Interligações

Olá a todos!

No último post, sob o título “Unschooling”, juntei várias coisas que andava a dizer ao longo dos posts anteriores.

Hoje vou juntar tudo, ou seja, falar de como para mim, o Unschooling e a abordagem da educação de outros pontos de vista que os de hoje ainda os mais comuns, se junta a outros aspectos da Vida, porque está tudo ligado.

Tenho tido facilidade em sentir as ligações entre tudo.

E então, senti-me em casa, quando comecei a frequentar os workshops do Robiyn que faz essa ligação entre tudo, vive-a, transmite-a.

Ao longo de vários posts neste blogue tenho vindo a fazer referência a vários aspectos desses workshops, uma vez que tenho sempre como propósito revelar as fontes das várias informações que aqui coloco e tendo sido através dessas minhas vivências que tive acesso a grande parte dessas informações (e práticas!). Tal como não posso esquecer que foi “a fonte” de mudanças e transformações profundas em mim, na forma como via “embaciadamente” muitas coisas e como fui aos poucos adoptando um modo de vida cada vez mais coerente com o que passou a fazer sentido para mim.

Então hoje este post, dedicado às Interligações, é também dedicado ao Robiyn, que usa uma das frases mais deliciosas, para mim, quando “salta” de um aspecto ao outro: “Anda Tudo De Mão Dada”, diz-nos ele, o que em mim me conduz à imagem de todos nós e todos os seres e todas coisas, de mãos dadas uns com os outros, eternamente ligados por algo, uma essência que nos é comum e que às vezes percebemos de facto existir.

Assim, vou ainda juntar aquilo que poderei dizer mais sobre o Robiyn e o teor dos workshops (que quando quero dizer algo sobre eles nunca sei como fazer dada a imensidão de coisas para dizer não resumíveis em itens ou num esquema) com aquilo que eu queria explicar de como para mim esta outra abordagem sobre a educação está ligada com muitos outros aspectos que passaram a fazer parte da minha /nossa vida _ o vegetarianismo, o parto natural, a ecologia, … e vou colocar aqui o que escrevi num e-mail que troquei com uma das minhas novas amigas que conheci através do fórum do grupo do ensino doméstico, quando me perguntou que workshops eram esses sobre educação, que eu tinha a dada altura mencionado:

“São os mesmos de que falo muitas vezes, os workshps do Robiyn. Eu fiz muitos workshops com ele, pois ele aborda muitos temas e tudo o que pus em prática deu resultado. O Robiyn não usa uma técnica específica quanto à educação, nem sequer fala em educação positiva. Não te consigo explicar muito bem o trabalho do Robiyn, pois para ele está tudo ligado, a educação das crianças, os partos naturais, os cuidados que temos com o planeta (a ecologia), o respeito para com todos os seres e para com a vida (aí também se insere a filosofia inerente ao vegetarianismo), outras formas de vermos a economia e o dinheiro, a forma de lidarmos uns com os outros mesmo com as pessoas com quem temos problemas, muitos e muitos outros temas. Resumindo, tudo ligado através de maneiras possíveis de nos sentirmos integrados harmonicamente no Todo que é a Vida.

Normalmente as pessoas sentem-se mais atraídas por um ou outro tema ou  por alguns ao mesmo tempo. Eu percebo isso todos os dias, uns estamos mais interessados em ecologia, outros em humanização dos partos, outros no respeito palas crianças e pelas mulheres, outros numa educação mais livre para as nossa crianças, outros numa alimentação saudável e como vivermos de forma mais saudável e natural, outros nas medicinas alternativas, mas vejo que muitos, no geral, focando mais um aspecto ou outro, estamos interessados em mudar de vida, para uma forma mais natural, mais livre, com mais sentido de viver. Quanto a mim, o  interessante é perceber que faz tudo parte de uma mesma coisa. 

E daí que também vejo que o trabalho que o Robiyn faz através dos seus
workshops que não só sensibilizam para determinados assuntos como
também nos dão “ferramentas” que podemos usar para nos ajudar a sair de
todas as formatações que vimos tendo desde crianças e a libertar de preconceitos e a mudar muitos dos conceitos existentes que nos limitam e a ajudar a libertar-nos de medos e sei lá quantas coisas mais, às vezes, quando falo simplesmente nisso às pessoas parece muito estranho, porque normalmente ninguém faz isto tudo ao mesmo tempo.
 
