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Simpósio Sandra Dodd em Lisboa e Coisas que temos andado a fazer… V

Vivam, bom dia!

Conforme anunciei neste outro post, a 1 e 2 de Junho aconteceu em Lisboa, o Simpósio sobre Unschooling com a presença da Sandra Dodd e da Joyce Fetteroll (ambas mães unschoolers, americanas, com filhos já adultos que não frequentaram a escola e têm bons desempenhos nas tarefas que mais gostam de fazer (trabalho), tendo crescido saudáveis e felizes) e vários pais interessadíssimos no tema.

Alguns pais levaram também as suas crianças, pois havia um espaço de brincadeira para elas.

O simpósio correu lindamente, graças também ao empenho da sua organizadora, a Marta Pires.

Os “subtemas” abordados foram os que constavam do programa: 1- Boas-vindas e apresentação das oradoras; 2- Sandra Dodd – “As origens das ideias sobre o movimento norte-americano da “Open Classromm”, e John Holt e a reforma da escola; Como funciona o unschooling”; 3- Joyce Fetteroll e Sandra Dodd – “Aprender e Ensinar”; 4 – Sandra Dodd – “Desescolarização (deschooling)”; 5 – Joyce Fetteroll – “Caixa de Ferramentas para o Unschooling (1ª parte) e (2ªa parte: perguntas e respostas); 6 – Joyce Fetteroll – “Porque não conseguem relaxar e deixar ir”; 7 – Sandra Dodd – “Escolhas e Parcerias na Família”; 8 – Sandra Dodd – “Benefícios Imprevistos do Unschooling”; 9 – Sandra Dodd e Marta Pires – “Perguntas Frequentes sobre o Unschooling; 10 – “Sessão de Perguntas e respostas; 11 – “Encerramento e despedidas”.

Esteve ainda presente uma jornalista da Notícias Magazine, revista do Jornal de Notícias que desenvolveu uma reportagem sobre o simpósio e o tema Unschooling que sairá oportunamente. Quando souber a data da sua publicação, voltarei a falar-vos aqui.

A Sandra Dodd e a Joyce, na semana seguinte, vieram cá a casa com a Marta (depois de terem ido visitar Sintra) e tiraram algumas fotos (à pintura da nave espacial feita pelo Alexandre, à pintura da árvore de parede do quarto da Celina…). O Alexandre quiz logo saber em que local dos Estados Unidos moram elas, abriu o Google Earth e lá estiveram os três a localizar as casas de ambas (uma em Albuquerque, outra em Boston), muito divertidos. Também cá estava a mana Celina que esteve a conversar com a Sandra sobre a sua filha Holly, pois são ambas da mesma idade e, pelo que disse a Sandra, algo parecidas na maneira de vestir (tanto o Alexandre como a Celina e a catarina não tinham estado no simpósio).

🙂

Foram uns belos e proveitosos dias, belos dias para todos vós!

Beijinhos

Isabel

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Caderno Verde

Coisas que temos andado a fzer nestes últimos três meses (V)… para além das outras coisas que tenho contado por aqui.

– Parece que andamos na fase dos documentários. Este, sobre a Pirâmide Urbana (uma cidade em forma de pirâmide) projetada para Tóquio (inspirada obviamente na forma das antigas pirâmides), o Alexandre já tinha visto há uns meses atrás e voltou a querer vê-lo de novo, pois andam outra vez a passá-lo no Discovery Channel no programa “Mega-Construções”. Revimo-lo, portanto e desta vez gravámo-lo para um CD,

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assim como vimos e gravámos mais 4 documentários também do programa Mega-Construções” do Discovery Channel: um sobre a ponte (também ainda apenas em projeto) sobre o estreito de Bering que ligará a América (Alasca) à Ásia (Rússia); um outro sobre o túnel transatlântico (também em projeto) estudado para ligar a América do Norte à Europa (túnel submarino); um sobre a construção do túnel sob os  Alpes, na Suíça e um outro sob a construção do aeroporto de Hong-Kong. Vimo-los também umas duas vezes cada documentário (por agora…).

