Mãe e Filho, da marina a muitas coisas mais

Vivam, boa tarde!

Hoje é dia dedicado a mais um apontamento no Caderno Verde (para quem lê pela primeira vez, dei o nome de Caderno Verde a este caderno de apontamentos de algumas das actividades que fazemos em ensino doméstico, porque verde era, na altura, a cor preferida do Alexandre (agora também já gosta muito do vermelho e do azul, nos seus tons claros, assim como o verde), não tem outras conotações.

Beijinhos e belos dias para todos e até ao próximo post.

Isabel

x

Caderno Verde

Mãe e Filho, da marina a muitas coisas mais

O Alexandre teve que ir ter comigo ao meu trabalho. Perto da hora de almoço fomos à marina, lembrei-me que ainda não tinha passeado por lá com ele a ver os barcos que ele tanto gosta.

Mas não se impressionou muito com os barcos de recreio.

_Então e os barcos grandes?

_Vês? Aqueles ali são grandinhos.

_Não muito. Estou a falar daqueles como o que nos leva para Tróia e dos navios.

_ Ah! Isto não é um porto, é uma marina. Os barcos grandes atracam em portos (não tenho a certeza se lhe disse algum disparate, não sou versada em barcos…). Olha, vamos ali ver “a pista” onde aterram os helicópteros.

_Tem um “H”!

Démos uma volta e começámos a andar para a saída para depois darmos uma volta no parque e comermos por lá o lanche que trazia.

_Sabes, mãe? Um dia ainda vai existir um barco muito grande, muito grande, do tamanho da Rússia (ele andou aqui há tempos a perguntar e a pesquisar logo de seguida no mapa do mundo qual é o maior país que existe. E o segundo maior. E o terceiro maior…                                   ;)                      ).

Lembrei-me logo de um barco-cidade cujo projecto eu já tinha visto na internet.

_ Sabes, filho, que já andam a pensar em construir um barco que é como uma cidade onde as pessoas podem viver e tudo? Quando voltarmos ao meu trabalho mostro-te as fotos na internet.

_ Ah!!! Mas este que eu digo não é como uma cidade é como um País! Vai ser maior que a Rússia!

E desata a contar-me os pormenores da construção e mais uns quantos, que eu nem consigo acompanhar de tão mirabolantes, mas ao mesmo tempo baseados em coisas concretas, não vos sei explicar.

_Quantas cidades tem a Rússia?_  pergunta-me ele. Aqui há tempos também quiz saber quantas cidades tem Portugal (na parte do Caderno verde deste outro post).

_Ui! Não sei. Daqui a pouco, com o computador, já vamos apurar isso.

Quase nem queria comer, ou melhor, queria ir comer “lá para o meu trabalho”, pois precisava de saber rapidamente isso das cidades da Rússia e mais umas coisas.

De volta ao meu local de trabalho, primeiro vimos as imagens do Freedom Ship e as generalidades do projecto , (também aqui). Uma colega minha que gosta muito de barcos e não sabia desse projecto ficou contente de descobrir (era senhora para ir viver para lá, dizia ela). Depois lá fomos pesquisar quantas cidades tinha a Rússia (e a seguir o Canadá, o segundo maior país). Não encontrámos um número, mas sim uma lista de cidades que tivémos que contar “à mão”, daí que o número a que chegámos pode ter uma margem de erro de uma ou duas cidades: 517! (E o Canadá, 343, também com a mesma margem de erro, pelos mesmos motivos).

Bom e enquanto eu voltei à minha actividade de volta dos processos a analisar (fui para a secretária de um colega que se encontra de férias), ele continuou na minha secretária, que tem uma base para escrever com o mapa-mundi,

pediu-me papel e caneta e esteve, por iniciativa própria, primeiro a escrever a palavra RUSSIA, copiando-a do mapa,

e logo depois a ver os percursos que faria se quisesse ir de Portugal à Rússia de barco ou de comboio e dizia que era mais curto o caminho de comboio que o de barco, mas entretanto encontrou logo dois países (Portugal e Marrocos) onde era muito mais rápido deslocar-se entre eles de barco que de comboio (ou seja, mais rápido por mar do que por terra).

Depois a visualizar o tal barco maior que a Rússia (e quando eu lhe disse que ia ser muito difícil, com esse tamanho, esse barco deslocar-se pelos oceanos ele encontrou logo uma solução (é maleável, o barco, curva-se sobre si próprio e adopta as formas necessárias para se deslocar facilmente).

Esteve, depois, ainda quase duas horas  “com os seus botões” (mais o papel, a caneta e o mapa, a visualizar percursos, zonas de água mais quente e de água mais fria, nos oceanos, a medir o tamanho do Pólo Sul (Antártida) pela escala do mapa _ usou a minha régua de escalas.

É verdade, no outro dia, também foi uma coisa que andámos a pesquisar, pois ele perguntou-me qual é que era mais frio, se o Pólo Norte ou o Pólo Sul e lá encontrámos vários artigos (por exemplo este e este) que, unanimemente (sim, porque na internet não podemos acreditar no que lemos logo à primeira, convém fazer várias pesquisas; eu digo-lhe sempre que o melhor é quando vamos mesmo aos locais, mas na impossibilidade de irmos…    ;)           ), dizem que o mais frio é o Pólo Sul.

A minha colega (que é uma pessoa um pouco mais velha que eu mas de mente aberta e já andou pelos Estados Unidos e pelo Canadá, países onde é mais vulgar o ensino doméstico), disse-me depois que ficou rendida ao “método” (dizia ela)_ eu depois lá lhe expliquei que o meu método é não seguir métodos_ “que eu tenho utilizado para o ensinar” (não ensino, apoio), pois estava abismada com o expedito que o pequeno era em conjugar “imaginação com realidade” e em usar uns quantos recursos e em passar de umas coisas para as outras e em pesquisar (ela também pesquisa tudo, não se deixa ficar com uma dúvida, então adorou…).

Também lhe disse, no dia a seguir, que não é assim tão fácil para nós darmos seguimento a isto de não o espartilharmos com um currículo pois a dada altura, com a história do teste presencial no final do 4º ano (e depois ainda pior, quando forem todos os exames de equivalência no 6º) vamos ter que de alguma forma abordar matérias que não apenas na altura em que ele se interessa por elas… Bem, continuando a confiar na minha intuição e no meu pequeno, hei-de lidar bem com o assunto.

4 Respostas so far »

  1. 1

    […] E querendo ler um outro post que coloquei n’A Escola É Bela sobre um pequeno passeio que démos na marina de Cascais que “nos levou à Rússia”, acessem aqui. […]

  2. 2

    martaboldt said,

    A liberdade do ED é fantástica!
    Vão ter férias em breve?
    Bjinho grande!

  3. 3

    Já tivémos as férias quase todas, Marta, mas ainda vamos ter uma semaninha em Setembro..
    Beijinhos tamb´wm para vocês!
    Isabel

  4. 4

    […] ir dar um passeio antes de irmos para casa, como aquele da outra vez em que vim aqui ter contigo, quando fomos ao “aeroporto dos helicópteros“. “Ah! _ respondi_ queres ir outra vez à marina ver o heliporto?”. “Não, […]


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