Archive for e)-Ensino doméstico e John Holt

Educação e Liberdade

Boa noite a todos!

Andava eu pelo blog da Paula (Aprender Sem Escola) quando  encontrei na sua barra lateral direita um “novo” (para mim) blog dedicado ao ensino doméstico/domiciliar: Educação e Liberdade, da Fernanda, no Brasil.

Entrei e logo me identifiquei com a maior parte do que a Fernanda escreve.

O seu post “Os Professores são importantes, sim!“, fez-me lembrar um pouco o post que escrevi aqui há tempos “Somos Anti-Escola?

E o mesmo sentido profundo do unschooling, através do seu post “O que nos move é mais profundo que a crítica às escolas“.

Também me senti identificada com a Fernanda ao ler o seu perfil. Umas palavras trocadas e poderia ser o meu retrato.

Logo deixei um comentário no seu blog e lhe pedi autorização para escrever um artigo sobre o seu “Educação e Liberdade” aqui n’A Escola É Bela e ela não só gentilmente a concedeu como me enviou um link para um outro seu blog ao perceber que também tínhamos algo em comum nessa área. E assim acedi ao seu “Relato de um parto natural“.

Grata, Fernanda! Seja sempre bem-vinda por estas bandas! Eu continuarei seguindo, com interesse, as suas publicações.

Um grande abraço a todos e até ao próximo post, desejando-vos uns belos dias de Outono!

Isabel

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Caderno Verde

YouCam

Logo após o início das aulas deste ano lectivo, a amiguinha do Alexandre e nossa vizinha M., apareceu cá em casa toda contente a mostrar-nos o seu novo portátil. Com a sua aquisição vinha um programa, o YouCam, que fez as delícias dos dois pequenos durante duas ou três tardes inteiras.

Filmaram-se a eles próprios, tiraram fotos a eles próprios, cheias de “efeitos especiais”.

Foi quando me estiveram a mostrar os resultados que me tiraram estas abaixo, que coloco aqui para mostrar os efeitos que EU (porque eles gostam de muitos outros) achei mais interessantes. Sobretudo o “efeito-relevo”, que me inspira a desenhar e a pintar.

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Seguir ou não seguir curriculo

Vivam!

Cá estamos hoje, as semanas sem acesso à internet foram adiadas, em princípio por uma semana                                🙂

Um bocadinho sobre o seguir o curriculo: a lei referente ao ensino doméstico em Portugal pressupõe realizar exames de equivalência a dado momento (final do 6º ano); e várias escolas têm exigido que as crianças se submetam a um teste presencial no final do 4º ano. O que implica que de alguma forma seja abordado o programa curricular enquanto decorre o ensino doméstico.

Como já referi aqui algumas vezes, somos “adeptos” do Unschooling, que pressupõe uma abordagem dos vários temas que vão surgindo de acordo com os interesses das crianças. Neste “ano lectivo que passou” (ou está a acabar), equivalente ao 1º ano do 1º ciclo, temos deixado que os temas surjam, que o Alexandre pergunte, sugerimos algumas actividades que ele abraça ou não, a “matemática e o estudo do meio” vão já “ao nível do 2º ano”,  a leitura e a escrita a passo muito mais lento (por exemplo). E isto confiantes que ao chegar ao 4º ano seja abordada a maioria das matérias deste 1º ciclo.

Para já, no ensino doméstico, mesmo que em Portugal implique abordar todo um programa curricular, os timings e as formas com que o fazemos são muito mais flexíveis que o seguido na escola.

Volto a referir duas passagens do livro “Teach Your Own” de John Holt e Pat Farenga, que sobre o seguir ou não seguir um currículo, em homeschooling, dão umas dicas interessantes, engraçadas e que nos deixam a pensar, ao contar experiências de algumas famílias (capítulo 12 “How to Get Started”, subcapítulo “Approaches to Homeschooling”):

– um trecho de uma carta de uma mãe que conta ter perguntado às suas duas filhas de 8 e 6 anos, no início do Verão, o que quereriam aprender nesse Verão, ao que imediatamente lhe responderam, Suzanne, 8, que queria aprender sobre histórias, poemas, ciência, matemática, arte, música, livros, pessoas, plantar, animais, lugares, comida, cores, rochas, bebés, carros, olhos e electricidade; e Gillian, 6, queria aprender sobre sementes, ossos, plantas, livros, evolução, dinossauros e experiências.

– um comentário que uma autora fez sobre ajudar “homeschoolers” adolescentes a descobrir formas de estudar certos assuntos fora da escola e não se limitando à abordagem escolar: uma rapariga perguntou ao pai como se chamava uma pessoa que estuda baleias; o pai responde-lhe “biólogo marinho” e que para isso teria que ir para a universidade tornar-se numa bióloga marinha para então estudar as baleias. A autora refere então que a biologia marinha não é a única maneira de crianças e adultos estudarem e trabalharem com as baleias, a família poderia também incentivar a filha a estudar baleias como um artista, músico, marinheiro, ecologista, naturalista e por aí fora…

Beijinhos a todos, até ao próximo post!

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Caderno Verde

Seleccionar, contar, verificar, anotar com a ajuda da Mesa de Desenho

Ainda faltam uns belos dias para o aniversário do Alexandre, mas ele e o pai já andam a preparar a nossa prenda que vai ser encomendada e por isso tem que ser com bastante antecedência: uma série de peças  de lego para juntar às que já temos, necessárias para “construir” um determinado tipo de nave espacial.

Assim, tarefa morosa e minuciosa, os dois seleccionaram das peças que temos as que vão ser utilizadas na tal nave, separaram-nas em caixas e olhando para as instruções que encontram na internet, verificam quantas peças de cada tipo faltam para poderem completar a construção.

Com a ajuda da “Mesa de Desenho” (neste outro post, na parte do Caderno Verde) vão colocando a quantidade total necessária de cada tipo de peças para a nave, e apagando, conforme vão contando as que já temos, até ficar com o número necessário de cada tipo de peça a encomendar.

Um trabalho “árduo”, mas muito satisfatório e entusiasmante para quem está empenhado em apurar o que encomendar para poder construir uma das suas naves preferidas!

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Trabalhar “com” crianças

Vivam!

Ao reler “Teach Your Own” de John Holt e Pat Farenga, deparo-me com vários pensamentos do Holt que me deixam a pensar…

Como este, no capítulo 10 “Children and Work”, subcapítulo “Leaf-Gathering”, que deixo para reflexão:

Após contar detalhadamente um episódio em que duas crianças suas vizinhas, ao vê-lo amontoar folhas caídas das árvores juntamente com algum “lixo orgânico” para fazer compostagem a aplicar numa mini-experiência de agricultura urbana a que se propôs, observaram todo o processo que realizava diariamente e vieram oferecer-se para ajudá-lo, trabalhando com entusiasmo e fazendo imensas perguntas, John Holt conclui o subcapítulo desta forma:

“The other day a young person wrote me saying, “I want to work with children”. Such letters come often. They make me want to say, “What you really mean is, you want to work on children. You want to do things to them, or for them _wonderful things, no doubt _which you think will help them. What’s more, you want to do these things whether the children want them done or not. What makes you think they need you so much? If you really want to work with children, then why not find some work worth doing, work you believe in for its own sake, and then find a way to make it possible for children _if they want to_ to do that work with you.”

The difference is crucial.” (e explica porque é que o seu trabalho colectando as folhas caídas das árvores interessou os dois rapazes seus vizinhos que insistiram em ajudá-lo).

Belos dias para todos! Em princípio, durante as próximas duas semanas não haverá posts novos aqui n’A Escola É Bela… beijinhos!

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Caderno Verde

Mais Contas e “Sudoku for Kids”

À hora de nos deitarmos, pediu-me, de novo, para lhe “perguntar contas de mais”, num dia em que eu “já não conseguia estar acordada um minuto mais”           🙂

“Amanhã, filhinho, pode ser? Pergunto-te muitas!”

