Representações, Abstracções, Símbolos… Falar, Ler, Escrever II

Boa noite a todos!

Em relação ao último post, em alguns parágrafos quiz acrescentar informações relacionadas. Para não alongá-lo muito, resolvi colocar isso agora neste outro…

Quando escrevi “As palavras tendem a representar o que nos rodeia e os pensamentos que temos e cada vez que as ouvimos e lemos, tendem a formar-se na nossa mente imagens, imagens relacionadas com o que cada um já conhece, ou não farão sentido para nós.”, lembrei-me de um filme que vi por recomendação do Robiyn, o filme “À Primeira Vista” e dos comentários sobre o mesmo, num dos seus workshops, precisamente sobre esta matéria de nós relacionarmos as imagens que vemos a algo que já conhecemos ou não farão qualquer sentido para nós. No filme, um rapaz cego que entretanto recupera a visão, ao ver uma pintura de uma maçã, pela 1ª vez, não consegue distinguir entre a pintura e a maçã real, que também vê pela 1ª vez. Mas só mesmo vendo o filme, para perceber mais detalhes e estando atento a estes pormenores. O Robiyn sempre nos mostrou aspectos sobre os quais habitualmente não reflectimos e nos passam despercebidos, em todos os muitos assuntos que aborda.

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E quando escrevi “Por outro lado existem os vários idiomas criados por nós; uma criança chinesa aprende uma palavra diferente que uma criança inglesa para representar ou referenciar a mesma coisa. E quanto à escrita, o mesmo se passa e ainda com mais nuances (os alfabetos, a sua forma, a sua organização nas páginas (da esquerda para a direita ou de cima para baixo ou…)).”, também me lembrei de mais aspectos abordados nesses workshops, onde o Robiyn nos fez sentir como a nossa mente  é condicionada até pelo nosso processo habitual de escrita, sempre da esquerda para a direita e que o nosso cérebro é capaz de ler um texto globalmente (um pouco o que está na base do método global para aprender a ler) e de muitas outras “proezas” que nós habitualmente não utilizamos, porque nos condicionamos (como se colocássemos umas pálas que não nos deixam ver o resto); falou-nos de um processo de escrita um pouco mais “produtivo” que o nosso, o Bustrofédon, explicando-nos precisamente porque o considera “mais produtivo”; também nos disse que formas de nós descondicionarmos um pouco a mente será escrevermos (e lermos) de várias maneiras diferentes, com a mão esquerda (para quem habitualmente escreva com a direita), por exemplo, ou de trás para a frente, ou em espiral ou…, etc, etc e explicou que por isso utiliza formas diferentes nos livros e capas de cd’s, “estudadas” para o efeito, pois ao vermos essas formas não habituais e não padronizadas, a nossa mente “abre-se” logo um pouco a outras possibilidades. (Poderia passar o dia, ou dias, a falar das muitas coisas interessantes que ouvi e pratiquei nos workshops do Robiyn e ainda assim nunca vos passaria um trilionésimo nem saberia explicar tudo. Refiro apenas alguns ínfimos aspectos, por estarem directamente relacionados com os “temas” destes posts e porque, como mencionei num dos primeiros posts deste blogue, gosto de referir as fontes onde fui “beber” a informação e nem sequer tenho como não falar, “pela rama”, de algumas experiências maravilhosas que tive _ “pela rama” porque não dá para transmitir desta forma, escrita, a sua essência, só cada um vivendo as suas experiências que vivenciará sempre de uma forma própria e diferente da minha_, pois fazem parte da minha vida e da forma como hoje vejo as coisas, inclusivé nesta área da “educação” e destas muitas outras possibilidades, mais harmónicas, de interagirmos com as nossas crianças).

E para terminar por hoje, quando escrevi “E perceber que toda a lógica associada ao idioma praticado pela comunidade onde estamos inseridos pode ser uma “lógica pouco lógica”, pouco natural e de difícil entendimento por parte dos demais (sejam crianças ou não…), por isso as nossas crianças não têm dificuldades de aprendizagem, têm facilidade em descortinar outras lógicas que para elas fazem mais sentido, não têm déficites de atenção, têm a atenção focalizada noutros aspectos para elas muito mais interessantes (talvez ainda com a agravante que lhes tentam passar estes códigos e estas representações inventadas por outros sem sequer se darem ao trabalho de lhes mostrar o que realmente aquilo significa. E se experimentarem pedir a uma criança que invente um idioma, um código, verão a rapidez, facilidade com que inventam um).”, pensei ainda num trecho do livro de John Holt, “Como As Crianças Aprendem”:

