Representações, Abstracções, Símbolos… o Tempo

Bom dia  todos!

Como disse no final do último post, continuamos hoje com uma outra representação, abstracção, sistema simbólico, ainda mais subtil e, por isso, menos fácil ainda de realizarmos que o seja – o Tempo.

Todos sabemos que, mediante a observação dos movimentos de rotação e de translacção da Terra, organizámos o nosso calendário, ajustando as diferenças às nossas conveniências, no intuito de nos facilitar a nossa organização.

A Rute, do Publicar para Partilhar, em tempos, publicou um post onde rapidamente podemos relembrar essa organização.

Também sabemos que existem outros calendários que várias outras civilizações foram adoptando, alguns dos quais respeitando muito mais os ritmos e ciclos naturais que a nossa actual versão do calendário romano. Para referir alguns exemplos, o calendário Maia (algumas imagens, no Google, aqui), o calendário Celta (mais informação sobre o calendário celta aqui e aqui) e muitos outros de todas as antigas civilizações…

A forma como hoje em dia “vivemos o tempo”, condicionada a todos os aspectos formais e de interesse social, cada vez nos vai afastando mais dos nossos ritmos biológicos e naturais, sendo um dos vários factores que interferem com a nossa saúde. Sobre isto, é muito engraçado e ilustrativo um texto extraído do livro Papalagui, que já foi transcrito pela Rute, no seu blogue, aqui.

Por outro lado, meditando um pouco sobre o Tempo, muitos de nós temos a percepção que algo transcende essa medição contínua e ininterrupta que nos faz afirmar que o tempo não pára e a passos largos nos conduz à velhice e à morte. Ouvi já várias pessoas convictas de que o “tempo não existe”, eu própria o dizia, em teenager e o escrevia nos meus poemas “O tempo não existe”, nem sabendo muito bem porque o dizia, sentia-o, quando me projectava no espaço onde há outros planetas, outras rotações e translações, outros tempos, ou num espaço sem rotações e translacções, sem ciclos, “sem tempo”, infinito e eterno!

Sempre me interessou muito este aspecto do tempo físico que afinal não é assim tão “estático na sua dinâmica”, ou melhor, tão “linear” como o pensamos ser e li alguns livros de alguns cientistas que investigam o assunto. O primeiro livro que comprei, nesta área, foi o “Breve História do Tempo” de Stephen Hawking, em 1988.

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Num dos muitos aspectos que foca, mostra-nos que qualquer acontecimento “presente” tem associado um “cone de luz do futuro” e um “cone de luz do passado” e que, “por exemplo, se o Sol deixasse de brilhar neste momento, não afectaria os acontecimentos actuais da Terra. Só saberíamos o que se tinha passado daí a oito minutos, o tempo que a luz do Sol leva a alcançar-nos. (…) Do mesmo modo, não sabemos o que está a passar-se neste momento mais longe no Universo: a luz que nos chega provinda de galáxias distantes deixou-as há milhões de anos. Assim, quando observamos o Universo, vemo-lo como ele era no passado.”

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E Hawking explica também, neste livro (para além de muitos outros aspectos), de forma muito perceptível aos não estudiosos de Física (com exemplos, esquemas e sem utilizar equações matemáticas), algumas predições da Teoria da Relatividade Geral de Einstein, posteriormente testadas e confirmadas.

Uma que eu acho muito interessante é a de que “o tempo parece decorrer mais lentamente perto de um corpo maciço, como a Terra. A um observador situado num ponto muito alto parecerá que tudo o que fica por baixo leva mais tempo a acontecer. Esta predição foi testada em 1962, com dois relógios muito precisos, instalados no topo e na base de uma torre de água. Verificou-se que o relógio colocado na parte de baixo, que estava mais perto da Terra, andava mais lentamente, em acordo absoluto com a relatividade geral. A diferença de velocidade dos relógios a alturas diferentes acima do globo é agora de considerável importância prática, com o advento de sistemas de navegação muito precisos, baseados em sinais emitidos por satélites. Se se ignorassem as predições da relatividade geral, a posição calculada teria um erro de vários quilómetros!