Também já vimos quatro vezes (embora ainda o não tenhamos gravado, mas vamos gravá-lo entretanto _ faltaram-nos os cds virgens) um outro documentário sobre os diques nos Países Baixos e uma outra obra de engenharia para que as terras baixas não sejam constantemente inundadas e dizimada a sua população (tal como aconteceu em 1953) e este fez com que o Alexandre andasse a estudar melhor o mapa da Holanda e as suas cidades de Amsterdão e Roterdão (e a ter vontade de ir visitá-las!). E também andou a analisar o mapa da Europa e mostrou-me uma forma que engendendrou de aumentar em 1 ou 2% a quantidade de água doce do planeta…

😉

– Mais desenhos em planta e mapas

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(outra versão do mapa de Lisboa com a sua ponte 25 de Abril e o seu aeroporto)

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(o mapa da Ilha dos Ratos, dos livros de “Gerónimo Stilton”)

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(aqui o mapa que vem nos livros)

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– Estiveram cá uns amigos a brincar (três irmãos), o Alexandre a jogar xadrez com o mais velho.

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Afinal o Melhor é Seguir Sem Métodos

Olá  a todos!

Mesmo tendo gostado de muitas coisas do que li sobre o método moderno, aprender a ler pelo método global e sobretudo o que deixei há dois artigos atrás para consulta sobre o Freinet, ao fim de umas quantas leituras apercebi-me que o melhor é não seguir qualquer método, ou melhor, seguirmos a nossa intuição e adoptarmos o que sentirmos que se adequa, a todo o instante.

Ainda li mais uns livros sobre este assunto da educação e vou mencionar aqui dois, interessantes, para quem estiver interessado em ler:

“A Educação e o Significado da Vida ” de Khris Nammurti

” Da Escola Sem Sentido à Escola dos Sentidos”, de António Torrado

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Entretanto parei um pouco com as pesquisas, pois ainda faltavam uns anitos para o Alexandre fazer os seis e continuámos a desenvolver actividades com ele.

Dediquei-me a inovar algumas facetas na minha área profissional, o Pedro também.

E quanto a esta área, tínhamos sempre na ideia formarmos um grupo pequeno, os alicerces de uma futura escola cujas vivências estivessem em consonância  com a forma como agora sentimos ser o mais adequado à “educação” das crianças, com tudo o que nos tinha feito sentido quando o Robiyn falava sobre a “educação”.

Afigurava-se uma dificuldade: os nossos amigos, com crianças, que partilham de algum modo da maioria destas intenções (família, amigos que conhecemos nos workshops do Robiyn e amigos que fomos conhecendo entretanto e que também não gostariam de pôr as suas crianças nas escolas habituais), estamos muito dispersos no que diz respeito ao local onde moramos. Das duas uma: ou íamos morar todos para a mesma localidade e começávamos aí a escolinha ou não e não dava para pensar numa escola a meio caminho, pois ninguém iria fazer uma boa porção de kilómetros diários para levar os filhos à escola e voltar para o trabalho, etc.

Um belo dia, na revista Pais & Filhos publicaram um artigo sobre “escolas alternativas”. 

Achei especial piada à Escola dos Gambozinos, no Porto. Com os dados indicados no artigo telefonei para a escola e falei com um dos associados, que me explicou que se instituiram como uma Associação Cultural sem fins lucrativos, dando-lhe o nome de “Educação pela Arte” e começaram com um projecto baseado nas mais variadas actividades artísticas e com uma forte componente musical e depois foram-se desenvolvendo e, usando a opção do ensino doméstico para as crianças inscritas naquela escola (matriculam-se todas oficialmente na escola oficial mais próxima da sede desta escola, porque eles funcionam em dois espaços perto um do outro, pois já têm inúmeras actividades e um nº considerável de alunos), funcionam já com o 1º ciclo, não seguindo programas nem currículos, misturam as várias idades e têm mais uma série de características interessantes como aprender matemática através de jogos e sempre muito vincada a componente artística (plástica, musical, teatral, etc). É um projecto muito interessante e já a decorrer há alguns bons anos…

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Então comecei a prestar mais atenção à figura do ensino doméstico…

Continuamos para a semana, dia 19, Quarto Minguante…

Beijinhos para todos!