” Muito recentemente encontrei Jill, de três anos, filha de um casal de amigos que há tempos não via. Ela mantinha-me entretido na biblioteca, falando e mostrando-me coisas. A certa altura disse “Quer ver o que o meu irmão fazeu?” Respondi que adoraria. Pôs-se de pé, em cima do tapete à minha frente, baixou a cabeça até ao chão, foi dobrando o corpo devagar e finalmente deu uma cambalhota. Espantoso! “Agora vou dar uma grande”, disse e deu outra. Enquanto dava outras tantas cambalhotas, eu pensava em como introduzir na nossa conversa uma frase que tivesse a palavra fez. Passado um tempo mencionou outra vez o irmão e eu perguntei: “Ele faz muitas coisas para tu veres?” Ela disse que sim e eu aproveitei: “Deves ter gostado muito quando ele fez aquilo”. Ela respondeu “Sim, gostei”. Depois de outras cambalhotas, fez mais alguma coisa e disse: “Ele fez isto também”.

Alguns minutos depois, quando o pai estava na sala, mostrou de novo a cambalhota e disse: “Foi isto que o Jamie fazeu”. Não me surpreendi. Leva tempo a que as crianças se sintam confiantes numa nova forma de fazer ou dizer algo e, para esta criança, fazeu deve ter parecido mais consistente gramaticalmente, como de facto o é, mais razoável e mais correcto, provavelmente, do que fez. E de novo, passado um tempo, eu disse outra frase em que usei fez e de outra vez, quando teve a oportunidade de dizer uma frase que envolvia aquela forma verbal, ela disse fez. Não foi necessário nada mais que isso. Os sentidos das crianças são aguçados. Elas notam tudo e gostam de fazer as coisas como os adultos fazem. Se falamos correctamente elas ouvem-nos e logo começam a falar como falamos.”

Numa revisão à sua primeira edição, John Holt acrescentou:

” ” Não foi necessário nada mais que isso…” Nem mesmo isso era necessário. O que fiz foi um erro, não algo necessário nem mesmo útil, e se continuasse a fazê-lo provavelmente seria prejudicial. Não foi prejudicial naquele breve momento que passámos juntos: ela estava muito atenta a mim e à sua cambalhota para que pudesse notar que eu estava a tentar corrigir a sua fala. Mas, se me conhecesse melhor e se eu tivesse insistido naquela direcção, certamente ela teria notado. Um adulto que esteja interessado principalmente nas cambalhotas de uma criança não fala no mesmo tom que um que esteja interessado em encontrar formas de corrigir o que ela fala, e as crianças são muito boas em reconhecer a diferença.

Como costuma acontecer, passaram alguns anos sem que voltasse a vê-la. Este foi, portanto, o final da minha pequena experiência em “correcção da fala”. Porque fiz aquilo, se eu já sabia que era descortês e errado  corrigir a fala das crianças de modo directo e aberto? O diabo do professor em mim foi o responsável. Eu simplesmente não pude resistir à súbita tentação de ser esperto o suficiente para corrigi-la sem que ela percebesse. Mesmo que a minha experiência tenha funcionado, e mesmo que Jill tenha percebido a utilização da palavra certa, teria sido melhor que ela descobrisse aquilo no seu próprio tempo e à sua maneira. Além disso, se pensarmos que a cada vez que falamos com uma criança devemos ensinar-lhe algo, a nossa fala pode tornar-se calculada e falsa e levar a criança a pensar, como acontece actualmente com tantos jovens, que tudo o que se fala é mentira e trapaça.

Eu teria resistido à tentação de corrigir esse pequeno “erro” infantil se não tivesse, como tantos adultos, vivido sob o feitiço da Teoria dos Maus Hábitos de Aprendizagem. Essa teoria afirma que, cada vez que uma criança comete um erro de leitura, de escrita ou do que quer que seja, devemos instantaneamente corrigi-la, impedindo que o erro se cristalize num “mau hábito”, que depois se torna impossível de corrigir. A teoria é simples e totalmente falsa. A maioria das coisas que as crianças aprendem, o que inclui tudo o que aprendemos quando crianças_ andar, falar, ler, escrever, etc. _ aprendem-nas tentando, cometendo “erros” e depois corrigindo os erros. Aprendem pelo método que os matemáticos chamam de “aproximações sucessivas”, isto é, fazem algo, comparam o resultado obtido com o desejado _ como gente grande faz _, constatam algumas diferenças _ os “erros” _ e tentam reduzir essas diferenças _ corrigem os próprios “erros”. Todas as crianças fazem isto e fazem bem. Mesmo nas casas dos mais zelosos correctores de erros, as crianças corrigem muito mais “erros” que elas mesmo descobrem do que os que os outros lhes apontam.”

