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Simpósio Sandra Dodd em Lisboa e Coisas que temos andado a fazer… V

Vivam, bom dia!

Conforme anunciei neste outro post, a 1 e 2 de Junho aconteceu em Lisboa, o Simpósio sobre Unschooling com a presença da Sandra Dodd e da Joyce Fetteroll (ambas mães unschoolers, americanas, com filhos já adultos que não frequentaram a escola e têm bons desempenhos nas tarefas que mais gostam de fazer (trabalho), tendo crescido saudáveis e felizes) e vários pais interessadíssimos no tema.

Alguns pais levaram também as suas crianças, pois havia um espaço de brincadeira para elas.

O simpósio correu lindamente, graças também ao empenho da sua organizadora, a Marta Pires.

Os “subtemas” abordados foram os que constavam do programa: 1- Boas-vindas e apresentação das oradoras; 2- Sandra Dodd – “As origens das ideias sobre o movimento norte-americano da “Open Classromm”, e John Holt e a reforma da escola; Como funciona o unschooling”; 3- Joyce Fetteroll e Sandra Dodd – “Aprender e Ensinar”; 4 – Sandra Dodd – “Desescolarização (deschooling)”; 5 – Joyce Fetteroll – “Caixa de Ferramentas para o Unschooling (1ª parte) e (2ªa parte: perguntas e respostas); 6 – Joyce Fetteroll – “Porque não conseguem relaxar e deixar ir”; 7 – Sandra Dodd – “Escolhas e Parcerias na Família”; 8 – Sandra Dodd – “Benefícios Imprevistos do Unschooling”; 9 – Sandra Dodd e Marta Pires – “Perguntas Frequentes sobre o Unschooling; 10 – “Sessão de Perguntas e respostas; 11 – “Encerramento e despedidas”.

Esteve ainda presente uma jornalista da Notícias Magazine, revista do Jornal de Notícias que desenvolveu uma reportagem sobre o simpósio e o tema Unschooling que sairá oportunamente. Quando souber a data da sua publicação, voltarei a falar-vos aqui.

A Sandra Dodd e a Joyce, na semana seguinte, vieram cá a casa com a Marta (depois de terem ido visitar Sintra) e tiraram algumas fotos (à pintura da nave espacial feita pelo Alexandre, à pintura da árvore de parede do quarto da Celina…). O Alexandre quiz logo saber em que local dos Estados Unidos moram elas, abriu o Google Earth e lá estiveram os três a localizar as casas de ambas (uma em Albuquerque, outra em Boston), muito divertidos. Também cá estava a mana Celina que esteve a conversar com a Sandra sobre a sua filha Holly, pois são ambas da mesma idade e, pelo que disse a Sandra, algo parecidas na maneira de vestir (tanto o Alexandre como a Celina e a catarina não tinham estado no simpósio).

🙂

Foram uns belos e proveitosos dias, belos dias para todos vós!

Beijinhos

Isabel

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Caderno Verde

Coisas que temos andado a fzer nestes últimos três meses (V)… para além das outras coisas que tenho contado por aqui.

– Parece que andamos na fase dos documentários. Este, sobre a Pirâmide Urbana (uma cidade em forma de pirâmide) projetada para Tóquio (inspirada obviamente na forma das antigas pirâmides), o Alexandre já tinha visto há uns meses atrás e voltou a querer vê-lo de novo, pois andam outra vez a passá-lo no Discovery Channel no programa “Mega-Construções”. Revimo-lo, portanto e desta vez gravámo-lo para um CD,

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assim como vimos e gravámos mais 4 documentários também do programa Mega-Construções” do Discovery Channel: um sobre a ponte (também ainda apenas em projeto) sobre o estreito de Bering que ligará a América (Alasca) à Ásia (Rússia); um outro sobre o túnel transatlântico (também em projeto) estudado para ligar a América do Norte à Europa (túnel submarino); um sobre a construção do túnel sob os  Alpes, na Suíça e um outro sob a construção do aeroporto de Hong-Kong. Vimo-los também umas duas vezes cada documentário (por agora…).

Também já vimos quatro vezes (embora ainda o não tenhamos gravado, mas vamos gravá-lo entretanto _ faltaram-nos os cds virgens) um outro documentário sobre os diques nos Países Baixos e uma outra obra de engenharia para que as terras baixas não sejam constantemente inundadas e dizimada a sua população (tal como aconteceu em 1953) e este fez com que o Alexandre andasse a estudar melhor o mapa da Holanda e as suas cidades de Amsterdão e Roterdão (e a ter vontade de ir visitá-las!). E também andou a analisar o mapa da Europa e mostrou-me uma forma que engendendrou de aumentar em 1 ou 2% a quantidade de água doce do planeta…

😉

– Mais desenhos em planta e mapas

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(outra versão do mapa de Lisboa com a sua ponte 25 de Abril e o seu aeroporto)

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(o mapa da Ilha dos Ratos, dos livros de “Gerónimo Stilton”)

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(aqui o mapa que vem nos livros)

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– Estiveram cá uns amigos a brincar (três irmãos), o Alexandre a jogar xadrez com o mais velho.

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A importância de brincarmos com os nossos filhos (brincar, jogar, etc.) e o Primeiro dia de praia de 2013

Vivam, bom dia!

