Archive for Iguais e Diferentes

Conversa sobre o Vegetarianismo e NutriVentures

“Mãe, porque te tornaste vegetariana?” _ foi esta a pergunta que desencadeou nova conversa sobre o vegetarianismo.

Já houveram outras, a anterior tinha sido desde quando era eu vegetariana e o pai e a mana Catarina e o Bato, isto passado tempo desde saber que nem sempre o fôramos e mais tempo ainda desde perceber que, em Portugal, a maioria das pessoas o não é e mais tempo ainda (pequenininho) em que não se apercebia de tais diferenças.

E isto porque apenas me vou cingindo a responder ao que ele realmente pergunta (isto é, quando me perguntou “desde quando” respondi-lhe “desde…” e não “e também porque…”) pois, como por aqui já referi algumas vezes, o Alexandre não gosta que lhe debite “Informação a mais” ou aquela que ele não solicita quando solicita algo específico (acontece também com outras famílias).

Também por aqui coloquei um post sobre termos explorado a Pirâmide Vegetariana dos Alimentos a propósito do seu interesse pelas Rodas dos Alimentos.

Então a minha resposta a esta sua pergunta, que teve uma segunda parte, “Foi por causa do Robiyn, não foi?” (isto porque ele sabe que o Robiyn dá workshops que eu já frequentei e a mana Catarina e o Bato frequentam, e é vegetariano, bem como a sua família (às vezes os filhos do Robiyn vêm brincar com o Alexandre) e também porque o seu grande amigo Bato às vezes toca no assunto), foi a seguinte:

“Não foi propriamente por causa do Robiyn, foi através do Robiyn (isto em 1998, quando não havia muita informação em Portugal sobre o tema) que tive acesso a muita informação sobre o vegetarianismo, mas o Robiyn não diz para as pessoas se tornarem vegetarianas ou que deveriam fazê-lo. Foi por causa dos animais, sim, porque à mãe sempre lhe fez impressão saber como as pessoas matavam os animais para depois os comermos e nunca fui capaz de assistir (quanto mais praticar) à matança do porco em casa dos avós das manas, ou das galinhas, ou dos patos ou dos coelhos, pois eles são agricultores e criam alguns poucos animais para comerem, embora eles tentassem ensinar-me como se fazia, mas eu não era capaz, desmairia logo _ a mãe já desmaia só de ver alguém a levar uma injecção! Até cozinhar a carne que eles punham na cozinha logo após, me fazia impressão e colocava-a às escondidas no frigorífico (porque senão eles chamavam-me lingrinhas e fracota) até a carne arrefecer e  já não me fazer tanta impressão. Então quando tive acesso a toda essa informação e percebi que não era preciso comermos carne de animais para vivermos (e vivermos saudáveis) e percebi ainda, que não era coerente não ser capaz de matar os bichinhos nem de os ver matar e delegar em outros essa responsabilidade, que é o que fazemos quando não matamos com as nossas mãos os animais, mas os comemos mortos por outros, resolvi tornar-me vegetariana.”

“E então a mana Catarina?” _ ele sabe que a mana Celina não é vegetariana.

Bem, é melhor perguntares-lhe a ela quais foram as suas razões, se quiseres uma resposta mais fiável. As manas obviamente não tinham que se tornar vegetarianas, só porque a mãe resolveu ser vegetariana. Quando eu deixei de comer carne e peixe a mana Catarina tinha 13 anos e a mana Celina tinha 8, um pouco mais novinha que tu, agora. Eu expliquei-lhes o que te expliquei a ti agora e disse-lhes que ia continuar a fazer e a dar-lhes a comida que elas estavam habituadas e gostavam, mas que ia cozinhar outras coisas diferentes para mim, que não utilizassem carne nem peixe. Elas começaram a provar dos pratos vegetarianos que eu comecei a cozinhar e gostavam muito de alguns; a mana Celina gostava muito de tofu à Brás (e não gostava nada de um outro prato parecido que se faz com bacalhau em vez de tofú _ bacalhau é um peixe…”

“Eu sei o que é que é bacalhau!”_ interrompeu.

