Olá a todos!
Há dois dias atrás confirmei de novo mais esta especialidade das crianças: preferencialmente a jogar jogos “já inventados”, sobretudo jogar sob as regras já delineadas, as crianças gostam de inventar os seus próprios jogos ou as suas próprias regras (para o momento, porque no dia a seguir já não servem as regras do dia anterior, inventam outras ou modificam de alguma forma as do dia anterior).
A nossa tendência, é “ensinar-lhes” jogos já conhecidos e um sem número de regras que lhes são atribuídas, no lugar de deixar o espaço livre à criatividade e ao que apetece realmente “jogar” no momento.
Aconteceu-me outra vez há dois/três dias atrás:
O chão da nossa sala (corredor, cozinha, etc.) é daqueles mosaicos em quadrados relativamente grandinhos. Desde pequeno que, como muitas crianças a dada altura, o Alexandre gosta de seguir os quadrados, pisas este, não pisas aquele (muito pequeno ainda, num centro comercial a que vamos várias vezes, seguia as marcas laterais como se fossem “pistas de comboio” e só podíamos andar por ali, atrás dele
.


Depois já “ninguém podia” seguir essas “pistas”, eram reservadas a “comboios de verdade”, então cada vez que queríamos “atravessá-las”, tínhamos que parar, olhar para os dois lados e mesmo que não víssemos nenhum comboio a aproximar-se ele “via um”, “Esperem, agora ainda não… Já está, abre-se a cancela, podemos passar” _ há sempre pessoas que olham para nós a rir-se quando andamos no centro comercial, em fila, agarrados às camisolas uns dos outros a fazer de carruagens de um comboio familiar; também já aconteceu ao passarmos de umas praias a outras, no Algarve, num passadiço bem comprido e a pararmos em cada estação/apeadeiro, que eram as várias/muitas esplanadas ao longo do passadiço (a dada altura tivémos que transformar a nossa identidade de comboio regional para Tgv, ou só no dia seguinte é que chegaríamos à praia onde pretendíamos chegar
); mas voltando ao centro comercial, que tem uns mosaicos giros e desenhando várias formas, depois dos “carris” também já usou outros caminhos bem engraçados para andar (os tais “só podemos andar pelos azuis”), saltar de “quadrado em quadrado”, etc.

Desta vez, em nossa casa, começou uma brincadeira do género e o que me lembrei logo: do “jogo da macaca” (palavra que até pensei desenhar o jogo no chão, com uma caneta, tipo o pátio de algumas escolas, “deixa lá_ pensei _, a nossa sala não é uma comum sala de jantar/estar/de visitas, é mais uma sala multi-funções, lá faz-se de tudo, é a “nossa sala”, onde aproveitamos para estar todos juntos esteja cada um a fazer o que for (é escritório, sala de brinquedos, onde se vêem filmes, onde se come, onde se joga, onde se dorme (às vezes), onde se conversa, onde se ouve música, onde se canta, onde se decoram textos para audições, onde se toca música, onde se corre, onde se faz ginástica, tai-chi, yôga ou se ensaiam passos de ballet, onde se “montam tendas” tal acampamento, onde se colam papéis (até no tecto) com listas de coisas _ a última era a lista dos amigos que o Alexandre quiz convidar para a sua festa de aniversário, feita pelo pai e ele… enfim, ainda poderia prolongar muito mais esta lista das multifunções da “nossa sala”…), ora um desenho do jogo da macaca no chão da sala não seria nada por aí além!”).
Telefonei à Catarina, “Filha, lembras-te das regras do jogo da macaca, é que eu não me lembro (aliás, parece-me que nunca as soube, não era um jogo que eu habitualmete jogasse quando era miúda, jogava mais ao “do elástico”)?” Ela também não se lembrava bem, “tenho “lá na Cativar”, mas vai ver à net que encontras”…
E já ia pôr mãos à obra, quando o Alexandre (isto foi tudo num espaço de um ou dois minutos) demonstra que não está nada interessado em “aprender” o jogo da macaca (aliás, até me disse “Ah, esse jogo eu já aprendi quando era pequenino”, frase das que utiliza várias vezes para me dizer “não quero aprender nada disso, já sei… (mesmo que não saiba)” e começa a mostrar-me ele a mim “como se joga aquele jogo”: “Mãe, ficas neste quadrado ao lado do meu, agora saltamos um a um, agora saltamos um (dois a dois), agora neste rodamos (damos uma volta completa), agora saltamos “tipo rã”, agora pões as mãos assim para trás levantas o corpo e saltas para a frente, vês (?) é assim!”