Eu até há pouco tempo não me tinha dado conta de que há pais que nunca brincam e fiquei espantada quando me apercebi de que são mais os que não brincam do que os que brincam.

Palavra, palavrinha. Talvez porque os meus pais brincavam connosco; quando eu era mais bebé (entre os meus três e os meus quatro anos), era mais a minha avó que ficava connosco e lembro-me sempre de ela nos contar muitas histórias e de nos ajudar com os brinquedos e já contei aqui que foi com ela que aprendi a ler, aos 4 anos (antes de entrar para a escola, portanto) porque os meus pais me tinham dado uns cubos com letras e eu pedia à minha avó para ela formar com os cubos as palavras que eu queria saber como se escreviam. Um bocadinho maiorzinha, a minha mãe brincava connosco até ao jogo do lenço, ao “minha mãe dá licença” (não sei se alguém se recorda deste) e muitos outros. Foi o meu pai que me ensinou (por volta dos 9-10 anos) a jogar à batalha naval, ao jogo do stop (que na altura chamávamos-lhe outro nome, já não sei bem qual), fazia ginástica connosco na praia (em Moçambique, era praia quase todo o ano), xadrez, alguns jogos de cartas, jogos em que tínhamos que raciocinar, deduzir ou aplicar estratégias e outros fazer contas de cabeça e sei lá que mais. Os meus tios cantavam connosco (tenho um tio músico) e a minha mãe também, passeávamos muito (a minha mãe era daquelas que era capaz de fazer 60 km ao final da tarde para irmos comer um pastel muito bom a uma pastelaria nessa tal cidade a 60 km e depois passeávamos um bocadinho e voltávamos_ e a minha mãe sempre teve pouco dinheiro, daquelas que anotam tudo, pagam primeiro as contas e as despesas e vão reservando algum para estas “extravagâncias”) e dentro do carro íamos sempre a cantar em conjunto.

E então com os meus filhos, mesmo com as mais velhas que frequentaram a escola, eu sempre brinquei, não me passava pela cabeça que poderia ser de outra maneira. Aqui há uns meses  a minha filha mais velha (hoje com 27 anos) surpreendeu-me ao contar a todos lá em casa como tinha boas recordações de como eu brincava “às Barbies” com ela. E ela andava na escola (tinha crianças para brincar) e brincava com a irmã em casa, mas estas nossas brincadeiras tiveram lugar também antes da sua irmã nascer (elas têm diferença de 5 anos) e são os momentos que ela mais recorda com apreço. A somar a que eu quando pequena raras vezes brincava com bonecas (não gostava), mas com a minha filha brincava imenso (também a outras coisas, não só “às Barbies”; como ela gostava muito de cantar e de dar espectáculos, montava-lhe espectáculos com assistência e tudo e outras coisas que tais); com a mais nova (que agora é a do meio) também brinquei e quando não “brincava diretamente” apoiava logisticamente as brincadeiras (um exemplo engraçado foi ter ajudado a preparar um casamento de gatos: essa mais pequena sempre adorou gatos e juntava os gatos da vizinhança com o nosso e um dia em que estava uma amiga lá em casa a brincar lembrou-se de casar o nosso gato com uma gatinha linda da vizinhança, de modo que arranjámos fato para o noivo, vestido para a noiva e eu fiz um bolo de casamento em miniatura (pois uma das boas recordações que eu tenho da minha infância é a da minha mãe nos ter feito uma “festa em miniatura” com bolos em miniatura, loiças em miniatura, para festejarmos o batizado de dois nossos bonecos (eu+a minha irmã), isto é, a solenidade de lhe darmos um nome_ já disse que eu em pequena não gostava de brincar com bonecas, mas achava piada a estes “eventos” mesmo envolvendo bonecos) e nunca mais ninguém se esqueceu deste casamento de gatos, até porque o noivo fugiu a meio da cerimónia.

😉

Entretanto com este meu filho mais novo fui descobrindo que o unschooling vive deste brincarmos em conjunto, que sempre tinha sido natural para mim, mas que agora ganhou ainda uma nova dimensão. Está certo que eu não gosto de jogar a todos os jogos, nem brincar a todas as brincadeiras, mas jogo muito e brinco muito (e o meu filho ainda acha que eu trabalho muito e devia brincar mais… . E li há dias no ” The Big Book Of Unschooling” da Sandra Dodd algo sobre isto também (mais uma a acrescentar àquele meu outro post de que o unschooling não é uma teoria e é “universal” ), pois ela também acentua a importância de brincar e jogar com os filhos e também diz que há jogos de que não gosta e que a aborrecem, e não joga esses com eles, mas envolve-se nesses jogos de outra maneira, pesquisando coisas sobre, ou estando atenta à renovação do material envolvido, etc., etc. Há muitas maneiras de nos envolvermos nos seus jogos e brincadeiras, mesmo apenas conversando sobre eles ou sobre como foi bom aquele jogo de hoje, ou como foi bom passar um nível difícil, ou o que for_ partilhar o entusiamo, portanto, pelo menos. Nós cá em casa somos uns afortunados nisto, pois somos vários a poder brincar com o Alexandre, então ele tem sempre alguém com quem pode fazer parceria nos jogos e nas brincadeiras (e às vezes gosta mesmo de brincar sozinho), se não é o pai sou eu, ou a irmã mais velha ou a do meio ou o companheiro da mais velha que é um irmão para ele e ele considera ser o seu “melhor amigo”. Eu sempre gostei mais de brincar com adultos do que com crianças da minha idade (talvez porque, como já disse, os “adultos da minha infância” brincavam mesmo comigo e com os meus irmãos) e pelos vistos este pequeno é da “mesma massa”, pois embora também brinque com crianças prefere a léguas brincar connosco.

E no início deste assunto eu disse que aqui há tempos descobri, incredulamente, que há  muitos pais que não brincam, através de uma situação em que uma menina que esteve a interagir e a brincar comigo e logo lhe perguntei ao que gostava mais de brincar e depois disse-lhe que também brincava a isto e àquilo com o meu filho que é mais ou menos da idade dela, um bocado mais novo. E ainda estou a ver com nitidez a sua expressão de espanto na altura: “Mas as mães também brincam?”. Eu respondi-lhe “Brincam! A tua mamã não brinca?!”. Bem, isto foi assim espontâneo, saíu-me, tal a surpresa para mim e a mãe estava perto e eu perguntei-lhe “Tu não brincas?” e foi quando ela me explicou que não e porque não que eu caí em mim e pensei “agora como é que eu vou dar a volta a isto sem ferir suscetibilidades?”, ainda por cima porque tenho muito apreço por aquela mãe, é muito dócil e amorosa e sempre gostei muito dela. E de repente realizei, fazendo várias perguntas a vários outros pais, que são mais aqueles que não brincam que os que brincam com as crianças.

Isto fez-me pensar muito, vocês não estão a ver. Senti-me uma completa extra-terrestre na altura, ainda por cima porque não tinha até à data consciência deste “estado de coisas”. Como é que é possível ter passado 40 e tal anos a achar que os pais brincam com os filhos (lá devia haver um ou outro que não) e nem sequer pôr isso em questão? Mas foi assim e infelizmente é assim. Cada vez que tento apurar mais sobre o assunto com famílias novas que conheço (excepção feita às que praticam Ensino Doméstico_ mas também não são todos, os que brincam ) percebo que às vezes nem jogar raquetes com os filhos jogam… será possível? É como se houvesse uma compartimentação por idades, as crianças, os adolescentes, os jovens adultos, os adultos, os séniors e podemos falar entre grupos, mas brincar não… (e falar, às vezes também é com muita deferência!) Pois, nós também tentamos que a minha sogra jogue connosco e ela esquiva-se sempre (já a minha mãe não perde uma suecada, mas essa nunca fez esta compartimentação com as brincadeiras por idades), bem não sei… mas que sei que é importante brincarmos e jogarmos e sermos parceiros dos nossos filhos (e dos nossos pais!), sei. Sei que foi importante para mim (que andei na escola) e para as minhas filhas mais velhas (que andaram na escola) e o tem sido para este mais novo (que não anda na escola). Pelo menos. E também tenho lido ultimamente alguns relatos dessa importância para muitos unschoolers no grupo “radical unschooling info” do facebook e nos artigos e no livro da Sandra Dodd.

Já gora, para ainda refletirmos melhor, algumas razões que me têm dado para justificar que “brincar com os filhos está fora de questão” são: “brincar, brinca-se na escola, nos intervalos e nas férias com os amigos; quando se vai para casa, fazem-se os trabalhos de casa e mais algumas tarefas, como arrumar o quarto e os brinquedos que estiverem espalhados e no fim disto tudo podem brincar (entre irmãos, quando não há irmãos brincam sozinhos_ começo logo por não perceber a lógica de arrumar os brinquedos primeiro e de brincar depois) e ver um bocadinho de televisão (se houver tempo!) até à hora de jantar e entre o jantar e o deitar, mas não é muito bom, brincar entre o jantar e o deitar porque podem ficar muito excitados e custar-lhes a adormecer; e aos fins-de-semana há mais um tempinho para a brincadeira, mas nunca com os pais; os pais têm mais que fazer, estão cansados do trabalho e  muitos (sobretudo as mães) ainda têm que organizar a casa e tratar do jantar; alguns conseguem dar apoio aos trabalhos de casa (deveres, T.P.C), menos ainda conseguem ter conversas com os filhos sobre as coisas da escola, mas brincar com eles, não dá, eles já brincam muito com os amigos.”

E então ao fim-de-semana? Também não dá para brincarem com os filhos?

“Não. Eles brincam bem entre irmãos (e sozinhos quando não têm irmãos). As crianças gostam de brincar com crianças, não com adultos, nós não percebemos nada das suas brincadeiras e eles até ficam incomodados com a nossa presença quando interferimos. Os adultos estragam a brincadeira. Só interferimos para os separar, quando se chateiam uns com os outros.”

Pelos vistos não seria assim se de facto os pais brincassem, mas enfim, isto parece tão lógico para muitos que nem há lugar para contra-argumentos.

E há também quem diga “Eu já disse ao meu filho, eu não sou teu amigo/a, sou teu pai/mãe” e eu penso que isto são modelos de autoridade que nos passam e nos quais nós queremos muito acreditar que funcionam e que se damos alguma abévia aos nossos filhos isto se torna tudo uma rebaldaria e fora do nosso controlo.

