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Clonlara School e Desde Quando Existem as Gruas?

Ouvi falar na Clonlara School pela primeira vez num post da “Pipocas” no seu blog. E em como esta escola é dedicada às famílias homeschoolers.

A Clonlara é uma escola democrática sediada nos EUA.

Mais tarde, ouvi falar na existência de uma sua oficina em Espanha a que comummente chamamos Clonlara Espanha e no seu diretor Juan Carlos.

Entretanto conheci uma família portuguesa do grupo do ensino doméstico, cuja filha, em ensino doméstico, após ter concluído o 4º ano, se inscreveu na Clonlara em Espanha e cujo percurso decorre lindamente.

Foi em Setembro (de 2012!) que o conheci, ao Juan Carlos, pessoalmente.

😀

Participei numa pequena parte do encontro sobre Educação Livre que a MEL organizou e assisti, precisamente à sua (do Juan) palestra sobre a Clonlara e à palestra da psicóloga Sandra Gonçalves sobre as várias formas, vertentes, hipóteses de se educar livremente (“Formas, Estilos e Conceitos para uma Educação Livre”).

Na palestra dada pelo Juan fiquei muito mais esclarecida sobre o funcionamento da Clonlara. Soube da sua história, da sua origem. Soube do livro que está disponível no site da Clonlara Espanha para uma leitura on-line, “Educar en Família”, onde percebemos quais os vários caminhos correspondentes aos vários “tipos de famílias homeschoolers” que se enquadram perfeitamente na filosofia da Clonlara. O Unschooling é um desses, muito específicos e muito me agradou perceber como se enquadra em toda a parte “legal” da escola, frequentando a qual os alunos podem obter certificados internacionais, válidos (também em Portugal) ao abrigo da comissão Fullbright.

Aqui há tempos acedi (num dos grupos portugueses do ensino doméstico que existe no facebook) ao link para uma entrevista dada pelo Juan Carlos. E nessa entrevista o Juan diz algo engraçado, em como os maiores críticos da escola (Clonlara) são unschoolers e, por outro lado, a maior parte das famílias que têm inscritas são unschoolers. Paradoxo? Eu percebo ambas as razões…

😉

O engraçado da questão é que, como diz Juan na entrevista, permitindo a Clonlara que cada família construa o seu currículo ao longo do ano, uma família unschooler, não seguindo currículo (programa), pode conciliar-se com esta “escola” elaborando um currículo à medida que caminha, não um que pré-dita as atividades e sim um que relata as atividades que vão acontecendo. Esta é, para mim, a verdadeira aceção de um currículo: o que fizémos, o que aprendemos, escrito DEPOIS DAS COISAS ACONTECEREM, o que se adapta perfeitamente às vivências em unschooling. E uma Clonlara desta feita, com os seus consultores educativos faz-me lembrar o novo modelo educativo preconizado pelo Edilbertro Sastre aqui nesta página do seu blog Desescolarizar, onde visiona um sistema em que uma criança teria um tutor/consultor que a poderia ajudar nas direções de aprendizagem por ela (criança) escolhidas e que seria fiel depositário do desenvolvimento da sua aprendizagem e, mais tarde, seria esse cúmulo de conhecimentos que constituiria todo o seu currículo e a própria pessoa, com as suas competências, o certificado bastante.

Obrigada Clonlara e Juan Carlos, pelo vosso trabalho e apoio aos homeschollers.

E belas pesquisas sobre o assunto para todos vocês! Mil abraços,

Isabel

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Caderno Verde

Desde quando existem as Gruas?

“Mãe, desde quando existem as gruas? Ah! Se calhar desde os romanos! De certeza que já existiam na altura do Império Romano…”

Esta faz-me lembrar a noção do que é a História, sobre a qual já falei um pouco neste outro post.

Bom, lá fomos pesquisar desde quando existem gruas e guindastes e descobrimos várias informações não muito unânimes: primeiro, que o primeiro guindaste (irmão-primo das gruas, isto é, a grua é da família dos guindastes e é também chamada de “guindaste universal de torre”) nasceu na civilização grega uns 4000 a 3500 anos Antes de Cristo; depois que foi inventado pelos romanos (ah, ah! Esta era condizente com o que dizia o Alexandre…), etc., etc. Que os primeiros eram de madeira e só com a revolução industrial passaram a ser metálicos. Bem, chegou-nos para perceber que é uma “máquina antiga” e ver umas fotos interessantes.

Se virem no primeiro link do parágrafo acima a imagem do mecanismo que foi um dos “primeiros guindastes”, essa fez-nos lembrar quando no outro dia estivémos a construir uma ponte antiga (vou mostrar-vos num próximo post!) inventada pelo Leonardo Da Vinci… o Alexandre achou piada a montar e conhecer, mas no final disse logo que preferia as “pontes modernas”…

😉

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Fairhayden – Escola Democrática Americana

Vivam! Boa tarde!

Partilho convosco este vídeo que partilharam no grupo Aprender Sem Escola do facebook.

É bem interessante.

Gosto muito desta frase de uma das alunas: “Não importa que idade eu tenho e sim se estou pronta para assimilar essa informação”…

E desta: “… é lembrar que a aprendizagem está no coração do ouvinte e não na voz do professor” (de um rapaz que está para sair desta escola e ir frequentar outras aulas, tipo uma receita que ele quer aplicar quando se deparar com as tais aulas a que ele não está habituado, porque sempre esteve nesta escola).

Desfrutem!

🙂

Beijinhos para todos! Até breve.

Isabel

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Unschooling Portugal

Bom dia a todos com cheirinho a Primavera!                       🙂

Os dias voltaram a nublados, mas as flores já despontam por aí!…

Como tinha prometido há uns posts atrás e na sequência de uma Pergunta Frequente que nos têm feito: “pode praticar-se o Unschooling em Portugal?”, aqui fica hoje este post com o desejo de ser de algum proveito para alguém.

Da nossa muito pouca experiência sobre o assunto e muito parca para podermos “escrever um tratado sobre o tema” costumamos responder o seguinte:

1 – Olhando estritamente para o quadro legislativo português em matéria de Ensino Doméstico dir-se-ia que não, o Unschooling não é praticável em Portugal, isto porque a lei obriga a exames de equivalência no final de cada ciclo (com excepção do primeiro, que não obriga, mas quase todas as escolas pedem que as crianças façam um teste presencial no final do 4º ano), o que de alguma forma, implica seguir um currículo.

2 – Convém estarmos um pouco “por dentro” da “filosofia/prática” inerente ao Unschooling. O melhor é começar por ler os dois primeiros livros de John Holt  (a quem se atribui a definição do termo “unschooling”), já muitas vezes falados aqui neste blog (podem ler este post e este), “Como As Crianças Aprendem” (“How Children Learn”) e “Dificuldades em Aprender” (“How Children Fail”). E também podem ler a “colecção de posts” sob a etiqueta (tag) “Livros” onde estão muitos excertos de vários livros de John Holt, entre outros.

Para entender o “conceito”, a sua leitura é essencial.

Também é bom ler os demais livros de John Holt, ainda não editados em Portugal. Li “Learning All The Time” e “Teach Your Own”. Muito bons. (Para aceder directamente ao site de John Holt, aqui).

E se quiserem ler sobre muitos exemplos por todo Mundo de vivências em Unschooling, cliquem na etiqueta (tag) “unschooling” no site da Paula do “Aprender Sem Escola”.

3 – Assim muito muito simplificadamente, o unschooling tem como princípio a aprendizagem natural da criança, seguindo os seus interesses e curiosidade naturais e desenvolvendo por aí os tópicos que forem surgindo, à medida das suas solicitações.

O papel dos pais será sobretudo o apoio, acompanhamento, atenção, propondo algumas actividades de uma forma flexível, isto é, estando abertos a que as crianças não se interessem por elas e façam surgir outras muito mais interessantes para elas, na altura.

Sem currículos, sem avaliações.

Assim muito muito muito simplificadamente, uschooling pressupõe “viver” (mais ainda que “viver e aprender”).

4 – Ora como é que isto se pode encaixar na legislação portuguesa que existe sobre o Ensino Doméstico? À primeira vista parece não haver forma de se encaixar.

Algo essencial a reter: não há receitas. Cada um é como cada qual. Cada criança é como ela própria, cada um dos pais como cada um, cada família funciona da sua forma intrínseca e particular.

Quando leio os blogs das várias famílias praticantes do Ensino Doméstico gosto de os ler precisamente por haver uma variedade tal de maneiras como cada família funciona e como cada criança se interessa pelas mais variadas coisas, identificando-nos com umas e pouco com outras, adaptando ideias daqui e dali, sentindo que sim, isto para nós também é assim, ou não, aquilo funciona assim também com o nosso filho, aquela outra forma já não se adapta.

Voltando ao “como poderá o unschooling encaixar-se na legislação actualmente existe sobre o Ensino Doméstico, em Portugal?”, vivendo um dia de cada vez, as coisas às vezes podem ser de outra maneira.

No primeiro ciclo, temos 4 anos pela frente onde nos podemos aventurar a não seguir currículo, ainda que com o fantasma do teste presencial no final do 4º ano, fantasma sobretudo para quem, como o Alexandre, não gosta nada de fazer fichas nem testes nem de se submeter conscientemente a “avaliações”.

Mas há crianças que gostam. Por isso, para mim, dentro do unschooling que é seguir os interesses e gostos de cada criança, se ela gostar de fazer fichas, porque não fazê-las? E testes? E o que for? Unschooling, para mim, não é sinónimo de absolutamente sem testes, sem fichas, sem desenhos estereotipados, sem que recurso for, caso a criança se dê bem com determinada actividade e a peça ou se entusiasme com ela.

