Archive for e)- Representações/Abstracções/Símbolos

Este Verão III

Este Verão III

Em Setembro – 1ª semana

Vivam, bom dia!

Na sequência de Este Verão I e Ciência Para Ti e de Este Verão II e Onde o Interesse por Geografia nos pode levar, os registos do mês de Setembro vão agora dividir-se por semanas e Este Verão III visa a 1ª semana de Setembro que foi passada, inteirinha, de 1 a 9, na terra da avó, perto de Castelo Branco. Foi uma semana quente e em grande!!!

Para lá, o pai, a avó, o primo e o nosso gato foram de carro e eu e o Alexandre fomos de comboio, a apreciar a paisagem. Foi das viagens mais tranquilas que fiz para lá de comboio, só com ele, pois para ele a viagem não é um meio para chegar ao destino e sim uma festa de belos e bons sabores, um verdadeiro prazer e uma fonte inesgotável de aprendizagem (eu explico: de outras vezes levámos um primo e uma amiga, só que eles aborrecem-se com a viagem e então as viagens não foram tão tranquilas). São 3h de viagem e foram passadas a ver o Tejo a caminhar connosco, a passar pelo Castelo de Almourol e recordar a visita que a ele fizémos, a verificar as estações ferroviárias onde parámos, a distinguir a paisagem natural da habitacional e da industrial, que também o fascinam e aproveitámos também para ler este livro todinho durante a viagem:

Este livro faz parte do Plano Nacional de Leitura, se bem que não foi por isso que o comprei. O Alexandre costuma ver os desenhos animados do Gerónimo Stilton e o que me chamou a atenção ao desfolhar este “Agente Secreto Zero Zero Kapa” foi o facto de conter uns mapas que, sabia, lhe iriam logo interessar. E meu dito meu feito, conforme íamos lendo a história, íamos vendo os mapas e reparando em todos os detalhes:

(mapa da implantação da casa do amigo do Gerónimo, um que é agente secreto; debruçámo-nos sobre o detalhe da legenda, chamou-lhe a atenção o desenho ter números que depois eram descodificados num cantinho a identificar a casa, o campo de golfe, os courts de ténis, a piscina, a praia privativa, o heliporto…)

E esta é a planta do laboratório secreto do zero zero kapa:

E este é o mapa da Ratázia, a cidade de Gerónimo Stilton (rato, claro):

(atenção, aqui os cais e os barcos e o farol da Ratázia).

O Alexandre também gostou muito da forma como a história está escrita (ri-se imenso com as repetições) e com a apresentação (as palavras ondulam e têm letras diferentes, engraçadas e apelativas):

Também fez um desenho da estação do Oriente em planta e desta vez foi a primeira em que lá  desenhou uma rosa dos ventos e indicou exatamente para onde fica o Norte na estação e, consequentemenete, O Sul, o Este e o Oeste, que eu estive que andar ali às voltas até verificar que estava mesmo bem (o pequeno é bem mais orientado que eu…), só que não cheguei a tirar foto e o desenho ficou no comboio!!! Para algum outro menino que também aprecie mapas, esperemos…

😉

Já em casa da avó, andámos a ver as suas “novas culturas”. As ervas aromáticas, couves para o caldo verde, tomates…

E a fruta da época que gostamos de comer diretamente da árvore (pessegueiros, videiras e figueira; a avó também tem macieira, mas ainda não tinha maçãs):

Aos que fomos daqui juntou-se mais família (um tio e mais um primo, uma tia e uma prima e as manas Celina e Catarina e o Bato), desta vez estivémos lá muitos ao mesmo tempo, foi uma paródia.

Gatinho incluído:

Começámos por ir até a praias fluviais (menos o gato, claro,que também teve as suas paródias lá à volta de casa…). Num mesmo dia tentámos ir à piscina fluvial de Almaceda. Quando lá chegámos deparámo-nos com o incêndio e a água da piscina fluvial estava a ser utilizada pelos bombeiros para apagá-lo.

Resolvemos ir a uma praia fluvial, também próxima (a do Sesmo). Chegámos lá e o rio estava sequinho. Um senhor que lá encontrámos sugeriu-nos a da povoação de Azenhas de Cima, logo ali perto e lá fomos. Finalmente pudémos mergulhar e refrescar-nos e passar o resto da tarde, divertidos.