Às vezes sinto-me tentada a recomendar, “Experimentem. O que vos chama a atenção nalgumas brincadeiras em que os vossos filhos se envolvem? Não têm qualquer interesse em saber o que se passa ali, como é aquele jogo? Alguns podem lembrar-vos outros que jogaram na vossa infância e podem mostrar-lhes como eram os nossos jogos, alguns ainda se jogam hoje um pouco mais “modernizados” _ estou a lembrar-me da “Batalha Naval” que eu jogava apenas utilizando um papel quadriculado e caneta ou lápis e o meu filho agora usa uns dispositivos de plástico onde se encaixam os barcos de um lado e onde se assinalam os lançamentos que vamos fazendo numa outra prancha com uma espécie de pinos. E há sempre os clássicos xadrez (nem que seja jogá-lo no iPad!) e damas e vários outros. Ou brincadeiras na praia, jogos de bola, raquetes, sei lá que mais. O nosso filho gosta muito de “brincar às imaginações” (é o nome que lhe dá, imagina várias situações que poderiam ser reais, em várias partes do mundo, usando vários transportes, construindo, elaborando, conversando, identificando estados de tempo e sei lá que mais e brinca a isso com um adulto (normalmente com o Bernardo que é o companheiro ideal para passar hhoooraaasss nisto com ele sempre a adorar a brincadeira). Experimentem, é só soltarmo-nos e deixarmo-nos ir…”

😉

Belas brincadeiras para todos!

Isabel

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Caderno Verde

O (nosso) Primeiro dia de praia de 2013

Foi no Dia da Mãe. Uma bela maneira para mim de passar o Dia da Mãe, com os meus filhos, marido, genro e na praia.

O Alexandre tinha-me oferecido logo pela manhã um mapa da cidade de Lisboa e alguns arredores desenhado e pintado por ele (atenção à pista do aeroporto, ali em cima e quase ao centro (ligeiramente à direita) que ele sabe que eu gosto mesmo de voar_ e a zona verde clara é o parque de Monsanto), que eu depois fixei numa das paredes do corredor cá de casa.

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Depois, praia, a aproveitar os primeiros dias quentes deste ano.

Enquanto eu e a irmã começámos por descansar na toalha, lá foram eles para “a ilha”, onde a areia estava mais plana e convidava a construir o castelo (o Alexandre há alguns anitos _ desde que lhe ofereceram este “dispositivo”_ que constrói o mesmo castelo com algumas variações (na decoração final) de castelo para castelo). Houve logo um menino que se juntou aos três construtores oficiais (Alexandre, pai e Bato). Há sempre alguma criança que se sente atraída por estes moldes de construção da Imaginarium e se junta a nós na tarefa.

E nessa altura nós (as ladies) fomos fotografando de longe, que estávamos um pouco no relax (a Catarina estava a estudar um texto para uma peça de teatro juvenil que anda a ensaiar e eu estive a ler o texto, que achei o máximo, chama-se “À espera de Vicente”, uma rapsódia de três trechos de peças diferentes do Gil Vicente misturada com uma acção no presente).

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Depois lá nos juntámos a eles e estivémos na praia até à noite. No final da construção passámos a jogar raquetes de praia, “à vez”.

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Logo a seguir à praia fomos jantar e os filhotes ofereceram-me ainda uma linda blusa verde-água-claro-intenso que me fica muito bem.

😉

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Educação e Liberdade

Boa noite a todos!

Andava eu pelo blog da Paula (Aprender Sem Escola) quando  encontrei na sua barra lateral direita um “novo” (para mim) blog dedicado ao ensino doméstico/domiciliar: Educação e Liberdade, da Fernanda, no Brasil.

Entrei e logo me identifiquei com a maior parte do que a Fernanda escreve.

O seu post “Os Professores são importantes, sim!“, fez-me lembrar um pouco o post que escrevi aqui há tempos “Somos Anti-Escola?

E o mesmo sentido profundo do unschooling, através do seu post “O que nos move é mais profundo que a crítica às escolas“.

Também me senti identificada com a Fernanda ao ler o seu perfil. Umas palavras trocadas e poderia ser o meu retrato.

Logo deixei um comentário no seu blog e lhe pedi autorização para escrever um artigo sobre o seu “Educação e Liberdade” aqui n’A Escola É Bela e ela não só gentilmente a concedeu como me enviou um link para um outro seu blog ao perceber que também tínhamos algo em comum nessa área. E assim acedi ao seu “Relato de um parto natural“.

Grata, Fernanda! Seja sempre bem-vinda por estas bandas! Eu continuarei seguindo, com interesse, as suas publicações.

Um grande abraço a todos e até ao próximo post, desejando-vos uns belos dias de Outono!

Isabel

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Caderno Verde

YouCam

Logo após o início das aulas deste ano lectivo, a amiguinha do Alexandre e nossa vizinha M., apareceu cá em casa toda contente a mostrar-nos o seu novo portátil. Com a sua aquisição vinha um programa, o YouCam, que fez as delícias dos dois pequenos durante duas ou três tardes inteiras.

Filmaram-se a eles próprios, tiraram fotos a eles próprios, cheias de “efeitos especiais”.

