Arquivo para Contas

Mais ou menos uma vez por semana

Olá a todos!

Hoje este post é um pouco mais intimista…                                           :)                         Mais ou menos uma vez por semana, quem orienta as actividades do Alexandre não sou eu nem o pai, mas sim a “mana Celina” (este ano, desde Outubro, pois o ano passado este dia estava atribuído ao seu amigo “Bato” (namorado da mana Catarina). Com a mana Celina a tónica são as “aventuras” e pronto, tudo o que faz com ela é “uma aventura“, inclusivé, por exemplo, ir ao “Pavilhão do Conhecimento” ou simplesmente “inventar uma papinha”.

Foi uma solução que arranjámos e com a qual todos concordámos para conseguirmos coordenar trabalhos, estudos, actividades e acompanhamento do Alexandre em Ensino Doméstico, sem “stresses”!

Assim, nesse dia da semana, eu tenho umas horas da tarde (mais ou menos das 15h às 19h) e o Pedro um dia, para “o que nos aprouver”. Eu, pessoalmente, aproveito para estar um pouco mais de tempo a conversar com uma amiga, para ler calmamente num sítio calmo e acolhedor, para experimentar locais e actividades que me apetece experimentar, tais como uma massagem Abhyanga, por exemplo, que experimentei no outro dia e recomendo (eu experimentei aqui), para eu e o Pedro passarmos uns momentos a dois, quando podemos (também já experimentámos uma massagem que dão ao casal, ao mesmo tempo, experimentámos aqui), para ir tomar um chá a um local “de eleição”, para ir ao cinema, e muitas vezes, para fazer calmamente as compras da semana…

Num destes dias, fui ao cinema, ver o “Julie e Julia“, com a Meryl Streep. Ri-me imenso, ao mesmo tempo que me transmitiu alguma coisa que aproveito sempre para crescer. (Podem também ler aqui o que a Rute, do Publicar Para Partilhar, escreveu sobre o filme…).

E no final, depois de sair do cinema, fui presenteada com a inauguração das luzes de Natal do centro de Cascais (daquelas sincronicidades…): ia a passar e a ver a iluminação ainda não iluminada e de repente tudo se acende e oiço palmas de umas quantas pessoas concentradas na Praça 5 de Outubro, as que estavam para a inauguração! Foi uma surpresa gira…

Muitos beijinhos a todos e belos momentos de relaxamento e de alegria! Até para a semana, 24, Quarto Crescente…

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Caderno Verde

História dos Cavalinhos

“Era uma vez dois cavalinhos que andavam a subir uma montanha, a “Montanha Mãe” (isto porque, para contar a história ele fazia com que os cavalinhos subissem pelos meus braços). Os cavalinhos eram mãe e filho. O Filho pensava que a mãe era uma montanha e ia caindo, mas não caíu, porque a mãe o agarrou pela perna.

E depois encontraram uma pirâmide (uma pirâmide de cristal que está em cima do aparador na sala) muito diferente das outras todas, que tinha lá um botão que lançava esta grande coisa (a tampa quase esférica da garrafa de cristal).

O Cavalinho Filho subiu outra vez a pirâmide e caíu e foi parar a uma grande cidade que era só mar, mas conseguiu subir para uma ilha e saltou para fora outra vez.

Tentou outra vez, voltou a cair, agora para dentro de chocolate líquido. Foi assim que descobriu, pois não sabia, que havia ali uma fábrica de chocolates e dali conseguiu saltar para uma ilha de lego, construída por mim.

Andou, andou, andou ao pé coxinho ( e ele saltava ao pé coxinho) e conseguiu encontrar um barco que o conduziu até à “estação dos barcos” (aprendeu nesta altura que uma “estação de barcos” se chama um porto). Depois andaram a viajar ainda mais, ainda mais e terminaram à noite. Foram até à margem e dormiram num hotel de cavalinhos.

2º capítulo

O Cavalinho Mãe e o Cavalinho Filho resolveram fazer um piquenique. Então saíram do hotel onde tinham dormido e foram para casa fazer os convites para os seu amigos: tinham que fazer 82 convites! Tinham quase 100 amigos, faltavam… 18 amigos (foi ele que fez a conta, de cabeça.)!

