Arquivo para 3 - Unschooling

Unschooling, Aprender no Mundo real

Olá  todos!

No último post que escrevi no Pés Na Relva, menciono que andava a ler um capítulo do livro “Teach Your Own” de John Holt e Pat Farenga, intitulado “Learning in the world”. Como em todo o livro, John Holt transcreve vários trechos de cartas enviadas por pais homeschoolers com muitos exemplos de como acontece esta aprendizagem natural feita quando às crianças lhe és facilitado o acesso a tudo o que nos rodeia, à vida, como ela decorre naturalmente.

Também  neste post da Paula do Aprender Sem Escola podemos ler alguns breves testemunhos de diferentes jovens que “estudam no mundo”.

E hoje vou colocar aqui as fotos do registo neste caderninho personalizado por eles que o Alexandre e a sua irmã Celina (a do meio, que tem quase 19 anos) fizeram das viagens e acontecimentos de um dia em que saíram os dois “à aventura”:

DSC02618Alexandre, Celina e a Nave Espacial (aqui estão as “impressões digitais” respectivas:

DSC02619Mesmo antes de voltarem a casa, registaram “todos os passos” dessa saída, antes que esquecessem. O Alexandre relatou e a Celina escreveu, tal e qual o seu relato.

DSC02620Também contam como conheceram uma menina no comboio e como o Alexandre lhe explicou que a nave (o space shuttle) não era um avião, pois tinha “motores atrás”.

DSC02621E os contratempos que não os demoveram, queriam ir andar no “comboio de estrada” que há no Parque das Nações e depois de muito o procurarem disseram-lhes que nesse dia ele estava avariado, não estava a fazer viagens, logo… teleférico, pois então! Há 45 teleféricos, sabe o Alexandre já das suas outras muitas voltas:

DSC02623E contaram as paragens que tinham na linha verde (5) e mais 6 na linha vermelha, num total de 11 paragens, de metro:

DSC02624E trouxeram-me uns lindos ramos de Outono, que apanharam à beira de um jardim (já estavam no chão, mas bonitos ainda) com umas “bolinhas” que parecem uns pequenos ouriços, adorei o “presente”!):

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O pormenor da parte de cima, feita por eles, do caderninho:

DSC02627Até para a semana, dia 24, Quarto Crescente!

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Caderno Verde

Mais Matemática – Formulação de Problemas

Estávamos na sala, como muitas vezes a meio da tarde, simplesmente a conversar. O Alexandre contava-me o que tinha feito de manhã, o que tinha almoçado e coisas assim. Depois, de repente e já nem sei a propósito de quê, diz-me “Sim, porque uma semana tem 7 dias…”

Eu pensava que ele não sabia ainda isto das semanas-meses-dias, às vezes falamos nisso, mas como ele não tem ainda bem a noção do tempo, nunca realizei que ele soubesse. Então respondi-lhe: “Pois tem, como é que sabes?”. “Foste tu que me disseste.” “Eu?” “Sim, tu disseste-me que a semana tem 7 dias.” “Pois então disse, filho, já não me lembrava.”

“Então _continuou ele_, quantos dias são mil semanas?”

Ainda estava eu a pensar e a fazer contas de cabeça, isto em segundos, diz-me ele rapidamente:

“Quantos são 7 vezes 1000?

E eu, de seguida: “7000″, ainda meio baralhada a pensar: “Bem, o rapaz formulou um problema e indicou logo de seguida a operação a realizar para a sua resolução antes que eu tivesse tempo de responder…”

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Unschooling, de facto.

Bom dia a todos! Uma bela semana!

Volto ao tema do Unschooling, isto porque é o que me faz mais sentido nesta prática do ensino doméstico. Não apenas pelo sentido que me faz, mas também pelo contacto e observação directa deste meu filho mais novo, que não aceita nada bem qualquer tentativa de manipulação, nem sentido de obrigação ou algo do género. Facilmente nos diz, se insistimos para que faça algo, “Vocês estão-me a mandar!”.

As dificuldades têm sido mais da minha parte, pois mesmo fazendo todo o sentido para mim, sou uma pessoa “escolarizada” e como tal, estou sempre a cair em tentativas de disfarçadamente o incentivar a ler, a escrever e coisas que tais, percebendo logo de seguida que não resulta. Isto também porque gosto de ler e saber das actividades que mais famílias em ensino doméstico fazem e em todos os vossos blogues há ideias tão boas que apetece seguir e logo tento fazer algo parecido com o Alexandre, quase sempre sem êxito, não se interessa nem um bocadinho pela ideia mais genial. Estando atenta, percebo que se interessa a toda a hora por um grande número de coisas e que está sempre ocupado, sozinho ou interagindo com outros, incluindo eu, praticamente “não tenho que fazer nada”, o que às vezes parece frustrante, mas vendo bem, é a melhor coisa!

Ainda ontem observei:

Estava ele a brincar com uma amiga e vizinha com quem brinca frequentes vezes. Às vezes até brincam “às escolas”, porque ela anda na escola e propõe a brincadeira. Desta vez, estavam numa qualquer brincadeira em que ela fazia de mãe e ele de filho e oiço-o a  dizer, em tom de malandrice “Mãe, estou aqui, a gastar dinheiro”, num tom de quem sabia que ela, a “mãe na brincadeira”, ia reprovar. “Mas vês”, continuou, “não faz mal, estou a gastar das minhas moedas e ainda tenho muitas moedas, tenho… como é que se escreve novecentas?” E responde-lhe “a mãe” (que é mais velha que ele dois anos e meio): “Um nove e dois zeros”. E ele escreveu o nove e os dois zeros e continuou ” Vês, então? Gastei poucas, pois tinha mil, gastei cem…”

Assim, de cabeça… Ele ultimamente gosta muito de operar nas centenas (já disse aqui uma vez que gosta muito do número quinhentos e que o pronuncia “quinentos” e nós achamos muita piada).

Então, percebi eu ontem, mais uma vez, que tenho mesmo que me aquietar de uma vez por todas e segui-lo, sem programações e orientações.

Nós até temos algumas rotinas, como por exemplo, quase todos os dias lemos uma história ou um trecho dos seus livros “técnicos” preferidos, mas não temos, por exemplo “a hora de ler”, pois é quando calha, ou logo que chego a casa, pois é uma actividade que o Alexandre relaciona comigo e vem todo a aconchegar-se para lermos juntos no sofá, ou mais ao fim da tarde, ou à noite, enfim, quando apetece.

