Esperança _ 3ª fase da BCAP

Vivam!

Com este post, participo na 3ª fase – “Esperança” da Blogagem Coletiva “Amor Aos Pedaços” organizada por Rute, Rosélia e Rosa (Luma) (podem aceder à lista das restantes participações, aqui).

Quem espera sempre alcança. (Será??? Sempre, mesmo?)

A esperança é a última a morrer (o que significa que também morre…)

Aquele, vive de esperanças (é tolinho, coitado!)

Estar de esperanças!!! (estar grávida)

(óleo sobre tela, pintado por mim)

Ora que vou aproveitar este último dito popular, “estar de esperanças”, que é o que melhor se adequa ao meu post de hoje, que vou intitular de uma forma diferente, título que melhor reflete o meu sentir, estar e entender atual, substituindo Esperança por

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“Confiança, Entrega e uns pozinhos de Determinação”, com muita Gratidão à mistura _ cocktail (ou poção mágica!) que eu batizo de Fé.

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A primeira vez que “estive de esperanças” tinha a bela idade de 20 aninhos.

Não foi uma gravidez planeada. De repente, a minha vida, até então no ninho da minha mãe (e antes disso dos meus pais e depois dos meus avós e depois do meu pai e novamente dos meus avós e de seguida então, da minha mãe), ia dar uma volta (e que volta!). De cuidados e alimentados passamos a ter a função de cuidar e alimentar e a nossa barriguinha é mágica (o nosso útero!) como primeiro ninho de amor, cuidados e alimento.

Essa transformação foi, para mim, intuitiva. Em três tempos, a surpresa e o “não estar à espera” de tal notícia (dizem que “quem anda à chuva molha-se”, mas “quem anda à chuva com guarda-chuva não se molhará sempre”, de modo que não o esperava, mesmo…) deu lugar a uma confiança (interna e externa, isto é, em mim própria e em todos e tudo o que me rodeava) de que tudo correria bem, a uma entrega total e ao acionar da minha determinação em fazer tudo o que estivesse ao meu alcance (e o que não estivesse! Há que ser criativo…) para, da minha parte, proporcionar ao nosso bebé, a melhor gestação e a melhor infância que soube proporcionar.

Estava a completar, nesse ano (1985), o meu “curso médio” de Artes Visuais que me habilitava a lecionar e pensava já em concorrer a uma escola pública, na área; nesse ano, tinha sido já convidada a assistir as aulas práticas do meu professor de Design dessa escola de artes que frequentava e as perspetivas eram de continuar o mesmo trabalho em anos vindouros. E frequentava ainda o segundo ano do curso de engenharia civil da faculdade de ciências e tecnologia da cidade onde morava. Afigurava-se-me muito trabalho pela frente, grávida, a dar aulas em duas escolas e a continuar a estudar nas “horas livres”.

Nada disso me assustou, “para a frente é que é o caminho”, era um dos meus lemas (agora já não é, pois parece-me hoje que os caminhos podem derivar para todos os lados e mesmo, não haver caminhos, percursos, a percorrer, tão só amor a irradiar), ao mesmo tempo que um novo sentimento, o maternal, de carinho e puro amor, crescia dentro de mim. Pelo ser que acolhia no meu ventre. Pequenino, minúsculo…

Não quisémos saber se era menino ou menina, pedimos ao médico para não nos contar. Foi no momento do nascimento que nos vimos a ser brindados com uma menina linda!

Primeiro vivemos num quarto em casa da minha avó, tinha a filhota quase já um ano quando conseguimos alugar um pequeno T1. Não tínhamos carro. Grávida, apanhava autocarro para ir dar as minhas aulas na escola pública a para a escola particular ia a pé, que não era muito longe e os horários conciliavam-se. Quando concorri ao ensino, lembro-me perfeitamente de, em vez de desejar ficar colocada na escola tal (uma que era a que ficava mais perto de casa da minha avó), sentir que ia ficar na que melhor nos serviria e a que melhor eu servisse, decerto ia acontecer ficar colocada na “escola certa”. Entrega. Quando saíram as colocações, descobri que ficara colocada numa escola que não a tal mais perto da casa onde então morava, mas que ficava quase ao lado do meu local de trabalho nº2 (a tal outra escola) e calhou-me um “horário reduzido” (em vez de um “horário completo” de 22 horas semanais calhou-me um de 16 h semanais, o que queria dizer que ia ganhar menos (na proporção), mas por outro lado, permitiu-me dar as aulas em duas escolas e passar uma gravidez com menos exigência física do que se tivesse que dar aulas durante mais horas ainda, por semana).

