Informação sobre o Unschooling Ressonante com a BCAP

Ora aqui está o encerramento em beleza da Coletiva Amor Aos Pedaços promovida pelas Rute, Rosélia e Rosa (Luma).

À semelhança do que aconteceu na coletiva anterior (Fases da Vida), a ideia é, no final, ressoarmos com as diversas fases que compuseram esta coletiva, usando um tema. Na coletiva anterior ressoei com informações sobre livros, filmes, cd’s com exercícios, workshops  e outros recursos que nos ajudam a abrir perspetivas e melhorar de vida. Para esta, ressoo com informações/recursos para o entendimento do Unschooling, também uma forma (amorosa!!!) de vida.

🙂

Assim para não me estender muito e para inserir no assunto quem não esteja e queira, lembro-vos um post onde coloquei os princípios do Unschooling segundo a Pam Sorooshian.

E agora as ressonâncias:

1ª FASE – ENCANTAMENTO

Foi com encanto que descobri o que é o Unschooling, através deste livro (um dos seus primeiros) de John Holt, precisamente o autor do termo Unschooling.

Como As Crianças Aprendem é um livro baseado na experiência, em vivências, em observação amorosa (não em teorias).

É difícil escolher um pequeno trecho como citação e que represente o livro, pois todo o livro é recheado de evidências que nos fazem entender, por ser naturalmente assim. Vou colocar aqui algo, que vem mesmo no Prefácio e que tem a ver com amor!!!

🙂

“Tudo o que quero dizer neste livro pode ser resumido em três palavras: confiemos nas crianças. Nada poderia ser, ao mesmo tempo, mais simples e mais difícil. Difícil porque, para confiar nas crianças, devemos confiar em nós mesmos. E a maioria de nós aprendeu, quando criança, que não somos confiáveis. Continuamos, por isso, tratando as crianças como fomos tratados. E chamamos a isso de “realidade”. Vez ou outra dizemos, com certo travo de amargura: “Se consegui aguentar, elas também conseguem”. Afirmo que precisamos quebrar esse ciclo de medo e desconfiança. Precisamos confiar nas crianças, embora não tenham confiado em nós quando éramos como elas. Fazer isso será um grande acto de fé. E grandes recompensas aguardam aqueles que de nós forem capazes desse acto.”

Para quem estiver interessado em saborear alguns textos, linko aqui alguns dos posts deste blog onde coloquei alguns excertos para reflexão:

Ensino Doméstico (Homeschooling) e John Holt
Aprender por Saltos
Seguindo os seus interesses
Seguindo os seus interesses II
Seguindo os seus interesses III
Representações, Abstracções, Símbolos… Falar, Ler, Escrever II
Projectos _ ideias a implementar por várias pessoas em vários locais diferentes

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2ª FASE – DESENCANTO

Não foi o nosso caso, mas há muitos casos em que pessoas chegam ao Ensino Doméstico e muitas vezes, mesmo ao Unschooling (que pode ser considerado uma das vertentes do ensino doméstico), pelo desencanto com o que se passa nas escolas. Desde desinteresse completo da criança, a abusos e a bulling.

Sobre situações de desencantos há muitos relatos no blog da Paula, Aprender Sem Escola. Mas também muitas situações de encantamento e de sucesso (essas as que têm a ver com o ensino doméstico e o unschooling).

Vou remeter-vos aqui para estes seus dois posts, à volta do mesmo tema: A motivação que nos leva ao ensino doméstico” (inspiração ou desespero?) e “A motivação que nos leva ao ensino doméstico II“. E também aqui pare este:O que está errado com a educação? A escola!” , que me leva sempre a pensar no que está por detrás, nas origens da escolaridade obrigatória (compulsória).

