Posts tagged Reflexões

De Janeiro a Julho de 2014 – parte I

Olá, vivam!

Como há alguns meses que não dou notícias nem conto das nossas actividades em unschooling, vou fazer aqui um resumo dos meses de final de Janeiro a Julho (de 2014), seguindo a lógica de que, a falarmos de “ano lectivo”, para nós, um ano desses vai de Julho a Julho do ano seguinte (contamo-lo desde o aniversário do Alexandre que é a 12 de Julho). Obviamente, não é possível contar aqui tudo o que fazemos, mas algumas das coisas que têm mais expressão e ilustram um pouco como o unschooling funciona, ou melhor, como funcionamos nós, em unschooling.

Em unschooling, nós não planeamos as nossas actividades, elas vão acontecendo, a não ser em casos em que seja mesmo necessário alguma programação, tais como a nossa viagem a Nova York. Surgindo a vontade, surgindo as condições para acontecer, há uma data de “tarefas” a desenvolver (analisar melhores preços, compra dos bilhetes, tratar dos passaportes, seguros de viagem, etc., etc.) que têm que ser feitas à priori. E depois todo o entusiasmo que a viagem gerou, proporcionou actividades decorrentes e vontade de pensar no que queremos fazer, que locais visitar, anotações e afins.

Beijinhos a todos e não vou prometer que é desta que volto à minha regularidade anterior aqui no blog, farei o meu melhor! 🙂

Caderno Verde

De Janeiro a Julho de 20114 – Aqueduto, construção, matemática, geografia e história

As últimas notícias aqui no blog foram sobre experiências de Física e construção de um modelo do Titanic, bem como ver documentários sobre construção.

Depois disso continuámos com algumas “visitas de estudo”, fomos, por  exemplo visitar o “Aqueduto das Águas Livres” em Lisboa (é visitável  por dentro, mas na internet não diziam que só abriam as portas na  Primavera (e nós fomos lá a meio de Janeiro). Acabámos por percorrer  toda a zona por fora, observar bem o aqueduto e tirar fotos e, já em casa, fomos pesquisar sobre a  história do aqueduto e da sua construção que, durante tanto tempo, forneceu a água a Lisboa.

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(estação de Campolide! _ o Alexandre gosta desta estação….)

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DSC09884(aqui está o que não estava na internet     😉         )

 

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(é ali dentro que passam as condutas…)

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(de novo a estação! Para o regresso a casa…)

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Reforçámos, com mais um conjunto de peças de madeira, o nosso jogo “Jenga”, para construir novas estruturas (o pequeno entretém-se muito a inventar novos modelos de “construção de edifícios”).

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O Alexandre continuou a fazer mais desenhos, alguns a partir de figuras geométricas.

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Também praticamos matemática todos os dias, já que ele adora fazer contas de cabeça, inclusivé de multiplicações e divisões. Por sua auto-recriação. Por exemplo, quer saber quantas horas há num ano e  multiplica 365 por 24, de cabeça. Aqui há tempos anotei como ele faz as divisões, assim mentalmente, por exemplo, se quer dividir 236 por 4, na sua cabeça, faz primeiro, 50-50-50-50 (50 a cada um são duzentos e ainda lhe sobram 36 para dividir por 4 e vai continuando por aproximações; se a operação não der resto zero, diz que sobram “x”. E raciocínio idêntico é o que utiliza quando faz também as multiplicações, nesta dos 365 vezes 24 fez primeiro 300 vezes 10 vezes 2 e depois 300 vezes 4 e depois os 60 (vezes 10 vezes 2 vezes 4) e depois os 5, de forma idêntica e ia somando todas as parcelas, sempre “de cabeça”. Só que faz isto muito rapidamente, que eu, para verificar se está certo e a fazer da maneira dele, demoro  o quádruplo do tempo.

Para números muito grandes, utiliza máquina de calcular, mas sabe precisamente que contas fazer para resolver um problema que tenha em mente.

Ele tem seguido uma série de desenhos animados que passa no Canal Panda que se chama “Ciber Heróis” e onde passam muitos conceitos matemáticos e formas de fazer cálculos com eles, tais como, por exemplo, fracções e percentagens. Apercebi-me que o Alexandre tem a perfeita noção do conceito de fracção e faz contas de cabeça com números fraccionários da mesma forma que o faz com os inteiros e os decimais, bem como em relação ao conceito de percentagem. Para mim é  basicamente importante que ele perceba o que é uma fracção e o que é uma percentagem quando faça cálculos utilizando tais conceitos.

O pai comprou dois jogos novos, de tabuleiro, o “Risk”, jogo de estratégia militar com mapas de vários países e o “Ticket To Ride” que tem sido um sucesso cá em casa (entretanto fomos acrescentando extensões, começámos com o jogo na Europa e agora já temos o que se joga sobre o mapa de Portugal, o dos Estados Unidos e o da Ásia), todos adoramos jogá-lo, consiste em ir completando caminhos entre as várias cidades da Europa, por exemplo, com carruagens de comboio.
Também tínhamos comprado um jogo “em francês”, La Route Des Épices que, antes destes, jogámos várias vezes, pois é baseado na rota das especiarias que os navios antigamente percorreram e tem mesmo umas caixinhas com especiarias de verdade, as quais temos que adivinhar quais são pelo cheiro.

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Estes jogos dão sempre origem a voltar a pesquisar sobre os impérios e a sua história e localização nos mapas.

Como por exemplo esta “evolução do império britânico” _ ver as datas à esquerda:

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(Continua…)

 

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5º Aniversário

Vivam! Bom dia!

