Numeração Romana e reflexões derivadas

Olá a todos!

Hoje uma entrada simplesmente dedicada ao Caderno verde…

Beijinhos e belos dias para todos!

Isabel

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Caderno Verde

Numeração Romana e reflexões derivadas

Em Janeiro fui à escola onde o Alexandre está inscrito em ED, buscar os testes de final de período que as turmas do 3º ano tinham realizado em Dezembro. Foi a 1ª vez que usei desta disponibilidade que a diretora do agrupamento nos proporcionou (facilitou)_ em Janeiro fui lá à escola buscar os testes, depois da Páscoa ela já mos enviou diretamente por e-mail, o que é muito mais cómodo, pois a secretaria fecha à hora que eu costumo chegar a casa, do trabalho, e às Quartas nem abre à tarde.

Depois, comodamente em casa, vamos vendo as perguntas a responder e serve-me para verificar se o que andamos a aprender e a pesquisar seguindo os interesses do pequeno se encaixa e como se encaixa na matéria que dão na escola.

Ora logo no teste de Matemática (começamos por este que é sobre a matéria que mais lhe interessa e a seguir vem o do Estudo do Meio) descobrimos uns “números esquisitos” que chamaram logo a atenção do Alexandre e que me fizeram pensar “Ups, não me tenho lembrado disto, da numeração romana!…” _ é que eu já li o currículo nacional de trás para a frente e da frente para trás e temos os manuais escolares que a escola usa, conseguidos em segunda mão e de forma grátis, mas não os seguimos como na escola, servem apenas de apoio quando surge algum interesse específico que eu sei existir algo sobre o assunto nos manuais. De modo que a numeração romana nos tinha passado ao largo… até então, quando os números romanos no teste, suscitaram curiosidade crescente.

Então eu expliquei-lhe sobre a numeração árabe e a romana e comecei, nas costas da folha do enunciado do teste, a mostrar como os romanos representavam o I o II, o III, o IV…

quando ele, entusiasticamente diz: ” Já percebi porque estão estes números nas capas dos filmes 1, 2, 3, 4, 5 e 6 do “Star Wars”!!!” _ sim, o pai, em jovem, era fã da série e mostrou-a ao filho por causa do seu fascínio por naves espaciais, um pouco contra a minha vontade… E ficou radiante por ter descortinado o que queriam dizer aqueles símbolos que ele tem visto nas capas dos filmes. Bem, a partir daí prestou uma atenção à sequência dos números e quiz logo saber como se representava o “500” em numeração romana e o “1000” e o “1000000”!!! Ora que eu já tinha dúvidas se ainda me lembrava corretamente e lá fomos à net, aqui e aqui, pesquisar… e foi uma alegria!

Entretanto passaram-se meses desde este episódio (não voltámos a debruçarmo-nos sobre a numeração romana) e há coisa de dias, a irmã do meio (a Celina) que esteve com ele a fazer uns exercícios de Matemática veio dizer-me que não tinha ideia que ele soubesse tão bem a numeração romana (ele começou a mostrar-lhe…) e eu disse-lhe “É, no outro dia estivémos a escrever números romanos, mas já foi em Janeiro, ele ainda se lembra?”. “Escreveu uns quantos lindamente, a mostrar-me.”_ respondeu ela.

Anteontem, o pequeno assim do nada, sentou-se à sua mesinha e no meio de uns quantos desenhos que esteve a fazer, escreveu também num papel a sequência dos números até XX (ele sabe a sequência toda, só que o papel deu bem até aos XX e foi o que lhe apeteceu…) e a seguir, “5000” e mostrou à mana Catarina assim que ela chegou (ela e o Bato ainda têm vindo cá a casa quase todos os dias, pois ainda não levaram todos os seus pertences para a “sua” casinha).