Por exemplo, ao ler este post da Meninheira do blog Dalle Un Coliño e este outro da Marvan do blog Orca & Alce, ok, há crianças que gostam de pintar desenhos reproduzidos, há crianças que gostam de fazer testes e até os fazem a si próprias se não tiverem testes-tipo à mão. Aos pais cabe o conhecer o melhor possível cada um dos seus filhos (e nós pais, que os acompanhamos desde bebés, desde que nascem, somos as pessoas à partida mais “qualificadas” para conhecer o que entusiasma cada um dos nossos filhos). E ainda assim, eles, os nossos filhos, estão sempre a surpreender-nos.

O nosso filho não gosta de fichas, de colorir desenhos, nem de “desenhar” repetidas vezes a mesma letra até sair mais perfeitinha. Desenha-a uma vez e está feito. O que tenho reparado é que numa vez seguinte, passados dias e até meses, já a desenha mais perfeita, à primeira, sem ter tido que ser sujeito a “praticar” repetitivamente o “desenho” da letra. O controle motor é já outro e foi aperfeiçoado de outras formas, porque tudo é um conjunto. Se ele gostasse, tudo bem, não teria qualquer problema em incentivá-lo a “praticar o desenho das letras” ou a colorir desenhos ou o que for.

O Alexandre está inscrito no 2º ano do 1º ciclo na escola da nossa área de residência, em Ensino Doméstico. Esta é uma escola onde todos os anos temos de pedir a renovação da inscrição em Ensino Doméstico (como diz na lei), onde nos disseram que a avaliação do nosso educando é por nossa conta (como diz a lei), onde nos aconselharam a manter um portfólio para o caso de o termos de apresentar no final do 1º ciclo (não diz na lei…) e onde também já nos disseram que em princípio, no final do 4º ano, ele teria de se submeter a um teste presencial caso quiséssemos que alguma escola aceitasse a sua inscrição no 5º ano (também não o diz a lei).

Um parêntesis: Caso queiram saber quais os Decreto-Lei, Leis e Despachos em vigor sobre o Ensino Doméstico em Portugal podem consultar a página Legislação do blog Pés Na Relva.

Assim, não temos seguido currículo (embora eu tenha conhecimento do conteúdo do currículo do 1º ciclo) e temos seguido os interesses do nosso filho através dos quais ele aprende imensas coisas. Tenho noção que no que se refere a matemática, geometria e ciências (estudo do meio), ele está perfeitamente dentro dos itens do que o currículo estipula para o 2º ano (mais “à frente” até, nalgumas matérias), o mesmo não acontecendo em relação à leitura e à escrita, saiba eu, no entanto, que ele tem um bom vocabulário e interpreta textos perfeitamente. Confio que até ao final do 4º ano tudo isso terá sido coberto.

Há ainda a hipótese de o podermos transferir do Ensino Doméstico para uma escola “à distancia”, também possível em Portugal. No nosso caso desejaríamos uma escola à distância vocacionada para o ensino doméstico, como por exemplo a Clonlara (que também existe em Espanha), onde já não se põe a realização de testes e exames e a avaliação é feita pelos projectos que empreendemos juntos.

5 – À laia de conclusão, portanto, Unschooling Portugal, sim (com uma grande dose de criatividade), pelo menos nos primeiros anos de escolaridade, enquanto não houver uma correcta divulgação e aceitação do conceito que permita a vivência em pleno do unschooling em Portugal.

Pergunto-me: será muito difícil que venha a existir, por exemplo, um ramo português da Clonlara School?

Pronto, o prometido é devido e está cumprido. Para todos os que nos têm feito a pergunta e não só, para todos os que se interessem agora ou se tenham interessado mesmo não tendo perguntado.              🙂

Abraço-vos, até ao próximo post!

Isabel

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Projectos _ Os que começam por ser de uma forma e se transformam noutra

Olá a todos!

Hoje coloco aqui um excerto do  livro de John Holt e Pat Farenga, “Teach Your Own” que me fez um “clique”, porque cheguei a pensar em juntarmo-nos com pessoas interessadas e termos uma “escolinha” onde as crianças pudessem seguir os seus interesses na descoberta de como funciona este planeta     😉      , e entretanto essa ideia desvaneceu-se um pouco, porque de facto não se foi concretizando nem se mostrou como a mais adequada para o Alexandre (e para todos nós, como família!) nesta altura. E senti isso reflectindo sobre o que é dito neste texto:

“During the late ’60s and and early ’70s I knew a number of groups of people who were starting their own school until after years of trying to get their local public schools to give them some kind of alternative. When they finally decided to make a school of their own, they had to persuade other parents to join them, reach some agreement on what the school would be like, find a place for it that the law would accept and that they could afford, get the okays of local fire, health, safety, etc., officials, get enough state approval so that their students would not be called truants, and find a teacher or teachers. above all, they had to raise money.

