“Definição” e Princípios do Unschooling

Vivam, bom dia!

Na coluna da direita aqui do blog, na parte das Categorias e no seu número 3-Unschooling, podem aceder aos vários posts que tenho colocado sobre o assunto, espelhando um pouco aquilo de que me fui apercebendo serem os princípios básicos do Unschooling, de uma “aprendizagem natural”.

Uma aprendizagem que no fundo não é aprendizagem. Como diz John Holt nalgum dos seus livros que li, já não me lembro qual (penso que em “Teach Your Own”, mas não tenho a certeza, agora…), nem sequer se trata de aprender e sim a criança ir-se apropriando do que o rodeia, isto é, ir vendo, sentindo, experienciando, como funciona o mundo à sua volta.

Isto suscita-me sempre uma imagem que para mim retrata o que exatamente trata isto de uma suposta aprendizagem. Quando penso no que é “aprender” assemelho sempre as crianças pequenas a uns extraterrestres que aterram por aqui e se vão surprendendo e fascinando “olha como eles fazem isto por aqui! Olha como funciona aqui! Olha, não levitamos e chamam-lhe gravidade!”

Mais ou menos isto…

😉

Assim, para mim, “aprender” às vezes até será “desaprender” e não é exatamente sinónimo de evoluir. Por isso gosto muito de observar e escutar as crianças. O que não implica que ache desnecessário esta parte de irmos vendo como as coisas funcionam por aqui, na Terra. E se soubermos como, no resto do Universo. É útil. É aqui que vivemos agora, não é verdade? Sem, no entanto, perdermos uma perspetiva mais ampla.

Essa descoberta de como funciona o mundo à nossa volta é intrínseca ao facto de viver, decorre naturalmente, não necessita propriamente de escola. É assim que eu entendo o Unschooling. É assim que o tenho vivido.

Introdução feita, hoje quero partilhar convosco a “Definição e Princípios do Unschooling”, que considero ser um excelente resumo, tradução livre da Marta Borges Pires (e com a sua expressa autorização) de textos extraídos do site da Sandra Dodd (http://sandradodd.com), diretamente referenciados em baixo (Nota: já tinha colocado há tempos um link para um post da Paula do Aprender Sem Escola com a sua tradução livre dos mesmo princípios):

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“O “unschooling” versa sobre a aprendizagem natural. Consiste na criação e manutenção, por parte dos pais, de um ambiente rico e estimulante em que as crianças podem seguir os seus interesses e as suas paixões. Envolve as crianças terem opções e os pais serem parceiros na aprendizagem dos seus filhos. Os pais facilitam, ajudam, encorajam, inspiram, guiam, apoiam e amam. As crianças aprendem, riem, brincam, descobrem, exploram, constroem, inventam, criam, resolvem quebra-cabeças, fazem puzzles, partem para aventuras e aprendem um pouco mais. Alguns pais estendem a filosofia do “unschooling” para além da componente académica e dão às crianças mais opções em todas as outras áreas das suas vidas (comida, horário de dormida, entre muitas outras áreas). A isto se chama “radical unschooling”.

 

Um esclarecimento sobre a utilização do termo “radical” neste contexto (retirado da página http://sandradodd.com/unschool/radical): para Kelly Lovejoy, o termo “radical” significa “profundo”, “ir ao cerne da questão, ao âmago” (“to the core”); para Sandra Dodd, é um tipo de “unschooling” que é real, profundo, comprometido, claro, que tem um propósito, que é focalizado, sentido, inteiro. E, de facto, pesquisando uma definição da palavra em português (ver http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/radical), cheguei ao seguinte resultado:

 

Radical

Adjetivo de 2 géneros

1. relativo a raiz

2. fundamental, básico, essencial

3. completo, total

4. drástico, profundo (…)

(Do latim radicāle-, «da raiz»)

Os princípios subjacentes ao “unschooling”, segundo Pam Sorooshian, são os seguintes (http://sandradodd.com/pam/principles):

 

A aprendizagem acontece a toda a hora. O cérebro nunca pára de funcionar e não é possível dividir o tempo em “períodos de aprendizagem” versus “períodos de não-aprendizagem”. Tudo aquilo que acontece à volta da pessoa, tudo aquilo que a pessoa ouve, vê, toca, cheira e saboreia resulta numa aprendizagem de algum tipo.

 

A aprendizagem não requer coacção. De facto, a aprendizagem não pode ser forçada contra a vontade de alguém. A coacção faz-nos sentir mal e cria resistência.

 

Aprender sabe bem. É gratificante e intrinsecamente recompensador. Recompensas irrelevantes podem ter efeitos secundários não pretendidos, que não apoiam a aprendizagem.

 

A aprendizagem pára quando a pessoa está confusa. Tudo o que é aprendido tem de se ligar a algo que a pessoa já conhece/sabe, sendo que, na maioria das vezes, este processo acontece de uma forma não linear.

 

A aprendizagem torna-se difícil quando a pessoa está convencida de que aprender é difícil. Infelizmente, a maior parte dos métodos de ensino pressupõe que aprender é difícil e essa é a lição que é realmente “ensinada” aos alunos.

 

A aprendizagem deve ter um significado. Quando a pessoa não consegue entender o porquê, quando não sabe de que forma é que a informação está relacionada ou é útil no mundo real, então a aprendizagem é superficial e temporária – não é uma aprendizagem “real”.

 

A aprendizagem é, muitas vezes, acidental. Isto significa que nós aprendemos enquanto estamos ocupados com actividades de que gostamos por si próprias e a aprendizagem acontece como uma espécie de “efeito secundário”.

 

A aprendizagem é, muitas vezes, uma actividade social e não algo que acontece em isolamento. Nós aprendemos com as outras pessoas que têm as capacidades e os conhecimentos que nos interessam e que nos deixam aprender com elas das mais variadas formas.

 

Nós não temos de ser testados para descobrirmos o que aprendemos. A aprendizagem será demonstrada à medida que utilizarmos novas competências e falarmos com conhecimento acerca de um tópico.

 

Os sentimentos e o intelecto não são opostos, nem sequer são coisas separadas. Toda a aprendizagem envolve as emoções, bem como o intelecto.

 

Aprender requer uma sensação de segurança. O medo bloqueia a aprendizagem. A vergonha e o embaraço, o stress e a ansiedade, bloqueiam a aprendizagem.”

1 Response so far »

  1. 1

    […] Assim para não me estender muito e para inserir no assunto quem não esteja e queira, lembro-vos um post onde coloquei os princípios do Unschooling segundo a Pam Sorooshian. […]


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