Neste post, a Paula do Aprender Sem Escola, mais uma vez recolhe informação sobre crianças praticantes do Unschooling (Aprendizagem Informal ou Autónoma, como muitas vezes traduz). Coloco aqui a ligação, porque tem muito a ver como o que acabei de dizer. E porque é um post pequeno e conciso, lê-se bem, exactamente reflectindo o que acabo de contar.

Perguntamo-nos muitas vezes, como aqui em Portugal praticar o Unschooling se a lei que temos para o ensino doméstico impõe os exames. Para mim vai ser, um passo de cada vez, até ao final do 4º ano é bem possível praticá-lo, depois logo se verá, não adianta estar com antecipações, e tem que ser sempre conforme o seu ritmo, que só posso perceber a cada momento. É um bom exercício para “viver o momento”, que tanto se fala hoje em dia e que raras vezes conseguimos praticar…

Um grande abraço a todos. Até para a semana, dia 16, Lua Nova!

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Caderno Verde

Ler e Escrever… os Números.

Já no finzinho do Caderno Verde deste outro post, escrevi como o Alexandre se interessou pelas “letras”, perguntando-me “Qual é a letra número 1? E a número 2?”

Agora anda apostado em saber contar de seguida até 100, mas tem-se “engasgado” quando passa do 59 para o 60 e do 69 para o 70. Então foi no outro dia direitinho a uma mesa onde estavam folhas de papel, rasgou dois bocadinhos e veio trazer-mos para eu escrever o número setenta por extenso e com os algarismos, para que ele se lembrasse qual era o número que se seguia quando emperrasse na contagem:

DSC02574DSC02573Eu lá escrevi e percebi que este rapaz vai mesmo é desenvolver a leitura, lendo números !                   ;)

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Para quem se vê só e todo o dia com os filhos

Olá a todos!

Como, em grupo (entre homeschoolers), temos falado algumas vezes nas dificuldades acrescidas quando é apenas um dos pais a cuidar do(s) filho(s) sozinho praticamente durante todo o dia, sinto que talvez seja útil e interessante estes exemplos dados no livro “Teach Your Own” de John Holt & Pat Farenga, no capítulo “Politics of Unschooling” e no subcapítulo “Unschooling and the Single Parent”.

Nesse subcapítulo estão excertos das cartas de três pessoas que escreveram para a “Grow Without School” (revista implementada e dinamizada por John Holt) contando a sua experiência.

Um caso em que um homem, vivendo sozinho, adoptou uma criança e praticam o ensino doméstico, onde conta como coincilia o seu trabalho, que é maioritariamente desenvolvido a partir de casa, com o homeschooling; o caso de uma mãe homeschooler que conta como sentiu necessidade de se sentir bem com ela própria e de como conseguiu “criar” algum tempo para si própria, para se sentir em condições de, no resto do tempo, estar presente e serena em conjunto com os filhos; e este caso, que vou transcrever, de uma mãe que ficou viúva bem cedo e como teve êxito a resolver esse facto inicial em que se viu sozinha com a filha, de três anos:

“Christine Willard, whose husband died when their daughter was three, wrote about the isolation and financial stress she feels as a single mom, and how she is successfully working through these issues:

As a mother and a daughter, we are the absolute minimum family group, and sometimes it is rather claustrophobic. We are always with each other. On the other hand, we have simply had to learn to get along with each other. Issues can’t go unresolved, because all we have is each other and we just have to be able to find common ground…

As my daughter grows up, she is branching out to other adults for relationships. She has always loved horses. After we moved, we were able to find a ranch where she could take lessons. She often wanted to spend time just hanging around the ranch, and we gradually got to know everyone who keeps a horse or take lessons there. She became friendly with the ranch manager and helped him feed all the horses. Then one day, a rather neglected old mare needed a home, and since we needed a pony, we found each other.

Having a horse has been a wonderful experience for us. It gives us a focus other than each other, and we have made many friends who share this interest.”

Nós cá em casa somos muitos, isto é, somos uma família grande, então este tipo de situação não se nos tem posto. Daí que quando falamos deste tipo de situações, com amigos também dando os primeiros passos no ensino doméstico, embora sinta que também em famílias normalmente designadas por monoparentais ou mesmo nas famílias onde apenas um dos pais fica a maior parte do tempo com os filhos o ensino doméstico é possível e pode também ser muito rico, não tenho como falar por experiência própria. Como há noutros países, como nos EUA e no Reino Unido, uma maior quantidade de famílias a praticar Homescholling e Unschooling e já longos anos de experiência, porque não aproveitarmos e ouvirmos e reflectirmos sobre os muitos casos diferentes, uma multiplicidade de experiências, podendo, a partir daí, surgir-nos ideias para resolver com sucesso as particularidades que vão surgindo a cada família?

Belas leituras para todos e belos momentos de reflexão e belas soluções! Até para a semana, dia 2 de Novembro, Lua Cheia!

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Caderno Verde

O que chamo de Geografia Aplicada

A dada altura nas férias passadas, tivémos que dar um pulinho à Guarda.

Aproveitámos para ir visitar de novo Monsanto (já lá tínhamos ido há uns anitos atrás _ coloquei fotos neste post, na parte do Caderno Verde) e depois dirigimo-nos à Guarda.

Enquanto esperávamos pelos nossos acompanhantes de viagem que tinham por lá um assunto para resolver, fomos dar um passeio pelo centro histórico.

DSC02426DSC02429DSC02430E bem, esta foto é um exemplo de como muitas vezes a Geografia anda de mão dada com a História:

DSC02431Ao Alexandre, enquanto lhe falávamos de  reis e de como antigamente houve reis em Portugal, saltou-lhe logo à vista que o “rei” usava uma espada (dá um bocado de trabalho explicar a uma criança que desde cedo não tem contacto com filmes ou desenhos animados com pistolas ou espadas, que não sabe quem é o homem-aranha (falo neste, porque por exemplo, dois dos meus sobrinhos um pouco mais velhos que o Alexandre, aos 3-4 anos só queriam “saber de coisas do homem-aranha”…), que não tem tido brinquedos bélicos (fez seis anos no Verão) nem nunca nos pediu para os comprarmos _  até este ano agora, que, encantado com nave espaciais, lhe foi oferecida uma em peças de lego para ser construída, o que ele adora, e que, bem, é uma réplica de uma das naves do Starwars; daí ele ter reconhecido a espada, que os bonecos réplica dos personagens do starwars e que vinham com o kit da nave, usam_ dizia eu, deu um certo trabalho explicar que os reis promoviam e entravam em batalhas, que usavam espadas, tentando manter uma imagem mais construtiva dos nossos reis, quando ele próprio reconhece e diz das cenas de espadas e lutas _ e mesmo de cenas de discussões que eventualmente assista entre as pessoas de hoje em dia _ que “não são lindas”, é a expressão que usa).