One day I was talking to a young mother who was just starting down this long road. she and a friend had decided that they couldn’t stand what the local schools were doing to children, and that the only thing to do was start their own. For many months they had been looking for parents, for space, for money, and had made almost no progress at all. Perhaps if I came up there and talked to a public meeting…

As we talked about this, I suddenly thought, is all this really necessary? I sad to her, “Look, do you really want to run a school? Or do you just want a decent situation for your own kids?” She answered without hesitation, “I want a decent situation for my own kids.” “In that case”, I sad, “Why go  through all this work and trouble _ meetings, buildings, inspectors, money? Why not take just your kids out of school and teach them at home? It can’t be any harder than what you are doing, and it might turn out to be a lot easier”. And so it soon proved to be _ a lot easier, a lot more fun.

In talking with young families like these, I found that what they most needed was support and ideas from other families who felt the same way. For this reason, I began publishing a small, bimonthly magazine called Growing Without Schooling, in which parents could write about their experiences teaching their children at home.  (…)”

E pronto! Por isto e tudo o que fomos lendo sobre o Unschooling, que nos fez todo o sentido, para além de o Alexandre dizer, volta e meia (quando se fala na palavra!), que não quer ir à escola, nos fomos familiarizando com a possibilidade de “matriculá-lo” em ensino doméstico.

Para a semana, dia 29, Quarto Crescente, vou escrever um pouco mais sobre “projectos”.  Até lá e uns belos dias para todos!

 

Caderno Verde

Eu sei que um dia…

“Eu sei que um dia vou ser um cozinheiro e fazer comida para muitas pessoas, para todos!” _ foi o que o Alexandre me disse, estávamos prontos para ir de viagem passar uma semaninha à terra da avó e a guardar em caixinhas arrozinho e seitan com natas (de soja!) que a avó tinha preparado para comermos em viagem.

Achei piada. Ele sempre gostou muito de “cozinhar” (mexer, misturar, adicionar, provar, dizer o que falta _mais um bocadinho de cacau, de açúcar, de sal, de salsa…).

Depois, já na casinha da terra da avó, voltámos a repetir a experiência do ano passado (o pão, as batatinhas assadas no forno de lenha com cebolas e pimentos,

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e este ano fizémos ainda um docinho, as famosas tigeladas de Abrantes que avó sabia a receita que costumam fazer aqui na terra dela, perto de Castelo Branco!):

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(estão lá ao fundo, as batatinhas…):

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E já regressados a casa, estava muito bem na sala e apeteceu-lhe fazer maionese (nós fazemos “maionese de leite de soja”    😉    ) e lá fomos de corrida para a cozinha, os dois. “Lembras-te dos ingredientes, mãe?”, perguntou-me, “Eu só me lembro de dois… ah (!), de três” e dirigiu-se logo ao frigorífico buscar o leite de soja e depois acima da bancada buscar a garrafa do azeite e de novo à porta do frigorífico buscar o frasquinho da mostarda de Dijon (a única que usamos, que é a única que não tem açúcar refinado na composição…). Dos outros ingredientes lembrei-me eu.

Então, a receita da maionese de leite de soja:

Uma parte de leite de soja, uma parte de azeite, uma parte de óleo de girassol; um gole de vinagre de arroz (ou de cidra, ou de frutos), um dentinho muito pequenino de alho, uma pitada de sal marinho não refinado, uma colherinha de sobremesa de mostarda de Dijon. Mistura-se tudo num copo alto, com a varinha mágica até espessar um pouco… e já está!

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Da Andreia, com carinho

 No seguimento do que contei no último post “Afinal o Melhor é Seguir sem Métodos”, entretanto um belo dia, conversando sobre a possibilidade de uma escola mais natural e que permitisse às crianças manter a sua curiosidade natural pelo conhecimento prático e efectivo, a Andreia escreveu-nos a contar a “história da sua escola primária”.

Contou-nos algo muito mais resumido que hoje, mas eu gostei logo.

Há umas semanas, reenviei-lhe o seu e-mail da altura e perguntei-lhe se gostaria de acrescentar mais alguns pormenores e que eu o colocasse neste blogue, como uma valiosa contribuição a tudo o que temos andado para aqui a dizer.

Com a sua generosidade e entusiasmo habituais, respondeu-me logo que sim e aqui fica a sua tão interessante contribuição para este blogue:

Querida Isabel, aqui vai o texto sobre a minha experiência na Escola da Quinta do Paço, no Algoz-Algarve, em que passei 3 anos maravilhosos da minha vida… está mais completo com pormenores que perguntei à minha Avó e recordámos em conjunto:

“A minha experiência de Escola primária a partir da 2ª classe (1984/85) até à 4ª classe (1986/87) foi fantástica!
Quando comecei nesta Escola, éramos uns 3 ou 4 alunos na 2ª classe e outros tantos na 1ª classe, na mesma sala com uma professora – que é a minha Avó materna – quando passei para a 3ª classe, mudámos para uma sala maior e ficámos 3ª, 2ª e 1ª classe com a mesma professora, só no ano seguinte, quando passei para a 4ª é que se dividiram as classes em 2 grupos, até porque nessa altura o nº de alunos tinha aumentado significativamente, assim passei para um outro edifício em que havia uma sala no 1ª andar para a 3ª e 4ª classes e no R/C a sala da 1ª e 2 ª classes, nessa altura a minha Avó continuou connosco e contrataram um outro prof para a outra sala, que ela orientava.

