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Simpósio Sandra Dodd em Lisboa e Coisas que temos andado a fazer… V

Vivam, bom dia!

Conforme anunciei neste outro post, a 1 e 2 de Junho aconteceu em Lisboa, o Simpósio sobre Unschooling com a presença da Sandra Dodd e da Joyce Fetteroll (ambas mães unschoolers, americanas, com filhos já adultos que não frequentaram a escola e têm bons desempenhos nas tarefas que mais gostam de fazer (trabalho), tendo crescido saudáveis e felizes) e vários pais interessadíssimos no tema.

Alguns pais levaram também as suas crianças, pois havia um espaço de brincadeira para elas.

O simpósio correu lindamente, graças também ao empenho da sua organizadora, a Marta Pires.

Os “subtemas” abordados foram os que constavam do programa: 1- Boas-vindas e apresentação das oradoras; 2- Sandra Dodd – “As origens das ideias sobre o movimento norte-americano da “Open Classromm”, e John Holt e a reforma da escola; Como funciona o unschooling”; 3- Joyce Fetteroll e Sandra Dodd – “Aprender e Ensinar”; 4 – Sandra Dodd – “Desescolarização (deschooling)”; 5 – Joyce Fetteroll – “Caixa de Ferramentas para o Unschooling (1ª parte) e (2ªa parte: perguntas e respostas); 6 – Joyce Fetteroll – “Porque não conseguem relaxar e deixar ir”; 7 – Sandra Dodd – “Escolhas e Parcerias na Família”; 8 – Sandra Dodd – “Benefícios Imprevistos do Unschooling”; 9 – Sandra Dodd e Marta Pires – “Perguntas Frequentes sobre o Unschooling; 10 – “Sessão de Perguntas e respostas; 11 – “Encerramento e despedidas”.

Esteve ainda presente uma jornalista da Notícias Magazine, revista do Jornal de Notícias que desenvolveu uma reportagem sobre o simpósio e o tema Unschooling que sairá oportunamente. Quando souber a data da sua publicação, voltarei a falar-vos aqui.

A Sandra Dodd e a Joyce, na semana seguinte, vieram cá a casa com a Marta (depois de terem ido visitar Sintra) e tiraram algumas fotos (à pintura da nave espacial feita pelo Alexandre, à pintura da árvore de parede do quarto da Celina…). O Alexandre quiz logo saber em que local dos Estados Unidos moram elas, abriu o Google Earth e lá estiveram os três a localizar as casas de ambas (uma em Albuquerque, outra em Boston), muito divertidos. Também cá estava a mana Celina que esteve a conversar com a Sandra sobre a sua filha Holly, pois são ambas da mesma idade e, pelo que disse a Sandra, algo parecidas na maneira de vestir (tanto o Alexandre como a Celina e a catarina não tinham estado no simpósio).

🙂

Foram uns belos e proveitosos dias, belos dias para todos vós!

Beijinhos

Isabel

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Caderno Verde

Coisas que temos andado a fzer nestes últimos três meses (V)… para além das outras coisas que tenho contado por aqui.

– Parece que andamos na fase dos documentários. Este, sobre a Pirâmide Urbana (uma cidade em forma de pirâmide) projetada para Tóquio (inspirada obviamente na forma das antigas pirâmides), o Alexandre já tinha visto há uns meses atrás e voltou a querer vê-lo de novo, pois andam outra vez a passá-lo no Discovery Channel no programa “Mega-Construções”. Revimo-lo, portanto e desta vez gravámo-lo para um CD,

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assim como vimos e gravámos mais 4 documentários também do programa Mega-Construções” do Discovery Channel: um sobre a ponte (também ainda apenas em projeto) sobre o estreito de Bering que ligará a América (Alasca) à Ásia (Rússia); um outro sobre o túnel transatlântico (também em projeto) estudado para ligar a América do Norte à Europa (túnel submarino); um sobre a construção do túnel sob os  Alpes, na Suíça e um outro sob a construção do aeroporto de Hong-Kong. Vimo-los também umas duas vezes cada documentário (por agora…).

Também já vimos quatro vezes (embora ainda o não tenhamos gravado, mas vamos gravá-lo entretanto _ faltaram-nos os cds virgens) um outro documentário sobre os diques nos Países Baixos e uma outra obra de engenharia para que as terras baixas não sejam constantemente inundadas e dizimada a sua população (tal como aconteceu em 1953) e este fez com que o Alexandre andasse a estudar melhor o mapa da Holanda e as suas cidades de Amsterdão e Roterdão (e a ter vontade de ir visitá-las!). E também andou a analisar o mapa da Europa e mostrou-me uma forma que engendendrou de aumentar em 1 ou 2% a quantidade de água doce do planeta…

😉

– Mais desenhos em planta e mapas

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(outra versão do mapa de Lisboa com a sua ponte 25 de Abril e o seu aeroporto)

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(o mapa da Ilha dos Ratos, dos livros de “Gerónimo Stilton”)

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(aqui o mapa que vem nos livros)

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– Estiveram cá uns amigos a brincar (três irmãos), o Alexandre a jogar xadrez com o mais velho.

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Unschooling, Além Teorias.

O que mais me encanta relativamente ao unschooling é que o unschooling não é uma teoria.

Logo desde o início que tive contacto com o tema o que me fez perceber que o que estava a ler nos livros de John Holt fazia muito sentido foi o facto de conseguir identificar, a cada aspecto de como as crianças aprendem que ia lendo, que era assim mesmo que se tinha passado em determinadas situações com os meus filhos, sobretudo com este meu mais novo que nunca tinha frequentado qualquer infantário/jardim infantil .