Bem, foi o seu primeiro contacto com a História e o seu enésimo com a Geografia que eu chamo de Aplicada, isto é, aquela que nos faz sentido, que é a observação directa de vários locais, características geográficas, para depois falarmos de outros e irmos extrapolando, ou vendo fotos, caso não possamos lá ir, aproveitando o seu interesse, desde muito cedo, pelo globo terrestre (aqui, no Caderno Verde).

Ainda estas fotos:DSC02432DSC02433DSC02434

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Ábaco II

Bom dia a todos!

Para se situarem (e para quem não leu!), podem ler o primeiro post sobre o Ábaco aqui.

Estes são alguns acessórios que vêm com o ábaco:

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DSC02325Por volta de duas ou três semanas depois do seu primeiro contacto com o ábaco, descrito nesse post, o Alexandre, continuando sempre entusiasmado com os números continua a perguntar vezes sem conta quanto são mil vezes um milhão, dez vezes mil e coisas que tal. Lembro-me que quando era pequena também me fascinava o facto de “os números serem infinitos” e queria saber sempre qual o número que vinha a seguir…

Nós simplesmente lhe respondemos a cada pergunta e nada mais.

Uma das sua perguntas favoritas dessa semana era “Qual é o número antes do 100? É o 99?”

E então lembrou-se do ábaco e foi juntar dois cartões com o algarismo nove para “escrever o 99″ e a seguir representou-o com as “rodelinhas” e a dizer “são 9 vezes dez e mais 9″. Sem qualquer intervenção da nossa parte.

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DSC02316Na mesma altura, andava muito interessado no 500, que nós achamos muita piada e gostamos de o ouvir nas suas variações com o 500, por que ele pronuncia “quinentos”: “Quinentos é cinco vezes cem?”, “Quinentos é mais que seiscentos? Mais que mil?”

“Não, filho, é menos que mil… mas quinhentas coisas já são muitas coisas, queres ver?” E pusémo-nos a contar as peças de lego pequeninas que estão separadas numa caixa (lembrei-me de ter lido num dos livros de John Holt uma passagem em que ele conta que um dia, com a sua classe do 5º ano, resolveu ir assinalando num rolo, juntamente com os alunos, centímetro a centímetro, até perfazerem um quilómetro, se bem me lembro, no intuito que eles vissem e sentissem, fisicamente, a extensão real de um quilómetro).

Contámos as peças até quinhentos, uma a uma e percebemos o que é contar quinhentas peças. E a quantidade que é, de facto, equivalente a quinhentas unidades.

DSC02318Depois continuámos a contar todas as peças da caixa e chegámos ao belo número de setecentas e onze peças. Para recordarmos e contarmos ao pai eu escrevi no papel mais à mão:

DSC02317E o Alexandre foi representar o número no ábaco.

Mas não achou lá muito interessante, pois queria era representar o “quinentos” e como era muito fácil colocar cinco rodelinhas no pauzinho que simboliza as centenas, disse-me que ia fazer de uma maneira mais difícil. “Adulta” e formatada e “levada” por outras representações que ele já me tinha mostrado antes, disse-lhe, “Alexandre, não vai dar, não temos 50 rodelinhas para colocares no pauzinho das dezenas… é melhor pores as cinco nas centenas!” e fiquei a olhar para ele. O pequeno não desistiu, queria mesmo representar o “quinentos” de outra maneira. Pensou um pouco e mostrou-me, “Estás a ver, mãe, que dá?”

DSC02313“Quatro vezes cem mais dez vezes dez!”

Fiquei de boca aberta, palavra… e ele também quiz  juntar os cartõezinhos para representar o “quinentos” por escrito.

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O que mais me impressiona e no início me custou um pouco a confiar que assim era, apesar de ter lido e relido John Holt, é o facto de não precisarmos de lhes ensinar nada, apoiar apenas com os recursos e o acesso à ainformação e deixá-los por sua conta no que respeita à aprendizagem. Só que funciona mesmo, é só confiar e estar atento que nos vamos apercebendo de todo o seu desenvolvimento. Para além de que assim é tudo muito menos stressante e muito mais fluído e natural.

Então até para a semana, dia 11, Quarto Minguante, belas actividades para todos…

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Caderno Verde

Enjoos e Matemática

Já apontámos neste Caderno Verde as peripécias da Matemática do Sumo de Laranja (quase que lhe chamaria “Matemática Expontânea do Sumo de Laranja            ;)

Este é um apontamento diferente… o que é que enjoo terá a ver com Matemática? Não a resposta não é que a Matemática é um enjoo     :)

Vou explicar: o Alexandre não gosta de andar de carro. Dêem-lhe todos os transportes para viajar menos o carro. Enjoa. A sua característica automática para não enjoar é adormecer. Ou então ir deveras entretido com algo.

Então numa destas últimas viajens perguntou-me : ” Mãe, o teu telemóvel também tem aquela coisa em que nós lhe perguntamos as contas e ele acerta sempre?”

Pelos vistos andara a experimentar a calculadora do telemóvel da irmã…

“Sim, filho (entre risos meus e do pai… acerta sempre!), é a calculadora. O meu também tem.”

E lá escolhi a função no telemóvel e dei-lho para a mão, antes de entrar no carro.

Foi quase todo o caminho entretido “a fazer perguntas ao telemóvel” sobre quanto é 100+1000? 12+15? e outras que tais e a ver as respostas garantidamente certas.

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Coisas ainda do Verão, uma vez que ainda não cheira a Outono…

Ainda na linha do post anterior, embora o Outono já tenha começado, mas não pareça:

Já contei que estivémos praticamente “em simultâneo” na praia e no campo (isto porque estivémos em casa de uma amiga, no campo, perto da praia, e quase todos os dias eram passados, portanto, no campo e na praia…

No seu “quintal” (como o Alexandre lhe chama, é um grande quintal!), há ameixoeiras (o Alexandre diverte-se a apanhar algumas e é a melhor forma de ir conhecendo as diferentes árvores. Ainda no outro dia me disse “Mãe, sabes que as uvas também crescem numa árvore mais pequenina que a das ameixas?”),

DSC02179macieiras

DSC02180e pessegueiros (na foto abaixo desta, esta é do poço da casa… a casa tem água canalizada e também este poço)

DSC02181pessegueiro…

DSC02183Da janela da sala perdemos de vista o terreno, que é “sobre o comprido”.