Vou seleccionar aqui primeiro um excerto destes posts (podendo, leiam-nos na íntegra, ou perderão todo o sumo…):

“Infelizmente, a verdade é que existem muitas famílias que retiram os filhos do sistema escolar por desespero. São pais cansados de ver os filhos sofrendo por causa do bullying e violência escolar que leva tantos estudantes ao suicídio. São pais cansados de ver o impacto negativo da frequência escolar nos filhos especiais. São pais de crianças com dispraxia, dislexia, síndrome de asperger, déficit de atenção e hiperatividade, etc, que chegaram à conclusão de que a escola não tem a capacidade de cuidar, muito menos educar e nutrir as necessidades dos seus filhos.”

E como devem ter percebido na minha participação sobre o desencanto na coletiva Amor Aos Pedaços, eu não considero o desencanto uma fase do amor, para mim desencanto tem mesmo a ver com o desamor (também é possível que de situações de desamor se vislumbre o amor ao fundo do túnel mas, quanto a mim, não é absolutamente necessário passar por elas para se ser amoroso e viver em amor), então este outro excerto dos posts da Paula:

“Por outro lado, existem cada vez mais pessoas que se sentem cheias de inspiração, pessoas cujo impulso para a educação domiciliar vem de uma visão positiva do que querem alcançar. Para elas, o ensino doméstico não é uma forma de se libertarem de um pesadelo mas um sonho que querem tornar realidade. Para estes pais, o homeschooling e/ou o unschooling faz parte integral do seu projeto de vida.

São pais inspirados pelos direitos das crianças, pela liberdade na aprendizagem, pela educação democrática, pela parentalidade intuitiva, pela comunicação não violenta, pelo direito à felicidade, pela criação de um mundo melhor para as futuras gerações. São pais conscientes da interconectividade de tudo e todos, conscientes do efeito borboleta, conscientes de que o bater das asas de uma borboleta num extremo do globo pode desencadear um tufão no outro lado.”

QUE É O NOSSO CASO, nós fomos movidos pela inspiração.

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3ª FASE – ESPERANÇA

Ressoando com esta fase quero falar-vos aqui de um livro de um autor português, António Torrado, “Da Escola Sem Sentido À Escola Dos Sentidos”. Soa a esperança!!!

(Nota: para aproveitar uma foto que já tinha tirado, figura aqui um outro livro, também muito interessante, sobre a educação)

Basicamente ele demonstra como a escola nos moldes atuais não faz qualquer sentido, porque não possibilita nem permite que a aprendizagem se faça naturalmente, usando todos os nossos sentidos, fazendo coisas, usando o tacto, cheirando, provando, ouvindo e vendo, queremos à força que as crianças aprendam algo apenas ouvindo o que os professores dizem, vendo eventualmente algumas imagens e o que o professor escreve no quadro e lendo (o que o professor escreve e textos e mais textos desconexos, ou um livro na íntegra, que seja…).

(abstrata!     :)      ) deriva a partir de coisas que conheces, viste, sentiste, experimentaste, de alguma forma, ou não conseguirá fazer ligações, Vou derivar um pouco do livro e dizer algo que eu fui percebendo ao longo da vida: mesmo para quem tem facilidade em raciocínio abstrato (que é o mais altamente visado no sistema escolar), como eu sempre tive, o raciocínio abstrato não vem do nada. A palavra abstração tem a ver com a palavra subtração. Nos tempos em que me dediquei à pintura e ao estudo da história da arte e da estética (história dos valores, do que se valoriza, do que e a que se vai dando valor, que vão estando por detrás das obras de arte) percebi o que significa a arte abstrata para os artistas que estudam arte (não os naifs, isto sem qualquer julgamento, note-se por favor): abstrair quer dizer ir subtraindo partes, partindo de algo “completo” (o que implica termos conhecimento desse algo “completo”) focarmo-nos apenas em algumas partes ou numa só (no caso da arte abstrata só na forma, só na cor, só focando e explorando o suporte, por exemplo, ou num conjunto de algumas partes dos objetos em sentido lato). Raciocinar abstratamente significa raciocinar sobre partes e essas partes vêm de algum lado. A tua/minha/nossa mente inteligir.

