1ª Incursão prolongada (prolongadíssima) pela História de Portugal

Caderno Verde

1ª Incursão prolongada (prolongadíssima) pela História de Portugal

A primeirissima abordagem à História de portugal ocorreu há uns anitos (em 2009, tinha o Alexandre 6 anos), quando visitámos a Guarda e o Alexandre perguntou de quem era a estátua em frente à igreja e o que era uma espada (ver neste post, na parte do Caderno Verde).

A segunda abordagem, foi falarmos nos Descobrimentos nos nossos passeios pela zona de Belém (um último aqui).

A terceira abordagem, foi quando estivémos a ver o primeiro episódio da série “Vidal e a História de Portugal“, que não chegou a ir para a frente (ou seja, a RTP não comprou os seguintes episódios, mas temos este primeiro gravado e vimo-lo na altura repetidas vezes), onde a mana Catarina empresta a sua voz ao Vidal e à Padeira de Aljubarrota (é também ela que canta no genérico da série). O Alexandre gostou muito deste episódio, ficou logo a saber quem foi o primeiro rei de Portugal e como ganhou a batalha à sua mãe, D.ª Teresa).

Depois disto, num belo dia já deste ano (2013) em que esteve cá em casa uma família que tinha acabado de transferir os seus dois flhos do ensino particular para o ensino doméstico e quiz vir até cá conhecer-nos (a mãe achou _ e disse-nos_ que o Alexandre é muito comunicativo), a propósito de uma conversa sobre o menino mais velho ter alguns gostos parecidos com os do Alexandre, tais como gostar muito de mapas e Geografia, o Alexandre disse: “Parece-me que também sou capaz de gostar de História.”

Eu aproveitei a deixa e perguntei-lhe se ele queria então começar a ler algo sobre a História de Portugal. Ele primeiro disse que sim, depois reconsiderou e disse que queria começar a conhecer a História do Japão e da China e então eu pedi ao pai que arranjasse material sobre isso, pois eu não tinha bem ideia onde arranjar livros com a História do Japão e da China.

Um belo dia, andava eu às compras num hipermercado e passei pela zona dos livros infantis e juvenis e houve um livro grandinho que me chamou a atenção: “Navegadores Portugueses”, textos de Elsa Pestana Magalhães e ilustrações de Fernando Aznar. Desfolhei-o e lá para o fim do livro tinha uns capítulos sobre quando os portugieses chegaram à China e ao Japão. “Ora pronto, vou levar este, parece-me que vai suscitar algum interesse”_ pensei. Vi entretanto que havia mais livros da mesma coleção sobre outros períodos da História de Portugal (a coleção são 4 livros, mas na altura só existiam 3 deles para venda). Comprei apenas o da época dos Descobrimentos (o tal dos Navegadores Portugueses).

Trouxe o livro para casa, mostrei-o (a todos), disse ao Alexandre que no fim do livro falavam sobre os primeiros portugueses que estiveram na China e no Japão “Está bem, mãe.” _ foi a resposta, mas não mostrou logo interesse pelo livro.

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Deixei o livro sossegadinho em cima de uma mesa pequena que temos na sala (que já foi da mana Celina, quando ela era pequena), onde ele costuma sentar-se a comer, a desenhar e que serve de apoio, também.

Esteve por lá város dias, até um dia à noite ele (que já tinha desde logo reparado que a bandeira que figura no navio da capa e que assumiu logo ser a bandeira portuguesa da altura, ser diferente da nossa atual bandeira), resolver perguntar-me: “Mãe, a partir de que altura é que a nossa bandeira passou a ser como é hoje?”

Ora que eu não sabia, nem nunca tinha pensado nisto da “evolução da nossa bandeira”. Tenho que referir aqui que eu não estudei História de Portugal na minha 4ª classe, pois não vivia cá na altura. Vivia na Beira e estudei História de Moçambique. Só voltei para Portugal quando fui frequentar o 7º ano e no 8º estudei assim um pouco pela rama os Descobrimentos (e foi tudo o que aprendi na escola sobre a História de Portugal). Também podia ter-se dado o caso de a ter estudado e já não me lembrar de nada, uma vez que História foi sempre a disciplina que menos gostei de estudar, enquanto andei na escola.

Lá fomos pesquisar sobre a bandeira portuguesa e descobrimos que  a bandeira passou a verde e vermelha, com a coroa e as quinas, com a implantação da república, em 1910…

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E ficou por aí, nesse dia, a nossa incursão pela História de Portugal.