As leis do movimento de Newton acabaram com a ideia da posição absoluta no espaço. A teoria da relatividade acaba de vez com o tempo absoluto.

Consideremos dois gémeos: suponha que um deles vai viver para o cimo de uma montanha e que o outro fica ao nível do mar. O primeiro gémeo envelheceria mais depressa que o segundo. Assim, se voltassem a encontrar-se, um seria mais velho que o outro. Neste caso, a diferença de idades seria muito pequena, mas podia ser muito maior se um dos gémeos fosse fazer uma longa viagem numa nave espacial a uma velocidade aproximada à da luz. Quando voltasse, seria muito mais novo do que o que tivesse ficado na Terra. Isto é conhecido por paradoxo dos gémeos, mas só é um paradoxo se tivermos em mente a ideia de tempo absoluto.

Na teoria da relatividade, não existe qualquer tempo absoluto; cada indivíduo tem a sua medida pessoal de tempo que depende de onde está e da maneira como se está a mover.

Caso vos interesse ler mais sobre o Paradoxo dos Gémeos podem procurar assim mesmo no Google onde há páginas com o exemplo e a explicação.

 E com tudo isto para reflexão, me despeço até para a semana (continuaremos com “O Tempo II”), dia 31, Quarto Crescente. (Já agora, esta “semana” que consideramos mais “natural”, de fase da lua em fase da lua, e que explicámos no 1º post deste blogue ser a que iríamos adoptar, bem como a comemoração do novo ano que começa na Primavera, é uma forma de, aqui, nos aproximarmos dos ritmos naturais…)

Beijinhos para todos!


Caderno Verde

Noção do Tempo

Uma das coisas que mais me custou neste acompanhamento ao Alexandre no seu processo de “putting meaning in the World” (como diz John Holt), foi quando há pouco tempo atrás ele começou, aos poucos, a ter a noção, humana (ou quase que me atrevo a dizer, artificial, construída por nós), do tempo.

Pode parecer-vos estranho eu estar a dizer isto, mas foi de facto o que senti quando ele começou a testar, perguntando-me , ainda “inseguro” do que estava a dizer, “E a seguir a hoje o que é que é? É amanhã? E antes de hoje?”

Podem acreditar, senti “o coração descer aos pés” seguido do pensamento “Pronto, já está a começar a percepcionar isto do tempo…”

Isto porque adorava constatar como os pequenos sempre vivem no presente (coisa que eu tanto “trabalhei”, sobretudo após ter conhecido o Robiyn, para viver e apreciar e agradecer o que vivo a todo o instante, sem estar constantemente focalizada no passado e/ou no futuro _ no meu caso, mais no futuro, estou frequentemente projectada para lá e custa-me manter-me aqui, o que é algo tão pouco eficiente como o “vivermos no passado”).

Verifiquei muitas vezes com o Alexandre que é mesmo verdade, as crianças vivem o presente.

Por exemplo, percebi que quando ele estava a comer, digamos, morangos (normalmente comemos a fruta antes da refeição) e eu lhe perguntava “E a seguir aos morangos, queres as batatinhas?”, ele automaticamente “saltava para as batatinhas”, “Sim, quero as batatinhas, já” e não terminava os morangos com os quais se estava a deliciar. E já não havia como fazê-lo comer os morangos.

No início não dei muita importância, mas à medida que foi acontecendo duas, três, todas as vezes, percebi que era mesmo a história do “presente” que estava aqui em causa. Ele não entendia o antes e o depois, qualquer coisa que se fala ou faz é agora. E deixei de antecipar as coisas. Só no fim dos morangos é que falo nas batatinhas. E só no fim das batatinhas em qualquer outra coisa que goste.

O mesmo se aplica a sair ou ir passear ou alguma coisa. Não adianta perguntar no dia anterior se amanhã quer ir à praia. Na altura é que se vê (mesmo que ele me tenha respondido no dia anterior, a resposta era sim ou não conforme lhe apetecesse na altura, sabe-se lá o que apetece amanhã?)!

