Tranquilidade quanto ao percurso

Vivam! Aqui estamos para mais um “post”.

Hoje vou partilhar um pouco da postura “tranquilidade é eficaz” em relação a tudo, neste caso , em relação à “aprendizagem escolar” das crianças.

Quando as minhas filhas mais velhas eram pequenas, “foram para a escola”. Já aí sempre fui muito “relaxada” quanto ao seu “desempenho escolar”, a começar logo pelo primeiro ciclo onde eles ainda são tão pequenos, sempre me pareceu “non sense” as avaliações, críticas ao desempenho dos pequenos, stresses e tudo o mais.

Na verdade, nunca fiz trabalhos de casa com elas (aliás, quando os trabalhos que traziam para casa eram “intermináveis” desencorajava-as a fazê-los e comprometia-me a ir lá falar com a professora), uma vez ou outra e já lá para os 7ºs, 8ºs anos, dei-lhes uma ajudinha em alguns problemas pontuais de matemática, que não estavam a interpretar bem. Nunca andaram em explicações, excepto a Celina no final do 12ºano, para fazer o exame de Física, pois nunca teve Física durante os 3 anos lectivos (10º, 11º e 12º) correspondentes ao exame a realizar. Teve durante dois meses 2 horas de explicação por semana para entender a matéria dos 3 anos, foi a exame e teve 14, a  mesma nota que tiveram os alunos do professor que lhe dera as explicações que tinham tido 18 durante o ano lectivo.

Outra história: a Celina como faz anos em Dezembro entrou para o 1º ano com 5 anos, “doeu-me o coração” na altura, era tão pequenina… No 1º dia desse 1ºano do 1º ciclo, quando a fui buscar perguntei-lhe: “Então a professora deu-vos uma lista do material a comprar? Temos que ir comprar as coisas que vão ser precisas…”, ao que ela respondeu: “Lista? Não deu nenhuma lista, só tenho aqui dois papéis…”

Um deles era a lista do material a comprar               🙂              . Lembro-me sempre desta história. E de que nos 4 anos do 1º ciclo da Celina me andavam sempre a dizer (professoras e as educadoras do ATL que já conheciam a irmã, cinco anos mais velha), “Ah, esta tua filha não é nada como a outra (“a outra” já andava no ciclo, tinha sido sempre “certinha”, letra bonitinha, muito jeito para pintar, jeito para as línguas e para a matemática, para a música _ principalmente cantar_ e mais umas coisas e aluna de 4’s e 5’s), é tão trapalhona, tem uma letra terrível, parece que não liga a nada, também, “coitada”, é sempre a mais novinha da turma”. Eu respondia: “A letra? Oh, ainda é pequena, daqui para a frente vão ver que aperfeiçoa a letra, eu também era assim, nos primeiros anos, cada letra era de um tamanho e misturava maiúsculas com minúsculas… E acham que ela não é tão esperta como a irmã? Não sei, são diferentes, também ainda é cedo, logo se vê…”

E continuei a não ligar a nada disso. De tal forma que, quando a minha irmã me conta um dia que a professora do 1º ciclo da minha sobrinha lhe tinha dito que ela era isto e aquilo e que tinha falta de memória e lhe aconselhou a dar uns comprimidos para avivar a memória, eu disse-lhe : “Será que está tudo louco? Nem penses em dar comprimidos à tua filha!” E contei-lhe as histórias da Celina (mais tarde a minha irmã percebeu, por si, e começou a confiar na “inteligência” da sua filha e chegou ainda à constatação de que há “vários tipos diferentes de inteligências”, todas elas válidas e disse-me ainda há pouco que, após ter começado a confiar nas capacidades da filha começou a destrinçar os seus maiores talentos e aptidões e os seus mais acentuados interesses e gostos). Bem, para confirmar, a Celina nos anos seguintes, logo a partir do 5º ano, tinha 5´s a quase todas as disciplinas.

Não é que elas sejam umas “craques”, muito boas alunas, não penso isso. Sei é que stresses e preocupações não levam a lado nenhum e nisto da escola nunca os tive. Sempre confiei que elas desenvolveriam os seus talentos próprios, apesar da escola com os seus currículos e azáfamas e avaliações, tolher muito a expressão desses talentos.