No dia seguinte fomos à descoberta de uma nova praia fluvial (praia fluvial do Muro). Literalmente à descoberta, pois o caminho não estava bem sinalizado e os nossos carros portaram-se que nem jeeps, até um rio seco atravessaram. Vieram sujos que sei lá! No dia seguinte o banho foi à mangueirada no quintal juntamente com os carros…

🙂

Ah! Um detalhe:  a mana Catarina tinha um GPS antigo, que era do seu pai e bem que eu já me podia ter lembrado que o Alexandre se iria interessar bastante pelo GPS. Lá ia ele dizendo à irmã, vira por aqui, agora por ali, ficou encantado com  o dispositivo.

E também houve bowling e cinema (“Brave, o Indomável”) e piscina (que a piscina municipal de Castelo Branco é grande e linda…)

(o Bato a proteger os ouvidos… foi mesmo!)

Continuaram os passeios

e houve lugar ao já ritual de amassar o pão, cozê-lo no forno de lenha e fazer os assados no forno para o almoço do dia. Desta vez o tio fez uma “Chanfana de Seitã”. E a tigelada (receita de Abrantes) que não pode faltar para a sobremesa deste dia de fazer o pão e de alguns seguintes dias, pois a avó faz umas quantas.

E foram ajudar a avó a apanhar pinhas para o Inverno (uns foram de bicicleta) num seu terreno na povoação vizinha (enquanto eu e a mana Catarina e o Bato fomos levar a mana Celina à camioneta, que teve que voltar antes de nós, e também às compras que isto foi uma casa com muita gente):

Quase no finzinho da estadia houve um grupinho a subir à serra da Gardunha (fiquei eu, o Xande um dos primos e a avó que o passeio se bem que tão apelativo era puxado para o mais pequeno (eles andaram horas e quilómetros, saíram de madrugada pela fresquinha e voltaram às duas e meia pelo quentinho). Trouxeram as fotos que partilharam connosco e nos fizeram rir com as suas brincadeiras no topo da serra. Grandes caminhantes!

(o nascer do sol)

(milhares de passarinhos nos fios dos postes da aldeia no sopé da serra)

(a foto de um ser iluminado)

(amoras! nham, nham, também comemos delas)

(ruínas)

(como uma paisagem de pedras pode ser linda!)

(o tio a praticar yôga)

🙂

(mais amoras…)

(a pedra-cabeça-de-tartaruga)

E muitas mais, que os pequenos são generosos a tirar fotos, vantagens da era digital.

Enquanto tal nós ajudámos a avó a regar, fizémos um almoço substancial para os montanhistas que vinham cheios de fome e sede, brincámos, desenhámos o mapa de Lisboa:

(o Alexandre desenhou…)

E aqui sublinhou a localidade do concelho de Sintra onde moramos, indicando, com a sua noção de escala, que estava representada num tamanho 222 menor que o real

🙂

À volta, nova tranquila viagem de comboio. Eu comprara este caderninho por 1 euro e entretivémo-nos a ler,

(o Alexandre pediu depois ao pai um poster desta imagem)

e a resolver esta sopa de letras.

Foi uma bela e intensa semana!

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“Portugal’skii”_ Google Tradutor’

Bom dia a todos!

Hoje mais um post dedicado simplesmente ao Caderno Verde.

Beijinhos e belas traduções          😀

Isabel

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Caderno Verde

“Portugal’skii” _ Google Tradutor

Um recurso “novo”, isto é, recentemente adoptado cá em casa: a possibilidade de se ouvir a frase traduzida no google.

Vou explicar:

A “responsável” directa é uma colega minha de trabalho e amiga, fã dos recursos disponibilizados pela internet. Tendo “realizado” entretanto que o tradutor do google emite som, o que ajuda muito com a tradução das palavras, “inventou” que podíamos todos lá no trabalho aprender, por exemplo, italiano, duas frases por dia, como “aquecimento”, antes de nos dedicarmos às nossas tarefas diárias. Assim, chegamos um bocadinho mais cedo (10 a 15 minutos é o suficiente), escrevemos duas frases/expressões em português no tradutor do google (a ideia é começar pelas que utilizamos diariamente para depois as praticarmos automaticamente e não as esquecermos), “traduzimo-las” (o google é que traduz     🙂       ) para italiano e ouvimos a expressão cantadinha pela menina da gravação (é que o italiano é mesmo “cantado”, é mesmo giro!).

