Constatações sobre a Memória e O Canal do Alexandre

Vivam, boa noite!

Obviamente, estas são meras constatações e não um tratado sobre a memória, que nunca estudei nada sobre ela, embora me interessem alguns aspetos neste campo.

Lembrei-me no outro dia de um episódio que já tinha “esquecido” (ou estava guardadinho naqueles ficheiros de memória “antiga” _ não na nossa “memória RAM”, portanto) que houve tempos em que achei um piadão a isto de como o ser humano consegue façanhas com a memória e, após ter visto alguém na televisão demonstrar ser capaz de decorar um chorrilho de palavras sem se enganar numa sequer ao “debitá-las”, comprei um livro (assim em textos tipo “sebenta”, que na altura não haviam PDF’s_ foi para aí no início dos anos 80_ já não sei a que editora ou empresa) sobre “Como exercitar a sua memória e decorar 500 palavras (atenção, já não me lembro do número, mas era assim um avantajado) de uma vez só”. E tinha assim uns exercícios bem práticos para fazermos.

Agora tinha curiosidade de o reler, mas perdi o rasto ao livro, com tantas mudanças de casa desde então e já não me lembrava mesmo dele até ter começado a pensar outra vez sobre o funcionamento da nossa memória depois do episódio que vou contar a seguir e que aconteceu perto do Natal passado. Mas lembro-me perfeitamente que a técnica era a seguinte: perante uma grande lista de palavras aparentemente desconexas a decorar, aconselhavam estabelecermos uma qualquer ligação/associação que habitualmente fizéssemos entre uma palavra e a seguinte e que, assim, era possível decorar muito mais palavras do que se as tentássemos decorar sem pensar em qualquer conexão entre elas. Depois era uma questão de treino, quanto mais nos habituássemos a pensar rapidamente em tais ligações e tentássemos decorar as listas dessa forma, mais facilmente decoraríamos cada vez uma maior lista de palavras. (Ex: José, jardim, vento, palhaço, bolo, cachecol, matemática, ver, chamar… imaginávamos uma qualquer cena (e visualizávamo-la), por exemplo, “quando o José foi ao jardim estava vento e havia lá um palhaço com um bolo e um cachecol e alguém estudava matemática e estava a ver e a chamar…”).

Isto tem uma certa piada, pois conseguimos mesmo constatar que a memória funciona muito bem (e eu, não sendo especialista, arrisco-me mesmo a dizer, quase exclusivamente) através das ligações, associações e conexões que fazemos e com o auxílio da visualização (e se quiser estender um bocadinho mais a coisa, a aprendizagem funciona da mesma maneira, por ligações, associações, conexões). A nossa filha mais velha é atriz e decora textos imensos que eu olho para aquilo e penso “como é que é possível decorar tanto texto em tão pouco tempo?” Ela já me explicou que a técnica é visualizar as cenas e depois “ligar-lhes” o texto, com ajuda de algumas associaçõezinhas que cada um adopta, porque funcionam para si (têm a ver com a sua “realidade”).

Bom, o tal episódio:

O Alexandre e as irmãs (por sugestão da mais velha, Catarina, 26 anos, que ele aceitou logo) andaram a preparar um espetáculo para darem na noite de Natal e a irmã esteve a ensinar-lhe uma canção de Natal e ficou estupefacta, porque ele decorou a letra à primeira, mesmo à primeira. Ela ficou tão contente com ele que lhe deu um abraço tão apertado que ele ficou chateado porque diz que ela o aleijou               ;)                       Decorou à primeira a letra todinha à exceção de uma palavra. Depois de ter já cantado várias vezes, continuava a esquecer-se sempre da tal palavra e a irmã veio contar-me e dizer-me que ao fim destas tantas vezes ele cantar sempre como cantou na primeira vez (todinha, menos uma palavra que tinha sempre que lhe perguntar o que se cantava ali naquele sítio da canção) percebeu que ele não decorava aquela palavra porque não a conhecia e mesmo depois de ela lhe explicar o que significa e lhe ter mostrado imagens continuava a “esquecer-se” da palavra, que é “alpista” (alpista para o pardal, é o verso da canção em causa), não por ser uma “palavra difícil”, que ele conhece e aplica muitas mais difíceis ainda, mas porque nunca fez parte da sua realidade (nunca tivémos pássaros e ele nunca viu/esteve com pássaros em gaiola e a comerem alpista, embora já visse vários pássaros na terra da avó, mas vê-os a debicar na terra e nas plantas e flores), daí que na sua cabeça não se fazia a ligação e não decorava aquela palavra, mesmo depois de ver imagens no computador (eu depois também percebi que ele não concebe animais presos e enjaulados, pois como é algo que nós não gostamos e ele raras vezes viu_ fomos duas vezes ao jardim Zoológico, mas ele só quiz ver os golfinhos da 1ª vez (à 2ª já não quiz) e andar no teleférico_ também é algo que ele não assimila como realidade, mas como um filme ou uma brincadeira de mau gosto).  Quando surgir a oportunidade, já vou estar atenta para lhe mostrar uma situação em que alguém dê alpista a um passarinho, mas não estou pré-ocupada com tal e não penso em ter que exatamente fazê-lo. As melhores aprendizagens, cá por casa (e fora de casa!) têm surgido espontaneamente, vão-se naturalmente desenrolando.

Este episódio, como já disse em cima, levou-me a pensar outra vez nos tais “feitos” da memória e foi para mim mais uma constatação de que memorizamos bem sempre que estabelecemos as nossas ligações com várias das coisas que já conhecemos e/ou experiências pelas quais passámos.

Beijinhos e uma bela memória para todos!

😀

Isabel

x

Caderno Verde

O Canal do Alexandre

O Alexandre já há uns meses que inventou um canal, “O Canal do Alexandre” para o qual filma programas vários e do qual é o apresentador.

Já estão gravados no disco da máquina de filmar (da irmã, mas que ele aprendeu a utilizar e a qual utiliza frequentemente) vários programas (cerca de 20, uns mais curtos _ 15min-20min_ outros com quase uma hora de duração); ele costuma servir-se dos seus materiais que utiliza com agrado, como esta base de secretária com os planetas, para apresentar temas que lhe interessam (neste caso o sistema solar).

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Num outro episódio mostrou o guia turístico de Tóquio e falou sobre Tóquio, noutro um livro sobre “As Grandes Construções do Homem” e outros livros e num, mais recente, pôs o primo como “apresentador do Boletim Metereológico”, usando o Mapa da Europa.

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(Nota: a data da câmara de filmar está marada, diz que isto foi gravado em 2008 e foi agora no início de Janeiro, a câmara já está um pouco velha, não conseguimos mudar isto e não conseguimos ver no visor enquanto gravamos_ estamos a precisar de uma nova!)

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Mas também tem outros “programas” mais lúdicos em que o Bato faz palhaçadas e faz também parte do Canal do Alexandre a gravação da nossa festa de Natal, em que o Alexandre foi o apresentador e encarnou ainda a personagem do astronauta.

“Até ao próximo programa, aqui no Canal doooooo AAAAALEXANDRE” (que é como ele costuma rematar os programas).

😀

3 Respostas so far »

  1. 1

    […] seguir resolveram aproveitar todas as personagens para as apresentar no Canal do Alexandre (e foi aí que eu depois pude ouvir a pronúncia do Senhorrrrr Cabeleirrrrreiro), realizando, […]

  2. 2

    […] Pois que teve sorte o rapaz, que estavam lá os três em nossa casa à nossa espera (as duas manas e o Bato) e assim que chegámos ele relatou-lhes toda a viagem e tudo o que fizémos em Viana do Castelo, todos os pormenores que já vinham arrumadinhos no seu cérebro (a irmã do meio até filmou! Ficámos com o vídeo junto com aquelas gravações do Canal do Alexandre). […]

  3. 3

    […] que eu já contei neste post. Também gravaram mais episódios para o Canal do Alexandre (mostrei aqui também o do Boletim Metereológico que ele pôs o primo a apresentar). “Construíram” no SimCity e e no […]


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