Quem iria adivinhar?

Olá a todos!

Já por diversas vezes, aqui (no apontamento do Caderno Verde- Teoria) e aqui, escrevi neste blog sobre a “informação não solicitada” e sobre a “desescolarização dos pais” (onde remeto para este post da Paula do Aprender Sem Escola _ depois deste ela já colocou mais posts sobre este mesmo assunto).

E também o tema da informação não solicitada foi abordado, por outra família que escreve no Pés Na Relva. Sim, não é invenção, acontece mesmo, estando atentos percebemos que eles não gostam que os sobrecarreguemos de informação que eles não solicitaram.

O meu pequeno fica mesmo aborrecido e algo impaciente comigo. E mesmo tendo já passado pela experiência, lido sobre ela, escrito sobre ela, ainda não estou desescolarizada o suficiente, pois caí novamente na esparrela.

Aconteceu assim:

O Alexandre faz-me uma pergunta: “Mãe, sabes porque é que as árvores, no Inverno, não têm folhas?”

Respondo de imediato (piloto automático ligado, deve ter sido…): “Não é bem assim… algumas árvores perdem as folhas, chamam-se árvores de folha caduca e outras não, são as árvores de folha persistente. E perdem as folhas porque…”

Sou interrompida com veemência: “Mãe! Estás a dizer o quê? Só te perguntei, SABES PORQUE É QUE AS ÁRVORES NÂO TÊM FOLHAS NO INVERNO! E a resposta era: PORQUE AS FOLHAS CAEM NO OUTONO!!!”

Fiquei assim um pouco atordoada até perceber que aquela não era uma pergunta-pergunta e sim uma espécie de adivinha e que afinal eu não soube a resposta à adivinha. Quem iria adivinhar?

Pois… esta nossa pré-formatação, escolarização ou sei lá o que lhe chame, ATRAAAAPAAALHA!!!!

Mas eu sou persistente (sou uma árvore de folha persistente             🙂                ),  hei-de voltar à criança que há em mim!

Beijinhos a todos, até um dia destes!           😀

Isabel

x

Caderno Verde

Desenvolvimentos da Leitura e da Escrita

Mesmo com tudo o que disse acima (bem, este episódio do Caderno Verde aconteceu antes “do da adivinha”), não resisti, aqui há tempos, a tentar perceber se ele já lê algumas coisas (tal como já relatei num post no Pés Na Relva):

Ia começar a anotar algo, sentada perto dele, e passou-me pela cabeça escrever as palavras “Pai”, “Mãe” e “Mana” e perguntar-lhe o que estava ali escrito. Ele deu uma rápida olhadela e leu (a última leu “Mariana”, é parecido…).

Agora há pouco, depois de termos andado de novo de volta das letras (continua a escrever bilhetinhos, este

foi para colocar à porta do quarto da irmã para ela ler quando chegasse à noite, já tarde, depois de vir do seu curso da técnica de Meisner) e com a ajuda do quadro branco que falei há uns posts atrás, experimentámos também este outro jogo

(que traz também um cd para actividades com o abecedário no computador)

e fiquei a perceber que ele já relaciona letras e palavras e que lê de facto algumas.

Às vezes é para mim difícil perceber o que ele sabe e o que não sabe. Perguntando directamente, muitas vezes não responde (não gosta dessas perguntas). E tal como John Holt explica em toda a sua obra e muito pormenorizadamente no seu primeiro livro, “How Children Fail” (“Dificuldades em Aprender”, a edição portuguesa), as crianças não gostam que as façam sentir que não sabem isto e aquilo (e em última análise, os adultos também não), se confrontadas com isso (como o são frequentemente na escola) desenvolvem as mais variadas “técnicas de burlice” para contornar a questão. É sobretudo isso que os testes e a contínua avaliação provocam. Holt chega mesmo a compará-las às técnicas desenvolvidas pelos prisioneiros em campos de concentração para sobreviverem psicologicamente à humilhação.

Daí que não me espanta que o Alexandre só “mostre” o que sabe quando tem a certeza de que o sabe, ou então espontaneamente ou distraidamente.

Eu já desconfiava (pois até os princípios do método global para a aprendizagem da leitura, por exemplo, assentam nisto: tendo contacto frequente com coisas escritas, de repente eles “desatam a ler”) que ele lê mais do que parece e só com estas pequenas coisas é que vou percebendo até que ponto.

Esta é a tal área (em comparação com “a dos números” em que é muito desenvolto e o atrai muito mais) em que parece que vamos andando muito lentamente, no entanto, não é descuidada e vai dando os seus frutos, neste processo do “unschooling”.

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