No final da gestação dizia que queria ir a pé para a maternidade que ficava a cerca de 1 a 2 Km da casa da minha avó. Fomos de taxi, por causa da mala.                                                                             😉

O parto foi dos ditos “parto normal” e tive meia hora de contrações. Lembro-me de uma rapariga que já estava na mesma sala de preparação que eu e continuou depois de eu seguir diretinha para a sala de partos, gritar, enquanto eu já ia corredor fora, “ai que ela chegou depois e ainda se despacha primeiro!”. Gratidão. Grata ao médico que me assistiu (e que era o obstetra que me seguia), a toda a equipe, à maternidade que nos acolheu, ao meu corpo que se estava a portar lindamente, ao pai da minha pequenina, à minha pequenina por ser o maior presente, à minha avó que nos dava guarida e que sempre foi a minha avozinha querida e amorosa, à minha restante família, aos meus amigos, aos meus colegas de trabalho, aos meus empregadores, aos meus alunos, aos meus professores, à minha faculdade, à minha escola de artes, à minha cidade de nascimento e de nascimento da minha pequena, ao Universo!

Durante os seus primeiros três anos de vida, continuei nesta vida intensa, a dar aulas em duas escolas (no ano seguinte fiquei colocada na escola defronte do nosso T1), o pai era quem ia buscá-la ao infantário e lhe dava quase sempre o banho, eu fazia ainda a comida e tratava da casa e dava-lhe a papinha no meio de histórias e depois de a adormecer, “na maminha” (mamou até aos 14 meses), estudava para os exames na faculdade (e passava nos exames). Havia colegas minhas que me diziam que não sabiam como é que eu conseguia. Eu sabia. Queria, confiava e entregava-me. E fazia a minha parte. Não tinha esperança no futuro, agia no presente e confiava no fluxo. Tinha (e tenho, muitas vezes) fé, em mim, nos outros, no Todo, no Universo, na Vida, no Amor. Nem sempre, nem em todos os momentos, mas tive-a, nalguns momentos cruciais da minha vida, como este que conto hoje.

Evidentemente que nem sempre, volto a frisar_ e ainda agora tive momentos de falta de confiança, quando um dos meus maiores medos foi accionado. Para mim, não se trata de cada um “ter a suas verdades” e sim, “a cada um os seus medos, as suas ilusões”; são estes medos (que os temos por alguma razão) que vão minando a nossa intrínseca confiança e entrega ao fluir da Vida, e bem, “tenho-me visto e desejado” para trabalhar este tal, o que me vale é ter apoio e ajuda (obrigado Pedro, Catarina, Alexandre, Bernardo, Celina, Robiyn, N. e E.).

Continuando, então, o parágrafo anterior foi uma espécie de ressalva, pois às vezes penso se o que escrevo passará uma imagem de mim própria como sendo alguém que tem a pretensão de estar sempre bem e em equilíbrio e não percebe quem não o esteja. E não é nada disso, gente! Gosto é de partilhar o que de construtivo se vai passando comigo e à minha volta, as (re)descobertas que tenho feito e vou fazendo, algumas belas vivências… Continuando, então:

Anos mais tarde, quando ao frequentar os workshops Renaski^gi _ A Arte de Viver em Harmonia, um dia o Robiyn nos explica como a esperança pode desajudar (ou desajuda, na maior parte das vezes), a explicação fez muito sentido para mim, pois olhando para trás, para vários episódios da minha vida, vi logo que nunca tinha sido a esperança que funcionara comigo, nem os “pensamentos ditos positivos”, nem a força, nem o esforço e sim, exatamente, a tal poção mágica cujos ingredientes são: uma parte de confiança para duas partes de entrega total, uns pozinhos de determinação e tudo regado com gratidão mais do que q.b., cocktail que, como já disse, eu batizo de Fé, em todos nós e em tudo o que existe, Fé no Amor, na energia que Tudo permeia. E que, para que (re)descubramos que temos estes ingredientes no nosso armário mesmo ali à mão, precisamos de ir transformando memórias, medos, limitações, que são “traves nos meus olhos” e me fazem não enxergar a Realidade tal qual ela é.