Eu disse que o título “Da Escola Sem Sentido À Escola Dos Sentidos” soa a esperança, pois parece que então o ideal é criar uma escola dos sentidos. Sim, mas uma escola dos sentidos não se pode confinar a um edifício onde as crianças passam a maior parte do ano (mesmo que tenha jardins à volta e piscina!). A escola dos sentidos é todo o mundo à nossa volta, todo o universo, é o não-processo-de-escolarização, de-ensino-fragmentado e o sim-viver-cada-dia-integrado-em-tudo-o-que-vai-surgindo-decorrendo-ligando-criando-imaginando-ligando-cheirando-saboreando-mexendo-e-remexendo-vendo-ouvindo-ligando-sintonizando até através de outros canais, de outras frequências, como intuindo…

Então, mãos à obra, há que encontrar novas formas, ver se nos servem e nos fazem sentido, e mergulharmos de cabeça. Se continuarmos à espera, na esperança que um dia algo aconteça, então bem poderemos ficar eternamente à espera… Não podemos viver por procuração, através de outras pessoas/sociedade/governo/ideais/projetos que nunca executamos/o que for. Sei que muitas vezes temos vivendo assim (ou melhor, sobrevivendo), podemos sim ir descartando o que não tem a ver com cada um, o que deixámos que nos impusessem e voltar à nossa própria essência, orientarmo-nos por o que realmente nos faz sentido, cumprirmo-nos enquanto o ser (livre e como tal único responsável, integrado, multifacetado e uno), amoroso que somos.

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4ª FASE – QUESTIONAMENTO.

Para ressoar com esta fase vou falar-vos de um belo recurso para quem quer questionar, tentar perceber como funciona, ter dicas onde encontrar mais informação, ouvir sobre experiências dentro do assunto, falar das suas, etc., etc., isto no que concerne ao ensino doméstico e ao unschooling: os “grupos de discussão” (não me soa bem o nome, mas pronto, é o nome técnico) on-line. Há-os por todo o lado!

🙂

O primeiro em que me inscrevi foi o grupo do yahoo. Posteriormente um outro, na rede social ning. E mais recentemente no grupo do ensino doméstico do facebook e no das famílias em ensino doméstico também do facebook e no do unschooling portugal, também do facebook. Bem gerido, dá jeito (a todos os envolvidos, não só na perspetiva de receber, informações sobretudo, também na de dar, proporcionar acessos).

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5ª FASE – REINTEGRAÇÂO

O que será um unschooler reintegrado?

Não sei. Um unschooler integrado já tenho mais uns vislumbres.

O que me faz mais sentido é falar-vos em Unschooling por amor, Unschooling com amor, unschoolers amorosos e cheios de genica (que é uma palavra que diverte imenso o meu filho, ri-se às gargalhadas)!!!

(falto eu!          ;)                  )

Há muitas coisas escritas em inglês, muitos testemunhos. Em português, para além de alguns posts daqui deste blog e do blog Pes Na Relva, que poderia escolher sobre a nossa “prática unschoolingiana”, onde há muito mais informação é recorrendo novamente ao blog da Paula Jardim, o Aprender Sem Escola. Cliquem na etiqueta “unschooling” ou na “aprendizagem autónoma” e vêm agrupados todos os posts que ela etiquetou com o assunto. No meio de tantos exemplos interessantes que vemos por lá, corro sempre o risco de, os que poucos que dá para escolher para aqui exemplificar (ou este post iria ser um lençol interminável digno de uma Rapunzel), não fazerem jus à riqueza que encontramos no Aprender Sem Escola (trabalho feito com amor pela Paula em pesquisa e traduções, grata Paula Jardim, por tudo!). Vou mesmo assim, referir três ou quatro posts:

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Uma unschooler cheia de talento
Excertos do post: ” Zoe Bentley, desescolarizada, é uma garota de 15 anos cheia de talento. Adora a exogeologia (o estudo da geologia em outros planetas) e quer trabalhar para a NASA. A exogeologia combina a sua paixão pela astronomia, geologia e pelo conceito de viagens no tempo.”

