Unschooling

Olá a todos!

Ao longo dos … últimos posts venho-os categorizando na categoria 3-Unschooling (podem ver na barra direita, as categorias), com as várias alíneas a)-Todas As Crianças São Cientistas, b)-Só a Informação Solicitada, c)-Aprender por Saltos, d)-Seguindo Os Seus Interesses, e)-Representações/Abstracções/Símbolos…, por serem as características mais marcantes inerentes ao Unschooling que me fui apercebendo ao longo dos textos de John Holt que fui lendo, absorvendo, interiorizando, comprovando (muitas vezes “antecipadamente”) nas observações e acompanhamento em relação ao crescimento do meu filho mais novo que até hoje nunca “foi à escola”.

O termo Unschooling foi de facto “criado” por John Holt para transmitir algo “para além do Homeschooling”, ou melhor, para que não haja tendência em transferir para o ensino doméstico as práticas correntes nas escolas.

Pat Farenga, em “Teach Your Own”, no Prefácio ao livro, refere mesmo isto:

“Our innate ability to learn by experience and exemple is so powerful that we are  practically programmed to teach the way we were taught in school. We’ve all spent so much time in school that it’s difficult for us to imagine that there actually are other ways to live and learn in our current society. Therefore, it’s very easy to duplicate conventional schooling at home. After all, we know what school is like from our own experiences as students, perhaps even as teachers, and when we homeschool our own kids, that word “school” connects it all for us. In response to the prevailing definitionn of the word “school”, John create the word “unschooling” to describe how we help children learn without duplicating ideas and practices that we learned in school.”

Há quem traduza o termo/conceito como “Aprendizagem Autónoma”, “Aprendizagem Natural”. Podem ler aqui e aqui e em vários outros posts da Paula do Aprender Sem Escola.

E de facto, foram mesmo estes “grupos de características” mais marcantes desta filosofia/prática, o Unschooling de John Holt, que me foram surgindo, como preceitos a ter em conta quando enveredamos por esta opção em relação à “escolaridade” dos nossos filhos:

Todas as crianças são cientistas; (posts I e II)

A informação por eles solicitada é a informação que eles vão apreender;

As crianças “aprendem” “por saltos”;

E “aprendem” seguindo os seus interesses, raciocínios, ramificações dos vários assuntos conforme lhes surgem, ligações que fazem (porque está tudo interligado, de facto, a existência é una…); (posts I, II e III)

Tendo em conta que as nossas comuns “áreas de saber” são representações, abstracções, símbolos, do Todo que existe, a Natureza (posts I, II, III, IV e V), será mais fácil para nós, pais, sabermos deslocar-nos da vivência para a representação e orientá-los nesse sentido, por forma a que as múltiplas representações, abstracções, símbolos, sistemas esquemáticos ou o que lhe quisermos chamar deixem de ser um mistério para as crianças, um conceito estranho sem ligação a coisa nenhuma e seja “automaticamente fácil” para eles apreender essas formas de “conhecimento” que criámos para comunicar, representar, “o saber”.

E mesmo sobre o conceito de Aprender, será que aprendemos mesmo algo? A palavra correcta será mesmo esta? Num dado trecho da introdução ao seu livro “Teach Your Own”, John Holt diz assim sobre o conceito de aprender:

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“As thime went on I began to have more and more doubts even about the word “learning” itself.

One morning in Boston, as I walked to work across the Public Garden, I found myself imagining a huge conference, in a hotel full of signs and posters and people wearing badges. But at this conference everyone seemed to be talking about breathing. “How are you breathing these days?” “Much better than I used to, but I still need to improve.” “Have you seen John Smith yet _ he certainly breathes beautifully.” And so on.

All the meetings, books, discussions were about Better Breathing. And I thought, if we found ourselves at such a conference, would we not assume that everyone there was sick, or had just been sick? Why so much talk and worry about something that healthy people do naturally?

The same might be said of our endless concern with “learning”. Was there ever a society so obsessed with it, so full of talk about how to learn more, or better, or sooner, or longer, or easier?

