Arquivo para 3 - Unschooling

Perguntas e Respostas

Boa noite a todos!

Desde já confirmo que na semana passada, dia 7, não saíu nenhum post aqui n’A Escola É Bela… não me foi possível. E desde já agradeço as vossas visitas a este blogue onde partilhamos as nossas vivências dedicados a uma outra forma de escolaridade sem escolarização                                             :)

Com o interesse pelo Ensino Doméstico a crescer, lembrei-me de criar um cantinho para perguntas e respostas.

A ideia é não só eu poder responder a perguntas que façam sobre como nós como família pomos em prática esta vivência, mas que mais famílias que também praticam o ED em Portugal (ou no estrangeiro) possam responder.

Para começo vai funcionar de uma forma muito simples: na banda superior do blog vai aparecer uma nova página “P&R” onde, através da possibilidade dos comentários à página, cada um poderá fazer a sua pergunta e cada família em ED que gostar de responder poderá responder.

Para que a página funcione e se torne interessante para todos é preciso claro a vossa colaboração e interactividade. Sintam-se em casa!

Grata a todos, até para a semana, dia 23 de Março, Quarto Crescente… e belas perguntas e respostas!

X

Caderno Verde

Ver e Conviver

Ontem aproveitámos o Domingo de sol e a convite de Valebom do Pés Na Relva (ou Luísa do A Oeste Tudo de Novo) fomos ver a sua casa de madeira ainda em construção. E toda a envolvente (abrigo de jardim, futuro galinheiro, futuro pomar, futura horta…). Reportagem “completa” aqui.

Ver tudo isso e conviver com mais crianças que “frequentam o ensino doméstico”.

Embora possam ler na reportagem “completa” do link acima, volto aqui a lembrar o lindo gesto da Leonor, que recebeu os seus amiguinhos oferecendo a cada um uma flor do campo que tinha apanhado para o efeito num passeio que dera com o avô umas horas antes de chegarmos.

Ver e Relacionar

Hoje, ao ver um episódio do “Bob o Construtor” no canal “Jim Jam”, por “coincidência”, construía o Bob uma casa em madeira.

“Olha, Alexandre, o Bob está a construir uma casa de madeira como a que vimos ontem!”

“Mas esta é com troncos redondos!”_ atalhou logo ele, pois que esta era diferente da de ontem, nesse aspecto.

Ainda me surpreendo eu com a atenção que eles dedicam a todos os pormenores…

Comentário (1) »

A Escola É Bela, A Vida É Bela…

Vivam!!!

Hoje é um daqueles dias em que tanto me sinto a interiorizar tudo como a exteriorizar!

Agradeço por termos feito esta opção de uma escola bela sem escola para o nosso filho, temo-la vivido intensamente interiormente e exteriormente, sentindo-a, praticando-a e vendo os resultados “externos” que se sentem “internamente”.

Ao ler este texto do post da Paula do Aprender Sem Escola interiorizo o que tem sido a minha “auto-descoberta” e vejo que as crianças são a descoberta e não precisam de se decobrir e sim de que nada as cubra. E exteriorizo o que me vai na alma, lendo estes “Princípios do Unschooling”.

Sinto-me grata, à Vida (todos e tudo se sinta incluído), recebo (já houve tempos em que tive dificuldade em receber), recebo, recebo o sol na minha varanda, nas minhas janelas e pelas janelas que são os meus olhos (interiorizo o exterior?); recebo o amor e o carinho do meu marido e dos meus filhos e os presentes que me dão (hoje é o dia do meu aniversário! Astrologicamente o nosso aniversário significa o fim de um ciclo de sol na nossa vida e o início de outro, é sim um tempo de interiorizar o que se tem passado connosco num entusiasmo e incentivo que nos leva a agir, a exteriorizar, a expandir, a iniciar, a continuar… a irradiar, tudo em momentos e em simultâneo… um impulso de Vida); recebo os telefonemas e as mensagens de familiares e amigos que desejam felicidades e ofereço-lhes a minha gratidão; recebo mimos e mais mimos e de mim saiem mimos e mais mimos!

E sinto na pele, sinto com o coração o que um dia ouvi o Robiyn dizer, sobre não haver de facto diferença entre o nosso interior e o nosso exterior, onde acaba um e começa outro se todos somos A Vida, O Amor? Que a sensação que temos de existir o nosso interior e algo que é exterior a nós, advém do nosso sentimento de separação. No Todo não há fora nem dentro (mentalmente, isto parece um trocadilho sem sentido, ou algo bonito, mas abstracto; vivendo a experiência, como a vivi hoje, é a simultaneidade que brilha e irradia e que não se explica, se vive).

Simplesmente grata, a todos até para a semana, dia 22, Quarto Crescente!

Isabel

Comentários (7) »

Um Dia no Pavilhão do Conhecimento

Olá  a todos!

Este post é exclusivamente dedicado ao Caderno Verde, que hoje vai reproduzir um trecho dos apontamentos do Alexandre e Celina (o Alexandre dita o resumo do dia, a Celina escreve) do seu “Livro das Aventuras”, registados num dia em que foram passar umas belas horas ao Pavilhão do Conhecimento.

Até para a semana, dia 30, Lua Cheia! Beijinhos para todos.

x

Caderno Verde

Do Livro das Aventuras _ Um Dia no Pavilhão do Conhecimento

“… Estamos quase a chegar ao Oriente… chegámos! Temos que sair e ir procurar o Pavilhão do Conhecimento… já sabemos mais ou menos onde é, porque a mamã nos deu um papel com um “mapa do Oriente”. Já decorei: saímos do Centro Comercial, viramos à direita e é o 3º edifício. Ah, e quando estávamos a chegar ao Oriente vimos os meus teleféricos preferidos ao fundo!

. Chegámos ao Pavilhão. Uma senhora deu-nos um papel para respondermos a umas perguntas… um mini-jogo.

. A primeira coisa que fizémos foi espreitar por um buraquinho e vimos um triângulo de metal ao longe. Oh, mas não era, quando andámos até ele vimos que era uma forma estranha.

. Agora estou a fazer vibrar umas cordas que fazem um rolo girar com a sua vibração.

. Agora uma bola que se gira e vê-se um líquido lá dentro a girar muito rápido para simular o Planeta Júpiter.