(…)

“Zoe cresceu em Sahuarita com a mãe, o pai e sua irmã Teagan, 11. Zoe e Teagan são educadas em casa pela mãe. No entanto, o termo que preferem é “unschooling”.

“Unschooling é um tipo de aprendizagem baseada em casa onde não se segue nenhum currículo”, diz a mãe. “Essencialmente, é a maneira em que os adultos e os bebês aprendem. No unschooling, os pais são facilitadores da aprendizagem em vez de professores”.

Entrevista a uma unschooler adolescente

Excertos do post: ” Para ti, qual é a melhor coisa do unschooling?
Unschooling é viver, pura e simplesmente. É sentir “fogo na barriga” e a mente a explodir, é estar sentado na sala numa noite de neve com uma xícara de chá lendo o nosso livro preferido até às tantas da manhã. É acordar às 5 da manhã para ver o sol nascer e depois voltar para a cama. É ver o estranho sentado ao teu lado tornar-se o teu melhor amigo numa hora. É viajar para ouvir o teu autor preferido dar uma palestra noutra cidade. É fazer trabalho voluntário na galeria de arte ou na livraria anarquista. É a vida e o que queres que ela seja.”

(…)

” Que empregos ou maneiras de ganhar dinheiro tens – ou tiveste?
O meu primeiro emprego foi um programa de emprego e formação contra a opressão, baseado nas artes, oferecido por um centro de artes e mídia dirigido por jovens. Depois disso, trabalhei para um jardim comunitário, a cuidar do jardim, capinar e plantar, mas também fazendo perguntas sempre que podia. O último trabalho foi com uma organizacao sem fins lucrativos, Environmental Youth Alliance, como estagiária durante seis meses. Foi um trabalho tão gratificante! Éramos cerca de 12 estagiários, cuidando de três hortas comunitárias. Aprendi imenso sobre a cidade em que vivo, outras maneiras de viver e comer, jardinagem, e quão valiosos são os lugares comunitários.”

Citações: Gandhi sobre a educação

Pequenino excerto do post: ” A verdadeira educação consiste em extrair o melhor de si mesmo. Que melhor livro pode haver do que o livro da humanidade?”

Os homeschoolers são idealistas?”

Excertos do post: “Peter Kowalke, um unschooler já crescido, pergunta se os homeschoolers são idealistas. No seu blog, ele escreve:

Somos idealistas porque não vemos a fragilidade humana e os males do mundo como fatos inevitáveis. Tentamos mudar as coisas para o melhor, tentamos melhorar-nos a nós próprios, e tentamos viver de acordo com os nossos ideais. Queremos SER o nosso ideal, e não apenas venerá-lo, por isso arregaçamos as mangas e fazemos dos nossos ideais a nossa realidade.”

(…)

“Mas para as crianças que não são matriculadas no jardim de infância ou na escola, elas não são idealistas. São apenas crianças.

E quando crescermos, talvez nos tornemos idealistas, porque aprendemos que ser quem somos é uma maravilhosa maneira de estar, e que, educacionalmente, os nossos interesses são significativos, e que as nossas vidas são nossas. Poderemos tentar salvar o mundo, criando fundações e grupos de apoio, começando pequenas revoluções. Ou levando tranquilamente as nossas perspectivas para onde formos, para o nosso trabalho, para os nossos relacionamentos… Não sei…

Como unschoolers e homeschoolers, não temos que lutar nenhuma batalha, podemos simplesmente ser quem somos. A nossa mera existência influencia o status quo. Não temos de mudar o mundo, podemos apenas desfrutar nossas próprias vidas.”

