto só de olhar uns momentos para ele, a nossa mente é capaz de realizar prodígios inimagináveis, nós só estamos habituados a utilizar uma percentagem ínfima da capacidade do nosso cérebro. Em alguns textos sobre isto, li que só utilizamos habitualmente um décimo da capacidade do nosso cérebro, mas nos workshops do Robiyn ele diz-nos (e acabamos por comprovar isso mesmo) que a percentagem que habitualmente usamos é muitíssimo inferior.

Aprofundar tudo isto  só mesmo nos seus workshops, para mim, o Robiyn é o especialista em nos mostrar como começarmos, no próprio instante, a utilizarmos um pouco mais dessa capacidade não habitualmente utilizada.

Falei disto agora porque o Método Global aplicado à leitura assenta precisamente em algo do género, ou seja, as crianças não começam a aprender palavras e sílabas e como elas se juntam, mas têm contacto com um frase completa ou mesmo um texto completo, como se, ao olharem para textos completos que lhes digam algo, note-se, e ao ouvir alguém lê-los, e depois algumas frases em separado, fossem memorizando a forma escrita que nos transmite aquilo que correntemente ouvimos e falamos, até de repente associarem tudo e “desatarem a ler” qualquer coisa. E passam do global para o particular, do texto para a frase e para a palavra e só sepois conhecem as letras.

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Dizem que, na generalidade, com este método, as crianças demoram mais tempo a começar a ler, mas depois de repente começam a ler tudo. Não tenho experiência nessa área, embora a Catarina, quando começou com a escola primária estava numa escola oficial que era tipo uma escola piloto onde experimentavam a leitura pelo método global, onde só andou no 1º e no 2º ano, pois depois, por mudarmos de residência, mudou de escola. E como eu não estava na altura sensibilizada para estes assuntos, não me cheguei a aperceber do resultado deste método com ela, lembro-me que aprendeu a ler facilmente, que quando dei por mim ela já sabia ler, mas não me lembro de detalhes.

Hoje em dia, até pela internet, via e-mail, recebemos textos com uma série de palavras sem as vogais ou com caracteres estranhos no meio para nos apercebermos que o “nosso cérebro lê” mesmo assim o texto na íntegra. Quem não recebeu ainda um e-mail desses?

Continuando as minhas pesquisas descobri que, juntamente com outras características, a leitura pelo método global é utilizada pela “escola Moderna”. E também Décroly (médico e pedagogo belga) e Freinet (professor e pedagogo francês) o utilizaram. 

Para a semana, falarei mais um pouco do movimento da escola moderna e destes dois pedagogos, pois há detalhes interessantes nas suas abordagens.

Então até dia 27, Lua Nova! Um abraço a todos.

 

Caderno Verde

Nem só de comboios e pontes vive o homem

Pois!

Apesar das preferências irem para os transportes e as construções de grande porte, e através desses temas aprender muitas coisas, o pequeno também gosta de outras actividades, como por exemplo, COZINHAR.

Já o temos na página sobre este projecto a mexer o famoso bolo de chocolate vegan. E aqui, podemos vê-lo lá no campo, este ano, em Setembro, a ajudar a avó a fazer pão.

O que vale é que temos uma avó, que embora também viva na cidade, nasceu no campo e ainda tem lá a sua casinha, com uma cozinha e um forno numa “outra casinha”, como diz o Alexandre, cá fora.

Ora apreciem…

Já cozidinho...

Já cozidinho...

... e quentinhos!

... e quentinhos!

Nesse dia, também aproveitámos o aquecer do forno a lenha para fazermos batatinhas com cebolas e pimentos assados e seitan. Os vegetarianos comem coisas gostosas…

Ora espreitem!

As batatinhas (antes de irem para o forno)...

As batatinhas (antes de irem para o forno)...

O seitan...

O seitan...


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As Primeiras Pesquisas

Bom dia a todos!

Sim, as primeiras pesquisas…

Há uns anos atrás, começaram por ser umas quantas buscas na internet sobre outros tipos de pedagogia.

Mesmo tendo já leccionado, a minha formação na área da engenharia, nunca me levou a estudar sobre pedagogia, nem sequer a mais comummente falada, a de Piaget, muito embora gostasse muito de filosofia e alguns filósofos escrevessem sobre essa área, a da educação.

Como entretanto sempre me mostrei interessada em novos métodos educativos, o Robiyn nos seus workshops disse-me para eu pesquisar, por exemplo, sobre o método Waldorf.