No primeiro dia, aprendemos o Buongiorno (Bom dia) e o Ci vediamo domani (Vemo-nos amanhã, até amanhã). Adorámos o Ci vediamo domani!

No segundo, o Grazie (obrigado) e o La mia pausa pranzo (vou almoçar).

O giro mesmo é treinarmos a pronúncia!

Ora que vi logo com a experiência que isto iria ser um sucesso cá em casa, utilizando-o no “ensino doméstico”. Contei a toda a malta a nossa “brincadeira”, dirigi-me ao computador com o Alexandre e ele disse-me que sabia como se dizia “Sim, comboio” em inglês: “Yes, train” e quiz que eu reproduzisse para ele ouvir (cá para mim era um teste, para ver se o google era bom ou não em traduções              😉                 ).

Depois experimentámos “Avião” e ouvimos “Plane” e ao fim de mais umas palavras ele perguntou como é que se dizia “português” em inglês. “Portuguese”, ouvimos.

E “português” em russo? Pediu logo ele (ultimamente anda às voltas com a Rússia por ser o maior país do planeta…)

Ora que nos apareceu escrito em russo com aqueles caracteres alfabéticos que não nos são nada familiares e que não sei reproduzir aqui (coloco a foto    😉      ). Mas o “som” era giro, algo como “portugalski” (e depois vi como se escrevia “foneticamente”: “Portugal’skii”).

E o pequeno lá ficou a repetir “portugalski” durante uns tempos…

🙂

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Outras formas de fazer…

Bom dia, vivam!

Foi ideia do Alexandre, fazer o puzzle ao contrário, da parte de trás, sem imagem, só com a cor. Como era de poucas peças, com mais ou menos dificuldade ia conseguindo encaixá-las todas.

“Queres ver, mãe? O mesmo puzzle só em verde?”

Gostei muito da ideia, apoiei e incentivei.

Como também já o tinha incentivado num dia em que quiz escrever o nome ao contrário (de trás para a frente).

Este tipo de exercícios, redescobri com o Robiyn, faz a nossa mente soltar-se dos formatos habituais de fazer as coisas, aos quais se encontra de certa forma limitada, e recuperar as suas muitas capacidades inatas hoje em dia “atrofiadas” pelas mais variadíssimas limitações que nos impomos.

Pelos vistos as crianças, ainda não condicionadas a escrever sempre da esquerda para a direita ou na horizontal, sugerem elas próprias, como fez o Alexandre, formas diferentes de se fazer as coisas, outras lógicas e sei lá que mais! O melhor que posso fazer é não estragar isto, o unschooling que me ajude! O que não é fácil para alguém, como eu, escolarizado até à medula…

Belas desescolarizações, beijinhos e até para a semana, dia 28, Lua Cheia!

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Caderno Verde

Contas de Cabeça

“Mãe, qual destes é o teu número preferido? Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove ou dez?”

“Gosto do sete, Também gosto de outros… Qual é o teu preferido?”

“O meu número preferido é o dez! E o cem, o mil, o dez mil, o cem mil, o mil mil que é igual a um milhão, o dez milhões, o cem milhões e o mil milhões!”

“Iiia! E o quinhentos? Não gostavas muito do quinhentos?”

“Gosto, mas gosto mais destes…”

E a seguir, neste Sábado de manhã em cima da cama, a rebolar e à conversa, continuámos agora com as contas de cabeça:

“Mãe, perguntas-me contas? De mais!”

“Quanto é 20 mais 20?”

“40.”

“100 mais 80?”

“180.”

“15 mais 15?”

“30”

“A metade de 20?”

“10”

“A metade de 100′”

“50”

“A metade de 50?”

Silêncio… “25”

“Bem! Tu sabes mesmo fazer contas de cabeça! És um sabichão!

“Não me chames isso. Agora só contas de mais.”

“15 mais 12?”

“27.”

“35 mais 25?”

“60.”

“Como é que fizeste essa?” _ perguntou a irmã, Catarina.