Anteontem, 14 de outubro, o nosso blog fez 5 aninhos!

É de comemorar, considero o “balanço” destes 5 anos como algo bastante construtivo.

Parafraseando a Paula do Aprender sem Escola, há cinco anos atrás quando começámos, muito pouco se falava, em português, no Ensino Doméstico, em Unschooling, em Aprendizagem Natural, também razão pela qual este blog nasceu nestes moldes, conforme lerão na página Projeto, aqui na barra superior, redigida em 2008, na “abertura d’A escola É Bela”.

Entretanto também participámos no blog de várias famílias praticantes de Ensino Doméstico, o “Pés Na Relva” que entretanto tem estado em stand by desde o final de 2011.

Entretanto também, mais blogs de famílias foram surgindo e novos “grupos de discussão”, ultimamente dois bastantes activos, no facebook, aos quais também pertenço, “Famílias Em Ensino Doméstico” e “Unschooling em Português”, houve um simpósio sobre Unschooling em Lisboa, com a Sandra Dodd e a Joyce Fetteroll, vindas directamente dos EUA partilhando connosco a sua larga experiência e vamos ter para a semana o 2º encontro da MEL. Oportunidades educativas mais consonantes com o ritmo de cada um estão, portanto, de parabéns, em Portugal!

O meu muito obrigado a todos.

Nós cá continuaremos, muitas vezes agora com um perfil um bocadinho diferente, em ressonância com os “novos tempos” em que toda esta informação se tem propagado e dado alguns belos frutos.

À laia de comemoração, deixo-vos umas fotos das que têm visto por aqui ou pelo Pés Na Relva e que considero de alguma forma bonitas ou significativas, em tempo de celebração.

E como a Escola É Bela faz anos e tem a ver com o Amor, deixo-vos ainda a recordação de dois posts, um de Fevereiro do ano passado, “O Amor É…” e um de Julho do ano passado “O Amor Está em todo o Tempo e em todo o Lugar”

Abraços para todos quantos nos visitam “caladinhos” ou interagindo de alguma forma e parabéns a todos quantos têm perserverado num caminho ditado pelo vosso coração. Dias belos para todos!

Isabel

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Conversas I

Caderno Verde

Conversas I

Conversa 1:

De manhã, ao acordar, ainda na caminha.

Alexandre _ “Mãe, o que gostas tu mais que tudo no Mundo?”

Mãe _ “Huummm… dos meus filhinhos, de os ver a todos muito felizes, de ver o papá feliz e assim sinto-me feliz também.”

Alexandre _ “Não sei se isso é verdade!”

Mãe _ “Não sabes se é verdade?!!!”

Alexandre _ “Não, porque eu bem ouvi no outro dia a mana a chorar ao telefone e tu não fizeste nada.”

Mãe _ “A chorar ao telefone? Ah! Mas não era comigo que ela estava ao telefone…”

Alexandre _ “Pois, mas não fizeste nada. Tens que fazer alguma coisa, quando vês alguém infeliz.”

Mãe _ “Sim, mas naquele caso, eu não podia interromper a conversa. O que é que achas que eu podia fazer?”

Alexandre _ “Olha, quando ela está cá em casa, deves fazer com que ela pense sempre em coisas boas. Por exemplo, mostrar-lhe as fotos do nosso diário _ o nosso blog, esclareço eu agora _, aquelas onde estou eu e ela nos nossos passeios e aventuras, que ela gosta muito de fazer comigo, pois ela assim fica muito alegre a lembrar-se desses momentos alegres e divertidos. E depois também podes dizer-lhe para ela pensar nalguma coisa que se tenha transformado para melhor, como, sei lá, uma certa alergia que lhe tenha passado… sabes?”

Mãe _ “Sim, é mesmo uma boa ideia! Tu tens mesmo boas ideias, meu filho.”

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Conversa 2:

Estávamos a ver os dois um documentário de uma série de cinco intitulada “O Poder da Terra”, este era sobre “O Gelo” (entretanto já vimos mais dois, um sobre os Oceanos e outro chamado “Terra dura”, sobre a Terra e os planetas e a Vida na Terra numa perspectiva histórica, os quais viu com muito interesse, de forma que já repetimos todos).

Entretanto tive que fazer uma pequena pausa e ao passar pela porta da cozinha aproveitei e dei uma palavrinha à senhora que nos ajuda com os trabalhos domésticos. No início ia só dizer-lhe que já tinha visto uma entrevista sobre a qual tínhamos falado num outro dia, mas depois aproveitei ela ter reparado no entusiasmo com que o Alexandre vê os documentários, comentando que a filha, um pouco mais velha que o Alexandre, não liga nem nunca ligou nada a documentários, para lhe explicar que uma das vantagens do unschooling é, precisamente, preservar a curiosidade natural das crianças em querer conhecer coisas e aprender. E então a minha pequena pausa tornou-se numa de quase 20 minutos.

Quando voltei à sala, o Alexandre estava um pouco aborrecido, mas tinha compreendido, só que eu resolvi apresentar as minhas desculpas, justificando-me:

Mãe _ “Sabes, é que a C. estava curiosa por gostares de ver estas coisas na televisão e eu tive que lhe explicar umas coisas sobre o ensino doméstico, para ela perceber.”