. Agora estivémos a impulsionar bolinhas de ar num grande tubo.

. Estes foram os autocolantes que tivémos que colocar nos casacos para entrar na exposição.

. Agora vimos um espelho redondo e tentámos apanhar a nossa própria mão.

. Rodámos um volante para controlar um remoinho de água.

. Vimos uma bola com raios lá dentro e se puséssemos a mão na bola os raios vinham ter connosco.

. Um triângulo feito de uma matéria tipo gelatina e carregávamos de lado e ficava com umas cores malucas!

. Uma bobine de metal em que púnhamos a mão e parecia que nos íamos queimar e gelar ao mesmo tempo, mas na verdade eram só dois tipos de metais a temperaturas diferentes, um mais quente e outro mais frio, mas ambos a temperaturas “normais”.

. Uma bobine e uma antena que quando aproximávamos as mãos “fazia música”!

. Uma ilusão óptica que parecia que as pessoas ficavam de cabeça cortada.

. Uma coisa com dois buracos e nós atirávamos uma bola e ela ficava a girar “em órbita” muito tempo e só depois caía num dos buracos.

. Um chupa-chupa gigante que deixa os olhos todos confusos… wowow!

. Cantámos para um microfone e num monitor víamos as ondas do som… quanto mais grave maiores eram as ondas, quanto “mais fininho”, mais pequenas eram.

. Uma máquina que simula a partida de um foguetão, que estava avariada. OH!!!…

. Um rádio feito com um balde!!!

. Um barril de latão que numa das pontas tinha um buraco e na outra tinha um “pano de plástico”. Eu batia só um bocadinho no plástico e pelo buraco saía muito vento!

. Levantámos um balão de ar quente!

. Tentámos tirar uma corda de uns quadrados de metal. Oh! Mas era muito difícil! E desistimos…

. Cinco coisinhas a fingir que eram cinco tipos diferentes de gargantas. Pusémos o tubinho em todas e pressionámos a bomba de ar… assim ouvimos todas “as gargantas a falar”… até descobrimos a voz mais parecida com a do pai Pedro e a mais parecida com a da mãe Isabel…

. Vimos os nossos dedos e um cabelo da mana Celina ao microscópio!

. Puxámos uns fios para descarregar a carga de um barco para a terra.

. Uma bola de plástico que ficava suspensa no ar, porque tinha uma ventoinha que a mantinha no mesmo sítio.

. Montámos uma ponte de números!

. Lançámos umas coisas giratórias que subiam sozinhas.

. Deitámo-nos numa caminha de madeira e depois carregámos numa alavanca que fazia subir muitos pregos por debaixo de nós… e não sentíamos nada! Foi muito divertido!

. Motor trifásico feito por nós, pois tínhamos que ser nós a carregar nos três botões alternadamente, que mandavam impulsos eléctricos para cada uma das três bobines que faziam girar no centro um só cilindro.

. Atirámos duas rodas: uma por uma superfície curva, outra por uma recta… para ver qual a que chegava primeiro. 1º: – foi a da superfície curva; 2º: – inclinámos a recta e assim já foi a da recta que chegou primeiro.

. Tapete de Música: nós pisávamos e soavam várias notas musicais! (16!).

. Vimos a terra das construções!

(Entretanto tivémos que ir à casa-de-banho e voltámos logo de seguida…)

. Um carro com rodas QUADRADAS, mas que anda!!! Como??? Porque “a estrada” é aos “altinhos redondos”!!!

. A mana queria andar numa bicicleta equilibrada num cabo, mas eu não deixei, porque tinha medo que a mana caísse!… Bem, disseram-nos que não havia perigo, mas eu não acreditei e fiz uma grande birra!…

. Descemos para a exposição do piso de baixo. Havia lá uma bola que nós, num écran, escolhíamos se era o Sol, Mercúrio, Vénus, a Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Úrano ou Neptuno! O Úrano e o Neptuno estão muito afastados do Sol, por isso são frios e “azuis”.

. Pusémos as duas mãos uma sobre água e outra sobre ar e sentimos que a água parecia mais fria, mas na verdade, o ar estava um bocadinho mais frio (pelo termómetro).

. Vimos ursos polares e focas e outros animais que vivem em sítios muito frios! E como é que eles conseguem? Porque ou têm muito pelo ou têm uma grande camada de gordura.

. Pus as mãos sobre uma placa de gelo! Brrrrr…

. Jogámos três vezes um jogo num écran, em que éramos um boneco que caía no mar alto e lançava um foguete a pedir ajuda e enquanto esperava pela ajuda tinha três opções: nadar rapidamente, nadar lentamente ou ficar paradinho. E só uma delas fazia com que o corpo do boneco perdesse menos calor, fazendo com que ele sobrevivesse até à chegada do helicóptero… e qual era? Ficar paradinho!

. Vimo-nos numa câmara de infra-vermelhos! Onde as partes quentes do nosso corpo é que aparecem, com uma cor laranja.

. Estivémos a ver a um microscópio vários tipos de pelo para identificarmos o mais quentinho.

. Vimos a avestruz e havia um instrumento no qual podíamos simular a sua respiração e percebemos que ela consegue viver em sítios muito quentes porque respira pela boca muito rápido de modo a refrescar-se melhor.

. Numa máquina, estivémos a medir o nosso fôlego, fazendo subir um pêndulo!

. Também estivémos a medir o oxigénio que libertamos ao expirar, que era menor quando fazíamos exercício, pois o nosso corpo precisa de mais oxigénio para oxigenar os músculos.

. Estivémos a bombear água para saciar a sede de um camelo. Mas bolas! Ele não se farta de beber água! Ele consegue beber muita, muita água, para depois se aguentar muito tempo no deserto, sem água…

. O esquilo do deserto esconde-se na sua toca profunda e escurinha.

. Vimos uma planta que se encolhe toda quando há muito calor para manter a humidade lá dentro e não morrer.

. Fomos agora para a parte da exposição da matemática! Como já estamos muito cansadinhos, vimos tudo muito rápido, porque também estavam lá muitos e muitos meninos que faziam muito barulho!

. Brincámos com um compasso que desenhava formas diferentes.

. Vimos muitas formas, rodas dentadas, etc.