5 Respostas so far »

  1. 1

    A vida realmente ensina! Mas do jeito que está hoje com os filhos enclausurados e com poucos contatos sociais, ainda não consegui visualizar a educação em casa, como bem disse em outro post. Se educar não é seguir as diretrizes de um governo, ok… mas as universidades pedem conteúdo e eu não os terei para dar.

    Eu não teria tempo e nem consistência para repassar esse conteúdo e para ter algum profissional em casa, precisaria de supervisão. Acho bem complicado na prática, mas lindo na teoria.

    Menos mal, todos os dias fico ao lado do meu filho enquanto ele faz a lição. Isso não quer dizer que eu o ensine, mas que a presença é fundamental para que eles sintam que nos interessamos pelo que eles fazem. A responsabilidade pessoal de cada um cresce na medida que a pessoa sente que o que ela faz será modificador em sua vida. Tendo os pais por perto para apoiar, pode também dar um certo aspecto de acomodação.

    Sinceramente gostaria de ver o modo como é praticado para então poder fazer um comentário jus a importância da postagem.

    Isabel, gostei muito de estar com você em todas as fases da blogagem e te conhecer um pouco mais.

    Bom fim de semana!

  2. 2

    ruteppp said,

    Olá minha querida! Que pérola ressonante!
    Não só conseguiste originalidade na fase final como ressoaste o útil ao agradável »» o tema do teu blog com o tema da BCAP.
    O agregado (familiar) das fases na escola dos sentidos, faz muito sentido, pois então🙂
    Gostei de todas as tuas participações mas esta aqui ficou ESPECIAL.
    Que engraçado termos escolhido ambas, o tema central Escola.
    Estamos em consonância, ainda que com variantes diferentes.
    Beijinhos e abraços daqueles demorados.
    Rute

  3. 3

    Oi Luma, grata por iluminar aqui este cantinho!
    Olha, você chegou a ler o que respondi ao seu comentário aomeu anterior pos? É que eu respondi bem tarde, eu sei… Vou colocar aqui de novo, então:
    “Oi,Luma! Aqui em Portugal o ensino doméstico tem uma legislação própria e tem vindo a crescer nestes últimos anos. Também tem essa hipótese de ter aulas individuais com um professor, legalmente é chamado de Ensino Individual. O Ensino Doméstico é definido como sendo familiares ou pessoas com quem a criança coabite os responsáveis pela sua “instrução”/educação. Não implica necessariamente que a criança não venha a ter um círculo social mais alargado que o dos pais; as crianças em ensino doméstico continuam a frequentar atividades fora de casa e estar com pessoas que não conheceram através dos pais (natação ginástica, música, línguas, pintura, fotografia, por exemplo, ou o que for); muitos pais recorrem muito às bibliotecas municipais e às visitas a museus, exposições, etc.; outros a viagens, outros a encontros com outras famílias que também praticam o ensino doméstico ou a encontros com outros “grupos” unidos por um determinado interesse; ou um pouco de tudo. Não há limites a não ser os que coloquemos a nós próprios (ou limites financeiros ou de saúde, mas com criatividade mesmo esses são transpostos), o que quero mesmo dizer é que não temos limites como horários, matérias estanques e compartimentadas, a criança relacionar-se quase só com crianças da mesma idade, iatos entre a teoria e a prática, diferença acentuada entre estudo e brincadeira/divertimento, interrupções nas atividades que estamos a desenvolver com tanto interesse e chega uma campainha e “pára tudo!” e muitos outros limites a uma aprendizagem estimulante, entusiasmente, direcionada pelo interesse da criança, natural, autónoma, criativa, funcional, efetiva (sem ser aquela que se decora para aquele dia e logo se esquece) e muitos outros adjetivos bem interessantes.”
    E agora quero acrescentar algo, vou passar para um novo comentário…

  4. 4

    Então, Luma, continuando, minha intenção aqui não é hastear uma bandeira que diz “Unschooling”, nem defender o ensino doméstico, tão pouco tentar convencer você ou mais alguém que é o melhor, pois isso do melhor, para mim, depende sempre de cada um. É sim partilhar, informar que existe e o que é, pois muita gente nem tem ideia do que seja (ou tem uma ideia que não corresponde à prática real).
    Você, caso seja do seu interesse, pode tirar essas e muitas outras dúvidas, se informando, por isso coloquei aqui vários recursos informativos para quem estivesse a fim! Chegou a ler as reportagens sobre as meninas e o menino unschooler que coloquei no final?São exemplos vivos de como funciona e que não estão enclausurados em casa, muito pelo contrário têm muito mais liberdade para irem onde os seus interesses os guiam. Há muuuiiiitos mais exemplos no blog “Aprender Sem Escola” que mencionei em cima.
    Pois eu, embora tenha dois “cursos superiores”, também não estou preparada para ensinar tudo ao meu filho; começa logo que ele gosta de funcionar com computador e aparelhos eletrónicos e eu pouquíssimo percebo do assunto (essa parte é mais orientada pelo pai); em unschooling os pais não são professores, são orientadores (e às vezes nem tanto), e sobretudo, quem apoia as suas auto-descobertas, a sua auto-aprendizagem, quem observa as suas motivações e os deixa seguir por aí, quem vai facilitando recursos e viagens e idas aqui e acolá e o que for, quem vai falar com o mecânico para ele lhes mostrar como se troca um pneu, quando são mais pequenos e se interessam muito por tais coisas e quando vão sendo maiorzinhos lhes diz: “Agora já conheces o Sr. Jorge, agora vai lá tu perguntar-lhe o que queres saber”. O meu filho desde muito pequeno que tem uma paixão por comboios e pelos maquinistas (condutores dos comboios); a minha filha mais velha tem uma grande amiga cujo pai é maquinista de comboios (agora já se reformou) e aos três anos apresentámo-los; a intenção era ele pedir autorização para levar o meu filho junto dele numa viagem, mas como na altura o meu filho era tão pequeno não foi possível, mas foi esse senhor que logo nos avisou quando soube de uma exposição de comboios de verdade (de todos os tipos que há em Portugal) que a CP (a empresa “Comboios de Portugal) organizou quando comemorou o seu centenário e nós lá fomos alegremente, tinha o Alexandre 3 anos… ele adorou, estavam ali todos, o comboio Alfa, o Intercidades, o Interregional, e todos os suburbanos e ainda um comboio a vapor, dos antigos; ocupavam troços e troços de linha numa zona de Lisboa e eu fiquei espantadíssima quando, estávamos dentro de um comboio, na parte da frente da locomotiva ele olhou em frente, pelo vidro e vê outro comboio estacionado de frente para este e diz “Olha, o comboio de Sintra!” e era mesmo… com três anos e reconhecia os diferentes tipos de comboios que há cá em Portugal, pois nós íamos sempre viajar de comboio com ele sempre que ele pedia. Crianças que passam os dias enclausuradas nas escolas e depois chegam a casa e têm pilhas de trabalhos de casa não têm tempo nem disposição para aprofundar os assuntos que mais as fascinam e pais que passam os dias a trabalhar e mesmo às vezes a apoiá-los nos tais trabalhos que levam da escola para fazer em casa e ainda têm que tratar da casa, não têm como observar e motivar o aprofundamento de tais interesses naturais, nem mesmo aos fins-de-semana; muitas vezes nem sabem bem do que os filhos gostam.
    Querendo, Luma, lê lá vários textos no blog Aprender Sem Escola (para além destes que eu linkei aqui) e vê como há vários unschoolers que chegam a frequentar e a concluir cursos universitários, caso eles queiram e seja para eles útil ou prazeroso fazê-los, unschooling não é impeditivo…
    Mil beijos para você, também gostei muito de conhecê-la através da blogagem!

  5. 5

    Rute, maninha, que bom que gostaste!
    Pois… já te tinha dito quando li o teu!😉
    Muitos beijinhos e até breve!!! Sim??? 😀


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