Ai, o Natal…

Olá, vivam!

Tenho andado um pouco afastada da blogosfera e tenho muitas coisas para partilhar. Com calma, a ver se vou regularizando as entradas aqui n’A Escola É Bela.

Hoje vou juntar algumas coisas que temos para partilhar em torno deste tema do Natal.

Bem, aqui por casa, como somos uns quantos, o Natal é uma mistura de várias motivações diferentes. Não me adianta ser purista quanto ao conceito e uma vez que não sou adepta de qualquer religião, pois como esta família “é uma comunidade”, eu já tentei eliminar algumas partes para mim supérfulas relativamente ao espírito natalício e não deu certo. Por exemplo, houve um ano, em que as minhas filhas estavam em Manchester por altura do Natal (a mais velha a fazer um estágio profissional e a irmã foi lá passar o Natal com ela), e eu resolvi não enfeitar árvore de Natal (nem a casa, com qualquer decoração natalícia); bem, quando chegaram, a mais velha (25 anos), para quem as decorações de Natal são mágicas e um ponto alto da época (continua a deslumbrar-se com as iluminações de rua e sai de propósito para dar uma volta e apreciá-las bem), “passou-me um raspanete” por não ver a casa decorada e desse ano em adiante tem-se ocupado ela própria da decoração, não vá eu argumentar com o trabalho que isso dá.

O nosso Natal tem, portanto, pequenas doses de quase tudo: uma pitada de consumismo, um quê de espiritual, outro tanto de solidariedade, uns pós de empenho na redução da nossa pegada ecológica, algumas noções de economia e gestão de recursos, muita criatividade, um belo espírito de união familiar (a nossa família não é, de todo, uma família tradicional e inclui amigos e vizinhos), uma dose generosa de aconchego e afecto e muita, muita alegria!

Eu costumo dizer que o nosso Natal é suficientemente ecológico e ético, pois há pelo menos um aspecto nele de muito peso para a ecologia e para a ética: é um Natal vegetariano! Da nossa Ceia de Natal costuma constar um “Tofú “à lagareiro””, couve portuguesa cozida e alguns “enchidos” vegetarianos e os doces são vegans ou, quando muito, ovo-vegetarianos. E só uso açúcares integrais (não refinados, portanto). Para o almoço do Dia de Natal costumo fazer um seitan assado no forno com ameixas secas e castanhas acompanhado de um arroz com cogumelos frescos e pinhões e de grelos cozidos.

Costumamos “reciclar” brinquedos usados e ainda em bom estado, e algumas roupas e calçado dando-os a outras crianças que conhecemos e sabemos “estarem a precisar”. Prefiro saber algo mais personalizado sobre a quem se destinam, do que “descarregá-los” nalguma instituição social, se bem que não tenho nada contra as instituições sociais, note-se.

Por exemplo, vários dos brinquedos de bebé do Alexandre, incluindo o cavalinho de baloiço que lhe deram e que ele quase nunca usou e muitos dos seus babygrows ainda reluzentes, foram oferecidos ao bebé de um casal muito jovem (16 e 17 anos) conhecido (um deles era colega de escola) da nossa filha do meio e que, em virtude da tenra idade em que tiveram o filho e situação de emprego precário, passavam algumas dificuldades para manter a criança. Outros têm-se destinado aos inúmeros netos de uma colega de trabalho da minha sogra que vivem com bastantes dificuldades económicas.

A outra faceta do nosso Natal, a tal que serve de alimento à criatividade, é sempre provida pelos artistas cá de casa que tratam sempre de cantar, representar ou produzir um qualquer género de espectáculo que nos agrega em torno de momentos de descontracção e alegria.

Os restantes “elementos natalícios” são conforme o que se adequa a cada ano.

Este ano as “artes manuais” relativas à decoração cingiram-se a pequenos elementos de decoração das paredes e vidros, que a mana Catarina fez com o Alexandre, muito entusiasmados a colar bolinhas e estrelinhas e coraçõezinhos de “pedras preciosas” (preciosas para o seu coração) em luas, estrelas e corações de cartolinas brilhantes.

(a da porta de entrada)

(este foi uma parceria entre o Alexandre e a sua amiguinha e nossa vizinha M.)

A árvore manteve-se igual à do ano passado, pois eles tinham feito no ano passado decorações novas em feltro para a árvore e continua tudo em bom estado.