Uns dias depois folheámos o livro para ver as ilustrações dos antigos mapas.

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Até que na altura do Carnaval, o Alexandre, um bocadinho farto de passar o dia a jogar e a brincar com o primo (um dos seus primos, o de 13 anos, do lado paterno, passou connosco todos os dias das suas Férias de Carnaval, de sexta à noite a Quarta de Cinzas e o Alexandre gosta de estar e brincar com ele, mas não gosta de passar os dias inteiros a jogar, que é o que o primo mais deseja fazer, uma vez que está de férias), assim que o primo se retirava para o quarto onde ficou a dormir, lá para as 10h da noite, colava-se a mim a querer fazer o que normalmente fazemos os dois juntos quando eu chego do trabalho às 4h da tarde: pesquisar, ler, falar, sobre assuntos sobre os quais deseja saber mais. Então, logo no Domingo de Carnaval, pegou no livro dos Navegadores Portugueses e fomos lê-lo. Bem, começámos às 10h da noite e estivémos até à 1h da manhã (no primeiro dia ainda aguentei a pedalada, mas nos dias seguintes, a deitar-me quase às duas e a levantar-me às seis e meia da manhã, estava de rastos…).

😉

Mesmo estando logo no primeiro dia três horas à volta do livro, não lemos o livro todo, pois cada capítulo suscitava novas dúvidas e interesses e completávamos com mais pesquisas na net e até a ver um dvd dos “Porquê”, onde ele se lembrou já ter ouvido a explicação sobre a época em que foi inventado avião_ é que estivémos a pesquisar sobre a diferença entre uma Caravela e uma Nau e derivámos para outros meios de transporte.

Também derivámos para outros assuntos, como ir voltar a confirmar quais os países da Europa que pertencem à União Europeia e quais os que não pertencem_ ele já sabia alguns e queria confirmar todinhos. Nesta página da Wikipédia podemos aceder a um mapa da Europa (o quarto mapa da página) onde vão aparecendo e desaparecendo os países que pertencem à União Europeia conforme a sua data de adesão (o ano vai mudando no canto superior esquerdo, do mapa).

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Ficámos a saber que fomos os primeiros a chegar às Canárias (tal como à Madeira), embora tivesse sido, mais tarde, o castelhano Luís de la Cerda a proclamar-se “rei” das Canárias e o papa reconheceu-o como tal. E que D. Afonso IV bem reclamou, mas em vão, a Espanha ficou com as Canárias.

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Lemos sobre como e quando (e quem) povoámos a Madeira e os Açores e o Alexandre ficou a conhecer mais uma palavra que, por acaso ainda não conhecia, “Arquipélago”, e o seu significado.

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Uma das partes do livro à qual o Alexandre achou muita piada foi o texto da página da foto acima:

” Ao certo, ao certo, não se sabe quem primeiro avistou estas ilhas e nelas aportou. É que naquele tempo os cartógrafos, quando faziam uma carta geográfica, desenhavam o que conheciam e o que imaginavam. Pensando, talvez, que a cata estava muito nua, enfeitavam as extensões de mar com ilhas “imaginárias”.

Seria mais ou menos assim o seu pensamento: “Hum, este mapa está muito vazio; falta-lhe qualquer coisa. Acho que um bocadinho de terra aqui e ali ficava muito bem.”

E usando a pena como se fosse uma varinha mágica faziam surgir uma ou mais ilhas onde lhes parecesse melhor”

O que ele se riu com este episódio… até levantava um lápis no ar e desenhou ilhas imaginárias numa tela imaginária, enquanto contava isto ao pai e à irmã.

No livro, explicam melhor:

” Ora quando as ilhas dos Açores foram descobertas de verdade, verificou-se que a sua localização não batia certo com a das tais cartas, pelo que seriam “imaginárias”. Mas numa carta de 1439 o verdadeiro arquipélago já aparece composto por sete ilhas e, junto delas, está escrito o nome de Diogo de Silves. Então, certamente, foi este o descobridor dos Açores nalgum tempo entre 1427 e 1432.

A carta mostra sete ilhas. Mas não são nove? Som, mas Flores e Corvo ainda não eram conhecidas. Só mais tarde foram descobertas por Diogo de Teive e o seu filho João de Teive.”