Uma menina linda chamada Catarina. A minha filhota mais velha. Cinco anos depois, uma menina linda chamada Celina. A história do seu nascimento é já outra, ficará para um outro post, quem sabe. Dezassete anos depois, um menino lindo chamado Alexandre, cuja gravidez e nascimento já contei na 1ª fase da coletiva anterior, Fases da Vida. Sou mãe a triplicar. Costumo dizer que quando oiço chamar “Mãe!!!”, na rua, viro-me logo (é automático quer os meus filhos estejam ali, quer não).

Engraçado que quando a Rute (e a Rosélia e a Rosa), no mês passado, sugeriu a Esperança como tema para a 3ª fase desta coletiva, ocorreu-me logo o que iria abordar, que substituiria esperança por confiança, entrega, uns pozinhos de determinação e muita gratidão e que usaria a expressão “estar de esperanças” como mote para contar esta minha 1ª gravidez/nascimento da minha primeira filha. Nem me lembrei que o post “iria para o ar” no mês do Dia da Mãe. Nem que a minha filha mais velha está neste momento a sair do ninho da sua mãe para um à sua responsabilidade (não, ainda não vou ser avó…). Não liguei os pontos. Vi a ligação quando escrevi tudo isto. Coincidências, sincronicidades ou nem isso, Tudo se encaixa.

Hoje brincamos muito com a história: aqui há tempos, estávamos todos juntos, os de cá de casa, e a mais velha a contar como ainda se lembra tão bem de eu brincar com ela em pequenina, com as bonecas, com os peluches, com os puzzles, ou aos espetáculos (desde pequena que ela cantava e fazia a representação toda para a plateia do momento _ os familiares e os amigos que estivessem lá por casa) e eu a incentivava e a ajudava nos bastidores, e lendo e contando histórias e muitas outras atividades que fazíamos juntas, quando surgiu, já não sei porquê, o assunto da gravidez não planeada e ela, achando que não ligava bem uma coisa com a outra (de acordo com todos os preconceitos habituais), a minha disponibilidade e entrega totais à minha função de mãe versus uma gravidez não planeada, diz em tom dramático, com todas as expressões de atriz que lhe são características: “Mãe!!! Eu fui uma criança “não desejada”!!!”. E eu a rir-me, respondo: “Filha!!! Não foste desejada, foste muito querida, acarinhada e amada. E se tivesses daqueles nomes índios (alusão à anedota), em vez de Catarina chamar-te-ias “p. furado” (p., por causa dos motores de busca)”…  Ai, que o seu olhar vai-me trespassar quando ler que eu publiquei isto (esta parte da brincadeira em alusão à anedota)!!!

😀

“No problem”, todos percebemos que aqueles chavões psicológicos de culpas e frustações e coitadinho de mim, que não fui desejado, muitas vezes não terão fundamento. Alguns terão. Cada caso será um caso e não pode haver chavões. A vida de cada um o comprovará.

Grata a todos pela compreensão! Muitos beijinhos, menos momentos de esperança e mais de concretizações e ações harmoniosas e amorosas para todos!

Um grande abraço (dos de mãe)

Isabel

9 Respostas so far »

  1. 1

    elvira said,

    Muito interessante a sua história. No fundo aqui parece que em vez de esperança deveria ser coragem
    Um abraço

  2. 2

    ruteppp said,

    Comentário da Rô:

    «Olá, Isabel querida
    “O que me importa o tempo e o espaço,
    Se trilhei caminhos orvalhados
    Em busca do calor do teu abraço?”
    (Auxiliadora)

    A vida é cheia de “pequenas esperas”… e, no final, a vida se torna pura Esperança!!!

    Concedei-lhe, ó Deus, prodigamente, o ORVALHO DO CÉU…
    Até o próximo mês, se Deus quiser!!!
    Abraços esperançosos de paz

    “Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo
    imperdível, ainda que se apresentem dezenas
    de fatores a demonstrarem o contrário.”
    Fernando Pessoa.»