“Pois, a mana Celina não gosta de bacalhau. Também gostavam de “bifinhos de seitan” com “natas” de soja e de mais uns quantos pratos vegetarianos. Mas enquanto a mana Celina decidiu depois, uns anitos mais tarde, comer só comida vegetariana em casa e fora de casa continuar a comer as outras comidas que as pessoas cozinhavam (em casa dos seus avós, do seu pai, dos seus amigos, etc.), a mana Catarina decidiu tornar-se mesmo vegetariana. Eu um dia contei-lhe que quando ela era bebé não gostava de comer carne nem peixe, que cuspia tudo, só gostava de sopinhas, de fruta, de leitinho, e de algumas papas e que, como eu não sabia na altura que os bebés podiam crescer saudavelmente sem comer carne ou peixe, “obrigava-a” a comer a carne e o peixe, disfarçando tudo muito bem e mesmo assim ela cuspia tudo na maior parte das vezes. Não sei se o ter-lhe contado esta história da sua infância contribuíu para a sua decisão de se tornar vegetariana, tens que lhe perguntar. E também tens que perguntar diretamente à mana Celina se quiseres saber as razões da sua decisão em relação a este assunto.”

“Bem, dá-me mas é aí as minhas batatinhas cozidas com seitan, que já estou cheio de fome…”

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E assim terminou, desta vez, a nossa “conversa vegetariana”.

😀

Notas adicionais:

– Há aqui no blog um link para uma entrevista que dei ao Centro Vegetariano sobre a minha gravidez vegetariana e o meu pequeno ter sido sempre vegetariano desde a gestação.

– Há pessoas que me perguntam se eu nunca dei oportunidade de escolha ao meu filho (de ser ou não vegetariano). Dentro da minha barriga, não, eu era vegetariana e ele alimentava-se através de mim, logicamente. Até aos 6 meses alimentou-se exclusivamente de leite materno (também por decisão minha e não dele, se bem que ele gostava muito de mamar e a amamentação ao peito prolongou-se por vários anos, até ele querer e pedir). Aos 7 meses, primeiro introduzi-lhe só a fruta, depois as sopas de legumes e cereais e ao dar-lhe a primeira colher de papa Cérelac ele vomitou e eu não voltei a insistir (comprei-lhe das outras, nas lojas Celeiro, sem leite adicionado, mas comeu-as a irmã mais velha, que adora papas, ele não gosta da consistência das papas, assim que começou a comer a fruta esmagada e as sopas, já só queria comida com pedacinhos_ também nunca quiz puré de batata nem açordas, por exemplo. Entretanto o pediatra pediu uns testes de alergia, porque ele vomitava tudo quanto tivesse leite de vaca (ao primeiro pedacinho) e verificou-se a sua sensibilidade extrema à caseína e outros alergéneos do leite de vaca e não come laticínios (e eu, entre comê-los e deixar de amamentar o meu filho ou continuar a mamentá-lo optei com a maior das facilidades por deixar de comê-los, sou, portanto, ovo-vegetariana). Entretanto, mais crescidinho, o Alexandre teve já muitas oportunidades de provar, pedir, pratos de carne e peixe, mas nunca quiz provar e faz-lhe um bocadinho de confusão/impressão ver e cheirar a carne e o peixe, sejam crús ou cozinhados, sobretudo cheirar, revolta-lhe um pouco o estômago. Portanto, sim, ele tem, desde há uns anos, oportunidades de escolha. E as minhas filhas só não tiveram as mesmas oportunidades de escolha mais novas ainda, por falta de informação minha, tal como também não puderam optar por não ir à escola e praticarem uma “aprendizagem natural”, por falta de informação minha, na altura (essa também já foi uma das perguntas do Alexandre “Mãe, porque é que tu obrigaste as manas a ir à escola e não foste tão boa para elas como para comigo?”).