Foi quando me estiveram a mostrar os resultados que me tiraram estas abaixo, que coloco aqui para mostrar os efeitos que EU (porque eles gostam de muitos outros) achei mais interessantes. Sobretudo o “efeito-relevo”, que me inspira a desenhar e a pintar.

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“Sopas de Letras” à la carte

Olá! Vivam!

Este post desta semana vai concentrar-se na parte do Caderno Verde.

Gostaria, no entanto, de vos lembrar de passarem pelo blog “Aprender Sem Escola” onde a Paula nos inunda com informação internacional sobre o ensino doméstico, pelo blog “Orca – observar, recordar, crecer y aprender”, onde a Marvan partilha tão simplesmente as actividades que vão desenvolvendo em ensino doméstico, ela com os seus dois filhos, e para irem lendo as já algumas edições (uma vintena) do Carnaval de blogs dos nossos amigos que educam em casa em Espanha.

Beijinhos a todos, até para a semana

Isabel

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Caderno Verde

Mais “sopas de letras”

Aproveitando o seu mais recente interesse que já partilhei no Caderno Verde do último post, resolvi elaborar eu umas “sopas de letras” personalizadas, isto é, usando palavras que lhe sejam familiares e lhe digam algo.

Fiz dois conjuntos: um com letras maiúsculas e outro com minúsculas, que ele conhece menos.

Já se entreteve a resolver duas das “sopas”, a com os nossos nomes fez muito rapidamente, mesmo sendo em minúsculas.

Vou ter que imprimir mais umas, com novas palavras…

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“Nossos Irmãos e Vizinhos” :)

Olá a todos!

Ao ler as edições do Carnaval do blogue da Meninheira (embora estejamos próximos do Carnaval, é uma mera coincidência, as edições que refiro não têm nada a ver… da primeira vez que li, perguntei à Meninheira o porquê do nome “Carnaval” e ela respondeu-me: “Foi o nome que lhe deram, vê aqui 🙂 ), acedi aos blogues dos vários participantes das diferentes edições e gostei muito de alguns dos seus posts.

Sem nenhuma ordem em especial, aqui fica uma pequena lista dos blogues das famílias simpatizantes do homeschooling que acedo com maior frequência, através do Dálle Un Coliño:

Hechiceros

Libres Como El Volcán

Orca e Alce

Enseñar a Pescar

e muitos, muitos outros não só de Espanha, mas também, da Columbia, Porto Rico, Estados Unidos…

Vou só deixar aqui os links directos para uns dos artigos mais recentes que gostei muito de ler, nuns desses blogues listados acima (não consegui ler todos os artigos, obviamente):

Un Método E Un Por Qué

Yo Soy de “Esas”

Crisis

Colaboratión de Natalia

Aprender

Mis tres (resumidos) deseos e algún que outro sueño

Google Earth

Em relação às referidas “Edições do Carnaval”:

Ao lê-las, apercebi-me de que constavam no seguinte:

Cada uma das famílias, à vez, propõe umas perguntas (ou uma só) a serem respondidas por todas as outras famílias e por si própria. As perguntas basicamente têm a ver com o tema do Ensino Doméstico. Cada família publica no seu blogue (se não tiver blogue há sempre algum que a “aloja”) as respostas, texto, reflexões. A família de onde partiu a pergunta, quando é “fechada a edição”, publica no seu blogue um resumo das intervenções de todos os participantes dessa edição (não é obrigatório participar em todas 🙂  ), colocando os links para os textos integrais publicados em cada blogue.

Através destas edições, que desde logo despertaram o meu interesse fiquei a par das várias especificidades que cada família adopta, muitas actividades possíveis, muitos sonhos e muitas realizações! E senti-me mais próxima de todas elas!

Muito obrigada a todos!

Até para a semana, dia 16, Quarto Minguante, e muitos beijinhos!

Isabel 

 

Caderno Verde

Variações sobre um tema

Durante um certo tempo (ainda continua, mas entretanto interessou-se fortemente também por outro “tema”), o maior e muito forte interesse do Alexandre foram os comboi0s, como se tem verificado aqui nalgumas páginas do Caderno Verde.

À volta dos comboios, como tema, surgiram muitas actividades:

Pintura (pintou este “quadro” por iniciativa da mana Catarina, no dia que fez 5 anos (em Julho do ano passado, portanto), como presente para oferecer a si próprio 🙂 :

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Desenho:

dsc00825(não se vê bem, é a lápis…)

Bricolage (esta caixa foi feita e projectada pelo Alexandre e pela Catarina – eu ajudei nos cálculos para que depois as tábuas compradas, fossem cortadas à medida e por forma a economizar o mais possível os painéis de medidas fixas que existem para venda – e pintada também pelos dois com uns toques do Bato). A função destinada à caixa é a arrumação de todas as pistas de comboios e todas as locomotivas e carruagens e demais acessórios (pontes e túneis), que fomos e foram oferecendo ao Alexandre:

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Também, a seu pedido, inventamos canções sobre comboios para lhe cantar e que ele tenta cantar da mesma forma 😉

E também toca “melodias” por si “compostas”, “ao piano” (é mais um sintetizador… 🙂 ) baptizadas com o nome “Música dos Comboios” (agora também já “compôs” uma chamada “Música das Naves Espaciais”).