Was not all this talk and worry one more sign that there was something seriously the matter with us? Do vigorous, healthy, active, creative, inventive societies _ Periclean Greece, Elisabethan England, the United States after the Revolution _ spend so much time talking about learning? No; people are too busy doing things, and learning from what they do.

These ideas led into my book Instead of Education where I tried to make clear the distinction between doing, “self-directed, purposeful, meaningful life and work” and education, “learning cut off from life and done under pressure of bribe or threat, greed and fear.” Even as I wrote it I planned a  sequel, to be called Growing Up Smart _ Without School, about competent and useful adults who during their own childhood spent many years out of school, or about families who right now were keeping their children out.”

Também nos workshops Renaskigi – A Arte de Viver Em Harmonia, orientados pelo Robiyn, modifiquei por completo o conceito que tinha sobre a aprendizagem, uma vez que percebi que nós não aprendemos nada, descobrimos, redescobrimos e, em ultima análise, já sabemos tudo, basta-nos sintonizar com a sabedoria. Parece um pouco bombástica esta afirmação, mas à medida que se vai percebendo como a maioria dos conceitos generalizados estão equivocados, à medida que se vão praticando exercícios, inclusivé os de apreender matérias sem qualquer esforço e técnicas espectaculares para se utilizarem nos estudos com resultados imediatamente visíveis, consolida-se isto mesmo: para além de não ser possível sermos ensinados, também não aprendemos, redescobrimos o que, no fundo, já sabemos, qundo muito vamos apreendendo, dando sentido (“putting meaning into the world“, como diz John Holt).

E para terminar hoje este post, uma outra reflexão: a maior dificuldade, quanto a mim,  que cada um dos pais encontra quando envereda pela opção de não escolarizar os filhos, é algo que tem a ver com a escolarização dos próprios pais, isto é, a dificuldade de descartarmos tudo o que se nos foi somando após vários anos de escolarização (uns mais, outros menos).

De novo a Paula do Aprender Sem Escola, colocou um artigo sobre isto mesmo num dos seus posts, intitulado “Descolarizar os Pais“. Parece-me uma tarefa imensa, mas de facto, à medida que nos vamos descolarizando, melhor sabemos lidar com a não escolarização dos nossos filhos, melhor saberemos não travar e, por outro lado, apoiar o seu processo natural de “putting meaning into the world” (gosto desta expressão    😉     ).

Beijinhos a todos, até para a semana, dia 15, Quarto Minguante!

 

Caderno Verde

Viva o pai!

Hoje não é dia do pai, mas apetece-me dizer , “viva o pai, viva o pai do Alexandre!”. Vou esclarecer:

Sinto-me sempre grata, por estarmos todos, em família, juntos nesta opção do ensino doméstico, ou seria para mim muito mais difícil, por “trabalhar por conta de outrém”. E como cada um de nós tem temas específicos em que se sente mais à vontade, o Alexandre tem um grande leque de actividades diferentes, de informações, de práticas, que vai experimentando com uns e com outros.

Sinto-me ainda grata, porque eu e o Pedro “dividimos” (multiplicamos!!!   🙂  ) o tempo que passamos com a Alexandre, as actividades, as brincadeiras (com as ajudas pontuais de todos os membros da família e mais alguns, como já disse).

E delicio-me com a paciência deste pai para as crianças e jovens, não só a dele, mas outras (amigos, vizinhos) e as actividades/passeios em conjunto que empreende. Por exemplo:

No ano passado, numa das férias escolares (já não me lembro em que época) de alguns dos jovens e crianças nossos vizinhos, o Pedro combinou ir com o filho e com eles ao Oceanário:

Lisboa-Oceanario

saíam todos juntos do nosso prédio, munidos das suas lancheiras, iam apanhar o comboio até “ao Oriente”, dirigiam-se ao Oceanário, encontravam-se lá com o meu irmão e o meu sobrinho que também tinham vindo de propósito para a visita (lá pela 3ª ou 4ª vez, que eles os dois são fãs dos peixinhos… e também vegetarianos!),

Pomacentrus_caeruleus_thumbvisitavam, lanchavam no fim, voltavam de comboio. E foi o que fizeram, pelo que tive uma tarde absolutamente só para mim      😉     .