. Brincámos com dados: eu estava sempre a ganhar e depois é que percebemos que o dado da mana Celina só tinha o nº 2!!!

. Tentámos encaixar umas formas num triângulo de espelhos que nos deixava muito confusos.

. Estivémos a ver três caleidoscópios…uau!!! Que lindo!!!

. Encaixámos muitas formas de madeira.

. Fizémos um puzzle de formas de plástico.

. Vimos uma forma no chão que, quando olhávamos para um espelho que a reflectia, parecia um cubo… mas não era!

. Um comboio com rodas de formas diferentes, mas todas com a mesma altura… e portanto não se sentia diferença nenhuma ao andar.

. Montámos uma pirâmide com uns triângulos de encaixe de plástico.

. Acabámos o nosso jogo (aquele que iniciámos logo à entrada, lembram-se?). Ao longo do percurso da exposição encontrávamos umas placas com perguntas e punhamos as respostas, simbolizadas por letras, no nosso papel, e no fim deu uma palavra que era: NANONATURAL, que pusémos numa tômbola à saída.

. Brincámos mais um bocadinho com as bolhas de água e pedimos a um menino para nos tirar uma foto aos dois!

. Vimos um senhor a montar uma rede de balões.

. E pronto, lá fomos nós embora… Eu estava a dizer à mana que havia um planeta de electricidade no espaço que quando uma nave se aproxima dele, estraga-se!

. Voltámos a apanhar o comboio de novo, agora para casa… acabei por adormecer, estávamos “mil-cansadinhos”! Foi uma grande aventura! Muito divertida! Aprendemos muito!!! “

Nota minha: eles vão anotando o que vão vendo e fazendo, nestas aventuras, para depois facilmente recordarem, por isso levam sempre no bolso o seu caderninho… e a caneta verdinha!

Comentários (2) »

Aprender Sem Ensino

Olá a todos! Um bom ano!

Um dos aspectos do unchooling do qual muito gosto é o da possibilidade de respeitarmos a capacidade nata das crianças e de todos nós (sim, porque mesmo se um  pouco paralisada ela ainda está latente) de apreendermos e sabermos sem a necessidade de sermos ensinados, por autoiniciativa, automotivação, desenvolvendo os interesses de cada um.

Reli há pouco um dos capítulos do livro “Teach Your Own” de John Holt, precisamente o que tem por título “Learning Without Teaching”. John Holt reúne nesse capítulo algumas das muitas cartas que pais praticantes do Unschooling lhe escreveram a contar episódios vários passados com os respectivos filhos, frisando precisamente este aspecto tão natural e espontâneo das crianças ainda não escolarizadas e chegando a perceber até, que ao menor sinal de que alguém lhes tenta ensinar algo pré-definido por esse alguém como algo a ensinar à criança, muitas delas resistem a essas tentativas.

Como nestes pequenos trechos:

“A mother writes about another child resisting teaching:

My daughter (3 years old) is in the kitchen teaching herself addition and subtraction on the Little Professor Calculation _ a machine I don’t really prove of _ and every time I give her a gentle hint, she flies into a rage, but when I leave her alone and watch her out of the corner of my eye, I se her doing problems like 3 + 5 = 8!”

“Another father writes:

I have read the books you have written, and between them and Bob (4 years old), I’ve found, for me, the best way to teach is by example, and the best way to learn is by doing. (Bob continually tells us, “I don’t want to know that” when we try to teach him something he doesn’t want to learn.)

Linda and I are impressed how quickly he picks things up, but what impresses me the most is his ability to just sit and think. I never knew young children did that until Bob showed me. He also repeats and repeats things until he has them. We put him to bed at 9 P.M., and often at 11 we can hear him talking to himself as he goes over things he wants to get straight. This is how he learned the alphabet and how to count to 129…

A Paula, do Aprender Sem Escola, colocou um link aqui, para este livro de John Holt disponível on-line (e-book). Penso que a versão on-line é a inicial, só do John Holt, diferente da minha, edição posterior, de John Holt & Pat Farenga.

E aproveitando, a mesma Paula organizou já há uns tempos uma página sobre o Ensino Doméstico na rede social Ning, que podem aceder através deste link e onde podemos usufruir do seu minucioso trabalho de compilação de textos por temas que muito nos facilitam o acesso a uma variada gama de informação sobre o Ensino Doméstico, Unschooling, etc. … muito útil essa sua “lista”.

Voltando ao “Learning Without Teaching”, um outro tema também desenvolvido neste capítulo são as conversas com as crianças sobre vários assuntos, como uma forma muito útil e também muito natural e espontânea neste tipo de aprendizagem, útil também para os pais, pois quase sempre nos surpreendemos com as perguntas, as respostas, os raciocínios, as deduções e as ligações que as crianças fazem. Falei já um pouco deste tipo de conversas neste outro post, no Pés Na Relva (um blog onde participam (escrevem) algumas famílias portuguesas que educam os seus filhos “sem escola”).

E nunca é demais frisar que para nós, pais escolarizados, não é muito fácil deixarmo-nos imbuir por este espírito do unschooling, falo por mim que, como se pode ler abaixo no apontamento de hoje do Caderno Verde, mais uma vez e mesmo o Unschooling fazendo para mim todo o sentido, me deixo levar pelos “estereotipos escolares”, se assim lhes posso chamar, enraizados ainda em mim. Episódio este que também exemplifica um pouco sobre a tal resistência a ser ensinados que falei em cima.

Um beijinho a todos, até para a semana, dia 15 de Janeiro, Lua Nova!

x

Caderno Verde

Vamos Aprender a Ler

“Filho, que vamos fazer hoje? Queres aprender a ler?” (não era bem isto que eu queria dizer-lhe, era mais, vamos ler em conjunto e experimentar que leias algumas coisas sozinho, mas pronto, foi aquilo mesmo que acabei por dizer, nem sei bem porquê…)

“Ah, não mãe, não é preciso aprender a ler!”

“Não é preciso? E então como é que fazes quando queres saber o que está escrito, por exemplo, nas instruções de alguns jogos que gostas de montar, nas histórias que queres saber e em tantas coisas assim em que é preciso ler?”

“Alguém me lê! Há tantas pessoas no Mundo que sabem ler, não é preciso sabermos todos!”

