Archive for b)-Só a Informação solicitada

Unschooling, Além Teorias.

O que mais me encanta relativamente ao unschooling é que o unschooling não é uma teoria.

Logo desde o início que tive contacto com o tema o que me fez perceber que o que estava a ler nos livros de John Holt fazia muito sentido foi o facto de conseguir identificar, a cada aspecto de como as crianças aprendem que ia lendo, que era assim mesmo que se tinha passado em determinadas situações com os meus filhos, sobretudo com este meu mais novo que nunca tinha frequentado qualquer infantário/jardim infantil .

Uma das coisas muito engraçadas porque eu tinha observado antes de ter lido sobre esse aspecto num dos livros de John Holt foi a questão de eles não gostarem que lhes debitemos informação para além da que especificamente solicitam (contei na altura essa pequena história aqui no blog (na parte do Caderno Verde), nós íamos de carro no IC19 que na altura estava em obras e ele perguntou-me como é que se chamavam os camiões do cimento e eu para além de lhe responder diretamente desatei a falar-lhe do betão e de vigas e de pilares até ele me mandar parar que não queria saber nada disso e só me tinha perguntado o nome do camião, só queria saber exatamente isso e mais nada; dali a uns dias li sobre situações do género num dos livros de John Holt, “Learning All The Time”_ tal como o contei depois neste outro post . Depois, uma outra família contou sobre como constatou o mesmo).
E agora que ando a ler o Big Book Of Unschooling da Sandra Dodd, tem-me acontecido o mesmo, isto é, a cada parte do livro verifico que o que ela diz que acontece com a aprendizagem natural é mesmo “universal”, digamos, pois muuuuiiiitos dos aspectos se têm verificado também com o meu filho (que hoje tem 9 anos); um dos que li agora há pouco e achei engraçadíssimo: a dada altura a Sandra dá exemplos de vários jogos interessantes que podemos propor jogarmos com eles (os nossos filhos) e frisa que caso eles não queiram seguir as regras do jogo para não insistirmos que as sigam e deixar solto a ver o que acontece e isso faz muito eco com o que aconteceu com o meu pequeno;  a dada altura ele próprio me pediu para lhe dizer como é que se jogava xadrez,  e eu fui-lhe transmitindo as regras frente ao nosso tabuleiro, só que ele desistiu de jogar com as regras e inventou outras e depois até inventou novos bonecos (com os seus de Lego) para substituir as peças do tabuleiro) e entretivémo-nos horas dessa maneira; mais tarde continuou a jogar a sua variação do xadrez com as suas irmãs e cunhado e até lhe chamou outro nome “jogo de sadrêsss”; até que passados uns tempos começou a jogar com as regras tal e qual e joga bem, já nos ganha a quase todos! Mas de vez em quando, para variar, ainda quer jogar o sadrêsss em vez de xadrez. 😉

Onde quero chegar: àquilo por onde comecei_ se deixarmos que a aprendizagem naturalmente aconteça ela acontece da mesma maneira para todas as crianças, é universal e vê-se na prática, não é uma teoria (muito embora existam muitas variações de criança para criança, não na parte de como funciona, mas na parte do quando e dos aspetos da aprendizagem que vão focando ora uns ora outros, por terem gostos e interesse diversos).

Beijinhos e belos dias para todos,

Isabel

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Caderno verde

Onde Está o Xanti?

Uma brincadeira que ele empreende frequentes vezes quando está cá um dos primos, ou a vizinha ou mesmo para que um de nós entre na dança (também se esconde sob os lençóis da nossa cama e também gosta de aparecer sob um lençol ou toalha a fazer de fantasma).

😉

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“Portugal’skii”_ Google Tradutor’

Bom dia a todos!

Hoje mais um post dedicado simplesmente ao Caderno Verde.

Beijinhos e belas traduções          😀

Isabel

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Caderno Verde

“Portugal’skii” _ Google Tradutor

Um recurso “novo”, isto é, recentemente adoptado cá em casa: a possibilidade de se ouvir a frase traduzida no google.

Vou explicar:

A “responsável” directa é uma colega minha de trabalho e amiga, fã dos recursos disponibilizados pela internet. Tendo “realizado” entretanto que o tradutor do google emite som, o que ajuda muito com a tradução das palavras, “inventou” que podíamos todos lá no trabalho aprender, por exemplo, italiano, duas frases por dia, como “aquecimento”, antes de nos dedicarmos às nossas tarefas diárias. Assim, chegamos um bocadinho mais cedo (10 a 15 minutos é o suficiente), escrevemos duas frases/expressões em português no tradutor do google (a ideia é começar pelas que utilizamos diariamente para depois as praticarmos automaticamente e não as esquecermos), “traduzimo-las” (o google é que traduz     🙂       ) para italiano e ouvimos a expressão cantadinha pela menina da gravação (é que o italiano é mesmo “cantado”, é mesmo giro!).

No primeiro dia, aprendemos o Buongiorno (Bom dia) e o Ci vediamo domani (Vemo-nos amanhã, até amanhã). Adorámos o Ci vediamo domani!