Então agora com o Alexandre em Ensino Doméstico ainda mais tranquilidade sinto, pois esfumaram-se esses “cortar pela raiz alguns talentos” que se verificam a toda a hora nas escolas. E quanto a como vai ele aprender a ler, escrever, matemática, estudo do meio e tudo mais, palavra que não vou ser “professora”. Nem o pai, nem as irmãs. Vou continuar a ser mãe e amiga, vamos continuar a ser a família que somos, cada um com a contribuição do seu próprio ser único e talentoso para o conjunto que somos, família, cidade, planeta, universo…

Nada de escola no sentido hoje mais comum da palavra. Muitas descobertas, muita criatividade, muito respeito pelos interesses de cada um, muito apoio a que cada um desenvolva as suas naturais aptidões, mais novos, mais crescidos, sejam da família ou amigos, é muito isto que gostamos de viver e transmitir vivendo.

Em relação ao Alexandre, como é que vamos “cumprir” o currículo do 1º ciclo (podem baixá-lo aqui)? Depois vou-vos contando… também ainda não sabemos bem, mas sabemos que se vai desenrolar naturalmente e que confiamos nele, tal como confiei e confiamos nas irmãs, nos seus talentos e capacidades que não têm que ser iguais entre todos, nem seguir uma norma “escolarmente” definida. E como é muito a propósito, volto a relembrar este post da Paula do aprender Sem Escola.

Beijinhos, até para a semana, dia 28, Quarto Crescente.

Caderno Verde

Transportes incluindo Naves ligam com Planetas, incluindo a Terra

Da sua paixão pelos transportes/viagens em transportes o interesse deriva para o “Mapa Mundo”, especialmente este, globo, na forma do planeta Terra.

DSC01828

É um “candeeiro” que foi oferecido à Catarina quando ela era pequena (tem bem perto de 20 anos) e agora passou para o Alexandre. Aceso, vêem-se os países muito melhor (“Ali está Portugal”, ele já sabe, “E ali Espanha, onde eu nasci…”).

DSC01827

E há uns dias, ele e a irmã Catarina foram comprar estrelas e planetas luminosos para o tecto, para apreciarmos à noite ao adormecer. “Aquele é o Saturno, sabes mãe já conhecia o planeta Saturno, dos “Little Einsteins”, série da TV que ele gosta (os personagens têm uma nave…),

DSC01829

e ali está a Terra, estás a ver?”,

DSC01831 mostrava-me ele depois da “obra feita” (depois dele e a irmã terem feito o trabalho completo, colocando os planetas no tecto do quarto fazendo mil acrobacias (em cima da cama, com uma vassoura para chegar ao tecto!   🙂    e com “todo o cuidado” para não pisar o pai que já estava a dormir a bom dormir_ há cenas que só mesmo filmadas).

Anúncios

6 Respostas so far »

  1. 1

    Patrícia said,

    Há post em me arrepiam até à medula!!!

    E este é um deles…

    Depois deixo um comentário com mais tempo…

    Beijinhos

  2. 2

    Patrícia said,

    Olá!!!

    ” Já aí sempre fui muito “relaxada” quanto ao seu “desempenho escolar”, a começar logo pelo primeiro ciclo onde eles ainda são tão pequenos, sempre me pareceu “non sense” as avaliações, críticas ao desempenho dos pequenos, stresses e tudo o mais.”

    E se eu te contar que na escolinha da minha filha houve um dia que a educadora dela tinha uma “Ficha de Observação/Avaliação” à minha espera?! A miúda tem dois anos!?

    “Na verdade, nunca fiz trabalhos de casa com elas (aliás, quando os trabalhos que traziam para casa eram “intermináveis” desencorajava-as a fazê-los e comprometia-me a ir lá falar com a professora”

    Não queres ser minha mãe??? Eu prometo que me porto bem!!!!

    Quando eu andava na Universidade e depois da minha mãe me chatear a paciência que não podia sair à noite e tinha de estudar e coisas que tais, chumbei pela primeira vez no meu terceiro ano. Fiz uma única disciplina. Quando fiz pela segunda vez o meu terceiro ano, achei melhor fazer as coisas à minha maneira. Saia quando queria e estudava quando queria, resultado: fiz todas as disciplinas menos uma.

