Socialização… :D

Olá a todos!

Um dos estigmas do ensino doméstico/unschooling é a socialização.

Esclareçamos: para mim não é nenhum estigma, muito pelo contrário, temos tempo para praticar a “verdadeira socialização”, isto é, a escola não detém o privilégio dos encontros sociais e se pensarmos bem, não é palco de encontros sociais. E o facto de cada um de nós (crianças, adultos) sermos “mais ou menos sociáveis”, o que quer que isso signifique, não tem a ver com o termos frequentado a escola ou não e sim com a personalidade de cada um que há que ser percebida e respeitada.

Eu sinto, indo no terceiro filho, ter já algum traquejo nisso de perceber que cada um é como cada qual, observar e respeitar.

Costumo contar a seguinte história: eu tenho duas filhas, mais velhas (hoje com 26 e 21 anos), que sempre andaram na escola (uma desde os 8 meses, outra desde o ano); a mais velha, a cada início do ano letivo, chorava agarrada a mim nos primeiros dias de aulas, pedindo para não ir para a escola e ficar comigo, a mais nova, não deixou sair um “ai” desde o primeiríssimo dia (uma educadora do jardim de infância disse-me um dia que ela “tinha muitas defesas”, explicando-me de seguida o que queria dizer com isso: apesar de ser sempre a mais nova da turma _pois nasceu no último dia do ano_ fazia uns pequenos subornos, para se defender dos mais velhos, negociando com as colegas mais velhas_ se a protegessem, deixava que elas lhe pegassem ao colo); a mais velha, ia comigo ao supermercado e se via uma colega sua ao fundo, mesmo que fosse uma das suas mais amigas, escondia-se  atrás de mim, para que a colega a não visse e chamasse por ela, a mais nova, no mesmo supermercado, ainda eu não tinha visto a colega lá ao fundo nem a própria a tinha visto ainda, já se esticava aos gritos abanando a mão e chamando por ela; a mais velha, encolhia-se toda sempre que tinha que pedir alguma coisa, por exemplo, um copo de água num café, resolvia a questão pedindo à irmã, cinco anos mais nova, que fosse ao balcão pedir ao empregado um copo de água para ela, o que a mais nova fazia de bom grado, sem qualquer problema; a mais velha tem amigos e amigas, socializa com eles da forma que mais lhe agrada, a mais nova tem amigos e amigas e socializa com eles da forma que mais lhe agrada (a forma que mais agrada a uma é diferente da que mais agrada à outra, pois uma é mais caseira (como se usa dizer, mas podemos convidar amigos para casa, ou não? E podemos frequentar as suas casas, podemos ir juntos a algum lado de uma forma mais tranquila, podemos não gostar muito de sair à noite, podemos gostar de estar com poucas pessoas de cada vez…) e a outra menos (podemos gostar de estar mais vezes fora de casa, podemos gostar de sair à noite, podemos gostar de reunir um grupo maior, podemos…)

Disse no início que um dos estigmas do ensino doméstico/unschooling é a socialização, porque se costuma confundir socialização com estar todos os dias rodeados de pessoas da mesma idade, interagindo com eles ou não, ou sermos obrigados a fazê-lo. Acho eu. Ou então porque a será que a pergunta mais frequente quando alguém fala em ensino doméstico tem sido “E então a socialização?”.

Nunca abordei, até hoje, o tema neste blog; talvez porque para mim nunca se pôs a questão; ou talvez porque me tenha cansado de ouvir falar no assunto (ou de ler sobre o assunto) em tudo quanto seja canto que aborde o ensino doméstico e para mim é uma falsa questão que não faz sentido nenhum.

Hoje aproveito para falar no tema a propósito das fotos que coloco em baixo e o artigo poderia bem chamar-se “Fotos de Família” ou “Momentos Divertidos” ou “Nova estadia do primo cá em casa” ou…

Para contar um pouco de como socializamos, nós socializamos quando vamos ao supermercado e a senhora da caixa se mete connosco e fazemos um pouco de conversa. Socializamos com alguns vizinhos (pequenos e graúdos). Socializamos quando vamos buscar o carro ao mecânico e ficamos para ali a perguntar-lhe como funciona isto e aquilo. Socializamos quando temos encontros propositados com pessoas que não conhecemos bem ainda, mas que sabemos partilharem de algumas ideias e práticas. Socializamos com os muitos amigos que temos (obrigada amigos!) e com a família (também somos muitos!). Socializamos quando damos festas e jantares ou quando vamos a festas e a jantares. Socializamos quando vamos à praia e há sempre alguém que quer construir connosco o castelo de areia (ou que vai connosco para a praia). Socializamos quando acontece, não somos “fanáticos da socialização”. Também passamos muito tempo tranquilamente “recolhidos” (socializamos uns com os outros cá em casa!)