Alexandre, agora mesmo aborrecido _ “Isso não é verdade! A C. sabe muito bem, já me viu muitas vezes a ver documentários e de volta dos meus desenhos e projetos. Tu é que não te contens, és mesmo uma Senhora Jornalista _ de há uns tempos para cá que ele me chama, na brincadeira, de Senhora Jornalista, quando eu relato, muito entusiasmada, ao pai e às irmãs (e a quem aparece!) as coisas que vamos fazendo e as ligações que ele faz, é assunto que me entusiasma deveras_ . Sabes, mãe, tu tens um talento especial para contares as coisas que tu sabes, que eu acho muito bom, só que quando interrompes os nossos momentos divertidos para seres Senhora Jornalista, eu não gosto dessa parte.”

Ups! Tenho que gerir melhor isto. O meu pequeno tem razão.

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Seguir interesses implica também anteciparmo-nos

Vivam, bom dia!

Quando falamos em unschooling, aprendizagem natural, aprendizagem autónoma, seguindo os interesses da criança, etc., etc., às vezes há pessoas que pensam que significa que os pais nada fazem e deixam as crianças a aprender por conta própria. Já coloquei aqui no blog alguns posts a “retificar” essa ideia completamente falsa, pois para mim, não há maior envolvimento, atenção, disponibilidade por parte dos pais que o requerido pelo unschooling; muitas atividades surgem espontaneamente e muitas outras acontecem devido a uma antecipação: os pais a dada altura conhecem tão bem os seus filhos, gostos, o que os atrai de tantas experiências e atividades que praticam juntos que, quando vêem algo, estabelecem logo ligações a outras coisas, situações, etc., que estão mesmo a ver que vão complementar as atividades que decorrem. Às vezes não da forma que se pensa, já me aconteceu, mas o interessante é ficar “tudo em aberto” e deixar fluir.

É o que está por base de várias coisas que trago para o meu filho experimentar, como aconteceu com o cubo de Rubik, mais conhecido pelo “cubo mágico”. Já tinha andado um cá por casa, que era da nossa vizinha, quando o Alexandre era mais pequeno. Como o cubo de Rubik foi pensado pelo próprio para que os seus alunos (já crescidos) desenvolvessem a “visão/pensamento tridimensional” e como o meu pequeno sempre gostou de “trabalhar em três dimensões” e daí é que passou para as duas (desenhos, projectos, mapas, projecções) com maior facilidade, um destes dias realizei que será bom que haja um cubo mágico cá por casa (primeiro encontrei um mais pequenino e depois comprei o maior). O Alexandre achou-lhe piada e entretanto até andámos no youtube a ver os algoritmos mais avançados para a resolução do cubo, onde também explicam a organização das peças e assim chegar-se logo a visualizar quais as peças que pertencem a determinada posição.

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Outra coisa que me ocorreu foi ir ao site da CP (por todas as razões óbvias para quem acompanha o nosso percurso em unschooling) ver se havia algum mapa com os percursos dos vários tipos de Comboios de Portugal. Isto a propósito de uma conversa que o Alexandre tinha tido com o pai onde afirmava que determinada estação era uma “estação terminal” e onde “discutiram” os percursos percorridos pelos comboios Alfa e pelos Intercidades, bem como em quais estações paravam uns e outros. Nós costumamos ter essa noção quando consultamos os horários de alguns comboios e o Alexandre passa horas a percorrer as linhas de comboio no Google Earth,  mas isto assim visualizado, sistematizado e estendido a todos os de Portugal seria diferente.

Ora que no site da CP existe mesmo um mapa com os percursos tal como eu imaginava, imprimi um e quando o Alexandre o viu, adorou! Procedeu logo a uma consulta exaustiva, detectando as semelhanças e as diferenças entre Alfas, Intercidades, Interregionais e Regionais e Urbanos, observando a legenda_ a maioria dos percursos já ele conhecia, mas complementou a sua visão global com vários detalhes dos quais ainda não estava a par.

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Aqui, mostrei-lhe no computador onde tinha eu ido buscar tal mapa:

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O próprio…

E, claro, após uma hora e tal de aprofundamento do assunto, lá vem a inovação: sobre o mapa desenhou outros percursos que para ele são óbvios que venham a existir, para complementar esta rede ferroviária portuguesa.

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Em 2103 a CP terá mais estas linhas:

😀

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Isto fez-me lembrar um episódio que aconteceu há anos atrás e que contei quase logo no início deste blog, “Episódio na Bertrand“, em que o Alexandre, já no final da conversa, dizia à menina da livraria que um dia ia construir uma linha de comboio que iria percorrer todo este Portugal e vinha dali e por aqui e chegava até às traseiras daquele Centro Comercial onde nos encontrávamos na altura (isto com 4 anitos…).

😉

Esta actividade desencadeou o interesse por rever o filme “O Imparável” e foi o que seguidamente fizémos.

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Depois do filme, quiz voltar a ler o seu livro (que já tem desde os 4 ou 5 anos, embora seja um “livro para crescidos”) “100 Comboios de Sempre”. Já lemos algumas partes deste livro em várias ocasiões, mas nunca o tínhamos lido todo de seguida. Desta vez, começámos numa ponta e acabámos noutra (foi o treino que adquirimos ao ler os 4 livros da História de Portugal de uma ponta à outra), o que nos levou algumas tardes, pois o texto é denso e algo técnico, há que fazer umas pausas. Adorei sentir-lhe o interesse em toda a leitura e como aquela cabecinha vai decorando e associando pormenores (nomes, países, sequência no tempo).

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Num outro dia, mudámos de tema, quando o Alexandre pediu para alugar um filme que já tinha visto com a nossa vizinha há uns tempos, “As Fantásticas Aventuras de Tad“. Tem a ver com Arqueologia, Civilizações Antigas e artefactos misteriosos e o pai, no fim (nova antecipação), pensou em arranjar os filmes do Tintim, pois é capaz de haver também alguma adesão da parte do Alexandre, dados os temas.