A minha Avó sempre foi uma prof muito especial, recordo-me das aulas de Primavera dadas em passeios pelos campos que circundavam a quinta, de termos sempre experiências muito práticas a decorrer na sala de aula, que normalmente eram projectos que nos ajudavam a ser responsáveis, fosse a cuidar de plantas ou a alimentar bichos da seda, de nos explicar tudo com exemplos muito práticos e jogos… que a maioria das vezes implicava que  construíssemos coisas.

Quando a questionei sobre o seu método, para incluir alguma informação mais técnica neste texto, disse-me que começou a seguir o Método Global (raiz global de 28 palavras) e pedagogia didáctica quando começou a ser prof em Angola (nos anos 60).
Mas que nesta Escola teve oportunidade de aprofundar um método mais dela, que lhe era natural e que lhe fazia sentido, que lhe vinha de dentro, da sua criatividade… disse-me que nos explicava as coisas como se ela própria fosse criança… e hoje sei que era mesmo isso… a Inocência e o Amor com que ela vivenciava este Prazer de ser Criança connosco, permitiu dar sempre oportunidades únicas aos alunos que não tinham conseguido noutras Escolas (que tb era o caso de muitos – chamados de crianças difíceis, com dificuldades ou repetentes – tive uma colega no ano anterior ao meu que tinha 12 anos e estava na 3ª classe) e a todos os que tiveram o prazer de estar nesta Escola pela 1ª vez … É de facto uma pessoa que viveu um dos seus Talentos e que encantou muitos alunos ao longo da sua carreira enquanto prof.

A mim deixou-me a semente de gostar da Escola e de aprender… e de ser autodidacta… e de tantas outras coisas que se perdem na fronteira de ser prof e de ser Avó… que ainda hoje é…

Voltando à Escola, como a Escola era numa quinta, esta foi sendo reconstruída à medida das necessidades, ou seja, no início estavámos todos no edificio principal, as salas de aula eram os antigos quartos do edifício e contávamos apenas com um antigo lagar convertido em sala de espetáculos… com o passar do tempo foram-se renovando as cavalariças em salas de aula, o celeiro em ginásio e etc… e todos participávamos de alguma forma nisso… Lembro-me particularmente da conversão do celeiro em ginásio, em que “salvámos” e relocámos ninhos de pardais… eu levei um pardal bebé para casa da minha Avó e juntamente com o meu Tio (5 anos mais velho que eu), conseguimos alimentá-lo e acarinhá-lo de forma a ele conseguir viver e voar… soltámo-lo passado uns tempos para ser livre!

Tínhamos uma horta em que plantávamos, regávamos e colhíamos os legumes, ajudávamos a fazer a sopa (descascar legumes), que comíamos sempre ao almoço,o prato principal e os lanches cada um levava de casa, tínhamos um forno a lenha em que se fazia pão e comíamos a fruta das árvores. A diversão principal era o tal Lagar convertido em palco de teatro e um baú cheio de roupas, sapatos, chapéus e etc, que podíamos usar livremente nos intervalos, as nossas pinturas da cara eram feitas com os caules das beterrabas da horta, construímos uma casa de madeira numa das árvores e baloiços… tudo o que tínhamos para brincar foi de alguma forma feito por nós… apanhávamos azeitonas, alfarroba e amêndoas… foi uma vivência maravilhosa!!!

Em parte porque fomos os primeiros… nos anos seguintes a participação dos alunos foi diferente, porque grande parte das coisas já estava feita mas  o conceito de participar, de integração dos alunos com a natureza, com a vivência da quinta fez sempre parte da Escola.

Tinha aulas de música, dança, teatro, ginástica e inglês – os fundadores da Escola e donos da quinta eram um casal de um americano e uma indiana – que tinham vindo viver para Silves-Algarve com os seus filhos adolescentes, ele era um prof catedrático e ela era uma prof de teatro, ambos nos davam aulas… e por exemplo no caso do Inglês, as aulas eram por graus e por isso tínhamos várias idades na mesma aula – eu por exemplo tinha aulas de Inglês com os colegas estrangeiros da 1ª classe e assim tb aprendíamos uns com os outros.
 E era normal termos prof de outras nacionalidades que estavam de passagem… lembro-me especialmente de uma prof de música israelita que tinha sido emigrante nos estado unidos. Havia uma grande diversidade de culturas… tive sempre colegas Ingleses, Americanos, Holandeses e Franceses nas minhas classes… o que muito enriqueceu a minha vida em todos os aspectos.