“Então, 5 mais 5 são 10, não são? 30 mais 20 são 50, é só somar mais 10.”

“Ah! E então 35 mais 7?”

Silêncio… “42.”

“Como é que fizeste?”

“Então, 35 mais 5 são 40 e depois é só juntar mais 2.”

???

E ainda disse quantas eram duas vezes 1 menino, duas vezes dois meninos… até duas vezes cinco meninos… e mais umas “contas de distribuir”, tais como distribuir quatro berlindes por quatro meninos e oito peças de lego por quatro meninos.

E é só termos paciência que faz ainda umas mais difíceis, não se pode é insistir com ele, quando há uma que não sabe (passa-se à frente…                                                     😉

Ah! E tem que ser ele a pedir para lhe perguntarmos as contas, porque se lhe perguntamos sem ele pedir, também não dá!

Gosta mesmo de fazer “contas de cabeça”…                                 🙂

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Convenções (Representações/Abstracções/Símbolos…)

Boa tarde a todos!

Após uma sessão de “Jogo das Aventuras” (ver post anterior), entusiasmado com as adições de números com 3 algarismos, o Alexandre foi rapidamente buscar um jogo de algarismos representando contas com números muito maiores como a da figura e pedindo que eu lhe dissesse o resultado. Sempre o fascinaram os grandes números e o infinito.

Vou aproveitar esta foto para mencionar um outro aspecto sobre o qual li há tempos no livro “Teach Your Own” de John Holt e Pat Farenga: o dos números virados ao contrário.

Ambas as minhas filhas mais velhas (que frequentaram a escola) numa dada fase escreviam o 5 ou o 6 ao contrário ou desenhavam um P com a barriga para a esquerda ou trocavam a esquerda com a direita, o “em baixo” com o “em cima” e uma delas até trocou durante um certo tempo o “frio” com o “calor” e o “inferior” com o “superior”. Felizmente, na altura que elas eram pequenas, ainda não encaminhavam os pequenos de imediato para o psicólogo nem os catalogavam imediatamente de disléxicos, de forma que, numas coisas mais rapidamente que noutras lá foram percebendo a diferença.

O Alexandre, como se vê na foto também ainda vira o 5, o 6 e muitas vezes os outros algarismos ora para um lado ora para o outro, tanto se lhe dá.

Eu não o corrijo. Sigo um pouco (no que sei e posso) a “filosofia” do Unschooling, escrevendo eu correctamente, deixando que ele se aperceba naturalmente do porquê ser diferente escrever de uma forma ou de outra.

E fez-me muito sentido o que li no livro acima referido, no capítulo 9, “Learning Difficulties”, no seu texto “Nobody sees backwards”. John Holt explica aí porque não lhe faz sentido a tese de que as crianças que escrevem letras e números ao contrário e “trocam” o sentido aos conceitos, o fazem porque têm alguma dificuldade a nível neurológico, digamos, que os faz ver “ao contrário”. E exemplifica que se por exemplo, uma dessas crianças olhando para um P visse um com a barriga voltada para a esquerda e por isso o desenhasse assim, a seguir, olhando para esse, voltava a vê-lo “ao contrário”, ou seja, agora com a barriga voltada para a direita e desenhava-o de seguida da forma correcta. O que não acontece. A sua simples explicação para o sucedido é a seguinte: tal como a criança desenha indiferentemente um cão com a cabeça voltada para direita ou para a esquerda, para ela é sempre um cão, no início da aprendizagem dos números e letras, para ela um P sê-lo-á indiferentemente se estiver voltado para a esquerda ou para a direita. Com tempo vai percebendo que no caso das letras e números convencionados pelo homem, para nós há diferença entre desenhá-los voltados para um lado ou para o outro.

Pois que esta simples explicação para mim faz todo o sentido e está de acordo com a experiência que tenho tido ao observar o crescimento dos meus filhos. E mais ainda, acho tão giro, interessante e inteligente da parte deles (crianças) não darem logo valor a estas nuances convencionadas, pois ainda por cima as convenções variam de povo para povo e restrigem a mente, formatando-a, a só alguns aspectos descurando outros tão válidos quanto aqueles.

Se quiserem relembrar outras convenções , podem clicar na coluna da direita na categoria 3-Unschooling e)- Representações/Abstracções/Símbolos e aparecem os posts deste blog, relacionados.

Belas “desformatações” para todos, até para a semana, dia 28, Lua Cheia!

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Caderno Verde

Como semear

Estávamos à conversa, como sempre… Falávamos em morar numa casa com jardim.

“Assim podias plantar legumes para comermos” _ dizia-me o Alexandre.

“Eu não percebo grande coisa de hortas, tinha que pedir ajuda…”_ respondi-lhe.

“Não faz mal mãe, eu explico-te! Fazes assim: primeiro abres um buraquinho na terra. Depois deitas para lá umas sementinhas de alface. A seguir tapas o buraco e deixas ficar um pouco a apanhar sol. Esperas um bocadinho e então dás-lhe água. E também lhe dás carinho. Assim todos os dias, ela vai crescer… e se quiseres outro legume, por exemplo ervilhas, é só substituir as sementes de alface por sementes de ervilhas, de resto fazes da mesma forma.”

“Ah, bom! Tenho que experimentar…”

Achei piada ao “dás-lhe carinho”.

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Ábaco II

Bom dia a todos!

Para se situarem (e para quem não leu!), podem ler o primeiro post sobre o Ábaco aqui.

Estes são alguns acessórios que vêm com o ábaco:

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DSC02325Por volta de duas ou três semanas depois do seu primeiro contacto com o ábaco, descrito nesse post, o Alexandre, continuando sempre entusiasmado com os números continua a perguntar vezes sem conta quanto são mil vezes um milhão, dez vezes mil e coisas que tal. Lembro-me que quando era pequena também me fascinava o facto de “os números serem infinitos” e queria saber sempre qual o número que vinha a seguir…

Nós simplesmente lhe respondemos a cada pergunta e nada mais.

Uma das sua perguntas favoritas dessa semana era “Qual é o número antes do 100? É o 99?”

E então lembrou-se do ábaco e foi juntar dois cartões com o algarismo nove para “escrever o 99” e a seguir representou-o com as “rodelinhas” e a dizer “são 9 vezes dez e mais 9”. Sem qualquer intervenção da nossa parte.

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DSC02316Na mesma altura, andava muito interessado no 500, que nós achamos muita piada e gostamos de o ouvir nas suas variações com o 500, por que ele pronuncia “quinentos”: “Quinentos é cinco vezes cem?”, “Quinentos é mais que seiscentos? Mais que mil?”

“Não, filho, é menos que mil… mas quinhentas coisas já são muitas coisas, queres ver?” E pusémo-nos a contar as peças de lego pequeninas que estão separadas numa caixa (lembrei-me de ter lido num dos livros de John Holt uma passagem em que ele conta que um dia, com a sua classe do 5º ano, resolveu ir assinalando num rolo, juntamente com os alunos, centímetro a centímetro, até perfazerem um quilómetro, se bem me lembro, no intuito que eles vissem e sentissem, fisicamente, a extensão real de um quilómetro).

Contámos as peças até quinhentos, uma a uma e percebemos o que é contar quinhentas peças. E a quantidade que é, de facto, equivalente a quinhentas unidades.

DSC02318Depois continuámos a contar todas as peças da caixa e chegámos ao belo número de setecentas e onze peças. Para recordarmos e contarmos ao pai eu escrevi no papel mais à mão:

DSC02317E o Alexandre foi representar o número no ábaco.

Mas não achou lá muito interessante, pois queria era representar o “quinentos” e como era muito fácil colocar cinco rodelinhas no pauzinho que simboliza as centenas, disse-me que ia fazer de uma maneira mais difícil. “Adulta” e formatada e “levada” por outras representações que ele já me tinha mostrado antes, disse-lhe, “Alexandre, não vai dar, não temos 50 rodelinhas para colocares no pauzinho das dezenas… é melhor pores as cinco nas centenas!” e fiquei a olhar para ele. O pequeno não desistiu, queria mesmo representar o “quinentos” de outra maneira. Pensou um pouco e mostrou-me, “Estás a ver, mãe, que dá?”

DSC02313“Quatro vezes cem mais dez vezes dez!”