E depois dos convites foram fazer uma comida vegetariana para levar para o piquenique. O filho fez bolo de chocolate como o que eu faço com a mana Catarina e a mãe fez aquelas batatinhas com tofú tão deliciosas, como tu fazes mamã… que ingredientes é que tu pões que ficam tão deliciosas? É para dizer à mãe do cavalinho… _ “barro tudo com massa de pimentão e alho, filhinho, são os ingredientes que tornam as batatinhas e o tofú assados no forno tão deliciosos!”.

Então o piquenique foi muito divertido, foram todos para uma floresta e depois apanharam o barco para ir para casa!”

Esta foi a história contada e encenada pelo Alexandre (eu também entrava no teatro, fazia de mãe do cavalinho) e ao mesmo tempo ia escrevendo tudo o que ele dizia no computador, numa das nossas tardes em homeschooling. Depois ele veio “ler” comigo o que eu tinha escrito, para que tudo ficasse devidamente registado.

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Unschooling, Aprender no Mundo real

Olá  todos!

No último post que escrevi no Pés Na Relva, menciono que andava a ler um capítulo do livro “Teach Your Own” de John Holt e Pat Farenga, intitulado “Learning in the world”. Como em todo o livro, John Holt transcreve vários trechos de cartas enviadas por pais homeschoolers com muitos exemplos de como acontece esta aprendizagem natural feita quando às crianças lhe és facilitado o acesso a tudo o que nos rodeia, à vida, como ela decorre naturalmente.

Também  neste post da Paula do Aprender Sem Escola podemos ler alguns breves testemunhos de diferentes jovens que “estudam no mundo”.

E hoje vou colocar aqui as fotos do registo neste caderninho personalizado por eles que o Alexandre e a sua irmã Celina (a do meio, que tem quase 19 anos) fizeram das viagens e acontecimentos de um dia em que saíram os dois “à aventura”:

DSC02618Alexandre, Celina e a Nave Espacial (aqui estão as “impressões digitais” respectivas:

DSC02619Mesmo antes de voltarem a casa, registaram “todos os passos” dessa saída, antes que esquecessem. O Alexandre relatou e a Celina escreveu, tal e qual o seu relato.

DSC02620Também contam como conheceram uma menina no comboio e como o Alexandre lhe explicou que a nave (o space shuttle) não era um avião, pois tinha “motores atrás”.

DSC02621E os contratempos que não os demoveram, queriam ir andar no “comboio de estrada” que há no Parque das Nações e depois de muito o procurarem disseram-lhes que nesse dia ele estava avariado, não estava a fazer viagens, logo… teleférico, pois então! Há 45 teleféricos, sabe o Alexandre já das suas outras muitas voltas:

DSC02623E contaram as paragens que tinham na linha verde (5) e mais 6 na linha vermelha, num total de 11 paragens, de metro:

DSC02624E trouxeram-me uns lindos ramos de Outono, que apanharam à beira de um jardim (já estavam no chão, mas bonitos ainda) com umas “bolinhas” que parecem uns pequenos ouriços, adorei o “presente”!):

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O pormenor da parte de cima, feita por eles, do caderninho:

DSC02627Até para a semana, dia 24, Quarto Crescente!

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Caderno Verde

Mais Matemática – Formulação de Problemas

Estávamos na sala, como muitas vezes a meio da tarde, simplesmente a conversar. O Alexandre contava-me o que tinha feito de manhã, o que tinha almoçado e coisas assim. Depois, de repente e já nem sei a propósito de quê, diz-me “Sim, porque uma semana tem 7 dias…”

Eu pensava que ele não sabia ainda isto das semanas-meses-dias, às vezes falamos nisso, mas como ele não tem ainda bem a noção do tempo, nunca realizei que ele soubesse. Então respondi-lhe: “Pois tem, como é que sabes?”. “Foste tu que me disseste.” “Eu?” “Sim, tu disseste-me que a semana tem 7 dias.” “Pois então disse, filho, já não me lembrava.”

“Então _continuou ele_, quantos dias são mil semanas?”