DSC02186O alpendre é óptimo para fazer ginástica, yôga pela manhã, ao nascer do sol… a Celina a brincar com as fitas de ginástica rítmica que a irmã lhe trouxe um dia de Inglaterra como presente:

DSC02192E bem, a comprovar que “nas férias” também se fazem “trabalhos com os livros e cadernos e computadores”, com a diferença de que em ensino doméstico eles nem sentem bem a diferença entre férias e não férias, porque essa diferença só existe mesmo para os pais com trabalhos com horários e timings estipulados e menos flexíveis, e com a diferença ainda de que estes “trabalhos” não foram impostos, mas sim solicitados por ele, aqui está um pequeno registo de momentos desses.

DSC02193O Alexandre nunca se interessou muito por “fazer fichas”, experimentámos umas vezes, ele não ligava, nunca insistimos. Como ele gosta muito de números, contas, lógica, de vez em quando vejo uns cadernos de fichas que me parecem apelativos dentro dos interesses dele e compro. Dão sempre jeito para nos entretermos nas viagens de comboio, por exemplo (para além de outras coisas), levo-os também juntamente com os seus livros preferidos da altura quando passamos alguns dias fora.

Desta vez, vendo uma das irmãs de volta dos seus trabalhos no computador (pois, esta família leva os portáteis atrás, já que cada um tem sempre coisas “inadiáveis” a fazer com a ajuda do computador, neste dia estavam todos na sala cada um frente ao portátil com a sua tarefa específica)

DSC02199e como é melhor o exemplo ou “uma imagem (e neste caso uma acção) vale mil palavras”, o Alexandre pegou nos cadernos que eu levara e juntou-se a todos, “a trabalhar”,

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DSC02196(A simetria…),

DSC02197com a “supervisão” da mana Celina.

DSC02198Sim, todos menos eu, que nesta altura estava a tirar fotos!                         :)

Uns dias depois de voltarmos, com um outro caderno, fez um exercício de lógica (tipo o sudoku), praticamente sozinho e por “autorecriação”, isto é, por iniciativa própria, com uma facilidade que me surpreendeu.

Pronto, lá se foi, para mim, o “fantasma das fichas”, isto porque nunca o iria pressionar a fazê-las e questionava-me se algum dia ele iria fazê-las e se deveria ou não de alguma forma tentar motivá-lo e como, etc., etc. Já percebi que as fará e não fará e quando fizer aproveitará bem…

Beijinhos para todos, até para a semana, dia 4 de Outubro, Lua Cheia!

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Caderno Verde

Monsanto, três anos depois…

Outra das nossa visitas de Verão: à aldeia de Monsanto, a cerca de 60 Km de Castelo Branco.

Há quem diga que é a aldeia mais portuguesa de Portugal, outros afirmam ser a de Piódão, perto de Oliveira de Hospital.

Há três anos atrás já a tínhamos visitado, descobrindo, ao subir ao Castelo, que o Alexandre adora subir montes, castelos e andar pelas muralhas, sem qualquer receio ou vertigem. Aqui estão três das muitas fotos de há três anos atrás e que, em alguma altura, já coloquei aqui no blogue:

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E agora as deste ano:

A subida ao castelo e o castelo

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Na aldeia… algumas casas brotam directamente das pedras:

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Mais fotos da aldeia de Monsanto:

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Super-homens:

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O Verão…

O Verão está quase a dar lugar ao Outono…

Então, para falarmos um bocadinho dele, do Verão, neste tema geral que é o ensino doméstico, vou referenciar um post da Paula do Aprender Sem Escola, exactamente intitulado “O Verão faz mal ao cérebro dos miúdos?“; uma resposta a algo que se insinua algumas vezes nas escolas, que as crianças nas férias desaprendem o que aprenderam…

Pelo contrário, de facto. Para todos os efeitos, não só no Verão, mas em todos os momentos em que dão livre curso aos seus interesses e motivações e aprendem naturalmente.

Comentei assim este post que acabei de referir, porque acabávamos de chegar de um passeio mais prolongado (de uma semana) e vinha mesmo a propósito:

Também achei engraçada esta história, pois ainda esta semana pensei nisto: nós no Verão e nas férias acabamos por fazer muitas coisas divertidas, muitos mais passeios, muitas mais oportunidades de aprender com o mundo à nossa volta, também porque, como eu e o pai trabalhamos, nas férias temos mais tempo e disponibilidade para nos deslocarmos um pouco mais longe e proporcionar mais momentos destes (para além de que o tempo no Verão é mais convidativo a passeios…).

Ainda esta semana, passámo-la na zona de Alcobaça e só em 6 dias, para além da praia e de momentos também em casa (no campo) à volta de várias tarefas, ainda fomos visitar uma fábrica de vidro e saber algumas coisas de como é feito o vidro, vendo fazer (visitámos também o Museu do Vidro), na Marinha Grande, fomos às grutas de Mira de Aire (e no final o Alexandre interessou-se sobre vários tipos de pedras que estavam em exposição e lemos-lhe o que dizia lá sobre a sua formação (formação das rochas), fizémos um piquenique com amigos (mais duas famílias com crianças de várias idades (ao todo eram 5 crianças, a contar com o Alexandre, divertiram-se muito), perto de um moinho que andaram lá por dentro a “explorar” e sei lá que mais! Depois ponho posts no Pés Na Relva e n’A Escola É Bela…

Sinto sempre ser mais fácil partir do que se vê para depois aprofundarmos mais cada assunto em livros, na internet, etc., do que quando de repente vem uma pergunta e nós respondemos ou vamos ver em livros ou na internet e temos que deixar para depois ir ver algo sobre isso “lá fora”, porque na altura não dá para nos deslocarmos a um sítio onde se possa ver como essas coisas acontecem (ir perto de um vulcão, por exemplo). Mais tarde, já a pergunta “actual” é outra e não essa!…

E sim, já coloquei num post no Pés Na Relva, uma das visitas que fizémos nessa semana, sob o título “Como se “faz vidro” e objectos de vidro“.

E agora aqui no Caderno Verde vou escrever mais um pouco sobre essa semana.

Um abraço e bela semana para todos, até dia 26, Quarto Crescente… e já Outono!

