Archive for Dezembro, 2010

Feliz Natal

Feliz Natal a todos os que nos visitam!

Desejo belos momentos de partilha em família, entre amigos, que todos nos sintamos em casa, na casa que é o nosso planeta.

Um abraço para todos, do coração.

Isabel

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Colaboração da Liliana após o encontro com o grupo de Lisboa da Maternar

Bom dia a todos!

E na sequência do post anterior, aqui a colaboração carinhosamente enviada pela Liliana (grata, Liliana!):

“Olá,

Nós gostámos do encontro (como sempre)… foi esclarecedor pois pouco ou
nada sabia sobre ensino doméstico é um conceito relativamente novo
para mim. Percebi melhor as motivações e também desfiz alguns
preconceitos, nomeadamente sobre a questão da sociabilização. E admiro
a dedicação destes pais 🙂

Creio contudo que esta não é uma opção para nós. Embora também não
saiba neste momento qual será a melhor opção… :S o tempo o dirá…
Ao pensar em ensino doméstico não consigo deixar de pensar na minha
própria experiência na escola, que na primária foi fantástica, só
guardo boas recordações da professora, dos amigos e das brincadeiras…
E por mais interesse e gosto que tenha em partilhar o tempo de
educação com a minha filha não creio que alguma vez o conseguisse
fazer em fulltime (sem dar em doida).
Para mim essa opção só poderia fazer sentido se vivesse em grande
proximidade com outras famílias nas mesmas circunstâncias, em que
houvesse dias de partilha e interacção entre mães e crianças. Creio
que esta opção está mais ligada ao conceito de viver em comunidade/
tribo, não é? Marta, estou contigo, vamos arranjar por aí um
cantinho! 🙂
Sair do centro de Lisboa foi para nós um primeiro passo… mas gostava
de no futuro ter mais verde para correr e brincar logo à saída de
casa…

Bjs,
Liliana”

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Colaboração da Sara após o encontro com o grupo de Lisboa da Maternar

Vivam!

Como tinha “anunciado” há dois posts atrás, o grupo de mães de Lisboa do projecto Maternar, convidou-nos a participar numa das suas reuniões, querendo desta vez abordar o tema do ensino doméstico e desejando que pais que o pratiquem partilhassem, na reunião, a sua experiência, por terem, no grupo, pais interessados nesta opção.

Aceitámos, com todo o gosto, e disponibilizaram-se também a participar mais algumas famílias cuja opção educativa passa pelo ensino doméstico.

Gostaria de dizer que gostámos muito da hospitalidade e simpatia com que fomos acolhidos no grupo e que toda a troca de ideias, informação e demais partilha foi muito interessante. Também foi motivante sentir tantos mais pais interessados nesta “opção educativa”.

E é com muito gosto que publico hoje aqui o texto carinhosamente enviado pela Sara Espírito Santo que partilha connosco o que desfrutou deste encontro. Muito obrigada, Sara, Henrique e Violeta, de coração, muitas felicidades para vós!

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Olá,

O meu nome é Sara e estive, juntamente com o meu marido Henrique e com a nossa Violeta de 5 meses na partilha sobre o ensino doméstico.
Confesso que andava ansiosa por conhecer alguém que o praticasse cá em Portugal, visto que este é um tema sobre o qual temos reflectido bastante, desde a gravidez. Não sei se será a melhor opção para a Violeta, mas considero-a uma opção bastante válida, sobretudo como professora do ensino básico e secundário que tem tido a oportunidade de contactar com o sistema, o qual, a meu ver, está em fase de colapso, quem sabe se para daqui a alguns anos se operar a verdadeira revolução necessária.

Nunca pensei que o ensino doméstico seria uma forma de proteger a Violeta, mas sim como uma forma de ela entrar em contacto com uma realidade mais abrangente, não limitada aos currículos que muitas vezes, além de não prepararem para a vida, agrilhoam a imaginação e castram a liberdade de pensamento.
De qualquer maneira, considero necessárias linhas orientadoras, que podem perfeitamente ser os verdadeiros interesses e motivações das crianças.

É difícil um professor em sala de aula, confrontado com tantos seres tão únicos, auxiliar cada um no seu mundo, sob a pressão de um sistema que nos pretende formatados. Quem pensa, questiona e isso nem sempre é bom para as verdades que nos tentam vender todos os dias.

Foi muito bom, na nossa partilha, perceber que é possível e que o ensino doméstico pode ser também um forte elo de ligação no seio da própria família, afinal todos podem contribuir dinâmica e activamente para as aprendizagens uns dos outros.

