Outros Suportes

Vivam! Cá estamos de novo…

Um bocadinho “na onda” do post anterior, “Convenções”, hoje falamos de outros suportes, diferentes do que mais se utiliza nas escolas, para a comunicação escrita, que continua a ser a tradicional folha de papel (caderno, folhas em dossier).

Cá em casa, o suporte mais usual para a escrita é a página no processador de texto que se visualiza no monitor do computador; ou utilizar os “cubos” de plástico com letras inscritas para formar palavras; algumas vezes as folhas de papel; a areia da praia, a porta do frigorífico                   🙂                            (a porta é o suporte, as letras utilizadas são ímans de frigorífico);

e até a porta de vidro que apara os salpicos da água da banheira, como neste último fim-de-semana, em Coimbra, na casa da tia: tomávamos um banho eu o Alexandre e comecei a escrever o seu nome (que ele já sabe escrever há bastante tempo) no vidro embaciado; ele continuou e depois perguntou-me, “Quais sãos as letras do alfabeto que usamos para escrever MÃE?”, e eu ditei-lhas e ele escreveu, “E PAI?”, e eu ditei-lhas e ele escreveu e de todas as vezes que já tinha escrito estas duas palavras, foi desta vez que as absorveu junto com o vapor que embaciou o vidro.

Reflecti já várias vezes sobre este aspecto de transcender o suporte usual. Sem “ir à escola” (às vezes sinto-me tentada a comparar a escola às câmaras, aos notários obsoletos de alguns anos atrás…), o Alexandre não está tão habituado ao papel e sente-se mais motivado para escrever através do teclado do computador, por exemplo. Olhamos à volta, à excepção da minha pessoa, que escrevo ainda muito “à mão” (mantenho cadernos, tipo diário, escrevo bilhetes, levo o caderno comigo para anotar o que me apetece…), ninguém mais o faz: e-mails, mensagens de telemóvel, trabalhos “escritos no computador”, notas, lembretes, no computador ou ipod … o pai que substitui os livros tradicionais pelos e-books e que milita serem assim os livros, as revistas e os jornais do futuro, ganha-se espaço inestimável em arquivo.

De facto, qual o lugar, no futuro, para qualquer manuscrito? Qual a resistência que temos em mudar o “suporte tradicional” da escrita, o papel, preservando a arte? Eu própria me incluo e justifico: ainda é necessário escrever “à mão”, o Alexandre precisa de treinar mais a escrever “à mão”. Mas solto e deixo um pouco ao sabor dos momentos. Recordo ter lido uma mãe em ensino doméstico contar que a filha escrevia pouco à mão e tinha uma caligrafia pouco cuidada e um belo dia, visitando uma feira, encontram uma amiga cuja filha escreve algo num postal com uma “letra” exemplar, que a pequena logo repara e diz à mãe, “A Viviana tem uma letra tão bonita!”; a mãe responde, ” É porque treina muito, escreve muito”. E a partir daí, ficou a filha motivada a aperfeiçoar a sua caligrafia, passando à acção.

Há sempre uma altura em que nos motivamos a fazer algo que precisamos ou queremos ou gostamos. Mais tarde, mais cedo… e de facto, quer queiramos quer não, os manuscritos são uma espécie em vias de extinção…

Bela variedade de suportes para todos! Até para a semana, dia 6 de Maio, Quarto Minguante!

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Caderno Verde

Alfabeto

Depois deste post sobre “As Letras”, o interesse continuou.

Com um jogo básico do Ruca com as letras do alfabeto (e também com os números, mas esses jogos são mais simples para ele, não surtiram tanto interesse), foi absorvendo os nomes das letras que ainda não reconhecia, associando, somando às que já conhecia.

Com os “jogos das aventuras 2 e 1” passou a uma outra fase de assimilação de textos, descobriu o que são as sílabas e passou a fazer mais perguntas. A parte mais fácil para ele nestes “jogos” são as actividades relacionadas com a Matemática, mas descobri que as que mais piada acha até são as relacionadas com o “Estudo do Meio” e com o “Português”.

E como escrevi acima, no banho, perguntou quais as letras que formavam as palavras descritas e interessou-se por elas.

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3 Respostas so far »

  1. 1

    Rute said,

    Que belo artigo Isabel.

    Esta dissertação em torno do método tradicional e do método moderno resultou num paralelismo muito interessante que adorei ler.

    Lembrei-me doutra forma: Vidros do carro embaciados 🙂 A Carolina adora escrever o nome dela nos vidros do carro quando está embaciado 🙂

    Mas apesar de eu não escrever muito à mão, não abdico do papel. Adoro ler livros. São a minha melhor companhia. Eh eh eh, os livros e o computador (somos inseparáveis).

    Outro assunto: o projecto da escola está maravilhoso. Para a semana envio mail.
    Beijokas.

  2. 2

    Patrícia said,

    ” foi desta vez que as absorveu junto com o vapor que embaciou o vidro.”

    Adorei ler este pedacinho!

    Isabel, também o que tu queres, se o nosso 1º instituiu facultar computador ao 1º ciclo…. só quero ver esses miúdos daqui a uns anos quando tiverem 15/16 anos o tempo que vão passar em frente ao computador a estudar…

    Estou com vocês as duas em relação ao livro em papel: podem-me tirar (quase) tudo, mas os livros em papel é que não… assimilo melhor…

    Beijocas

  3. 3

    Às vezes dá-me para a poesia… 🙂

    Eu gosto dos livros em papel e gosto de escrever à mão (às vezes ainda escrevo coisas à mão e depois é que passo para o computador), mas sei que isso é uma questão de hábito e que de facto devemos abrir-nos a outras formas mais expeditas nem que seja para nos fazer soltar daquilo a que estamos presos… 😉

    Beijinhos


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