Uma das coisas muito engraçadas porque eu tinha observado antes de ter lido sobre esse aspecto num dos livros de John Holt foi a questão de eles não gostarem que lhes debitemos informação para além da que especificamente solicitam (contei na altura essa pequena história aqui no blog (na parte do Caderno Verde), nós íamos de carro no IC19 que na altura estava em obras e ele perguntou-me como é que se chamavam os camiões do cimento e eu para além de lhe responder diretamente desatei a falar-lhe do betão e de vigas e de pilares até ele me mandar parar que não queria saber nada disso e só me tinha perguntado o nome do camião, só queria saber exatamente isso e mais nada; dali a uns dias li sobre situações do género num dos livros de John Holt, “Learning All The Time”_ tal como o contei depois neste outro post . Depois, uma outra família contou sobre como constatou o mesmo).
E agora que ando a ler o Big Book Of Unschooling da Sandra Dodd, tem-me acontecido o mesmo, isto é, a cada parte do livro verifico que o que ela diz que acontece com a aprendizagem natural é mesmo “universal”, digamos, pois muuuuiiiitos dos aspectos se têm verificado também com o meu filho (que hoje tem 9 anos); um dos que li agora há pouco e achei engraçadíssimo: a dada altura a Sandra dá exemplos de vários jogos interessantes que podemos propor jogarmos com eles (os nossos filhos) e frisa que caso eles não queiram seguir as regras do jogo para não insistirmos que as sigam e deixar solto a ver o que acontece e isso faz muito eco com o que aconteceu com o meu pequeno;  a dada altura ele próprio me pediu para lhe dizer como é que se jogava xadrez,  e eu fui-lhe transmitindo as regras frente ao nosso tabuleiro, só que ele desistiu de jogar com as regras e inventou outras e depois até inventou novos bonecos (com os seus de Lego) para substituir as peças do tabuleiro) e entretivémo-nos horas dessa maneira; mais tarde continuou a jogar a sua variação do xadrez com as suas irmãs e cunhado e até lhe chamou outro nome “jogo de sadrêsss”; até que passados uns tempos começou a jogar com as regras tal e qual e joga bem, já nos ganha a quase todos! Mas de vez em quando, para variar, ainda quer jogar o sadrêsss em vez de xadrez. 😉

Onde quero chegar: àquilo por onde comecei_ se deixarmos que a aprendizagem naturalmente aconteça ela acontece da mesma maneira para todas as crianças, é universal e vê-se na prática, não é uma teoria (muito embora existam muitas variações de criança para criança, não na parte de como funciona, mas na parte do quando e dos aspetos da aprendizagem que vão focando ora uns ora outros, por terem gostos e interesse diversos).

Beijinhos e belos dias para todos,

Isabel

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Caderno verde

Onde Está o Xanti?

Uma brincadeira que ele empreende frequentes vezes quando está cá um dos primos, ou a vizinha ou mesmo para que um de nós entre na dança (também se esconde sob os lençóis da nossa cama e também gosta de aparecer sob um lençol ou toalha a fazer de fantasma).

😉

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Unschooling_Algumas Características e Ciência Para Ti II

Vivam, bom dia!

Aproveitando os últimos cinco posts, hoje coloco alguns pontos para reflexão relacionados com algumas características inerentes ao unschooling:

1 – Naturalmente, “o unschooling não entra de férias”.

Tal como no resto do ano, os meses de Verão são ótimos para a “aprendizagem” e as crianças continuam (sempre) com o seu “putting meaning into the world” como diz John Holt_ se desejarem vejam aqui, no capítulo 3 (encontrei na net este pdf com o livro “Learning All The Time”, de John Holt):

Learning All The Time (PDF)

2 – Algumas pessoas pensam que em unschooling os pais não têm muito trabalho, não ensinam, é apenas deixar que as crianças “aprendam sozinhas”.

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Não ensinamos, não, mas temos muito trabalho (embora seja um prazer e já a minha avó dizia “quem corre por gosto não cansa”), pois estamos sempre presentes (ora um ora outro, no nosso caso), toda a família está envolvida (também no nosso caso) e todos estamos sempre muito atentos e lembramo-nos (e arranjamos) de tudo o que possa servir para apoiar o nosso filho mais novo nos seus interesses e pesquisas e concretizações. E ele não “aprende sozinho” e sim, em conjunto connosco e fazemos muitas atividades juntos.

Ao mesmo tempo é algo que também proporcionamos a nós próprios, os restantes membros da família, apoiamo-nos mutuamente nos nossos interesses pessoais, pesquisas, projetos e concretizações.

Somos partners e companheiros e muito amigos, todos temos a nossa palavra, as nossas opiniões e participamos nas decisões que têm a ver com todos e, quanto a mim, só assim é que o unschooling pode funcionar bem.

Nota: Como viram nos posts anteriores, procurar e proporcionar recursos tem dois aspectos interessantes, quanto a mim, a destacar:

1 – Não necessariamente se tem que gastar muito (nós, por exemplo, já teríamos gasto muito mais se em todos estes anos o nosso filho frequentasse a escola_ em livros escolares e em material escolar, em alimentação e em roupa e nas viagens diárias se a escola fosse algo longe de casa), se comprar um mapa ainda custa algum dinheiro, aproveitar revistas de outras pessoas, por exemplo, ou outros recursos que surjam espontaneamente, nada custam; e as prendas, por exemplo, podem ser bem escolhidas; está certo que fazemos algumas viagens, sobretudo de comboio, mas nas idas aos museus, conseguimos muitas vezes visitas grátis.

2 –  Ao adquirir ou arranjar certos elementos de apoio, como comprar um caderno de folhas de desenho ou o quadro magnético, por exemplo, não temos em atenção o seu “grau de didatismo” e tão pouco o que consideramos serem uns “materiais mesmo bons, mesmo giros” que agradam muito à pessoa que os compra/adquire/encontra; o foco é apenas o que nos parece que vá interessar mesmo ao Alexandre e despoletar novas pesquisas, novos desenvolvimentos, fazê-lo vibrar, independentemente se achamos mesmo bons/giros/interessantes para nós ou não; por exemplo, eu posso gostar muito de um brinquedo de madeira giríssimo ou de umas barras cuisenaire, mas não invisto na sua aquisição, se não tiver quase a certeza que sejam “bem-recebidas”; por outro lado, se me cheirar que vai “haver uma festa” de atividade, isto é, que determinada coisa será explorada quase até à exaustão pelo meu filho (como por exemplo comprar o kit de montagem da maquete do Empire State Building), não hesito em gastar os 10 euros que custa (quando ainda está dentro do orçamento mensal_ e eu não gosto especialmente do Empire State Building); e, por exemplo, nós temos um ábaco cá em casa, que um cliente do Pedro lhe ofereceu, poderia não ter tido qualquer sucesso, mas até teve, o Alexandre entusiasmou-se logo com as contas feitas com a ajuda do ábaco, isto é, quando nos oferecem algo, vemos se é aproveitado ou não e se não suscitar logo interesse mantemo-lo em stand by, pois às vezes, mais tarde, vem a ter o seu uso.

Beijinhos para todos e belos momentos de putting meaning into the world!

Isabel

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Caderno Verde

Ciência Para Ti II

Uma prenda da mana Catarina e do Bato, continuando o recurso aos kits “Science 4 you” (ver aqui neste outro post, na parte do Caderno Verde).

Este kit dá para construir, praticamente com as mesmas peças, 6 pequenos robôs solares (moinho solar, avião solar, avião rotativo solar, barco solar, cão-robô solar e carro solar). O Alexandre escolheu o barco (pode ainda desmontá-lo e montar outro robô). O kit traz um livrinho, não só com as instruções de montagem, mas também com alguma informação sobre fontes de energia e as energias renováveis e com sugestões de algumas experiências a realizar que envolvem outros conceitos (físicos, matemáticos). Já realizámos umas duas experiências, mas ainda há muito para explorar.

Nem sempre “esgotamos as possibilidades à primeira”. O barco solar tem andado pelas várias divisões da casa (e o livrinho também), ora se junta a outros barcos e navios numa qualquer brincadeira, ora suscita novas experiências e pesquisas (tem acontecido com outros “recursos”, passado um ano ou dois, voltarem a ser motores de outras novas e mais profundas abordagens de determinados assuntos/temas).

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Informação sobre o Unschooling Ressonante com a BCAP

Ora aqui está o encerramento em beleza da Coletiva Amor Aos Pedaços promovida pelas Rute, Rosélia e Rosa (Luma).

À semelhança do que aconteceu na coletiva anterior (Fases da Vida), a ideia é, no final, ressoarmos com as diversas fases que compuseram esta coletiva, usando um tema. Na coletiva anterior ressoei com informações sobre livros, filmes, cd’s com exercícios, workshops  e outros recursos que nos ajudam a abrir perspetivas e melhorar de vida. Para esta, ressoo com informações/recursos para o entendimento do Unschooling, também uma forma (amorosa!!!) de vida.

🙂

Assim para não me estender muito e para inserir no assunto quem não esteja e queira, lembro-vos um post onde coloquei os princípios do Unschooling segundo a Pam Sorooshian.

E agora as ressonâncias:

1ª FASE – ENCANTAMENTO

Foi com encanto que descobri o que é o Unschooling, através deste livro (um dos seus primeiros) de John Holt, precisamente o autor do termo Unschooling.

Como As Crianças Aprendem é um livro baseado na experiência, em vivências, em observação amorosa (não em teorias).

É difícil escolher um pequeno trecho como citação e que represente o livro, pois todo o livro é recheado de evidências que nos fazem entender, por ser naturalmente assim. Vou colocar aqui algo, que vem mesmo no Prefácio e que tem a ver com amor!!!

🙂

“Tudo o que quero dizer neste livro pode ser resumido em três palavras: confiemos nas crianças. Nada poderia ser, ao mesmo tempo, mais simples e mais difícil. Difícil porque, para confiar nas crianças, devemos confiar em nós mesmos. E a maioria de nós aprendeu, quando criança, que não somos confiáveis. Continuamos, por isso, tratando as crianças como fomos tratados. E chamamos a isso de “realidade”. Vez ou outra dizemos, com certo travo de amargura: “Se consegui aguentar, elas também conseguem”. Afirmo que precisamos quebrar esse ciclo de medo e desconfiança. Precisamos confiar nas crianças, embora não tenham confiado em nós quando éramos como elas. Fazer isso será um grande acto de fé. E grandes recompensas aguardam aqueles que de nós forem capazes desse acto.”

Para quem estiver interessado em saborear alguns textos, linko aqui alguns dos posts deste blog onde coloquei alguns excertos para reflexão:

Ensino Doméstico (Homeschooling) e John Holt
Aprender por Saltos
Seguindo os seus interesses
Seguindo os seus interesses II
Seguindo os seus interesses III
Representações, Abstracções, Símbolos… Falar, Ler, Escrever II
Projectos _ ideias a implementar por várias pessoas em vários locais diferentes

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2ª FASE – DESENCANTO

Não foi o nosso caso, mas há muitos casos em que pessoas chegam ao Ensino Doméstico e muitas vezes, mesmo ao Unschooling (que pode ser considerado uma das vertentes do ensino doméstico), pelo desencanto com o que se passa nas escolas. Desde desinteresse completo da criança, a abusos e a bulling.

Sobre situações de desencantos há muitos relatos no blog da Paula, Aprender Sem Escola. Mas também muitas situações de encantamento e de sucesso (essas as que têm a ver com o ensino doméstico e o unschooling).

Vou remeter-vos aqui para estes seus dois posts, à volta do mesmo tema: A motivação que nos leva ao ensino doméstico” (inspiração ou desespero?) e “A motivação que nos leva ao ensino doméstico II“. E também aqui pare este:O que está errado com a educação? A escola!” , que me leva sempre a pensar no que está por detrás, nas origens da escolaridade obrigatória (compulsória).

Vou seleccionar aqui primeiro um excerto destes posts (podendo, leiam-nos na íntegra, ou perderão todo o sumo…):

“Infelizmente, a verdade é que existem muitas famílias que retiram os filhos do sistema escolar por desespero. São pais cansados de ver os filhos sofrendo por causa do bullying e violência escolar que leva tantos estudantes ao suicídio. São pais cansados de ver o impacto negativo da frequência escolar nos filhos especiais. São pais de crianças com dispraxia, dislexia, síndrome de asperger, déficit de atenção e hiperatividade, etc, que chegaram à conclusão de que a escola não tem a capacidade de cuidar, muito menos educar e nutrir as necessidades dos seus filhos.”

E como devem ter percebido na minha participação sobre o desencanto na coletiva Amor Aos Pedaços, eu não considero o desencanto uma fase do amor, para mim desencanto tem mesmo a ver com o desamor (também é possível que de situações de desamor se vislumbre o amor ao fundo do túnel mas, quanto a mim, não é absolutamente necessário passar por elas para se ser amoroso e viver em amor), então este outro excerto dos posts da Paula:

“Por outro lado, existem cada vez mais pessoas que se sentem cheias de inspiração, pessoas cujo impulso para a educação domiciliar vem de uma visão positiva do que querem alcançar. Para elas, o ensino doméstico não é uma forma de se libertarem de um pesadelo mas um sonho que querem tornar realidade. Para estes pais, o homeschooling e/ou o unschooling faz parte integral do seu projeto de vida.

São pais inspirados pelos direitos das crianças, pela liberdade na aprendizagem, pela educação democrática, pela parentalidade intuitiva, pela comunicação não violenta, pelo direito à felicidade, pela criação de um mundo melhor para as futuras gerações. São pais conscientes da interconectividade de tudo e todos, conscientes do efeito borboleta, conscientes de que o bater das asas de uma borboleta num extremo do globo pode desencadear um tufão no outro lado.”

QUE É O NOSSO CASO, nós fomos movidos pela inspiração.

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3ª FASE – ESPERANÇA

Ressoando com esta fase quero falar-vos aqui de um livro de um autor português, António Torrado, “Da Escola Sem Sentido À Escola Dos Sentidos”. Soa a esperança!!!

(Nota: para aproveitar uma foto que já tinha tirado, figura aqui um outro livro, também muito interessante, sobre a educação)

Basicamente ele demonstra como a escola nos moldes atuais não faz qualquer sentido, porque não possibilita nem permite que a aprendizagem se faça naturalmente, usando todos os nossos sentidos, fazendo coisas, usando o tacto, cheirando, provando, ouvindo e vendo, queremos à força que as crianças aprendam algo apenas ouvindo o que os professores dizem, vendo eventualmente algumas imagens e o que o professor escreve no quadro e lendo (o que o professor escreve e textos e mais textos desconexos, ou um livro na íntegra, que seja…).

(abstrata!     🙂      ) deriva a partir de coisas que conheces, viste, sentiste, experimentaste, de alguma forma, ou não conseguirá fazer ligações, Vou derivar um pouco do livro e dizer algo que eu fui percebendo ao longo da vida: mesmo para quem tem facilidade em raciocínio abstrato (que é o mais altamente visado no sistema escolar), como eu sempre tive, o raciocínio abstrato não vem do nada. A palavra abstração tem a ver com a palavra subtração. Nos tempos em que me dediquei à pintura e ao estudo da história da arte e da estética (história dos valores, do que se valoriza, do que e a que se vai dando valor, que vão estando por detrás das obras de arte) percebi o que significa a arte abstrata para os artistas que estudam arte (não os naifs, isto sem qualquer julgamento, note-se por favor): abstrair quer dizer ir subtraindo partes, partindo de algo “completo” (o que implica termos conhecimento desse algo “completo”) focarmo-nos apenas em algumas partes ou numa só (no caso da arte abstrata só na forma, só na cor, só focando e explorando o suporte, por exemplo, ou num conjunto de algumas partes dos objetos em sentido lato). Raciocinar abstratamente significa raciocinar sobre partes e essas partes vêm de algum lado. A tua/minha/nossa mente inteligir.

Eu disse que o título “Da Escola Sem Sentido À Escola Dos Sentidos” soa a esperança, pois parece que então o ideal é criar uma escola dos sentidos. Sim, mas uma escola dos sentidos não se pode confinar a um edifício onde as crianças passam a maior parte do ano (mesmo que tenha jardins à volta e piscina!). A escola dos sentidos é todo o mundo à nossa volta, todo o universo, é o não-processo-de-escolarização, de-ensino-fragmentado e o sim-viver-cada-dia-integrado-em-tudo-o-que-vai-surgindo-decorrendo-ligando-criando-imaginando-ligando-cheirando-saboreando-mexendo-e-remexendo-vendo-ouvindo-ligando-sintonizando até através de outros canais, de outras frequências, como intuindo…

Então, mãos à obra, há que encontrar novas formas, ver se nos servem e nos fazem sentido, e mergulharmos de cabeça. Se continuarmos à espera, na esperança que um dia algo aconteça, então bem poderemos ficar eternamente à espera… Não podemos viver por procuração, através de outras pessoas/sociedade/governo/ideais/projetos que nunca executamos/o que for. Sei que muitas vezes temos vivendo assim (ou melhor, sobrevivendo), podemos sim ir descartando o que não tem a ver com cada um, o que deixámos que nos impusessem e voltar à nossa própria essência, orientarmo-nos por o que realmente nos faz sentido, cumprirmo-nos enquanto o ser (livre e como tal único responsável, integrado, multifacetado e uno), amoroso que somos.

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4ª FASE – QUESTIONAMENTO.

Para ressoar com esta fase vou falar-vos de um belo recurso para quem quer questionar, tentar perceber como funciona, ter dicas onde encontrar mais informação, ouvir sobre experiências dentro do assunto, falar das suas, etc., etc., isto no que concerne ao ensino doméstico e ao unschooling: os “grupos de discussão” (não me soa bem o nome, mas pronto, é o nome técnico) on-line. Há-os por todo o lado!

🙂

O primeiro em que me inscrevi foi o grupo do yahoo. Posteriormente um outro, na rede social ning. E mais recentemente no grupo do ensino doméstico do facebook e no das famílias em ensino doméstico também do facebook e no do unschooling portugal, também do facebook. Bem gerido, dá jeito (a todos os envolvidos, não só na perspetiva de receber, informações sobretudo, também na de dar, proporcionar acessos).

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5ª FASE – REINTEGRAÇÂO

O que será um unschooler reintegrado?

Não sei. Um unschooler integrado já tenho mais uns vislumbres.

O que me faz mais sentido é falar-vos em Unschooling por amor, Unschooling com amor, unschoolers amorosos e cheios de genica (que é uma palavra que diverte imenso o meu filho, ri-se às gargalhadas)!!!

(falto eu!          😉                  )

Há muitas coisas escritas em inglês, muitos testemunhos. Em português, para além de alguns posts daqui deste blog e do blog Pes Na Relva, que poderia escolher sobre a nossa “prática unschoolingiana”, onde há muito mais informação é recorrendo novamente ao blog da Paula Jardim, o Aprender Sem Escola. Cliquem na etiqueta “unschooling” ou na “aprendizagem autónoma” e vêm agrupados todos os posts que ela etiquetou com o assunto. No meio de tantos exemplos interessantes que vemos por lá, corro sempre o risco de, os que poucos que dá para escolher para aqui exemplificar (ou este post iria ser um lençol interminável digno de uma Rapunzel), não fazerem jus à riqueza que encontramos no Aprender Sem Escola (trabalho feito com amor pela Paula em pesquisa e traduções, grata Paula Jardim, por tudo!). Vou mesmo assim, referir três ou quatro posts:

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Uma unschooler cheia de talento
Excertos do post: ” Zoe Bentley, desescolarizada, é uma garota de 15 anos cheia de talento. Adora a exogeologia (o estudo da geologia em outros planetas) e quer trabalhar para a NASA. A exogeologia combina a sua paixão pela astronomia, geologia e pelo conceito de viagens no tempo.”

(…)

“Zoe cresceu em Sahuarita com a mãe, o pai e sua irmã Teagan, 11. Zoe e Teagan são educadas em casa pela mãe. No entanto, o termo que preferem é “unschooling”.

“Unschooling é um tipo de aprendizagem baseada em casa onde não se segue nenhum currículo”, diz a mãe. “Essencialmente, é a maneira em que os adultos e os bebês aprendem. No unschooling, os pais são facilitadores da aprendizagem em vez de professores”.

Entrevista a uma unschooler adolescente

Excertos do post: ” Para ti, qual é a melhor coisa do unschooling?
Unschooling é viver, pura e simplesmente. É sentir “fogo na barriga” e a mente a explodir, é estar sentado na sala numa noite de neve com uma xícara de chá lendo o nosso livro preferido até às tantas da manhã. É acordar às 5 da manhã para ver o sol nascer e depois voltar para a cama. É ver o estranho sentado ao teu lado tornar-se o teu melhor amigo numa hora. É viajar para ouvir o teu autor preferido dar uma palestra noutra cidade. É fazer trabalho voluntário na galeria de arte ou na livraria anarquista. É a vida e o que queres que ela seja.”

(…)

” Que empregos ou maneiras de ganhar dinheiro tens – ou tiveste?
O meu primeiro emprego foi um programa de emprego e formação contra a opressão, baseado nas artes, oferecido por um centro de artes e mídia dirigido por jovens. Depois disso, trabalhei para um jardim comunitário, a cuidar do jardim, capinar e plantar, mas também fazendo perguntas sempre que podia. O último trabalho foi com uma organizacao sem fins lucrativos, Environmental Youth Alliance, como estagiária durante seis meses. Foi um trabalho tão gratificante! Éramos cerca de 12 estagiários, cuidando de três hortas comunitárias. Aprendi imenso sobre a cidade em que vivo, outras maneiras de viver e comer, jardinagem, e quão valiosos são os lugares comunitários.”

Citações: Gandhi sobre a educação

Pequenino excerto do post: ” A verdadeira educação consiste em extrair o melhor de si mesmo. Que melhor livro pode haver do que o livro da humanidade?”

Os homeschoolers são idealistas?”

Excertos do post: “Peter Kowalke, um unschooler já crescido, pergunta se os homeschoolers são idealistas. No seu blog, ele escreve:

Somos idealistas porque não vemos a fragilidade humana e os males do mundo como fatos inevitáveis. Tentamos mudar as coisas para o melhor, tentamos melhorar-nos a nós próprios, e tentamos viver de acordo com os nossos ideais. Queremos SER o nosso ideal, e não apenas venerá-lo, por isso arregaçamos as mangas e fazemos dos nossos ideais a nossa realidade.”

(…)

“Mas para as crianças que não são matriculadas no jardim de infância ou na escola, elas não são idealistas. São apenas crianças.

E quando crescermos, talvez nos tornemos idealistas, porque aprendemos que ser quem somos é uma maravilhosa maneira de estar, e que, educacionalmente, os nossos interesses são significativos, e que as nossas vidas são nossas. Poderemos tentar salvar o mundo, criando fundações e grupos de apoio, começando pequenas revoluções. Ou levando tranquilamente as nossas perspectivas para onde formos, para o nosso trabalho, para os nossos relacionamentos… Não sei…

Como unschoolers e homeschoolers, não temos que lutar nenhuma batalha, podemos simplesmente ser quem somos. A nossa mera existência influencia o status quo. Não temos de mudar o mundo, podemos apenas desfrutar nossas próprias vidas.”

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Reintegração_ 5ª fase da BCAP

Vivam, bom dia!

Hoje participo na 5ª e última fase da Coletiva Amor Aos Pedaços proposta pelas 3 Rs (Rute, Rosélia e Rosa Luma_ vejam aqui a listagem de todas as participações).

E para não furar as expectativas da Luma

😀

vou alterar o nome desta fase também e em vez de lhe chamar Reintegração, vou chamar-lhe

O Amor Está em Toda a Parte

Pois que considero que não nos reintegramos por nunca termos estado desintegrados, apenas na ilusão de o estarmos e assim que assumimos que somos Um Ser inteiro, único, perfeito e harmónica e eternamente integrado (ou que significado terá então o que se diz muitas vezes hoje em dia que “Somos Todos Um”?), toda a ilusão se esfuma e sabemos Quem Somos (Um, efetivamente a unicidade e a eternidade_ não somos imperfeitos em busca da perfeição, não involuímos e evoluímos, não nos desintegramos e voltamos a integrar, não somos um pedaço, não somos uma parte do todo, não somos uma metade eternamente à procura da nossa outra metade, da nossa alma gémea. Pressupostos que têm andado a ajudar a manter-nos afastados de assumir quem verdadeiramente somos. Digamos que às vezes, temos as “baterias em baixo” (ou deixamo-las ir abaixo) e até serem recarregadas ou trocarmos de bateria o sistema parece apresentar falhas) e que Somos e Irradiamos Amor.

(Grata ao Robiyn_ a quem conheço “ao vivo” e com quem convivi (e convivo ainda) um já considerável número de dias_, a David Icke, a Ikeala Lew Len, a Vladimir Megre e Anastásia, por todo o seu trabalho, dedicação e amor, por me terem ajudado a ver, a experimentar, a praticar, a sentir e a saber o que acabei de resumir muito resumido, sintetizar, em cima).

Sem mais delongas, deixo-vos algumas fotos (das mais recentes) de momentos onde senti, expressei ou senti expresso o Amor (momentos onde deixei que a ilusão se esfumasse, onde não me agarrei com unhas e dentes à ilusão e que têm sido cada vez mais frequentes).

Grata ao meu Marido Pedro, por tudo, adoro estes momentos em que andamos de mão dada, simplesmente a desfrutar da Natureza, da Beleza, do Amor. Amo-o.

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Grata aos meus Filhos que a toda a hora me manifestam Amor. Amo-os (aqui o meu post “O Amor É…, para saberem do que trata a foto).

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Grata à Rua onde costumo estacionar o Carro (e ao Carro, por me transportar todos os dias) para depois descer andando um pouco a pé até ao meu Local de Trabalho. Amo o Túnel belo que estas Árvores formam (grata a todas elas), irradiando Beleza e Amor, proporcionando Sombra em Tempo Quente e despindo-se em Tempo Frio.

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Grata ao nosso Gato que simplesmente está connosco e nos anima com a sua animação. Amo-o.

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Grata ao Sol que me alimenta, ao Mar onde me banho, à Areia que me aquece e nos serve de material de construção dos nossos Castelos de Sonho. Amo-os.

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Grata à Neblina Matinal que nos dá esta imagem deslumbrante desde a nossa Varanda (e grata à nossa Varanda e à nossa Casa e à Casa que o nosso Planeta É). Amo-as.

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Grata à Chávena linda e amorosa de onde saboreio o meu chá e a Quem a fez (e grata a todas as Plantas e Frutas com que são feitos os Chás que bebo, tranquilamente, saboreando cada golo) que me foi oferecida pelos meus queridos Filhos neste último Dia da Mãe, pois que sabem que ia ter muita utilidade e proporcionar-me muitos momentos zen. Amo-a.

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Amo os momentos em estivémos a pintar as paredes do quarto que vai ter nova utilização (o que nos divertimos a planear e depois a executar), amo os momentos em que cuidamos uns dos outros quando cada um está com as “baterias em baixo”, amo os momentos em que somos anfitriões e os momentos em que somos visitas, têm sido frequentes nestes últimos três meses.

Amo a nossa mais recente vivência em unschooling. Grata a John Holt pelo seu trabalho inspirador.

Grata a todos os Momentos Mágicos das nossas Vidas, que são uma Vida só… Amo-os.

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Grata às Organizadoras desta Coletiva. Grata a Todos Vós. Amo-vos.

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Poderia estar mais um dia e outro ainda enumerando uma lista maior ainda… o Amor Está em Todo o Tempo e Todo o Lugar…

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“Definição” e Princípios do Unschooling

Vivam, bom dia!

Na coluna da direita aqui do blog, na parte das Categorias e no seu número 3-Unschooling, podem aceder aos vários posts que tenho colocado sobre o assunto, espelhando um pouco aquilo de que me fui apercebendo serem os princípios básicos do Unschooling, de uma “aprendizagem natural”.

Uma aprendizagem que no fundo não é aprendizagem. Como diz John Holt nalgum dos seus livros que li, já não me lembro qual (penso que em “Teach Your Own”, mas não tenho a certeza, agora…), nem sequer se trata de aprender e sim a criança ir-se apropriando do que o rodeia, isto é, ir vendo, sentindo, experienciando, como funciona o mundo à sua volta.

Isto suscita-me sempre uma imagem que para mim retrata o que exatamente trata isto de uma suposta aprendizagem. Quando penso no que é “aprender” assemelho sempre as crianças pequenas a uns extraterrestres que aterram por aqui e se vão surprendendo e fascinando “olha como eles fazem isto por aqui! Olha como funciona aqui! Olha, não levitamos e chamam-lhe gravidade!”

Mais ou menos isto…

😉

Assim, para mim, “aprender” às vezes até será “desaprender” e não é exatamente sinónimo de evoluir. Por isso gosto muito de observar e escutar as crianças. O que não implica que ache desnecessário esta parte de irmos vendo como as coisas funcionam por aqui, na Terra. E se soubermos como, no resto do Universo. É útil. É aqui que vivemos agora, não é verdade? Sem, no entanto, perdermos uma perspetiva mais ampla.

Essa descoberta de como funciona o mundo à nossa volta é intrínseca ao facto de viver, decorre naturalmente, não necessita propriamente de escola. É assim que eu entendo o Unschooling. É assim que o tenho vivido.

Introdução feita, hoje quero partilhar convosco a “Definição e Princípios do Unschooling”, que considero ser um excelente resumo, tradução livre da Marta Borges Pires (e com a sua expressa autorização) de textos extraídos do site da Sandra Dodd (http://sandradodd.com), diretamente referenciados em baixo (Nota: já tinha colocado há tempos um link para um post da Paula do Aprender Sem Escola com a sua tradução livre dos mesmo princípios):

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“O “unschooling” versa sobre a aprendizagem natural. Consiste na criação e manutenção, por parte dos pais, de um ambiente rico e estimulante em que as crianças podem seguir os seus interesses e as suas paixões. Envolve as crianças terem opções e os pais serem parceiros na aprendizagem dos seus filhos. Os pais facilitam, ajudam, encorajam, inspiram, guiam, apoiam e amam. As crianças aprendem, riem, brincam, descobrem, exploram, constroem, inventam, criam, resolvem quebra-cabeças, fazem puzzles, partem para aventuras e aprendem um pouco mais. Alguns pais estendem a filosofia do “unschooling” para além da componente académica e dão às crianças mais opções em todas as outras áreas das suas vidas (comida, horário de dormida, entre muitas outras áreas). A isto se chama “radical unschooling”.

 

Um esclarecimento sobre a utilização do termo “radical” neste contexto (retirado da página http://sandradodd.com/unschool/radical): para Kelly Lovejoy, o termo “radical” significa “profundo”, “ir ao cerne da questão, ao âmago” (“to the core”); para Sandra Dodd, é um tipo de “unschooling” que é real, profundo, comprometido, claro, que tem um propósito, que é focalizado, sentido, inteiro. E, de facto, pesquisando uma definição da palavra em português (ver http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/radical), cheguei ao seguinte resultado:

 

Radical

Adjetivo de 2 géneros

1. relativo a raiz

2. fundamental, básico, essencial

3. completo, total

4. drástico, profundo (…)

(Do latim radicāle-, «da raiz»)

Os princípios subjacentes ao “unschooling”, segundo Pam Sorooshian, são os seguintes (http://sandradodd.com/pam/principles):

 

A aprendizagem acontece a toda a hora. O cérebro nunca pára de funcionar e não é possível dividir o tempo em “períodos de aprendizagem” versus “períodos de não-aprendizagem”. Tudo aquilo que acontece à volta da pessoa, tudo aquilo que a pessoa ouve, vê, toca, cheira e saboreia resulta numa aprendizagem de algum tipo.

 

A aprendizagem não requer coacção. De facto, a aprendizagem não pode ser forçada contra a vontade de alguém. A coacção faz-nos sentir mal e cria resistência.

 

Aprender sabe bem. É gratificante e intrinsecamente recompensador. Recompensas irrelevantes podem ter efeitos secundários não pretendidos, que não apoiam a aprendizagem.

 

A aprendizagem pára quando a pessoa está confusa. Tudo o que é aprendido tem de se ligar a algo que a pessoa já conhece/sabe, sendo que, na maioria das vezes, este processo acontece de uma forma não linear.

 

A aprendizagem torna-se difícil quando a pessoa está convencida de que aprender é difícil. Infelizmente, a maior parte dos métodos de ensino pressupõe que aprender é difícil e essa é a lição que é realmente “ensinada” aos alunos.

 

A aprendizagem deve ter um significado. Quando a pessoa não consegue entender o porquê, quando não sabe de que forma é que a informação está relacionada ou é útil no mundo real, então a aprendizagem é superficial e temporária – não é uma aprendizagem “real”.

 

A aprendizagem é, muitas vezes, acidental. Isto significa que nós aprendemos enquanto estamos ocupados com actividades de que gostamos por si próprias e a aprendizagem acontece como uma espécie de “efeito secundário”.

 

A aprendizagem é, muitas vezes, uma actividade social e não algo que acontece em isolamento. Nós aprendemos com as outras pessoas que têm as capacidades e os conhecimentos que nos interessam e que nos deixam aprender com elas das mais variadas formas.

 

Nós não temos de ser testados para descobrirmos o que aprendemos. A aprendizagem será demonstrada à medida que utilizarmos novas competências e falarmos com conhecimento acerca de um tópico.

 

Os sentimentos e o intelecto não são opostos, nem sequer são coisas separadas. Toda a aprendizagem envolve as emoções, bem como o intelecto.

 

Aprender requer uma sensação de segurança. O medo bloqueia a aprendizagem. A vergonha e o embaraço, o stress e a ansiedade, bloqueiam a aprendizagem.”

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Numeração Romana e reflexões derivadas

Olá a todos!

Hoje uma entrada simplesmente dedicada ao Caderno verde…

Beijinhos e belos dias para todos!

Isabel

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Caderno Verde

Numeração Romana e reflexões derivadas

Em Janeiro fui à escola onde o Alexandre está inscrito em ED, buscar os testes de final de período que as turmas do 3º ano tinham realizado em Dezembro. Foi a 1ª vez que usei desta disponibilidade que a diretora do agrupamento nos proporcionou (facilitou)_ em Janeiro fui lá à escola buscar os testes, depois da Páscoa ela já mos enviou diretamente por e-mail, o que é muito mais cómodo, pois a secretaria fecha à hora que eu costumo chegar a casa, do trabalho, e às Quartas nem abre à tarde.

Depois, comodamente em casa, vamos vendo as perguntas a responder e serve-me para verificar se o que andamos a aprender e a pesquisar seguindo os interesses do pequeno se encaixa e como se encaixa na matéria que dão na escola.

Ora logo no teste de Matemática (começamos por este que é sobre a matéria que mais lhe interessa e a seguir vem o do Estudo do Meio) descobrimos uns “números esquisitos” que chamaram logo a atenção do Alexandre e que me fizeram pensar “Ups, não me tenho lembrado disto, da numeração romana!…” _ é que eu já li o currículo nacional de trás para a frente e da frente para trás e temos os manuais escolares que a escola usa, conseguidos em segunda mão e de forma grátis, mas não os seguimos como na escola, servem apenas de apoio quando surge algum interesse específico que eu sei existir algo sobre o assunto nos manuais. De modo que a numeração romana nos tinha passado ao largo… até então, quando os números romanos no teste, suscitaram curiosidade crescente.

Então eu expliquei-lhe sobre a numeração árabe e a romana e comecei, nas costas da folha do enunciado do teste, a mostrar como os romanos representavam o I o II, o III, o IV…

quando ele, entusiasticamente diz: ” Já percebi porque estão estes números nas capas dos filmes 1, 2, 3, 4, 5 e 6 do “Star Wars”!!!” _ sim, o pai, em jovem, era fã da série e mostrou-a ao filho por causa do seu fascínio por naves espaciais, um pouco contra a minha vontade… E ficou radiante por ter descortinado o que queriam dizer aqueles símbolos que ele tem visto nas capas dos filmes. Bem, a partir daí prestou uma atenção à sequência dos números e quiz logo saber como se representava o “500” em numeração romana e o “1000” e o “1000000”!!! Ora que eu já tinha dúvidas se ainda me lembrava corretamente e lá fomos à net, aqui e aqui, pesquisar… e foi uma alegria!

Entretanto passaram-se meses desde este episódio (não voltámos a debruçarmo-nos sobre a numeração romana) e há coisa de dias, a irmã do meio (a Celina) que esteve com ele a fazer uns exercícios de Matemática veio dizer-me que não tinha ideia que ele soubesse tão bem a numeração romana (ele começou a mostrar-lhe…) e eu disse-lhe “É, no outro dia estivémos a escrever números romanos, mas já foi em Janeiro, ele ainda se lembra?”. “Escreveu uns quantos lindamente, a mostrar-me.”_ respondeu ela.

Anteontem, o pequeno assim do nada, sentou-se à sua mesinha e no meio de uns quantos desenhos que esteve a fazer, escreveu também num papel a sequência dos números até XX (ele sabe a sequência toda, só que o papel deu bem até aos XX e foi o que lhe apeteceu…) e a seguir, “5000” e mostrou à mana Catarina assim que ela chegou (ela e o Bato ainda têm vindo cá a casa quase todos os dias, pois ainda não levaram todos os seus pertences para a “sua” casinha).

Ia-me dizendo para eu colocar um visto por baixo e quando viu o meu “visto feito à pressão” sob o XVIII disse “Mãe, que certo é esse?!!! Com um tracinho para o lado?!!! Deve ser um “certo romano”…”

(entre o número romano e o seu correspondente árabe, os dois tracinhos são o sinal de igual, “em pé”)

(o meu “certo romano”, ali por debaixo do XVIII…)

(este XX foi feito sem o papel estar apoiado na mesa, assim “no ar” e já agora aproveito para frisar algumas coisas: nós nunca lhe impomos tarefas como as de escrever 20 vezes a mesma letra ou o mesmo número para os aperfeiçoar (em termos de desenho), ele sempre quiz escrever um e pronto (a maior parte das vezes nos últimos até tem menos paciência e saiem pior), de modo que não nos faz sentido a repetição. Quando o faz, por ele, ele próprio refaz (um desenho, por exemplo),porque considera que o primeiro não saíu bem; quando precisa de escrever números ou letras “perfeitinhos” eles saiem “perfeitinhos”…

E também, como já viram, não o corrigimos (nem nos preocupa) quando ele desenha algarismos ou letras “ao contrário”, nós não consideramos isso dislexia, como já aqui escrevi num outro post, John Holt explica muito bem como isso é natural nas crianças, tal como elas desenham um cão ora com a cabeça voltada para a esquerda ora para a direita e para elas continua a ser o mesmo cão, também desenham um P (ou um B ou um 6 ou um 2) ora voltados para a direita ora para a esquerda e, para elas, continuam a ser as mesmas letras e algarismos. E também deixamos livremente que escreva a palavra “em espelho” ou que chegue ao fim da linha e continue para trás, escrevendo da direita para a esquerda, como o fez neste desenho (e faz várias vezes),

pois o nosso cérebro funciona mesmo assim, é capaz de ler em todas as direções, inclusivé de captar um texto como de uma fotografia se tratasse e nós inibimos todas essas suas natas capacidades ao restringirmos a leitura e a escrita apenas da esquerda para a direita (ou de cima para baixo, como noutras culturas); é evidente que, se a convenção é ler da esquerda para a direita e eu vou escrever em espiral, às páginas tantas os outros não me vão entender; então nós proporcionamos os textos tal como habitualmente eles se nos apresentam, mas alertamos para o facto de existirem outras culturas onde se escreve de outras formas (para além de noutra língua, claro) e não restringimos as suas manifestações espontâneas de várias formas de escrita.

Outra faceta, por exemplo, o Alexandre nunca gostou de colorir desenhos, gosta sobretudo de desenhar só com uma cor ou desenhar ou pintar (em telas) diretamente com várias cores (sem ter de desenhar primeiro e colorir depois) e nós nunca impusémos, como é óbvio, que colorisse desenhos. Caso venha a interessar-se por fazê-lo, então aí sim, apoiaremos.

E ainda, quando faz algo para oferecer a alguém, gosta de adequar o que faz aos gostos da pessoa a quem vai oferecer, como por exemplo esta página de contas que fez, de cabeça, para oferecer à mana Catarina, bem coloridas, pois a mana gosta muito de cores (e de misturar cores)_ ela colocou-as no quarto dela como um quadro oferecido pelo seu mano.

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