Comecei a ficar perplexa com as respostas.

“Então e se não estiver ninguém ao pé de ti, se estiveres sozinho, como é que fazes?”

“Eu sou uma criança, não posso ficar sozinho, tem sempre que estar algum adulto ao pé de mim.”

(esta é para não voltar a dizer coisas com imprecisão…)

“Então, mas se essa pessoa também não souber ler?”

“Mãe, já te disse que não é preciso ler, basta “pensar o que os outros pensaram” …”

Pronto, foi para acabar de vez (espero eu, que eu tenha percebido mesmo) com estas minhas incoerências. E não é que me deixou a pensar?

E no fim, depois de me ter deixado sem palavras, disse-me, a rir:

“Mãe, não sabes que eu já sei ler algumas coisas? Sei ler Alexandre, Bato, Pedro, sim, não, comboio e agora não me lembro de outras palavras que eu sei ler e também sei ler muitos números, até sei ler 2010!…”   E sabe… e eu até sei que ele sabe.

De facto nós “lemos juntos” praticamente todos os dias…

Para além de que anda sempre a fazer perguntas sobre palavras cujo significado não conhece como esta da última vez, ainda há pouco:

“Mãe, o que quer dizer suplente?”

“Por exemplo, num jogo quando alguma pessoa não pode jogar, há outra que é suplente e que entra no jogo quando há alguém que não pode jogar. Ou como nos teatros da mana, há pessoas que são suplentes numa peça, sabem fazer como as outras e quando uma falta, há outro, suplente, que vai substituí-la, na peça; e nalguns outros trabalhos também é assim.”

No dia seguinte ele encontrou pedaços de cebola no guizado de seitan e feijão e disse-me:

“Mãe, tens que fazer papinha sem cebola, tens que ter uns ingredientes suplentes para não usares aqueles que eu não gosto!”

Fartei-me de rir…

Comentários (4) »

Unschooling, Aprender no Mundo real

Olá  todos!

No último post que escrevi no Pés Na Relva, menciono que andava a ler um capítulo do livro “Teach Your Own” de John Holt e Pat Farenga, intitulado “Learning in the world”. Como em todo o livro, John Holt transcreve vários trechos de cartas enviadas por pais homeschoolers com muitos exemplos de como acontece esta aprendizagem natural feita quando às crianças lhe és facilitado o acesso a tudo o que nos rodeia, à vida, como ela decorre naturalmente.

Também  neste post da Paula do Aprender Sem Escola podemos ler alguns breves testemunhos de diferentes jovens que “estudam no mundo”.

E hoje vou colocar aqui as fotos do registo neste caderninho personalizado por eles que o Alexandre e a sua irmã Celina (a do meio, que tem quase 19 anos) fizeram das viagens e acontecimentos de um dia em que saíram os dois “à aventura”:

DSC02618Alexandre, Celina e a Nave Espacial (aqui estão as “impressões digitais” respectivas:

DSC02619Mesmo antes de voltarem a casa, registaram “todos os passos” dessa saída, antes que esquecessem. O Alexandre relatou e a Celina escreveu, tal e qual o seu relato.

DSC02620Também contam como conheceram uma menina no comboio e como o Alexandre lhe explicou que a nave (o space shuttle) não era um avião, pois tinha “motores atrás”.

DSC02621E os contratempos que não os demoveram, queriam ir andar no “comboio de estrada” que há no Parque das Nações e depois de muito o procurarem disseram-lhes que nesse dia ele estava avariado, não estava a fazer viagens, logo… teleférico, pois então! Há 45 teleféricos, sabe o Alexandre já das suas outras muitas voltas:

DSC02623E contaram as paragens que tinham na linha verde (5) e mais 6 na linha vermelha, num total de 11 paragens, de metro:

DSC02624E trouxeram-me uns lindos ramos de Outono, que apanharam à beira de um jardim (já estavam no chão, mas bonitos ainda) com umas “bolinhas” que parecem uns pequenos ouriços, adorei o “presente”!):

DSC02626

O pormenor da parte de cima, feita por eles, do caderninho:

DSC02627Até para a semana, dia 24, Quarto Crescente!

x

Caderno Verde

Mais Matemática – Formulação de Problemas

Estávamos na sala, como muitas vezes a meio da tarde, simplesmente a conversar. O Alexandre contava-me o que tinha feito de manhã, o que tinha almoçado e coisas assim. Depois, de repente e já nem sei a propósito de quê, diz-me “Sim, porque uma semana tem 7 dias…”

Eu pensava que ele não sabia ainda isto das semanas-meses-dias, às vezes falamos nisso, mas como ele não tem ainda bem a noção do tempo, nunca realizei que ele soubesse. Então respondi-lhe: “Pois tem, como é que sabes?”. “Foste tu que me disseste.” “Eu?” “Sim, tu disseste-me que a semana tem 7 dias.” “Pois então disse, filho, já não me lembrava.”

“Então _continuou ele_, quantos dias são mil semanas?”

Ainda estava eu a pensar e a fazer contas de cabeça, isto em segundos, diz-me ele rapidamente:

“Quantos são 7 vezes 1000?

E eu, de seguida: “7000″, ainda meio baralhada a pensar: “Bem, o rapaz formulou um problema e indicou logo de seguida a operação a realizar para a sua resolução antes que eu tivesse tempo de responder…”

Comentários (6) »

Unschooling, de facto.

Bom dia a todos! Uma bela semana!

Volto ao tema do Unschooling, isto porque é o que me faz mais sentido nesta prática do ensino doméstico. Não apenas pelo sentido que me faz, mas também pelo contacto e observação directa deste meu filho mais novo, que não aceita nada bem qualquer tentativa de manipulação, nem sentido de obrigação ou algo do género. Facilmente nos diz, se insistimos para que faça algo, “Vocês estão-me a mandar!”.

As dificuldades têm sido mais da minha parte, pois mesmo fazendo todo o sentido para mim, sou uma pessoa “escolarizada” e como tal, estou sempre a cair em tentativas de disfarçadamente o incentivar a ler, a escrever e coisas que tais, percebendo logo de seguida que não resulta. Isto também porque gosto de ler e saber das actividades que mais famílias em ensino doméstico fazem e em todos os vossos blogues há ideias tão boas que apetece seguir e logo tento fazer algo parecido com o Alexandre, quase sempre sem êxito, não se interessa nem um bocadinho pela ideia mais genial. Estando atenta, percebo que se interessa a toda a hora por um grande número de coisas e que está sempre ocupado, sozinho ou interagindo com outros, incluindo eu, praticamente “não tenho que fazer nada”, o que às vezes parece frustrante, mas vendo bem, é a melhor coisa!

Ainda ontem observei:

Estava ele a brincar com uma amiga e vizinha com quem brinca frequentes vezes. Às vezes até brincam “às escolas”, porque ela anda na escola e propõe a brincadeira. Desta vez, estavam numa qualquer brincadeira em que ela fazia de mãe e ele de filho e oiço-o a  dizer, em tom de malandrice “Mãe, estou aqui, a gastar dinheiro”, num tom de quem sabia que ela, a “mãe na brincadeira”, ia reprovar. “Mas vês”, continuou, “não faz mal, estou a gastar das minhas moedas e ainda tenho muitas moedas, tenho… como é que se escreve novecentas?” E responde-lhe “a mãe” (que é mais velha que ele dois anos e meio): “Um nove e dois zeros”. E ele escreveu o nove e os dois zeros e continuou ” Vês, então? Gastei poucas, pois tinha mil, gastei cem…”

Assim, de cabeça… Ele ultimamente gosta muito de operar nas centenas (já disse aqui uma vez que gosta muito do número quinhentos e que o pronuncia “quinentos” e nós achamos muita piada).

Então, percebi eu ontem, mais uma vez, que tenho mesmo que me aquietar de uma vez por todas e segui-lo, sem programações e orientações.

Nós até temos algumas rotinas, como por exemplo, quase todos os dias lemos uma história ou um trecho dos seus livros “técnicos” preferidos, mas não temos, por exemplo “a hora de ler”, pois é quando calha, ou logo que chego a casa, pois é uma actividade que o Alexandre relaciona comigo e vem todo a aconchegar-se para lermos juntos no sofá, ou mais ao fim da tarde, ou à noite, enfim, quando apetece.

Neste post, a Paula do Aprender Sem Escola, mais uma vez recolhe informação sobre crianças praticantes do Unschooling (Aprendizagem Informal ou Autónoma, como muitas vezes traduz). Coloco aqui a ligação, porque tem muito a ver como o que acabei de dizer. E porque é um post pequeno e conciso, lê-se bem, exactamente reflectindo o que acabo de contar.

Perguntamo-nos muitas vezes, como aqui em Portugal praticar o Unschooling se a lei que temos para o ensino doméstico impõe os exames. Para mim vai ser, um passo de cada vez, até ao final do 4º ano é bem possível praticá-lo, depois logo se verá, não adianta estar com antecipações, e tem que ser sempre conforme o seu ritmo, que só posso perceber a cada momento. É um bom exercício para “viver o momento”, que tanto se fala hoje em dia e que raras vezes conseguimos praticar…

Um grande abraço a todos. Até para a semana, dia 16, Lua Nova!

x

Caderno Verde

Ler e Escrever… os Números.

Já no finzinho do Caderno Verde deste outro post, escrevi como o Alexandre se interessou pelas “letras”, perguntando-me “Qual é a letra número 1? E a número 2?”

Agora anda apostado em saber contar de seguida até 100, mas tem-se “engasgado” quando passa do 59 para o 60 e do 69 para o 70. Então foi no outro dia direitinho a uma mesa onde estavam folhas de papel, rasgou dois bocadinhos e veio trazer-mos para eu escrever o número setenta por extenso e com os algarismos, para que ele se lembrasse qual era o número que se seguia quando emperrasse na contagem:

DSC02574DSC02573Eu lá escrevi e percebi que este rapaz vai mesmo é desenvolver a leitura, lendo números !                   ;)

Comentários (6) »

Para quem se vê só e todo o dia com os filhos

Olá a todos!

Como, em grupo (entre homeschoolers), temos falado algumas vezes nas dificuldades acrescidas quando é apenas um dos pais a cuidar do(s) filho(s) sozinho praticamente durante todo o dia, sinto que talvez seja útil e interessante estes exemplos dados no livro “Teach Your Own” de John Holt & Pat Farenga, no capítulo “Politics of Unschooling” e no subcapítulo “Unschooling and the Single Parent”.

Nesse subcapítulo estão excertos das cartas de três pessoas que escreveram para a “Grow Without School” (revista implementada e dinamizada por John Holt) contando a sua experiência.

Um caso em que um homem, vivendo sozinho, adoptou uma criança e praticam o ensino doméstico, onde conta como coincilia o seu trabalho, que é maioritariamente desenvolvido a partir de casa, com o homeschooling; o caso de uma mãe homeschooler que conta como sentiu necessidade de se sentir bem com ela própria e de como conseguiu “criar” algum tempo para si própria, para se sentir em condições de, no resto do tempo, estar presente e serena em conjunto com os filhos; e este caso, que vou transcrever, de uma mãe que ficou viúva bem cedo e como teve êxito a resolver esse facto inicial em que se viu sozinha com a filha, de três anos:

“Christine Willard, whose husband died when their daughter was three, wrote about the isolation and financial stress she feels as a single mom, and how she is successfully working through these issues:

As a mother and a daughter, we are the absolute minimum family group, and sometimes it is rather claustrophobic. We are always with each other. On the other hand, we have simply had to learn to get along with each other. Issues can’t go unresolved, because all we have is each other and we just have to be able to find common ground…

As my daughter grows up, she is branching out to other adults for relationships. She has always loved horses. After we moved, we were able to find a ranch where she could take lessons. She often wanted to spend time just hanging around the ranch, and we gradually got to know everyone who keeps a horse or take lessons there. She became friendly with the ranch manager and helped him feed all the horses. Then one day, a rather neglected old mare needed a home, and since we needed a pony, we found each other.

Having a horse has been a wonderful experience for us. It gives us a focus other than each other, and we have made many friends who share this interest.”

