Unschooling_Algumas Características e Ciência Para Ti II

Vivam, bom dia!

Aproveitando os últimos cinco posts, hoje coloco alguns pontos para reflexão relacionados com algumas características inerentes ao unschooling:

1 – Naturalmente, “o unschooling não entra de férias”.

Tal como no resto do ano, os meses de Verão são ótimos para a “aprendizagem” e as crianças continuam (sempre) com o seu “putting meaning into the world” como diz John Holt_ se desejarem vejam aqui, no capítulo 3 (encontrei na net este pdf com o livro “Learning All The Time”, de John Holt):

Learning All The Time (PDF)

2 – Algumas pessoas pensam que em unschooling os pais não têm muito trabalho, não ensinam, é apenas deixar que as crianças “aprendam sozinhas”.

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Não ensinamos, não, mas temos muito trabalho (embora seja um prazer e já a minha avó dizia “quem corre por gosto não cansa”), pois estamos sempre presentes (ora um ora outro, no nosso caso), toda a família está envolvida (também no nosso caso) e todos estamos sempre muito atentos e lembramo-nos (e arranjamos) de tudo o que possa servir para apoiar o nosso filho mais novo nos seus interesses e pesquisas e concretizações. E ele não “aprende sozinho” e sim, em conjunto connosco e fazemos muitas atividades juntos.

Ao mesmo tempo é algo que também proporcionamos a nós próprios, os restantes membros da família, apoiamo-nos mutuamente nos nossos interesses pessoais, pesquisas, projetos e concretizações.

Somos partners e companheiros e muito amigos, todos temos a nossa palavra, as nossas opiniões e participamos nas decisões que têm a ver com todos e, quanto a mim, só assim é que o unschooling pode funcionar bem.

Nota: Como viram nos posts anteriores, procurar e proporcionar recursos tem dois aspectos interessantes, quanto a mim, a destacar:

1 – Não necessariamente se tem que gastar muito (nós, por exemplo, já teríamos gasto muito mais se em todos estes anos o nosso filho frequentasse a escola_ em livros escolares e em material escolar, em alimentação e em roupa e nas viagens diárias se a escola fosse algo longe de casa), se comprar um mapa ainda custa algum dinheiro, aproveitar revistas de outras pessoas, por exemplo, ou outros recursos que surjam espontaneamente, nada custam; e as prendas, por exemplo, podem ser bem escolhidas; está certo que fazemos algumas viagens, sobretudo de comboio, mas nas idas aos museus, conseguimos muitas vezes visitas grátis.

2 –  Ao adquirir ou arranjar certos elementos de apoio, como comprar um caderno de folhas de desenho ou o quadro magnético, por exemplo, não temos em atenção o seu “grau de didatismo” e tão pouco o que consideramos serem uns “materiais mesmo bons, mesmo giros” que agradam muito à pessoa que os compra/adquire/encontra; o foco é apenas o que nos parece que vá interessar mesmo ao Alexandre e despoletar novas pesquisas, novos desenvolvimentos, fazê-lo vibrar, independentemente se achamos mesmo bons/giros/interessantes para nós ou não; por exemplo, eu posso gostar muito de um brinquedo de madeira giríssimo ou de umas barras cuisenaire, mas não invisto na sua aquisição, se não tiver quase a certeza que sejam “bem-recebidas”; por outro lado, se me cheirar que vai “haver uma festa” de atividade, isto é, que determinada coisa será explorada quase até à exaustão pelo meu filho (como por exemplo comprar o kit de montagem da maquete do Empire State Building), não hesito em gastar os 10 euros que custa (quando ainda está dentro do orçamento mensal_ e eu não gosto especialmente do Empire State Building); e, por exemplo, nós temos um ábaco cá em casa, que um cliente do Pedro lhe ofereceu, poderia não ter tido qualquer sucesso, mas até teve, o Alexandre entusiasmou-se logo com as contas feitas com a ajuda do ábaco, isto é, quando nos oferecem algo, vemos se é aproveitado ou não e se não suscitar logo interesse mantemo-lo em stand by, pois às vezes, mais tarde, vem a ter o seu uso.

Beijinhos para todos e belos momentos de putting meaning into the world!

Isabel

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Caderno Verde

Ciência Para Ti II

Uma prenda da mana Catarina e do Bato, continuando o recurso aos kits “Science 4 you” (ver aqui neste outro post, na parte do Caderno Verde).

Este kit dá para construir, praticamente com as mesmas peças, 6 pequenos robôs solares (moinho solar, avião solar, avião rotativo solar, barco solar, cão-robô solar e carro solar). O Alexandre escolheu o barco (pode ainda desmontá-lo e montar outro robô). O kit traz um livrinho, não só com as instruções de montagem, mas também com alguma informação sobre fontes de energia e as energias renováveis e com sugestões de algumas experiências a realizar que envolvem outros conceitos (físicos, matemáticos). Já realizámos umas duas experiências, mas ainda há muito para explorar.

Nem sempre “esgotamos as possibilidades à primeira”. O barco solar tem andado pelas várias divisões da casa (e o livrinho também), ora se junta a outros barcos e navios numa qualquer brincadeira, ora suscita novas experiências e pesquisas (tem acontecido com outros “recursos”, passado um ano ou dois, voltarem a ser motores de outras novas e mais profundas abordagens de determinados assuntos/temas).

5 Respostas so far »

  1. 1

    Olá Isabel!

    Coincidência!
    Ainda no outro dia vimos numa livraria estes kits to Science 4 you, e achámos interessantissimo para os nossos sobrinhos, mas como eles são mais novos, vamos esperar um bocadinho.

    Relativamente a tudo o que disseste sobre o unschooling concordo. Para além de uma escola para as crianças, é também uma escola para os pais, pois há um maior envolvimento, um ir à procura, um reinventar-se a cada momento para proporcionar experiências e novos interesses!

    beijinhos

  2. 2

    Olá, Carla (& Nuno)!😉 Já não falamos há uns tempinhos, que bom teres comentado. Pois estes kits de ciência têm tido muito interesse para o Alexandre. Isto e uma série em DVD’s que se chama “Porquê” e sobre a qual também já postei aqui no blog. E quanto ao unschooling, nós temos um grande envolvimento e pronto, tenho que partilhar como fazemos e como nos sentimos e o gratificante que é para nós os frutos que dá.
    Muitos beijinhos, a ver se nos encontramos de novo.
    Isabel

  3. 3

    […] construíu outro navio mais pequeno e ambos (e mais o nosso barco solar) serviram a várias brincadeiras com navios (e histórias […]

  4. 4

    […] Aqui, na parte do Caderno Verde, o primeiro post sobre a Ciência Para Ti, e aqui, também na parte do Caderno Verde, o segundo. […]

  5. 5

    […] equívocos que têm surgido (sobretudo em “grupos de discussão” sobre o assunto) em relação ao unschooling e um deles é que os pais unschoolers se limitam a deixar que a criança lidere a sua aprendizagem, […]


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