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(a propósito da Escola de Sagres, mostrei-lhe esta foto que tirei no Museu situado no Cabo de S. Vicente, em Sagres, no fim de semana anterior a este do Carnaval, numa viagem que eu e o pai fizémos os dois a Sagres, pois um cliente do pai ofereceu-nos uma estadia num seu hotel na Baleeira e na qual o Alexandre não quiz participar por irmos de carro e ele ultimamente sentir-se muito enjoado quando viaja de automóvel)

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E aqui sobre a caravela, que nos levou a pesquisar a diferença entre nau e caravela:

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E foi aqui que ficámos na primeira noite (página 54, o livro tem 109 páginas a contar com a cronologia e o índice).

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No dia seguinte quando cheguei a casa contaram-me que o Alexandre continuava tão entusiasmado com o livro que motivara o primo a também ouvir os textos sobre os Descobrimentos. Meteram-se os dois na cama com o pai, pela manhã, que lhes leu mais uns capítulos sobre a navegação portuguesa.

Contaram-me, a rir, o quanto o primo tinha rido a bandeiras despregadas com o nome de Diogo Cão. E como acharam muito divertida essa parte da História (Diogo Cão no rio Zaire).

O primo depois disse que tinha estudado um pouquinho sobre os Descobrimentos no 6º ano, mas que não se lembrava de quase nada e que agora, no 8º (ano que se encontra a frequentar), estão a voltar a falar dos Descobrimentos, mas que não achava tão divertido quanto o que estiveram a ler, em conjunto, enfiadinhos na cama ao quentinho…

😉

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Leram mais umas 20 e tal páginas e eu voltei a pegar aqui, no Tratado de Tordesilhas, na página 76 (estive a ler para trás, sozinha, um pouco para me situar).

E pronto, a odisseia dos descobrimentos continuou por mais duas noites (das 10h à tal 1h da manhã…), Segunda e Terça de Carnaval (nem o Alexandre nem o primo gostam de se mascarar ou de brincar ao Carnaval), transformando os dias cinzentos que estiveram em viajens bem divertidas.

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Foi na Terça à noite que lemos sobre Tomé Pires, embaixador na China e Mota, Zeimoto e Peixoto no Japão e Fernão Mendes Pinto, outro português no Japão.

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No fim de acabarmos o livro, foi buscar o seu bloco de folhas de apontamentos A4 e pôs-se a desenhar o mapa de Portugal à vista, guiando-se pelo que figura no Mapa da Europa.

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Mas como considerou que não estava perfeito, pois queria que os contornos fossem exatos como o do mapa, deixámos um bilhete ao pai para que ele de madrugada (quando se levanta para trabalhar) imprimisse uma silhueta do mapa de Portugal, bem como das Ilhas da Madeira e dos Açores, para no dia seguinte o Alexandre poder pintar a seu bel prazer.

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E então quando cheguei a casa, na Quarta, estava ele a terminar esta pintura do mapa como ele dizia que vai ser Portugal no futuro: a laranja as zonas citadinas e a verde os parques verdes (a rosa é a parte de Espanha que ainda aparece na folha). Os traços curvos cá fora são as rotas dos navios até às ilhas,

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que também figuram nos mapas das ilhas.

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6 Respostas so far »

  1. 1

    […] contrário do 1º livro que trouxe para casa (o “Navegadores Portugueses”) que ficou uns dias em cima … até surgir o verdadeiro interesse pela sua leitura, os restantes da coleção têm sido […]

  2. 3

    […] da nossa 2ª incursão pela História de Portugal (aqui a 1ª) chego um dia a casa e o Alexandre tinha pedido ao pai que pesquisasse sobre os Impérios que […]

  3. 4

    […] Na 1ª, lemos o livro “Navegadores Portugueses”; na 2ª, parte do livro “História de Portugal _de Viriato e os Lusitanos a Camões”; depois voltámos a ler mais um pouco desse livro, quase até ao final, porque no fim deste volta-se a falar dos Descobrimentos e o Alexandre considerou que não queria ler de novo sobre o tema neste outro livro; nesta que eu chamo “3ª incursão”, que a bem da verdade seria a 4ª, começámos a ler o livro “História de Portugal_ de D. Sebastião ao último rei”. […]

  4. 5

    […] suas férias connosco. Foi quando começou a leitura do livro dos Descobrimentos, que eu já contei neste post. Também gravaram mais episódios para o Canal do Alexandre (mostrei aqui também o do Boletim […]

  5. 6

    […] tanto interessou ao Alexandre e tem “dado pano para mangas”. (aqui o que anotei sobre a 1ª incursão, a 2ª e a […]


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