Gostaria que a minha filha (e futuros irmãos!) tivesse a sorte de não ter receio de pensar pela sua própria cabeça, consciente de que a vida é o cenário de aprendizagem por excelência e que questionar é um óptimo exercício de reflexão.
Obrigada por esta oportunidade e Boas Festas!
Sara Espírito Santo

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Projecto Reciclar em Culinária_ Açorda de tofú

A Rute do Publicar para Partilhar propôs-nos participar neste projecto do Delícias e Talentos. A ideia é publicar uma receita que inclua um ou mais ingredientes que façam parte das sobras de outra refeição ou outros aproveitamentos, acompanhando-a de um texto sobre a importância de “reciclar comida” nos dias de hoje.

Primeira reflexão: nos dias de hoje? Ou desde sempre?

É que quando a Rute nos propôs participarmos neste projecto lembrei-me logo das “receitas de reciclagem” da minha avó e perguntei-me: será que no tempo dos nossos avós é que era habitual transformar sobras de uma refeição num novo prato delicioso? É que de facto, a minha avó tinha uma boa centena de receitas de pratos que aproveitavam sobras de outras refeições… ;)

A saber:

1 -Sobras de arroz cozido eram transformadas em pastelinhos de arroz, fritos (envolvendo as sobras em ovo, cebola picada e salsa e deitando colheradas do preparado para a sertã _ se quiserem saber tudo sobre a sertã ler este post da participação de Vale de Gil do Pés Na Relva neste projecto e os respectivos comentários_ onde os pastelinhos de arroz eram fritos em óleo bem quente);

ou se nos apetecia algo mais fofo, transformavam-se as sobras de arroz num belo suflê (também recorrendo aos ovos, gemas misturadas directamente no arroz e adicionando mais algumas sobras de frango, chouriços, o que houvesse, de seguida as claras em castelo, temperos rectificados e forno com o pirex, após polvilhado com pão ralado;

ou simplesmente se aqueciam as sobras do arroz (arroz de tudo_ de tomate, de ervilhas, de feijão, de polvo, o que houvesse!) no forno, polvilhado de pedacinhos de manteiga, o que lhe conferia logo outra textura.

2 – Sobras de batatinhas eram transformadas nas batatinhas na sertã como a já indicada receita de Vale de Gil em Pés Na Relva, ou em belas tortilhas de batata.

3 – Sobras de esparguete tinham um tratamento semelhante (suflês, pastéis, tortilhas, empadões).

4 – Sobras de pão duro davam as belas açordas ou os pudins de pão ou as “fatias paridas” (assim se chamavam em casa da minha avó e que são nada mais nada menos que as rabanadas, nome que só aprendi muito mais tarde).

E quem não se lembra da tradicional “roupa velha” a seguir à Ceia de Natal, reciclando o prato de bacalhau ou da “sopa do cozido” que aproveitava no dia seguinte as sobras de um cozido à portuguesa?

Hoje em dia, cá em casa, continuamos a usar todas estas receitas, agora adaptadas à nossa realidade de família vegetariana. E sempre reciclámos na cozinha, porque quem cozinha habitualmente sou eu e eu absorvi os ensinamentos culinários da minha avó. Daí que a importância de reciclar em culinária para nós não tem muito a ver com os dias de hoje ou com a crise, mas sim com uma prática normal e sensata, tal e qual como o poupar água, luz e tudo o mais (alguma vez pensaria deixar uma torneira a correr???).

E agora a nossa participação, propriamente dita:

Este blog é um blog direccionado para a partilha das nossas vivências em Ensino Doméstico (como podem ler nas nossas páginas Projecto e Nós) _ e também participamos no blog Pés Na Relva, conjuntamente com outras famílias portuguesas que praticam o Ensino Doméstico, onde a Rute nos foi propor a participação neste projecto.

Assim, esta participação tem também a vertente de um projecto Reciclar em Culinária inserido no contexto do Ensino Doméstico, que nós, por vocação, aliamos à prática da filosofia de base do “Unschooling”, preconizado por John Holt, que previligia a aprendizagem natural, seguindo os interesses das crianças e aprendendo mediante a execução de projectos (de pequenos projectos, como este, enquanto as crianças são mais pequenas e aumentando naturalmente a complexidade dos projectos à medida que crescem).

Para entrar bem nesta filosofia-prática que é o Unschooling é muito importante ler os dois primeiros livros de John Holt, “Como Aprendem as Crianças” (“How Children Learn”) e “Dificuldades em Aprender” (“How Children Fail”). Aqui neste blog já falei nos vários livros de Holt em alguns posts que podem encontrar agrupados acedendo à Tag John Holt, aqui.

Voltando à aprendizagem por projectos e, particularmente ao projecto de hoje: o Alexandre (nosso filho), de 7 anos, gosta muito de cozinhar, desde os 3-4 que ajuda a mexer os tachos. Daí que sim, este projecto entrou naturalmente no que fazemos no dia a dia.