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Caderno Verde

Grutas de Mira de Aire

O Pedro perguntava ao Alexandre se queria ir ver umas cavernas                           :)

Ele dizia que sim…

Então aproveitámos um dia em que combinámos um piquenique com amigos (na reserva de Porto de Mós, éramos seis adultos, duas jovens e cinco crianças)

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e fomos juntos, depois do piquenique, às grutas de Mira de Aire.

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DSC02279Estava muito calor cá fora, visitar as grutas soube mesmo bem…

DSC02280O Alexandre que enjoa um bocado quando anda de carro em estradas com mais curvas, no início teve umas dores de barriga que não o deixaram aproveitar bem o início da visita, mas “milagrosamente” resolvi levá-lo ao colo aninhado como aos bebés e a dor passou-lhe instantaneamente (o que não acontecera em nenhuma outra posição em que ia ao colo antes de eu ter dado ouvidos a essa minha “intuição”); passou do desconforto inicial a entregar-se por completo ao passeio nas grutas.

DSC02283As estalactites!

DSC02289Estas parecem autênticas franjas…

DSC02293E esta parte aqui lembra-me a nossa garganta, não sei porquê!                      :)

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DSC02297Na parte final, à saída da gruta, estão em exposição algumas pedras. O Alexandre quiz que lhe lêssemos lá na altura esta informação sobre o ciclo das rochas e fazia perguntas (ficou com vontade de ir ver os vulcões!)

DSC02304Também apreciou os vários tipos de pedras…

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DSC02306Foi uma iniciação à geologia, com o tempo aprofundaremos mais…

DSC02307Engraçado que quando eu andava na 3ª classe de então, tinha os meus 9 anitos (eu sou das que faz anos logo no início do ano, em Fevereiro…), participei numa visita de estudo proporcionada pela escola em que fiz precisamente esta “volta”, que agora acabámos de fazer: ver uma fábrica de vidro na Marinha Grande, visitar as grutas (as que fui na altura não foram estas de Mira de Aire, mas às de Santo António) e visitar, ainda, o Mosteiro da Batalha (ao qual não fomos desta vez), mas percebi que me ficaram na memória, desde então, muitas das coisas que os respectivos guias às visitas explicaram na altura, como se agora relembrasse tudo “a 100 à hora”…       :)

Sendo que o mais engraçado foi não ter sido nada programado e só depois é que fiz esta associação com essa minha “visita de estudo” (ou melhor, “excursão”, que na altura era o que lhe chamávamos…) de há trinta e cinco anos atrás. Para além de que o Pedro também se lembrou de ter feito em pequeno “uma volta” igual.

E foi um gosto ver o interesse do Alexandre… esse dia das grutas foi um dia muito bem passado ainda com a benesse de ser partilhado com amigos com quem nem sempre temos a oportunidade de estar. Obrigada a todos!

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Ábaco

Ao pai (Pedro) de vez em quando oferecem-lhe umas coisas… Lá nas suas lides da informática, tem um variado leque de clientes que às vezes lhe falam entusiasmadamente do seu trabalho e lhe oferecem livros, filmes e sei lá que mais.

Um dos primeiros deste género foi um realizador de cinema, português, Rui Goulart (apareceu em casa com umas curtas-metragens dele…); e também um escritor português, o Pedro Paixão (também já lá temos uns livros dele, que eu por acaso ainda não li, dei uma vista de olhos, são  romances “filosóficos”…).

Desta vez trouxe um ábaco.

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Ainda não sei o nome deste seu cliente que lhe deu o ábaco, apenas que está a escrever um livro, segundo o Pedro muito interessante, onde explica vários jogos didácticos com ábacos e que as crianças mesmo ainda pequenas, de 4 e 5 anos, fazem contas complicadas e rapidamente, utilizando os ábacos (depois actualizo-vos a informação, quando sair  o livro).

Comecei logo por dizer ao Pedro que é muito interessante, mas que os ábacos continuam a ser representações dos conceitos matemáticos e que é muito mais seguro as crianças começarem pelas experiências matemáticas concretas, a partir de objectos, acções e tudo o mais e depois acompanhar isso com a representação simbólica. Como o exemplo da “Matemática do Sumo de Laranja” (aqui e aqui, no Caderno Verde) ou do “Quem quer brinqueeeeedos? (neste e neste outro)”

“Está bem”, respondeu-me, “mas ele também gosta disto” e mostrou-me o que já tinham andado a experimentar, aliás, foi o Alexandre que me mostrou. Explicou-me: “Mãe, cada argola neste pauzinho vale cem,

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neste vale dez e neste vale um, queres ver?” Pôs só uma argola no pauzinho que vale cem e disse-me: “Assim são cem”

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(e mostrou-me  também o papel onde ele e o pai tinham escrito o número cem).

Ao lado estava outro papel, onde pelos vistos o Pedro tinha escrito uma data de números e ele tinha, um a um, representado no ábaco) .

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Depois desatou a encher os pauzinhos de argolas até lhe apetecer

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e depois mostrou-me: “Este número (ainda não soube dizer o número) são 6 vezes 100 (tinha colocado 6 argolinhas no “1º” pauzinho), mais 7 vezes 10 mais 6.”  Eu fui representando no papel o 676…

“Ah, filho, já percebi!” Já percebi que  de facto são rápidos a trabalhar mentalmente, os pequenos… E que, por outro lado, como ele faz muitas contas de cabeça nas suas tarefas ou brincadeiras (como as que falei acima, a de fazer sumo e a de andar a vender brinquedos e ainda as construções de Lego onde tem que andar a analisar o tamanho das peças _ costuma contar as “bolinhas”_ também no Caderno Verde deste post), talvez já não sejam assim tão desenraizadas as contas com o ábaco.

Sou um bocado apologista do “as coisas certas aparecem na hora certa e no lugar certo, da forma certa, etc., etc…”

Entretanto achei muita piada, pois ele e a nossa vizinha sua amiga já andavam a planear pintar o ábaco (assim não é tão apelativo     :)          ), assim que chegasse de férias a mana Catarina (não adianta de nada eu dizer que também gosto de pintar, para ele a mana Catarina é que é a mestre das pinturas e dos trabalhos manuais e dos teatros, etc., etc. …). Pronto, depois veremos o ábaco pintado!

E bem, vou-me despedir hoje por umas semanas. “A Escola É Bela” não vai de férias, porque em ensino doméstico não há dessas férias, mas como vamos fazer umas “férias da internet” por uns tempos, não vai dar para colocar posts nas próximas fases da lua (é da forma que depois vou ter “matéria” para muitos posts…)

Beijinhos a todos, belos dias para vós e até breve, provavelmente até à próxima Lua Nova, dia 18 de Setembro.