De forma que, quando ele começou a fazer aquelas perguntas a situar-se nos dias (também já pergunta “hoje é Sábado? Ou Domingo?”), o meu coração ficou apertadinho… como vou agora resolver isto? O rapaz mais tarde ou mais cedo vai conhecer os dias, as semanas, as horas, os meses e por aí fora… se lhe começo a falar já de todos os calendários existentes (informação não solicitada 🙂  ), ainda crio uma baralhação qualquer… e se alguém sabe disto ainda me chama maluca(!), agora não quero que o meu filho aprenda as horas ou tenha a noção do tempo!!!

De facto, há certas particularidades que eu gostaria que ele mantivesse o mais possível. E este viver focados no que de facto estamos a viver, a alegria, o entusiasmo, a criatividade, a beleza, são várias delas.

Vamos ver como resolver…  o que me parece sempre o mais sensato é seguir o processo natural e à medida que ele vá solicitando informação, “fornecer”. E o que é sempre importante, o exemplo que damos: se nós vivermos em “função do tempo”, programas, agendas, horários, stresses, não há como ele não apreender isso. Como, vá lá, cá por casa somos um tanto “descontraídos” nesses aspectos e fazemos por nos aproximar dos ritmos naturais e biológicos, pode ser que este meu apertozinho do coração tenha sido “alarme falso”  😉

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5 Respostas so far »

  1. 1

    Patrícia said,

    Isabel,

    mas eles tem de crescer!

    A minha filha costumava dizer “sápuuuuuuuuuuuuu” com aquela vozinha, agora ela diz “sápu”, qualquer dia está a dizer “sapo”… eu tenho (e vou ter) muita pena… mas pelo menos eu dei valor ao “sápuuuuuuuuuuuuuuuuuu” dela, dentro de mim!

    Mas eles tem de crescer!

    ” o calendário Celta (mais informação sobre o calendário celta aqui e aqui)” ADORO tudo que seja celta!

    “Na teoria da relatividade, não existe qualquer tempo absoluto; cada indivíduo tem a sua medida pessoal de tempo que depende de onde está e da maneira como se está a mover.“

    Uma coisa estranha que me aconteceu à dias, eu ia de carro e olhei para o relógio do carro marcava 10:45, passado uns bons momentos olhei novamente… e marcava 10:45… No mínimo estranho, não?!

    Beijinhos

  2. 2

    A questão não é essa, é o que é crescer! Deixá-los crescer sem lhes irmos destruindo aos poucos as suas inatas capacidades de viver o presente com entusiasmo e alegria, de ver a beleza, de serem criativos e aprenderem naturalmente.

    Também já me aconteceu igualzinho a essa do relógio do carro (e outras que tais… 😉 )
    Beijinhos (hoje não vamos à oficina dos sons, nem ontem fomos aos origamis)
    Isabel

  3. 3

    Patrícia said,

    “hoje não vamos à oficina dos sons, nem ontem fomos aos origamis”

    Já respondi no Pés na Relva! ;o)

    “A questão não é essa, é o que é crescer! Deixá-los crescer sem lhes irmos destruindo aos poucos as suas inatas capacidades de viver o presente com entusiasmo e alegria, de ver a beleza, de serem criativos e aprenderem naturalmente.”

    Compreendi! Cada vez menos eu corrijo a minha filha… adoro as “imperfeições” dela!!! Acho que me tiram anos de cima (até parece que sou muito velha… hihihih…). A última “imperfeição” dela (que agora ela já diz correctamente) foi “bete” que queria dizer “babete”…

    Beijinhos

  4. 4

    […] são representações, abstracções, símbolos, do Todo que existe, a Natureza (posts I, II, III, IV e V), será mais fácil para nós, pais, sabermos deslocar-nos da vivência para a representação […]

  5. 5

    […] a ver livros infantis e eu a dar uma olhadela pelos que me interessavam. E assim comprei o “Breve História do Tempo” do físico quântico Stephen Hawking, o “Ilusões”, de Richard Bach, o […]


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