E muitas variações sala fora, corredor fora, para trás e para a frente, foi uma bela tarde de ginástica/jogo bem divertida (e que bem falta me fazia, fazer um pouco de exercício!).
Então percebi que teria desvirtuado tudo isto, caso me tivesse mantido na minha ideia inicial (o que vale é que ele não deixa!) de irmos “aprender” o jogo da macaca juntos e não teria sido de longe tão divertido! O que não segnifica que não venhamos mais tarde a saber (juntos ou individualmente) como se joga à macaca, assim que isso nos interessar genuinamente e não porque de repente achamos que será bom saber…
Beijinhos a todos, até para a semana, dia 13, Quarto Minguante. Belos jogos e brincadeiras!
Caderno Verde
Gosto por pintar
O Alexandre fez seis anitos há pouco tempo e um dos presentes que recebeu foi este muito simples para fazer um comboio em gesso (trazia o gesso e o molde) e depois pintá-lo:
Engraçada a sua reacção quando viu o presente: “Um comboio para pintar, que bom, eu adoro pintar!”
Ele já tem pintado várias coisas e eu sabia que ele gostava de pintar, mas não sabia que gostava tanto, pois normalmente é a irmã que lhe sugere sempre “queres fazer uma pintura?” ou “vamos fazer um quadro para oferecer”, ou “vamos pintar uma tee-shirt para oferecer” no aniversário de uns e outros.
Mas desta vez vi que o gosto pela pintura é mesmo genuíno. No dia a seguir à festa, ainda cá estava o primo, meteram “mãos à obra”, gesso no molde, sempre a confirmar se já estava seco e já se podia pintar o comboizinho e, ao final do dia, pintura! Os dois, um de cada lado, um pinta a janela outro o “telhado” outro a chaminé, outro uma roda, outro outra… “et voilá!”:

Entretanto, passaram-se umas semaninhas e já cá está o primo outra vez, muita brincadeira, jogos, filmes, construções em lego, teatro (ir ao teatro, desta vez “Os Cinco Sentidos”, da Cativar), praia (Tróia e andar de ferry-boat, eram três, a vizinha e amiguinha também foi) e de novo, a pintura! (Como sempre, coordenada pela Catarina _ eu também gosto de pintura e de pintar com ele, mas como ela gosta muito, normalmente ela é que “gere” essa parte, guarda os materiais, etc., etc.).


Duas telas pequeninas, uma para um outra para outro. O Alexandre pintou um teleférico para dar ao primo, o primo um comboio para dar ao Alexandre. Bonito… não é?





E no fim de oferecerem os quadros um ao outro, o primo quiz fazer também um desenho do quadro do teleférico que o Alexandre lhe ofereceu:


A fábrica, depois de pronta (a construção inicial foi um pouco alterada entretanto…):
A fábrica vista de cima:
Passados uns 15 dias, assim de repente, estávamos todos juntos e estavam também os namorados das irmãs. O namorado da mana Celina fuma, mas como não se pode fumar cá em casa, ele vai lá para fora. O Alexandre apercebeu-se que ele ia fumar e rapidamente procura um papel e um lápis e desenha o que se segue (um dístico que mostrou ao namorado da irmã assim que ele voltou a entrar em casa: “Proibido Fumar”):
Nós muito admirados por ele desenhar um boneco assim de repente, o seu primeiro boneco, começámos a pedir-lhe desenhos: “Faz um para mim”, “Eu também quero, faz outro para mim!”. E ele fez mais dois, um para a mana Catarina (da esquerda para a direita, a mana, uma flor, a casa, uma árvore e em baixo a relva do jardim; o boneco já tem cabelos):
E outro para mim (da esquerda para a direita, eu, ele, uma flor e lá em cima, uma nuvem e o sol; já temos orelhas, reparem e eu tenho uns brincos!
Dois dias depois fez um desenho para o pai, para o Dia do Pai (já puz este
que lhe ofereceu com esta cesta de frutas (porque o pai adora frutas, e ele também!):
Entretanto, como tenho contado também no Pés na Relva, (para além de no post que referi anteriormente também contei sobre isso