Lemos livros sobre comboios (o preferido é o TGV) e sobre transportes, em geral.

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Visitámos uma exposição de comboios (os próprios, ao vivo, na zona de Alcântara, a comemorar um aniversário da CP…), conforme já aqui coloquei num post.

Escrevemos e ele escreve também, a palavra comboio, à mão e no computador.

Também joga jogos no computador sobre comboios, um dos quais o faz ter contacto com muitos dos comandos que se usam em outros programas de desenho e com muitos conceitos matemáticos. Num próximo post, neste Caderno Verde, vou falar sobre alguns jogos de computador, pois é o assunto é vasto e interessante.

E interessa-se e percebe muitas coisas relacionadas com a construção e os transportes e também sobre os sinais de trânsito.

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Fascina-o o fumo dos comboios a vapor, mas por outro lado, percebeu que o fumo é poluente e como também se interessa muito por reciclagem e a despoluição, sabe que os comboios mais modernos são muito mais ecológicos e também que é mais ecológico andarmos de comboio do que cada um no seu próprio automóvel (palavra que sabe!), o que lhe agrada muito, dado o gosto que tem em andar de comboio! 🙂

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Desde pequeno que vamos com ele andar de comboio frequentemente e que optamos por esse meio de transporte muitas vezes para apoiar o seu interesse e gosto tão particulares, tendo ele assim a experiência “ao vivo” e o conhecimento baseado na prática.

Todas estas actividades nunca foram planeadas e surgiram naturalmente por ser um interesse muito próprio presente em muitas das coisas que faz e lhe vai apetecendo fazer. Compilá-las aqui num só apontamento do Caderno Verde, é um exercício meu, ao perceber como existem, realizadas, tantas variações do mesmo tema e como, tal como John Holt explica, podem abordar-se tantas matérias só por si diferentes, unicamente sendo guiados pelos interesses específicos de cada criança!

Se quiserem aqui partilhar “variações de um mesmo tema” que costumam acontecer com os vossos filhos, dados os seus específicos interesses, sintam-se à vontade!

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Mais alguns livros e blogues, II

Bom dia!

Obrigado a todos por estarmos aqui para um novo ano, interagindo desta forma!

Continuando com o título do post anterior…

Bem, entretanto, de novo a Natália 🙂 , incentivou-me a inscrever-me no fórum do grupo do ensino doméstico. Não estava nada familiarizada com este tipo de fóruns, na net, tive uma certa resistência, mas depois lá me inscrevi. Incentivada por uma amiga, li todas as mensagens do fórum até à data da minha entrada e senti logo como todos eram calorosos, respeitando as ideologias de uns e outros, enfim, quase uma família, unida pela simpatia em relação ao ensino doméstico (e alguns mesmo já pondo em  prática).

Através do fórum tive acesso a mais legislação sobre o ensino doméstico em Portugal, para além das várias experiências das famílias que já o praticam.

Daí fui conhecendo e trocando impressões com alguns dos membros do grupo, e hoje, embora ainda não nos tenhamos encontrado fisicamente, já nos sentimos amigos.

E na sequência, comecei então a escrever também para o Pés Na Relva, como já referi no post anterior.  Através desse blogue conheci outros, de famílias que também praticam o ensino doméstico, o Pipocasland e o Dalle Un Coliño (de uns nossos irmãos da Galiza!) _ acho delicioso, carinhoso e sei lá que mais, o nome que a “Meninheira” deu a este seu blogue…

Conheci também o blogue de uma das minhas amigas do fórum do grupo de ensino doméstico, o “Aprender Sem Escola“, da Ana Paula, portuguesa, residente no Reino Unido, com um filho de 15 anos, “unscooler”, ou como ela melhor define, praticando a “aprendizagem autónoma”. Convido-vos (a quem ainda não conheça 🙂 ) a conhecer o seu blogue, que considero de grande utilidade para quem pretende obter o mais variado tipo de informação, em português, sobre o “unschooling” e o “homeschooling”.

Ainda em relação ao “Aprender Sem Escola”, com a autorização da Ana Paula, vou deixar aqui os links para alguns artigos publicados no blogue, que eu considero muito “ilustrativos” desta temática: ” Ensino Doméstico na prática“; “Ensino Doméstico: porquê?“; “O que é o ensino doméstico?”; “Isabella sente-se bem em casa“; “Adoro o ensino doméstico!” (artigo escrito para um jornal por uma jovem que estuda “em casa”, após ter tido problemas na escola); um artigo da mesma jovem sobre os problemas que atravessou durante o período em que frequentou a escola: “Bullying leva ao ensino doméstico“; “Descolarizar os pais: Aprender a confiar“; “Platão e a educação“; “John Holt disse…“; “Aprendizagem autónoma no ensino doméstico“; um artigo que eu gostei imenso de ler porque desconhecia a origem do aparecimento do ensino obrigatório e é bastante esclarecedor 🙂 : “A criação do ensino obrigatório“; “Documentário: Mecânica quântica e incerteza“; “Universos Paralelos“; e muitos, mas muitos outros artigos deveras interessantes que encontrarão ao explorar este blogue! Para terminar, vejam mesmo, assim que puderem (são só 3 minutinhos), este vídeo que a Paula colocou no seu blogue, de um poema lindíssimo e, quanto a mim, muito representativo do que sentem as famílias que enveredam, conscientemente, pela oportunidade de não “levarem os seus filhos à escola”. O poema é de Japan Pathak e chama-se “Escolarizar a Natureza” _ é de nos deliciarmos!