O “Calendário do Advento” que tem sido sempre feito manualmente, pois o Alexandre não come as goluseimas tradicionais que vêm nos calendários comprados (chocolate só come de um tipo, que compramos em lojas de produtos naturais, sem leite e sem açúcar, rebuçados só gosta de uns de ervas suíças que também compramos em lojas de produtos naturais; e então costumamos embrulhar essas goluseimas e colocá-las numas bolsinhas correspondentes aos dias de Dezembro de um calendário feito em feltro), este ano foi o objecto da nossa pitada de consumismo, pois a Catarina descobriu existirem calendários do advento da Lego e o irmão é um aficcionado das construções em Lego. Lá comprámos este calendário e ele anda satisfeitíssimo a construir a sua cidade natalícia; até tem esperado pela meia-noite para abrir a janelinha do dia correspondente (que começa logo à meia-noite…), tal o desejo de conhecer as peças que lhe calham nesse dia.

(ao fim do dia 13…)

A festa de Natal oferecida aos filhos dos funcionários da Câmara Municipal onde trabalho este ano calhou precisamente no dia em que a irmã mais velha podia levar, por convite (ou seja, sem pagarmos) alguns familiares para ver a pequena peça natalícia que ela protagoniza e faz parte dos eventos de Natal da Kidzânia, pelo que fomos foi ver a mana a actuar (o Alexandre adora que a irmã faça deste personagem e daquele, diz que ela é a melhor actriz e cantora        🙂       ). Fomos nós cá de casa e o “pai das manas” e a mulher do “pai das manas” e gostámos todos muito (há umas manas que nos unem!).

E vai haver ainda outro evento especial. Na sua última aula de yôga de família (aulas para toda a família), o Alexandre propôs à professora que na próxima aula (a aula antes do Natal) a professora fizesse um teatrinho usando posições do yôga ilustrando uma história que iria escrever e depois enviar pela irmã para que a professora tivesse tempo de a preparar. A professora achou muita piada à sua ideia e disse-lhe, “então envia-me lá a história”! Inventou uma história bem grandinha, que depois me ditou em casa e eu escrevi, sobre a noite e o dia de Natal cá em casa. Ele preparou o envelope, colocámos a história lá dentro e agora falta a concretização do evento na próxima aula.

Este ano vamos ter connosco no Natal, para além dos habitués cá de casa, Bato (namorado da mana Catarina) incluído, que é também um óptimo animador, as duas avós, uma das tias e uma das primas, um dos tios e um dos primos (a nossa família é muito grande e algo dispersa geograficamente falando, não é nada fácil juntarmo-nos todos, sobretudo logisticamente falando, a última vez que me lembro de estarmos quase todos juntos foi na festa do 1º aniversário do Alexandre que foi ao ar livre no parque natural da serra da Arrábida). E os vizinhos pequenos aqui do nosso andar costumam vir brincar cá para casa também no Dia de Natal, tal como em muitos outros dias do ano.

Os presentes… também fazem parte da magia, cá por casa, por isso não desistimos de todo dos presentes. Há dois ou três anos atrás dei muitos presentes home made: na sua maioria, cachecóis em malha tricotados por mim, com um look moderno e que foram um sucesso. Este ano foi na faceta do nosso Natal onde mais apliquei algumas noções de economia e gestão de recursos.

Por exemplo, costumava dar uns agradinhos a vários amigos e filhos desses amigos e uns miminhos a alguns colegas de trabalho, este ano combinámos não trocar presentes. Costumo enviar pelo correio (ou fazer-lhos chegar por outras vias) presentes a todos os meus irmãos (que são cinco) e sobrinhos (sete), quando não nos encontrávamos no Natal, este ano só vou dar presentes aos que vêm cá passar o Natal (não é nenhuma retaliação, todos percebemos e ninguém se aborrece). Para os presentes aos filhos o orçamento também foi reduzido e escolhi pequenas lembranças que lhes dizem muito (que para eles tenham alguma magia) ou algo que estejam mesmo a precisar (no caso de uma). Para o meu irmão que vem cá, descobri que o livro que lhe queria mesmo oferecer (o “Raça Humana Ergue-te”, de David Icke), porque sei que lhe vai dizer muito, está à venda na loja on-line do site da editora em Portugal (Lux-Citânia) a metade do preço (estão todos os livros da editora a metade do preço, se comprados on-line). Já o encomendei e passados dois dias já tinha chegado a encomenda. E para a minha irmã que também vem cá, vamos comprar-lhe algo de utilidade ou decoração para a sua casa nova que está praticamente sem recheio ainda, de modo que ela precisa mesmo.

