Archive for Outubro, 2010

Somos “anti-escola?”

Bom dia a todos!

Foi neste post que falei pela primeira vez no “Carnaval de blogs” sobre perguntas e temas relacionados com o ensino doméstico, que costumo ler nos blogs das famílias espanholas que praticam o ensino doméstico.

Esta última edição desse “Carnaval” à qual acedi através deste post do blog da Marvan, “Orca e Alce”, que leio com frequência, gira à volta de uma pergunta colocada pela Lau: “Somos anti-escuela?” e a Lau publicou a contribuição de todos os que participaram neste seu post do seu blog “Enseñar a pescar”.

É muito interessante ler o que escreveu cada família.

Embora não tenhamos participado, senti vontade de, não respondendo exaustivamente a essa pergunta, deixar-vos aqui a nossa posição neste momento:

Como sabem nós somos uma família que adoptou a opção do ensino doméstico em relação ao nosso filho mais novo. Porque somos “anti-escola”? Não, porque somos a favor de uma educação personalizada, contínua, conduzida pela própria criança, por tudo o que vai revelando como sendo os seus interesses, talentos e desenvolvendo-os na própria escola que é a Vida.

O nome do nosso blog “A Escola é Bela” foi escolhido com um propósito. Não se trata de uma ironia, e já gerou um episódio interessante que descrevi neste post no “Pés Na Relva”.

Aproximamo-nos mais se pensarmos que queremos dizer, com o título do blog, que “a escola pode ser bela”.

Aproximamo-nos de todo se pensarmos que o queremos dizer é precisamente que “A Escola É Bela”.

Não a escola como a entendemos hoje, 30 pequenos dentro de uma sala de aula (o que é anti-natural), esforçando-se por estar quietinhos (o que é anti-natural) e prestar contínua atenção ao que um professor diz por palavras e gestos a uma velocidade biliões de vezes inferior à velocidade dos seus pensamentos (e para não voltar a chamar-lhe anti-natural: um esforço hercúleo que nunca poderá ter êxito).

Já para não falar de todas as outras “características anti-naturais” das escolas destes tempos.

Num dos primeiros posts deste blog, precisamente neste (“Educação e Áreas Afins”) indico lá a definição de escola que podemos ir buscar à etimologia da palavra: “A palavra vem do grego scholé, que significa lugar do ócio. Na Grécia Antiga, as pessoas que dispunham de condições sócio-económicas e tempo livre, nela se reuniam para pensar e reflectir.”

Portanto, à parte o dispor das condições socio-económicas e o tempo livre, que esse é um assunto “com pano para mangas” e poderia fazer parte de outro tema do Carval de blogs:

“A Escola _ todos os locais onde nos reunimos, aqui em casa, fora de casa, no meio da Natureza, nos parques, nos museus, nos locais das exposições ou das mais variadas manifestações artísticas e não só, nos locais de trabalho de parentes e amigos e conhecidos e desconhecidos que logo passam a ser conhecidos ou aqui mesmo “virtualmente” em frente ao computador, onde nos reunimos para pensar e reflectir e para partilhar as nossas experiências_ É Bela”.

E assim, somos a favor da Escola de E maiúsculo, definida como o está acima.

Um grande abraço a todos!

Isabel

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Caderno Verde

Doces Caseiros

Pesar, medir, enumerar os ingredientes, experimentar a alquimia que transforma fruta numa pasta doce que sabe muito bem sobre uma fatia de pão, escrever etiquetas com os nomes dos vários doces, são as actividades que sempre temos feito e que aplicam a matemática, o português e as ciências naturais e fisico-químicas e se combinam com uma “tarefa caseira”, enquanto se preparam os “doces para o Inverno”.

Mas o que faz mesmo as delícias do Alexandre é “mexer os tachos” com uma longa colher de pau. Sem sequer pensar no resultado (os doces) que é raro comer (tal como a mana Celina, é pessoa mais para os salgados).

Sempre gostou de cozinhar.