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É muito engraçado para mim, ver como os temas se ligam e como Tudo vai decorrendo… e eu não estou presente mais de metade do tempo, não vejo as ligações que acontecem nas actividades que faz só com o pai ou com cada uma das irmãs e com o Bernardo (companheiro da irmã mais velha que também o acompanha desde que o Alexandre nasceu).

Um abraço e belos dias para todos!

Isabel

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Conversa sobre o Vegetarianismo e NutriVentures

“Mãe, porque te tornaste vegetariana?” _ foi esta a pergunta que desencadeou nova conversa sobre o vegetarianismo.

Já houveram outras, a anterior tinha sido desde quando era eu vegetariana e o pai e a mana Catarina e o Bato, isto passado tempo desde saber que nem sempre o fôramos e mais tempo ainda desde perceber que, em Portugal, a maioria das pessoas o não é e mais tempo ainda (pequenininho) em que não se apercebia de tais diferenças.

E isto porque apenas me vou cingindo a responder ao que ele realmente pergunta (isto é, quando me perguntou “desde quando” respondi-lhe “desde…” e não “e também porque…”) pois, como por aqui já referi algumas vezes, o Alexandre não gosta que lhe debite “Informação a mais” ou aquela que ele não solicita quando solicita algo específico (acontece também com outras famílias).

Também por aqui coloquei um post sobre termos explorado a Pirâmide Vegetariana dos Alimentos a propósito do seu interesse pelas Rodas dos Alimentos.

Então a minha resposta a esta sua pergunta, que teve uma segunda parte, “Foi por causa do Robiyn, não foi?” (isto porque ele sabe que o Robiyn dá workshops que eu já frequentei e a mana Catarina e o Bato frequentam, e é vegetariano, bem como a sua família (às vezes os filhos do Robiyn vêm brincar com o Alexandre) e também porque o seu grande amigo Bato às vezes toca no assunto), foi a seguinte:

“Não foi propriamente por causa do Robiyn, foi através do Robiyn (isto em 1998, quando não havia muita informação em Portugal sobre o tema) que tive acesso a muita informação sobre o vegetarianismo, mas o Robiyn não diz para as pessoas se tornarem vegetarianas ou que deveriam fazê-lo. Foi por causa dos animais, sim, porque à mãe sempre lhe fez impressão saber como as pessoas matavam os animais para depois os comermos e nunca fui capaz de assistir (quanto mais praticar) à matança do porco em casa dos avós das manas, ou das galinhas, ou dos patos ou dos coelhos, pois eles são agricultores e criam alguns poucos animais para comerem, embora eles tentassem ensinar-me como se fazia, mas eu não era capaz, desmairia logo _ a mãe já desmaia só de ver alguém a levar uma injecção! Até cozinhar a carne que eles punham na cozinha logo após, me fazia impressão e colocava-a às escondidas no frigorífico (porque senão eles chamavam-me lingrinhas e fracota) até a carne arrefecer e  já não me fazer tanta impressão. Então quando tive acesso a toda essa informação e percebi que não era preciso comermos carne de animais para vivermos (e vivermos saudáveis) e percebi ainda, que não era coerente não ser capaz de matar os bichinhos nem de os ver matar e delegar em outros essa responsabilidade, que é o que fazemos quando não matamos com as nossas mãos os animais, mas os comemos mortos por outros, resolvi tornar-me vegetariana.”

“E então a mana Catarina?” _ ele sabe que a mana Celina não é vegetariana.

Bem, é melhor perguntares-lhe a ela quais foram as suas razões, se quiseres uma resposta mais fiável. As manas obviamente não tinham que se tornar vegetarianas, só porque a mãe resolveu ser vegetariana. Quando eu deixei de comer carne e peixe a mana Catarina tinha 13 anos e a mana Celina tinha 8, um pouco mais novinha que tu, agora. Eu expliquei-lhes o que te expliquei a ti agora e disse-lhes que ia continuar a fazer e a dar-lhes a comida que elas estavam habituadas e gostavam, mas que ia cozinhar outras coisas diferentes para mim, que não utilizassem carne nem peixe. Elas começaram a provar dos pratos vegetarianos que eu comecei a cozinhar e gostavam muito de alguns; a mana Celina gostava muito de tofu à Brás (e não gostava nada de um outro prato parecido que se faz com bacalhau em vez de tofú _ bacalhau é um peixe…”

“Eu sei o que é que é bacalhau!”_ interrompeu.

“Pois, a mana Celina não gosta de bacalhau. Também gostavam de “bifinhos de seitan” com “natas” de soja e de mais uns quantos pratos vegetarianos. Mas enquanto a mana Celina decidiu depois, uns anitos mais tarde, comer só comida vegetariana em casa e fora de casa continuar a comer as outras comidas que as pessoas cozinhavam (em casa dos seus avós, do seu pai, dos seus amigos, etc.), a mana Catarina decidiu tornar-se mesmo vegetariana. Eu um dia contei-lhe que quando ela era bebé não gostava de comer carne nem peixe, que cuspia tudo, só gostava de sopinhas, de fruta, de leitinho, e de algumas papas e que, como eu não sabia na altura que os bebés podiam crescer saudavelmente sem comer carne ou peixe, “obrigava-a” a comer a carne e o peixe, disfarçando tudo muito bem e mesmo assim ela cuspia tudo na maior parte das vezes. Não sei se o ter-lhe contado esta história da sua infância contribuíu para a sua decisão de se tornar vegetariana, tens que lhe perguntar. E também tens que perguntar diretamente à mana Celina se quiseres saber as razões da sua decisão em relação a este assunto.”