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Caderno Verde

Outro tipo de “Construção”, em Plasticina

O Alexandre tanto gosta de inventar formas à maneira dele, como gosta de seguir instruções para executar algo. Chama a tudo de “construir”.

Como começou a seguir instruções de execução logo de pequeno a ajudar a irmã a montar os armários que comprámos no Ikea (tarefa que ele adora), e mesmo a executarem eles próprios as instruções (os projectos!!!), como no caso da construção da grande caixa de arrumação para os comboios (desenharam e fizeram contas, para que as medidas dos painéis que fomos comprar dessem certo… _ ver no Caderno Verde deste post), e depois passou para os jogos de construir pistas de comboio, de teleféricos, de montanhas russas, de cidades e a seguir para as construções em Lego e ao mesmo tempo pensava “vou fazer o projecto da fabrica de chocolates que vou construir”, “desenhava-o (ao “projecto”, aqui, no Caderno Verde), “seguia-o” e construía a “fábrica”, como tem tido este percurso, dizia eu, ao mesmo tempo que às vezes não lhe apetece seguir instrução nenhuma e imaginar tudo ao mesmo tempo que “constrói”, desta vez também resolveu seguir um projecto deste livro

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para “construir”, dizia ele, “este caracol”.

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Não tardou em desmanchar tudo e brincar com a plasticina de outras maneiras…                 ;)

Massinhas…

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As crianças gostam de inventar os seus próprios jogos

Olá a todos!

Há dois dias atrás confirmei de novo mais esta especialidade das crianças: preferencialmente a jogar jogos “já inventados”, sobretudo jogar sob as regras já delineadas, as crianças gostam de inventar os seus próprios jogos ou as suas próprias regras (para o momento, porque no dia a seguir já não servem as regras do dia anterior, inventam outras ou modificam de alguma forma as do dia anterior).

A nossa tendência, é “ensinar-lhes” jogos já conhecidos e um sem número de regras que lhes são atribuídas, no lugar de deixar o espaço livre à criatividade e ao que apetece realmente “jogar” no momento.

Aconteceu-me outra vez há dois/três dias atrás:

O chão da nossa sala (corredor, cozinha, etc.) é daqueles mosaicos em quadrados relativamente grandinhos. Desde pequeno que, como muitas crianças a dada altura, o Alexandre gosta de seguir os quadrados, pisas este, não pisas aquele (muito pequeno ainda, num centro comercial a que vamos várias vezes, seguia as marcas laterais como se fossem “pistas de comboio” e só podíamos andar por ali, atrás dele           ;)               .

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Depois já “ninguém podia” seguir essas “pistas”, eram reservadas a “comboios de verdade”, então cada vez que queríamos “atravessá-las”, tínhamos que parar, olhar para os dois lados e mesmo que não víssemos nenhum comboio a aproximar-se ele “via um”, “Esperem, agora ainda não… Já está, abre-se a cancela, podemos passar” _ há sempre pessoas que olham para nós a rir-se quando andamos no centro comercial, em fila, agarrados às camisolas uns dos outros a fazer de carruagens de um comboio familiar; também já aconteceu ao passarmos de umas praias a outras, no Algarve, num passadiço bem comprido e a pararmos em cada estação/apeadeiro, que eram as várias/muitas esplanadas ao longo do passadiço (a dada altura tivémos que transformar a nossa identidade de comboio regional para Tgv, ou só no dia seguinte é que chegaríamos à praia onde pretendíamos chegar         :)               ); mas voltando ao centro comercial, que tem uns mosaicos giros e desenhando várias formas, depois dos “carris” também já usou outros caminhos bem engraçados para andar (os tais “só podemos andar pelos azuis”), saltar de “quadrado em quadrado”, etc.

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Desta vez, em nossa casa, começou uma brincadeira do género e o que me lembrei logo: do “jogo da macaca” (palavra que até pensei desenhar o jogo no chão, com uma caneta, tipo o pátio de algumas escolas, “deixa lá_ pensei _, a nossa sala não é uma comum sala de jantar/estar/de visitas, é mais uma sala multi-funções, lá faz-se de tudo, é a “nossa sala”, onde aproveitamos para estar todos juntos esteja cada um a fazer o que for (é escritório, sala de brinquedos, onde se vêem filmes, onde se come, onde se joga, onde se dorme (às vezes), onde se conversa, onde se ouve música, onde se canta, onde se decoram textos para audições, onde se toca música, onde se corre, onde se faz ginástica, tai-chi, yôga ou se ensaiam passos de ballet, onde se “montam tendas” tal acampamento, onde se colam papéis (até no tecto) com listas de coisas _ a última era a lista dos amigos que o Alexandre quiz convidar para a sua festa de aniversário, feita pelo pai e ele… enfim, ainda poderia prolongar muito mais esta lista das multifunções da “nossa sala”…), ora um desenho do jogo da macaca no chão da sala não seria nada por aí além!”).

Telefonei à Catarina, “Filha, lembras-te das regras do jogo da macaca, é que eu não me lembro (aliás, parece-me que nunca as soube, não era um jogo que eu habitualmete jogasse quando era miúda, jogava mais ao “do elástico”)?” Ela também não se lembrava bem, “tenho “lá na Cativar”, mas vai ver à net que encontras”…

E já ia pôr mãos à obra, quando o Alexandre (isto foi tudo num espaço de um ou dois minutos) demonstra que não está nada interessado em “aprender” o jogo da macaca (aliás, até me disse “Ah, esse jogo eu já aprendi quando era pequenino”, frase das que utiliza várias vezes para me dizer “não quero aprender nada disso, já sei… (mesmo que não saiba)” e começa a mostrar-me ele a mim “como se joga aquele jogo”: “Mãe, ficas neste quadrado ao lado do meu, agora saltamos um a um, agora saltamos um (dois a dois), agora neste rodamos (damos uma volta completa), agora saltamos “tipo rã”, agora pões as mãos assim para trás levantas o corpo e saltas para a frente, vês (?) é assim!”

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E muitas variações sala fora, corredor fora, para trás e para a frente, foi uma bela tarde de ginástica/jogo bem divertida (e que bem falta me fazia, fazer um pouco de exercício!).