Quando entrei disseram-me que tinha de fazer um exame na 4ª classe, mas ao longo dos 3 anos que lá estive, eles conseguiram ser “reconhecidos” pelo ministério da educação e passei normalmente para o ciclo.

Em resumo, quero com isto dizer que não é preciso uma grande produção para uma Escola… e ainda hoje recordo esta Escola como os melhores tempos da minha “carreira Escolar” e da minha Vida!”
Beijinhos e Abraços com perlimpimpins da Terra das Fadas,
Andreia

 Obrigada Andreia , pela tua belíssima contribuição! Adoro esta tua história. É um belo presente de Natal para “A Escola É Bela”.

Podem consultar o blogue da Andreia aqui.

Quem gostar de escrever a contar experiências lindas e interessantes neste campo da educação, pode enviar-me textos e fotos para o endereço associado a este blogue.

Beijinhos, Andreia e a todos! Uma bela semana e um Natal cheio de momentos de aconchego, harmoniosos e felizes, para todos.

O próximo post será a 27 de Dezembro, Lua Nova!


Caderno Verde

“Computador” que fala

Depois deste Verão, como ele fez 5 anos, e tendo ele passado mais tempo com umas meninas amigas, mais velhas, de 7 anos, que estavam atarefadas a preparar as coisas (livros, mochilas, material…) para o novo ano lectivo quase a começar, resolvi perguntar ao Alexandre se ele queria ir para a escola.

Respondeu-me que não:

“Não, eu não preciso de ir para escola, porque tenho um computador em que eu carrego na tecla “L” e ele diz “L”, no “A” e ele diz “A”, no “M” e ele diz “M”… vês? Assim aprendo as letras, não preciso de ir para a escola”.

“Mas as tuas amiguinhas (disse os nomes) vão para a escola…” – insisti.

“Porque elas precisam, não têm um computador como o meu, que diz o nome das letras”.

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Bom, para além deste “computador” (que ele usava mais quando era mais pequeno), usa com frequência diária “computadores a sério” desde um pc a um mac portátil;  já desde os 4 anos que sabe ligá-los, desligá-los, introduzir as passwords (a Catarina diz que para além de ele saber escrever o nome dele o que sabe melhor escrever são palavras algumas que nem sabe bem o que significam (são as passwords)), esperar arranques, fechar janelas “inconvenientes” (aquelas que estão sempre a aparecer e que temos que fechá-las para entrar nos programas), ir a locais inimagináveis procurar o jogo em que quer entrar (até ver, só jogos “didáticos”), como por exemplo em bookmarks, e depois, dependendo dos “jogos”, realizar inúmeras tarefas.

Em próximas páginas deste Caderno Verde falarei de alguns dos seus favoritos.

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Afinal o Melhor é Seguir Sem Métodos

Olá  a todos!

Mesmo tendo gostado de muitas coisas do que li sobre o método moderno, aprender a ler pelo método global e sobretudo o que deixei há dois artigos atrás para consulta sobre o Freinet, ao fim de umas quantas leituras apercebi-me que o melhor é não seguir qualquer método, ou melhor, seguirmos a nossa intuição e adoptarmos o que sentirmos que se adequa, a todo o instante.

Ainda li mais uns livros sobre este assunto da educação e vou mencionar aqui dois, interessantes, para quem estiver interessado em ler:

“A Educação e o Significado da Vida ” de Khris Nammurti

” Da Escola Sem Sentido à Escola dos Sentidos”, de António Torrado

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Entretanto parei um pouco com as pesquisas, pois ainda faltavam uns anitos para o Alexandre fazer os seis e continuámos a desenvolver actividades com ele.

Dediquei-me a inovar algumas facetas na minha área profissional, o Pedro também.

E quanto a esta área, tínhamos sempre na ideia formarmos um grupo pequeno, os alicerces de uma futura escola cujas vivências estivessem em consonância  com a forma como agora sentimos ser o mais adequado à “educação” das crianças, com tudo o que nos tinha feito sentido quando o Robiyn falava sobre a “educação”.

Afigurava-se uma dificuldade: os nossos amigos, com crianças, que partilham de algum modo da maioria destas intenções (família, amigos que conhecemos nos workshops do Robiyn e amigos que fomos conhecendo entretanto e que também não gostariam de pôr as suas crianças nas escolas habituais), estamos muito dispersos no que diz respeito ao local onde moramos. Das duas uma: ou íamos morar todos para a mesma localidade e começávamos aí a escolinha ou não e não dava para pensar numa escola a meio caminho, pois ninguém iria fazer uma boa porção de kilómetros diários para levar os filhos à escola e voltar para o trabalho, etc.

Um belo dia, na revista Pais & Filhos publicaram um artigo sobre “escolas alternativas”. 