No segundo, o Grazie (obrigado) e o La mia pausa pranzo (vou almoçar).

O giro mesmo é treinarmos a pronúncia!

Ora que vi logo com a experiência que isto iria ser um sucesso cá em casa, utilizando-o no “ensino doméstico”. Contei a toda a malta a nossa “brincadeira”, dirigi-me ao computador com o Alexandre e ele disse-me que sabia como se dizia “Sim, comboio” em inglês: “Yes, train” e quiz que eu reproduzisse para ele ouvir (cá para mim era um teste, para ver se o google era bom ou não em traduções              😉                 ).

Depois experimentámos “Avião” e ouvimos “Plane” e ao fim de mais umas palavras ele perguntou como é que se dizia “português” em inglês. “Portuguese”, ouvimos.

E “português” em russo? Pediu logo ele (ultimamente anda às voltas com a Rússia por ser o maior país do planeta…)

Ora que nos apareceu escrito em russo com aqueles caracteres alfabéticos que não nos são nada familiares e que não sei reproduzir aqui (coloco a foto    😉      ). Mas o “som” era giro, algo como “portugalski” (e depois vi como se escrevia “foneticamente”: “Portugal’skii”).

E o pequeno lá ficou a repetir “portugalski” durante uns tempos…

🙂

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Quem iria adivinhar?

Olá a todos!

Já por diversas vezes, aqui (no apontamento do Caderno Verde- Teoria) e aqui, escrevi neste blog sobre a “informação não solicitada” e sobre a “desescolarização dos pais” (onde remeto para este post da Paula do Aprender Sem Escola _ depois deste ela já colocou mais posts sobre este mesmo assunto).

E também o tema da informação não solicitada foi abordado, por outra família que escreve no Pés Na Relva. Sim, não é invenção, acontece mesmo, estando atentos percebemos que eles não gostam que os sobrecarreguemos de informação que eles não solicitaram.

O meu pequeno fica mesmo aborrecido e algo impaciente comigo. E mesmo tendo já passado pela experiência, lido sobre ela, escrito sobre ela, ainda não estou desescolarizada o suficiente, pois caí novamente na esparrela.

Aconteceu assim:

O Alexandre faz-me uma pergunta: “Mãe, sabes porque é que as árvores, no Inverno, não têm folhas?”

Respondo de imediato (piloto automático ligado, deve ter sido…): “Não é bem assim… algumas árvores perdem as folhas, chamam-se árvores de folha caduca e outras não, são as árvores de folha persistente. E perdem as folhas porque…”

Sou interrompida com veemência: “Mãe! Estás a dizer o quê? Só te perguntei, SABES PORQUE É QUE AS ÁRVORES NÂO TÊM FOLHAS NO INVERNO! E a resposta era: PORQUE AS FOLHAS CAEM NO OUTONO!!!”

Fiquei assim um pouco atordoada até perceber que aquela não era uma pergunta-pergunta e sim uma espécie de adivinha e que afinal eu não soube a resposta à adivinha. Quem iria adivinhar?

Pois… esta nossa pré-formatação, escolarização ou sei lá o que lhe chame, ATRAAAAPAAALHA!!!!

Mas eu sou persistente (sou uma árvore de folha persistente             🙂                ),  hei-de voltar à criança que há em mim!

Beijinhos a todos, até um dia destes!           😀

Isabel

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Caderno Verde

Desenvolvimentos da Leitura e da Escrita

Mesmo com tudo o que disse acima (bem, este episódio do Caderno Verde aconteceu antes “do da adivinha”), não resisti, aqui há tempos, a tentar perceber se ele já lê algumas coisas (tal como já relatei num post no Pés Na Relva):

Ia começar a anotar algo, sentada perto dele, e passou-me pela cabeça escrever as palavras “Pai”, “Mãe” e “Mana” e perguntar-lhe o que estava ali escrito. Ele deu uma rápida olhadela e leu (a última leu “Mariana”, é parecido…).

Agora há pouco, depois de termos andado de novo de volta das letras (continua a escrever bilhetinhos, este

foi para colocar à porta do quarto da irmã para ela ler quando chegasse à noite, já tarde, depois de vir do seu curso da técnica de Meisner) e com a ajuda do quadro branco que falei há uns posts atrás, experimentámos também este outro jogo

(que traz também um cd para actividades com o abecedário no computador)

e fiquei a perceber que ele já relaciona letras e palavras e que lê de facto algumas.

Às vezes é para mim difícil perceber o que ele sabe e o que não sabe. Perguntando directamente, muitas vezes não responde (não gosta dessas perguntas). E tal como John Holt explica em toda a sua obra e muito pormenorizadamente no seu primeiro livro, “How Children Fail” (“Dificuldades em Aprender”, a edição portuguesa), as crianças não gostam que as façam sentir que não sabem isto e aquilo (e em última análise, os adultos também não), se confrontadas com isso (como o são frequentemente na escola) desenvolvem as mais variadas “técnicas de burlice” para contornar a questão. É sobretudo isso que os testes e a contínua avaliação provocam. Holt chega mesmo a compará-las às técnicas desenvolvidas pelos prisioneiros em campos de concentração para sobreviverem psicologicamente à humilhação.