O Robiyn não é nenhum guru nem nenhum mestre nem nenhum esotérico nem nenhum espiritualista nem nenhum religioso. É uma pessoa muito prática que quando as pessoas começam a querer perceber tudo muito intelectualmente é capaz de nos fazer perceber que não interessa perceber nada com a cabeça, mas sim com o coração, através de pormos em prática atitudes, comportamentos, com amor e carinho. Arranja sempre algum exemplo prático para o percebermos, dá-nos exercícios práticos para fazermos, explica-nos como fazer relaxamentos e mais umas quantas técnicas, diz que os nossos grandes problemas advêm de separarmos tudo, “por exemplo, na medicina tradicional, quando temos uma dor de cabeça, dão-nos um comprimido para a dor de cabeça (que entretanto é capaz de nos fazer mal ao estômago e ao dedo do pé), em vez de se perceber qual é a causa da dor de cabeça e tratar a causa (nós podemos ter dores de cabeça por causa de um problema no fígado e o problema no fígado vir simplesmente de uma sobrecarga devido à alimentação” e coisas que tais…).
 
 
DSC01613
 O Robiyn nasceu em Goa, na Índia, e tem uns avós ou bisavós portugueses, não sei bem, estudou cá enquanto pequeno e depois viveu em Inglaterra, na Austrália e ultimamente, antes de voltar para Portugal, viveu muitos anos no Brasil vivendo também alguns períodos no Panamá e na Costa Rica. Já deu workshops em muitos países, inclusivé nos Estados Unidos e no Canadá, na Grécia, na Finlândia e em muitos mais. Um dos trabalhos dele foi ser aviador (pilotava aviões), mas cedo começou a dar palestras e cursos nesta área que ele sempre sentiu como sendo o que tinha que fazer, desde que, na Austrália, aprendeu certas técnicas como a regressão e muitas outras, as aplicou a si próprio e foi aperfeiçoando técnicas próprias que mais ninguém usa que ajudam efectivamente a relaxar e a libertar-nos de tudo o que nos limita e nos trava a sermos as pessoas maravilhosas que somos e todos os seres são.
 
Por outro lado, não é nenhum santo milagreiro, não faz milagres, os milagres, se eles existem, somos nós que os fazemos, o trabalho é todo nosso. E é isso que custa às vezes às pessoas perceber (e assumir e “pôr mãos à obra”), que nós é que nos deixamos enredar numa teia que nos faz ver a vida muito cinzenta e que só nós é que podemos nem sequer é desfazer a teia, construir algo de novo, fazer algum trabalho muito difícil ou complicado de construir tudo desde o início, é simplesmente deixar de fazer o que costumamos fazer para complicar, deixar de fazer as coisas “de uma forma desequilibrada”, deixar de construir uma teia entrançada que nos prende a ela e pura e simplesmente voltar ao que sempre fomos, uma criança inocente, ávida, construtiva, capaz de inventar tudo, de perceber tudo, de correr de braços abertos, de fazer coisas pelo simples prazer de as fazer (e estou a usar palavras minhas, ou seja há muitos mais adjectivos maravilhosos e coisas maravilhosas que as crianças sabem fazer…).
 
Há muitas formas. Nós somos desde pequeninos condicionados a muitas coisas, pelos pais, pela escola, pela religião, pela sociedade (e também há algumas memórias e alguns medos que trazemos de outra vidas). Por isso é que, voltando ao que nos fez falar nisto no início, é muito importante a forma como nós, conscientes de tudo o que fomos condicionados em pequenos, vamos hoje educar as nossas crianças. Um pai ou mãe que sempre ouviu gritos em pequeno ou que foi de alguma forma maltratado ou a quem não deixavam fazer nada ou não ligavam nenhuma ao que dizia porque achavam que uma criança não sabe o que diz e não tem direito a ter opiniões próprias, tem sempre tendência a fazer o mesmo aos filhos. Ou, pelo contrário, a ser tão revoltado contra o que lhe fizeram que cai no extremo oposto de permitir tudo e mais alguma coisa. O mesmo pai ou mãe que entretanto ficou consciente disto e consegue libertar-se de todos os problemas que isso lhe causou, sem entrar num processo de culpabilização dos seus próprios pais ou de outros factores “externos”, sem assumir um papel de vítima e sim assumir a sua responsabilidade em viver de forma integrada e harmoniosa, obviamente não vai fazer o mesmo aos seus filhos nem ir para o extremo de fazer tudo ao contrário só para não ser igual ao que tanto o revoltou, e sim, vai encontrar as formas naturais, carinhosas e amorosas e ao mesmo tempo certas, porque são tranquilas e sentidas, de ajudar e apoiar os filhos a desenvolverem as suas próprias características (que podem ser tão diferentes das nossas), os seus gostos e aptidões que não são os mesmos para todas as crianças, a reconhecer o ser único que elas são e ajudá-los a descobrir as próprias asas; o “papel” de uma mãe, é quase esse, ser o casulo onde a lagarta se desenvolve e cria as próprias asas para voar! E sai cada borboleta linda!”  (digo quase esse porque no fundo, esse “é o papel” de cada um, sermos nós próprios o casulo e a lagarta que se transforma em borboleta).

