Todas as crianças “são cientistas”

Bom dia!

Com a frase do título deste post quero dizer várias coisas:

– Que concordo com o que diz John Holt num dos capítulos (o terceiro de seis) do seu livro “Learning All The Time”:

    ” Children are born passionately eager to make as much sense as they can of things around them. The process by children turn experience into knowledge is exactly the same, point for point, as the process by which those whom we call scientists make scientific knowledge. Children observe, they wonder, they speculate, and they ask themselves questions. They think up possible answers, they make theories, they hypothesize, and then they test theories by asking questions or by further observations or experiments or reading. Then they modifiy the theories as needed, or reject them, and the process continues. This is what in “grown-up” life is called the _ capital S, capital M _ Scientific Method. It is precisely what this little guys start doing as soon as they are born. If we attempt to control, manipulate, or divert this process, we disturb it. If we continue this long enough, the process stops. The independent scientist in the child disappears.”

    E um pouco mais à frente, no mesmo capítulo, agora sob o subtítulo “Putting Meaning into the World”:

    “Children do not move from ignorance about a given thing to knowledge of it in one sudden step, like going to a light that has been off and turning it on. For children do not acquire knowledge, but make it. As I said before, they create knowledge, as scientists do, by observing, wondering, theorizing, and then testing and revising these theories. To go from the point of making a new theory to the point of being sure that is true often takes them a long time. Usually, children are not aware of these processes, this scientific method that they are continually using; they do not know that they are observing, theorizing, and testing and revising theories, and would be surprised and baffled if you told them so. At any particular moment in their growth their minds are full of theories about various aspects of the world around them, including languagge, which they are constantly testing, but not for the life of them could they tell you what these theories are. We cannot help these unconscious processes by meddling with them. Even when we are trying our best to be helpful, by assisting or improving these processes, we can only do harm.”

– Que, todas as crianças fazendo isto, todas as crianças “são cientistas” sem o saberem que são (e para quê sabê-lo?) e todas as crianças são particularmente inteligentes.

Felizmente, quanto a mim, já fomos alargando o nosso parco conceito de inteligência, embora ainda seja do senso comum e do uso comum o restrito conceito de inteligência relacionada com a capacidade de raciocínio abstracto. Como podemos ler, por exemplo numa página da wikipédia, na década de 1990, uma equipa de pesquisadores da Universidade de Harvard, liderada por Howard Gardner, desenvolveram a teoria das múltiplas inteligências abrangendo vários tipos de capacidades e habilidades.

No outro dia, numa conversa com uma amiga, contava-me ela sobre a iluminada resposta de uma mãe, a quem a professora chamava a atenção sobre o seu filho, o qual considerava, genericamente, “um aluno com dificuldades”: “Com dificuldades, o meu filho? Havia de o ver a fazer surf e a andar de patins!”

– Que, ainda em relação ao conceito de inteligência, foi ao Robiyn que ouvi a explicação mais abrangente do que é a inteligência, sobre o que temos normalmente um conceito equivocado (assim como muitos outros conceitos e práticas), o que não posso explicar aqui, ocuparia páginas e ainda assim não faria juz à sua muito própria explicação. Só mesmo ouvindo da fonte!…

– Que foi também em workshops do Robiyn que ouvi a explicação de como as crianças nascem todas capazes de nos mostrar, a nós adultos, o que realmente é a Sabedoria, a Vida, e que não há crianças especiais, ou melhor, todas são especiais e únicas, assim como cada um de nós é especial e único e convive com a criança que é e sempre foi, é “só” deixarmos de a atrofiar e deixarmos de empatar a nossa energia em limitações, memórias e emoções que assumimos como “desequilibradas”, “desta e de outras vidas”.

Digo “só”, entre aspas, porque realmente é apenas e muito simplesmente isto, mas para mim tem sido um trabalho hercúleo, tantas e tantas as camadas destas memórias que eu nem tinha a noção que “carregava” e mais máscaras e máscaras que fui acrescentando num processo de adaptação e sobrevivência que deixei fazerem-me crer necessário, desviando-me do ser que verdadeiramente sou.

– E quero ainda dizer, em relação às crianças, que podemos constatar facilmente tudo isto acima, gostando delas, observando-as e abstendo-nos de lhes querermos ensinar alguma coisa, deixando-as dar livre curso ao seu processo de “Putting Meaning into the World”.

É como se imaginássemos aparecer aqui algum ser que viva numa outra civilização bastante mais desenvolvida não só em termos tecnológicos, mas em termos emocionais, de relacionamento entre os seres e outras características e, já que está aqui connosco, nesta Terra e civilização, entre estes seres “humanos” e demais seres que habitam este Planeta, e sendo da sua vontade connosco conviver e confraternizar, empenha-se fortemente em “conhecer” tudo o que se passa ao seu redor, as características naturais do local e dos seres que o habitam, as actividades que desenvolvemos e os conceitos que fabricámos (muitos deles nonsense 🙂 …). Um pouco como quando nós próprios vamos viver para um país diferente (ainda que no mesmo Planeta!) e temos que (e queremos!) nos familiarizar com uma nova língua, novos hábitos e costumes, uma nova cultura, novo clima, novas paisagens!…

Pessoalmente, todos os dias me sinto grata por ter tido os meus três filhos, os ter acompanhado passo a passo na sua tenra infância e sempre acompanhado de perto à medida que foram crescendo, por apreciar as suas tão diversas características e habilidades. E agora com o Alexandre, por podermos, eu e o Pedro, pôr em prática os novos entendimentos que fomos tendo sobre a educação e a escolarização.

