O que gostamos de fazer e o Ensino Doméstico

 

Olá a todos!

Pois vou continuar com o tema do post anterior…

Também sei que muitos de nós temos mesmo profissões onde fazemos quase 100% aquilo que gostamos e que nos deliciamos vendo os seus frutos e como isso faz ainda outras pessoas felizes.

Mas muitos também, estamos aquém das nossas potencialidades.

Esta é também uma das razões porque sinto que a possibilidade do “homeschooling” pode ajudar um pouco, pois desde crianças, ou melhor, desde a altura que começamos a frequentar a escola, que estudamos e aprendemos, a maior parte das vezes, a troco de notas e não por prazer ou verdadeiro interesse no assunto (o Robiyn fala neste aspecto das notas e de como a sua existência desvirtua a natural aptidão das crianças nas suas palestras sob o tema da educação).

É preciso ter nota positiva (ou “boa nota”) a Matemática, Português, Inglês, História, Geografia, Estudo do Meio e mais umas quantas disciplinas, tudo ao mesmo tempo e não temos espaço nem tempo para aprofundarmos os temas que mais nos interessam, “descurando” outros, senão não passamos.

O ensino doméstico, da forma como actualmente a lei está estabelecida, ajuda um pouco, mas não é o ideal. As crianças têm mais liberdade sobre o que e como aprendem/descobrem, mas não estão isentas de avaliação, de ser sujeitas a exames e mais umas quantas performances quanto a mim desnecessárias.

E do aprender para passar de ano ou para ter notas altas passamos para a escolha do curso profissional ou superior a frequentar sem ter muito bem a noção às vezes nem do que constam os cursos quanto mais do que poderemos fazer como profissão para os aplicar. E é muito cedo para escolhermos e se para alguns os testes psicotécnicos ajudam, para outros, nem por isso…

Se calhar a questão nem é o ser “muito cedo”, mas sim porque até à altura  de escolhermos não nos levaram nenhuma vez “ao terreno”, aos locais onde se exercem as mais variadas profissões para sabermos como é, o que fazem essas pessoas, como, e muitas coisas mais. Grande parte da nossa vida escolar é vivida Sentados a Ouvirmos alguém transmitir conhecimentos ou a realizarmos tarefas que nos são exigidas (e não feitas por iniciativa própria), muito embora sob a certeza de que “é para nosso bem”.

Numa parte (forte) do seu livro “How To Children Fail” (a editora portuguesa traduziu para “Dificuldades Em Aprender”), John Holt ilustra bem o que acabei de dizer indo ao ponto de comparar as reacções que as crianças e os jovens têm às perguntas e constante avaliação que lhes fazem na escola às reacções que muitos prisioneiros de um campo de concentração tiveram numa tentativa interior de se sentirem menos humilhados. É melhor inteirarmo-nos desta sua comparação lendo o livro, isto dito assim parece um pouco absurdo e fora de propósito, mas no contexto de todo o livro tem muito sentido.

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Outra forma que ilustra um pouco estas imposições às crianças sob a capa das boas intenções, de as ajudarmos e do que é melhor para elas, da educação e da cultura (não quero dizer com isto que penso que os nossos filhos não devem ser cultos e educados), é o filme “A Vedação”. Fui vê-lo ao cinema juntamente com todo o grupo que estava nesse dia a participar desse  workshop do Robiyn. Fomos vê-lo para sentirmos e reflectirmos um pouco sobre o que será verdadeiramente ajudar alguém (quando é que estamos a ajudar ou quando estaremos a impôr conceitos e preconceitos e nesse caso a desajudar…). Também tem a ver com a Educação, a aculturação, o que falei acima e muitas outras coisas… Para quem nunca viu o filme, é vivamente aconselhável (é um filme muito forte, não deve ser visto por crianças…).