Ia-me dizendo para eu colocar um visto por baixo e quando viu o meu “visto feito à pressão” sob o XVIII disse “Mãe, que certo é esse?!!! Com um tracinho para o lado?!!! Deve ser um “certo romano”…”

(entre o número romano e o seu correspondente árabe, os dois tracinhos são o sinal de igual, “em pé”)

(o meu “certo romano”, ali por debaixo do XVIII…)

(este XX foi feito sem o papel estar apoiado na mesa, assim “no ar” e já agora aproveito para frisar algumas coisas: nós nunca lhe impomos tarefas como as de escrever 20 vezes a mesma letra ou o mesmo número para os aperfeiçoar (em termos de desenho), ele sempre quiz escrever um e pronto (a maior parte das vezes nos últimos até tem menos paciência e saiem pior), de modo que não nos faz sentido a repetição. Quando o faz, por ele, ele próprio refaz (um desenho, por exemplo),porque considera que o primeiro não saíu bem; quando precisa de escrever números ou letras “perfeitinhos” eles saiem “perfeitinhos”…

E também, como já viram, não o corrigimos (nem nos preocupa) quando ele desenha algarismos ou letras “ao contrário”, nós não consideramos isso dislexia, como já aqui escrevi num outro post, John Holt explica muito bem como isso é natural nas crianças, tal como elas desenham um cão ora com a cabeça voltada para a esquerda ora para a direita e para elas continua a ser o mesmo cão, também desenham um P (ou um B ou um 6 ou um 2) ora voltados para a direita ora para a esquerda e, para elas, continuam a ser as mesmas letras e algarismos. E também deixamos livremente que escreva a palavra “em espelho” ou que chegue ao fim da linha e continue para trás, escrevendo da direita para a esquerda, como o fez neste desenho (e faz várias vezes),

pois o nosso cérebro funciona mesmo assim, é capaz de ler em todas as direções, inclusivé de captar um texto como de uma fotografia se tratasse e nós inibimos todas essas suas natas capacidades ao restringirmos a leitura e a escrita apenas da esquerda para a direita (ou de cima para baixo, como noutras culturas); é evidente que, se a convenção é ler da esquerda para a direita e eu vou escrever em espiral, às páginas tantas os outros não me vão entender; então nós proporcionamos os textos tal como habitualmente eles se nos apresentam, mas alertamos para o facto de existirem outras culturas onde se escreve de outras formas (para além de noutra língua, claro) e não restringimos as suas manifestações espontâneas de várias formas de escrita.

Outra faceta, por exemplo, o Alexandre nunca gostou de colorir desenhos, gosta sobretudo de desenhar só com uma cor ou desenhar ou pintar (em telas) diretamente com várias cores (sem ter de desenhar primeiro e colorir depois) e nós nunca impusémos, como é óbvio, que colorisse desenhos. Caso venha a interessar-se por fazê-lo, então aí sim, apoiaremos.

E ainda, quando faz algo para oferecer a alguém, gosta de adequar o que faz aos gostos da pessoa a quem vai oferecer, como por exemplo esta página de contas que fez, de cabeça, para oferecer à mana Catarina, bem coloridas, pois a mana gosta muito de cores (e de misturar cores)_ ela colocou-as no quarto dela como um quadro oferecido pelo seu mano.

2 Respostas so far »

  1. 1

    Flora Maria said,

    Oi, Isabel:

    Cada vez fico mais fascinada com esse método de ensino em casa!

    E também muito curiosa sobre no que vai dar essa forma de ensino, e no que se transformarão as crianças que por ela forem educadas.

    Terra é planeta de experimentação, isso já sabemos. Resta observar os resultados.

    Beijo

  2. 2

    Oi, Flora!
    Pois cá em Portugal já temos alguns “resultados”, embora poucos. Pode ler aqui, por exemplo, a partilha de uma mãe que teve a filha mais velha em ensino doméstico do 1º ao 4º ano e que depois entrou na escola no 5º e conta como foi bem fácil a sua adaptação: http://pesnarelva.wordpress.com/2011/11/05/halloween-e-outros/
    Bem, no Reino Unido e nos estados Unidos da América já existem várias gerações de homeschoolers e muitas análises de resultados, com um pouco de pesquisa dá para perceber muita coisa..
    Muitos beijinhos e imensamente grata pela sua visita!
    Isabel


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