Achei especial piada à Escola dos Gambozinos, no Porto. Com os dados indicados no artigo telefonei para a escola e falei com um dos associados, que me explicou que se instituiram como uma Associação Cultural sem fins lucrativos, dando-lhe o nome de “Educação pela Arte” e começaram com um projecto baseado nas mais variadas actividades artísticas e com uma forte componente musical e depois foram-se desenvolvendo e, usando a opção do ensino doméstico para as crianças inscritas naquela escola (matriculam-se todas oficialmente na escola oficial mais próxima da sede desta escola, porque eles funcionam em dois espaços perto um do outro, pois já têm inúmeras actividades e um nº considerável de alunos), funcionam já com o 1º ciclo, não seguindo programas nem currículos, misturam as várias idades e têm mais uma série de características interessantes como aprender matemática através de jogos e sempre muito vincada a componente artística (plástica, musical, teatral, etc). É um projecto muito interessante e já a decorrer há alguns bons anos…

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Então comecei a prestar mais atenção à figura do ensino doméstico…

Continuamos para a semana, dia 19, Quarto Minguante…

Beijinhos para todos!

 

Caderno Verde  

Uma forma de começar a conhecer os algarismos

A subir escadas de um edifício.

O namorado da mana Catarina não entra em elevadores.

Ou melhor, não entrava. Muito recentemente, com ajuda do Robiyn (frequentando workshops e tendo feito uma “orientação particular” começou a transformar este medo, já muito enraizado, de andar de elevador e há cerca de 2 semanas já experimentou e conseguiu, por duas vezes, andar de elevador). 

Quando ele está connosco, o Alexandre, desde pequenino,  aproveita todos os momentos para estar com o seu muito amigo Bato (como começou a chamar-lhe antes de saber dizer correctamente o seu nome. Já o sabe dizer, mas como nós começámos também a chamar-lhe Bato e continuámos, pronto, continua Bato).

O Bato subia sempre  de escadas, em todos os edifícios (no nosso, nos dos amigos que visitamos…) e o Alexandre sobe as escadas com o Bato. E sempre se entretiveram a contar os andares e, ao passar pelo algarismo escrito numa plaquinha em cada andar, a lê-lo: este é o 1, este é o 2, este é o 8, este é o 9…

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Pronto, desde cedo que o Alexandre reconhece os algarismos. Muito antes de lhe lermos os livrinhos onde aparecem os algarismos e a quantidade de maçãs, chapéus, bolas, estrelinhas, a eles associada. Surpreendeu-me da 1ª vez a reconhecer um dos algarismos, escrito num papel, ainda com 3 anos.

Tivémos um problema: Um dia ele contou quantas estrelinhas estavam numa figura e começou: 0, 1, 2, 3…

Eu instintiva e rapidamente lhe disse, ” É 1, 2, 3 … o zero não conta”.

Desencadeei uma discussão. “Mãe, o zero conta!!!!”

“Filho, não conta… o zero…”, e preparava-me para uma explicação.

“Mãe, o zero conta, o zero é o chão!!!”

Foi aí que percebi de repente e me calei.

Incoerências dos adultos na utilização que fazem do zero. 

Para além de que, de facto, o zero não existe, é uma abstracção.

“É verdade, o zero conta às vezes, tens razão”. 

Na sua lógica, que percebi logo ali, o zero contava, de facto, o piso zero, o rés-do-chão, ainda por cima subimos umas escadinhas depois da porta da entrada e aí é que fica o rés-do-chão que não está rés ao chão…, é um piso real, moram lá pessoas, conta!!!

Depois de ler o “Como as crianças aprendem”, de John Holt (ou o “Como aprendem as crianças”, conforme estejamos a ler a edição brasileira ou a portuguesa), passei a ter mais atenção a estes pormenores extraordinários da “aprendizagem” das crianças. E à não necessidade em estarmos “preocupados” em corrigi-las. Nem à necessidade de grandes explicações.

Claro que ainda sou apanhada nos hábitos e vícios de anos e daí a minha instintiva, rápida e peremptória correcção na altura precisa do “erro”… sem atender ao contexto da sua aprendizagem, que ainda por cima conheço.

Mas também rapidamente percebi, associei às muitas experiências contadas pelo John Holt,  e abstive-me de continuar a contrariá-lo, corrigi-lo ou de ficar a pensar numa forma de o fazer perceber mais tarde como se conta uma porção de objectos. Desprendi-me completamente do assunto, confiei nas suas capacidades em aprender facilmente o que lhe interessa e nunca mais me lembrei do assunto.

Hoje, um ano depois desta história, ele já faz contas simples de adição e subtracção (nem sei como aprendeu, pois foi com a Catarina que começou a fazê-las) e quando conta os objectos que estão nalgum lugar (ou as suas carruagens dos comboios!) diz correctamente se estão lá duas, cinco ou dez.  Conta bem até 39, e conta até dez em inglês, em francês e em espanhol (porque gosta e pediu para lhe dizermos como se contava nessas línguas…). E já deve ter percebido que às vezes “o zero é o um e outras vezes não”.