Aqui ficam as fotos do nosso “Doce de Melão” (que fizémos com açúcar mascavado claro, para não ficar muito escuro _ metade do peso da fruta descascada em açúcar, são as proporções que costumamos utilizar) e da nossa “Marmelada” feita com marmelos oferecidos, do quintal dos amigos que nos ofereceram:

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Unschooling _ seguindo os seus interesses

Vivam!

Sempre e apenas com a intenção de partilhar como vamos pondo em prática o “unschooling” neste 1º ano do 1º ciclo, conforme o vai possibilitando o ensino doméstico em Portugal, aqui ficam mais dois apontamentos do Caderno Verde _ volto a explicar que o nome que dei a este “caderno de apontamentos vários desta viagem”, “Caderno Verde”, tem simplesmente a ver com o facto de, na altura e durante muito tempo, ser o verde a cor preferida do Alexandre (agora já diz que também gosta de azul e de vermelho).

Podemos também relembrar o que escrevi no post “Seguir ou não seguir currículo”.

Beijinhos e belos dia para todos!

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Caderno Verde

Letras & Letras

Conforme temos vendo por aqui, os interesses do Alexandre têm-nos guiado mais pelos números, geometria, construções, geografia, viagens, transportes, e menos pelas letras.

Tem dado agora uns pequenos passos no desenvolvimento da leitura e da escrita, conforme também já partilhei nalguns poucos apontamentos deste Caderno Verde.

Bem, sempre gostou que lhe lêssemos histórias e os livros abundam cá por casa, em prateleiras e espalhados por todo o lado. Uma família que lê muito e/ou escreve muito é, segundo John Holt, o ambiente natural onde a criança desenvolve a sua leitura e a sua escrita (à semelhança, como o próprio também diz, de uma família que conversa muito ser o ninho do desenvolvimento natural da fala das crianças pequenas).

Então os livros sempre fizeram parte e a par com o vocabulário desenvolvido que notamos no nosso filho, notamos também que não tem qualquer problema na interpretação de textos e que sempre que aparecem palavras que não conhece pergunta descontraidamente “o que quer dizer?”.

Ainda há pouco, na viagem de volta da semana passada na terra da avó, lhe veio o pai a ler, no caminho, o livro “Uma Aventura No Comboio”,

que comprou de propósito para o Alexandre, já que ele adora viajar de comboio. Engraçado que a história o interessou de imediato e chagados a casa, já o pai tinha saído para o trabalho, ele pediu-me que continuasse a ler-lhe a história. (Diga-se que o pai comprou de propósito um livro sem imagens cujo tema eventualmente o viesse a interessar, embora o livro seja lido normalmente por crianças/jovens mais velhos que o Alexandre).

A parte de ler e escrever por si próprio tem merecido menos interesse da parte dele. Começou há pouco a mostrar um pouco mais de interesse por conhecer todas as letras. E como, de acordo com a “filosofia de uma aprendizagem natural” seguimos os seus interesses, a chave é prestar atenção ao que lhe desperta a curiosidade.

Começou por gostar de ver o “Super Why” conforme também já contei aqui no Caderno Verde. Comecei a perceber que já sabia o nome de quase todas as letras e que começava a distinguir algumas minúsculas (até agora conhecia melhor as maíusculas).

Um dia estava a ver os desenhos animados do “Bob o Construtor” (que ainda o fascinam) e disse-me: “Sabes, mãe? Bob escreve-se com um B, um O e um B”.

“Ah, filho, pois é.” _ respondi e anotei mentalmente o desenvolvimento.

E aqui há pouco descobrimos que ele adora descobrir palavras no meio de várias letras ao acaso, como nestes jogos.

Estes primeiros fê-los com uma das irmãs (a mana Celina) e o outro

estávamos já a ler a história de antes de adormecer (era uma do Toy Story 3) e tivémos que adiar a hora de adormecer, pois no final do livro vinham algumas propostas de actividades e quando viu esse jogo de palavras não descansou enquanto não descobriu todos os nomes que indicavam, sem a minha ajuda.

Não adianta é eu tentar uma aprendizagem de leitura e escrita, de juntar letras ou mesmo usando o método global, que já tentei e ele nunca adere.