Desde a proposta da Rute que andava à espera de ter sobras na cozinha, mas esta família é grande e ultimamente sempre aparecia mais alguém para comer… bem, refeições e refeições sem sobrar nada!!!

Até que um dia destes me dei conta que num dos dias que tinha cá muita gente tinha comprado pão a mais, nem as tradicionais torradas para aproveitar o pão no dia seguinte estavam a dar conta do recado, vou fazer açorda (estava cá o namorado da mana Catarina que é “doido por açorda”)… e espera lá! Meninos, não é uma receita original para o “projecto da Rute” (no Delícias & Talentos andava a seguir as participações através deste link e lembrei-me depois de termos feito a açordinha de tofú que já tinha visto uma “participação com açorda”…), mas enquadra-se perfeitamente e bem, foi mesmo o que naturalmente surgiu.

E assim, eu, o Alexandre e a sua amiguinha M., que estava cá a brincar com ele, fomos para a cozinha e a “aula” traduziu-se em explicar à M. (9 anos) o que íamos fazer:

“Açorda de Tofú”.

“Sabes, M., está aqui muito pão, algum está duro, a minha mãe aproveita o pão e faz açorda, que ela gosta muito, mas eu não gosto. Mas gosto de a ajudar a cozinhar. E o Bato também gosta muito de açorda e ele está cá hoje, e as manas também gostam. Por isso ela também vai cozer batatinhas, para mim, e vai fazer esta comida que assim não tem de deitar pão fora, percebes? Vamos ajudar! Ah! Queres saber quais são os ingredientes?”

E enquanto preparávamos os ingredientes lembrei-me que podia fazer uma “sopa de letras” com os ingredientes (outra reciclagem                😀             ), que o Alexandre gosta muito desse “jogo”, como podem ver na parte do Caderno Verde deste outro post.

E assim, piquei a cebola, eles colocaram o azeite e a folha de louro (que lavaram primeiro _ uma alegria, sempre, mexer na água!) e depois, “à vez”, foram mexendo. A seguir o tomate em pedacinhos (depois de lavado também_ outra festa!). E alho picadinho (temos um aparelhinho novo, manual, para picá-lo, ui! Tem que se fazer alguma força! Já está). E de novo eles os dois mexendo, “à vez”.

Falta o tofú! Tenho aqui tofú fumado, fica mais delicioso. Parti aos pedacinhos e eles colocaram no tacho e mexeram.

Colocámos o pão em água filtrada que mais tarde esprememos e desfizémos para o preparado no tacho.

E misturámos. Colocaram o sal, provei, mais um pouquinho (sal marinho não refinado), mais um pouquinho de azeite… et voilà!

Tirei a foto (vocês desculpem as minhas fotos tiradas com o telemóvel, sem a ajuda de um flash, portanto…) :

E bem, falta a salsa (já não apareceu na foto)… toque final. Quem gostar pode por coentros, em vez. Eu não ponho quando a mana Celina come em casa que ela não suporta nem o cheiro dos coentros.

Estava mesmo deliciosa. O Alexandre não gosta, porque não gosta de “papas”, tal como nunca quiz qualquer papa de cereais, nem gosta de puré, suflês ou empadões. Eu e o pai, quando éramos miúdos também não gostávamos, sempre nos fez impressão comer papas. Pronto, o rapaz tem mesmo a quem sair. Eu nunca conseguia comer a açorda da minha avó.

Esta não é a receita da minha avó, a dela era mesmo colocar o pão demolhado e espremido para dentro de um pouquinho de água a ferver temperada de sal e salsa e escalfar um ovo lá dentro, regando com um fio de azeite.

Esta “Açorda de tofú” é uma adaptação das açordas que eu comia em Moçambique feitas pela minha madrasta (ela fazia assim a açorda de bacalhau e a açorda de camarão, a única diferença é que eu usei tofú fumado no lugar do bacalhau ou do camarão e não coloquei o ovo batido que ela colocava no fim para ligar bem e amaciar _ eu prefiro pôr mais um pouquinho de azeite no final para “amaciar”); Desta açorda eu já gostava, mas também já tinha uns 11-12 anos quando provei.

E agora gosto muito da minha açorda de tofú fumado! E o pai também já começou a gostar de açorda (desta minha) e as manas sempre gostaram e o Bato adora.

Bem… e no final da refeição, só falta ir resolver a sopa de letras!

Quando chegou ao “azeite”, disse o Alexandre: “Bem, esta palavra tem a primeira e a última letra do alfabeto!”

Então beijinhos, até ao próximo post, belas reciclagens para todos!

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