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Da Elsa, com carinho

Olá a todos!
 
Hoje temos a contribuição de uma amiga a quem pedi para escrever algo sobre a sua experiência até agora e tendo começado este “ano lectivo”, a trabalhar  num colégio onde utilizam algumas práticas inspiradas no método da escola moderna. Como vem a propósito e dá seguimento ao post anterior…
 
Eis o que tão prontamente me enviou, o que agradeço do coração (obrigada Elsa! Beijinhos e a continuação de um belo trabalho):
 
“Na escola onde estou, ainda não estão a aplicar o método da escola moderna a 100%, embora o que já colocaram em prática eu tenha gostado.
 
O que considerei curioso e interessante foi o facto de no pré-escolar os grupos serem verticais, isto é, as  criança estão agrupadas com idades diferentes. As crianças de 2 anos estão na mesma sala que as de 3, 4 e 5 anos. A forma de trabalhar com estes grupos é muito interessante e exige muito mais trabalho por parte do educador ou professor porque tens que conseguir despertar o interesse das diferentes idades e sabemos que estão em estádios de desenvolvimento muito diferentes.
 
No início fiquei um pouco confusa, mas depois percebi que tudo depende das nossas expectativas. Nós não podemos querer que uma criança de 2 anos reaja da mesma forma que uma criança de 5 anos. Percebi também que as crianças mais pequenas muitas vezes parecem não estar a perceber nada, mas estão a perceber e a gostar das actividades mas dentro do seu ritmo e do seu desenvolvimento.
 
Outra situação interessante é que as crianças aprendem muito umas com as outras, os mais velhos são incentivados a ajudar os mais novos e os mais novos começam logo a adaptar-se a estar com crianças mais crescidas e a aprender com os amiguinhos.
 
Apercebi-me que consoante a idade a criança apreende aquilo que é importante para ela naquele momento e que ela própria faz a selecção da informação, mesmo que seja inconscientemente.
Todos os grupo se inter-ajudam entre si e quando isso não acontece as educadoras incentivam para que assim seja.
 
Todos os desenhos e trabalhos que estão expostos pela escola são elaborados só pelos alunos, não existe o hábito de o educador ou professor ir retocar o trabalhinho porque não é bem assim que se faz, porque o boneco é um risco, etc.
O trabalho de cada criança é valorizado e exposto tal e qual como ela o fez, seja considerado bonito ou feio pelo adulto. Por vezes ao lado do desenho está uma “tradução”, isto é escreve-se o que a criança descreveu do seu próprio desenho.
 
Penso que até agora são estes os pontos mais relevantes que tenho experienciado com este método no último mês e meio.
Eu ainda não tinha trabalhado com grupos verticais e estou a gostar da experiência.

Muitos beijinhos
 
Grata por existires
 
Elsa Lopes “

 

Caderno Verde  

Animais

Até agora, só lhe conhecíamos afeição por gatinhos. Tivémos um em casa quando ele era bébé.

Ao contrário da Celina, que tem mesmo uma perdição por gatos, que quando era pequena andava sempre a observar os bichinhos e levava no bolso caracóis e bichos de conta e que ficou felicíssima quando estivémos rodeados de golfinhos (a Catarina também ficou eufórica com os golfinhos), o Alexandre não tem especial paixão pelos animaizinhos.

Há dois anos atrás, a atravessarmos para Tróia no Ferry, vimos os golfinhos do Sado e ainda me lembro do “choque” que tive, ou melhor, da surpresa confesso que para mim, na altura, um bocadinho desconcertante, quando nós todos contentes mostrámos ao Alexandre “Olha, olha, golfinhos!!!” e ele não ligou nenhuma, só estava interessado nos Pneus onde o ferry ia encostar quando atracasse, pois já se avistavam os Pneus e no meio do nosso entusiasmado “olha, Golfinhos!”, ele só dizia “os pneus, os pneus!!!”…

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Estão a ver… No outro dia contava este episódio à professora de ioga da Catarina (marcou-me…), na primeira manhã ensolarada que fomos experimentar com elas fazer ioga na praia (adorei) e dizia-lhe isso mesmo: “Entende como fiquei desconcertada? Nós amantes da Natureza, vegetarianos por respeito aos animais,   todos contentes quando vemos as espécies que não é comum ver todos os dias e este pequeno fascinado por comboios, metros, teleféricos, máquinas, construções, ferry-boats e pneus!”

Ela só dizia, “Percebo, percebo…” (também tem uma filha pequena).

Agora já acho piada que ele goste de pneus, quando tive que ir mudar os do carro, levei-o comigo, foi uma excitação.

No entanto, às vezes surpreende-nos com uns gestos de carinho, festinhas que faz ao cãozinho da vizinha ou, como este ano aconteceu, com estas cabrinhas lá na terra da avó…

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