O que acaba por ser interessante, neste percurso, comprovando que o unschooling de John Holt é aliciante, único para cada indivíduo e muito desafiante para pais que tenham hábitos de controlar tudo, programar tudo ou mesmo para quem, como eu, usa um mínimo de programação. A desprogramação, é a base, o “surf”   😉    , o que surge no momento, vá lá saber-se o que lhe desperta a atenção! Parece de doidos? É muito gratificante, podemos dizer.

E também é engraçado constatar como, em relação ao currículo usado na escola, ele vai muito mais à frente numas “disciplinas” do que o ano que lhe corresponde e ainda a iniciar-se noutras. Ou seja, para quê a obrigatoriedade de se “aprender” (a maior parte das vezes nem é aprender é decorar e daqui a uns tempos já está tudo esquecido…) determinadas matérias todos numa dada altura da sua vida, quando afinal cada um tem o seu timing, próprio e único, para o aprender, de facto?

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Caderno Verde

Conversas ao adormecer

“Mãe! Sabes que há três tipos de anos? O ano das pessoas, que por exemplo, para mim começa quando eu faço 7 anos e acaba quando eu faço 8… e para ti começa quando fazes 45 e acaba quando fazes 46. O ano normal (de Janeiro a Dezembro) e o ano das estações que vai acabar quando terminar o Inverno e começar outro, com a Primavera.”

“Bem, filho! É mesmo!” _ e estava deveras admirada com esta dedução dele. O que vale é que ele não conhece “o ano lectivo”, senão ainda tinha que acrescentar mais um “tipo de ano” à sua lista.

E uma outra conversa, também já estávamos na caminha:

“Mãe, sabias que as crianças são mais fracas que os adultos?”

“Mais fracas? Queres dizer, têm menos força, porque são mais pequenas?”

“Sim, porque os nossos ossos são como, por exemplo, este colchão _ e dá uma pancadinha no colchão_ e os dos adultos são como a madeira_ e dá uma pancadinha na trave de madeira da cama.”

😉

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2º Aniversário

Bom dia a todos!

Hoje, precisamente hoje, comemoramos o 2º aniversário deste blog.

Em dois anos aqui partilhámos:

– O percurso na descoberta do ensino doméstico como a possibilidade legal que mais nos convinha para os “anos de escolaridade obrigatória”, em relação ao nosso filho mais novo; a nossa interacção familiar neste processo;

– A “filosofia” do unschooling preconizada por John Holt e várias passagens de alguns dos seus livros.

– A descoberta de grupos de ensino doméstico e de outras famílias e blogs que partilham a sua “vivência em ensino doméstico”.

– A inscrição no 1º ano do 1º ciclo, em ensino doméstico e o decorrer desse 1º ano. Vamos para o 2º ano…

– Muitos outros pormenores e temas à volta da “aprendizagem natural” e muitos momentos íntimos e familiares, neste percurso.

E continuando neste 2º ano do 1º ciclo, entramos no 3º ano deste blog que usamos como anotação de algumas actividades e como partilha do que vamos fazendo.

Obrigada a todos. Para nós, é assim que a “escola” é bela!

Beijinhos, até para a semana…

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Caderno Verde

Variações sobre o tema: uma semana “na terra”

A figueira da avó que servia o pequeno almoço a uns e o lanche a outros    😉

Observámos (e regámos!) o abeto que transplantámos em Março…

… e o pinheirinho no final do verão passado.

Deste pauzinho o Alexandre fez um avião (encontrou-o no pinhal junto à barragem de Santa Águeda, perto de Castelo Branco, onde fomos de passeio):

Ou melhor, aqui neste pinhal e nesta barragem:

Foi a primeira semana do Outono e estiveram uns dias ainda de Verão…

Debaixo daquele chapéu estava um senhor pescador. Quando passámos por ele perguntou ao Alexandre se ele não queria tirar uma fotografia segurando o grande peixe que ele tinha apanhado. Como somos vegetarianos e o Alexandre não gosta nada de ver os animaizinhos mortos, fez uma careta de “mãe, pai, coitadinho do peixe, não queeeerooooo!” e lá tivémos que agradecer ao senhor e explicar-lhe o que se passava.