“Bem, dá-me mas é aí as minhas batatinhas cozidas com seitan, que já estou cheio de fome…”

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E assim terminou, desta vez, a nossa “conversa vegetariana”.

😀

Notas adicionais:

– Há aqui no blog um link para uma entrevista que dei ao Centro Vegetariano sobre a minha gravidez vegetariana e o meu pequeno ter sido sempre vegetariano desde a gestação.

– Há pessoas que me perguntam se eu nunca dei oportunidade de escolha ao meu filho (de ser ou não vegetariano). Dentro da minha barriga, não, eu era vegetariana e ele alimentava-se através de mim, logicamente. Até aos 6 meses alimentou-se exclusivamente de leite materno (também por decisão minha e não dele, se bem que ele gostava muito de mamar e a amamentação ao peito prolongou-se por vários anos, até ele querer e pedir). Aos 7 meses, primeiro introduzi-lhe só a fruta, depois as sopas de legumes e cereais e ao dar-lhe a primeira colher de papa Cérelac ele vomitou e eu não voltei a insistir (comprei-lhe das outras, nas lojas Celeiro, sem leite adicionado, mas comeu-as a irmã mais velha, que adora papas, ele não gosta da consistência das papas, assim que começou a comer a fruta esmagada e as sopas, já só queria comida com pedacinhos_ também nunca quiz puré de batata nem açordas, por exemplo. Entretanto o pediatra pediu uns testes de alergia, porque ele vomitava tudo quanto tivesse leite de vaca (ao primeiro pedacinho) e verificou-se a sua sensibilidade extrema à caseína e outros alergéneos do leite de vaca e não come laticínios (e eu, entre comê-los e deixar de amamentar o meu filho ou continuar a mamentá-lo optei com a maior das facilidades por deixar de comê-los, sou, portanto, ovo-vegetariana). Entretanto, mais crescidinho, o Alexandre teve já muitas oportunidades de provar, pedir, pratos de carne e peixe, mas nunca quiz provar e faz-lhe um bocadinho de confusão/impressão ver e cheirar a carne e o peixe, sejam crús ou cozinhados, sobretudo cheirar, revolta-lhe um pouco o estômago. Portanto, sim, ele tem, desde há uns anos, oportunidades de escolha. E as minhas filhas só não tiveram as mesmas oportunidades de escolha mais novas ainda, por falta de informação minha, tal como também não puderam optar por não ir à escola e praticarem uma “aprendizagem natural”, por falta de informação minha, na altura (essa também já foi uma das perguntas do Alexandre “Mãe, porque é que tu obrigaste as manas a ir à escola e não foste tão boa para elas como para comigo?”).

Uns belos dias e belas refeições para todos!

Isabel

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Caderno Verde

Nutriventures

“Nutriventures: em busca dos 7 reinos” é uma nova série, portuguesa, que tem passado no Canal Panda e à qual o Alexandre acha muita piada. Tem a ver com a nutrição e a roda dos alimentos, mas também com reinos e aventuras.

Depois de ver vários episódios, soube que saíam em dvd e pediu-me para lhe comprar alguns (comprei-lhe os que já havia no mercado) e assim revê vários episódios sempre que quer.

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Entretanto descobri que havia um jogo on-line no site Nutriventures, inscrevi-o e começou a jogá-lo. Dentro do jogo há atividades várias, como comprar sementes, semeá-las no jardim e depois colher os seus frutos e ir gerindo moedas e pontos na compra e venda de vários itens ou para poder jogar o jogo propriamente dito. Também tem acesso aos episódios da série on-line.

A partir daí, começou também a construir reinos “Nutriventures” no Minecraft:

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E outra coisa que eu achei interessante foi quando me apercebi, numa conversa que ela ia a ter com a Catarina e com o Bernardo (Bato), no carro, tendo o Bernardo dito que não sabia bem quantos setores tinha a roda dos alimentos, que o Alexandre sabia-os de uma ponta à outra e respondeu-lhe logo: ” 7. A bem dizer, 8, contando com a água que está no centro e que se deve beber em muita quantidade. E deslindou todas as “fatias” da roda, a correlação entre elas e logo apôs as diferenças entre a roda usualmente explicada e a unicamente vegetariana.

Também me disse uma vez que a roda dos alimentos era um gráfico.

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A importância de brincarmos com os nossos filhos (brincar, jogar, etc.) e o Primeiro dia de praia de 2013

Vivam, bom dia!

Eu até há pouco tempo não me tinha dado conta de que há pais que nunca brincam e fiquei espantada quando me apercebi de que são mais os que não brincam do que os que brincam.