Então percebi que teria desvirtuado tudo isto, caso me tivesse mantido na minha ideia inicial (o que vale é que ele não deixa!) de irmos “aprender” o jogo da macaca juntos e não teria sido de longe tão divertido! O que não segnifica que não venhamos mais tarde a saber (juntos ou individualmente) como se joga à macaca, assim que isso nos interessar genuinamente e não porque de repente achamos que será bom saber…

Beijinhos a todos, até para a semana, dia 13, Quarto Minguante. Belos jogos e brincadeiras!

Caderno Verde

Gosto por pintar

O Alexandre fez seis anitos há pouco tempo e um dos presentes que recebeu foi este muito simples para fazer um comboio em gesso (trazia o gesso e o molde) e depois pintá-lo:

DSC02095Engraçada a sua reacção quando viu o presente: “Um comboio para pintar, que bom, eu adoro pintar!”

Ele já tem pintado várias coisas e eu sabia que ele gostava de pintar, mas não sabia que gostava tanto, pois normalmente é a irmã que lhe sugere sempre “queres fazer uma pintura?” ou “vamos fazer um quadro para oferecer”, ou “vamos pintar uma tee-shirt para oferecer” no aniversário de uns e outros.

Mas desta vez vi que o gosto pela pintura é mesmo genuíno. No dia a seguir à festa, ainda cá estava o primo, meteram “mãos à obra”, gesso no molde, sempre a confirmar se já estava seco e já se podia pintar o comboizinho e, ao final do dia, pintura! Os dois, um de cada lado, um pinta a janela outro o “telhado” outro a chaminé, outro uma roda, outro outra… “et voilá!”:

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DSC01834Entretanto, passaram-se umas semaninhas e já cá está o primo outra vez, muita brincadeira, jogos, filmes, construções em lego, teatro (ir ao teatro, desta vez “Os Cinco Sentidos”, da Cativar), praia (Tróia e andar de ferry-boat, eram três, a vizinha e amiguinha também foi) e de novo, a pintura! (Como sempre, coordenada pela Catarina _ eu também gosto de pintura e de pintar com ele, mas como ela gosta muito, normalmente ela é que “gere” essa parte, guarda os materiais, etc., etc.).

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Duas telas pequeninas, uma para um outra para outro. O Alexandre pintou um teleférico para dar ao primo, o primo um comboio para dar ao Alexandre. Bonito… não é?

DSC02105DSC02104DSC02113DSC02108DSC02116DSC02114E no fim de oferecerem os quadros um ao outro, o primo quiz fazer também um desenho do quadro do teleférico que o Alexandre lhe ofereceu:

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Época de “férias”

Bom dia a todos!

Neste post do Pés Na Relva, escrevi já uma mini reflexão sobre as férias.

Pois de facto penso muitas vezes o que irá significar a palavra férias para o Alexandre, nos próximos anos (e desde que nasceu…       :)                   ).

Actualmente, para nós, férias equivale a falarmos nas minha férias e nas da Celina (a Catarina está na fase do “é melhor não ter férias do que ter”…, coisas de actriz).

Engraçado que cada vez há mais pessoas no nosso círculo de amigos cujas férias se confundem com o dia a dia (ainda anteontem uma amiga nossa me respondeu, quando lhe perguntei “quando vais de férias?”, “Eu estou sempre de férias!”. Ela trabalha, não tem é “um emprego”).

O Pedro também me pergunta “Queres ir quando?”, quando pensamos ir a algum lado por um tempo mais prolongado (isto porque o seu trabalho se adapta perfeitamente, o meu é que, para já, é menos flexível_ ando numa de lhe conferir maior flexibilidade     :)           ).

A Paula do Aprender Sem Escola, passou-me um dia estes links que podem aceder aqui e aqui . Ainda não explorei tudo, vou lendo aos poucos…

E achei muita piada há uns tempos, num encontro sobre educação intuitiva uma das pessoas presentes a querer muito transferir o filho para o ensino doméstico, dizia: “Eu tenho um trabalho que me dá tanta liberdade para andar pelo Mundo e agora não posso por causa da escola do meu filho? Assim passamos os dois a ter muito mais liberdade para aprender muitas coisas!”

Pois voltamos sempre ao Ensino Doméstico e ao Unschooling!

E já agora, aqui fica o link para uma nova descoberta da Pequete que tão gentilmente mo passou, por ser o blog de uma família que pratica o Unschooling e tem vários pontos em comum connosco (obrigada Pequete!). Dos que já li, que ainda foram poucos, achei especialmente piada a este post sobre como se aprendem conceitos matemáticos :)

Beijinhos, uma bela semana para todos! Até dia 6, Lua Cheia (com eclipse penumbral da lua, às 0 h 55 min…).


Caderno Verde

Mais “Matemática do Sumo de Laranja”

Como disse no outro dia num comentário a este post do Pés Na Relva:

Acabámos de fazer os dois, pela enésima vez esta semana, sumo de laranja; o Alexandre desde sempre quiz fazer sumo de laranja e já fazia de vez em quando, mas desde que descobriu que cada laranja dá duas metades (ver o Caderno Verde de há dois posts atrás), adora contar as metades assim e lá vamos nós fazer mais sumo (parece uma espécie de meditação       :)                    ).

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Hoje houve uma variação:

Primeiro começou por partes, uma laranja são duas metades de laranja, duas são quatro, três são seis…

Depois, descobriu uns algarismos lá no recipiente do espremedor e perguntou-me: “que número é este? O que é que diz aqui?” e eu respondi “500. 500 ml, é igual a meio litro de sumo” e ele disse “Então 3 laranjas têm quase 500 de sumo!”, e eu confirmei “Sim, estas 3 laranjas têm quase 500 ml de sumo, quase meio litro”; e ele reparando mais acima: “E este 100 (cem)?” Era a marca dos 1000 ml… Eu respondi, são 1000ml, que é a mesma coisa que 1 litro, um litro de sumo. “Ah!”, respondeu.

E a conversa ficou por aqui. Depois bebeu o sumo das três laranjas igual a seis metades de laranja, que já tinha contado e que lhe estava mesmo apetecer…

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Tranquilidade quanto ao percurso

Vivam! Aqui estamos para mais um “post”.

Hoje vou partilhar um pouco da postura “tranquilidade é eficaz” em relação a tudo, neste caso , em relação à “aprendizagem escolar” das crianças.

Quando as minhas filhas mais velhas eram pequenas, “foram para a escola”. Já aí sempre fui muito “relaxada” quanto ao seu “desempenho escolar”, a começar logo pelo primeiro ciclo onde eles ainda são tão pequenos, sempre me pareceu “non sense” as avaliações, críticas ao desempenho dos pequenos, stresses e tudo o mais.