E no mesmo trecho que referi acima do que escrevi no último post, agora em relação ao “não têm déficites de atenção, têm a atenção focalizada noutros aspectos para elas muito mais interessantes” de novo me lembrei do Robiyn e do que fala sobre a concentração ou a suposta falta dela, a distracção, que nós nunca estamos distraídos, estamos sempre concentrados em algo que pode não ser aquilo a que à partida queremos ou nos pedem para estar concentrados, portanto, não existe falta de concentração.

E agora sim, vos deixo com mais um apontamento do Caderno Verde. Um até para a semana, dia 17, Quarto Minguante e um grande abraço para todos!

 

Caderno Verde

Ler, Escrever…

 As letras, como símbolos, fazem parte de alguns brinquedos brinquedos cá de casa…

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Mesmo tendo a noção de que o melhor é o Alexandre ter contacto com textos completos, livros de histórias, frases completas que, a seu tempo, destrinçará, a nosso ver, não faz mal nenhum que esteja também familiarizado com as letras soltas que ele sabe que precisa de juntar para formar palavras e frases, representando o que possa querer comunicar por escrito.

Este comboiozinho foi a irmã, Catarina, que lhe ofereceu (e, foi sim, o seu nome, a primeira palavra que o Alexandre aprendeu a escrever, de muitas formas (“à mão”, no computador, juntando letras como estas do “comboio”), para além de algumas outras palavras meio “estranhas” (as passwords para os computadores   🙂  ):

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Eu aprendi a ler e a escrever com o apoio da minha avó que tinha a antiga 3ª classe, tinha eu 4 anos. Isto porque adorava uns “cubos com letras” que os meus pais me tinham oferecido (parecidos com estes, mas mais bonitos, quanto a mim, e só com letras; quando quiz comprar parecidos para a Catarina, só encontrei estes):

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Eu pedia à minha avó para escrever, “com os cubos”, uma data de palavras, que ela escrevia e eu depois copiava. Passado pouco tempo escrevia “cartas” para enviar aos meus pais que na altura estavam em Moçambique (um ano depois eu e a minha irmã fomos lá ter com eles, que tinham ido primeiro só com o nosso irmão que era mais pequenino…), também com a ajuda da minha avó.

Também há uma característica engraçada nas “escritas” do Alexandre, quando quer escrever, cartas, bilhetes, frases mais compridas que ele não sabe ainda escrever sozinho: pede para lhe mostrarmos qual é a letra específica que falta, no teclado do computador e depois vê-a e copia-a, “à mão”…

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11 Respostas so far »

  1. 1

    Patrícia said,

    “ou de trás para a frente, ou em espiral”

    Isso fez-me lembrar uns textos que eu fiz (será que ainda existem? ou já foram para o lixo numa “daquelas arrumações”…) em espiral, em quadrados que iam-se fechado cada vez mais até chegar ao ponto final, em circunferência, etc quando andava na escola secundária…

    “Alguns minutos depois, quando o pai estava na sala, mostrou de novo a cambalhota e disse: “Foi isto que o Jamie fazeu”. Não me surpreendi. Leva tempo a que as crianças se sintam confiantes numa nova forma de fazer ou dizer algo e, para esta criança, fazeu deve ter parecido mais consistente gramaticalmente, como de facto o é, mais razoável e mais correcto, provavelmente, do que fez. E de novo, passado um tempo, eu disse outra frase em que usei fez e de outra vez, quando teve a oportunidade de dizer uma frase que envolvia aquela forma verbal, ela disse fez. Não foi necessário nada mais que isso. Os sentidos das crianças são aguçados. Elas notam tudo e gostam de fazer as coisas como os adultos fazem. Se falamos correctamente elas ouvem-nos e logo começam a falar como falamos.”

    Verdadeiramente Brutal!!!

    “Não foi prejudicial naquele breve momento que passámos juntos: ela estava muito atenta a mim e à sua cambalhota para que pudesse notar que eu estava a tentar corrigir a sua fala. Mas, se me conhecesse melhor e se eu tivesse insistido naquela direcção, certamente ela teria notado.”

    O que é pior é o facto de nas escolas os professores não terem capacidade/não estarem interessados nesta abordagem… É castigar os alunos que se enganam a falar e a escrever!

    ” as crianças são muito boas em reconhecer a diferença.”

    Lá isso são, só para verem: estou a frequentar um curso de Apoio Parental neste fim de semana e a minha postura mudou, a minha abordagem à minha filha também se alterou e a forma de ela fazer as coisas também. Agora ela pensa (não é que anteriormente ela não pensasse, atenção) melhor nas coisas; como por exemplo, no comer. Ela leva mais tempo “a ruminar” aquilo que eu lhe digo!!!

    “a nossa fala pode tornar-se calculada e falsa e levar a criança a pensar, como acontece actualmente com tantos jovens, que tudo o que se fala é mentira e trapaça.”