Quando chegaram, vinham ” estafados” e contentes, com tudo para contar!

E o engraçado foi um dos nossos vizinhos (já dos seus 13 anos), agradecer e dizer que tinha sido um dos melhores dias da vida dele (o tédio que não deve ser para ele a rotina casa, escola…)! Só essa frase devolveu o sorriso ao rosto do Pedro que, ao final do dia, já estava um bocadinho “em baixo de forma”, como é compreensível, responsável durante toda a tarde por duas crianças e dois jovens.

Já este ano, repetiu a dose, com outro itenerário: levou-os a todos ao Parque de Santo António na Costa da Caparica para brincarem juntos, andarem de bicicleta, comerem gelados…

DSC01226DSC01228

E já andam a combinar uma ida à praia, agora que parece que o calorzinho se vai instalar… (num dia de semana, assim que começarem as “férias grandes” dos pequenos que vão à escola).

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Querido pai Pedro!

Obrigada!

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5 Respostas so far »

  1. 1

    Patrícia said,

    “uma vez que percebi que nós não aprendemos nada, descobrimos, redescobrimos e, em ultima análise, já sabemos tudo, basta-nos sintonizar com a sabedoria.”

    É bem verdade! De cada vez que eu digo uma coisa nova à minha filha (com quase 2 anos) ela “agarra” essa coisa com uma rapidez (mesmo que não saiba ainda dizer com as letras todas) e faz uso dessa mesma informação… “cola-a” como que uma segunda pele.

    Hoje aconteceu uma coisa muito engraçada: estando ela sentada na nossa cama, eu disse-lhe: “Põem-te de pé” e ela, como já sabe a onde fica o pé, resolveu mostrar-me o pé e eu: “Não é para mostrares o pé, é para pores-te de pé” e ela mostrava-me o pé… Ou seja, estava a pôr o “pé” numa frase que ela não entendia ainda.

    Dei um salto muito grande!

    Beijos

  2. 2

    😀

    Beijinhos também para vocês!
    Isabel

  3. 3

    Patricia, estivemos de ferias esta semana, quase sem aceder a net, por isso a minha resposta tao curta.
    Ja voltamos!
    Quero agradecer te os teus comentarios (e agora estou sem acentos!), pois tens contribuido muito contando as experiencias que tens tido com a tua filha. Gosto muito, pois assim podemos ter um leque variado de experiencias anotadas aqui no blogue. Muito obrigada!
    Se quiseres, podes tambem contribuir com posts vossos para o Pes Na Relva para o qual contribuem varias familias!
    Beijinhos
    Isabel

  4. 4

    Patrícia said,

    Ok, Isabel.

    Ainda não tenho a minha filha em ed, mas espero com expectativa o dia em que isso – ver a minha filha em ed – possa acontecer…

    É essencialmente por isso mesmo (por a ter na “colinha” – tradução, na escolinha) que eu ainda não me aventurei a escrever mais do que respostas aos teus posts (que gosto muito de ler).

    Shiuuuuuuuuuuuuuuuu… Não vou fazer ó-ó… hehehhehe… (já estava a imaginar a cara da minha filha a fazer com o dedinho o shiuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu e o ó-ó… ;o) Vou-te contar um “segredo”… Posso?!

    COMECEI FINALMENTE A LER O LIVRO: “Como aprendem as crianças”, do (nosso querido) John Holt!!!

    IUPIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

    Juntamente com “a minha bíblia” de amamentação (“Tudo sobre amamentação”, de Hannah Lothrop) só tenho pena que tenham sido livros escritos (por volta dos) anos 70 e só (+/-) 30 anos depois é me tenham chegado às mãos…

    Como (quase) todos os Grandes livros, chegaram tarde… mas vão fazendo grande jeito!!!

    Beijos

  5. 5

    Boa! Vais gostar 🙂
    Beijinhos
    Isabel


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