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A nossa proposta, com o Alexandre, é enveredarmos o melhor possível pelo “Unschooling” (o melhor possível, pois, como já disse, o que é legal em Portugal é o “HomeSchooling”, mas ainda assim há vários preceitos que poderemos seguir, tais como não observar currículos nem manuais e, como temos já vindo a praticar, seguir os interesses dele, que o levarão a pesquisar e a assimilar várias matérias.

Voltando ao exercer as nossas potencialidades, fazer o que gostamos, exprimir e dar uso aos nossos talentos… estamos sempre a tempo, por mais que em certa altura da vida por esta ou outra razão nos tenhamos sentido “impedidos”, “limitados” ou qualquer outra restrição, para fazê-lo. Estamos sempre a tempo.

E é para fazermos algo em relação a isso que quero propor, mais daqui a uns tempos, neste blogue, umas acções que possamos desenvolver e que quero também pedir-vos ideias, sugestões que possamos concretizar, neste sentido, por pequenas coisas que sejam.

Continuaremos com este tema…

Até para a semana, dia 11, Lua Cheia, dias belos para todos e obrigada pela interacção.

 

Caderno Verde

Jogos, ainda…

Bom, há outros jogos, de natureza diferente dos quatro que falei nos dois apontamentos anteriores, que o Alexandre também gosta de jogar. Já falei neste num post do blogue Pés Na Relva: o Hospital das Brincadeiras 2 (também temos o 1, ele vai jogando um e outro). Conforme se pode ver nesse post, é um jogo inventado e totalmente feito pelo Espaço Cativar.

Ele gosta muito de saber coisas sobre o corpo humano, daí o seu interesse por este jogo que está muito bem feito, tem músicas bonitas e bem cantadas e é muito divertido (ele ri-se muito com umas brincadeiras que fazem à “bactéria Valéria” 🙂  ).

 
Também pus umas fotos dele a jogar o jogo num outro post no Pés Na Relva, sob o tema interesse pela escrita.

Há jogos interessantes para as crianças, com um pouco de paciência conseguimos descobri-los.

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7 Respostas so far »

  1. 1

    […] número 3?” Fomos até à “número 9… E depois lembrou-se logo do jogo do “Hospital das Brincadeiras” (quando clicam leiam na parte do “Caderno Verde”), que é muito bom para […]

  2. 2

    Rosa Murteira said,

    Boa tarde.
    Sou Rosa Murteira e tenho um filho matrículado no 7º ano numa escola pública portuguesa, mas quero optar pelo ensino doméstico e não sei quais os passos a seguir.Agradecia que me dessem indicações quer sobre o funcionamento desta via de ensino, quer como fazer para solicitar esta via de ensino. Agradeço a atenção dispensada e aguardo a V/ preciosa ajuda, pois de momento sinto-me um pouco desorientada, pois não sei a quem me dirigir para optar pelo ensino doméstico.
    Meus cumprimentos, Rosa Murteira

  3. 3

    Olá Rosa! Seja bem-vinda.
    Enviei e-mail…
    Um abraço
    Isabel

  4. 4

    […] faça muitas outras coisas que “me preenchem”. Como comecei por por contar neste post e neste e neste […]

  5. 5

    Tânia Bôto said,

    Boa tarde!
    Tenho um filho com Trissomia 21 que frequenta o 3º ano de escolaridade, numa escola pública. Para mim e para o meu marido faz sentido que ele frequente esta escola até a 4ª classe, mas depois disso, no 5º gostariamos de optar pelo ensino doméstico, mas estamos perdidos, pois não sabemos os passos a seguir. Agradecia que me dessem indicações dos passos a seguir, onde requerer como funciona e se é possivel optar por este tipo de ensino, sendo o meu filho uma criança com necessidades educativas especiais. Obrigado pela vossa atenção e espero a vossa resposta!
    BJS!!
    Obrigado

  6. 6

    Bem vinda, Tânia.
    Vou enviar-lhe e-mail…
    Um abraço
    Isabel

  7. 7

    […] Já falei mais vezes deste filme neste blog, como por exemplo, neste post. […]


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