Esta, a imagem da lagarta a metamoforsear-se em borboleta, é a “imagem de marca”, digamos, da Renaskigi (o nome que o Robiyn deu ao tema genérico do trabalho que desenvolve com as pessoas, que é uma palavra em esperanto, língua universal, e que significa “Fazer-se renascer a si próprio”).

Obrigada por terem lido mais este post e obrigada por “andarmos todos de mão dada” cada um a fazer o melhor que a cada momento sabe, tem consciência para o, fazer.
 
Até para a semana, dia 22, Lua Nova, belas interligações para todos!

 

Caderno Verde

Ligações Visuais

Estava sentadinha e de repente olho para o computador do Pedro (que tem sempre milhentas imagens em contínuo movimento) e vejo “um mosaico” mesmo a condizer com o “quadro” em cima, na parede, que o Alexandre ofereceu ao pai, no Dia Do Pai de 2008, tinha ele 4 anitos (autores: Alexandre e Catarina).

Ora vejam:

A vista do conjunto:

DSC01066As imagens em mosaico no computador:

DSC01067O “quadro” (técnica: colagens e pintura a lápis de cor),

DSC01069DSC01070O motivo inspirador e que também faz parte do quadro  🙂

DSC01071

 

 

 

 

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7 Respostas so far »

  1. 1

    Paula said,

    “o respeito para com todos os seres e para com a vida (aí também se insere a filosofia inerente ao vegetarianismo)”

    Sabes, com a experiência da horta apercebi-me da quantidade de bichinhos que morrem devido ao cultivo de verduras, legumes, cereais, hortaliças, etc. Por exemplo, à procura de uma solução para as lesmas, larvas e caracóis que me andam a comer as plantinhas todas à noite, fiquei chocada ao ver que até nos livros sobre o cultivo biológico a recomendação é matá-las, mas usando métodos “naturais”, porque é melhor para o meio ambiente espezinhá-las ou usar sal do que usar produtos químicos!

    Eu, é claro, recuso-me a matar as criaturas, por isso agora penso nas plantinhas como uma oferta aos bichinhos, que têm tanto direito de comer quanto nós!

    Beijinhos

  2. 2

    Olá Paula!
    (Estivémos de férias 🙂 )

    Sim, também concordo contigo. Para mim, a opção pelo vegetarianismo é apenas um passo, um tanto já significativo no que respeita à vida dos animais, mas ainda há tanto para fazer!
    Vamos fazendo os ajustes conforme vamos podendo (e querendo! 😉 ).

    Muito obrigada pelo teu comentário e muitos beijinhos para vocês (já vi, no teu blog como a vossa horta vai “de vento em popa”! Também tivémos uma semaninha de campo, nestas mini-férias, mais à volta das árvores de fruto e de fazer pão e comidinha no forno de lenha, vou por um post, brevemente…)

    Beijinhos, de novo
    Isabel

  3. 3

    Patrícia said,

    Isabel,

    eu já sabia (e tinha lido) o quanto gostavas do John Holt e dos seus livros/trabalho… mas com este post…

    Olha… superaste-te!!!

    “estamos interessados em mudar de vida, para uma forma mais natural, mais livre, com mais sentido de viver. Quanto a mim, o interessante é perceber que faz tudo parte de uma mesma coisa. ”

    Finalmente entendi o porquê de uma pessoa amiga me ter dito que eu não podia-me aplicar só numa coisa e porquê que me sentia muito melhor tendo vários projectos em mão.

    E sim, quero mudar de vida!!! Que a anterior já me sufocava!!!

    Muito obrigada, Isabel.

    Quando nos encontrarmos temos mais um assusto para falar.

    ;o)

    Beijinhos

  4. 5

    Rute said,

    Gostei particularmente destas expressões utilizadas:

    …na forma que via “embaciadamente” muitas coisas…

    …nós é que nos deixamos enredar numa teia que nos faz ver a vida muito cinzenta…

    …o papel da mãe é mesmo esse, ser o casulo onde a lagarta se desenvolve e cria as suas asas.

    Muitos reflexivos estes textos. Beijinhos.

  5. 6

    […] muitas espécies de coisas”, como ele diz (o que também tem uma certa ligação com o meu post sobre as “interligações”      […]

  6. 7

    […] inserida nos seus workshops “Renaski^gi, a Arte de Viver em Harmonia” (expliquei um dia no post “Interligações” aqui neste blog o que significa Renaski^gi e algumas coisas sobre o teor desses workshops). No fim-de-semana […]


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