Palavra, palavrinha. Talvez porque os meus pais brincavam connosco; quando eu era mais bebé (entre os meus três e os meus quatro anos), era mais a minha avó que ficava connosco e lembro-me sempre de ela nos contar muitas histórias e de nos ajudar com os brinquedos e já contei aqui que foi com ela que aprendi a ler, aos 4 anos (antes de entrar para a escola, portanto) porque os meus pais me tinham dado uns cubos com letras e eu pedia à minha avó para ela formar com os cubos as palavras que eu queria saber como se escreviam. Um bocadinho maiorzinha, a minha mãe brincava connosco até ao jogo do lenço, ao “minha mãe dá licença” (não sei se alguém se recorda deste) e muitos outros. Foi o meu pai que me ensinou (por volta dos 9-10 anos) a jogar à batalha naval, ao jogo do stop (que na altura chamávamos-lhe outro nome, já não sei bem qual), fazia ginástica connosco na praia (em Moçambique, era praia quase todo o ano), xadrez, alguns jogos de cartas, jogos em que tínhamos que raciocinar, deduzir ou aplicar estratégias e outros fazer contas de cabeça e sei lá que mais. Os meus tios cantavam connosco (tenho um tio músico) e a minha mãe também, passeávamos muito (a minha mãe era daquelas que era capaz de fazer 60 km ao final da tarde para irmos comer um pastel muito bom a uma pastelaria nessa tal cidade a 60 km e depois passeávamos um bocadinho e voltávamos_ e a minha mãe sempre teve pouco dinheiro, daquelas que anotam tudo, pagam primeiro as contas e as despesas e vão reservando algum para estas “extravagâncias”) e dentro do carro íamos sempre a cantar em conjunto.

E então com os meus filhos, mesmo com as mais velhas que frequentaram a escola, eu sempre brinquei, não me passava pela cabeça que poderia ser de outra maneira. Aqui há uns meses  a minha filha mais velha (hoje com 27 anos) surpreendeu-me ao contar a todos lá em casa como tinha boas recordações de como eu brincava “às Barbies” com ela. E ela andava na escola (tinha crianças para brincar) e brincava com a irmã em casa, mas estas nossas brincadeiras tiveram lugar também antes da sua irmã nascer (elas têm diferença de 5 anos) e são os momentos que ela mais recorda com apreço. A somar a que eu quando pequena raras vezes brincava com bonecas (não gostava), mas com a minha filha brincava imenso (também a outras coisas, não só “às Barbies”; como ela gostava muito de cantar e de dar espectáculos, montava-lhe espectáculos com assistência e tudo e outras coisas que tais); com a mais nova (que agora é a do meio) também brinquei e quando não “brincava diretamente” apoiava logisticamente as brincadeiras (um exemplo engraçado foi ter ajudado a preparar um casamento de gatos: essa mais pequena sempre adorou gatos e juntava os gatos da vizinhança com o nosso e um dia em que estava uma amiga lá em casa a brincar lembrou-se de casar o nosso gato com uma gatinha linda da vizinhança, de modo que arranjámos fato para o noivo, vestido para a noiva e eu fiz um bolo de casamento em miniatura (pois uma das boas recordações que eu tenho da minha infância é a da minha mãe nos ter feito uma “festa em miniatura” com bolos em miniatura, loiças em miniatura, para festejarmos o batizado de dois nossos bonecos (eu+a minha irmã), isto é, a solenidade de lhe darmos um nome_ já disse que eu em pequena não gostava de brincar com bonecas, mas achava piada a estes “eventos” mesmo envolvendo bonecos) e nunca mais ninguém se esqueceu deste casamento de gatos, até porque o noivo fugiu a meio da cerimónia.

😉

Entretanto com este meu filho mais novo fui descobrindo que o unschooling vive deste brincarmos em conjunto, que sempre tinha sido natural para mim, mas que agora ganhou ainda uma nova dimensão. Está certo que eu não gosto de jogar a todos os jogos, nem brincar a todas as brincadeiras, mas jogo muito e brinco muito (e o meu filho ainda acha que eu trabalho muito e devia brincar mais… . E li há dias no ” The Big Book Of Unschooling” da Sandra Dodd algo sobre isto também (mais uma a acrescentar àquele meu outro post de que o unschooling não é uma teoria e é “universal” ), pois ela também acentua a importância de brincar e jogar com os filhos e também diz que há jogos de que não gosta e que a aborrecem, e não joga esses com eles, mas envolve-se nesses jogos de outra maneira, pesquisando coisas sobre, ou estando atenta à renovação do material envolvido, etc., etc. Há muitas maneiras de nos envolvermos nos seus jogos e brincadeiras, mesmo apenas conversando sobre eles ou sobre como foi bom aquele jogo de hoje, ou como foi bom passar um nível difícil, ou o que for_ partilhar o entusiamo, portanto, pelo menos. Nós cá em casa somos uns afortunados nisto, pois somos vários a poder brincar com o Alexandre, então ele tem sempre alguém com quem pode fazer parceria nos jogos e nas brincadeiras (e às vezes gosta mesmo de brincar sozinho), se não é o pai sou eu, ou a irmã mais velha ou a do meio ou o companheiro da mais velha que é um irmão para ele e ele considera ser o seu “melhor amigo”. Eu sempre gostei mais de brincar com adultos do que com crianças da minha idade (talvez porque, como já disse, os “adultos da minha infância” brincavam mesmo comigo e com os meus irmãos) e pelos vistos este pequeno é da “mesma massa”, pois embora também brinque com crianças prefere a léguas brincar connosco.

E no início deste assunto eu disse que aqui há tempos descobri, incredulamente, que há  muitos pais que não brincam, através de uma situação em que uma menina que esteve a interagir e a brincar comigo e logo lhe perguntei ao que gostava mais de brincar e depois disse-lhe que também brincava a isto e àquilo com o meu filho que é mais ou menos da idade dela, um bocado mais novo. E ainda estou a ver com nitidez a sua expressão de espanto na altura: “Mas as mães também brincam?”. Eu respondi-lhe “Brincam! A tua mamã não brinca?!”. Bem, isto foi assim espontâneo, saíu-me, tal a surpresa para mim e a mãe estava perto e eu perguntei-lhe “Tu não brincas?” e foi quando ela me explicou que não e porque não que eu caí em mim e pensei “agora como é que eu vou dar a volta a isto sem ferir suscetibilidades?”, ainda por cima porque tenho muito apreço por aquela mãe, é muito dócil e amorosa e sempre gostei muito dela. E de repente realizei, fazendo várias perguntas a vários outros pais, que são mais aqueles que não brincam que os que brincam com as crianças.

Isto fez-me pensar muito, vocês não estão a ver. Senti-me uma completa extra-terrestre na altura, ainda por cima porque não tinha até à data consciência deste “estado de coisas”. Como é que é possível ter passado 40 e tal anos a achar que os pais brincam com os filhos (lá devia haver um ou outro que não) e nem sequer pôr isso em questão? Mas foi assim e infelizmente é assim. Cada vez que tento apurar mais sobre o assunto com famílias novas que conheço (excepção feita às que praticam Ensino Doméstico_ mas também não são todos, os que brincam ) percebo que às vezes nem jogar raquetes com os filhos jogam… será possível? É como se houvesse uma compartimentação por idades, as crianças, os adolescentes, os jovens adultos, os adultos, os séniors e podemos falar entre grupos, mas brincar não… (e falar, às vezes também é com muita deferência!) Pois, nós também tentamos que a minha sogra jogue connosco e ela esquiva-se sempre (já a minha mãe não perde uma suecada, mas essa nunca fez esta compartimentação com as brincadeiras por idades), bem não sei… mas que sei que é importante brincarmos e jogarmos e sermos parceiros dos nossos filhos (e dos nossos pais!), sei. Sei que foi importante para mim (que andei na escola) e para as minhas filhas mais velhas (que andaram na escola) e o tem sido para este mais novo (que não anda na escola). Pelo menos. E também tenho lido ultimamente alguns relatos dessa importância para muitos unschoolers no grupo “radical unschooling info” do facebook e nos artigos e no livro da Sandra Dodd.

Já gora, para ainda refletirmos melhor, algumas razões que me têm dado para justificar que “brincar com os filhos está fora de questão” são: “brincar, brinca-se na escola, nos intervalos e nas férias com os amigos; quando se vai para casa, fazem-se os trabalhos de casa e mais algumas tarefas, como arrumar o quarto e os brinquedos que estiverem espalhados e no fim disto tudo podem brincar (entre irmãos, quando não há irmãos brincam sozinhos_ começo logo por não perceber a lógica de arrumar os brinquedos primeiro e de brincar depois) e ver um bocadinho de televisão (se houver tempo!) até à hora de jantar e entre o jantar e o deitar, mas não é muito bom, brincar entre o jantar e o deitar porque podem ficar muito excitados e custar-lhes a adormecer; e aos fins-de-semana há mais um tempinho para a brincadeira, mas nunca com os pais; os pais têm mais que fazer, estão cansados do trabalho e  muitos (sobretudo as mães) ainda têm que organizar a casa e tratar do jantar; alguns conseguem dar apoio aos trabalhos de casa (deveres, T.P.C), menos ainda conseguem ter conversas com os filhos sobre as coisas da escola, mas brincar com eles, não dá, eles já brincam muito com os amigos.”

E então ao fim-de-semana? Também não dá para brincarem com os filhos?

“Não. Eles brincam bem entre irmãos (e sozinhos quando não têm irmãos). As crianças gostam de brincar com crianças, não com adultos, nós não percebemos nada das suas brincadeiras e eles até ficam incomodados com a nossa presença quando interferimos. Os adultos estragam a brincadeira. Só interferimos para os separar, quando se chateiam uns com os outros.”

Pelos vistos não seria assim se de facto os pais brincassem, mas enfim, isto parece tão lógico para muitos que nem há lugar para contra-argumentos.

E há também quem diga “Eu já disse ao meu filho, eu não sou teu amigo/a, sou teu pai/mãe” e eu penso que isto são modelos de autoridade que nos passam e nos quais nós queremos muito acreditar que funcionam e que se damos alguma abévia aos nossos filhos isto se torna tudo uma rebaldaria e fora do nosso controlo.

Às vezes sinto-me tentada a recomendar, “Experimentem. O que vos chama a atenção nalgumas brincadeiras em que os vossos filhos se envolvem? Não têm qualquer interesse em saber o que se passa ali, como é aquele jogo? Alguns podem lembrar-vos outros que jogaram na vossa infância e podem mostrar-lhes como eram os nossos jogos, alguns ainda se jogam hoje um pouco mais “modernizados” _ estou a lembrar-me da “Batalha Naval” que eu jogava apenas utilizando um papel quadriculado e caneta ou lápis e o meu filho agora usa uns dispositivos de plástico onde se encaixam os barcos de um lado e onde se assinalam os lançamentos que vamos fazendo numa outra prancha com uma espécie de pinos. E há sempre os clássicos xadrez (nem que seja jogá-lo no iPad!) e damas e vários outros. Ou brincadeiras na praia, jogos de bola, raquetes, sei lá que mais. O nosso filho gosta muito de “brincar às imaginações” (é o nome que lhe dá, imagina várias situações que poderiam ser reais, em várias partes do mundo, usando vários transportes, construindo, elaborando, conversando, identificando estados de tempo e sei lá que mais e brinca a isso com um adulto (normalmente com o Bernardo que é o companheiro ideal para passar hhoooraaasss nisto com ele sempre a adorar a brincadeira). Experimentem, é só soltarmo-nos e deixarmo-nos ir…”

😉

Belas brincadeiras para todos!

Isabel

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Caderno Verde

O (nosso) Primeiro dia de praia de 2013

Foi no Dia da Mãe. Uma bela maneira para mim de passar o Dia da Mãe, com os meus filhos, marido, genro e na praia.

O Alexandre tinha-me oferecido logo pela manhã um mapa da cidade de Lisboa e alguns arredores desenhado e pintado por ele (atenção à pista do aeroporto, ali em cima e quase ao centro (ligeiramente à direita) que ele sabe que eu gosto mesmo de voar_ e a zona verde clara é o parque de Monsanto), que eu depois fixei numa das paredes do corredor cá de casa.

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Depois, praia, a aproveitar os primeiros dias quentes deste ano.

Enquanto eu e a irmã começámos por descansar na toalha, lá foram eles para “a ilha”, onde a areia estava mais plana e convidava a construir o castelo (o Alexandre há alguns anitos _ desde que lhe ofereceram este “dispositivo”_ que constrói o mesmo castelo com algumas variações (na decoração final) de castelo para castelo). Houve logo um menino que se juntou aos três construtores oficiais (Alexandre, pai e Bato). Há sempre alguma criança que se sente atraída por estes moldes de construção da Imaginarium e se junta a nós na tarefa.

E nessa altura nós (as ladies) fomos fotografando de longe, que estávamos um pouco no relax (a Catarina estava a estudar um texto para uma peça de teatro juvenil que anda a ensaiar e eu estive a ler o texto, que achei o máximo, chama-se “À espera de Vicente”, uma rapsódia de três trechos de peças diferentes do Gil Vicente misturada com uma acção no presente).

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Depois lá nos juntámos a eles e estivémos na praia até à noite. No final da construção passámos a jogar raquetes de praia, “à vez”.

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Logo a seguir à praia fomos jantar e os filhotes ofereceram-me ainda uma linda blusa verde-água-claro-intenso que me fica muito bem.

😉

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Unschooling, Além Teorias.

O que mais me encanta relativamente ao unschooling é que o unschooling não é uma teoria.

Logo desde o início que tive contacto com o tema o que me fez perceber que o que estava a ler nos livros de John Holt fazia muito sentido foi o facto de conseguir identificar, a cada aspecto de como as crianças aprendem que ia lendo, que era assim mesmo que se tinha passado em determinadas situações com os meus filhos, sobretudo com este meu mais novo que nunca tinha frequentado qualquer infantário/jardim infantil .

Uma das coisas muito engraçadas porque eu tinha observado antes de ter lido sobre esse aspecto num dos livros de John Holt foi a questão de eles não gostarem que lhes debitemos informação para além da que especificamente solicitam (contei na altura essa pequena história aqui no blog (na parte do Caderno Verde), nós íamos de carro no IC19 que na altura estava em obras e ele perguntou-me como é que se chamavam os camiões do cimento e eu para além de lhe responder diretamente desatei a falar-lhe do betão e de vigas e de pilares até ele me mandar parar que não queria saber nada disso e só me tinha perguntado o nome do camião, só queria saber exatamente isso e mais nada; dali a uns dias li sobre situações do género num dos livros de John Holt, “Learning All The Time”_ tal como o contei depois neste outro post . Depois, uma outra família contou sobre como constatou o mesmo).
E agora que ando a ler o Big Book Of Unschooling da Sandra Dodd, tem-me acontecido o mesmo, isto é, a cada parte do livro verifico que o que ela diz que acontece com a aprendizagem natural é mesmo “universal”, digamos, pois muuuuiiiitos dos aspectos se têm verificado também com o meu filho (que hoje tem 9 anos); um dos que li agora há pouco e achei engraçadíssimo: a dada altura a Sandra dá exemplos de vários jogos interessantes que podemos propor jogarmos com eles (os nossos filhos) e frisa que caso eles não queiram seguir as regras do jogo para não insistirmos que as sigam e deixar solto a ver o que acontece e isso faz muito eco com o que aconteceu com o meu pequeno;  a dada altura ele próprio me pediu para lhe dizer como é que se jogava xadrez,  e eu fui-lhe transmitindo as regras frente ao nosso tabuleiro, só que ele desistiu de jogar com as regras e inventou outras e depois até inventou novos bonecos (com os seus de Lego) para substituir as peças do tabuleiro) e entretivémo-nos horas dessa maneira; mais tarde continuou a jogar a sua variação do xadrez com as suas irmãs e cunhado e até lhe chamou outro nome “jogo de sadrêsss”; até que passados uns tempos começou a jogar com as regras tal e qual e joga bem, já nos ganha a quase todos! Mas de vez em quando, para variar, ainda quer jogar o sadrêsss em vez de xadrez. 😉

Onde quero chegar: àquilo por onde comecei_ se deixarmos que a aprendizagem naturalmente aconteça ela acontece da mesma maneira para todas as crianças, é universal e vê-se na prática, não é uma teoria (muito embora existam muitas variações de criança para criança, não na parte de como funciona, mas na parte do quando e dos aspetos da aprendizagem que vão focando ora uns ora outros, por terem gostos e interesse diversos).

Beijinhos e belos dias para todos,

Isabel

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Caderno verde

Onde Está o Xanti?

Uma brincadeira que ele empreende frequentes vezes quando está cá um dos primos, ou a vizinha ou mesmo para que um de nós entre na dança (também se esconde sob os lençóis da nossa cama e também gosta de aparecer sob um lençol ou toalha a fazer de fantasma).

😉

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