    “Ah, esta tua filha não é nada como a outra”

    Ora aqui está uma coisa que me arrepia até mais não! Se toda a gente sabe que cada criança é diferente e igual a si mesma, digam-me porque é que hão-de estar constantemente com essas conversas. Quando a minha filha nasceu e de cada vez que alguém me perguntava com quem é que ela era parecida eu dizia sempre: “Não sei bem… talvez com ela própria!” É com estas conversas que eu sou tida como mal encarada. Mas o que é que querem…

    “lhe aconselhou a dar uns comprimidos para avivar a memória, eu disse-lhe : “Será que está tudo louco? Nem penses em dar comprimidos à tua filha!”

    Agora consegues imaginar se a tua irmã fosse daquelas que a professora/médico/etc lhe dizem é que está certo?!…

    Também tenho um globo desses em casa da minha mãe, em cima do móvel da sala. Foi lá parar por causa de uma vez do meu irmão, não fosse parti-lo.

    Também tenho dessas coisas luminosas (mais estrelas do mar e estrelas)…

    ;o)

  3. 3

    “E se eu te contar que na escolinha da minha filha houve um dia que a educadora dela tinha uma “Ficha de Observação/Avaliação” à minha espera?! A miúda tem dois anos!?”

    Bem… esta então é que não dá margem para dúvidas: “Está meio mundo louco!” O que é que tu disseste à educadora?

    Também me aconteceu algo do género na Universidade, quando me tentei adaptar ao sistema de estudo de praticamente todos os meu colegas e amigos, a coisa deu para o torto (eles estudavam dias a fio para os exames e na altura dos exames, eu costumava ler a matéria todos os dias nos muito poucos intervalos que tinha, de dez minutos, 15 minutos e aqueles dias antes dos exames eram só para rever alguma coisa nas calmas, tirar dúvidas etc; tinha muito poucos intervalos entre as aulas pois andava na universidade e num curso “médio” (os antigos bacharelatos) de artes, ao mesmo tempo, mas para mim era como me rendia melhor (sempre gostei de ter muitas coisas para fazer ao mesmo tempo e das mais variadas áreas).

    Muito obrigado pelos teus comentários e muitos beijinhos!

  4. 4

    Patrícia said,

    “O que é que tu disseste à educadora?”

    Eu, quando me apresentam um facto como consumado e na minha cabeça esses mesmo facto não está consumado ou quando me apresentam uma coisa verdadeiramente surrial, faço um pouco como tu: “falei, falei, deixei-me em paz!”

    A única coisa que falei é que a educadora escreveu lá que a miúda sabia contar até 3 e na verdade ela sabia contar até 10, mas quando lhe apetecia, como é óbvio! Outra coisa que me fez alguma confusão (apesar de não ter dito nada), foi que ela não sabia como é que se chamavam os pais(??? Dá para entender). O pai dela lá me esteve a dizer que era por ela não saber os nossos nomes… Cheirou-me a muita conversa e pouca sabedoria…

    Principalmente quando ela me ouve a dizer papá quando eu o chamo ou ouve-o dizer mama quando é ele a chamar… Além do mais ela inventou um nome para ela mesma fafada (ela dantes chamava-se fada)!

    “eu costumava ler a matéria todos os dias nos muito poucos intervalos que tinha, de dez minutos, 15 minutos e aqueles dias antes dos exames eram só para rever alguma coisa nas calmas, tirar dúvidas etc; ”

    Eu também, costumava fazer assim: depois de jantar, sentava-me a ver a telenovela, a falar com a minha mãe e a passar os cadernos a limpo! Raramente me enganava a passar a limpo os cadernos… todos os dias da semana. Sempre adorei aprender, sempre detestei ter de provar (num curto espaço de tempo) que tinha aprendido…

    Uma coisa “engraçada” (?) que me aconteceu na Universidade foi ter encontrada os meus cadernos fotocopiados na mão de um aluno que eu não conhecia… será que por ter esses cadernos debaixo do braço ele pensava que o conhecimento se iria transferir por osmose????

    Beijinhos

  5. 5

    🙂

    Beijinhos, Patrícia.

  6. 6

    […] caso não possamos lá ir, aproveitando o seu interesse, desde muito cedo, pelo globo terrestre (aqui, no Caderno […]


Comment RSS · TrackBack URI

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: