Unschooling _ seguindo os seus interesses

Vivam!

Sempre e apenas com a intenção de partilhar como vamos pondo em prática o “unschooling” neste 1º ano do 1º ciclo, conforme o vai possibilitando o ensino doméstico em Portugal, aqui ficam mais dois apontamentos do Caderno Verde _ volto a explicar que o nome que dei a este “caderno de apontamentos vários desta viagem”, “Caderno Verde”, tem simplesmente a ver com o facto de, na altura e durante muito tempo, ser o verde a cor preferida do Alexandre (agora já diz que também gosta de azul e de vermelho).

Podemos também relembrar o que escrevi no post “Seguir ou não seguir currículo”.

Beijinhos e belos dia para todos!

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Caderno Verde

Letras & Letras

Conforme temos vendo por aqui, os interesses do Alexandre têm-nos guiado mais pelos números, geometria, construções, geografia, viagens, transportes, e menos pelas letras.

Tem dado agora uns pequenos passos no desenvolvimento da leitura e da escrita, conforme também já partilhei nalguns poucos apontamentos deste Caderno Verde.

Bem, sempre gostou que lhe lêssemos histórias e os livros abundam cá por casa, em prateleiras e espalhados por todo o lado. Uma família que lê muito e/ou escreve muito é, segundo John Holt, o ambiente natural onde a criança desenvolve a sua leitura e a sua escrita (à semelhança, como o próprio também diz, de uma família que conversa muito ser o ninho do desenvolvimento natural da fala das crianças pequenas).

Então os livros sempre fizeram parte e a par com o vocabulário desenvolvido que notamos no nosso filho, notamos também que não tem qualquer problema na interpretação de textos e que sempre que aparecem palavras que não conhece pergunta descontraidamente “o que quer dizer?”.

Ainda há pouco, na viagem de volta da semana passada na terra da avó, lhe veio o pai a ler, no caminho, o livro “Uma Aventura No Comboio”,

que comprou de propósito para o Alexandre, já que ele adora viajar de comboio. Engraçado que a história o interessou de imediato e chagados a casa, já o pai tinha saído para o trabalho, ele pediu-me que continuasse a ler-lhe a história. (Diga-se que o pai comprou de propósito um livro sem imagens cujo tema eventualmente o viesse a interessar, embora o livro seja lido normalmente por crianças/jovens mais velhos que o Alexandre).

A parte de ler e escrever por si próprio tem merecido menos interesse da parte dele. Começou há pouco a mostrar um pouco mais de interesse por conhecer todas as letras. E como, de acordo com a “filosofia de uma aprendizagem natural” seguimos os seus interesses, a chave é prestar atenção ao que lhe desperta a curiosidade.

Começou por gostar de ver o “Super Why” conforme também já contei aqui no Caderno Verde. Comecei a perceber que já sabia o nome de quase todas as letras e que começava a distinguir algumas minúsculas (até agora conhecia melhor as maíusculas).

Um dia estava a ver os desenhos animados do “Bob o Construtor” (que ainda o fascinam) e disse-me: “Sabes, mãe? Bob escreve-se com um B, um O e um B”.

“Ah, filho, pois é.” _ respondi e anotei mentalmente o desenvolvimento.

E aqui há pouco descobrimos que ele adora descobrir palavras no meio de várias letras ao acaso, como nestes jogos.

Estes primeiros fê-los com uma das irmãs (a mana Celina) e o outro

estávamos já a ler a história de antes de adormecer (era uma do Toy Story 3) e tivémos que adiar a hora de adormecer, pois no final do livro vinham algumas propostas de actividades e quando viu esse jogo de palavras não descansou enquanto não descobriu todos os nomes que indicavam, sem a minha ajuda.

Não adianta é eu tentar uma aprendizagem de leitura e escrita, de juntar letras ou mesmo usando o método global, que já tentei e ele nunca adere.

O que acaba por ser interessante, neste percurso, comprovando que o unschooling de John Holt é aliciante, único para cada indivíduo e muito desafiante para pais que tenham hábitos de controlar tudo, programar tudo ou mesmo para quem, como eu, usa um mínimo de programação. A desprogramação, é a base, o “surf”   😉    , o que surge no momento, vá lá saber-se o que lhe desperta a atenção! Parece de doidos? É muito gratificante, podemos dizer.

E também é engraçado constatar como, em relação ao currículo usado na escola, ele vai muito mais à frente numas “disciplinas” do que o ano que lhe corresponde e ainda a iniciar-se noutras. Ou seja, para quê a obrigatoriedade de se “aprender” (a maior parte das vezes nem é aprender é decorar e daqui a uns tempos já está tudo esquecido…) determinadas matérias todos numa dada altura da sua vida, quando afinal cada um tem o seu timing, próprio e único, para o aprender, de facto?

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Caderno Verde

Conversas ao adormecer

“Mãe! Sabes que há três tipos de anos? O ano das pessoas, que por exemplo, para mim começa quando eu faço 7 anos e acaba quando eu faço 8… e para ti começa quando fazes 45 e acaba quando fazes 46. O ano normal (de Janeiro a Dezembro) e o ano das estações que vai acabar quando terminar o Inverno e começar outro, com a Primavera.”

“Bem, filho! É mesmo!” _ e estava deveras admirada com esta dedução dele. O que vale é que ele não conhece “o ano lectivo”, senão ainda tinha que acrescentar mais um “tipo de ano” à sua lista.

E uma outra conversa, também já estávamos na caminha:

“Mãe, sabias que as crianças são mais fracas que os adultos?”

“Mais fracas? Queres dizer, têm menos força, porque são mais pequenas?”

“Sim, porque os nossos ossos são como, por exemplo, este colchão _ e dá uma pancadinha no colchão_ e os dos adultos são como a madeira_ e dá uma pancadinha na trave de madeira da cama.”

😉

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2 Respostas so far »

  1. 1

    Patrícia said,

    E a minha filha já à dias: “Se eu não for para casa do meu pai, ele vem-me buscar. Se eu for para casa do meu pai, ele não me vem buscar”.

    E eu fiquei a tentar mastigar o almoço e a pensar… ;o)

    Não estás esquecida, mas tenho de fazer a mudança… para a terceira casa… depois digo-te quando vou ai…

    Desde ontem que temos a Amorzinha, uma gatinha de 2 meses que faz as delícias cá de casa…

    beijinhos,
    Pat

  2. 2

    😀
    Que corropio!!! 🙂
    Enviei-te e-mail…
    Beijinhos


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