Em relação aos livros, quero ainda dizer-vos que, de momento, continuo a ler John Holt e estou a ler o seu último livro “Learning All The Time”, publicado postumamente.

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Por ter achado piada à “semelhança” com a capa deste livro, coloco aqui uma foto de um banco velho pintado pelas minhas filhas há uns 7 anos e  uns meses, atrás:

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Até para a semana, dia 18, Quarto Minguante! Até lá, uns belos dias pelo começo de 2009 para todos!

 

Caderno Verde

Aprender Inglês

O primeiro recurso surgiu naturalmente: o Canal dos Bebés (Baby Channel). 

Tínhamos mudado de operadora (televisão, internet, telefone fixo) e apresentaram-nos um “pacote” fixo onde podíamos adicionar vários canais que escolhessemos, tudo pelo preço básico. Escolhemos o Baby Channel (para além do Disney Channel e do Canal Panda), pois já tínhamos ouvido falar bem do canal e como o Alexandre era ainda muito pequeno… bem, até hoje! Ele gosta mesmo de muitas das pequenas “séries” que passam e ouve tudo em inglês.

Também temos o Tiji (francês), que também vê frequentemente. (O Tiji transmite, durante mais tempo que o Panda, por exemplo, séries mais harmónicas. Ele próprio já escolhe e não quer ver as mais violentas).

Isto de ir ouvindo falar em outras línguas faz-me lembrar um episódio contado por uma grande amiga minha de há já bastantes anos (conhecemo-nos em 1986, quando as nossas filhas mais velhas, ambas da mesma idade, frequentavam o mesmo infantário e nós, por coincidência, dávamos aulas na mesma escola). 

A história que ela contou passou-se uns anos depois, já eu tinha vindo morar para os arredores de Lisboa e ela tinha ido com a  família para a Bélgica. Entretanto também já tinha tido a minha filha do meio e ela um filho, do mesmo ano (de uns meses antes).

Vinham eles (ou iam) da Bélgica, de carro e, naquelas paragens para descanso, os pequenos encontravam outros pequenos de outras famílias; a mais velha, mais tímida (como a minha mais velha), não se aproximava muito; o irmão, um “tagarela” (como a minha do meio), falava com todos os meninos que encontrava, ele em português, os outros em francês e mais umas quantas línguas… A irmã dizia-lhe: “Não sei para quê tanta conversa, eles não percebem nada do que dizes!”. E a resposta pronta do irmão: “Não faz mal, não percebem, mas ouvem!”  😀

Ora aí está, não percebem, mas ouvem e quem diz que não percebem mesmo algumas coisas pelos gestos, acções e entoações? E ao final de uns tempos, o Alexandre já sabe umas coisas em francês, outras em inglês…

Em relação ao inglês, para além do Baby Channel, também vê muitas vezes alguns filmes em inglês (sem a dobragem e sem as legendas). O “Cars”, por exemplo, sempre o viu assim, à excepção de quando passou, agora no Natal, na televisão. “Os Robinsons”, também, a “Fábrica de Chocolate”, o “Livro da Selva 2” e mais uns quantos.

E por outro lado, uma vez comprei-lhe um DVD do “Nody aprende Inglês” e olha, gostou mesmo, agora já tem quatro desses e vê-os repetidamente, diz que está “a aprender Inglês”! Canta as canções, diz as palavras quando é para repetir e já as antecipa, quando é para antecipar.

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Constatamos que o melhor mesmo é prestarmos atenção aos seus interesses, mostrar-lhe várias coisas que ele rejeita ou adopta, apoiá-lo nas suas descobertas e o resto, a assimilação de práticas e conhecimentos, fica naturalmente por sua conta, ao seu ritmo, à sua “medida”…

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Ensino Doméstico – Mais alguns livros… e blogues!

Feliz 2009 para todos!!!

Votos de um ano cheio de surpresas agradáveis e concretizações de alguns sonhos!

A semana passada contei como nos foi apresentado John Holt. A Natália, na mesma altura, também nos emprestou um livro de Alfie Kohn, “Unconditional Parenting”. Ainda não o li, pois o Pedro é que leu esse enquanto eu lia o “Teach Your Own” de John Holt e Pat Farenga, que já falei no post anterior. Depois devolvemos os livros e ainda não comprei o do Alfie Kohn, mas está na minha lista de livros a comprar. Podem saber mais sobre este autor neste seu site.

Li os outros dois livros de John Holt traduzidos em português que mencionei também no post anterior. E fomos conversando, eu e o Pedro e cimentando a ideia de ir para a frente com a escolaridade do Alexandre em ensino doméstico.

Começámos também a pesquisar na internet sobre o assunto (pesquisando em “ensino doméstico”) e démos com o blogue “Pés Na Relva” do qual também já aqui falei e para o qual também escrevo uns posts, hoje em dia, tendo sido posteriormente convidada por “Vale de Gil”, pois trata-se de um blogue colectivo onde algumas famílias simpatizantes e/ou que praticam o ensino doméstico deixam os seus apontamentos. E também com o blogue “Country Sketches” e com o “Jóia de Família“.