    Eu volto mais tarde.
    Beiiiiiiiiiiiijo!

  3. 3

    Lina said,

    Olá, Maninha! Pois eu aceito também este abraço dos de mãe. E ao ler o teu texto sinto-me mimada e abraçada! E encorajada! É disto exatamente que preciso, esta injeção de ânimo, de chamada de atenção de que o que penso é correto!Que apesar de parecer marciana no meio dos terráqueos, encontro pessoas que pensem como eu! É isso que senti ao ler-te, é isso que penso das situações de minha vida. Embora os nossos percursos sejam bem diferentes, eu só fui mãe aos 35 e mãe única, mas a forma como encaramos a vida é tal e qual! Eu não sou de traçar um caminho, ou mesmo desejar uma coisa certa, ajo um pouco por intuição, mas com fé e determinação em todos os setores da vida, seja no amor, no trabalho, até na vida doméstica…Não planeei que seria mãe aos 35, nem que seria mãe, mas desde que sou, vivo plenamente e sou grata por cada momento. Nunca pensei em me apaixonar e o meu coração encontrava-se livre de qualquer espera(ou esperança), de qualquer idealização, de qualquer pré-conceito e a semente certa lá foi plantada, e como não viver agradecida por isso, sou tão feliz! Era isso, que eu queria dizer e disseste tão bem: não esperar, não contar com nada, isso só nos atrapalha, só nos condiciona, só nos faz sentir amargura quando nos decepcionamos. E refletindo sobre o teu texto e minha vida, o que de bom tem acontecido foi exatamente quando não estava à espera, mas agi bem! Agir bem, não ter vergonha de agir corretamente, é incrível como isto acontece! Parece que encontro mais gente a querer não agir bem do que ser correto, ser bom, ser esforçado, ser educado, seguir um caminho porque é o certo, não porque me levará a algo! Foi a melhor lição de esperança que já tive, a antítese dela! Obrigada maninha, és a minha luz e minha força! Este não é um mundo virtual, é bem real!Sinto-me bem com vocês!Sem esperar, vos encontrei!
    Um milhão de beijos

  4. 4

    Vim a saber do termo “estar de esperanças” pela Rute e imaginei logo uma criança ansiosa para nascer. Não sei porque nesse caso, associo esperança com ansiedade. Ou sei?
    O amor nos motiva e talvez por isso você deu conta de tudo. Agora entendo porque não aceitou a fase desencanto muito bem🙂
    Já sabe quando será a sua próxima estada na esperança? Muito animada você depois de 17 anos ter outro filho.
    Boa blogagem!! Beijus,

  5. 5

    ruteppp said,

    Olá Isabelinha do meu coração.
    A Esperança tem um sentido muito lato. Dentro dela cabem todos os sentidos estritos, conforme tenho vindo a verificar no seguimento das participações. Para uns significa espera, para outros fé, para ti significa seguir em frente, aceitar o fluxo com um sorriso nos lábios.

    Gostei da tua história de Mãe Coragem! Venha o que vier, será amado. Entre mortos e feridos, havemos de escapar e aprender a viver melhor. Desde que não nos falte amor, tudo pode ser considerado dádiva e potencialidade.

    Que bom que estamos novamente juntinhas em mais uma blogagem. É sempre uma emoção acrescida dialogar contigo. Escutar os teus ensinamentos. E melhor que isso é sentir o teu abraço de mãe. O melhor abraço do dia, da noite, da tarde, da manhã!!!
    Abraçar-te é entregarmo-nos nos braços da esperança, sabes?
    Beijinhos.
    Rute

  6. 6

    Olá, meninas! Grata pela vossa visita e comentários! Gostaria muito de responder a cada uma em detalhe, desta vez vou ficar-me por vos agradecer em geral e entretanto esta coletiva vai continuar, vamos ter mais oportunidades de falarmos!
    Mil beijinhos
    Isabel

  7. 7

    Olá Isabel,
    Sempre bom saber um ponto de vista diferente. Eu tenho Fé como minha companheira constante. Mas adicionar coragem, determinação e gratidao a nossa vida, toena tudo bem melhor, com certeza.
    Um abraço

  8. 8

    […] vi que já viste que eu te percebo e que também me percebeste, pelo comentário que deixaste lá na minha participação… […]


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