Ainda estava eu a pensar e a fazer contas de cabeça, isto em segundos, diz-me ele rapidamente:

“Quantos são 7 vezes 1000?

E eu, de seguida: “7000″, ainda meio baralhada a pensar: “Bem, o rapaz formulou um problema e indicou logo de seguida a operação a realizar para a sua resolução antes que eu tivesse tempo de responder…”

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Unschooling, de facto.

Bom dia a todos! Uma bela semana!

Volto ao tema do Unschooling, isto porque é o que me faz mais sentido nesta prática do ensino doméstico. Não apenas pelo sentido que me faz, mas também pelo contacto e observação directa deste meu filho mais novo, que não aceita nada bem qualquer tentativa de manipulação, nem sentido de obrigação ou algo do género. Facilmente nos diz, se insistimos para que faça algo, “Vocês estão-me a mandar!”.

As dificuldades têm sido mais da minha parte, pois mesmo fazendo todo o sentido para mim, sou uma pessoa “escolarizada” e como tal, estou sempre a cair em tentativas de disfarçadamente o incentivar a ler, a escrever e coisas que tais, percebendo logo de seguida que não resulta. Isto também porque gosto de ler e saber das actividades que mais famílias em ensino doméstico fazem e em todos os vossos blogues há ideias tão boas que apetece seguir e logo tento fazer algo parecido com o Alexandre, quase sempre sem êxito, não se interessa nem um bocadinho pela ideia mais genial. Estando atenta, percebo que se interessa a toda a hora por um grande número de coisas e que está sempre ocupado, sozinho ou interagindo com outros, incluindo eu, praticamente “não tenho que fazer nada”, o que às vezes parece frustrante, mas vendo bem, é a melhor coisa!

Ainda ontem observei:

Estava ele a brincar com uma amiga e vizinha com quem brinca frequentes vezes. Às vezes até brincam “às escolas”, porque ela anda na escola e propõe a brincadeira. Desta vez, estavam numa qualquer brincadeira em que ela fazia de mãe e ele de filho e oiço-o a  dizer, em tom de malandrice “Mãe, estou aqui, a gastar dinheiro”, num tom de quem sabia que ela, a “mãe na brincadeira”, ia reprovar. “Mas vês”, continuou, “não faz mal, estou a gastar das minhas moedas e ainda tenho muitas moedas, tenho… como é que se escreve novecentas?” E responde-lhe “a mãe” (que é mais velha que ele dois anos e meio): “Um nove e dois zeros”. E ele escreveu o nove e os dois zeros e continuou ” Vês, então? Gastei poucas, pois tinha mil, gastei cem…”

Assim, de cabeça… Ele ultimamente gosta muito de operar nas centenas (já disse aqui uma vez que gosta muito do número quinhentos e que o pronuncia “quinentos” e nós achamos muita piada).

Então, percebi eu ontem, mais uma vez, que tenho mesmo que me aquietar de uma vez por todas e segui-lo, sem programações e orientações.

Nós até temos algumas rotinas, como por exemplo, quase todos os dias lemos uma história ou um trecho dos seus livros “técnicos” preferidos, mas não temos, por exemplo “a hora de ler”, pois é quando calha, ou logo que chego a casa, pois é uma actividade que o Alexandre relaciona comigo e vem todo a aconchegar-se para lermos juntos no sofá, ou mais ao fim da tarde, ou à noite, enfim, quando apetece.

Neste post, a Paula do Aprender Sem Escola, mais uma vez recolhe informação sobre crianças praticantes do Unschooling (Aprendizagem Informal ou Autónoma, como muitas vezes traduz). Coloco aqui a ligação, porque tem muito a ver como o que acabei de dizer. E porque é um post pequeno e conciso, lê-se bem, exactamente reflectindo o que acabo de contar.

Perguntamo-nos muitas vezes, como aqui em Portugal praticar o Unschooling se a lei que temos para o ensino doméstico impõe os exames. Para mim vai ser, um passo de cada vez, até ao final do 4º ano é bem possível praticá-lo, depois logo se verá, não adianta estar com antecipações, e tem que ser sempre conforme o seu ritmo, que só posso perceber a cada momento. É um bom exercício para “viver o momento”, que tanto se fala hoje em dia e que raras vezes conseguimos praticar…

Um grande abraço a todos. Até para a semana, dia 16, Lua Nova!

