Reflexões (Saber sobre História) e Pequenas Habilidades (bem úteis!)

Vivam, bom dia!

As últimas incursões pela História de Portugal têm dado que refletir, aqui por casa. Vou para aqui transcrever algumas delas, que partilhei no grupo “Unschooling em Português” do facebook:

“A propósito deste post que publiquei n’A Escola É Bela (https://escolabela.wordpress.com/2013/03/03/1a-incursao-prolongada-prolongadissima-pela-historia-de-portugal/),  uma reflexão:

A minha filha do meio (22 anos), assim que soube que o irmão andava muito interessado em querer saber História, teceu o seguinte comentário: “Oh, não! Eu que pensava que o meu mano era todo como eu, só ligava aos números e às ciências e à tecnologia, e agora gosta de história!”

Pois… eu também nunca gostei de história, na escola impunham que decorasse nomes e datas para ter boa nota nos testes e eu só gostava de raciocinar e executar e nada de decorar.

A minha reflexão sobre o assunto: com programas a cumprir, currículos, metas curriculares e avaliações não há como atender às especificidades e timings de cada criança e seguramente num e noutro ponto tolhemos a possibilidade de virem a interessar-se por determinado tema mais tarde.

O que quero dizer com isto, vou dar exemplos:

1 – Durante muitos anos quase que me recusei a querer saber coisas ligadas à História, tal a aversão com que fiquei “à disciplina” da forma como me foi imposta na escola. Há poucos anos, tomando consciência do que aconteceu (eu que sempre fui ávida em ler e aprender quase o que quer que fosse), consegui perceber isto e até me interessei por ler romances históricos, pois tinha interesse em saber coisas sobre certas “personagens” como a Catarina de Aragão e um pouco da história de Inglaterra, Alexandre o Grande, Chopin e Gauguin e mais uns quantos. E agora também me entusiasmo a querer saber as coisas que o meu pequeno tem querido saber. Mas estive bloqueada estes anos todos em relação a isto.

2 – À minha filha do meio (esta que teceu o tal comentário), também voltada para o raciocínio matemático e científico, aconteceu-lhe o mesmo em relação à história e, ainda, ao português. Ela que em pequena adorava rimar e fazia imensos poemas, não gostou nada de aprender gramática e foi logo rotulada como “não tão boa a português” quanto às outras disciplinas (e ela até tinha 4 a português e a história, só não tirava 5, como às restantes) e assim, a sua genuína aptidão para versos_ que ainda sobreviveu uns tempinhos à conta de uma professora de Inglês que até lhe “publicou” os seus poemas num jornal da escola_ foi esmorecendo sob o rótulo “não, eu não percebo nada de português e não gosto de português”.

3 – Não tenho qualquer dúvida que logo de pequeno, se andasse na escola, este meu filho mais novo seria desencorajado em relação a desenhar, por exemplo. Ele não pegou em lápis até “tarde”, segundo os parâmetros “normais”, gostava era de construir em Lego e de coisas tridimensionais. Sei que ele tem muita aptidão para “ver no espaço”. Um belo dia percebeu que podia fazer um desenho para transmitir algo que queria comunicar e depois que podia representar planos e instruções para construir, que tinha na cabeça. E daí pôs-se também a representar o tridimensional em bidimensional (logo com plantas e alçados). Continua a não fazer “desenhos bonitos” como faz quem tem muito jeito para o desenho e para a pintura , mas desenha muito (e agora até com muitas cores) e sente-se bem a desenhar. Não tenho qualquer dúvida que esta aptidão lhe seria “bloqueada” se seguisse os trâmites “escolares”. O mesmo em relação à história e ao português, à educação física e se calhar a outras coisas mais.”

E continuando…

“Bem, mas isto sou eu a deduzir e a encaixar em parâmetros mais ou menos “normais” no que se refere ao que escolarizadamente ligamos à disciplina de História, para percebermos que em unschooling ela poderá também ser abordada, pois na cabeça de alguém que nunca frequentou qualquer “estabelecimento de ensino” como o meu filho mais novo, agora com 9 anos, isto não se passa assim desconectado de tudo o resto.

Como se pode perceber ao acompanhar o nosso blog, o fio que o conduziu foi o interesse pelo “como é composto o mundo-globo terrestre: oceanos e continentes (mar e terra) e como “dividimos a terra” e desde quando e como dividimos isto em países e os países nem sempre foram os mesmos e que língua se fala em cada país e porquê (o que nos levou a falar pela primeira vez nos Descobrimentos). E, como eu disse, ele agora já anda de volta dos antigos impérios (Nota: aqui no blog ainda não falei dos impérios, isto foi no tal grupo do facebook; vou colocar mais tarde um post, pois estas incursões pela História de Portugal têm derivado para várias coisas, uma delas, conhecer os impérios que têm existido). Mas desde pequeno que ele se interessava era por transportes (e foram os transportes e as viagens e as próprias viagens que fizémos e fazemos que o levaram à “Geografia”) e pela “história dos transportes”; e também por construções e pela “história das construções”.

Isto está tudo ligadinho.

E mesmo que eu, Isabel, racionalmente, compartimente e tente catologar isto de uma forma que possa figurar num certificado em como ele abordou certas matérias, naturalmente, o que se passa, é algo muito mais rico, interligado, conectado e difícil de registar e comunicar.

Isto está também bem explicado no site da Sandra Dodd em http://www.sandradodd.com/history/ (e no capítulo correspondente do seu livro “Big Book Of Unschooling”)

A minha “visão” é que um dia não tenhamos que ter certificados nem comprovar nada, bastando a pessoa com as suas competências, capaz de as executar e por em prática, numa idade em que naturalmente as manifestará. O que é o certificado mais válido que existe.”

Beijinhos e belas Histórias para todos!

Isabel

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Caderno Verde

Pequenas Habilidades (bem úteis!)

– Habilidade com o martelo (desta vez a partir nozes, mas costuma também martelar pregos)

🙂

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– Hábil a desenhar sobre base de pizza usando salsichas vegetarianas (é uma cara a sorrir, outras vezes desenha um barco, uma carruagem de comboio, uma árvore…); a pizza leva ainda milho, natas de soja, queijo de soja ralado e orégãos.

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– A treinar a virar a massa no ar sobre uma frigideira (já coloquei esta foto num outro post atrás a propósito de explicar que apesar da massa ter ficado “inutilizada” _ para comer, por exemplo, pois foi bastante útil para este treino_ em unschooling (e não só!) muitas vezes outros e mais valores se levantam, a favor de uma aprendizagem natural…)

😉

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-Nem mesmo um “fato de presidente” é impeditivo de praticar as suas habilidades culinárias…

😀

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1 Response so far »

  1. 1

    […] Esta faz-me lembrar a noção do que é a História, sobre a qual já falei um pouco neste outro post. […]


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