“Escrita Representativa”

Caderno Verde

“Escrita representativa”

Não sabia bem que título dar a este apontamento do Caderno Verde.

Tem  a ver com o uso que temos feito do quadro branco. Conforme contei aqui neste post do Pés Na Relva, comprei o quadro branco porque pensei que ia ser útil no desenvolvimento da leitura e da escrita. Contava usá-lo de uma forma “tradicional”, nessa área, escrevendo palavras, sílabas, que aos poucos ele fosse lendo juntando as letras.

Como era de esperar, sugerindo que fossemos brincar com as letras, ele começou por inventar um jogo de “contas com as letras”, depois passámos logo para as contas e a seguir para os desenhos.

Também já coloquei aqui alguns dos vários desenhos que ele já fez no quadro branco (gosta mais de usá-lo que usar papel). No último desenho que fez, assim mais completo e que vou deixar aqui e agora as fotos passo a passo, descobriu a utilidade do papel, pois chegou ao fim e gostou tanto do desenho que me disse que o queria guardar para sempre, e sabia que mais dia menos dia ele iria ser apagado do quadro. Eu disse-lhe para ele fazer um igual em papel, mas um desenho faz-se uma vez, é único, não andamos cá com reproduções, é o que sente, pois coçou a cabeça e respondeu-me: “Tenho uma ideia melhor! Tiras uma foto, imprimes e depois fica sempre um quadro em papel!”  🙂  Tem soluções para tudo   😉

Agora já estava nas nuvens, mas tinha acabado de desenhar neve à frente da locomotiva.

A linha e uma flor e depois a relva…

O arco-iris, faltava, porque nevou e depois fez sol a chover…

E finalmente o céu pintadinho.

Uns dias mais tarde acedeu que eu escrevesse umas palavras e lhe mostrasse e ele tentava lê-las. E enquanto brincava ao mesmo tempo. Escrevi “Pai”, ele leu, “Mãe”, também leu, “mana” com ajuda,  leu bem “mar” e mais umas quantas com três letras. Com quatro letras lia a primeira sílaba e pedia ajuda na segunda.

Isto durante uns dias.

E porque dei a este post o título de “Escrita representativa” foi porque desta última vez, quando comecei a escrever “AVIÃO” para ele ler, tirou-me a caneta da mão e pôs-se a escrever, sozinho “MÃE”, depois desenhou umas setas e um barco, uma ilha e o mar. A mãe estava no barco, era o que o desenho apontava. A palavra MÃE substitui o desenho da mãe (no fundo são duas representações diferentes da minha pessoa, é o que é). Depois escreveu PAI e desenhou as setas a indicarem que ele também estava no barco. Depois ALEXANDRE, que estava no barco junto connosco e a seguir KIKO, o nosso gato, com as setas a indicarem que ele estava ao colo da mãe. E pronto.

Escrever e ler têm que servir para alguma coisa, aprender por aprender não motiva o suficiente e já que eu não dei utilidade visível ao exercício de leitura tratou ele de transformar o exercício numa comunicação, de facto.

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1 Response so far »

  1. 1

    Roselia said,

    Olá, querida
    Com grande dificuldade em comentar nos blogs amigos… passo por aqui e vejo um post interessantíssimo…
    Ler para mim sempre foi bom demais… estudar, uma delícia!!!
    Bjs fraternais


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