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Caderno Verde

Ler e Escrever… os Números.

Já no finzinho do Caderno Verde deste outro post, escrevi como o Alexandre se interessou pelas “letras”, perguntando-me “Qual é a letra número 1? E a número 2?”

Agora anda apostado em saber contar de seguida até 100, mas tem-se “engasgado” quando passa do 59 para o 60 e do 69 para o 70. Então foi no outro dia direitinho a uma mesa onde estavam folhas de papel, rasgou dois bocadinhos e veio trazer-mos para eu escrever o número setenta por extenso e com os algarismos, para que ele se lembrasse qual era o número que se seguia quando emperrasse na contagem:

DSC02574DSC02573Eu lá escrevi e percebi que este rapaz vai mesmo é desenvolver a leitura, lendo números !                   ;)

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Ábaco II

Bom dia a todos!

Para se situarem (e para quem não leu!), podem ler o primeiro post sobre o Ábaco aqui.

Estes são alguns acessórios que vêm com o ábaco:

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DSC02325Por volta de duas ou três semanas depois do seu primeiro contacto com o ábaco, descrito nesse post, o Alexandre, continuando sempre entusiasmado com os números continua a perguntar vezes sem conta quanto são mil vezes um milhão, dez vezes mil e coisas que tal. Lembro-me que quando era pequena também me fascinava o facto de “os números serem infinitos” e queria saber sempre qual o número que vinha a seguir…

Nós simplesmente lhe respondemos a cada pergunta e nada mais.

Uma das sua perguntas favoritas dessa semana era “Qual é o número antes do 100? É o 99?”

E então lembrou-se do ábaco e foi juntar dois cartões com o algarismo nove para “escrever o 99″ e a seguir representou-o com as “rodelinhas” e a dizer “são 9 vezes dez e mais 9″. Sem qualquer intervenção da nossa parte.

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DSC02316Na mesma altura, andava muito interessado no 500, que nós achamos muita piada e gostamos de o ouvir nas suas variações com o 500, por que ele pronuncia “quinentos”: “Quinentos é cinco vezes cem?”, “Quinentos é mais que seiscentos? Mais que mil?”

“Não, filho, é menos que mil… mas quinhentas coisas já são muitas coisas, queres ver?” E pusémo-nos a contar as peças de lego pequeninas que estão separadas numa caixa (lembrei-me de ter lido num dos livros de John Holt uma passagem em que ele conta que um dia, com a sua classe do 5º ano, resolveu ir assinalando num rolo, juntamente com os alunos, centímetro a centímetro, até perfazerem um quilómetro, se bem me lembro, no intuito que eles vissem e sentissem, fisicamente, a extensão real de um quilómetro).

Contámos as peças até quinhentos, uma a uma e percebemos o que é contar quinhentas peças. E a quantidade que é, de facto, equivalente a quinhentas unidades.

DSC02318Depois continuámos a contar todas as peças da caixa e chegámos ao belo número de setecentas e onze peças. Para recordarmos e contarmos ao pai eu escrevi no papel mais à mão:

DSC02317E o Alexandre foi representar o número no ábaco.

Mas não achou lá muito interessante, pois queria era representar o “quinentos” e como era muito fácil colocar cinco rodelinhas no pauzinho que simboliza as centenas, disse-me que ia fazer de uma maneira mais difícil. “Adulta” e formatada e “levada” por outras representações que ele já me tinha mostrado antes, disse-lhe, “Alexandre, não vai dar, não temos 50 rodelinhas para colocares no pauzinho das dezenas… é melhor pores as cinco nas centenas!” e fiquei a olhar para ele. O pequeno não desistiu, queria mesmo representar o “quinentos” de outra maneira. Pensou um pouco e mostrou-me, “Estás a ver, mãe, que dá?”

DSC02313“Quatro vezes cem mais dez vezes dez!”