Lembro-me que das primeiras vezes que coloquei “waldorf” no google só me apareciam cadeias de hóteis. Bom, falei de novo ao Robiyn sobre o resultado das minhas pesquisas e ele disse-me “procure por Rodolf Steiner (fundador da pedagogia Waldorf) e por Teosofia”. E pronto, lá começaram as minhas pesquisas. (Aqui há uns dias voltei a colocar “waldorf” no Google e já aparecem muitos itens ligados mesmo à pedagogia e só depois os hotéis… quer dizer que nos últimos três/quatro anos já algo  se tem desenvolvido em Portugal neste campo).

Quero no entanto dizer que gostei de algumas coisas da pedagogia Waldorf, mas quanto mais me apareciam textos e escolas que praticavam essa pedagogia, mais sentia que existiam alguns aspectos que não correspondiam ao que sentíamos que queríamos para a “escolaridade” do nosso filho.

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Aspectos da pedagogia e/ou da forma como ela é praticada, porque há sempre grandes diferenças entre o que é originalmente praticado pela pessoa que desenvolve uma pedagogia, filosofia, método ou o que for e o entendimento posterior dessa prática e teoria pelos outros, desvirtuando muitas vezes os princípios. Não estou a falar das actualizações que se têm de fazer porque os tempos são outros, mas mesmo do desvirtuar dos fundamentos que regem determinados desenvolvimentos.

Daí que, da pedagogia Waldorf passei para outras pesquisas.

A par, fui encontrando várias escolas em Portugal que praticam a pedagogia Waldorf (através de artigos em revistas e da informação fornecida por amigos também interessados nessa área). A maioria cinge-se a infantário e Jardim de Infância, mas das que ouvi falar, algumas já começaram com os primeiros anos da primária, a Associação Pé de Romã, em Sintra e a Escola Verdes Anos em Monsanto. (Se alguém tiver informação mais detalhada e quiser comentar, sinta-se à vontade).

Ora então, como ia pensando que, se não encontrássemos a “escola ideal” nós mesmos nos encarregaríamos de ir transmitindo coisas ao nosso filho (já tinha uma vaga ideia de que em Portugal havia uma lei  que permitia o ensino doméstico e decidi não me assustar perante as possíveis dificuldades que isso nos acarretaria), comecei a pesquisar sobre o aprender a ler pelo Método Global. Daí cheguei ao Décroly e ao Freinet.

Falarei do método global num próximo post.

Até à próxima semana (19, Quarto Minguante) e uns belos dias para todos.

 

Caderno Verde

Exposição ao Ar Livre…

…sobre comboios!

A CP (Comboios de Portugal), por altura do seu aniversário, organizou uma exposição, em Alcântara. Comboios “estacionados” nas linhas em Alcântara.

Uma colega e amiga da Catarina que sabe da adoração do Alexandre por esse meio de transporte e soube da exposição antecipadamente através do seu pai que trabalha na CP, contou-nos logo que e quando ia  começar a exposição.

Lá fomos (foi o ano passado, ainda antes de ele fazer os 4 anos). 

Começámos pelo Comboio a Vapor, que ele ficou todo contente de ver “ao vivo”, porque só tinha visto nos livros e na televisão e quando fazemos desenhos com o comboio “a deitar fumo”.

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Depois entrámos no que estava estacionado a seguir, que era um comboio também antigo (o interior era em madeira, incluindo os assentos).

E a seguir vieram todos os modelos actuais, o comboio da linha de Sintra, o da linha de Cascais, o urbano do Porto, o “comboio Azul” (como ele chama ao que atravessa o Tejo), o regional, o intercidades e felicidade das felicidades(!), o Alfa! “É muito rápido!” Sim, ele sabe que o TGV é mais rápido, mas ainda não existe cá…

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Quando estávamos dentro de uma locomotiva, no lugar do maquinista, para o Alexandre tocar o apito (como outros meninos também estavam a experimentar) ele olha pela janela da frente e vê o comboio que estava lá fora estacionado de frente para este e diz rapidamente “O Comboio de Sintra!” Eu nem estava a acreditar que ele o reconhecera no meio de todos, mas sim, assim como reconheceu o “Comboio Azul” e o “Alfa”. 

Isto porque, como adora andar de comboio, vamos muitas vezes com ele “andar de comboio só para andar” e outras vezes previligiamos esse meio de transporte em relação ao carro quando queremos ir a algum lugar, por ser mais económico, rápido, melhor para o ambiente e, já que ele gosta tanto, divertido!

Foi uma tarde diferente muito interessante com tantos comboios ali juntos!





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