Na verdade, nunca fiz trabalhos de casa com elas (aliás, quando os trabalhos que traziam para casa eram “intermináveis” desencorajava-as a fazê-los e comprometia-me a ir lá falar com a professora), uma vez ou outra e já lá para os 7ºs, 8ºs anos, dei-lhes uma ajudinha em alguns problemas pontuais de matemática, que não estavam a interpretar bem. Nunca andaram em explicações, excepto a Celina no final do 12ºano, para fazer o exame de Física, pois nunca teve Física durante os 3 anos lectivos (10º, 11º e 12º) correspondentes ao exame a realizar. Teve durante dois meses 2 horas de explicação por semana para entender a matéria dos 3 anos, foi a exame e teve 14, a  mesma nota que tiveram os alunos do professor que lhe dera as explicações que tinham tido 18 durante o ano lectivo.

Outra história: a Celina como faz anos em Dezembro entrou para o 1º ano com 5 anos, “doeu-me o coração” na altura, era tão pequenina… No 1º dia desse 1ºano do 1º ciclo, quando a fui buscar perguntei-lhe: “Então a professora deu-vos uma lista do material a comprar? Temos que ir comprar as coisas que vão ser precisas…”, ao que ela respondeu: “Lista? Não deu nenhuma lista, só tenho aqui dois papéis…”

Um deles era a lista do material a comprar               :)              . Lembro-me sempre desta história. E de que nos 4 anos do 1º ciclo da Celina me andavam sempre a dizer (professoras e as educadoras do ATL que já conheciam a irmã, cinco anos mais velha), “Ah, esta tua filha não é nada como a outra (“a outra” já andava no ciclo, tinha sido sempre “certinha”, letra bonitinha, muito jeito para pintar, jeito para as línguas e para a matemática, para a música _ principalmente cantar_ e mais umas coisas e aluna de 4’s e 5’s), é tão trapalhona, tem uma letra terrível, parece que não liga a nada, também, “coitada”, é sempre a mais novinha da turma”. Eu respondia: “A letra? Oh, ainda é pequena, daqui para a frente vão ver que aperfeiçoa a letra, eu também era assim, nos primeiros anos, cada letra era de um tamanho e misturava maiúsculas com minúsculas… E acham que ela não é tão esperta como a irmã? Não sei, são diferentes, também ainda é cedo, logo se vê…”

E continuei a não ligar a nada disso. De tal forma que, quando a minha irmã me conta um dia que a professora do 1º ciclo da minha sobrinha lhe tinha dito que ela era isto e aquilo e que tinha falta de memória e lhe aconselhou a dar uns comprimidos para avivar a memória, eu disse-lhe : “Será que está tudo louco? Nem penses em dar comprimidos à tua filha!” E contei-lhe as histórias da Celina (mais tarde a minha irmã percebeu, por si, e começou a confiar na “inteligência” da sua filha e chegou ainda à constatação de que há “vários tipos diferentes de inteligências”, todas elas válidas e disse-me ainda há pouco que, após ter começado a confiar nas capacidades da filha começou a destrinçar os seus maiores talentos e aptidões e os seus mais acentuados interesses e gostos). Bem, para confirmar, a Celina nos anos seguintes, logo a partir do 5º ano, tinha 5´s a quase todas as disciplinas.

Não é que elas sejam umas “craques”, muito boas alunas, não penso isso. Sei é que stresses e preocupações não levam a lado nenhum e nisto da escola nunca os tive. Sempre confiei que elas desenvolveriam os seus talentos próprios, apesar da escola com os seus currículos e azáfamas e avaliações, tolher muito a expressão desses talentos.

Então agora com o Alexandre em Ensino Doméstico ainda mais tranquilidade sinto, pois esfumaram-se esses “cortar pela raiz alguns talentos” que se verificam a toda a hora nas escolas. E quanto a como vai ele aprender a ler, escrever, matemática, estudo do meio e tudo mais, palavra que não vou ser “professora”. Nem o pai, nem as irmãs. Vou continuar a ser mãe e amiga, vamos continuar a ser a família que somos, cada um com a contribuição do seu próprio ser único e talentoso para o conjunto que somos, família, cidade, planeta, universo…

Nada de escola no sentido hoje mais comum da palavra. Muitas descobertas, muita criatividade, muito respeito pelos interesses de cada um, muito apoio a que cada um desenvolva as suas naturais aptidões, mais novos, mais crescidos, sejam da família ou amigos, é muito isto que gostamos de viver e transmitir vivendo.

Em relação ao Alexandre, como é que vamos “cumprir” o currículo do 1º ciclo (podem baixá-lo aqui)? Depois vou-vos contando… também ainda não sabemos bem, mas sabemos que se vai desenrolar naturalmente e que confiamos nele, tal como confiei e confiamos nas irmãs, nos seus talentos e capacidades que não têm que ser iguais entre todos, nem seguir uma norma “escolarmente” definida. E como é muito a propósito, volto a relembrar este post da Paula do aprender Sem Escola.

Beijinhos, até para a semana, dia 28, Quarto Crescente.

Caderno Verde

Transportes incluindo Naves ligam com Planetas, incluindo a Terra

Da sua paixão pelos transportes/viagens em transportes o interesse deriva para o “Mapa Mundo”, especialmente este, globo, na forma do planeta Terra.

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É um “candeeiro” que foi oferecido à Catarina quando ela era pequena (tem bem perto de 20 anos) e agora passou para o Alexandre. Aceso, vêem-se os países muito melhor (“Ali está Portugal”, ele já sabe, “E ali Espanha, onde eu nasci…”).

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E há uns dias, ele e a irmã Catarina foram comprar estrelas e planetas luminosos para o tecto, para apreciarmos à noite ao adormecer. “Aquele é o Saturno, sabes mãe já conhecia o planeta Saturno, dos “Little Einsteins”, série da TV que ele gosta (os personagens têm uma nave…),

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e ali está a Terra, estás a ver?”,

DSC01831 mostrava-me ele depois da “obra feita” (depois dele e a irmã terem feito o trabalho completo, colocando os planetas no tecto do quarto fazendo mil acrobacias (em cima da cama, com uma vassoura para chegar ao tecto!   :)     e com “todo o cuidado” para não pisar o pai que já estava a dormir a bom dormir_ há cenas que só mesmo filmadas).

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