Fiquei de boca aberta, palavra… e ele também quiz  juntar os cartõezinhos para representar o “quinentos” por escrito.

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O que mais me impressiona e no início me custou um pouco a confiar que assim era, apesar de ter lido e relido John Holt, é o facto de não precisarmos de lhes ensinar nada, apoiar apenas com os recursos e o acesso à ainformação e deixá-los por sua conta no que respeita à aprendizagem. Só que funciona mesmo, é só confiar e estar atento que nos vamos apercebendo de todo o seu desenvolvimento. Para além de que assim é tudo muito menos stressante e muito mais fluído e natural.

Então até para a semana, dia 11, Quarto Minguante, belas actividades para todos…

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Caderno Verde

Enjoos e Matemática

Já apontámos neste Caderno Verde as peripécias da Matemática do Sumo de Laranja (quase que lhe chamaria “Matemática Expontânea do Sumo de Laranja            ;)

Este é um apontamento diferente… o que é que enjoo terá a ver com Matemática? Não a resposta não é que a Matemática é um enjoo     :)

Vou explicar: o Alexandre não gosta de andar de carro. Dêem-lhe todos os transportes para viajar menos o carro. Enjoa. A sua característica automática para não enjoar é adormecer. Ou então ir deveras entretido com algo.

Então numa destas últimas viajens perguntou-me : ” Mãe, o teu telemóvel também tem aquela coisa em que nós lhe perguntamos as contas e ele acerta sempre?”

Pelos vistos andara a experimentar a calculadora do telemóvel da irmã…

“Sim, filho (entre risos meus e do pai… acerta sempre!), é a calculadora. O meu também tem.”

E lá escolhi a função no telemóvel e dei-lho para a mão, antes de entrar no carro.

Foi quase todo o caminho entretido “a fazer perguntas ao telemóvel” sobre quanto é 100+1000? 12+15? e outras que tais e a ver as respostas garantidamente certas.

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Época de “férias”

Bom dia a todos!

Neste post do Pés Na Relva, escrevi já uma mini reflexão sobre as férias.

Pois de facto penso muitas vezes o que irá significar a palavra férias para o Alexandre, nos próximos anos (e desde que nasceu…       :)                   ).

Actualmente, para nós, férias equivale a falarmos nas minha férias e nas da Celina (a Catarina está na fase do “é melhor não ter férias do que ter”…, coisas de actriz).

Engraçado que cada vez há mais pessoas no nosso círculo de amigos cujas férias se confundem com o dia a dia (ainda anteontem uma amiga nossa me respondeu, quando lhe perguntei “quando vais de férias?”, “Eu estou sempre de férias!”. Ela trabalha, não tem é “um emprego”).

O Pedro também me pergunta “Queres ir quando?”, quando pensamos ir a algum lado por um tempo mais prolongado (isto porque o seu trabalho se adapta perfeitamente, o meu é que, para já, é menos flexível_ ando numa de lhe conferir maior flexibilidade     :)           ).

A Paula do Aprender Sem Escola, passou-me um dia estes links que podem aceder aqui e aqui . Ainda não explorei tudo, vou lendo aos poucos…

E achei muita piada há uns tempos, num encontro sobre educação intuitiva uma das pessoas presentes a querer muito transferir o filho para o ensino doméstico, dizia: “Eu tenho um trabalho que me dá tanta liberdade para andar pelo Mundo e agora não posso por causa da escola do meu filho? Assim passamos os dois a ter muito mais liberdade para aprender muitas coisas!”

Pois voltamos sempre ao Ensino Doméstico e ao Unschooling!

E já agora, aqui fica o link para uma nova descoberta da Pequete que tão gentilmente mo passou, por ser o blog de uma família que pratica o Unschooling e tem vários pontos em comum connosco (obrigada Pequete!). Dos que já li, que ainda foram poucos, achei especialmente piada a este post sobre como se aprendem conceitos matemáticos :)

Beijinhos, uma bela semana para todos! Até dia 6, Lua Cheia (com eclipse penumbral da lua, às 0 h 55 min…).