😀

As fotos são um apontamento de alguns momentos felizes que passámos com o primo e a tia (o primo já cá tinha estado há uma semana atrás com o tio, no dia do aniversário do Alexandre e no dia da festa a que vieram muitas mais crianças, de várias idades diferentes e alguns adultos e vamos voltar a estar juntos em Setembro). Há mais primos e mais tios, o Alexandre gosta muito de estar com este seu primo, dois anos mais velho, desde pequenos. Nasceram na mesma maternidade em Beniarbeig, Espanha, talvez tenha algo a ver. E quando o Alexandre nasceu estava lá connosco e os seus pais, de férias.

Também num dos dias em que passaram cá connosco veio cá um nosso amigo que vive no Reino Unido e que todos os anos, quando vem a Lisboa vem cá jantar e há sempre noitada à conversa e na brincadeira; desta vez voltou a ser mesa cheia não a jogar às cartas como no ano passado e sim a jogar Monopoly City, que o Alexandre recebeu no seu aniversário. Pequenos e graúdos.

E agora as fotos que nos fazem sorrir e sentirmo-nos gratos à Vida (obrigada tia pelas fotos maravilhosas, és uma maninha para mim e gosto muito dos momentos que passamos juntas!):

A tia e o primo foram visitar a Feira do Artesanato onde a mana Catarina se tem divertido a fazer pinturas faciais.

Por mim, contratava já os três!

🙂

O Alexandre disse “primo, pareces um cacto!”

Tantos “surfistas voadores” na Costa da Caparica…

A cabecinha do primo ali mesmo no meio das ondas.

Bem, nem imaginam de que tamanho ficou este buraco!

Este parecia que estava a captar energia solar, mas acho que estava a mandar parar as ondas…

Enquanto este sugeria surfar nelas…

No coments!

😉

Abat jour ou chapéu chinês?

Pois temos tido dias bem divertidos!

Belos dias também para vocês. Beijinhos a todos.

Isabel

6 Respostas so far »

  1. 1

    O meu filho esteve em casa comigo até aos 3 anos, altura em que foi para o infantário, não saiamos muito nem conviviamos muito pois estamos um pouco isolados em termos de região… Mas ele sempre foi muito dado, sempre tentou conversar com outras pessoas, brincar, comunicar… Qd coeçou no infantario adorou e não estranhou nada!
    Conheço miudos que desde dos 4 meses andam a “socializar” no infantário e são autenticos “bichos-do-mato”.

  2. 2

    Obrigada, Especialmente Gaspas, pela partilha!🙂
    Muitos beijinhos
    Isabel

  3. 3

    Eu ainda não percebo a educação doméstica. Quem ensina é um professor particular? Aqui no Brasil esse método não é popular, pois não é regularizado, a não ser para crianças especiais.
    Acho importante as crianças interagirem com outras crianças que não sejam do ciclo social dos pais, pois quando crescerem, não terão os pais por perto. Posso estar falando besteira, mas os melhores amigos dos meus filhos, foram encontrados dentro da escola em que estudaram.
    Bom fim de semana! Beijus,

  4. 4

    Oi,Luma! Aqui em Portugal o ensino doméstico tem uma legislação própria e tem vindo a crescer nestes últimos anos. Também tem essa hipótese de ter aulas individuais com um professor, legalmente é chamado de Ensino Individual. O Ensino Doméstico é definido como sendo familiares ou pessoas com quem a criança coabite os responsáveis pela sua “instrução”/educação. Não implica necessariamente que a criança não venha a ter um círculo social mais alargado que o dos pais; as crianças em ensino doméstico continuam a frequentar atividades fora de casa e estar com pessoas que não conheceram através dos pais (natação ginástica, música, línguas, pintura, fotografia, por exemplo, ou o que for); muitos pais recorrem muito às bibliotecas municipais e às visitas a museus, exposições, etc.; outros a viagens, outros a encontros com outras famílias que também praticam o ensino doméstico ou a encontros com outros “grupos” unidos por um determinado interesse; ou um pouco de tudo. Não há limites a não ser os que coloquemos a nós próprios (ou limites financeiros ou de saúde, mas com criatividade mesmo esses são transpostos), o que quero mesmo dizer é que não temos limites como horários, matérias estanques e compartimentadas, a criança relacionar-se quase só com crianças da mesma idade, iatos entre a teoria e a prática, diferença acentuada entre estudo e brincadeira/divertimento, interrupções nas atividades que estamos a desenvolver com tanto interesse e chega uma campainha e “pára tudo!” e muitos outros limites a uma aprendizagem estimulante, entusiasmente, direcionada pelo interesse da criança, natural, autónoma, criativa, funcional, efetiva (sem ser aquela que se decora para aquele dia e logo se esquece) e muitos outros adjetivos bem interessantes.

  5. 5

    […] 2012: Socialização e Variações sobre um tema _ […]

  6. 6

    […] pintaram o abat jour do candeeiro de tecto, de vermelho (era este aqui o da última foto deste outro post, aproveitado _ […]


Comment RSS · TrackBack URI

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: