Archive for Colaborações

Colaboração da Liliana após o encontro com o grupo de Lisboa da Maternar

Bom dia a todos!

E na sequência do post anterior, aqui a colaboração carinhosamente enviada pela Liliana (grata, Liliana!):

“Olá,

Nós gostámos do encontro (como sempre)… foi esclarecedor pois pouco ou
nada sabia sobre ensino doméstico é um conceito relativamente novo
para mim. Percebi melhor as motivações e também desfiz alguns
preconceitos, nomeadamente sobre a questão da sociabilização. E admiro
a dedicação destes pais 🙂

Creio contudo que esta não é uma opção para nós. Embora também não
saiba neste momento qual será a melhor opção… :S o tempo o dirá…
Ao pensar em ensino doméstico não consigo deixar de pensar na minha
própria experiência na escola, que na primária foi fantástica, só
guardo boas recordações da professora, dos amigos e das brincadeiras…
E por mais interesse e gosto que tenha em partilhar o tempo de
educação com a minha filha não creio que alguma vez o conseguisse
fazer em fulltime (sem dar em doida).
Para mim essa opção só poderia fazer sentido se vivesse em grande
proximidade com outras famílias nas mesmas circunstâncias, em que
houvesse dias de partilha e interacção entre mães e crianças. Creio
que esta opção está mais ligada ao conceito de viver em comunidade/
tribo, não é? Marta, estou contigo, vamos arranjar por aí um
cantinho! 🙂
Sair do centro de Lisboa foi para nós um primeiro passo… mas gostava
de no futuro ter mais verde para correr e brincar logo à saída de
casa…

Bjs,
Liliana”

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Colaboração da Sara após o encontro com o grupo de Lisboa da Maternar

Vivam!

Como tinha “anunciado” há dois posts atrás, o grupo de mães de Lisboa do projecto Maternar, convidou-nos a participar numa das suas reuniões, querendo desta vez abordar o tema do ensino doméstico e desejando que pais que o pratiquem partilhassem, na reunião, a sua experiência, por terem, no grupo, pais interessados nesta opção.

Aceitámos, com todo o gosto, e disponibilizaram-se também a participar mais algumas famílias cuja opção educativa passa pelo ensino doméstico.

Gostaria de dizer que gostámos muito da hospitalidade e simpatia com que fomos acolhidos no grupo e que toda a troca de ideias, informação e demais partilha foi muito interessante. Também foi motivante sentir tantos mais pais interessados nesta “opção educativa”.

E é com muito gosto que publico hoje aqui o texto carinhosamente enviado pela Sara Espírito Santo que partilha connosco o que desfrutou deste encontro. Muito obrigada, Sara, Henrique e Violeta, de coração, muitas felicidades para vós!

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Olá,

O meu nome é Sara e estive, juntamente com o meu marido Henrique e com a nossa Violeta de 5 meses na partilha sobre o ensino doméstico.
Confesso que andava ansiosa por conhecer alguém que o praticasse cá em Portugal, visto que este é um tema sobre o qual temos reflectido bastante, desde a gravidez. Não sei se será a melhor opção para a Violeta, mas considero-a uma opção bastante válida, sobretudo como professora do ensino básico e secundário que tem tido a oportunidade de contactar com o sistema, o qual, a meu ver, está em fase de colapso, quem sabe se para daqui a alguns anos se operar a verdadeira revolução necessária.

Nunca pensei que o ensino doméstico seria uma forma de proteger a Violeta, mas sim como uma forma de ela entrar em contacto com uma realidade mais abrangente, não limitada aos currículos que muitas vezes, além de não prepararem para a vida, agrilhoam a imaginação e castram a liberdade de pensamento.
De qualquer maneira, considero necessárias linhas orientadoras, que podem perfeitamente ser os verdadeiros interesses e motivações das crianças.

É difícil um professor em sala de aula, confrontado com tantos seres tão únicos, auxiliar cada um no seu mundo, sob a pressão de um sistema que nos pretende formatados. Quem pensa, questiona e isso nem sempre é bom para as verdades que nos tentam vender todos os dias.

Foi muito bom, na nossa partilha, perceber que é possível e que o ensino doméstico pode ser também um forte elo de ligação no seio da própria família, afinal todos podem contribuir dinâmica e activamente para as aprendizagens uns dos outros.

Gostaria que a minha filha (e futuros irmãos!) tivesse a sorte de não ter receio de pensar pela sua própria cabeça, consciente de que a vida é o cenário de aprendizagem por excelência e que questionar é um óptimo exercício de reflexão.
Obrigada por esta oportunidade e Boas Festas!
Sara Espírito Santo

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Da Andreia, com carinho

 No seguimento do que contei no último post “Afinal o Melhor é Seguir sem Métodos”, entretanto um belo dia, conversando sobre a possibilidade de uma escola mais natural e que permitisse às crianças manter a sua curiosidade natural pelo conhecimento prático e efectivo, a Andreia escreveu-nos a contar a “história da sua escola primária”.

Contou-nos algo muito mais resumido que hoje, mas eu gostei logo.

Há umas semanas, reenviei-lhe o seu e-mail da altura e perguntei-lhe se gostaria de acrescentar mais alguns pormenores e que eu o colocasse neste blogue, como uma valiosa contribuição a tudo o que temos andado para aqui a dizer.

Com a sua generosidade e entusiasmo habituais, respondeu-me logo que sim e aqui fica a sua tão interessante contribuição para este blogue:

Querida Isabel, aqui vai o texto sobre a minha experiência na Escola da Quinta do Paço, no Algoz-Algarve, em que passei 3 anos maravilhosos da minha vida… está mais completo com pormenores que perguntei à minha Avó e recordámos em conjunto:

“A minha experiência de Escola primária a partir da 2ª classe (1984/85) até à 4ª classe (1986/87) foi fantástica!
Quando comecei nesta Escola, éramos uns 3 ou 4 alunos na 2ª classe e outros tantos na 1ª classe, na mesma sala com uma professora – que é a minha Avó materna – quando passei para a 3ª classe, mudámos para uma sala maior e ficámos 3ª, 2ª e 1ª classe com a mesma professora, só no ano seguinte, quando passei para a 4ª é que se dividiram as classes em 2 grupos, até porque nessa altura o nº de alunos tinha aumentado significativamente, assim passei para um outro edifício em que havia uma sala no 1ª andar para a 3ª e 4ª classes e no R/C a sala da 1ª e 2 ª classes, nessa altura a minha Avó continuou connosco e contrataram um outro prof para a outra sala, que ela orientava.

A minha Avó sempre foi uma prof muito especial, recordo-me das aulas de Primavera dadas em passeios pelos campos que circundavam a quinta, de termos sempre experiências muito práticas a decorrer na sala de aula, que normalmente eram projectos que nos ajudavam a ser responsáveis, fosse a cuidar de plantas ou a alimentar bichos da seda, de nos explicar tudo com exemplos muito práticos e jogos… que a maioria das vezes implicava que  construíssemos coisas.

Quando a questionei sobre o seu método, para incluir alguma informação mais técnica neste texto, disse-me que começou a seguir o Método Global (raiz global de 28 palavras) e pedagogia didáctica quando começou a ser prof em Angola (nos anos 60).
Mas que nesta Escola teve oportunidade de aprofundar um método mais dela, que lhe era natural e que lhe fazia sentido, que lhe vinha de dentro, da sua criatividade… disse-me que nos explicava as coisas como se ela própria fosse criança… e hoje sei que era mesmo isso… a Inocência e o Amor com que ela vivenciava este Prazer de ser Criança connosco, permitiu dar sempre oportunidades únicas aos alunos que não tinham conseguido noutras Escolas (que tb era o caso de muitos – chamados de crianças difíceis, com dificuldades ou repetentes – tive uma colega no ano anterior ao meu que tinha 12 anos e estava na 3ª classe) e a todos os que tiveram o prazer de estar nesta Escola pela 1ª vez … É de facto uma pessoa que viveu um dos seus Talentos e que encantou muitos alunos ao longo da sua carreira enquanto prof.

A mim deixou-me a semente de gostar da Escola e de aprender… e de ser autodidacta… e de tantas outras coisas que se perdem na fronteira de ser prof e de ser Avó… que ainda hoje é…

Voltando à Escola, como a Escola era numa quinta, esta foi sendo reconstruída à medida das necessidades, ou seja, no início estavámos todos no edificio principal, as salas de aula eram os antigos quartos do edifício e contávamos apenas com um antigo lagar convertido em sala de espetáculos… com o passar do tempo foram-se renovando as cavalariças em salas de aula, o celeiro em ginásio e etc… e todos participávamos de alguma forma nisso… Lembro-me particularmente da conversão do celeiro em ginásio, em que “salvámos” e relocámos ninhos de pardais… eu levei um pardal bebé para casa da minha Avó e juntamente com o meu Tio (5 anos mais velho que eu), conseguimos alimentá-lo e acarinhá-lo de forma a ele conseguir viver e voar… soltámo-lo passado uns tempos para ser livre!

Tínhamos uma horta em que plantávamos, regávamos e colhíamos os legumes, ajudávamos a fazer a sopa (descascar legumes), que comíamos sempre ao almoço,o prato principal e os lanches cada um levava de casa, tínhamos um forno a lenha em que se fazia pão e comíamos a fruta das árvores. A diversão principal era o tal Lagar convertido em palco de teatro e um baú cheio de roupas, sapatos, chapéus e etc, que podíamos usar livremente nos intervalos, as nossas pinturas da cara eram feitas com os caules das beterrabas da horta, construímos uma casa de madeira numa das árvores e baloiços… tudo o que tínhamos para brincar foi de alguma forma feito por nós… apanhávamos azeitonas, alfarroba e amêndoas… foi uma vivência maravilhosa!!!

Em parte porque fomos os primeiros… nos anos seguintes a participação dos alunos foi diferente, porque grande parte das coisas já estava feita mas  o conceito de participar, de integração dos alunos com a natureza, com a vivência da quinta fez sempre parte da Escola.

Tinha aulas de música, dança, teatro, ginástica e inglês – os fundadores da Escola e donos da quinta eram um casal de um americano e uma indiana – que tinham vindo viver para Silves-Algarve com os seus filhos adolescentes, ele era um prof catedrático e ela era uma prof de teatro, ambos nos davam aulas… e por exemplo no caso do Inglês, as aulas eram por graus e por isso tínhamos várias idades na mesma aula – eu por exemplo tinha aulas de Inglês com os colegas estrangeiros da 1ª classe e assim tb aprendíamos uns com os outros.
 E era normal termos prof de outras nacionalidades que estavam de passagem… lembro-me especialmente de uma prof de música israelita que tinha sido emigrante nos estado unidos. Havia uma grande diversidade de culturas… tive sempre colegas Ingleses, Americanos, Holandeses e Franceses nas minhas classes… o que muito enriqueceu a minha vida em todos os aspectos.

Quando entrei disseram-me que tinha de fazer um exame na 4ª classe, mas ao longo dos 3 anos que lá estive, eles conseguiram ser “reconhecidos” pelo ministério da educação e passei normalmente para o ciclo.

Em resumo, quero com isto dizer que não é preciso uma grande produção para uma Escola… e ainda hoje recordo esta Escola como os melhores tempos da minha “carreira Escolar” e da minha Vida!”
Beijinhos e Abraços com perlimpimpins da Terra das Fadas,
Andreia

 Obrigada Andreia , pela tua belíssima contribuição! Adoro esta tua história. É um belo presente de Natal para “A Escola É Bela”.

Podem consultar o blogue da Andreia aqui.

Quem gostar de escrever a contar experiências lindas e interessantes neste campo da educação, pode enviar-me textos e fotos para o endereço associado a este blogue.

Beijinhos, Andreia e a todos! Uma bela semana e um Natal cheio de momentos de aconchego, harmoniosos e felizes, para todos.

O próximo post será a 27 de Dezembro, Lua Nova!


Caderno Verde

“Computador” que fala

Depois deste Verão, como ele fez 5 anos, e tendo ele passado mais tempo com umas meninas amigas, mais velhas, de 7 anos, que estavam atarefadas a preparar as coisas (livros, mochilas, material…) para o novo ano lectivo quase a começar, resolvi perguntar ao Alexandre se ele queria ir para a escola.

Respondeu-me que não:

“Não, eu não preciso de ir para escola, porque tenho um computador em que eu carrego na tecla “L” e ele diz “L”, no “A” e ele diz “A”, no “M” e ele diz “M”… vês? Assim aprendo as letras, não preciso de ir para a escola”.

“Mas as tuas amiguinhas (disse os nomes) vão para a escola…” – insisti.

“Porque elas precisam, não têm um computador como o meu, que diz o nome das letras”.

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Bom, para além deste “computador” (que ele usava mais quando era mais pequeno), usa com frequência diária “computadores a sério” desde um pc a um mac portátil;  já desde os 4 anos que sabe ligá-los, desligá-los, introduzir as passwords (a Catarina diz que para além de ele saber escrever o nome dele o que sabe melhor escrever são palavras algumas que nem sabe bem o que significam (são as passwords)), esperar arranques, fechar janelas “inconvenientes” (aquelas que estão sempre a aparecer e que temos que fechá-las para entrar nos programas), ir a locais inimagináveis procurar o jogo em que quer entrar (até ver, só jogos “didáticos”), como por exemplo em bookmarks, e depois, dependendo dos “jogos”, realizar inúmeras tarefas.

Em próximas páginas deste Caderno Verde falarei de alguns dos seus favoritos.

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Da Elsa, com carinho

Olá a todos!
 
Hoje temos a contribuição de uma amiga a quem pedi para escrever algo sobre a sua experiência até agora e tendo começado este “ano lectivo”, a trabalhar  num colégio onde utilizam algumas práticas inspiradas no método da escola moderna. Como vem a propósito e dá seguimento ao post anterior…
 
Eis o que tão prontamente me enviou, o que agradeço do coração (obrigada Elsa! Beijinhos e a continuação de um belo trabalho):
 
“Na escola onde estou, ainda não estão a aplicar o método da escola moderna a 100%, embora o que já colocaram em prática eu tenha gostado.
 
O que considerei curioso e interessante foi o facto de no pré-escolar os grupos serem verticais, isto é, as  criança estão agrupadas com idades diferentes. As crianças de 2 anos estão na mesma sala que as de 3, 4 e 5 anos. A forma de trabalhar com estes grupos é muito interessante e exige muito mais trabalho por parte do educador ou professor porque tens que conseguir despertar o interesse das diferentes idades e sabemos que estão em estádios de desenvolvimento muito diferentes.
 
No início fiquei um pouco confusa, mas depois percebi que tudo depende das nossas expectativas. Nós não podemos querer que uma criança de 2 anos reaja da mesma forma que uma criança de 5 anos. Percebi também que as crianças mais pequenas muitas vezes parecem não estar a perceber nada, mas estão a perceber e a gostar das actividades mas dentro do seu ritmo e do seu desenvolvimento.
 
Outra situação interessante é que as crianças aprendem muito umas com as outras, os mais velhos são incentivados a ajudar os mais novos e os mais novos começam logo a adaptar-se a estar com crianças mais crescidas e a aprender com os amiguinhos.
 
Apercebi-me que consoante a idade a criança apreende aquilo que é importante para ela naquele momento e que ela própria faz a selecção da informação, mesmo que seja inconscientemente.
Todos os grupo se inter-ajudam entre si e quando isso não acontece as educadoras incentivam para que assim seja.
 
Todos os desenhos e trabalhos que estão expostos pela escola são elaborados só pelos alunos, não existe o hábito de o educador ou professor ir retocar o trabalhinho porque não é bem assim que se faz, porque o boneco é um risco, etc.
O trabalho de cada criança é valorizado e exposto tal e qual como ela o fez, seja considerado bonito ou feio pelo adulto. Por vezes ao lado do desenho está uma “tradução”, isto é escreve-se o que a criança descreveu do seu próprio desenho.
 
Penso que até agora são estes os pontos mais relevantes que tenho experienciado com este método no último mês e meio.
Eu ainda não tinha trabalhado com grupos verticais e estou a gostar da experiência.

Muitos beijinhos
 
Grata por existires
 
Elsa Lopes “

 

Caderno Verde  

Animais

Até agora, só lhe conhecíamos afeição por gatinhos. Tivémos um em casa quando ele era bébé.

Ao contrário da Celina, que tem mesmo uma perdição por gatos, que quando era pequena andava sempre a observar os bichinhos e levava no bolso caracóis e bichos de conta e que ficou felicíssima quando estivémos rodeados de golfinhos (a Catarina também ficou eufórica com os golfinhos), o Alexandre não tem especial paixão pelos animaizinhos.

Há dois anos atrás, a atravessarmos para Tróia no Ferry, vimos os golfinhos do Sado e ainda me lembro do “choque” que tive, ou melhor, da surpresa confesso que para mim, na altura, um bocadinho desconcertante, quando nós todos contentes mostrámos ao Alexandre “Olha, olha, golfinhos!!!” e ele não ligou nenhuma, só estava interessado nos Pneus onde o ferry ia encostar quando atracasse, pois já se avistavam os Pneus e no meio do nosso entusiasmado “olha, Golfinhos!”, ele só dizia “os pneus, os pneus!!!”…

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Estão a ver… No outro dia contava este episódio à professora de ioga da Catarina (marcou-me…), na primeira manhã ensolarada que fomos experimentar com elas fazer ioga na praia (adorei) e dizia-lhe isso mesmo: “Entende como fiquei desconcertada? Nós amantes da Natureza, vegetarianos por respeito aos animais,   todos contentes quando vemos as espécies que não é comum ver todos os dias e este pequeno fascinado por comboios, metros, teleféricos, máquinas, construções, ferry-boats e pneus!”

Ela só dizia, “Percebo, percebo…” (também tem uma filha pequena).

Agora já acho piada que ele goste de pneus, quando tive que ir mudar os do carro, levei-o comigo, foi uma excitação.

No entanto, às vezes surpreende-nos com uns gestos de carinho, festinhas que faz ao cãozinho da vizinha ou, como este ano aconteceu, com estas cabrinhas lá na terra da avó…

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