Aquela pontinha lá ao fundo… sem eles (pai e filho)

e com eles (pai e filho):

Dentro de casa, joga-se às damas. Mas como a avó não tem lá jogo de damas, usa-se o iPad do pai…

E passeámos por uns terrenos da família, ali o palheiro,

ali a velha eira,

aqui as oliveiras já carregadinhas de azeitonas de onde se extrai o azeite que nós consumimos,

e este terreno que daria um belo pomar (há um poço lá ao fundo…)

Antes do regresso, pai e filho abrem um buraco junto às oliveiras onde costumamos enterrar o lixo orgânico:

E toca de apanhar umas uvinhas para trazer,

(para além das maçãs da Celeste, vizinha e amiga da avó, e nabiças das quais fizémos uma sopinha tão boa e umas migas, que podem ver aqui)

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Viver o Verão em Ensino Doméstico, III

Vivam! Bom dia…

Pois nós sabemos que já estamos no Outono, mas ficaram por partilhar alguns outros momentos do Verão, em Ensino Doméstico, que partilhamos hoje, então…

Aproveitando a “aventura” que o pai foi desfrutar através de um presente que lhe ofereceram, a de andar de canoa ao longo da costa partindo do Portinho da Arrábida e visitando as grutas que se oferecem pelo mar, nós fomos até ao Portinho passar um belo dia de praia e levámos uma das avós (a que vive mais longe e veio passar uns dias connosco), e também uma amiguinha…

O Alexandre e a amiguinha pelo caminho para a praia, que lhe despertou muita atenção porque tinha um sinal de perigo de queda de pedras e então foi uma grande excitação passar por um caminho “perigoso”!

A avó…

 Os preparativos para a canoagem com visita às grutas…

E nós, na praia, escrevemos nomes com as formas das letras (sobre estas formas/moldes já escrevi na parte do Caderno Verde deste outro post), escavámos túneis, lemos, apanhámos sol e muitos banhinhos.

No fim, démos a volta pela serra da Arrábida de onde se tem uma vista soberba. E numa das zonas observámos cá de cima a Península de Tróia e a avó explicou ao Alexandre porque se designava por Península e que a porção de terra que a liga à terra se chama istmo (ora que o Alexandre gostou dessa nova palavra e também de “ver de cima” o local onde vamos com alguma frequência porque ele adora passar para lá de ferry). Geografia aplicada às nossas vivências, que é como gostamos de saber a Geografia.

E logo relacionámos: “Bem, neste ano e no ano passado, já visitámos, fotografámos e vimos no mapa, uma península (Tróia), uma baía (a de S. Martinho do Porto) e dois cabos (o Cabo Espichel e o Cabo da Roca). E o Estreito de Gilbraltar onde se juntam o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo!”

E sim, só me apercebi da importância que tinha tido o sinal de perigo de derrocada, quando num dos dias a seguir, o Alexandre, em visita ao meu trabalho, desenhou em computador e imprimiu a sua versão:

Beijinhos e “até ao Outono”        🙂          Belos dias para todos!

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Caderno Verde

Porque apetece…

Gosto destas coisas espontâneas que o Alexandre faz porque lhe apetece, sem que imponhamos qualquer exercício.

No outro dia cheguei a casa e ele e a irmã mais velha tinham-se divertido a preparar-me “uma partida” (uns diabretes…   🙂               ).  Ao calçar os chinelos, o pé não entrou logo bem num deles, pois estava lá este bilhetinho em cartolina, bem dobradinho:

Mas também gostei de, antes de sairmos para ir passar uns dias à terra da avó e enquanto prepara umas peças de Lego para levar, ele faz rapidamente uma pequena estrutura e oferece-me:  “Mãe, fiz para ti, é um losango!” O que dá logo lugar a um “Oh! Muito obrigada, meu filho!” e os habituais abraços apertadinhos…

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