A minha prenda para o Pedro e do Pedro para mim desde que estamos juntos que não existe neste formato tradicional de presentes. No início, comprávamos algo para a casa que ainda fizesse falta (a cama, um armário…). Agora, costumamos ir mais tarde (em época baixa e de promoções) passar um fim-de-semana sozinhos (tipo mini lua de mel) ou irmos desfrutar de uma massagem de relaxamento a dois ou algo assim que surja e valha a pena e nos traga alguns momentos relaxantes e de proximidade. Sim, porque a forma como nos organizámos cá em casa a fim de pormos em prática o ensino doméstico requer muita dedicação e, no nosso caso, uma espécie de “passagem de testemunho” (quando eu chego do trabalho sai o Pedro para trabalhar) o que nos leva a dedicarmo-nos também a puxar de alguma dose de criatividade para que a nossa “relação a dois” tenha alguns momentos mesmo só a dois            🙂

Pronto, juntámos o útil ao agradável    🙂         mantendo uns pozinhos de perlimpimpim.

Beijinhos a todos e felizes dias!

Isabel

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7 Respostas so far »

  1. 1

    Rute said,

    Achei lindo e magnifico o teu Natal, querida Isabel.
    Tem luz! Luz interior e não luz monetária. Sim porque o dinheiro também cintila, uma luz artificial.

    Dá para ver pelas fotos que as decorações são home-made e outras delas reusadas de anos anteriores.

    Cá em casa, também é costume, durante todo o ano, andarem desenhos da Carol colados nas portas/paredes. Noutro dia até recortou e colou os produtos todos dum folheto de supermercado, no lado de dentro da porta da rua (com cola UHU stick)!

    Quando vi aquilo, ela já estáva a dormir e até ri em vez de ficar zangada. No dia seguinte quando chamei à atenção, ela foi às escondidas limpar a porta, mas resolveu raspar com uma tesoura em vez de humedecer com água. Resultado, tenho a porta de madeira toda riscada! O que vale é que sou desapegada a bens materiais. Se fosse há uns anos atrás, ficava furiosa!

    Neste Natal só temos mesmo um calendário natalicio também recheado em casa. Comprámos no Ikea em Novembro. É um Pai Natal composto por caixinhas numeradas que dá para encher. Mas adorei o teu calendário. Está super-fantástico!!

    Agora vamos às prendas. Do que eu não gosto é do caracter obrigatório e de ter de andar a stressar com uma lista na mão. Nestes últimos 10 anos, já tenho surpreendido as pessoas com prendas, mas dou porque tive tempo de confeccioná-las ou porque vi qualquer coisa que achei que a pessoa necessitava. Por exemplo estes cremes aqui.

    No inicio do primeiro casamento cheguei a ter uma lista de 90 pessoas a quem dar prenda. Um autentica loucura! Perdia imenso tempo e energia a orçamentar a lista, sim porque tinha de ter um tecto por prenda e mesmo assim o meu subsidio de Natal ia todo para essa lista. Cada vez que me lembro dessa época até me arrepio. Nós os dois tinhamos muitos amigos, amigos esses que entretanto casaram, tiveram filhos, mais as prendas de familia, mais as prendas para a professora, para as funcionárias da escola, para alguns amiguinhos de escola, grrrrrrrrrrrrrr.

    E outras tristes aventuras em familia por causa das prendas. Do género, virarem-se para mim e dizerem: -O quê só vais dar isso? Era melhor dares mais qualquer coisa pois o D. vai-te dar uma prenda bem cára!