Caderno Verde

Mais “Matemática do Sumo de Laranja”

Como disse no outro dia num comentário a este post do Pés Na Relva:

Acabámos de fazer os dois, pela enésima vez esta semana, sumo de laranja; o Alexandre desde sempre quiz fazer sumo de laranja e já fazia de vez em quando, mas desde que descobriu que cada laranja dá duas metades (ver o Caderno Verde de há dois posts atrás), adora contar as metades assim e lá vamos nós fazer mais sumo (parece uma espécie de meditação       :)                    ).

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Hoje houve uma variação:

Primeiro começou por partes, uma laranja são duas metades de laranja, duas são quatro, três são seis…

Depois, descobriu uns algarismos lá no recipiente do espremedor e perguntou-me: “que número é este? O que é que diz aqui?” e eu respondi “500. 500 ml, é igual a meio litro de sumo” e ele disse “Então 3 laranjas têm quase 500 de sumo!”, e eu confirmei “Sim, estas 3 laranjas têm quase 500 ml de sumo, quase meio litro”; e ele reparando mais acima: “E este 100 (cem)?” Era a marca dos 1000 ml… Eu respondi, são 1000ml, que é a mesma coisa que 1 litro, um litro de sumo. “Ah!”, respondeu.

E a conversa ficou por aqui. Depois bebeu o sumo das três laranjas igual a seis metades de laranja, que já tinha contado e que lhe estava mesmo apetecer…

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Inscrição em ED consumada

Olá  a todos!

Pois, vários de vós já sabem, já fui dando a notícia ao longo da semana passada.

Em Maio, fui à escola da nossa área de residência inscrever o Alexandre no 1º ciclo, escolhendo, no Boletim de Inscrição, a opção “Ensino Doméstico”.

Como já vos contei antes, inteirei-me das várias performances inerentes ao ensino doméstico pela partilha de experiências de várias famílias que já o praticam, bem como da legislação relacionada, ao ter-me inscrito no grupo de ensino doméstico.

E lendo também os posts publicados no Pés Na Relva, do qual posteriormente também passei a “fazer parte”. Na página “Legislação” desse blogue há um resumo da legislação portuguesa a consultar, referente ao ensino doméstico  (ou em “files” do grupo de ensino doméstico).

Da experiência das várias famílias que praticam esta opção, dependendo da zona do país em que se encontram, “titulada” pela Direcção Regional de Educação correspondente, e variando ainda de escola para escola, sabe-se que há várias nuances em relação às formalidades a cumprir que indicam aos pais que inscrevem os filhos em ensino doméstico.

Na semana passada, telefonaram-me da escola onde inscrevi o nosso filho (sim, fui lá sozinha com os papéis já preenchidos por nós em casa, o Alexandre não quiz ir), uma professora que faz parte do conselho executivo, a dizer que estava tudo bem, que o Alexandre estava inscrito na modalidade ensino doméstico, que iria receber um ofício para formalizar a posição da escola dizendo que a responsabilidade pela avaliação do meu educando era minha (eu fiquei como encarregada de educação, no entanto, nós partilhamos ambos, eu e o pai, a responsabilidade pela educação do nosso filho) e a escola tem apenas responsabilidade administrativa e que eu deveria manter ao longo dos 4 anos deste 1º ciclo um portfólio com as actividades realizadas a apresentar na escola no final do 4º ano e no final do 4º ano, ainda, o Alexandre terá que ir à escola realizar um teste presencial.

Passados três dias recebi o mencionado ofício. Não fala no portfólio nem no teste presencial, mas acrescenta que a cada ano lectivo terei que renovar o pedido de inscrição no ensino doméstico.

E pronto! A vida sem escola, ou melhor, a Escola é Bela, continua.

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Tencionamos ir preparando o portfólio utilizando meios informáticos, para não nos limitarmos a um dossier de fichas ou algo assim, já que o mundo do unschooling não cabe de todo em folhas escritas, desenhadas… e por mais apresentações, cd’s, fotos, trabalhos, relatos de “visitas de estudo”, gravações que façamos, também não caberá em todos esses suportes, mas enfim, será um cartão de visita “Bem Vindos ao Mundo Encantado de uma Bela Escola, a da Família, do Mundo, da Vida, do Universo”          :)

É uma longa jornada, ao mesmo tempo, a nossa jornada… e quem é que não quer ter uma vida longa?