“Então amanhã perguntas-me cem!”

“Cem? Bom, tenho que as ir anotando num papel, senão perco-lhes a conta…”

“Está bem!!!”

Ia fazendo de cabeça e depois colocava o resultado.

E…

O pai arranjou este sudoku na net. Imprimimos… et voilà!

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Ensino Doméstico (Homeschooling) e John Holt

Olá a todos!

Tiveram muitas prendinhas carinhosas neste Natal?

Eu tenho tido uns dias bem aconchegantes e amorosos, partilhando-os em família e também com amigos! Sinto-me muito grata a todos por tudo!

Continuando a contar sobre o nosso percurso sobre escolas e escolaridade no intuito de decidirmos a melhor forma de apoiar o Alexandre nas suas descobertas (ou redescobertas!) de como funcionamos e temos andado a funcionar aqui neste Planeta Terra e com a vontade de sermos construtivos em todo esse processo…

Há dois posts atrás, contei como nos familiarizámos melhor com a figura do “ensino doméstico”, quando começámos a saber de escolas que a utilizam para poderem trabalhar com outros currículos diferentes dos “oficiais”.

Entretanto conhecemos a nossa amiga Natália e o seu projecto “Terra Mãe”. O local proposto para o projecto agradava-nos muito e ficava “a caminho”. Conversando com ela várias vezes sobre a possibilidade de nos organizarmos em conjunto e sobre as ideias que cada um tinha sobre o assunto, a Natália empresta-nos um livro específico sobre “Homeschooling” e “Unschooling”:  “Teach Your Own” de John Holt e Pat Farenga.

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Após ter lido esse livro (em inglês, não existe edição portuguesa), encontrei dois dos primeiros livros de John Holt editados em língua portuguesa: “How Children Fail” (edição brasileira: “Como as Crianças Fracassam”; edição portuguesa: “Dificuldades em Aprender”, da Editorial Presença – desculpem-me, mas o título que deram à edição portuguesa não sintetiza em nada o conteúdo do livro…), “How Children Learn” (edição brasileira: “Como as Crianças Aprendem”, da Verus Editora; edição portuguesa: “Como Aprendem as Crianças”, da Editorial Presença – li as duas edições e prefiro a tradução brasileira, embora para nós seja mais familiar ler a edição portuguesa).

Tudo o que fui lendo nesses livros, fez-me muito sentido. Sobretudo porque John Holt, no que escreve, demonstra um interesse genuíno pelas crianças, gosta de estar com elas e tem a visão de que nós temos mais a aprender com elas do que a ensinar-lhes alguma coisa (algo que eu já tinha percebido ao frequentar os workshops do Robiyn e que está maravilhosamente resumido no seu CD “Mais Além do Bem e do Mal, a Inocência” que já referi num outro post).

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No prefácio de “Como Aprendem as Crianças”, John Holt diz, precisamente:

“Tudo o que quero dizer neste livro pode ser resumido em três palavras: confiemos nas crianças. Nada poderia ser, ao mesmo tempo, mais simples e mais difícil. Difícil porque, para confiar nas crianças, devemos confiar em nós mesmos. E a maioria de nós aprendeu, quando criança, que não somos confiáveis. Continuamos, por isso, tratando as crianças como fomos tratados. E chamamos a isso de “realidade”. Vez ou outra dizemos, com certo travo de amargura: “Se consegui aguentar, elas também conseguem”. Afirmo que precisamos quebrar esse ciclo de medo e desconfiança. Precisamos confiar nas crianças, embora não tenham confiado em nós quando éramos como elas. Fazer isso será um grande acto de fé. E grandes recompensas aguardam aqueles que de nós forem capazes desse acto.”