Uns belos dias e belas refeições para todos!

Isabel

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Caderno Verde

Nutriventures

“Nutriventures: em busca dos 7 reinos” é uma nova série, portuguesa, que tem passado no Canal Panda e à qual o Alexandre acha muita piada. Tem a ver com a nutrição e a roda dos alimentos, mas também com reinos e aventuras.

Depois de ver vários episódios, soube que saíam em dvd e pediu-me para lhe comprar alguns (comprei-lhe os que já havia no mercado) e assim revê vários episódios sempre que quer.

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Entretanto descobri que havia um jogo on-line no site Nutriventures, inscrevi-o e começou a jogá-lo. Dentro do jogo há atividades várias, como comprar sementes, semeá-las no jardim e depois colher os seus frutos e ir gerindo moedas e pontos na compra e venda de vários itens ou para poder jogar o jogo propriamente dito. Também tem acesso aos episódios da série on-line.

A partir daí, começou também a construir reinos “Nutriventures” no Minecraft:

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E outra coisa que eu achei interessante foi quando me apercebi, numa conversa que ela ia a ter com a Catarina e com o Bernardo (Bato), no carro, tendo o Bernardo dito que não sabia bem quantos setores tinha a roda dos alimentos, que o Alexandre sabia-os de uma ponta à outra e respondeu-lhe logo: ” 7. A bem dizer, 8, contando com a água que está no centro e que se deve beber em muita quantidade. E deslindou todas as “fatias” da roda, a correlação entre elas e logo apôs as diferenças entre a roda usualmente explicada e a unicamente vegetariana.

Também me disse uma vez que a roda dos alimentos era um gráfico.

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Os Primeiros Momentos…

Olá, bom dia!

Disse da última vez, que ao ter o Alexandre resolvemos aplicar os nossos já outros conhecimentos, intuições, forma de viver, em todos os aspectos que resultam do acompanhamento do seu desenvolvimento, a começar pelo parto. Parece tudo muito calculado, mas não é assim. Mesmo sentindo antes que iríamos fazer algumas coisas de outra forma, naturalmente é que nos fomos apercebendo de certos aspectos e tomando decisões. Nem sequer foi a começar pelo parto, pois por exemplo, poderia dizer, a começar pela gravidez…    

Quando fiquei grávida já era vegetariana, por exemplo (ver página sobre NÓS), o que não se passou das duas outras vezes em que estive grávida. Tive que ler e pesquisar sobre o vegetarianismo na gravidez e gostei muito de ler (e apliquei) uns textos em espanhol que uma das minhas cunhadas encontrou na internet e me enviou e cujos conselhos para uma gravidez vegetariana saudável adorei seguir e me fizeram sentir sempre bem, leve, relaxada, feliz!

Podem lê-los aqui e aqui e este e este ainda.

Também foi em workshops do Robiyn que ouvi falar pela primeira vez das vantagens do parto na água, para a mãe e, principalmente, para a criança. E noutras “modalidades” do parto natural, como por exemplo, a posição “de cócoras” que facilita muito mais o nascimento que a tradicional posição deitada.

Depois fui pesquisando sobre o parto natural (algumas pessoas denominam por parto humanizado) e estando atenta a esse assunto, descobrindo até que pessoas que já conhecia há tempo tinham tido os filhos propositadamente em casa, com ajuda profissional e sob os preceitos preconizados pelo parto humanizado (luz suave, ambiente relaxante incluindo o som de uma música calma, presença de pessoas queridas à mãe e ligadas ao recém-nascido, como por exemplo o pai e irmãos se isso for confortável para a mãe, só se cortar o cordão umbilical depois de ele deixar de pulsar, deixar de praticar a raspagem dos pelos púbicos e a episotomia (corte do períneo) e mais alguns preceitos que podem consultar no site da Humpar, www.humpar.org nas Recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Entretanto, com o chegar da hora do nascimento do Alexandre, decidimo-nos a ir até à Maternidade Acuario, em Beniarbeig (entre Valência e Benidorm)-Espanha, pois o Robiyn e a sua esposa, quando do nascimento do seu primeiro filho tinham, através de amigos, descoberto a existência dessa maternidade (em Portugal, na altura nem se falava em partos na água e não havia nenhuma maternidade ou clínica que os praticasse) e vieram de lá deliciados com o atendimento, instalações e muitos outros pormenores. Também já outros casais nossos amigos, entusiasmados com a experiência contada pelo Robiyn e pela sua esposa, tinham depois experimentado a mesma maternidade com igual satisfação.

Pronto, para lá fomos e o Alexandre nasceu na água, no dia 12 de Julho de 2003, ao som de uma música com sons de baleias e golfinhos que nós tínhamos levado em CD (entrei na clínica às 5h 40min da manhã e ele nasceu às 6h 15min da mesma manhã…, quase nem dava tempo para por a música nem para encher a banheira), as irmãs e o pai assistiram, entusiasmadíssimos ao nascimento (a Celina, a mais nova, tirou as fotos de minuto a minuto…) e foi um momento muito feliz e especial!

Podem consultar o site em www.acuario.org e ver a foto da banheira redonda onde nasceram o Alexandre e muitos mais bebés!!!

O resto do tempo lá foi maravilhoso, sempre com o Pedro junto a mim e ao filho, voltámos tinha ele cinco dias…

Escrevi um “livro” onde conto com pormenores essa maravilhosa experiência, mas não está publicado. Tenciono dar-lhe o formato de livro electrónico (e-book) e talvez colocá-lo mais tarde aqui no blogue, de acesso grátis, embora com direitos registados. Logo veremos, quando poderei concretizar isso.

E sim, até para a semana, dia 6, Quarto Crescente, para mais uns momentos de partilha… uma bela semana para todos!

 

Caderno Verde

Todos Iguais, Todos diferentes

Quando nasceu a Celina, a minha segunda filha, quase 5 anos depois da Catarina, apercebi-me rapidamente como as crianças são diferentes umas das outras. Até lá sempre tinha ouvido falar no “São todos diferentes”, mas como em muitas outras coisas, só percebemos bem o que querem dizer quando as experienciamos.

Perante gostos e características diferentes em cada um, temos, como pais, de agir de formas diferentes. E começamos a apreciar o que cada um tem de característico, os seus “talentos” naturais, e a apoiá-los e a ajudá-los a desenvolvê-los.

O Alexandre tem características muito próprias, diferentes das das irmãs, algumas, e diferentes das de alguns outros meninos. Mas algumas serão parecidas. Daí a razão deste Caderno Verde (e em última análise, deste blogue!). Não tem pretensões de distinção, de diferenciação, de estarmos para aqui a gabar-nos de como é o nosso filho, logicamente.

Mas sim o desejo de partilhar experiências e vivências e, tal como acontece connosco quando sabemos das experiências de outras pessoas, algumas fazendo eco em nós, sabemos que algumas destas coisas serão parecidas a muitas que outras pessoas vivenciarão, poderão “fazer eco” em alguém, poderão ajudar alguém, poderão ajudar a divulgar formas de viver a vida mais consonantes com cada um.

Numa das minhas pesquisas sobre o ensino doméstico encontrei um blogue escrito por famílias que já praticam  o ensino doméstico em Portugal, o Pés Na Relva, e um outro de uma família, também portuguesa, que pensa optar pelo ensino doméstico quando chegar a altura do seu filho ir para a escola, o Jóia de Família, que adorei ler e me fizeram ficar muito contente por saber que em Portugal já  há mais pessoas a partilhar as suas experiências neste campo e para as quais o ensino doméstico faz sentido.

Para a “semana” este Caderno Verde continuará como começou, com a partilha de actividades e passeios que fomos fazendo com o Alexandre.

Um grande abraço a todos.

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