Daí que não me espanta que o Alexandre só “mostre” o que sabe quando tem a certeza de que o sabe, ou então espontaneamente ou distraidamente.

Eu já desconfiava (pois até os princípios do método global para a aprendizagem da leitura, por exemplo, assentam nisto: tendo contacto frequente com coisas escritas, de repente eles “desatam a ler”) que ele lê mais do que parece e só com estas pequenas coisas é que vou percebendo até que ponto.

Esta é a tal área (em comparação com “a dos números” em que é muito desenvolto e o atrai muito mais) em que parece que vamos andando muito lentamente, no entanto, não é descuidada e vai dando os seus frutos, neste processo do “unschooling”.

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Confirmação Antecipada

Bom dia!

Sob o título “Teoria”, no Caderno Verde, escrevi aqui há tempos (no post de 4 de Janeiro, intitulado “Ensino Doméstico – Mais alguns livros… e blogues!” na parte do Caderno Verde) sobre um acontecimento ocorrido (na prática, portanto 😉 ) quando íamos no carro no IC19 e eu respondi a uma pergunta, explicando demais, e o Alexandre me fez repentinamente parar de falar, pois já não podia ouvir tamanha explicação.

Palavra que escrevi isso antes de ler, em “Learning All The Time”, de John Holt, num capítulo intitulado “What Parents Can Do” e num subcapítulo intitulado “Uninvited Teaching”, o seguinte: …”We can also help children by answering their questions. However, all adults must be careful here, because we have a tendency, when a child asks us a question, to answer far too much. “Aha”, we think, “now I have an opportunity to do some teaching”, and so we deliver a fifteen-minute thesis for an answer” e após umas histórias interessantes que aconteceram com crianças, continua… “this was even hard for me to learn – for de most part such teaching (the uninvited teaching) prevents learning. Now that’s a real shocker. Ninety-nine percent of the time, teaching that has not been asked for will not result in learning, but will impede learning. With a minimum observation, parents will find this confirmed all the time”.

Realmente! Com um mínimo de observação, confirmei isto mesmo ainda antes de o ter lido…

Beijinhos a todos, até para a semana dia 9, Lua Cheia!

 

Caderno Verde

Episódio na Bertrand

No ano passado,  mais ou menos por esta altura, numa das nossas saídas em família, num dia de tempo chuvoso e também para aproveitar uma ida em trabalho por parte do Pedro, que ia demorar pouco tempo (a parte do trabalho 🙂 ), fomos ao centro comercial do Fogueteiro (do outro lado do Tejo), bebemos um chá todos juntos, vimos algumas montras e, como não podia deixar de ser, entrámos numa livraria (todos nós gostamos de ver as novidades, no que toca a livros, cada um nas áreas que mais aprecia…).

De repente apercebi-me que o Alexandre, que na altura estava mais perto da Catarina do que de mim, folheava um livro grande com muitas fotos, na zona dos livros técnicos e vi uma funcionária da livraria aproximar-se dele e por isso prestei logo atenção. Disse-lhe ela: “Olha, tens aqui mais livros, lindos para a tua idade!” – e indicou-lhe a área infantil.

Olhei para o rosto do meu filhote e vi que ele estava muito sério, quase a chorar e apressei-me a chegar junto deles, percebendo o que se passava com ele e disse-lhe: “Filho, a menina não está a dizer que não podes ver esse livro, está só a dizer que se gostares mais tens ali livros muito engraçados!”

Percebi que instantaneamente mudara a sua expressão e com toda a confiança com que costuma explicar-nos o que está a ver ou a fazer, disse dirigindo-se à rapariga que o interpelara: “Sabes, é que este livro tem aqui uns túneis (era um livro de Autocad – para quem não está familiarizado, o Autocad é um programa informático para Desenho Técnico que serve de apoio a várias especialidades tais como Arquitectura, Engenharias Civil, Mecânica, Electrotécnica, sobretudo – e que tinha na capa um desenho feito em computador cuja forma se assemelhava a um túnel, de facto) – e mostra o desenho da capa – e também tem casas – e mostra uns desenhos no interior do livro -, mas eu já sei construir casas, mas ainda não sei construir túneis e este livro vai ensinar-me a construir túneis!”

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A menina percebeu logo que ele, portanto, pelo menos naquela altura, estava mais interessado naquele livro que nos outros para crianças e ficou muito interessada a ouvi-lo, enquanto eu ia dizendo que ele gostava muito de túneis e pontes e torres e construções, mas também gostava muito de comboios. Ele apanhou a deixa e continuou numa grande conversa: “Sabes, eu vou construir uma grande pista de comboios por todo este País, vai dar a volta por aqui e por ali (e fazia gestos com os braços), por todo o lado e vou construir uma estação aqui atrás desta loja e depois…”

Estão a ver! Aquilo demorou tempos e a menina começou a explicar a outra colega, com uma certa admiração, tudo o que o Alexandre lhe tinha dito. Ainda nos demorámos um bocado na livraria 🙂

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