    Olha, sabes o que te digo: teve de ser corte-cirurgico. Já não aguentava mais aquele materialismo extremista e escravizante. Fora as prendinhas dos chineses que recebia e que já não sabia onde guardar em casa!
    Beijinhos natilicios puros *<|:-)
    Rute

  2. 2

    Querida Rute, que bom o carinho nas tuas palavras, obrigada pela tua visita!
    Entendo-te perfeitamente em relação às prendas. Eu penso que cada um tem as suas próprias maneiras (a cada momento, pois noutras alturas poderá enveredar por outras soluções) de ir aprimorando o voltar a sermos nós próprios, o que nos diz algo descartando ou transformando o que não nos diz, o que vai fazendo parte da nossa verdade (que é muitas vezes também mutável e ampliável), o que interessa é que nos sintamos sinceramente felizes com as nossas escolhas e vejamos olhares e rostos felizes à nossa volta.
    Muitos beijinhos! Felizes dias!
    Isabel

  3. 3

    Flora Maria said,

    Oi, Isabel:
    É tão bom encontrar quem tenha as mesmas idéias e atitudes !!!

    Concordo totalmente e também vivenciamos por aqui o Natal dessa maneira: com decoração ecológicamente correta e reutilizada, comida vegetariana e presentes simples, criativos e úteis.

    Gosto muito das luzes, natalinas ou não,.
    Minha árvore-de-natal que tem sido, já há uns 3 anos, uma caixa de papelão que forrei de juta e enchi de hastes de uma árvore que tenho no quintal, e que fica o ano todo com luzinhas brancas enroscadas nela e, em momentos de festa, acendo, criando um clima mágico de casa de duendes ou fadas !
    Tenho vários ciprestes no quintal e deles sairam os lindos galhos verdinhos por muitos anos mas, eles cresceram tanto que não consigo mais pegar os galhos. Perdi minha árvore de Natal verdinha, e então resolvi usar essa de hastes !

    Fiz um calendário para meu neto quando pequeno ( agora já vai completar 19 anos !) que o deixou maravilhado. Usei o tema esotérico, com muitas atividades a serem feitas na natureza. Pena que não tenho foto nem o esquema. Sei que usei os 4 elementos e outras coisas mais.

    Esse é o verdadeiro sentido do Natal e da Vida.
    Aprecio demais sua maneira de ser e de agir e, em especial, a escola em casa !

    Parabéns pelo seu Natal, natural, ecológico, humano e divino ao mesmo tempo !

    Beijo

  4. 4

    Olá, Flora!

    Que bom quando o que escrevemos e contamos da nossa vida tem alguma ressonância nalgumas pessoas!

    Muito obrigada pelas suas palavras.

    Também admiro muito a sua maneira de ser e de pensar, pelo que tenho lido nos seus posts e nos seus comentários aqui e no cantinho da Rute.
    Ou não fosse a Flora a impulsionadora da Teia Ambiental, juntamente com o seu esposo… 🙂

    Gostei muito do que conta sobre como vivencia e comemora o Natal, mantendo-o mágico para as crianças (e também para nós, adultos!), não comprometendo os ideais e práticas que nos são caras, como as que referimos.

    Fadas e duendes são também com os meus filhotes, até se vestem de duendes e fadas (agora mesmo no Natal, vão-se vestir de duendes, de renas… 😉 )

    Um Feliz Natal para si e toda a família!
    Muitos beijinhos,
    Isabel

  5. 5

    Gina said,

    Isabel,
    Em algum aspectos, nossos natais se assemelham.
    Já há alguns anos deixamos de lado a lista de presentes, mesmo para os de casa. A ceia para poucos também foi substancialmente reduzida.
    Quanto ao aspecto religioso, temos credos diferentes em nossa pequena família.
    Gosto da decoração natalina, mas não tenho me animado a fazê-la, como era há uns 10 anos. Acredita que ainda não montei minha árvores? Pois é!
    Continuo achando que é a melhor época do ano pelo clima de confraternização e de mais solidariedade entre as pessoas. É a única época do ano que nos reunimos os 4 (marido, casal de filhos e eu), pois o filho mora em cidade distante. Por isso, principalmente, é muito especial pra mim.
    O importante são os valores e o desapego às futilidades, como você o faz.
    Bjs.

  6. 6

    Olá, Gina! Muito obrigada pelas suas palavras.
    Sinto ser muito importante haver algo que pelo menos uma ou duas vezes por ano faça unir a família, sobretudo pais e filhos, como no seu caso. Para mim, já é uma óptima razão para uma comemoração/celebração existir.
    Muitos beijinhos e um Feliz Natal para toda a família.
    Isabel

  7. 7

    Gina said,

    Visitando os amigos virtuais, volto para desejar um Natal de paz!
    Bjs.


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