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Uma das vantagens do Unschooling e Mais aniversários

Caderno Verde

Uma das vantagens do Unschooling e Mais aniversários

Estávamos os dois, eu e o Alexandre, a ver um vídeo na internet sobre a Expo 98. Isto porque já tínhamos visto um sobre a construção da linha de comboios sob a ponte 25 de abril e a sua inauguração e andávamos à procura de um sobre a construção da estação do Oriente e como esta está ligada à Expo 98, encontrámos então esse vídeo, de 45 minutos, sobre vários passos anteriores à inauguração da exposição. O Alexandre ficou logo interessado em saber todos os pormenores que pudesse saber sobre a Expo, na altura ele ainda não era nascido e adoraria estar lá para ver… Em algumas alturas do vídeo vão assinalando “faltam 500 e tal dias para a Expo’98”, “faltam 365 dias…” (um ano, pois…), até que apareceu “faltam 182 dias…” e o pequeno diz: “São quase mais cem dias que um ano em Mercúrio!”

_Um ano em Mercúrio???” _ pergunto de volta, que isto às vezes o meu raciocínio não o acompanha…

_”Sim, mãe, um ano do planeta Mercúrio são 88 dias dos nossos.”

_”Ah, bom! Percebi… são mesmo 88?”

Pois que eu já estudei isso, claro e talvez até me tenha deparado com o número num destes anos em que acompanho o Alexandre em ensino doméstico, pois ele gosta muito de saber coisas sobre o Universo, a diferença é que nós retemos as coisas que verdadeiramente nos interessam e o resto ficamos com uma vaga ideia. Ele interessa-se mesmo e volta e meia debita estes números e outros conhecimentos que eu fico a pensar “Como é que ele ainda se lembra disto?”.

Esta é, para mim, uma das grandes vantagens do unschooling: realmente “aprender”, porque temos interesse e curiosidade e fazemos as nossas ligações de ideias e acontecimentos e a maior parte das coisas, assim, nunca mais esquecem…

Se estiverem interessados no tal video da Expo 98 que estivémos a ver, foi este aqui.

 

E agora vamos a mais dois aniversários que nos fizeram passar dois dias muito divertidos.

O aniversário do pai, a 14 de maio:

Embora num dia de semana, fomos, ao fim do dia, fazer um passeio divertido como comemoração: irmos todos juntos de comboio até ao restaurante, comermos, cantarmos os parabéns e voltarmos de novo de comboio, numa grande animação (nós os três, as manas, o Bato e dois dos nossos vizinhos). Foram um fim de tarde e noite bem animados!

 

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(a volta, em cima à espera do comboio e em baixo, a selfie dentro do comboio)…

🙂

 

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O outro foi o aniversário de uma nossa amiguinha, também em unschooling, em sua casa. Lá nos reunimos com a sua família e outros amiguinhos que conhecemos na altura e foi uma diversão pegada. As imagens em baixo são do jogo “Suspend” e do “Catan”.

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(o Alexandre a explicar as regras do Catan a uma nova amiguinha)

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Também foi um dia de aniversário muito bem passado! Obrigada a todos!

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Trocas de informação e o projeto da cidade subaquática no Japão

Vivam, bom dia!

Pois como é bom conetarmo-nos com pessoas com interesses afins! Neste caso do Ensino Doméstico e do unschooling, desde ter blogs a pertencer a grupos onde se partilham factos e informações sobre o tema e a trocarmos e-mails uns com os outros (e a encontrarmo-nos de vez em quando!). Um dos grandes benefícios é a troca de informação e de recursos. Vamos sabendo das características e interesses das diferentes crianças e quando deparamos com algo específico lembramo-nos “X deve gostar disto, deixa lá enviar a informação…”

Foi o que deve ter pensado a C. (obrigada!), quando me enviou a informação sobre a existência destes livros para “pequenos arquitetos”.

Ou a P., quando me enviou o link para a notícia da existência de um projeto para uma cidade subaquática no Japão que vou relatar aqui em baixo, no Caderno Verde.

Eu também remeto muita informação para vários amigos, ah, ah, mas não me lembro nem sei muitas vezes qual a que, especificamente, “deu frutos”.

Beijinhos e bela troca de informações para todos!

Isabel

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Caderno Verde

Projeto para uma cidade subaquática no Japão

Uma das “sessões” entre mãe e filho desta semana passou-se à volta da notícia deste projeto para uma cidade subaquática no Japão.

Já tinha recebido o link há quase um mês atrás, enviei-o para o meu e-mail d’A Escola É Bela (por uma questão de organização), informei o Alexandre de que havia uma notícia sobre esse projeto para vermos os dois e esperei que ele solicitasse vê-la. Esta semana disse-me, “Mãe, vamos ver o que me disseste sobre o projeto da cidade subaquática!”

E lá estivémos a ler e a ver o pequeno vídeo, o que depois deu azo a muitas novas “invenções urbanísticas” e muita conversa, pois entretanto apareceram a mana Catarina e o Bato e o Alexandre esteve a contar-lhes deste projetos e de vários outros pensados por ele.

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Seguir interesses implica também anteciparmo-nos

Vivam, bom dia!

Quando falamos em unschooling, aprendizagem natural, aprendizagem autónoma, seguindo os interesses da criança, etc., etc., às vezes há pessoas que pensam que significa que os pais nada fazem e deixam as crianças a aprender por conta própria. Já coloquei aqui no blog alguns posts a “retificar” essa ideia completamente falsa, pois para mim, não há maior envolvimento, atenção, disponibilidade por parte dos pais que o requerido pelo unschooling; muitas atividades surgem espontaneamente e muitas outras acontecem devido a uma antecipação: os pais a dada altura conhecem tão bem os seus filhos, gostos, o que os atrai de tantas experiências e atividades que praticam juntos que, quando vêem algo, estabelecem logo ligações a outras coisas, situações, etc., que estão mesmo a ver que vão complementar as atividades que decorrem. Às vezes não da forma que se pensa, já me aconteceu, mas o interessante é ficar “tudo em aberto” e deixar fluir.

É o que está por base de várias coisas que trago para o meu filho experimentar, como aconteceu com o cubo de Rubik, mais conhecido pelo “cubo mágico”. Já tinha andado um cá por casa, que era da nossa vizinha, quando o Alexandre era mais pequeno. Como o cubo de Rubik foi pensado pelo próprio para que os seus alunos (já crescidos) desenvolvessem a “visão/pensamento tridimensional” e como o meu pequeno sempre gostou de “trabalhar em três dimensões” e daí é que passou para as duas (desenhos, projectos, mapas, projecções) com maior facilidade, um destes dias realizei que será bom que haja um cubo mágico cá por casa (primeiro encontrei um mais pequenino e depois comprei o maior). O Alexandre achou-lhe piada e entretanto até andámos no youtube a ver os algoritmos mais avançados para a resolução do cubo, onde também explicam a organização das peças e assim chegar-se logo a visualizar quais as peças que pertencem a determinada posição.

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Outra coisa que me ocorreu foi ir ao site da CP (por todas as razões óbvias para quem acompanha o nosso percurso em unschooling) ver se havia algum mapa com os percursos dos vários tipos de Comboios de Portugal. Isto a propósito de uma conversa que o Alexandre tinha tido com o pai onde afirmava que determinada estação era uma “estação terminal” e onde “discutiram” os percursos percorridos pelos comboios Alfa e pelos Intercidades, bem como em quais estações paravam uns e outros. Nós costumamos ter essa noção quando consultamos os horários de alguns comboios e o Alexandre passa horas a percorrer as linhas de comboio no Google Earth,  mas isto assim visualizado, sistematizado e estendido a todos os de Portugal seria diferente.

Ora que no site da CP existe mesmo um mapa com os percursos tal como eu imaginava, imprimi um e quando o Alexandre o viu, adorou! Procedeu logo a uma consulta exaustiva, detectando as semelhanças e as diferenças entre Alfas, Intercidades, Interregionais e Regionais e Urbanos, observando a legenda_ a maioria dos percursos já ele conhecia, mas complementou a sua visão global com vários detalhes dos quais ainda não estava a par.

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Aqui, mostrei-lhe no computador onde tinha eu ido buscar tal mapa:

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O próprio…

E, claro, após uma hora e tal de aprofundamento do assunto, lá vem a inovação: sobre o mapa desenhou outros percursos que para ele são óbvios que venham a existir, para complementar esta rede ferroviária portuguesa.

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Em 2103 a CP terá mais estas linhas:

😀

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Isto fez-me lembrar um episódio que aconteceu há anos atrás e que contei quase logo no início deste blog, “Episódio na Bertrand“, em que o Alexandre, já no final da conversa, dizia à menina da livraria que um dia ia construir uma linha de comboio que iria percorrer todo este Portugal e vinha dali e por aqui e chegava até às traseiras daquele Centro Comercial onde nos encontrávamos na altura (isto com 4 anitos…).

😉

Esta actividade desencadeou o interesse por rever o filme “O Imparável” e foi o que seguidamente fizémos.

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Depois do filme, quiz voltar a ler o seu livro (que já tem desde os 4 ou 5 anos, embora seja um “livro para crescidos”) “100 Comboios de Sempre”. Já lemos algumas partes deste livro em várias ocasiões, mas nunca o tínhamos lido todo de seguida. Desta vez, começámos numa ponta e acabámos noutra (foi o treino que adquirimos ao ler os 4 livros da História de Portugal de uma ponta à outra), o que nos levou algumas tardes, pois o texto é denso e algo técnico, há que fazer umas pausas. Adorei sentir-lhe o interesse em toda a leitura e como aquela cabecinha vai decorando e associando pormenores (nomes, países, sequência no tempo).

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Num outro dia, mudámos de tema, quando o Alexandre pediu para alugar um filme que já tinha visto com a nossa vizinha há uns tempos, “As Fantásticas Aventuras de Tad“. Tem a ver com Arqueologia, Civilizações Antigas e artefactos misteriosos e o pai, no fim (nova antecipação), pensou em arranjar os filmes do Tintim, pois é capaz de haver também alguma adesão da parte do Alexandre, dados os temas.

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É muito engraçado para mim, ver como os temas se ligam e como Tudo vai decorrendo… e eu não estou presente mais de metade do tempo, não vejo as ligações que acontecem nas actividades que faz só com o pai ou com cada uma das irmãs e com o Bernardo (companheiro da irmã mais velha que também o acompanha desde que o Alexandre nasceu).

Um abraço e belos dias para todos!

Isabel

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Coisas que temos andado a fazer… IV

Caderno Verde

Coisas que temos andado a fazer nestes últimos três meses (IV)… para além das que já tenho contado por aqui.

– Procurámos um novo documentário do seu interesse e a seu pedido e já o vimos 7 vezes (a última, com a mana Catarina), “Terra, Planeta em Construção- Comida, Fogo e Água”. Passa no Odisseia.

O documentário versa essencialmente em como temos vindo a utilizar e a canalizar recursos, bem como as várias construções e engenharia/tecnologia necessárias para apoiar o estilo de vida que fomos desenvolvendo.

Ao final da 5ª ou 6ª vez em que vimos o documentário o Alexandre começou a tecer os seus próprios comentários a tudo quanto tinha visto. Por um lado fascinam-no as grandes obras, por outro fica um pouco apreensivo com a “saúde do planeta”…

DSC08331O documentário começa por explicar como utilizamos a água potável para beber e levá-la até aos vários locais do planeta mesmo os mais áridos. Mostra o Rio Colorado que atravessa o Grande Canyon e o colossal Lago Mead resultante da obra arrojada de engenharia feita nos anos de 1930’s, a Barragem Hoover. E em como graças a esta barragem se desenvolveram cidades em zonas áridas dos Estados Unidos, tais como Las Vegas e mesmo Phoenix e Los Angeles.

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DSC08334Depois passa a mostrar em como, na China, a água vai chegar a irrigar as zonas do Norte do país, mais secas, com a construção de um colossal aqueduto de cerca de 1200 Km de comprimento, que já começou a ser construído e só estará pronto lá para 2030.

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DSC08338Da água e do que ela representa para a nossa sobrevivência passamos à comida e à agricultura; numa dessas partes mostra a enorme área de estufas em Alemeria, Sul de Espanha, através das quais foi possível produzir tomates e demais legumes e frutas em grande escala, numa zona árida e ventosa. Esta é uma vista aérea desse “mar de estufas”:

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DSC08346(aqui a responsável por esta “quinta” explica o sistema de irrigação e como as raízes são esponjas e absorvem a água que vai nutrir as plantas).

DSC08347Área capaz de cobrir toda a América do Sul é a que em todo o planeta é destinada à agricultura e área capaz de cobrir toda a África (2 vezes mais) é a, no nosso planeta, destinada à criação de gado para fins alimentares.

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DSC08350Noutra parte explicam sobre todos os aparelhos elétricos; para funcionarem precisamos de estrair uma grande quantidade de cobre das entranhas da nossa Terra. Qualquer eletrodoméstico e qualquer aparelhómetro necessita de fios de cobre para conduzir a eletricidade, desde máquinas de lavar, frigoríficos, torradeiras, máquinas de café, batedeiras a televisores, leitores de cd, telefones e telemóveis (que não são elétricos), computadores, etc., etc.,

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DSC08352o que nos leva à maior mina a céu aberto do mundo, a mina Bingham, nos Estados Unidos da América:

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DSC08354E daí passam para restantes “fontes” de energia

DSC08355e para o Solitário, o maior navio-fábrica de tubos e instalador de gasodutos do mundo, que permitem levar o gaz aos vários países do mundo (uma das formas de podermos tomar banho de água quente, por exemplo).

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DSC08358O documentário conta-nos também sobre o maior parque eólico em alto mar, “London Array“, no Reino Unido, a leste do Tamisa e como está a ser construído,

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DSC08363com o auxílio deste navio, o “Descoberta”,

DSC08364que tem a particularidade de se tormar numa espécie de plataforma “fixa” sobre a água,

DSC08365para poder haver precisão na construção e no encaixe das enormes hélices, num sítio muito ventoso (como é necessário para melhor aproveitar a energia do vento, mas que muito dificulta a implementação do parque eólico).

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Depois de uma das vezes, o documentário inspirou-o a mais um desenho…

– … novamente o mapa mundo onde estão representadas zonas de cidade (a preto), zonas verdes (a verde) e os rios (a azul) e ainda zonas de gelo (a lilás).

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E depois deste, ainda sob a inspiração do mesmo documentário, um novo desenho…

– … de muitos edifícios muito altos que pertencerão ao século 301; um em Londres, outro em Moscovo, outro em Lisboa, outro em Madrid, outro em Paris (com alturas descomunais para o presente século, mas para o 301 é bem provável)…

😉

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– … E a fazer o seu próprio documentário a partir desse desenho.

O Alexandre “relatou” um documentário imaginado por ele a partir deste último desenho, explicando a construção e os pormenores de engenharia envolvidos em cada edifício, à semelhança do que ouviu no documentário da “Terra, Planeta em Construção”. Não gravei, não tinha a câmara à mão, mas ouvi a explicação todinha, parte I e parte II, de uma meia hora no total (e ele não se cansa! É um entusiasmo tal que me preenche vê-lo fazer coisas com tanto entusiasmo).

– Ainda um esquema de uma zona com rio, barragem, edifícios (tudo “em planta”),

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– E mais desenhos de mapas:

O de Nova Iorque

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e o dos Estados Unidos da America, com a zona onde há mais cidades (a parte modular) e a mais “desértica”, (a zona castanha) onde fica o Grand Canyon, o Lago Mead, a barragem Hoover e a mina de Bingham (e aquela pontinha é a Flórida).

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E aqui uma ligação à Amazónia, no Brasil:

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– Estivémos os dois na varanda novamente a jogar ao “jogo das nuvens” (falar de formas que as nuvens nos fazem lembrar, estas faziam-nos lembrar uns quantos golfinhos a nadar juntos) e ao “jogo dos prédios” (em que cada um fixa um prédio e vai dando pistas ao outro até ele adivinhar qual é o prédio por si fixado):

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Captação de Água/Canalização e Funcionamento de uma Barragem

Caderno Verde

Captação de Água/Canalização e Funcionamento de uma Barragem

O Alexandre a desenhar no quadro magnético um esquema (e explicando-me ao mesmo tempo) sobre o funcionamento da captação de água de um poço ou furo para uma moradia…

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“Dantes _ dizia _, as pessoas tinham que ir retirar a água diretamente ao poço, depois passou a existir uma canalização que levava a água diretamente para dentro de casa.” (e começou a representar a canalização)DSC07060

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(tirei a foto de pernas para o ar…)

🙂

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Depois lembrou-se de outro assunto que me queria explicar, apagou este esquema e começou a desenhar outro, o do funcionamento de uma barragem. “Vês mãe, no sítio onde a água corre livremente, coloca-se uma barragem,

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que quando tem as comportas fechadas….

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… faz com que o nível da água vá aumentando…DSC07070

até ser necessário utilizá-la. Também se usa a sua força para gerar eletricidade.”

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Fico sempre espantada com as coisas que ele verdadeiramente sabe (para mim, mais do que saber a informação correta, tem valor como ele lida com a informação, como a compreende e interliga de forma que assim a não esquece e o capacita a dar “as suas” explicações sobre o assunto.

Pus-me a pensar como tinha ele chegado a isto. Viu num documentário? Nós já fomos ver uma barragem e a central elétrica junto dela, quando fomos ao Gerês, o que já foi há algum tempo. Às vezes ele faz-me pequenas (e poucas) perguntas de como se chama isto e aquilo e funciona isto ou aquilo, mas não me lembrava de ter falado com ele sobre a captação da água, pelo menos (apesar de ser da minha área, profissionalmente falando)…

Quando ele era mais pequeno eu pensava de onde viriam tais conhecimentos e às vezes descobria, vendo mais tarde um desenho animado ou um programa que ele já tinha visto noutra altura sem ser comigo e onde figurava tal assunto. Isto porque eu acompanho-o cerca de metade do dia e a outra metade é o pai e algumas vezes as irmãs e o Bernardo, companheiro da irmã mais velha. Agora com ele com 9 anos, já é mais fácil. Pergunto-lhe diretamente.

Perguntei-lhe: ” Onde aprendeste sobre a captação da água e a canalização?”

“Ah! _ respondeu_ isso foi nos desenhos animados do Curious George.”

“A sério? Explicaram isso?”

“Sim, muito bem.”

“E o esquema do funcionamento da barragem?”

“Isso foi com a mana Celina quando fomos ao museu da eletricidade. Estava lá tudo explicado e ela explicou-me tudo muito bem”. (Nota: a última vez que eles foram ao museu da eletricidade foi já há cerca de um ano, mas o museu foi bem explorado por ele, pois foram lá 3 vezes em 3 meses).

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Informação sobre o Unschooling Ressonante com a BCAP

Ora aqui está o encerramento em beleza da Coletiva Amor Aos Pedaços promovida pelas Rute, Rosélia e Rosa (Luma).

À semelhança do que aconteceu na coletiva anterior (Fases da Vida), a ideia é, no final, ressoarmos com as diversas fases que compuseram esta coletiva, usando um tema. Na coletiva anterior ressoei com informações sobre livros, filmes, cd’s com exercícios, workshops  e outros recursos que nos ajudam a abrir perspetivas e melhorar de vida. Para esta, ressoo com informações/recursos para o entendimento do Unschooling, também uma forma (amorosa!!!) de vida.

🙂

Assim para não me estender muito e para inserir no assunto quem não esteja e queira, lembro-vos um post onde coloquei os princípios do Unschooling segundo a Pam Sorooshian.

E agora as ressonâncias:

1ª FASE – ENCANTAMENTO

Foi com encanto que descobri o que é o Unschooling, através deste livro (um dos seus primeiros) de John Holt, precisamente o autor do termo Unschooling.

Como As Crianças Aprendem é um livro baseado na experiência, em vivências, em observação amorosa (não em teorias).

É difícil escolher um pequeno trecho como citação e que represente o livro, pois todo o livro é recheado de evidências que nos fazem entender, por ser naturalmente assim. Vou colocar aqui algo, que vem mesmo no Prefácio e que tem a ver com amor!!!

🙂

“Tudo o que quero dizer neste livro pode ser resumido em três palavras: confiemos nas crianças. Nada poderia ser, ao mesmo tempo, mais simples e mais difícil. Difícil porque, para confiar nas crianças, devemos confiar em nós mesmos. E a maioria de nós aprendeu, quando criança, que não somos confiáveis. Continuamos, por isso, tratando as crianças como fomos tratados. E chamamos a isso de “realidade”. Vez ou outra dizemos, com certo travo de amargura: “Se consegui aguentar, elas também conseguem”. Afirmo que precisamos quebrar esse ciclo de medo e desconfiança. Precisamos confiar nas crianças, embora não tenham confiado em nós quando éramos como elas. Fazer isso será um grande acto de fé. E grandes recompensas aguardam aqueles que de nós forem capazes desse acto.”

Para quem estiver interessado em saborear alguns textos, linko aqui alguns dos posts deste blog onde coloquei alguns excertos para reflexão:

Ensino Doméstico (Homeschooling) e John Holt
Aprender por Saltos
Seguindo os seus interesses
Seguindo os seus interesses II
Seguindo os seus interesses III
Representações, Abstracções, Símbolos… Falar, Ler, Escrever II
Projectos _ ideias a implementar por várias pessoas em vários locais diferentes

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2ª FASE – DESENCANTO

Não foi o nosso caso, mas há muitos casos em que pessoas chegam ao Ensino Doméstico e muitas vezes, mesmo ao Unschooling (que pode ser considerado uma das vertentes do ensino doméstico), pelo desencanto com o que se passa nas escolas. Desde desinteresse completo da criança, a abusos e a bulling.

Sobre situações de desencantos há muitos relatos no blog da Paula, Aprender Sem Escola. Mas também muitas situações de encantamento e de sucesso (essas as que têm a ver com o ensino doméstico e o unschooling).

Vou remeter-vos aqui para estes seus dois posts, à volta do mesmo tema: A motivação que nos leva ao ensino doméstico” (inspiração ou desespero?) e “A motivação que nos leva ao ensino doméstico II“. E também aqui pare este:O que está errado com a educação? A escola!” , que me leva sempre a pensar no que está por detrás, nas origens da escolaridade obrigatória (compulsória).

Vou seleccionar aqui primeiro um excerto destes posts (podendo, leiam-nos na íntegra, ou perderão todo o sumo…):

“Infelizmente, a verdade é que existem muitas famílias que retiram os filhos do sistema escolar por desespero. São pais cansados de ver os filhos sofrendo por causa do bullying e violência escolar que leva tantos estudantes ao suicídio. São pais cansados de ver o impacto negativo da frequência escolar nos filhos especiais. São pais de crianças com dispraxia, dislexia, síndrome de asperger, déficit de atenção e hiperatividade, etc, que chegaram à conclusão de que a escola não tem a capacidade de cuidar, muito menos educar e nutrir as necessidades dos seus filhos.”

E como devem ter percebido na minha participação sobre o desencanto na coletiva Amor Aos Pedaços, eu não considero o desencanto uma fase do amor, para mim desencanto tem mesmo a ver com o desamor (também é possível que de situações de desamor se vislumbre o amor ao fundo do túnel mas, quanto a mim, não é absolutamente necessário passar por elas para se ser amoroso e viver em amor), então este outro excerto dos posts da Paula:

“Por outro lado, existem cada vez mais pessoas que se sentem cheias de inspiração, pessoas cujo impulso para a educação domiciliar vem de uma visão positiva do que querem alcançar. Para elas, o ensino doméstico não é uma forma de se libertarem de um pesadelo mas um sonho que querem tornar realidade. Para estes pais, o homeschooling e/ou o unschooling faz parte integral do seu projeto de vida.

São pais inspirados pelos direitos das crianças, pela liberdade na aprendizagem, pela educação democrática, pela parentalidade intuitiva, pela comunicação não violenta, pelo direito à felicidade, pela criação de um mundo melhor para as futuras gerações. São pais conscientes da interconectividade de tudo e todos, conscientes do efeito borboleta, conscientes de que o bater das asas de uma borboleta num extremo do globo pode desencadear um tufão no outro lado.”

QUE É O NOSSO CASO, nós fomos movidos pela inspiração.

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3ª FASE – ESPERANÇA

Ressoando com esta fase quero falar-vos aqui de um livro de um autor português, António Torrado, “Da Escola Sem Sentido À Escola Dos Sentidos”. Soa a esperança!!!

(Nota: para aproveitar uma foto que já tinha tirado, figura aqui um outro livro, também muito interessante, sobre a educação)

Basicamente ele demonstra como a escola nos moldes atuais não faz qualquer sentido, porque não possibilita nem permite que a aprendizagem se faça naturalmente, usando todos os nossos sentidos, fazendo coisas, usando o tacto, cheirando, provando, ouvindo e vendo, queremos à força que as crianças aprendam algo apenas ouvindo o que os professores dizem, vendo eventualmente algumas imagens e o que o professor escreve no quadro e lendo (o que o professor escreve e textos e mais textos desconexos, ou um livro na íntegra, que seja…).

(abstrata!     🙂      ) deriva a partir de coisas que conheces, viste, sentiste, experimentaste, de alguma forma, ou não conseguirá fazer ligações, Vou derivar um pouco do livro e dizer algo que eu fui percebendo ao longo da vida: mesmo para quem tem facilidade em raciocínio abstrato (que é o mais altamente visado no sistema escolar), como eu sempre tive, o raciocínio abstrato não vem do nada. A palavra abstração tem a ver com a palavra subtração. Nos tempos em que me dediquei à pintura e ao estudo da história da arte e da estética (história dos valores, do que se valoriza, do que e a que se vai dando valor, que vão estando por detrás das obras de arte) percebi o que significa a arte abstrata para os artistas que estudam arte (não os naifs, isto sem qualquer julgamento, note-se por favor): abstrair quer dizer ir subtraindo partes, partindo de algo “completo” (o que implica termos conhecimento desse algo “completo”) focarmo-nos apenas em algumas partes ou numa só (no caso da arte abstrata só na forma, só na cor, só focando e explorando o suporte, por exemplo, ou num conjunto de algumas partes dos objetos em sentido lato). Raciocinar abstratamente significa raciocinar sobre partes e essas partes vêm de algum lado. A tua/minha/nossa mente inteligir.

Eu disse que o título “Da Escola Sem Sentido À Escola Dos Sentidos” soa a esperança, pois parece que então o ideal é criar uma escola dos sentidos. Sim, mas uma escola dos sentidos não se pode confinar a um edifício onde as crianças passam a maior parte do ano (mesmo que tenha jardins à volta e piscina!). A escola dos sentidos é todo o mundo à nossa volta, todo o universo, é o não-processo-de-escolarização, de-ensino-fragmentado e o sim-viver-cada-dia-integrado-em-tudo-o-que-vai-surgindo-decorrendo-ligando-criando-imaginando-ligando-cheirando-saboreando-mexendo-e-remexendo-vendo-ouvindo-ligando-sintonizando até através de outros canais, de outras frequências, como intuindo…

Então, mãos à obra, há que encontrar novas formas, ver se nos servem e nos fazem sentido, e mergulharmos de cabeça. Se continuarmos à espera, na esperança que um dia algo aconteça, então bem poderemos ficar eternamente à espera… Não podemos viver por procuração, através de outras pessoas/sociedade/governo/ideais/projetos que nunca executamos/o que for. Sei que muitas vezes temos vivendo assim (ou melhor, sobrevivendo), podemos sim ir descartando o que não tem a ver com cada um, o que deixámos que nos impusessem e voltar à nossa própria essência, orientarmo-nos por o que realmente nos faz sentido, cumprirmo-nos enquanto o ser (livre e como tal único responsável, integrado, multifacetado e uno), amoroso que somos.

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4ª FASE – QUESTIONAMENTO.

Para ressoar com esta fase vou falar-vos de um belo recurso para quem quer questionar, tentar perceber como funciona, ter dicas onde encontrar mais informação, ouvir sobre experiências dentro do assunto, falar das suas, etc., etc., isto no que concerne ao ensino doméstico e ao unschooling: os “grupos de discussão” (não me soa bem o nome, mas pronto, é o nome técnico) on-line. Há-os por todo o lado!

🙂

O primeiro em que me inscrevi foi o grupo do yahoo. Posteriormente um outro, na rede social ning. E mais recentemente no grupo do ensino doméstico do facebook e no das famílias em ensino doméstico também do facebook e no do unschooling portugal, também do facebook. Bem gerido, dá jeito (a todos os envolvidos, não só na perspetiva de receber, informações sobretudo, também na de dar, proporcionar acessos).

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5ª FASE – REINTEGRAÇÂO

O que será um unschooler reintegrado?

Não sei. Um unschooler integrado já tenho mais uns vislumbres.

O que me faz mais sentido é falar-vos em Unschooling por amor, Unschooling com amor, unschoolers amorosos e cheios de genica (que é uma palavra que diverte imenso o meu filho, ri-se às gargalhadas)!!!

(falto eu!          😉                  )

Há muitas coisas escritas em inglês, muitos testemunhos. Em português, para além de alguns posts daqui deste blog e do blog Pes Na Relva, que poderia escolher sobre a nossa “prática unschoolingiana”, onde há muito mais informação é recorrendo novamente ao blog da Paula Jardim, o Aprender Sem Escola. Cliquem na etiqueta “unschooling” ou na “aprendizagem autónoma” e vêm agrupados todos os posts que ela etiquetou com o assunto. No meio de tantos exemplos interessantes que vemos por lá, corro sempre o risco de, os que poucos que dá para escolher para aqui exemplificar (ou este post iria ser um lençol interminável digno de uma Rapunzel), não fazerem jus à riqueza que encontramos no Aprender Sem Escola (trabalho feito com amor pela Paula em pesquisa e traduções, grata Paula Jardim, por tudo!). Vou mesmo assim, referir três ou quatro posts:

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Uma unschooler cheia de talento
Excertos do post: ” Zoe Bentley, desescolarizada, é uma garota de 15 anos cheia de talento. Adora a exogeologia (o estudo da geologia em outros planetas) e quer trabalhar para a NASA. A exogeologia combina a sua paixão pela astronomia, geologia e pelo conceito de viagens no tempo.”

(…)

“Zoe cresceu em Sahuarita com a mãe, o pai e sua irmã Teagan, 11. Zoe e Teagan são educadas em casa pela mãe. No entanto, o termo que preferem é “unschooling”.

“Unschooling é um tipo de aprendizagem baseada em casa onde não se segue nenhum currículo”, diz a mãe. “Essencialmente, é a maneira em que os adultos e os bebês aprendem. No unschooling, os pais são facilitadores da aprendizagem em vez de professores”.

Entrevista a uma unschooler adolescente

Excertos do post: ” Para ti, qual é a melhor coisa do unschooling?
Unschooling é viver, pura e simplesmente. É sentir “fogo na barriga” e a mente a explodir, é estar sentado na sala numa noite de neve com uma xícara de chá lendo o nosso livro preferido até às tantas da manhã. É acordar às 5 da manhã para ver o sol nascer e depois voltar para a cama. É ver o estranho sentado ao teu lado tornar-se o teu melhor amigo numa hora. É viajar para ouvir o teu autor preferido dar uma palestra noutra cidade. É fazer trabalho voluntário na galeria de arte ou na livraria anarquista. É a vida e o que queres que ela seja.”

(…)

” Que empregos ou maneiras de ganhar dinheiro tens – ou tiveste?
O meu primeiro emprego foi um programa de emprego e formação contra a opressão, baseado nas artes, oferecido por um centro de artes e mídia dirigido por jovens. Depois disso, trabalhei para um jardim comunitário, a cuidar do jardim, capinar e plantar, mas também fazendo perguntas sempre que podia. O último trabalho foi com uma organizacao sem fins lucrativos, Environmental Youth Alliance, como estagiária durante seis meses. Foi um trabalho tão gratificante! Éramos cerca de 12 estagiários, cuidando de três hortas comunitárias. Aprendi imenso sobre a cidade em que vivo, outras maneiras de viver e comer, jardinagem, e quão valiosos são os lugares comunitários.”

Citações: Gandhi sobre a educação

Pequenino excerto do post: ” A verdadeira educação consiste em extrair o melhor de si mesmo. Que melhor livro pode haver do que o livro da humanidade?”

Os homeschoolers são idealistas?”

Excertos do post: “Peter Kowalke, um unschooler já crescido, pergunta se os homeschoolers são idealistas. No seu blog, ele escreve:

Somos idealistas porque não vemos a fragilidade humana e os males do mundo como fatos inevitáveis. Tentamos mudar as coisas para o melhor, tentamos melhorar-nos a nós próprios, e tentamos viver de acordo com os nossos ideais. Queremos SER o nosso ideal, e não apenas venerá-lo, por isso arregaçamos as mangas e fazemos dos nossos ideais a nossa realidade.”

(…)

“Mas para as crianças que não são matriculadas no jardim de infância ou na escola, elas não são idealistas. São apenas crianças.

E quando crescermos, talvez nos tornemos idealistas, porque aprendemos que ser quem somos é uma maravilhosa maneira de estar, e que, educacionalmente, os nossos interesses são significativos, e que as nossas vidas são nossas. Poderemos tentar salvar o mundo, criando fundações e grupos de apoio, começando pequenas revoluções. Ou levando tranquilamente as nossas perspectivas para onde formos, para o nosso trabalho, para os nossos relacionamentos… Não sei…

Como unschoolers e homeschoolers, não temos que lutar nenhuma batalha, podemos simplesmente ser quem somos. A nossa mera existência influencia o status quo. Não temos de mudar o mundo, podemos apenas desfrutar nossas próprias vidas.”

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“Definição” e Princípios do Unschooling

Vivam, bom dia!

Na coluna da direita aqui do blog, na parte das Categorias e no seu número 3-Unschooling, podem aceder aos vários posts que tenho colocado sobre o assunto, espelhando um pouco aquilo de que me fui apercebendo serem os princípios básicos do Unschooling, de uma “aprendizagem natural”.

Uma aprendizagem que no fundo não é aprendizagem. Como diz John Holt nalgum dos seus livros que li, já não me lembro qual (penso que em “Teach Your Own”, mas não tenho a certeza, agora…), nem sequer se trata de aprender e sim a criança ir-se apropriando do que o rodeia, isto é, ir vendo, sentindo, experienciando, como funciona o mundo à sua volta.

Isto suscita-me sempre uma imagem que para mim retrata o que exatamente trata isto de uma suposta aprendizagem. Quando penso no que é “aprender” assemelho sempre as crianças pequenas a uns extraterrestres que aterram por aqui e se vão surprendendo e fascinando “olha como eles fazem isto por aqui! Olha como funciona aqui! Olha, não levitamos e chamam-lhe gravidade!”

Mais ou menos isto…

😉

Assim, para mim, “aprender” às vezes até será “desaprender” e não é exatamente sinónimo de evoluir. Por isso gosto muito de observar e escutar as crianças. O que não implica que ache desnecessário esta parte de irmos vendo como as coisas funcionam por aqui, na Terra. E se soubermos como, no resto do Universo. É útil. É aqui que vivemos agora, não é verdade? Sem, no entanto, perdermos uma perspetiva mais ampla.

Essa descoberta de como funciona o mundo à nossa volta é intrínseca ao facto de viver, decorre naturalmente, não necessita propriamente de escola. É assim que eu entendo o Unschooling. É assim que o tenho vivido.

Introdução feita, hoje quero partilhar convosco a “Definição e Princípios do Unschooling”, que considero ser um excelente resumo, tradução livre da Marta Borges Pires (e com a sua expressa autorização) de textos extraídos do site da Sandra Dodd (http://sandradodd.com), diretamente referenciados em baixo (Nota: já tinha colocado há tempos um link para um post da Paula do Aprender Sem Escola com a sua tradução livre dos mesmo princípios):

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“O “unschooling” versa sobre a aprendizagem natural. Consiste na criação e manutenção, por parte dos pais, de um ambiente rico e estimulante em que as crianças podem seguir os seus interesses e as suas paixões. Envolve as crianças terem opções e os pais serem parceiros na aprendizagem dos seus filhos. Os pais facilitam, ajudam, encorajam, inspiram, guiam, apoiam e amam. As crianças aprendem, riem, brincam, descobrem, exploram, constroem, inventam, criam, resolvem quebra-cabeças, fazem puzzles, partem para aventuras e aprendem um pouco mais. Alguns pais estendem a filosofia do “unschooling” para além da componente académica e dão às crianças mais opções em todas as outras áreas das suas vidas (comida, horário de dormida, entre muitas outras áreas). A isto se chama “radical unschooling”.

 

Um esclarecimento sobre a utilização do termo “radical” neste contexto (retirado da página http://sandradodd.com/unschool/radical): para Kelly Lovejoy, o termo “radical” significa “profundo”, “ir ao cerne da questão, ao âmago” (“to the core”); para Sandra Dodd, é um tipo de “unschooling” que é real, profundo, comprometido, claro, que tem um propósito, que é focalizado, sentido, inteiro. E, de facto, pesquisando uma definição da palavra em português (ver http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/radical), cheguei ao seguinte resultado:

 

Radical

Adjetivo de 2 géneros

1. relativo a raiz

2. fundamental, básico, essencial

3. completo, total

4. drástico, profundo (…)

(Do latim radicāle-, «da raiz»)

Os princípios subjacentes ao “unschooling”, segundo Pam Sorooshian, são os seguintes (http://sandradodd.com/pam/principles):

 

A aprendizagem acontece a toda a hora. O cérebro nunca pára de funcionar e não é possível dividir o tempo em “períodos de aprendizagem” versus “períodos de não-aprendizagem”. Tudo aquilo que acontece à volta da pessoa, tudo aquilo que a pessoa ouve, vê, toca, cheira e saboreia resulta numa aprendizagem de algum tipo.

 

A aprendizagem não requer coacção. De facto, a aprendizagem não pode ser forçada contra a vontade de alguém. A coacção faz-nos sentir mal e cria resistência.

 

Aprender sabe bem. É gratificante e intrinsecamente recompensador. Recompensas irrelevantes podem ter efeitos secundários não pretendidos, que não apoiam a aprendizagem.

 

A aprendizagem pára quando a pessoa está confusa. Tudo o que é aprendido tem de se ligar a algo que a pessoa já conhece/sabe, sendo que, na maioria das vezes, este processo acontece de uma forma não linear.

 

A aprendizagem torna-se difícil quando a pessoa está convencida de que aprender é difícil. Infelizmente, a maior parte dos métodos de ensino pressupõe que aprender é difícil e essa é a lição que é realmente “ensinada” aos alunos.

 

A aprendizagem deve ter um significado. Quando a pessoa não consegue entender o porquê, quando não sabe de que forma é que a informação está relacionada ou é útil no mundo real, então a aprendizagem é superficial e temporária – não é uma aprendizagem “real”.

 

A aprendizagem é, muitas vezes, acidental. Isto significa que nós aprendemos enquanto estamos ocupados com actividades de que gostamos por si próprias e a aprendizagem acontece como uma espécie de “efeito secundário”.

 

A aprendizagem é, muitas vezes, uma actividade social e não algo que acontece em isolamento. Nós aprendemos com as outras pessoas que têm as capacidades e os conhecimentos que nos interessam e que nos deixam aprender com elas das mais variadas formas.

 

Nós não temos de ser testados para descobrirmos o que aprendemos. A aprendizagem será demonstrada à medida que utilizarmos novas competências e falarmos com conhecimento acerca de um tópico.

 

Os sentimentos e o intelecto não são opostos, nem sequer são coisas separadas. Toda a aprendizagem envolve as emoções, bem como o intelecto.

 

Aprender requer uma sensação de segurança. O medo bloqueia a aprendizagem. A vergonha e o embaraço, o stress e a ansiedade, bloqueiam a aprendizagem.”

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