Até para a semana, dia 22, Lua Nova, uns belos dias para todos!


Caderno Verde

Matemática e Sumo de Laranja

Desde os três anos que o Alexandre quer sempre ajudar a fazer o sumo de laranja.

Já é o nosso segundo espremedor eléctrico desde que ele nasceu (ao primeiro perdeu-lhe uma peça, pois ele adorava brincar com a maquineta, que assim servia para mais coisas para além de fazer sumo!).

Ainda há uns meses atrás espremia metade de cada meia laranja (o resto espremia eu que ele “não tinha força”, ou o jeito desenvolvido, para as espremer até sair o sumo todo). Agora desenvolveu uma técnica, para completar sozinho a tarefa: às vezes com as duas mãos sobrepostas,

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outras (quando as laranjas são maiorzinhas), com a ajuda da cabeça_ literalmente, não falo da cabeça por causa da matemática, vejam:

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E agora sim, a matemática:

Estávamos a espremer 3 laranjas. Partimo-las ao meio, claro. Então o Alexandre de repente descobriu que 3 laranjas eram 6 metades de laranja.

Uma forma muito concreta (e muito espontânea e natural, pois foi ele que relacionou) de percebermos as fracções, mesmo aos 6 anos (acabadinhos de fazer)…

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Representações, Abstracções, Símbolos… Aritmética, Matemática

Olá a todos!

Nos dois últimos posts falámos dos idiomas (falados, escritos) como representações, códigos organizados por forma a transmitir a realidade à nossa volta, que é uma realidade perceptível através de todos os nossos sentidos, portanto a linguagem usada para a comunicarmos não passa de algo inventado pelo Homem, símbolos, abstracções, representações que associamos aos objectos, seres, paisagens, sentimentos e os demais componentes que nos rodeiam e envolvem.

Hoje passamos para outro tipo de “código”, de abstracção, de representação, do real, das quantidades existentes na Natureza, a aritmética, a matemática. E ainda menos que na leitura e na escrita, nós associamos a linguagem matemática à realidade que ela representa, sobretudo quando a estamos a “ensinar”. Nem sei bem porquê, porque às vezes até me parece que esta associação é ainda mais imediata, qualquer um se lembra que contar e medir se refere a “coisas reais”, quase todos os dias precisamos de pesar alimentos, medir alturas, comprimentos, contar dinheiro e por aí fora, mas quando ensinamos uma equação, uma simples adição, ou mesmo a contar 1,2,3, raramente o fazemos da forma natural, que é passar da “existência completa” para a abstracção (que é uma parte da existência), para a representação gráfica e matemática, e não o contrário.

Qualquer um de nós tem tendência para repetir aos nossos filhos (quase como para que eles decorem) a sequência 1,2,3,4,5… e, quando eles a repetem sem enganos dizermos que eles já aprenderam a contar até…

John Holt explica muito bem em “Learning All The Time” que essa é a forma que não deveria ser utilizada para que eles aprendessem a contar. Nem sequer aprender a sequência, não deviam aprender, à partida, que o três vem a seguir ao dois e o sete ao seis. E sim irem observando grupos de objectos: aqui estão quatro biscoitos, e aqui duas maçãs. E assim sim, vão tendo noção quais os algarismos associados a uma maior quantidade e quais a uma menor e aos poucos vão-se começando a “apropriar” e a “interiorizar” os algarismos e daí passarão a reconhecer, a especificar, a particularizar e ao mesmo tempo, a generalizar, os conceitos e as propriedades aritméticas.

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Nos dois primeiros capítulos do livro, o primeiro, “Reading and Writing” e o segundo, “At Home with Numbers”, John Holt dá muitos exemplos e exercícios práticos para que nós, pais (muito úteis sobretudo a quem pratique o ensino doméstico), nos “abstraiamos da abstracção” e nos aproximemos da totalidade que é a apreensão do mundo que nos rodeia e daí sim, passemos à sua “representação” de uma forma mais esquemática e mais “prática”.