Fiquei de boca aberta, palavra… e ele também quiz  juntar os cartõezinhos para representar o “quinentos” por escrito.

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O que mais me impressiona e no início me custou um pouco a confiar que assim era, apesar de ter lido e relido John Holt, é o facto de não precisarmos de lhes ensinar nada, apoiar apenas com os recursos e o acesso à ainformação e deixá-los por sua conta no que respeita à aprendizagem. Só que funciona mesmo, é só confiar e estar atento que nos vamos apercebendo de todo o seu desenvolvimento. Para além de que assim é tudo muito menos stressante e muito mais fluído e natural.

Então até para a semana, dia 11, Quarto Minguante, belas actividades para todos…

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Caderno Verde

Enjoos e Matemática

Já apontámos neste Caderno Verde as peripécias da Matemática do Sumo de Laranja (quase que lhe chamaria “Matemática Expontânea do Sumo de Laranja            😉

Este é um apontamento diferente… o que é que enjoo terá a ver com Matemática? Não a resposta não é que a Matemática é um enjoo     🙂

Vou explicar: o Alexandre não gosta de andar de carro. Dêem-lhe todos os transportes para viajar menos o carro. Enjoa. A sua característica automática para não enjoar é adormecer. Ou então ir deveras entretido com algo.

Então numa destas últimas viajens perguntou-me : ” Mãe, o teu telemóvel também tem aquela coisa em que nós lhe perguntamos as contas e ele acerta sempre?”

Pelos vistos andara a experimentar a calculadora do telemóvel da irmã…

“Sim, filho (entre risos meus e do pai… acerta sempre!), é a calculadora. O meu também tem.”

E lá escolhi a função no telemóvel e dei-lho para a mão, antes de entrar no carro.

Foi quase todo o caminho entretido “a fazer perguntas ao telemóvel” sobre quanto é 100+1000? 12+15? e outras que tais e a ver as respostas garantidamente certas.

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Coisas ainda do Verão, uma vez que ainda não cheira a Outono…

Ainda na linha do post anterior, embora o Outono já tenha começado, mas não pareça:

Já contei que estivémos praticamente “em simultâneo” na praia e no campo (isto porque estivémos em casa de uma amiga, no campo, perto da praia, e quase todos os dias eram passados, portanto, no campo e na praia…

No seu “quintal” (como o Alexandre lhe chama, é um grande quintal!), há ameixoeiras (o Alexandre diverte-se a apanhar algumas e é a melhor forma de ir conhecendo as diferentes árvores. Ainda no outro dia me disse “Mãe, sabes que as uvas também crescem numa árvore mais pequenina que a das ameixas?”),

DSC02179macieiras

DSC02180e pessegueiros (na foto abaixo desta, esta é do poço da casa… a casa tem água canalizada e também este poço)

DSC02181pessegueiro…

DSC02183Da janela da sala perdemos de vista o terreno, que é “sobre o comprido”.

DSC02186O alpendre é óptimo para fazer ginástica, yôga pela manhã, ao nascer do sol… a Celina a brincar com as fitas de ginástica rítmica que a irmã lhe trouxe um dia de Inglaterra como presente:

DSC02192E bem, a comprovar que “nas férias” também se fazem “trabalhos com os livros e cadernos e computadores”, com a diferença de que em ensino doméstico eles nem sentem bem a diferença entre férias e não férias, porque essa diferença só existe mesmo para os pais com trabalhos com horários e timings estipulados e menos flexíveis, e com a diferença ainda de que estes “trabalhos” não foram impostos, mas sim solicitados por ele, aqui está um pequeno registo de momentos desses.

DSC02193O Alexandre nunca se interessou muito por “fazer fichas”, experimentámos umas vezes, ele não ligava, nunca insistimos. Como ele gosta muito de números, contas, lógica, de vez em quando vejo uns cadernos de fichas que me parecem apelativos dentro dos interesses dele e compro. Dão sempre jeito para nos entretermos nas viagens de comboio, por exemplo (para além de outras coisas), levo-os também juntamente com os seus livros preferidos da altura quando passamos alguns dias fora.