 

Caderno Verde  

Uma forma de começar a conhecer os algarismos

A subir escadas de um edifício.

O namorado da mana Catarina não entra em elevadores.

Ou melhor, não entrava. Muito recentemente, com ajuda do Robiyn (frequentando workshops e tendo feito uma “orientação particular” começou a transformar este medo, já muito enraizado, de andar de elevador e há cerca de 2 semanas já experimentou e conseguiu, por duas vezes, andar de elevador). 

Quando ele está connosco, o Alexandre, desde pequenino,  aproveita todos os momentos para estar com o seu muito amigo Bato (como começou a chamar-lhe antes de saber dizer correctamente o seu nome. Já o sabe dizer, mas como nós começámos também a chamar-lhe Bato e continuámos, pronto, continua Bato).

O Bato subia sempre  de escadas, em todos os edifícios (no nosso, nos dos amigos que visitamos…) e o Alexandre sobe as escadas com o Bato. E sempre se entretiveram a contar os andares e, ao passar pelo algarismo escrito numa plaquinha em cada andar, a lê-lo: este é o 1, este é o 2, este é o 8, este é o 9…

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Pronto, desde cedo que o Alexandre reconhece os algarismos. Muito antes de lhe lermos os livrinhos onde aparecem os algarismos e a quantidade de maçãs, chapéus, bolas, estrelinhas, a eles associada. Surpreendeu-me da 1ª vez a reconhecer um dos algarismos, escrito num papel, ainda com 3 anos.

Tivémos um problema: Um dia ele contou quantas estrelinhas estavam numa figura e começou: 0, 1, 2, 3…

Eu instintiva e rapidamente lhe disse, ” É 1, 2, 3 … o zero não conta”.

Desencadeei uma discussão. “Mãe, o zero conta!!!!”

“Filho, não conta… o zero…”, e preparava-me para uma explicação.

“Mãe, o zero conta, o zero é o chão!!!”

Foi aí que percebi de repente e me calei.

Incoerências dos adultos na utilização que fazem do zero. 

Para além de que, de facto, o zero não existe, é uma abstracção.

“É verdade, o zero conta às vezes, tens razão”. 

Na sua lógica, que percebi logo ali, o zero contava, de facto, o piso zero, o rés-do-chão, ainda por cima subimos umas escadinhas depois da porta da entrada e aí é que fica o rés-do-chão que não está rés ao chão…, é um piso real, moram lá pessoas, conta!!!

Depois de ler o “Como as crianças aprendem”, de John Holt (ou o “Como aprendem as crianças”, conforme estejamos a ler a edição brasileira ou a portuguesa), passei a ter mais atenção a estes pormenores extraordinários da “aprendizagem” das crianças. E à não necessidade em estarmos “preocupados” em corrigi-las. Nem à necessidade de grandes explicações.

Claro que ainda sou apanhada nos hábitos e vícios de anos e daí a minha instintiva, rápida e peremptória correcção na altura precisa do “erro”… sem atender ao contexto da sua aprendizagem, que ainda por cima conheço.

Mas também rapidamente percebi, associei às muitas experiências contadas pelo John Holt,  e abstive-me de continuar a contrariá-lo, corrigi-lo ou de ficar a pensar numa forma de o fazer perceber mais tarde como se conta uma porção de objectos. Desprendi-me completamente do assunto, confiei nas suas capacidades em aprender facilmente o que lhe interessa e nunca mais me lembrei do assunto.

Hoje, um ano depois desta história, ele já faz contas simples de adição e subtracção (nem sei como aprendeu, pois foi com a Catarina que começou a fazê-las) e quando conta os objectos que estão nalgum lugar (ou as suas carruagens dos comboios!) diz correctamente se estão lá duas, cinco ou dez.  Conta bem até 39, e conta até dez em inglês, em francês e em espanhol (porque gosta e pediu para lhe dizermos como se contava nessas línguas…). E já deve ter percebido que às vezes “o zero é o um e outras vezes não”.

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