    Muito bom!!! Existe por lá (no curso de Apoio Parental) um professor de Educação Visual (acho eu. Sempre me fez muito confusão este “Educação Visual”, sempre achei que o “Visual” – a nossa visão, em última análise – não precisava de ser “Educada”, mas adiante) Ele queixava-se de que os alunos dele achavam tudo “uma seca”… E porque seria (pergunto eu) ;o)

    “Eu teria resistido à tentação de corrigir esse pequeno “erro” infantil (…)Todas as crianças fazem isto e fazem bem. Mesmo nas casas dos mais zelosos correctores de erros, as crianças corrigem muito mais “erros” que elas mesmo descobrem do que os que os outros lhes apontam.”

    Muito bom mesmo!!!

    Olha Isabel, nem sei o te diga…

    Continua com o excelente trabalho!!!

  2. 2

    meninheira said,

    Isabelinha, nao queres participar no meu proxecto semanal com estas letrinhas? 🙂

  3. 3

    Meninheira, claro que participo! O que devo fazer? Envio-te as fotos ou não é preciso, “puxas” daqui? E nas primeiras, ele estava a fazer uma casinha com os mosaicos das letrinhas, só que não cheguei fotografar a parte já com o telhado! Diz-me então o que é preciso… Beijinhos e obrigada!

    Patrícia, os livros de John Holt, são todos assim, cheios desta compreensão profunda que ele tem sobre a forma como as crianças aprendem e como respeitar e não “destruir” essas capacidades e curiosidade nata. Eu ponho aqui uns excertos que vêm a propósito do tema que estou a abordar, nada mais. E cada vez mais presto atenção a essas particularidades do crescimento das crianças a fim de fazer o melhor que actualmente sou capaz em relação ao nosso filho.
    Muitos beijinhos e obrigada pelos teus comentários.

    Isabel

  4. 4

    Patrícia said,

    O John Holt ganhou mais uma fã!!!

    Só estou à espera que o livro venha…

    Muito obrigada e beijinhos

  5. 5

    meninheira said,

    Isabelinha, tú tens de deixar a ligaçao ao vosso proyecto semanal e eu ligo. Mas como ja vi, apanho eu a foto e a ligaçao 😉

    beijinhosssss

  6. 6

    valebom said,

    Esse filme é espectacular. Foi um dos filmes que me tocou lá bem no fundo. Tinha-me esquecido dele. Obrigada por me avivares a memória.

    Quanto ao John Holt…. já comprei o “Dificuldades em aprender” e também estou a adorar.

    beijocas

  7. 7

    E o “Learning All The Time”, também é espectacular. Só há é em inglês.
    Ainda bem que gostaste da Catarina a representar e que a tua filhota gostou do teatrinho. O Alexandre adora. Há outras histórias também muito giras (no site da Cativar, na Agenda, dá para ir sabendo. Mesmo quando é destinado às escolas, durante a semana, dá para ir…)
    Obrigada!
    Muitos beijinhos
    Isabel

  8. 8

    Patrícia said,

    “Dificuldades em aprender”

    Já percebi… tenho de comprar TODOS os livros dele!

    Quando Gosto (mesmo) de um autor, regre geral, tenho de ter todos os livros dele (até hoje houve poucos autores nessa situação). Vou é comprá-los à medida das necessidades, porque a vida está cara… ;o)

    “dá para ir sabendo. Mesmo quando é destinado às escolas, durante a semana, dá para ir…”

    Isabel,

    estou neste momento a Mudar de Vida (ia escrever: “estou neste momento a tentar mudar de vida”, mas a verdade é que estou mesmo a Mudar de Vida) e não tenho muito tempo livre, infelizmente (para a minha filha e para mim, que também gosto muito disto – “coisas para crianças”). Mas dentro em breve, quem sabe? ;o)

    A Catarina tem muito jeito para criar um imaginário para crianças e isso não é nada fácil. Faz-me lembrar outro teatrinho que nós fomos em Vila Franca de Xira, na Biblioteca…

    Beijinhos e muito obrigada.

  9. 9

    […] são representações, abstracções, símbolos, do Todo que existe, a Natureza (posts I, II, III, IV e V), será mais fácil para nós, pais, sabermos deslocar-nos da vivência para a […]

  10. 10

    […] e a seguinte de novo da direita para a esquerda tal como a escrita Bustrofédon (da qual já falei aqui). Começa num prédio (canto inferior direito) e seguem-se outras casas e vários postes  de […]

  11. 11

    […] “Seguindo os seus interesses II“ “Seguindo os seus interesses III“ “Representações, Abstracções, Símbolos… Falar, Ler, Escrever II“ “Projectos _ ideias a implementar por várias pessoas em vários locais […]


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