Desta vez, vendo uma das irmãs de volta dos seus trabalhos no computador (pois, esta família leva os portáteis atrás, já que cada um tem sempre coisas “inadiáveis” a fazer com a ajuda do computador, neste dia estavam todos na sala cada um frente ao portátil com a sua tarefa específica)

DSC02199e como é melhor o exemplo ou “uma imagem (e neste caso uma acção) vale mil palavras”, o Alexandre pegou nos cadernos que eu levara e juntou-se a todos, “a trabalhar”,

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DSC02196(A simetria…),

DSC02197com a “supervisão” da mana Celina.

DSC02198Sim, todos menos eu, que nesta altura estava a tirar fotos!                         🙂

Uns dias depois de voltarmos, com um outro caderno, fez um exercício de lógica (tipo o sudoku), praticamente sozinho e por “autorecriação”, isto é, por iniciativa própria, com uma facilidade que me surpreendeu.

Pronto, lá se foi, para mim, o “fantasma das fichas”, isto porque nunca o iria pressionar a fazê-las e questionava-me se algum dia ele iria fazê-las e se deveria ou não de alguma forma tentar motivá-lo e como, etc., etc. Já percebi que as fará e não fará e quando fizer aproveitará bem…

Beijinhos para todos, até para a semana, dia 4 de Outubro, Lua Cheia!

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Caderno Verde

Monsanto, três anos depois…

Outra das nossa visitas de Verão: à aldeia de Monsanto, a cerca de 60 Km de Castelo Branco.

Há quem diga que é a aldeia mais portuguesa de Portugal, outros afirmam ser a de Piódão, perto de Oliveira de Hospital.

Há três anos atrás já a tínhamos visitado, descobrindo, ao subir ao Castelo, que o Alexandre adora subir montes, castelos e andar pelas muralhas, sem qualquer receio ou vertigem. Aqui estão três das muitas fotos de há três anos atrás e que, em alguma altura, já coloquei aqui no blogue:

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E agora as deste ano:

A subida ao castelo e o castelo

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Na aldeia… algumas casas brotam directamente das pedras:

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Mais fotos da aldeia de Monsanto:

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Super-homens:

DSC02349 😀

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Representações, Abstracções, Símbolos… o Tempo II

Bom dia, boa tarde, boa noite!…

Pois, que isto de reflectir sobre o tempo e continuar pelo bom-dia… 🙂  

Olá!!!  (é mais “isento de tempo”  😉  ) _ estou a brincar, claro!

No post anterior, terminei com um excerto do “Breve História do Tempo” do Stephen Hawking.

Ainda li um outro livro sobre o trabalho dele, “Stephen Hawking, Em Busca da Teoria do Tudo”, de Kitty Ferguson, onde podemos ler sobre as suas “descobertas” quanto à existência do que ele chama de “Universos Bebés” (Universos Paralelos) e da sua predisposição em encontrar a “Teoria do Tudo”.

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Já bastante depois, inteirei-me da actualização das descobertas científicas neste campo, neste pequeno e igualmente delicioso livro “Como Construir Uma Máquina do Tempo” de Paul Davies.

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Ou aquele documentário feito por vários cientistas de vários ramos da ciência “What the Bleep Do We Know“, muito interessante, onde explicam muito bem vários “fenómenos” como, por exemplo, o da Bilocação.

E também no Youtube vão aparecendo conferências sobre as últimas novidades da Física e da Mecânica Quânticas (é muito interessante a “Teoria M”); a Paula do “Aprender Sem Escola”  já colocou alguns posts, com vídeos (com legendas em português!) no seu blogue, sobre o assunto.

