Aprender Sem Ensino

Olá a todos! Um bom ano!

Um dos aspectos do unchooling do qual muito gosto é o da possibilidade de respeitarmos a capacidade nata das crianças e de todos nós (sim, porque mesmo se um  pouco paralisada ela ainda está latente) de apreendermos e sabermos sem a necessidade de sermos ensinados, por autoiniciativa, automotivação, desenvolvendo os interesses de cada um.

Reli há pouco um dos capítulos do livro “Teach Your Own” de John Holt, precisamente o que tem por título “Learning Without Teaching”. John Holt reúne nesse capítulo algumas das muitas cartas que pais praticantes do Unschooling lhe escreveram a contar episódios vários passados com os respectivos filhos, frisando precisamente este aspecto tão natural e espontâneo das crianças ainda não escolarizadas e chegando a perceber até, que ao menor sinal de que alguém lhes tenta ensinar algo pré-definido por esse alguém como algo a ensinar à criança, muitas delas resistem a essas tentativas.

Como nestes pequenos trechos:

“A mother writes about another child resisting teaching:

My daughter (3 years old) is in the kitchen teaching herself addition and subtraction on the Little Professor Calculation _ a machine I don’t really prove of _ and every time I give her a gentle hint, she flies into a rage, but when I leave her alone and watch her out of the corner of my eye, I se her doing problems like 3 + 5 = 8!”

“Another father writes:

I have read the books you have written, and between them and Bob (4 years old), I’ve found, for me, the best way to teach is by example, and the best way to learn is by doing. (Bob continually tells us, “I don’t want to know that” when we try to teach him something he doesn’t want to learn.)

Linda and I are impressed how quickly he picks things up, but what impresses me the most is his ability to just sit and think. I never knew young children did that until Bob showed me. He also repeats and repeats things until he has them. We put him to bed at 9 P.M., and often at 11 we can hear him talking to himself as he goes over things he wants to get straight. This is how he learned the alphabet and how to count to 129…

A Paula, do Aprender Sem Escola, colocou um link aqui, para este livro de John Holt disponível on-line (e-book). Penso que a versão on-line é a inicial, só do John Holt, diferente da minha, edição posterior, de John Holt & Pat Farenga.

E aproveitando, a mesma Paula organizou já há uns tempos uma página sobre o Ensino Doméstico na rede social Ning, que podem aceder através deste link e onde podemos usufruir do seu minucioso trabalho de compilação de textos por temas que muito nos facilitam o acesso a uma variada gama de informação sobre o Ensino Doméstico, Unschooling, etc. … muito útil essa sua “lista”.

Voltando ao “Learning Without Teaching”, um outro tema também desenvolvido neste capítulo são as conversas com as crianças sobre vários assuntos, como uma forma muito útil e também muito natural e espontânea neste tipo de aprendizagem, útil também para os pais, pois quase sempre nos surpreendemos com as perguntas, as respostas, os raciocínios, as deduções e as ligações que as crianças fazem. Falei já um pouco deste tipo de conversas neste outro post, no Pés Na Relva (um blog onde participam (escrevem) algumas famílias portuguesas que educam os seus filhos “sem escola”).

E nunca é demais frisar que para nós, pais escolarizados, não é muito fácil deixarmo-nos imbuir por este espírito do unschooling, falo por mim que, como se pode ler abaixo no apontamento de hoje do Caderno Verde, mais uma vez e mesmo o Unschooling fazendo para mim todo o sentido, me deixo levar pelos “estereotipos escolares”, se assim lhes posso chamar, enraizados ainda em mim. Episódio este que também exemplifica um pouco sobre a tal resistência a ser ensinados que falei em cima.

Um beijinho a todos, até para a semana, dia 15 de Janeiro, Lua Nova!

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Caderno Verde

Vamos Aprender a Ler

“Filho, que vamos fazer hoje? Queres aprender a ler?” (não era bem isto que eu queria dizer-lhe, era mais, vamos ler em conjunto e experimentar que leias algumas coisas sozinho, mas pronto, foi aquilo mesmo que acabei por dizer, nem sei bem porquê…)

“Ah, não mãe, não é preciso aprender a ler!”

“Não é preciso? E então como é que fazes quando queres saber o que está escrito, por exemplo, nas instruções de alguns jogos que gostas de montar, nas histórias que queres saber e em tantas coisas assim em que é preciso ler?”

“Alguém me lê! Há tantas pessoas no Mundo que sabem ler, não é preciso sabermos todos!”

Comecei a ficar perplexa com as respostas.

“Então e se não estiver ninguém ao pé de ti, se estiveres sozinho, como é que fazes?”

“Eu sou uma criança, não posso ficar sozinho, tem sempre que estar algum adulto ao pé de mim.”

(esta é para não voltar a dizer coisas com imprecisão…)

“Então, mas se essa pessoa também não souber ler?”

“Mãe, já te disse que não é preciso ler, basta “pensar o que os outros pensaram” …”

Pronto, foi para acabar de vez (espero eu, que eu tenha percebido mesmo) com estas minhas incoerências. E não é que me deixou a pensar?

E no fim, depois de me ter deixado sem palavras, disse-me, a rir:

“Mãe, não sabes que eu já sei ler algumas coisas? Sei ler Alexandre, Bato, Pedro, sim, não, comboio e agora não me lembro de outras palavras que eu sei ler e também sei ler muitos números, até sei ler 2010!…”   E sabe… e eu até sei que ele sabe.

De facto nós “lemos juntos” praticamente todos os dias…

Para além de que anda sempre a fazer perguntas sobre palavras cujo significado não conhece como esta da última vez, ainda há pouco:

“Mãe, o que quer dizer suplente?”

“Por exemplo, num jogo quando alguma pessoa não pode jogar, há outra que é suplente e que entra no jogo quando há alguém que não pode jogar. Ou como nos teatros da mana, há pessoas que são suplentes numa peça, sabem fazer como as outras e quando uma falta, há outro, suplente, que vai substituí-la, na peça; e nalguns outros trabalhos também é assim.”

No dia seguinte ele encontrou pedaços de cebola no guizado de seitan e feijão e disse-me:

“Mãe, tens que fazer papinha sem cebola, tens que ter uns ingredientes suplentes para não usares aqueles que eu não gosto!”

Fartei-me de rir…

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4 Respostas so far »

  1. 1

    Paula said,

    “Mãe, já te disse que não é preciso ler, basta “pensar o que os outros pensaram”

    Adorei!

  2. 3

    Lara said,

    Olá Isabel,
    Adoro ler as tuas mensagens. E estas respostas do Alexandre são um espectácullo! É mesmo assim. Eu também me surpreendo tantas vezes. É uma aventura fantástica esta, não é?
    Beijos e um feliz 2010
    Lara


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