Começámos a perceber que existiam famílias em Portugal a gostar da ideia do ensino doméstico e outras a praticá-lo já.

Como explico na página Projecto, o Pedro deu-me a ideia de escrever um blogue onde pudesse partilhar alguma desta informação, este nosso percurso e deixar uns “apontamentos” sobre o que, concretamente, nos vamos apercebendo na vivência com o Alexandre que até agora não frequentou ainda qualquer infantário, jardim infantil nem pré-primária. Estes “apontamentos” fazem parte do Caderno Verde deste blogue.

E assim, com a ajuda de todos cá de casa, nasceu “A Escola É Bela”, dedicada a todos Vós.

No próximo post continuo com este título “Mais Alguns Livros… e blogues”, pois “apareceram-me” mais uns, quanto a mim muito interessantes, já depois do nascimento da Escola É Bela.

Mil beijinhos! Até dia 11, Lua Cheia.


Caderno Verde

Teoria…

Íamos no IC19, que na altura estava em obras. Oportunidades excelentes para o Alexandre ver máquinas a trabalhar.

Desde bébé que dava sinais de euforia ao ver uma escavadora à beira da estrada (eu pensava que ele tinha visto um cãozinho a passar ou uma coisa assim, só percebi do que se tratava, mais tarde, quando os mesmos sinais de euforia às vezes quando íamos de carro, passaram a ser acompanhados com gestos mais precisos e depois com palavras).

Desta vez havia um “grande camião do cimento” a trabalhar e o Pedro, quiz usar o termo técnico e perguntou-me “Mãe, como é que se chama este camião?”

Entretanto apercebi-me do que estavam a ver (ia pensar em qualquer outra coisa), desci à Terra e recordei o termo técnico, ” Betoneira”, disse.

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E a partir daí desbobinei a informação: “É um Camião Betoneira”, pois também há as outras betoneiras como a “Beta” do “Bob o Construtor”, sabes? Sim, e chamam-se assim, porque misturam o betão, que é o cimento, quer dizer, é cimento misturado com areia e água, é a isso que se chama betão, e eles depois deitam-no para ali para aqueles moldes, para fazer estas peças em betão. Sabes, também há o betão armado, que é assim como este mas tem “ferrinhos ” lá dentro, já viste nos pilares das casas, olha, como ali (e passávamos por um troço inacabado de uma passagem superior para peões com os “ferrinhos à mostra”), sim, mas os pilares das casas, já viste no outro dia, e também fazem vigas com o betão armado, e pontes (pontes interessam-lhe, ele adora pontes!), blá, blá…

Até que ouvi um grito desesperado “Mãe, pára de dizer isso”!

Parei subitamente e olhei para trás, para o Alexandre. Continuou a olhar pela janela e a ver tudo, calado.

Fiquei caladinha, a processar. Até ouvir o Pedro dizer: “Sabes, falaste muito, não é preciso dizer isso tudo…”

“Caí” em mim, “Têm razão, só me perguntaram o termo técnico para o “Grande Camião do Cimento”.”

E mais uma vez me apercebi que continuo “viciada” na teoria, apesar desta, para mim, já resultar da minha prática, e apesar de muito “atabalhoadamente” tentar baseá-la nos seus já adquiridos conhecimentos (com o Bob o Construtor – série de desenhos animados para quem não conhece – e por ele já ter visto obras em curso, pilares, etc). Para ele, naquele momento era teoria, pois a única coisa prática que estava a ver era a betoneira a girar, no meio da estrada.

É isto que se faz nas escolas (por mais imagens que o professor mostre, por mais que o professor seja “bom a explicar”, por mais que ele recorra à memória de outras coisas parecidas que os alunos (alguns e não todos!) já tenham visto, por mais  e melhores métodos que utilize já “testados e comprovados” (noutras crianças e não naquelas ou melhor, em cada uma)), é isto que se faz, pura teoria desassociada da prática, do mundo, da vida. E eu a tentar não fazer o mesmo, mas a fazê-lo de alguma forma.

Ocorreu-me então que, de facto, toda aquela explicação só lhe interessaria, mesmo ele adorando construções, se ele a requisitasse ou se fosse dita na mesma altura em que observava cada um dos processos. Ou melhor, já nem seria preciso a explicação, pois uma acção vale mil palavras, bastava dizer alguns nomes, se ele os quisesse saber.

Como aconteceu no outro dia em que o pai o levou a casa da vizinha, na terra da avó, ver a máquina de esmagar as uvas para fazer vinho, a trabalhar (depois de lhe ter perguntado se ele queria ir ver essa máquina a trabalhar e de ele ter respondido que sim, todo entusiasmado).

Assim que cheguei perto deles (já tinham terminado), contou-me o processo todo, muito bem explicado (aí fui eu que apenas fiquei com uma imagem do acontecimento, e que já se desvaneceu, porque não vi a máquina a trabalhar, embora ele me tenha explicado tudo muito bem…O Alexandre sim, adquiriu ali aquele conhecimento, na prática, sem explicações desassociadas do que estava a observar na altura).

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