Nesse segundo capítulo de “Learning All The Time”, “At Home With Numbers”, existe um pequeno texto intitulado “Abstractions”, que não resisto a transcrever:

“I have often heard it said that numbers are abstract and must be taught abstractly.

People who say this do not understand either numbers or abstractions and abstract-ness.

Of corse numbers are abstract, but like any and all other abstractions, there are un abstraction of something

People invented numbers to help them memorize and record certain properties of reality _numbers of animals, boundaries of a annually flooded field, observations of the stars, the moon, the tides and so on.

These numbers did not get their properties from people’s imaginations, but from the things they were designed to represent.

A map of the United States is an abstraction, but it looks the way it does not because the mapmaker wanted it that way, but because of the way the United States looks. Of corse, mapmakers can and must make certain choices, just as did the inventors of numbers.

They can decide that what they want to show on their maps are contours, or climate, or temperature, or rainfall, or roads, or air routes, or the historical growth of the country.

Having decided that, they can decide to color, say, the Louisiana Purchase blue, or red, or yellow _whatever looks nice to them. But once they have decided what they want to map, and how they will represent it, by colors, or lines, or shading, reality then dictates what the map will look like.

The same is true with numbers. Down the line it may be useful to considere numbers and science of working with them without any reference to what they stand for, just as it might be useful, to study the general science of mapping without mapping any one place in particular.

But it is illogical, confusing and absurd to start there with young children.

The only way they can become familiar with the idea of maps, symbol systems, abstractions of reality, is to move from known realities to the maps or symbols of them.

Indeed, we all work this way.

I know how contour maps are made _in that sense I understand them; but I cannot do what my brother-in-law, who among other things plans and lays out ski areas, can do. He can look at a contour map and instantly, in his mind’s eye, feel the look and shape of the area.

The reason he can do this while I can’t is that he has walked over dozens of mountains and later looked at and studied and worked on the contour maps of areas where he was walking.

No amount of explanation will enable any of us to turn an unfamiliar symbol system into the reality it stands for. We must go the other way first.”

E bem, parece-me claro. E gostaria de acrescentar, que ao movermo-nos na direcção do real para o sistema representativo, várias vezes teremos que voltar “à base”, ou ficaremos mentalmente presos a todos esses sistemas (e também por isso a vida, que é simples, nos parece tão complicada, tal estamos enredados em todos esses sistemas que criámos para nos “simplificar” a vida).

Até para a semana, dia 24, Lua Nova. Continuaremos com uma outra representação, abstracção, sistema simbólico, ainda mais subtil e, por isso, menos fácil ainda de realizarmos que o seja – o tempo.

Abraços para todos.

 

Caderno Verde

Legos e Contas

Aqui há tempos, neste post do Pés Na Relva, contei como uma brincadeira que o Alexandre repete algumas vezes nos mostrou como ele já fazia contas de multiplicar. E logo após, neste outro, mais uns pozinhos de contas.

Passados tempos, na sua mais recente e intensa fase de brincar com peças de Lego, chegou perto de mim e perguntou-me “Mãe, quantas bolinhas estão aqui?”

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Ao que respondi “Ia, bem, vamos contá-las!!!”.

E contámos, os dois, 115 “bolinhas”. E depois, mostrando-lhe as “filas de 5″ e contando quantas dessas “filas de bolinhas ali estavam”, constámos: “115 são 23 vezes 5 bolinhas”.

Claro que ele não decorou, mas percebeu e achou piada, e nem sequer tentei depois indicar a multiplicação e explicar-lhe como fazer a conta, embora ainda assim, por momentos, eu tenha pensado, “Lá estou eu a dar “informação a mais”, não solicitada (tal como percebera há uns tempos e expliquei neste post (no texto “Teoria”) e neste ainda (“Confirmação Antecipada”) e a Ana de ValedeGil escreveu também aqui).

Desta vez ele não reagiu mal à informação a mais, não solicitada por ele, talvez porque não me estendi muito e também porque ele adorou contar as bolinhas e assim acabámos por contar mais bolinhas e ele próprio já tem a noção da multiplicação conforme mostrei no tal post do Pés na Relva que linkei acima.

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