Nós cá em casa somos muitos, isto é, somos uma família grande, então este tipo de situação não se nos tem posto. Daí que quando falamos deste tipo de situações, com amigos também dando os primeiros passos no ensino doméstico, embora sinta que também em famílias normalmente designadas por monoparentais ou mesmo nas famílias onde apenas um dos pais fica a maior parte do tempo com os filhos o ensino doméstico é possível e pode também ser muito rico, não tenho como falar por experiência própria. Como há noutros países, como nos EUA e no Reino Unido, uma maior quantidade de famílias a praticar Homescholling e Unschooling e já longos anos de experiência, porque não aproveitarmos e ouvirmos e reflectirmos sobre os muitos casos diferentes, uma multiplicidade de experiências, podendo, a partir daí, surgir-nos ideias para resolver com sucesso as particularidades que vão surgindo a cada família?

Belas leituras para todos e belos momentos de reflexão e belas soluções! Até para a semana, dia 2 de Novembro, Lua Cheia!

x

Caderno Verde

O que chamo de Geografia Aplicada

A dada altura nas férias passadas, tivémos que dar um pulinho à Guarda.

Aproveitámos para ir visitar de novo Monsanto (já lá tínhamos ido há uns anitos atrás _ coloquei fotos neste post, na parte do Caderno Verde) e depois dirigimo-nos à Guarda.

Enquanto esperávamos pelos nossos acompanhantes de viagem que tinham por lá um assunto para resolver, fomos dar um passeio pelo centro histórico.

DSC02426DSC02429DSC02430E bem, esta foto é um exemplo de como muitas vezes a Geografia anda de mão dada com a História:

DSC02431Ao Alexandre, enquanto lhe falávamos de  reis e de como antigamente houve reis em Portugal, saltou-lhe logo à vista que o “rei” usava uma espada (dá um bocado de trabalho explicar a uma criança que desde cedo não tem contacto com filmes ou desenhos animados com pistolas ou espadas, que não sabe quem é o homem-aranha (falo neste, porque por exemplo, dois dos meus sobrinhos um pouco mais velhos que o Alexandre, aos 3-4 anos só queriam “saber de coisas do homem-aranha”…), que não tem tido brinquedos bélicos (fez seis anos no Verão) nem nunca nos pediu para os comprarmos _  até este ano agora, que, encantado com nave espaciais, lhe foi oferecida uma em peças de lego para ser construída, o que ele adora, e que, bem, é uma réplica de uma das naves do Starwars; daí ele ter reconhecido a espada, que os bonecos réplica dos personagens do starwars e que vinham com o kit da nave, usam_ dizia eu, deu um certo trabalho explicar que os reis promoviam e entravam em batalhas, que usavam espadas, tentando manter uma imagem mais construtiva dos nossos reis, quando ele próprio reconhece e diz das cenas de espadas e lutas _ e mesmo de cenas de discussões que eventualmente assista entre as pessoas de hoje em dia _ que “não são lindas”, é a expressão que usa).

Bem, foi o seu primeiro contacto com a História e o seu enésimo com a Geografia que eu chamo de Aplicada, isto é, aquela que nos faz sentido, que é a observação directa de vários locais, características geográficas, para depois falarmos de outros e irmos extrapolando, ou vendo fotos, caso não possamos lá ir, aproveitando o seu interesse, desde muito cedo, pelo globo terrestre (aqui, no Caderno Verde).

Ainda estas fotos:DSC02432DSC02433DSC02434

Comentários (3) »

Ábaco II

Bom dia a todos!

Para se situarem (e para quem não leu!), podem ler o primeiro post sobre o Ábaco aqui.

Estes são alguns acessórios que vêm com o ábaco:

DSC02323

DSC02324

DSC02325Por volta de duas ou três semanas depois do seu primeiro contacto com o ábaco, descrito nesse post, o Alexandre, continuando sempre entusiasmado com os números continua a perguntar vezes sem conta quanto são mil vezes um milhão, dez vezes mil e coisas que tal. Lembro-me que quando era pequena também me fascinava o facto de “os números serem infinitos” e queria saber sempre qual o número que vinha a seguir…

Nós simplesmente lhe respondemos a cada pergunta e nada mais.

Uma das sua perguntas favoritas dessa semana era “Qual é o número antes do 100? É o 99?”

E então lembrou-se do ábaco e foi juntar dois cartões com o algarismo nove para “escrever o 99″ e a seguir representou-o com as “rodelinhas” e a dizer “são 9 vezes dez e mais 9″. Sem qualquer intervenção da nossa parte.

DSC02315

DSC02316Na mesma altura, andava muito interessado no 500, que nós achamos muita piada e gostamos de o ouvir nas suas variações com o 500, por que ele pronuncia “quinentos”: “Quinentos é cinco vezes cem?”, “Quinentos é mais que seiscentos? Mais que mil?”

“Não, filho, é menos que mil… mas quinhentas coisas já são muitas coisas, queres ver?” E pusémo-nos a contar as peças de lego pequeninas que estão separadas numa caixa (lembrei-me de ter lido num dos livros de John Holt uma passagem em que ele conta que um dia, com a sua classe do 5º ano, resolveu ir assinalando num rolo, juntamente com os alunos, centímetro a centímetro, até perfazerem um quilómetro, se bem me lembro, no intuito que eles vissem e sentissem, fisicamente, a extensão real de um quilómetro).

Contámos as peças até quinhentos, uma a uma e percebemos o que é contar quinhentas peças. E a quantidade que é, de facto, equivalente a quinhentas unidades.

DSC02318Depois continuámos a contar todas as peças da caixa e chegámos ao belo número de setecentas e onze peças. Para recordarmos e contarmos ao pai eu escrevi no papel mais à mão:

DSC02317E o Alexandre foi representar o número no ábaco.

Mas não achou lá muito interessante, pois queria era representar o “quinentos” e como era muito fácil colocar cinco rodelinhas no pauzinho que simboliza as centenas, disse-me que ia fazer de uma maneira mais difícil. “Adulta” e formatada e “levada” por outras representações que ele já me tinha mostrado antes, disse-lhe, “Alexandre, não vai dar, não temos 50 rodelinhas para colocares no pauzinho das dezenas… é melhor pores as cinco nas centenas!” e fiquei a olhar para ele. O pequeno não desistiu, queria mesmo representar o “quinentos” de outra maneira. Pensou um pouco e mostrou-me, “Estás a ver, mãe, que dá?”

DSC02313“Quatro vezes cem mais dez vezes dez!”

Fiquei de boca aberta, palavra… e ele também quiz  juntar os cartõezinhos para representar o “quinentos” por escrito.

DSC02314

O que mais me impressiona e no início me custou um pouco a confiar que assim era, apesar de ter lido e relido John Holt, é o facto de não precisarmos de lhes ensinar nada, apoiar apenas com os recursos e o acesso à ainformação e deixá-los por sua conta no que respeita à aprendizagem. Só que funciona mesmo, é só confiar e estar atento que nos vamos apercebendo de todo o seu desenvolvimento. Para além de que assim é tudo muito menos stressante e muito mais fluído e natural.

Então até para a semana, dia 11, Quarto Minguante, belas actividades para todos…

x

Caderno Verde

Enjoos e Matemática

Já apontámos neste Caderno Verde as peripécias da Matemática do Sumo de Laranja (quase que lhe chamaria “Matemática Expontânea do Sumo de Laranja            ;)

Este é um apontamento diferente… o que é que enjoo terá a ver com Matemática? Não a resposta não é que a Matemática é um enjoo     :)

Vou explicar: o Alexandre não gosta de andar de carro. Dêem-lhe todos os transportes para viajar menos o carro. Enjoa. A sua característica automática para não enjoar é adormecer. Ou então ir deveras entretido com algo.

Então numa destas últimas viajens perguntou-me : ” Mãe, o teu telemóvel também tem aquela coisa em que nós lhe perguntamos as contas e ele acerta sempre?”

Pelos vistos andara a experimentar a calculadora do telemóvel da irmã…

“Sim, filho (entre risos meus e do pai… acerta sempre!), é a calculadora. O meu também tem.”

E lá escolhi a função no telemóvel e dei-lho para a mão, antes de entrar no carro.

Foi quase todo o caminho entretido “a fazer perguntas ao telemóvel” sobre quanto é 100+1000? 12+15? e outras que tais e a ver as respostas garantidamente certas.

Comentários (3) »

Coisas ainda do Verão, uma vez que ainda não cheira a Outono…

Ainda na linha do post anterior, embora o Outono já tenha começado, mas não pareça:

Já contei que estivémos praticamente “em simultâneo” na praia e no campo (isto porque estivémos em casa de uma amiga, no campo, perto da praia, e quase todos os dias eram passados, portanto, no campo e na praia…

No seu “quintal” (como o Alexandre lhe chama, é um grande quintal!), há ameixoeiras (o Alexandre diverte-se a apanhar algumas e é a melhor forma de ir conhecendo as diferentes árvores. Ainda no outro dia me disse “Mãe, sabes que as uvas também crescem numa árvore mais pequenina que a das ameixas?”),

DSC02179macieiras

DSC02180e pessegueiros (na foto abaixo desta, esta é do poço da casa… a casa tem água canalizada e também este poço)

DSC02181pessegueiro…

DSC02183Da janela da sala perdemos de vista o terreno, que é “sobre o comprido”.

DSC02186O alpendre é óptimo para fazer ginástica, yôga pela manhã, ao nascer do sol… a Celina a brincar com as fitas de ginástica rítmica que a irmã lhe trouxe um dia de Inglaterra como presente:

DSC02192E bem, a comprovar que “nas férias” também se fazem “trabalhos com os livros e cadernos e computadores”, com a diferença de que em ensino doméstico eles nem sentem bem a diferença entre férias e não férias, porque essa diferença só existe mesmo para os pais com trabalhos com horários e timings estipulados e menos flexíveis, e com a diferença ainda de que estes “trabalhos” não foram impostos, mas sim solicitados por ele, aqui está um pequeno registo de momentos desses.

DSC02193O Alexandre nunca se interessou muito por “fazer fichas”, experimentámos umas vezes, ele não ligava, nunca insistimos. Como ele gosta muito de números, contas, lógica, de vez em quando vejo uns cadernos de fichas que me parecem apelativos dentro dos interesses dele e compro. Dão sempre jeito para nos entretermos nas viagens de comboio, por exemplo (para além de outras coisas), levo-os também juntamente com os seus livros preferidos da altura quando passamos alguns dias fora.

Desta vez, vendo uma das irmãs de volta dos seus trabalhos no computador (pois, esta família leva os portáteis atrás, já que cada um tem sempre coisas “inadiáveis” a fazer com a ajuda do computador, neste dia estavam todos na sala cada um frente ao portátil com a sua tarefa específica)

DSC02199e como é melhor o exemplo ou “uma imagem (e neste caso uma acção) vale mil palavras”, o Alexandre pegou nos cadernos que eu levara e juntou-se a todos, “a trabalhar”,

DSC02195

DSC02196(A simetria…),

DSC02197com a “supervisão” da mana Celina.

DSC02198Sim, todos menos eu, que nesta altura estava a tirar fotos!                         :)

Uns dias depois de voltarmos, com um outro caderno, fez um exercício de lógica (tipo o sudoku), praticamente sozinho e por “autorecriação”, isto é, por iniciativa própria, com uma facilidade que me surpreendeu.

Pronto, lá se foi, para mim, o “fantasma das fichas”, isto porque nunca o iria pressionar a fazê-las e questionava-me se algum dia ele iria fazê-las e se deveria ou não de alguma forma tentar motivá-lo e como, etc., etc. Já percebi que as fará e não fará e quando fizer aproveitará bem…

Beijinhos para todos, até para a semana, dia 4 de Outubro, Lua Cheia!

x

Caderno Verde

Monsanto, três anos depois…

Outra das nossa visitas de Verão: à aldeia de Monsanto, a cerca de 60 Km de Castelo Branco.

Há quem diga que é a aldeia mais portuguesa de Portugal, outros afirmam ser a de Piódão, perto de Oliveira de Hospital.