Para além de tudo o que se lê, ouve, comprovado por cientistas (que daqui a pouco descobrirão mais além), para além de tudo o que se “percebe com a cabeça” e se tenta desformatar na nossa mente para que possamos viver mais de acordo connosco próprios e com a Natureza, para além de tudo isto, dizia, foi o que vivenciei e percebi “com o coração” ao longo de vários e vários workshops do Robiyn sobre Tudo (pois, “A Prática do Tudo”), sobre como todos estes aspectos já vislumbrados pela ciência se podem viver na prática e muitos outros que a ciência ainda virá a descobrir e a comprovar. Sentirmos, vivenciarmos, reflectirmos, sobre o “Tempo Subjectivo e o Tempo Objectivo”, e/ou a “não linearidade do tempo objectivo”, e/ou, na prática, a “não existência de Tempo”. Experimentarmos, vivenciarmos as “Viagens no Tempo”, a “Bilocação”, “Universos Paralelos”, nós “noutras vidas e noutros corpos”, a “Fusão com o Todo” e “voltarmos” despertos para a consciência da Existência deste Todo onde tudo se funde, da unicidade e ao mesmo tempo multiplicidade da Vida. Tudo o que vivemos passa a ter outra cor, outro brilho, outro sabor. Passamos a ser verdadeiros connosco próprios (e com os outros!), transparentes e, “ao mesmo tempo”, mais práticos, mais eficientes, mais actuantes no que faz sentido para nós, mais incisivos e directos nas nossas acções, mais presentes, mais amorosos, mais carinhosos, mais vivos (aos poucos redescobrindo a criança que somos, “Sem Escola”  🙂  )!

 Até à próxima semana (natural !  😉   ), dia 7 de Junho, Lua Cheia!

Um abraço para todos.

 

Caderno Verde

Horas

Neste post do Pés Na Relva, há dias a Lara referiu-se à “aprendizagem das horas” e mais do que uma família comentámos, “também temos lá por casa um livrinho parecido com esse! Boa ideia!”.

Pois temos… dois,  já do tempo da Catarina.

 No fim-de-semana anterior, “por acaso”, o Alexandre resolveu voltar a pegar num deles (adora deslocar os ponteiros a seu bel-prazer!) e desta vez “copiar” as horas que ia vendo ao longo do desfolhar do livro, perguntando “E assim, que horas são?”.

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Bem, neste livro, os pequenos levantam-se às 7h e deitam-se às 7h ( é um “pouquinho” diferente cá em casa   😉   ).

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Depois ia ver horas lá dentro no livro e marcava igual “cá fora”:

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E lá para o fim, resolveu ir ver as horas ao relógio de parede que está na cozinha para marcar no “seu relógio de capa de livro” as horas que eram “agora”, efectivamente.

Ainda não teve vontade de perceber como é que isto funciona, como é que medimos o tempo. A seu tempo!  🙂

De acordo com o apontamento do Caderno Verde que deixei no post anterior, percebi que, mesmo que ele se vá inteirando de como medimos o tempo, na prática, como somos um pouco desprendidos de horários e  regras, atendendo o máximo que nos é possível aos ciclos naturais e aos ritmos biológicos de cada um, mesmo nas actividades mais básicas como comer e dormir, a prática é que conta e, ajudados pela liberdade que confere o ensino doméstico, concerteza o Alexandre não terá as mesmas limitações de tempo que nós tivémos…

Uma coisa que achamos piada, é ele trocar as refeições todas; muitas vezes ao pequeno almoço adora comer o que normalmente se come ao almoço ou ao jantar, como sopa ou um pratinho ainda mais substancial; e, normalmente, come sempre que tem fome. Cá em casa, cozinhamos as refeições, mas como somos 5 (e às vezes, seis, sete, oito…), cada um com o seu ritmo biológico, elas ficam à disposição do apetite de cada um.

Então, ainda há dias, tinha acabado de preparar uma “caldeirada de tofú” “para o jantar” e ofereci-a ao Alexandre que comeu duas colheradas e disse “Mãe, já não quero mais, estou muito cheio. Quando se está cheio não se come, não é?” “Pois é filho, é verdade…” E lá ficou a caldeirada de tofú muito possivelmente para o seu pequeno almoço do dia seguinte! (Por acaso desta vez parece que foi para o almoço 😉  )

Já dizia a minha avó “Quem não come por ter comido, não é doença de perigo” (o rapaz tinha mesmo comido, iogurte de soja, morangos, leite de soja, cajús e mais umas quantas iguarias saudáveis durante toda a tarde… 😉  )

O mesmo acontece com as actividades que nos propomos fazer, para além de “seguirmos os seus interesses”, aparecem um pouco expontaneamente, devido a uma coordenação natural entre as actividades de todos, uma espécie de cozinhado utilizando os vários ingredientes próprios de cada um dos vários que convivemos em família, o que à partida pode ser difícil de fazer e o é, se interferirmos com a mente, e que se torna muito simples quando deixamos a agenda a ser gerida pelo coração.

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