Obrigada meus amores!

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E obrigada a todos vós! Até ao próximo post, dia 26, Lua Nova!

 

Caderno Verde

Naves Espaciais

O Alexandre tem vindo a demonstrar um crescente interesse por naves espaciais.

Num próximo apontamento, neste Caderno Verde, mostrarei como outros seus interesses levaram a este; hoje quero apenas mostrar-vos como se tem “debruçado” sobre o assunto.

Já andava às voltas com os bonecos do filme “Wall-E” e tinha construído com a mana Catarina, esta “nave”, à semelhança do que lhes parecia a casa do “Wall-E”:

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Mesmo antes dessa “construção”, ele tinha-me vindo dizer um segredo (“Mãe, vou dizer-te um segredo”), bem baixinho, ao ouvido: “Mãe, para irmos para outro planeta temos de ir de nave espacial…

Entretanto, no Natal, a Catarina ofereceu-lhe um livro, “Como Funcionam As Coisas”; o livro ficou um pouco de parte, enquanto “explorou” os novos brinquedos, mas aqui há dias, ao folhearem-no, deram com o “lançamento”  do Vaivém Espacial (Space-Shuttle):

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Andou entusiasmadíssimo nesse dia e nos seguintes, a simular, com as mãos, o lançamento do vaivém, a fazer os sons das “explosões” iniciais, a ir largando os “depósitos de combustível” vazios e alguns módulos da nave que deixam de ser necessários e a dizer à irmã que já tinha andado numa nave igual àquela. “Já andaste numa nave destas???”. “Sim, – confirmou – quando “estava na barriga da mãe”!”

Entretanto o Pedro foi buscar outro livro que já tínhamos, “Máquinas em Movimento”, onde falam do projecto Apollo:

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E no dia a seguir lembrou-se que temos o filme “Apollo 13” e pôs o filme para o Alexandre ver, a partir da parte do lançamento da nave (o resto é “muita conversa” para ele, ainda) e ele viu vezes sem conta o lançamento e eles já no espaço a “nadarem” dentro da nave sem a gravidade, a brincarem com os objectos que não “caem”, chegava a uma parte de mais conversa e pedia para voltarmos ao lançamento e assim repetindo e repetindo…

Dias depois, a mana Catarina resolveu construir com ele outra nave, agora uma parecida ao Vaivém Espacial:

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(Ainda era para ser pintada de branco, mas ele não quiz 🙂 . E uma amiga nossa deu a ideia de a cobrirmos com folha de alumínio, mas ele também não quiz 🙂 ).

E nos dias seguintes tem brincado com ela de várias maneiras, inclusivé construindo, ele próprio, várias “plataformas de lançamento”, como esta, por exemplo:

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Não estamos propriamente a seguir o projecto trimestral da Meninheira do blogue Dálle Un Coliño, foi algo expontâneo e “puxado” por ele, como têm sido a maior parte das actividades, mas enquadra-se perfeitamente 🙂

E ainda, por “coincidência”, o meu tio que vive em Coimbra (é músico, de profissão, sempre apreciei muito o seu trabalho) e começou há pouco tempo a trocar e-mails comigo, reencaminhou-me há uns dias umas fotos da NASA sobre a montagem da Nave Espacial Discovery – Actividades antes do voo raramente vistas pelo público. Esse e-mail veio mesmo a calhar! O Alexandre adorou ver.

E, entretanto, descobrimos cá por casa este lápis-estojo-de-lápis,

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que depressa passou a ex-lápis-estojo-de-lápis,

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tornando-se num foguetão!

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8 Respostas so far »

  1. 1

    meninheira said,

    A vida sao pequenas coincidências 🙂

    Eu vou contratar aos teus engenheiros pequenos, que coisas bonitinhas fazem!!!

    Um beijinho *

  2. 2

    isabeldematos said,

    😀 Meninheira! 😀

  3. 3

    Paula said,

    Adorei a resposta dele: “quando estava na barriga da mãe!”

  4. 4

    isabeldematos said,

    🙂 Ele diz que já fez muitas coisas, “quando estava na barriga da mãe” 🙂 Memórias… 🙂

  5. 5

    Ana Paula said,

    Tens um prémio no meu blog para ti.

  6. 6

    […] A transformação de um antigo estojo de lápis, num foguetão (com este a simulação do lançamento era mais real, pois podia ir “perdendo pedaços” (soltando os módulos) pelo caminho!  : […]

  7. 7

    […] entender “Como As  Crianças Aprendem”. Um pouco também como escrevi no post “Todas As Crianças São Cientistas“: “É como se imaginássemos aparecer aqui algum ser que viva numa outra civilização […]

  8. 8

    […] as crianças são cientistas; (posts I e […]


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