Há três anos atrás já a tínhamos visitado, descobrindo, ao subir ao Castelo, que o Alexandre adora subir montes, castelos e andar pelas muralhas, sem qualquer receio ou vertigem. Aqui estão três das muitas fotos de há três anos atrás e que, em alguma altura, já coloquei aqui no blogue:

000001370000015400000012

E agora as deste ano:

A subida ao castelo e o castelo

DSC02364DSC02366DSC02374DSC02375DSC02378DSC02379DSC02389DSC02380DSC02390DSC02401DSC02394DSC02407

Na aldeia… algumas casas brotam directamente das pedras:

DSC02363

Mais fotos da aldeia de Monsanto:

DSC02356DSC02355DSC02419DSC02420DSC02421DSC02422DSC02423DSC02424DSC02360DSC02361

Super-homens:

DSC02349 :D

Comentários (6) »

O Verão…

O Verão está quase a dar lugar ao Outono…

Então, para falarmos um bocadinho dele, do Verão, neste tema geral que é o ensino doméstico, vou referenciar um post da Paula do Aprender Sem Escola, exactamente intitulado “O Verão faz mal ao cérebro dos miúdos?“; uma resposta a algo que se insinua algumas vezes nas escolas, que as crianças nas férias desaprendem o que aprenderam…

Pelo contrário, de facto. Para todos os efeitos, não só no Verão, mas em todos os momentos em que dão livre curso aos seus interesses e motivações e aprendem naturalmente.

Comentei assim este post que acabei de referir, porque acabávamos de chegar de um passeio mais prolongado (de uma semana) e vinha mesmo a propósito:

Também achei engraçada esta história, pois ainda esta semana pensei nisto: nós no Verão e nas férias acabamos por fazer muitas coisas divertidas, muitos mais passeios, muitas mais oportunidades de aprender com o mundo à nossa volta, também porque, como eu e o pai trabalhamos, nas férias temos mais tempo e disponibilidade para nos deslocarmos um pouco mais longe e proporcionar mais momentos destes (para além de que o tempo no Verão é mais convidativo a passeios…).

Ainda esta semana, passámo-la na zona de Alcobaça e só em 6 dias, para além da praia e de momentos também em casa (no campo) à volta de várias tarefas, ainda fomos visitar uma fábrica de vidro e saber algumas coisas de como é feito o vidro, vendo fazer (visitámos também o Museu do Vidro), na Marinha Grande, fomos às grutas de Mira de Aire (e no final o Alexandre interessou-se sobre vários tipos de pedras que estavam em exposição e lemos-lhe o que dizia lá sobre a sua formação (formação das rochas), fizémos um piquenique com amigos (mais duas famílias com crianças de várias idades (ao todo eram 5 crianças, a contar com o Alexandre, divertiram-se muito), perto de um moinho que andaram lá por dentro a “explorar” e sei lá que mais! Depois ponho posts no Pés Na Relva e n’A Escola É Bela…

Sinto sempre ser mais fácil partir do que se vê para depois aprofundarmos mais cada assunto em livros, na internet, etc., do que quando de repente vem uma pergunta e nós respondemos ou vamos ver em livros ou na internet e temos que deixar para depois ir ver algo sobre isso “lá fora”, porque na altura não dá para nos deslocarmos a um sítio onde se possa ver como essas coisas acontecem (ir perto de um vulcão, por exemplo). Mais tarde, já a pergunta “actual” é outra e não essa!…

E sim, já coloquei num post no Pés Na Relva, uma das visitas que fizémos nessa semana, sob o título “Como se “faz vidro” e objectos de vidro“.

E agora aqui no Caderno Verde vou escrever mais um pouco sobre essa semana.

Um abraço e bela semana para todos, até dia 26, Quarto Crescente… e já Outono!

x

Caderno Verde

Grutas de Mira de Aire

O Pedro perguntava ao Alexandre se queria ir ver umas cavernas                           :)

Ele dizia que sim…

Então aproveitámos um dia em que combinámos um piquenique com amigos (na reserva de Porto de Mós, éramos seis adultos, duas jovens e cinco crianças)

DSC02272DSC02273DSC02274

e fomos juntos, depois do piquenique, às grutas de Mira de Aire.

DSC02278

DSC02279Estava muito calor cá fora, visitar as grutas soube mesmo bem…

DSC02280O Alexandre que enjoa um bocado quando anda de carro em estradas com mais curvas, no início teve umas dores de barriga que não o deixaram aproveitar bem o início da visita, mas “milagrosamente” resolvi levá-lo ao colo aninhado como aos bebés e a dor passou-lhe instantaneamente (o que não acontecera em nenhuma outra posição em que ia ao colo antes de eu ter dado ouvidos a essa minha “intuição”); passou do desconforto inicial a entregar-se por completo ao passeio nas grutas.

DSC02283As estalactites!

DSC02289Estas parecem autênticas franjas…

DSC02293E esta parte aqui lembra-me a nossa garganta, não sei porquê!                      :)

DSC02294

DSC02296

DSC02297Na parte final, à saída da gruta, estão em exposição algumas pedras. O Alexandre quiz que lhe lêssemos lá na altura esta informação sobre o ciclo das rochas e fazia perguntas (ficou com vontade de ir ver os vulcões!)

DSC02304Também apreciou os vários tipos de pedras…

DSC02305

DSC02306Foi uma iniciação à geologia, com o tempo aprofundaremos mais…

DSC02307Engraçado que quando eu andava na 3ª classe de então, tinha os meus 9 anitos (eu sou das que faz anos logo no início do ano, em Fevereiro…), participei numa visita de estudo proporcionada pela escola em que fiz precisamente esta “volta”, que agora acabámos de fazer: ver uma fábrica de vidro na Marinha Grande, visitar as grutas (as que fui na altura não foram estas de Mira de Aire, mas às de Santo António) e visitar, ainda, o Mosteiro da Batalha (ao qual não fomos desta vez), mas percebi que me ficaram na memória, desde então, muitas das coisas que os respectivos guias às visitas explicaram na altura, como se agora relembrasse tudo “a 100 à hora”…       :)

Sendo que o mais engraçado foi não ter sido nada programado e só depois é que fiz esta associação com essa minha “visita de estudo” (ou melhor, “excursão”, que na altura era o que lhe chamávamos…) de há trinta e cinco anos atrás. Para além de que o Pedro também se lembrou de ter feito em pequeno “uma volta” igual.

E foi um gosto ver o interesse do Alexandre… esse dia das grutas foi um dia muito bem passado ainda com a benesse de ser partilhado com amigos com quem nem sempre temos a oportunidade de estar. Obrigada a todos!

Comentários (2) »