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E mais à frente, no mesmo Prefácio:

“Disse-me um amigo de pois de ler este livro: “Sempre fui muito apegado às crianças, especialmente às minhas. Mas até agora, nunca tinha imaginado que poderiam ser interessantes“. E devo dizer que elas me interessam ainda mais agora do que quando escrevi este livro. Observar bebés e crianças explorando e compreendendo o mundo a seu redor é para mim uma das coisas mais emocionantes do mundo. Tenho-as observado e tenho estado com elas em muitos lugares e por muito tempo. E no que dizem e fazem tenho encontrado não apenas prazer, mas muita matéria para reflexão, bem mais do que encontro no que dizem e fazem muitos adultos. Não gostar de crianças, não achá-las interessantes e não querer desfrutar da sua companhia não é crime. Mas, para mim, isso parece ser um grande infortúnio, uma grande perda, como não ter pernas ou ser privado da audição ou da visão.”

Outra característica que gosto muito neste autor é a honestidade. John Holt foi professor e muitas das reflexões que escreveu nas primeiras edições dos seus primeiros livros sobre os vários relatos que faz de experiências vividas entre ele e os seus alunos ou sobre o que observa nas actividades das crianças e bebés com quem costuma estar, são por ele próprio, nas edições posteriores dos mesmos livros refutadas ou completadas/ampliadas, dizendo “hoje já não penso assim…”

Em posts posteriores falarei ainda um pouco mais de John Holt.

Uma semana descansada e gratificante para todos e uma entrada em 2009 muito divertida! Neste blogue comemoraremos um novo ano/ciclo natural, na Primavera 🙂

Beijinhos, até dia 4 de Janeiro de 2009, Quarto Crescente!


Caderno Verde

O que é ler?

Umas semanas depois do episódio do computador falante, pensei em dizer-lhe:

“Filho, quando quiseres aprender a ler, dizes-me, o.k.?”

“O que é ler? – respondeu.

“Ler é sabermos o que querem dizer aquelas palavras formadas pelas letras, sabes, como o teu nome…”

“Ah! Isso é escrever!”

Pois, o que temos feito com ele até agora no que tocam às letras, é mesmo escrever. Isto porque nos parece o mais fácil de ele ligar à realidade, com a menor sensação de abstracção possível.

Fez-me muito sentido quando li no livro de John Holt “Como as Crianças Aprendem”, que as crianças, tal como aprendem a falar sozinhas, sem ninguém a ensiná-las a falar, soletrando as palvras, também elas aprendem a ler sozinhas (desde que rodeadas de “coisas que se leiam” tal como em bebés vivem rodeados de “seres falantes”).

John Holt tem muitos exemplos ao longo da sua experiência com o “Growing Without School” de casos de crianças que aprendem a ler sozinhas.

Uma das coisas que ele frisa é que as crianças aprendem qualquer coisa para a qual vejam utilidade em aprender.

Assim, uma das formas de elas tomarem contacto com as frases, textos, etc., para além das histórias que lhes lemos desde bebés, é começarem a escrever bilhetinhos para deixar a algum membro da família ou a um amigo que não estava em casa a comunicar-lhe algo (“Pai, eu e a mãe fomos ao parque, já voltamos.”), ou escrever em etiquetas para colar nos seus objectos ou brinquedos, ou escrever uma carta ao Pai Natal, ou colocar uma “tabuleta” na porta do seu quarto “Não entrem!” e por aí fora, consoante o que mais se adequa a cada um.

Por outro lado, também tinha lido num dos textos sobre as pedagogias que pesquisei, já não sei se waldorf se montessori, que não ensinam as crianças a ler, apenas a escrever, depois elas naturalmente lêem aquilo que escrevem.

De facto, aqui há tempos tive uma confirmação disto mesmo, de tanto escrever Alexandre, à mão ou no computador, no outro dia mostrei-lhe a capa de um livro “Alexandre o Grande” e perguntei-lhe o que estava ali escrito e ele respondeu “Não sei”, mas logo rapidamente reconhecendo: “Alexandre!” Fiquei muito satisfeita, contei logo a todos cá de casa, foi a primeira palavra que efectivamente ele já leu…

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Ora, posto isto, e estando “por dentro disto”, que observação mais descabida a minha, “Quando quiseres aprender a ler, dizes-me, o.k.?”

Às vezes só dou conta destes meus “deslizes” depois das suas respostas ou reacções…

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